Baixando a poeira e pé na estrada

Acho que o temporal passou (isola!), ainda há sinais de alagamentos e os raios de sol são meio fraquinhos, mas enfim, as coisas parecem melhorar.

 

Sigo sentindo falta do Jack, mas já não tenho vontade de chorar em todas as vezes que falo nele. De certa maneira, nossas preocupações com a família ocuparam esse lugar.

 

Meu pai saiu relativamente rápido do hospital, o que foi um alívio e tanto. Mas minha sogra não tem muita previsão. Fisicamente, ela está bem, o que também é uma notícia favorável, mas psicologicamente, a cabeça ainda está meio bagunçada. É necessário esperar, ter paciência.

 

De toda maneira, não tínhamos muito o que fazer nesse sentido e nossas passagens para Londres estavam compradas. Luiz precisava ir a trabalho e eu não tinha porque ficar em Madri sozinha.

 

Não escolhi estar na situação em que estou agora e não estou comparando, porque quem compara sempre perde, mas o fato é que não tenho filhos, nem gravidez, nem gatos. Estou totalmente livre. Isso tem um lado horrível, é verdade, mas também há um lado muito positivo que resolvi tentar aproveitar.

 

Atualmente, posso simplesmente trancar a porta, sair e voltar quando bem entender! E confesso que, mesmo em meio a todo esse tufão, a sensação foi boa. Ela é relativa e temporária, mas é minha e desfrutei.

 

Luiz e eu fomos juntos para o aeroporto, mas estávamos em voos separados. Minha passagem foi comprada depois da dele e, por isso, não havia mais lugar no seu avião. Mas tudo bem, porque nossos horários não eram tão diferentes, o meu saía uma hora depois do dele.

 

Luiz tem uma falta de sorte impressionante com horários de vôo. Não sei o que ele arruma que seus aviões nunca saem na hora! Resultado, ainda que meu vôo estivesse marcado para uma hora depois do dele, acredite se quiser, saiu antes! Minha mala chegou rápido, tudo certo. Fiquei em Heathrow esperando por ele mais de uma hora, porque o vôo atrasou, a mala atrasou… tudo atrasou!

 

Não tem problema, chegamos sãos e salvos no hotel, que ficava bem centralizado. Mas por volta da meia noite, quando conseguimos nos acomodar, já não havia grandes programações nos arredores. Felizmente, ele havia comprado uma garrafa de vinho no aeroporto e tomamos uma tacinha no próprio quarto.

 

O bom de viajar para uma cidade que você já conhece é não ter nenhuma pressão em precisar fazer os programas turísticos “imperdíveis”. Queria apenas curtir a cidade com calma e relaxar com Luiz.

 

Na verdade, havia só um lugar que queria ir de todo jeito, que era a Tate Modern. E assim fizemos, acordamos relativamente cedo, tomamos um café com calma pela rua e saímos a pé em direção à Tate. Era uma boa caminhada, mas a temperatura estava agradável e é justamente caminhando que aproveito mais os lugares.

 

Passeamos por Covent Garden e logo em seguida, avistei uma vitrine que dizia “Champagne + Fromage”. Parei para fotografar meu conceito de paraíso: a combinação de champagnes e queijos! Luiz resolveu olhar a loja, daí já viu, né? Ajoelhou, tem que rezar. Ao invés de parar em algum restaurante para almoçar, preferimos resolver o assunto ali mesmo.

 

Seguimos nossa caminhada até achar a bendita Tate Modern, que adoro. Tentei não prorrogar tanto a visita, para Luiz não ficar muito entediado. Acho até que ele gosta, desde que eu não resolva morar nas salas de exposição.

 

Voltamos caminhando também, mas ele já estava meio cansado, queria pegar o metrô, coisa que felizmente não encontramos. Achamos algo muito melhor, um taxi-bicicleta!

 

Vai um cidadão pedalando um tipo de mini charrete, para duas pessoas. É bem mais barato que o taxi tradicional, mais ecológico e, convenhamos, muito mais divertido e agradável!

 

À noite, temos uma amiga que estava morando por lá e combinamos com ela de ir a um Pub. Bem próximo ao hotel, havia um que me deixava com vontade de conhecer, o Northumberland Arms. Parecia um Pub normal, mas tinha um aviso como propaganda na porta que adorei o texto, algo como “excelente comida, extraordinário serviço, fantástico ambiente…” e por aí seguia. Achei tão otimista que valia a pena comprovar, né?

 

Enfim, nos encontramos por lá e foi bastante agradável. Eu estava com uma lombriga desesperada por comida de pub! Me atraquei com uma porção de peixe à milanesa e um Mac and Cheese! A dieta foi para o saco, paciência! E até que estava gostoso.

 

Aliás, aí está uma coisa que gostaria de ressaltar, a comida de Londres melhorou radicalmente desde a última vez que estive por lá.

 

Não dormimos muito tarde. No domingo, marcamos com essa mesma amiga de ir passear em Greenwich. Almoçamos com ela e passamos o dia juntos. Chuviscou um nadinha de nada e não chegou a atrapalhar nosso programa.

 

O jantar, Luiz havia reservado no Nobu, um asiático show de bola! Ele já conhecia, eu não. Achei excelente! Destaque especial para a degustação de sake e o tartar de touro com caviar.

 

Na segunda-feira, nos dividimos. Porque Luiz tinha que trabalhar um pouco, sua irmã tentaria nos encontrar e no fim da tarde ele seguia para outro hotel. Na verdade, ele foi para lá a trabalho, só aproveitamos o fim de semana mesmo. Seu treinamento começava na terça pela manhã e ele já precisava dormir no mesmo hotel do restante do pessoal da empresa na própria segunda.

