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Archive for the ‘Crônicas Britânicas’ Category

Queridos e queridas,

Crônicas Britânicas chegou ao fim de um ciclo. Foi breve, intenso e bom enquanto durou! Sem arrependimentos e com muitas novas saudades para minha coleção.

A vida segue e seguimos com ela, agora desde São Paulo.

Inauguro a próxima aventura, as “Crônicas Brazucas”. Uma brasileira, meio gringa, redescobrindo o que é viver no Brasil.

E aos que quiserem me acompanhar nesse novo caminho, sejam muito bem vindos!

Obrigada,
Bianca

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Não poderia ser diferente, não é mesmo?

Os últimos dois meses em Londres foram uma verdadeira saga e, vamos combinar, olha que sou profissional no tema! Mas o problema maior era o seguinte, Luiz precisou ir de cara para o Brasil assumir seu posto e achar um lugar para morarmos. Fiquei sozinha, presa em casa com dois gatos, para resolver os abacaxis britânicos. Nesse meio período, nós só nos vimos uma vez, durante 4 dias, dos quais 2 passamos em Madri, 1 ele trabalhou o dia inteiro e o outro voltou para o Brasil logo cedo. Depois, só no final, literalmente para me ajudar a levar os gatos e as malas no avião! Sério, desde que nos casamos, nunca ficamos tanto tempo longe e cheios de pepinos para resolver!

Chegou uma hora em que nada se definia por si só, então defini eu mesma uma data para a mudança sair de casa e outra para viajar para o Brasil. Paciência! O resto que se adaptasse a essas datas, eu não aguentava mais!

Não é que tudo fosse ruim, por sorte, ainda consegui sair uma vez ou outra com amigos muito legais para dar uma relaxada e amenizar um pouco a história. Mas, francamente, na maioria das vezes nem tinha muita vontade de fazer nada. Chega uma hora em que você já não aproveita mais e só quer resolver!

Não vou entrar na chatice de tudo que precisava ser feito em termos de documentação, tanto nossa como dos gatos! Só digo que o Brasil é um dos países mais complicados do mundo para se entrar com uma mudança! Os portos são colapsados, corruptos e burocráticos! Resolvi optar por uma empresa brasileira para fazer essa mudança, pelo menos, em teoria sabem os caminhos que precisam seguir para liberar tudo mais rápido. Escolhi a FINK e, até o presente momento, estou gostanto bastante do atendimento, vamos aguardar até o final.

E sim, sobrou uma mudança para fazer sozinha… dureza! Escolhi os dias 30/10 para empacotar e 31/10 para levarem tudo! Exatamente, a mudança saiu no dia das bruxas!

Prendi os gatos em um quarto menor, o qual já havia esvaziado e só deixado os felinos com as malas que levaríamos para o Brasil. Assim era menos estressante para eles e para todo mundo. Os empacotadores entram como furacões na sua casa (e é assim que deve ser), não combina com gatos perdidos no meio de toda aquela história, é até bem perigoso. No dia 30, o pessoal da mudança havia deixado minha cama montada, mas preferi o saco de dormir no chão com os gatos, companhia para mim e segurança para eles. Gosto de conforto, mas felizmente, sei viver com muito pouco quando preciso e não me importa.

Para deixar um pouco mais tenso, no início da noite, Luiz me dava a desesperante notícia que se fôssemos de vôo direto pela British, os gatos precisariam viajar no porão! O que? Não é possível! Tenta a Air France! É a companhia mais amigável para quem viaja com animais de estimação! Na verdade, havia dito isso algumas vezes, mas eventualmente, ele custa a me ouvir quando cisma que alguma coisa pode ser feita de outro jeito. Só que não…

Recebi essa terrível informação no caminho do jantar para o aniversário de um amigo nosso. Aliás, bendita hora em que fomos jantar! Pelo menos tomei meu vinhozinho e acreditei que tudo ia se resolver. Não deveria, mas como era um aniversário… ainda fomos tomar a saideira no pub local. Talvez por isso, dormir no chão não tenha sido o menor sacrifício.

