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Archive for the ‘Mayor’ Category

Querida Madrid,

Não foi você, nem fui eu, foi a vida.

 

Você me acolheu, divertida e generosa, e nos apaixonamos à primeira vista. Cheguei a achar que seria para sempre.

 

A rotina se instalou e nossa paixão se foi. Por um tempo, quase ficamos de mal. Você foi dura e preconceituosa, te praguejei e prometi te abandonar.

 

Seu rechaço era só medo do que não conhece e minhas palavras só frustração de quem se sente não compreendida.

 

Quando caía a noite, fazíamos as pazes, descobríamos que nos adorávamos e, quando você não queria me forjar, também não precisava me impor a você.

 

Finalmente, nos entendemos e nos aceitamos, cada qual com seu espaço. Podíamos seguir com o que tínhamos de melhor, sem perder nada. Ficamos mayores.

 

E descobrimos que a paixão não havia se perdido, mas se transformado em amor.

 

Acontece que amor não prende, deixa ir, porque sabe que sempre seguirá.

 

Vou com saudade e melhor que seja assim. Os caminhos que me levam são os mesmos que podem me trazer de volta e logo nos reencontraremos. Não com a intensidade de amantes apaixonados, mas com a amizade indestrutível de duas velhas senhoras.

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E só nadou na parte rasa…

Tem coisa mais chata para criança na piscina do que mãe insistindo: fulaninho, fica na parte rasa!

 

Entendo o desespero materno, mas também me lembro de achar as piscinas infantis um verdadeiro tédio. Bom mesmo eram aquelas enormes (ou pelo menos, na época me pareciam gigantes) dos clubes. Onde dava pé só me servia para plantar bananeira. Se não fosse para andar de cabeça para baixo, o fundo era muito mais interessante.

 

Fui cedo para uma escola de natação, nunca perguntei, mas imagino que minha mãe achou mais prudente que eu aprendesse a nadar de uma vez. Mas me lembro que mesmo antes de saber nadar, o fundo não me assustava. Aprendi que se não gastasse energia me debatendo e, ao contrário, me deixasse afundar, era muito mais simples de empurrar o chão com as pernas, pegar impulso e subir. Por isso, não tinha medo, sabia que do chão não passava. Bom, e também porque criança não tem juízo mesmo e portanto, a gente faz merda o tempo todo sem se preocupar com os riscos.

 

Já um pouco mais velha, e ainda sem o menor juízo, também na praia preferia o fundo. Com mais cautela, afinal um caldo na frente de todo mundo seria bastante constrangedor. Mas, ainda que nadar no mar fosse bem diferente que em uma piscina, havia um conceito parecido, reagir te faz gastar energia à toa, o mar era infinitamente mais forte que eu, melhor não brigar contra a correnteza.

 

Não tenho mais a mesma ousadia física, a consciência do risco me fez mais atenta. Entretanto de alguma forma, e felizmente, algo dessa lição ficou. Sigo preferindo o medo ao tédio; sigo sabendo que do chão não passo, pelo contrário, ele pode te impulsionar para cima; é burrice nadar contra correnteza e, sobretudo, detesto só nadar na parte rasa.

 

E dito isso, vamos a nossa próxima história!

 

Indo direto ao ponto: nos mudaremos de Madri para Londres. Foi assim, de repente, não mais que de repente!

 

Na verdade, a possibilidade surgiu por volta de uns dois ou três meses. Acontece que como essa, várias outras possibilidades já haviam surgido e se foram, é normal. A gente não para nem guia nossa vida só por isso. Simplesmente, vamos fazendo plano A, plano B, plano C… e tocamos o barco. Mas não nego que dessa vez tinha uma intuição que ia acontecer.

 

Tinha muita vontade de escrever a respeito para clarear as ideias, mas ao mesmo tempo, era uma informação que não podia divulgar, poderia comprometer no trabalho do Luiz. Posso me responsabilizar pelo que conto da minha vida, mas não posso prejudicá-lo. Assim que simplesmente me travou a escrita.

 

Há umas duas semanas, ou pouco menos que isso, ele aceitou a proposta. Ainda assim, tivemos que esperar ele comunicar na empresa que trabalha aqui, afinal, as saídas precisam ser muito bem feitas. A gente nunca sabe que voltas o mundo dá.

 

Ele não será transferido, está trocando de emprego.

 

É arriscado? Lógico que sim! Dá medo? Pânico! Tomamos nossas precauções? Todas as possíveis! Isso garante que vá dá certo? Óbvio que não, mas afinal, quem quer só nadar na parte rasa? E, a propósito, estatisticamente, há mais gente que se machuca escorregando na borda da piscina, que se afogando.