 

Como não tínhamos idéia de que horas sua irmã passaria para nos encontrar e ele estaria ocupado, marquei com minha amiga de Londres da gente passear no Victoria’s Park e almoçar em um restaurante vietnamita, que me esqueci do nome, mas também era bem legal. O dia estava perfeito, o maior sol, nem parecia a cinzenta Londres.

 

Nisso, a irmã do Luiz chegou e eles foram almoçar. E nós voltamos para o hotel para encontrar com eles. Foi bem rápido, só deu realmente para me despedir dos dois. Mas de certa forma, acho que foi bom eles terem um tempo sozinhos para conversar sobre a mãe e se ajudarem a decidir detalhes. Eu sou e me sinto parte da família, mas não é a minha de sangue, e procuro interferir o mínimo possível.

 

A irmã do Luiz deu carona para seu novo hotel, em Windsor e fui com minha amiga tomar um autêntico chá das cinco.

 

… que de autêntico não teve nada! A gente não conseguiu achar o lugar que íamos nem a pau! Cansamos, achamos outro lugar que parecia legal e que também tinha chá. Mas quer saber, que Mané chazinho, tomamos foi uma bela de uma champagne! Sanduíche de pepino? Nada, comi um mil folhas delicioso e minha amiga uma èclair divina!

 

De lá ela ainda me acompanhou até o hotel e seguiu seu caminho. E eu também já fui para o hotel arrumar minha mala e deixar tudo encaminhado para o dia seguinte.

 

Na terça-feira, ainda tive tempo de tomar um café com calma pela rua e peguei um taxi para o aeroporto às 12h. Luiz já tinha deixado reservado para mim.

 

Cheguei no aeroporto meio que na hora do almoço, meu vôo saía às 15h. O aeroporto de Heathrow tem boas opções para comer. Aliás, acho esse um mercado com bastante espaço para se desenvolver, quase todo aeroporto que vamos, com raras exceções, a comida é um lixo!

 

Ali também tem lanchonetes normalzinhas e são as que mais enchem. Mas quer saber, eu gosto de me cuidar muito bem! Meu luxo é na comida e bebida, no resto, francamente, nem faço tanta questão.

 

Daí fui no restaurante do Gordon Ramsay e comi mais que decentemente! Uma sopa de cebola cremosa divina e uma costeleta de porco com ervilhas bem suculenta. Com vinho, é lógico! Tinha tempo!

 

Enquanto estava por lá, o cliente do meu lado pediu uma bolsa térmica que fiquei curiosa. Havia visto delas quando entrei no restaurante. Na mesa, vi um folheto com outro cardápio pequeno, escrito “Plane Food” (comida de avião). Fiquei curiosa e perguntei ao garçon do que se tratava e é exatamente isso, comida para levar no avião. Eles tem uma pequena bolsa térmica, onde você escolhe entre algumas opções uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. Custa ao redor de $13 libras e inclui a bolsa térmica.

 

O vôo da Ibéria Londres-Madrid não tem direito à refeição. Você pode comprar se quiser, dentro do avião. Mas costuma ser fraco e caro. Não tive dúvidas, nem estava com fome, mas comprei minha marmitinha chic!

 

No avião, não aguentei comer tudo, mas o que sobrou, ficou para meu jantar. Afinal, chegaria sem nada em casa. Fora que achei muito legal esse negócio de fazer pic nic aéreo!

 

Muito bem, cheguei em Madri no fim da tarde e voltei dirigindo para casa. Havíamos deixado o carro no aeroporto. Dava menos que se tivéssemos que pagar os dois taxis. O GPS me deu o caminho mais louco possível! Acho que fiz Barajas-Las Rozas via Bangladesh! Mas cheguei.

 

Ruim vir sem Luiz, mas ainda estou naquela fase de redescoberta da vida independente. Aproveitei esse par de dias para dar uma ajeitada na casa.

 

Hoje é aniversário dele, quinta-feira, dia 6 de setembro. Mais tarde vou buscá-lo no aeroporto de carro. Vamos ver por onde o GPS me manda agora, né?

 

Vai ficar tarde para comemorarmos hoje, assim que amanhã a gente faz um jantarzinho a dois para celebrar.

 

E no sábado pela manhã, pé na estrada outra vez. Vamos para Suíça! Mas essa história, vai ficar para semana que vem…

2 comentários em “Baixando a poeira e pé na estrada”

  1. Bi, nem sempre tenho tempo de ler, mas sempre que leio, gosto!
    Desejo à vcs muita luz nessa fase “esquisita”, e fico feliz em saber que a poeira está baixando. Que o tempo conforte o coração de vcs até que a dor seja substituída apenas pelas lembranças. E que estejam sempre fortes para o que der e vier! Beijão enorme, Tábata.

  2. Achei o màximo a marmitinha aérea 🙂
    Aproveita o tempo para curtir as redondezas. Em Majadahonda tem um “mercadillo” terça e sàbados (terça feira é o melhor dia, sem muita muvuca). As vezes iamos somente passear, tinha de tudo um pouco e sempre paràvamos na Gran Via de là para tomar um cafezinho. (bom, te falo de muitos anos atràs … nem sei se existe o tal mercado ainda).Sò pra passear jà vale 😉
    Um Feliz Aniver para o Luiz!
    Bjos!

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