Mas de manhã bem cedo, já estava acordada esperando a etapa final da mudança! Resolvi nem tirar os gatos do quarto, para que? Deixa eles saírem quando a casa estiver limpa e vazia. Fiquei o tempo todo dando notícias e fotos pelo Facebook, pelo menos era uma forma de me sentir acompanhada, né? Começaram a pipocar mensagens do Luiz, conseguiu que os gatos fossem conosco na cabine! Ufa! Adivinha em que companhia aérea? Air France, é claro! Precisaríamos fazer uma conexão, a vida não é simples, mas mil vezes dessa maneira, com os gatos ao alcance da minha vista!

E assim foi, com direito a outro porém, três peças dos meus móveis precisavam sair pelo jardim do vizinho, que não estava nem um pouco feliz com a história. O proprietário era quem deveria ter negociado direito isso com ele, o que não fez. Tudo bem, dei meu jeito e quase fiquei amiga da vizinha, pena que foi quando já estava vindo embora.

Tensão até o minuto final, porque o container foi absolutamente cheio até o teto! As últimas duas caixas precisaram ser reembaladas para caber! Juro, foi cheio até a última caixa! Mas foi! E sempre acho que se dá certo, está bom! Temos 166 ítens em caixas e embalagens numeradas, descritas uma a uma, porque é uma requisição para entrar no Brasil. Tudo precisa bater exatamente igual! Assustador, né? Qual a probabilidade de em 166 ítens, passar algum erro? Mas nem quero pensar nisso agora!

Quando acabou, limpei tudo e armei o colchão inflável. Literalmente, os gatos e eu fomos acampar em casa. Eles completamente desconfiados, é lógico! Tudo bem, porque Luiz chegaria no dia seguinte logo pela manhã e isso era um alívio difícil de descrever!

No final de semana, conseguimos fazer um último encontro com os amigos de Londres, noite agradável, com notícias que nos deram muita felicidade! Por que não dizer, muita saudade também, mas faz parte.

Na segunda-feira, consulta final dos gatos no veterinário, para ter toda a papelada organizada para a viagem! Tudo certo! Outro alívio, só possível de ter nos 45 minutos do segundo tempo!

Na terça-feira, terminar de fechar as contas, limpeza, organização das malas etc. Jantamos com nosso amigo que herdou as últimas comidinhas e um aspirador que ele nem queria, coitado! Mas não tinha como deixar na casa.

E, na quarta-feira, dia 05 de novembro, acordamos às 3 da matina para tomar rumo ao Brasil. Última cereja do bolo: colocar os gatos na caixa de transporte. Imagina a facilidade, depois da mudança e de levá-los ao veterinário? Eles estavam mais ariscos que nunca! O Wolverine não deu tanto trabalho, mas a Phoenix se enviou na chaminé, com Luiz agarrando ela pela perna e eu enfiando a mão por cima da cabeça e empurrando para baixo. Juro, desesperador! Se ela se enfia com gosto na chaminé, a viagem ia para o saco! Foi para a caixa de transporte ainda cheia de cinza! Es lo que hay!

O avião saía às 7 da manhã de Londres para Paris, saltamos esbaforidos para entrar no avião seguinte (e o medo de perder a conexão!). Quando o avião levantou vôo para o Brasil, com nossos dois felinos no colo, sabia que o caminho era longo, mas estava feliz de ter conseguido! O pior havia passado!

Nossos bichanos se comportaram muito bem, devo admitir! Wolverine, só não aguentou no final, quando o avião pousou no Brasil e fez um xixizinho, que ninguém notou, porque a caixa estava protegida com material absorvente. Vamos combinar, depois de quase 24 horas desde que acordamos e saímos de casa, não foi nada!

E valeu à pena todo esse perrengue e despesa para trazer dois vira-latas? E como uma imagem vale mais que mil palavras…

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Claro que valeu!

Do taxi, liguei para os meus pais para avisar que chegamos e estava tudo bem. Ou quase bem…

Ah, vamos complicar só um pouquinho mais? Porque afinal de contas, estava tudo tão fácil… Pois é, Luiz teve uma reação alérgica forte na garganta, não é a primeira vez que tem e simplesmente precisava ir ao hospital. Em Londres, não dava ou perdíamos o avião, então também se segurou até chegarmos. Entramos no aparthotel e acomodamos os gatos. Eu fiquei com eles para se ambientarem e Luiz foi para a emergência do Einstein sozinho tomar cortisona!