 

Os ventos indicam que a correnteza vai para esse lado, então, há um momento que a gente precisa acreditar que do chão não passa e tentar.

 

Então, tá bom, agora vamos aos micos!

 

Primeiro passo, achar um lugar para morar. Simples, né? Só que moramos em outro país e estamos no meio de dezembro! A última semana e a primeira do ano que vem são meio mortas e tive a semana passada e essa semana para encontrar alguma solução.

 

Luiz começa a trabalhar na nova empresa no dia 7 de janeiro. Precisamos ir um pouco antes para agilizar alguns detalhes de documentação. Assim que o melhor dia seria por volta de 3 de janeiro.

 

No mundo ideal, alugaríamos um apartamento não mobiliado para o princípio do ano e mandaríamos nossa mudança junto com nossa ida para lá.

 

Acontece que, para começar, ainda não encontrei nada que caiba todos nossos móveis, ou um mínimo de móveis que não estou disposta a me desfazer.

 

O preço da mudança, pelo menos o primeiro orçamento, me pareceu exorbitante, estamos buscando soluções alternativas, que incluem alugar um caminhão e irmos dirigindo com a mudança nas costas!

 

Nosso apartamento atual foi alugado por um período mínimo de um ano e só levamos seis meses aqui. Ou seja, que em teoria teríamos uma multa de 6 meses! Ui! Luiz já conseguiu negociar, para um máximo de 3 meses de multa, mas se alugar antes para novos inquilinos, eles não cobrariam. Assim que já liberamos a casa para visitas e, apesar do momento nada propício, os recebo com sorriso de orelha a orelha e o apartamento impecável!

 

Pois é, acontece que, se alguém resolver alugar o apartamento para ontem, nós é que não vamos reclamar ou dar para trás, certo? Então, se não tivermos para onde enviar a mudança, precisaremos fazer duas, a primeira para um guarda-móveis e a segunda para Inglaterra.

 

E, nesse caso, ainda teremos um outro passo que é alugar um apartamento mobiliado temporário, enquanto a mudança espera no guarda-móveis e a gente encontra um segundo apartamento para mudar de vez.

 

Ou seja, temos o pano A, B, C… um alfabeto inteiro! Ficou fácil? Quer complicar mais um pouco?

 

Até um par de dias atrás, meu marido estava achando que tínhamos tempo pacas e que estava estressada à toa! Até entendo que ele precisa se preocupar com temas mais sérios e políticos dessa saída e entrada em nova empresa, mas não, não tínhamos tempo! Por mais que tentasse explicar, ele não registrava que teríamos, brincando, umas duas semanas mortas para qualquer negociação. Amor, agiliza que a água bateu nos fundilhos! Se a gente não correr atrás disso a sério e agora, vai dar merda e vai sair caro!

 

Finalmente, não sei se ele entendeu ou se não me aguentou mais pentelhando, mas resolveu botar as pilhas e nos últimos dias a gente conseguiu ver alguma luz no fim do túnel. Nada ainda certo, mas a neblina está se abrindo.

 

Enquanto isso, na sala de justiça, deixa contar um episódio bizarro, mas engraçado. Eu fico procurando apartamentos pela internet. Daí, quando comecei a ver que talvez precisássemos de um apartamento intermediário antes de alugar o definitivo, lá fui eu para os classificados buscar “short term rental” (aluguel de curto tempo/termo). Abriu uma página que achei meio estranha, na primeira foto, uma mulher em roupa íntima e logo abaixo outros tantos anúncios de apartamento. Que esquisito… mas enfim, segui minha busca, achei uns dois apartamentos que pareciam interessantes e enviei a mensagem dizendo estava interessada. Pois é, então você recebe uma confirmação que sua mensagem foi enviada na sua caixa postal. Beleza. Fui checar pelo meu link se tinha as fotos dos tais apartamentos para enviar ao Luiz. Só que ao invés de ir direto ao apartamento, o link ia para a “home page”. Sem problemas, fui no motor de busca e digitei “short time rental”. Pois foi parar numa sessão que oferecia garotas de programa! Um monte de fotos de putas! E eu, caraca, que raio eu fiz? Será que ao invés de me candidatar a um aluguel de apartamento, me candidatei a uma suruba? Taquiupariu quequeufiz! Ainda deixei claro que era para meu marido e eu!

 

Bom, logo depois descobri que havia feito confusão com as palavras “term” (termo) com “time” (tempo), que quer dizer quase a mesma coisa, mas descobri que a conotação era outra! Menos mau, não estava buscando um ménage à trois.

 

Havia outra coisa bizarra nessa história, que era o preço cobrado. Sabe quando está bom demais para ser verdade? No início, preocupada se tinha feito alguma cagada e enviado meu e-mail a um cafetão, não havia me dado conta. Não ficava claro se o preço era por dia, por mês… Por isso, pedi informação a dois diferentes (apartamentos, não cafetões!). A resposta veio muito parecida, trocando uma palavra por outra, esquema seis por meia dúzia. Até aí, vai ver o website tem uma resposta padrão. Enviei por separado algumas outras perguntas e perguntei se poderia visitar o apartamento. Resumo da ópera, era golpe. Novamente, as respostas vieram super parecidas, o preço era estranhamente barato e eles só aceitavam visita depois de fazer um depósito. Ou seja, uma roubada total! Assim que, de uma maneira ou de outra, o objetivo do anúncio era me joder.

 

Hoje, novas portas se abriram. Luiz conseguiu falar com um apartamento que me pareceu muito bom, em princípio, se não perfeito, nos viria muito bem para começar. A imobiliária fecha nessa quarta-feira (depois de amanhã) e só abrirá no início do ano. Mas ele conseguiu, com um depósito, segurar o apartamento na primeira semana de janeiro. Realmente, espero que não seja outro golpe, não parece ser, mas em algum momento, precisávamos arriscar. E Luiz também entendeu o que estava querendo dizer quanto a não termos mais tempo. Agora é cruzar os dedos, torcer para esse apartamento ser o que parece pelas fotos e para a imobiliária ser honesta. Tenho bom pressentimento, se é que isso ajuda.

 

Compramos algumas caixas de papelão no fim de semana e amanhã começo a empacotar algumas coisas. Ainda não sei se faremos a mudança nós mesmos ou alguma empresa, mas pelo sim pelo não, melhor aproveitar esse tempo morto.

 

Também estamos doando e vendendo coisas e móveis. Já havia começado a fazer uma limpeza despretensiosa, como faço todos os anos, sem saber que mudaríamos. Com a notícia, ampliamos a oferta. Porque os aluguéis em Londres são radicalmente mais caros que na Espanha, e pelo menos no início, iremos para um apartamento de dois quartos, até nos localizarmos melhor.

 

Tenho pensado se faço uma festa de despedida, talvez um réveillon-despedida, para os exilados em Madri. Muita gente viajou, mas sempre tem quem fique. Não preciso nem dizer que com todo esse caos, não pensamos em por o nariz fora da cidade durante as festas. Assim que pode ser que funcione. A vantagem é que se os vizinhos reclamarem, não fará a menor diferença! Ainda que nas festas de fim de ano, as pessoas sejam mais razoáveis.

 

Minha ficha ainda não caiu totalmente, talvez porque tenhamos outras prioridades para resolver. Ou talvez, porque não seja tão longe daqui, não é complicado voltar para visitar os amigos. Também porque não é meu país de origem, digamos assim, até difícil encaixar isso na cabeça, porque há anos meu país é minha casa.

Não é minha primeira vez, nem a segunda, já conheço os passos. Não sei as respostas, mas sei boa parte das perguntas e isso faz muita diferença. A experiência nos dá atalhos e, principalmente, a companhia de um parceiro que navega na mesma onda, traz coragem recíproca. Se é com ele, eu vou.

Em alguns momentos, já me aperta o coração, sei que vem mais saudade para meu currículo, mas também sei que se por um lado ela dói, por outro me faz mais generosa e consciente de que somos efêmeros. Não sei se outras vidas terei, nem me importa, dessa, a única que tenho certeza, levarei até o osso! Tudo que não quero para meu epitáfio é a frase: e só nadou na parte rasa…

 

E assim, me despeço das “crônicas madrileñas”, deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar sorrir para não chorar e se alguém por mim perguntar, diga que só vou voltar depois que me encontrar…

 

Agradeço a companhia nessa viagem e espero vocês na próxima, que venham as crônicas britânicas! E quem quiser acompanhar, seja mais que bem vindo! Até breve!

http://www.youtube.com/watch?v=plOTKOJ32Os

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Chegou dezembro

E o ano se vai, assim, correndo! Acho que meus anos não passam mais, eles seguem uma enxurrada e me levam junto. Até gosto dessa sensação de movimento, mas às vezes a velocidade é vertiginosa.

 

Faz agora uns seis meses que saímos do centro de Madri para Las Rozas. Não tive problema para me adaptar, poderia ser mais difícil, mas não foi. Achei bom estar um pouco afastada da muvuca, não para sempre, mas por esse período teve suas vantagens.