Assim que Luiz voltou, os gatos estavam ainda desconfiados, claro, mas bem e carinhosos conosco. Espalhei pelo lugar alguns objetos de confortos, mantas com o cheiro deles, brinquedinhos… enfim, na medida do que era possível, estávamos todos bem. Luiz medicado, pais avisados, posso dormir! Empacotei de babar até o dia seguinte! Pela manhã, quando Luiz levantou meus olhos nem abriam! Mortinha da silva! Mas aliviada e posso dizer que feliz que, finalmente, tudo havia terminado bem!

Ainda temos muito o que resolver e meu endereço 39 é um aparthotel, com as roupas espremidas nos armários, uma mudança pelo oceano e as malas escondidas na varanda! Mas estamos juntos, os gatos estão protegidos, a família está próxima e os amigos cheios de mensagens carinhosas. Pronto! Prova superada!

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Foi tudo bem…

Existe uma clássica pergunta feita sempre que a gente chega de algum lugar, seja por mudança, por férias ou por uma saída na esquina, o famoso “e, aí, como foi?”.

Às vezes, é uma mera pergunta retórica, quase por educação, ou como iniciar uma conversa, ou até por real curiosidade. Não importa a razão, mas é uma das perguntas que mais preguiça me dá em responder. Porque geralmente foi tanta coisa que nunca consigo resumir em uma resposta educada de dois minutos.

Quase tenho inveja do Luiz, que responde qualquer pergunta laconicamente com um “foi tudo bem…”, seja para descrever como foi um jantar ou uma cirurgia no cérebro! Eu já começo a conversa dizendo, se me responder simplesmente que foi tudo bem nós vamos brigar… Daí ele faz um esforço sobrehumano e consegue arrancar mais duas ou três frases de explicação. Sou o extremo oposto, sou daquelas que se me perguntam “como vai?”, eu me sinto na obrigação de explicar. E as vozes da minha cabeça ressoando: sério, Bianca? Você não podia dizer apenas que vai tudo bem?

O fato é que me peguei pensando que ao chegar ao Brasil, alguém poderia me perguntar, e aí, como foi? Pois há um par de semanas que tento responder em um diálogo imaginário como foram esses últimos onze anos. Inevitavelmente, me vem uma retrospectiva de tudo que tenho feito.

E, se por exemplo, tivesse que refazer meu currículo? Saberia exatamente como começar, como relatar os resultados concretos do que fui capaz de executar em termos de negócios, mas há uma lacuna que não consigo preencher direito com palavras. É como se me viessem vários flashes de pedaços de experiências, uma montagem relativamente absurda e um tanto desordenada com imagens de momentos mais marcantes.

Tenho me permitido embarcar nessa viagem pelo tempo e atualmente me custa fechar os olhos e não lembrar de mil sensações diferentes. Eu não caibo mais em uma história só. E confesso, meio sem graça, que isso me deixa bastante orgulhosa.

Ainda tenho forte a memória da angústia adolescente de achar que podia tudo e da irritação que me provocava a frase do meu pai “quem corre cansa, quem anda alcança”. Eu precisava começar logo a abraçar o mundo com as pernas, porque se não começasse rápido, talvez não me desse tempo de experimentar tudo que gostaria. Pelo menos, era assim que eu sentia. De certa forma, também intuía que o preço seria sempre precisar partir. E para ser franca, mesmo depois de tantos anos, ainda não aprendi a fazer isso sem dor. Talvez porque essa possibilidade nem exista.

Agradeço por ter podido registrar boa parte desses últimos anos, coisas que vi, que aprendi, que tentei. Porque cada vez mais acho que se a primeira coisa mais importante é viver uma experiência, a segunda certamente será a memória dela. É quando a gente pode revisitar lugares, opiniões, sentimentos. Tudo sem precisar sair do lugar. Mas um dia você precisou, um dia você partiu, você fez e hoje felizmente há muita coisa que posso dizer que fiz.

Talvez fosse mais fácil resumir e lembrar simplesmente que foi tudo bem, acontece que não quero uma memória resumida, quero ela inteira! E quero tanto mais…

Confesso que é provável que esse seja um dos meus muitos medos em morar novamente no Brasil. Dá um pouco a sensação de fim de férias prolongadas, o que não é o caso. Como se alguém me dissesse, pronto já viajou bastante, agora sossega o faixo aí um pouco! E eu sei que não vou sossegar, nem preciso.

É que às vezes é duro a gente tomar a consciência dos limites que a vida nos impõe. A tal da minha eterna angústia adolescente mal resolvida de achar que não vai dar tempo para tudo que ainda quero e posso fazer. Uma vontade enorme de congelar minha idade agora, ou até um pouco antes, e juro que não por uma questão de vaidade, mas por me dar tempo e saúde.

Mas enfim, e aí, como foi?

Pois dormi em hotéis, dormi em castelos, dormi no deserto, dormi no chão, andei de avião, andei de metrô, andei de balão, andei, atravessei os Pirineus andando, atravessei uma fronteira andando, atravessei um país andando, perdi o medo, perdi a vergonha, perdi a paciência, dancei muito, bebi litros, festejei com amigos, festejei com estranhos, aprendi outras línguas, aprendi muitos sabores, cheguei amanhecendo, vi por-do-sol em Telaviv, caminhei em Petra a luz de velas, queimei a pele para provar que fico morena, queimei o pavio, cheguei ao fim da terra (ou Finisterre), cantei em bares, cantei, batuquei, cortei o cabelo, deixei crescer, engravidei, perdi, chorei um rio, ri da barriga doer, senti calor, senti frio, senti fome, senti dor, senti preguiça, morri de saudades, usei véu na Jordânia, tomei café na Espanha, almocei na Itália, jantei na Alemanha, ouvi música ao vivo em Londres, ganhei asas, tatuei asas, fiz tatuagem de henna com uma indiana, nadei em Dubai, cozinhei em Paris, tomei um porre de champagne em Paris, esqueci de perguntar as profissões, apoiei, fui protegida, voltei caminhando para casa sozinha sem medo, esquiei em tempestade de neve em Val d’Isère, esquiei de bunda em Andorra, desenhei em museos, fui literalmente para lá de Marrakesh, barganhei na Turquia, naveguei entre dois continentes, assisti um concerto em uma igreja em Praga, ouvi violinos em Veneza, assisti óperas em Viena, andei de motorino em Roma, voltei de madrugada para o hotel imitando a mulher biônica em Bruxelas, andei de trem por debaixo do mar, toquei o muro de Berlin, me emocionei nos muros de Jerusalém, perdi gente na família, perdi amigos, perdi meus gatos, adotei dois gatos, falei com milhões de desconhecidos, encaixotei, desencaixotei, encaixotei outra vez, desencaixotei outra vez, carreguei um sofá na rua em Madri, pulei sete ondas no mar, pulei sete ondas imaginárias, pulei sete ondas na banheira, praguejei em espanhol, falei errado, falei pouco, falei demais, fingi que entendi, comi croquete em Amsterdam, vi Flamenco em Andaluzia, me neguei a dirigir, abri portas com sorrisos, aprendi a correr, aprendi a boxear, aprendi a cortar jamón, aprendi a pedir ajuda, consegui comer apimentado sem meus olhos nem meus lábios incharem, tomei whisky nacional na Escócia, descobri que na Inglaterra há mais definições para tons de pele do que cores de cabelo, cheguei a conclusão que passar roupa é absoluta perda de tempo, me cansei de ver ruína romana… e posso seguir enumerando mais uma penca de páginas de pequenos momentos tão comuns e igualmente tão extraordinários e reveladores, dependendo do prisma em que se olhe.