 

Gostei de voltar a dirigir, de estar em um apartamento grande e mais confortável, fazer nossos trocentos churrascos, com amigos ou somente Luiz e eu.

 

A cidade já não é como quando chegamos, a crise pegou os espanhóis de jeito. Próximo de onde morávamos, há praticamente um protesto nas ruas por semana, com direito a policiais de choque, latas de lixo destruídas e por aí vai. Os noticiários anunciam despejos e escândalos. É triste, mas estar afastada fisicamente desse olho de furacão acabou me preservando um pouco. Tenho consciência de quão egoísta soa esse pensamento e sinto muito, estou sendo sincera, não conviver com o problema não faz o mundo melhor, mas faz minha vida mais fácil.

 

Aproveitei para cuidar de mim. Descansei, dormi melhor, fiz alguns tratamentos estéticos e, pouco a pouco, vou recuperando minha forma anterior à paulada hormonal. Ainda me falta perder algo de peso, mas não tenho mais o eterno corpo de grávida recente que me acompanhou no último ano. O cabelo está quase comprido outra vez e vermelho, como eu gosto. Fútil, né? Estou sabendo… e pouco me importando.

 

Esse período não se resumiu a cuidar do meu umbigo. Sigo com meus mil planos, só não ando com muita vontade de contá-los, nem sei porque.

 

Tenho o costume de usar meu cotidiano para me exercitar, em vários sentidos, porque não só o físico precisa de ginástica. E tenho usado os últimos meses para tonificar alguns músculos meio adormecidos. Acho legal saber que algumas habilidades ainda estão lá, só dar uma azeitadinha na máquina que ela funciona.

 

Ando pressentindo mudanças de ventos, ainda não sei para que lado soprarão, mas estou pronta para voar na mesma direção, seja ela qual for.

 

Esperando 2013, pode chegar!

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E a festa, como foi?

Foi o máximo!

 

Meu aniversário cai em um feriado e muita gente viaja. Não é de todo ruim, assim diminui a angústia de ter que escolher quem convidar. Porque, por mim e para o desespero do meu marido, sempre chamaria todo mundo!

 

Portanto, contei que morando fora do centro, ou seja, agora é difícil vir na minha casa sem carro e, ainda por cima sendo feriado, podia ficar à vontade para chamar a galera. Mas no meu cálculo pessoal, imaginei que seriam umas 50 pessoas, nessa ordem de grandeza, e assim foi.

 

Estava louca por uma festa!

 

Os últimos meses foram duros, com a confusão de mudança, morte do Jack, doenças diversas na família e tal, ficou difícil encontrar ânimo para comemorações.

 

Acontece que problemas fazem parte da vida, não tenho mais a expectativa de passar todo um ano com tudo absolutamente bem. Não existe mais essa possibilidade. Na verdade, talvez nunca tenha existido, na infância seus pais te poupam desses momentos ou a gente nem entende direito. Uma vez que a inocência se vai, o jeito é se acostumar às calmarias e tempestades. E a minha já se foi há muitos anos!

 

Assim que, resumindo, deu um intervalo entre furacões, em maior ou menor intensidade, eu sempre comemoro! Sabe-se lá quando será a próxima oportunidade. E adoro porque Luiz pensa igual e embarca junto.

 

Como não escondo de ninguém o quanto gosto de celebrar aniversário, acho até que a família, se tem algum problema, encobre e espera passar.

 

Acredito que gentileza, felicidade, alto astral e coisas do bem são contagiosas. Assim que deflagrada a onda, os amigos também seguem e se animam. A gente sabe que vai passar bem, se divertir e todo mundo precisa disso. Eu preciso disso.

 

Gosto de festas com alguma temática, porque você acaba encarnando algum personagem e se libera. Dessa vez, custei a encontrar um tema, porque queria e me pediam várias coisas. Daí fizemos um samba do criolo doido e fundimos aniversário, carnaval fora de época e descarrego, tudo-junto-ao-mesmo-tempo.

 

Os convidados foram incentivados a vir vestidos em três cores: azul para abrir novos caminhos; verde para deixar o de ruim para trás e branco para agradecer. Podia combinar cores, na verdade, podia qualquer coisa, era só de farra. E lógico que o pessoal é show e todo mundo entra na brincadeira.

 

Tinha “fogueira” em sal grosso para queimar uruca, fitinhas do senhor do Bonfim, espada de São Jorge, sete ondas para saltar e por aí vai.

 

Música ao vivo, não preciso nem contar, né? Claro que sim!

 

Começamos cedo, assim os amigos que trabalham na noite podem aproveitar e também evitamos problemas com vizinhos, afinal era a primeira festa nesse apartamento, sabe como é? A gente tem que ir adestrando aos poucos! Assim que tentei ser razoável e não enlouquecer Luiz, sem deixar a festa ficar chata. Aos poucos fomos diminuindo a intensidade do som. De maneira que, sim, fizemos barulho, mas procurei manter o respeito.

 

Ou por isso, ou pela minha teoria que os vizinhos sempre tem medo da gente, funcionou. Ninguém reclamou.

 

Como de costume, faço as comidinhas e os amigos trazem o que quiserem beber. Ainda bem que os fumantes ficam na varanda, porque pela quantidade de bebida, qualquer farpinha explodia o apartamento! O bolo, felizmente, ganhei de presente, porque só lembrei no dia anterior que não tinha pensado em nenhuma sobremesa! Geralmente, tenho um pouco de vergonha de cantar parabéns, mas esse ano estava no pique e com vontade.

 

Eu fui na minha cachacinha e nem tenho porque negar, lógico que chutei o pau da barraca! Sem esquecer de tomar litros e litros de água, porque sou profissional no assunto e tenho uma fama a zelar.

 

Toquei, cantei, dancei, dei novecentos e trinta e nove abraços etílicos e conselhos inúteis importantíssimos! Ganhei um monte de presentes e sorrisos legais! Enfim, me diverti horrores!

 

Luiz teve ajuda para arrumar o apartamento, porque afinal, de algo vale a intimidade e sempre tem quem desça o lixo, quem dê uma ajeitada na louça, quem dê uma limpada no chão… nossos convidados são muito independentes!

 

Infelizmente, uma hora a festa precisa acabar, eu sempre acho que foi pouco, mas me conformo.

 

Fui dormir feliz da vida. E será assim que me lembrarei desse aniversário.

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Uma coisa bem desagradável

Pois é, enrolei bastante para escrever sobre o aniversário. A festa foi o máximo, me diverti pacas e esse nem foi o problema. O caso é que fui roubada, isso mesmo que você leu, fui roubada dentro da minha casa. Então, não queria ofuscar uma história legal com um baixo astral desses.

 

Agora que a poeira baixou e posso até fazer piadas a respeito, resolvi contar o que ocorreu, mas vou fazer de trás para frente. Primeiro a parte ruim, assim me liberto para que na memória fique só o que houve de bom.

 

O festão foi no sábado, acordei no domingo nas nuvens, amarradona! Sem ressaca, sem uruca, feliz!

 

Chegou à tarde e comecei a procurar meu celular e nada! Que estranho…

 

Não sou uma pessoa ligada em celular, todos meus amigos sabem disso, no entanto, em dia de festa, eu deixo sempre sobre a mesa de centro, caso alguém ligue querendo informação. De modo que, se eu não escutar tocar (coisa comum), algum convidado dá o alerta.

 

Assim que na noite anterior, tive o cuidado de carregar a bateria e acordei com ele, afinal, é o meu despertador.

 

Com cinquenta e tantas pessoas em casa, obviamente, não estava preocupada em tomar conta de um telefone. Tinha muito o que fazer. Presentes estavam os amigos de sempre e alguns acompanhantes de amigos, ou seja, todo mundo conhecido e próximo, se não diretamente, trazido por alguém de confiança.

 

Portanto, deveria haver alguma explicação lógica e provavelmente até engraçada. O primeiro que pensei foi que deveria haver sido levado por engano. Bastante razoável, com pouca iluminação, o pessoal bebendo, é fácil se confundir e pegar o celular errado.

 

Como é um iphone e tem GPS, fomos buscá-lo para ver se estava aqui em casa em algum canto improvável, ou em outro endereço. Acontece que o GPS só funciona se o celular estiver ligado e me aparecia que ele havia sido desligado. Mais estranho ainda, porque bateria eu sabia que tinha. Alguém pega o celular trocado e ainda desliga?

 

Muito bem, esquisito, me deixou com uma pulga atrás da orelha, mas ao mesmo tempo, não queria acreditar no pior. Não havia nenhum estranho em casa. Tinha que haver alguma explicação.

 

É comum nas festas aqui em casa ter sempre alguém que esqueceu alguma coisa. Daí rola um tipo de “achados e perdidos” pelo próprio Facebook, até a gente localizar os distraídos. Coloquei eu um aviso que não encontrava meu celular, se alguém havia pego por engano. Juro, na maior boa vontade! Para os amigos que sei que não checam tanto a internet, cheguei a mandar mensagens pessoais para confirmar o equívoco. Qualquer pessoa poderia haver se enganado ou se distraído e, praticamente todo mundo se dispôs a procurar nas suas coisas se havia sido o causador da situação.

 

No início, surgiram algumas brincadeiras ou hipóteses absurdas, que não achei graça, porque sabia que a história estava esquisita. Cortei logo.

 

Seria possível que houvesse ido para o lixo sem querer? Impossível não é, mas bastante improvável. Vamos combinar, com tanta gente em casa, usei tudo descartável. Alguém pega um guardanapo junto com um iphone, que pesa, e não sente? As pessoas não estavam tão bêbadas assim e quem estava para lá de Marrakesh nem estava ajudando a recolher nada. Daí, ainda por cima, no caminho para o lixo, alguém consegue “sem querer” desligar o celular (precisa segurar o botão um tempo e ainda correr o dedo na tela em um local específico) e jogar fora. Não cola, né?

 

Para complicar, acabei recebendo informação em mensagens que já havia ocorrido roubo em outra situação. Fala sério! O problema é que ninguém quer divulgar essas coisas porque fica chato e provoca um mal estar generalizado.

 

Acontece que eu já tinha perguntado pelo celular e não podia simplesmente encerrar a conversa com um: ah, foi mal, acho que me enganei então…

 

Sinto muito, a merda foi para o ventilador!

 

O que acho é que quem levou não tinha idéia que o tal celular era meu e muito menos que daria essa repercussão. Porque se fosse de qualquer outra pessoa, sempre ficaria a dúvida. Poderia ter caído na rua, no carro… Além do mais, ninguém ia abrir o jogo dessa maneira, dizendo que foi roubado na casa alheia, cheia de amigos.

 

Acontece que foi comigo. Por um lado, felizmente, porque a situação ficou evidente. Por outro, não me lembro na minha vida de haver ficado tão aborrecida e decepcionada. Alguém para quem abri a porta da minha casa e recebi com carinho me roubou. E, pior, poderia haver roubado algum amigo meu.

 

Se eu sei quem é? Sei. É muito difícil enganar a intuição escorpiana. Mas nunca terei certeza, porque se tivesse, já haveria ido à polícia. E se não for?

 

E é essa dúvida que não tem preço. Alguém foi responsável por deixar constrangidas pelo menos 50 pessoas absolutamente inocentes. A lei do retorno é infalível e não gostaria de estar na pele dessa criatura infeliz.

 

Infelizmente, a noção de ética das pessoas vem se deteriorando, um dia você não devolve o troco que veio a mais… no outro acha normal aproveitar a confiança de quem acredita que é seu amigo e roubar um objeto de alguém que você convive. Que feio.

Quase nada na vida é imperdoável, essa carga não levarei eu, leve quem a mereça. Perdoado já está, nunca me faltará e o valor é o meu menor problema. Mas com pesar anuncio que no que depender do meu grão de areia, Madri estará mais desanimada, a temporada de festas e de portas que sempre estiveram abertas se encerrou indefinidamente.

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Acabo de cumprir 43 anos! Quero falar um monte de coisas e não quero contar nada. Paradoxal, talvez, mas é assim.

 

Estou feliz, amo fazer aniversário! Nem quero dormir para esticar um pouco mais as horas.

 

Comemoro no próximo sábado, quero um festão com tudo de direito. Não quero saber se vizinho vai reclamar, se terá comida suficiente, se vai chover… eu quero é mais! No final dá certo e o principal é ter gente querida por perto.

 

Sinto saudade dos que não estão, sinto raiva pelo que não consegui, sinto mágoa pelo que não vou ter. E ainda assim, estou feliz. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

 

Eu quero e mereço uma festa!

 

Também tenho saudade de quem sou, ou fui. Corro atrás do corpo que eu era, dos sorrisos que me abrem portas, da falta de juízo. Quero por minhas asas de fora. Afinal, já faz um tempo que as tenho tatuadas na pele. Estão escondidas porque é inverno, mas estão lá e sempre estarão.

 

Não sou a executiva que achei que seria, nem a artista reconhecida, nem a mãe de ninguém e nem nada demais. E que? Sigo aqui, ainda não desisti. Sei um monte de coisas.

 

Outro dia Luiz brincou insinuando que eu tinha síndrome de Peter Pan. Será? Acho que não. Não me importa envelhecer, não quero parecer uma garota, sou uma mulher e gosto dessa condição.

 

O que não quero são limitações, hora para dormir, momento para beber, prazo para terminar. E pensando agora, talvez seja mesmo um pouco de atitude adolescente. E por que não? Eu posso. E adoro poder qualquer coisa.

 

Hoje tenho um dia inteiro que eu posso qualquer coisa! E amo fazer aniversário!

 

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Fora de foco

 

Muito bem, senão, vejamos…

 

Assim que chegamos do Brasil, estava mais ou menos de-ses-pe-ra-da para sair e ver gente! Sinto muito a falta de vida social e esse negócio de ficar mais quieta, às vezes, é necessário, mas me cansa rapidamente.

 

Daí, na sexta-feira, assim que Luiz chegou do trabalho, insisti que queria jantar fora. Podia ser por aqui perto mesmo, queria tomar meu vinhozinho sossegada com ele. Na verdade, para ser mais sincera, estava era afim de chutar o pau da barraca!

 

Fomos a uma marisquería (já não sei se existe essa palavra em português, mas acho que é bem traduzível) bem bacaninha e comemos muito bem. Quando acabamos de jantar e com a primeira garrafa de vinho, não estava com um pingo de vontade de vir embora. Luiz, resolveu pedir uma segunda garrafa-surpresa, um “Termanthia” avassalador de bom! Está entre meus vinhos espanhóis favoritos, ainda que o nome não pareça tão conhecido.

 

Duas garrafas, para nosso padrão etílico, não é nenhum absurdo. Mas há dias e dias, e nesse, saí lararí larará do restaurante! Lembro parcialmente de como chegamos em casa, ainda que não reclame nem um pouco do fim da noite.

 

Acordei meio torta no sábado, mas não tão tarde, porque tínhamos um churrasco para ir, onde estariam vários amigos que estava desejando rever!

 

Foi ótimo, como sempre! Era um chá de bebê do jeito que eu gosto, sem frescura, com maridos e esposas presentes, enfim, um encontro de amigos normal e animado. 

 

Fui logo pedindo às amigas: pelamooordedeus, alguém me conta alguma fofoca! Daquelas cabeludas! O que andei perdendo por esses tempos?

 

Engraçado, porque como estava meio de ressaca da noite anterior, acabei tomando uns dois ou três copos de coca-cola, coisa que não faço praticamente nunca, afinal, não gosto de refrigerante. O que me esqueci é que na coca vai cafeína, ingrediente que saiu da minha dieta há mais de dois anos. Dali a pouco comecei a notar que estava meio trêmula e levei algum tempo para entender que não era ressaca da noite anterior e sim a cafeína da coca-cola! Putz, já sei: equilibrar o PH com cachaça!

 

Fofocamos… tomei minha cachacinha… dessa vez sem grandes alterações, afinal felizmente tinha sócios para a bebida. Enfim, deu para matar um pouco a saudade dos amigos e é como fôlego novo.

 

Mas não ficamos até tão tarde, Luiz viajava pela hora do almoço no dia seguinte e ainda tinha que fazer as malas etc.

 

No domingo, acordamos cedo, arrumamos o que tinha para arrumar e levei Luiz ao aeroporto. De lá, fui a um aniversário de uma amiga, em um bar no centro de Madri. Começava pelas 15 horas. 

 

Fui sozinha.

 

Geralmente, prefiro chegar aos lugares acompanhada, acho que todo mundo. Mas não sei, de vez em quando, eu gosto de andar sozinha, não de ficar sozinha, mas de sentir um pouco o gostinho de ser independente e livre. 

 

Eu gosto de ser casada e gosto dos meus amigos, é que de vez em quando quero saber que fico pelo prazer da companhia e não pela necessidade dela. Não sei se me explico. Talvez seja só um momento de reflexão.

 

Assim que poderia escolher entre beber à vontade e dormir na casa de alguma amiga, ou simplesmente, curtir a sobriedade e voltar para meu canto à noite. Fiquei com a segunda opção.

 

Não vou negar que ser sóbria, entre o pessoal que está mais empolgado, às vezes, é um pouco chato. Mas aproveito para observar melhor, ver o que realmente pinto na fotografia. Enfim, fico mais séria, certamente menos divertida e com pouca paciência, ainda que desfrute à minha maneira.

 

O aniversário foi bem legal, muitos músicos bons, como sempre. Daí, rolou uma roda de samba de primeira. Eu levei meu tamborim e um caxixi, que toquei discretamente no meu canto e depois um pouco mais, junto com a roda. Também curti um neném muito fofo, que ainda não havia conhecido pessoalmente, e estava sendo introduzido à primeira saída a um bar. Pai músico e mãe animada, tem que ir acostumando desde cedo.

 

Princípio da noite, quando começou a me dar muita vontade de tomar uma caipirinha, resolvi puxar meu carro, literalmente. Não tenho maturidade, se começo, chuto o balde! 

 

Voltei para casa pensando que precisava me esforçar mais para não me afastar tanto. Com esse negócio de morar fora do centro, é fácil me distanciar e não acho legal. Havia mais dois eventos ao longo da semana, e me propus a não faltar, mesmo que tivesse que ir só novamente.

 

E assim foi. Na terça-feira, concerto de um amigo na Sala Clamores e na quinta, inauguração de uma escola de música em um espaço alternativo bem bacana.

 

Marquei de encontrar com uma amiga nos dois eventos, mas fui só. Luiz ainda sugeriu que fosse buscá-la, assim já chegava acompanhada. Mas o espírito da coisa era exatamente chegar sozinha. Queria me provar, ver como me sentia. Não são muitas cidades do mundo que uma mulher pode sair só sem a preocupação extra de um assédio. Madri te dá esse direito e resolvi merecê-lo.

 

Não é tão mau quanto parece, na verdade, é bastante normal. Você chega, paga sua entrada, senta em uma mesa, pede alguma coisa para beber… nada demais! Não cai nenhum pedaço. Minha amiga chegou em seguida e ficamos ouvindo o show e fofocando um pouquinho entre intervalos. Quando acabou, fomos com o cantor para um bar tomar uma última rodada e falar besteira. Bom, eles tomaram uma rodada, eu só fiquei conversando, mas não estava na pilha de beber álcool essa noite. Já de falar minhas besteiras… bem que gostei.

 

E na quinta, foi a inauguração da tal escola de música. Conheço o organizador, gosto do estilo musical dele, mais contemporâneo, foge do lugar comum, por isso, ajudei um pouco a divulgar. Pessoalmente, fui interessada em um curso de percussão, a primeira aula era gratuita. Na sequência, haveria alguns concertos, também gratuitos, mas não tinha grandes expectativas, não sabia se iria ficar e tal. 

 

Acontece que fui ficando e os concertos eram um melhor que o outro! Era uma quinta-feira, sendo que sexta era feriado. Ainda assim, Luiz não animou, estava cansado. Tudo bem, mas nesse caso, não me sentia culpada de estar lá, ele não precisava acordar cedo no dia seguinte, certo? De maneira que fui encontrando amigos, conhecendo outros e ouvindo música de primeiríssima!

 

Confesso que aí sim tive vontade de beber alguma coisa, me fazia falta um bom whiskão! Mas paciência, fiquei só na água. Isso é meio chato, porque não tomo refrigerantes nem sucos industrializados, assim que se não bebo álcool na noite, me resta: água! Bom, me acabar estava fora de cogitação, então, só me restava mudar o modus operandi para observadora e pronto!

 

Aí, fiquei observando e curtindo a música. Conversava com uma amiga de como a gente se sentia privilegiada de estar presente nesses momentos e conhecer tanta gente talentosa. A gente não ouve só por CD, a gente participa ao vivo e a cores, e isso é muito bom. Toda uma experiência.

 

Ficou tarde para os vizinhos e tiveram que fechar as portas com o povo dentro. O problema é que, quando se fecha as portas, já não há mais o controle de fumo em espaço fechado e daí vira sauna de fumaça. Ops! Me inclua fora dessa! No terceiro cigarro aceso do meu lado, saí praticamente correndo do lugar e o ambiente já se encontrava insalubre e esfumaçado quando alcancei a porta de saída. Que pena, porque o último concerto, de Trance, prometia.

 

Fui andando para o estacionamento, havia parado há uns 10 minutos de caminhada dali. A temperatura já estava meio maluca, transição para o outono. Gente de camiseta, gente de casaco, gente de cachecol… um samba do criolo doido na maneira de se vestir. Eu ia de camiseta e sandálias, não estava com calor, tampouco com frio. Queria curtir esses últimos momentos do ar fresco na pele, nem me incomodava arrepiar de leve, em breve já não seria mais possível e eu sabia.

 

Eu sempre resisto ao máximo colocar um casaco no outono, como se isso fosse capaz de adiar o inverno. Logo, me acostumo. Mudanças, boas ou más, são sempre dolorosas, depois a gente se acostuma. E, pelo menos para mim, são necessárias.

 

Subi pela Calle de Fuencarral, que conheço tão bem e agora já não tão bem assim. Há lojas novas, bares novos. Ainda me é bastante familiar, mas já estranho os rostos jovens, me parecem jovens demais, alcoólicos demais. Me senti um pouco fora de lugar, meio fora de foco. Eu acabei de mudar, na verdade, ainda estamos nesse processo de mudança de ciclo, mas ainda é pouco. Quero mais e a gente precisa ter muito cuidado com o que deseja.

 

Ou talvez, seja só o outono chegando.

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