O mais importante para mim é que são memórias, minhas, reais. Todas elas tem um significado, uma história. E a minha resposta sobre como foi? Foi num piscar de olhos…e sim, foi tudo bem.

https://www.youtube.com/watch?v=5y_KJAg8bHI

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Com tanta novidade pelo ar, acabei adoecendo, coisa bastante rara de acontecer. Mas a combinação de mudança repentina, dúvidas se continuo meu trabalho virtual, despedida no trabalho do Luiz, pai entrando na cirurgia… a resistência foi baixando e uma gripe tentando se instalar no meu corpinho.

Ainda tentei segurar a onda e fingir que nada acontecia, afinal, no sábado já estava marcado o primeiro bota fora com os amigos de Londres, ou seja, festa em casa! Aos trancos e barrancos consegui preparar tudo! Gastei até o último fio de energia da minha pilha e, como sempre, sem nenhum arrependimento! Tomei minha cachacinha, me diverti e tentei desfrutar ao máximo o alto astral das pessoas. Mas confesso que quando os últimos amigos se foram, eu já não tinha voz nem condições de fazer mais nada!

Fui me arrastando para cama, na qual permaneci todo domingo e parte da segunda-feira! Luiz me comprou alguns remédios e o tempo foi fazendo seu papel de cura.

Na própria segunda-feira, 15 de setembro, Luiz embarcou para São Paulo. Em princípio, ficará fora por três semanas e eu aqui, com meus dois felinos me fazendo companhia.

Não é a situação mais ideal do planeta, mas tem seu lado positivo. Agora mesmo sinto uma necessidade enorme de ficar quieta pensando, refletindo, ponderando. Se essa mudança fosse para qualquer outro lugar do mundo, seria apenas mais uma mudança, meu endereço número 39.

Acontece que é para o Brasil e isso faz muita diferença. Preciso de verdade rever minhas prioridades e literalmente escolher a próxima direção. Ou não… O fato é que quero decidir ou não decidir com alguma lucidez.

Enquanto isso, vamos em paralelo resolvendo os pepinos usuais. Milhões de visitas ao zap para vasculhar possíveis endereços e encaminhar para Luiz visitar… entrar em contato com a companhia de mudanças… avisar ao proprietário que vamos deixar o imóvel aqui (imagina como ele ficou feliz com a notícia, né?)… verificar a documentação dos gatos… achar quem me substitua no trabalho… reforçar as aulas de boxe para aproveitar esse finalzinho… listar tudo que precisa ser cancelado… me programar para esvaziar a geladeira e os mantimentos… ainda queria fazer algumas viagens rápidas… será que consigo fazer festa de aniversário?

E o povo, naturalmente, perguntando sobre as datas definidas. Não sei se rio ou me desespero! Como se a gente conseguisse definir alguma porcaria de data! Lá vamos nós para o plano A, plano B, plano C…

Tudo bem, já sei que isso se arranja. O duro mesmo é revisitar a caixa de Pandora. Quem mesmo eu quero ser nessa próxima etapa? O que eu posso e o que eu não posso mais?

Vida louca vida, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve…

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La Maison Blanche começou muito bem, obrigada! Pouco a pouco, ganhando espaço e, o mais importante, desfrutando muito da nova experiência!

Em paralelo, o trabalho como “host” de treinamentos virtuais também aquecendo. Bom para entrar algum dinheiro extra e sem me prender tanto. Ainda que a empolgação inicial já não seja a mesma. À medida que o tempo vai passando, o desafio é menor e não há grandes novidades. Não reclamo, só comento. Achei que foi uma oportunidade e tanto que estou fazendo por merecer.

Enfim, trabalho bombando, Copa do mundo acontecendo no Rio e… meu pai precisa ser internado novamente. Caraca, não tinha uma horinha melhor, não? Passagens a preços estratosféricos, compromissos assumidos… o que eu faço?

Respirar fundo e tentar manter a calma, não é a primeira vez e (assim esperava) não seria a última! Achei que era um momento em que eu precisava ser um pouco egoísta, não podia me dar ao luxo de perder essas oportunidades que estava esperando e batalhando há anos! Resolvi que só iria realmente em último caso, mas esticaria a corda ao máximo.

Foi duro, uma das piores internações do meu pai, que precisou pela primeira vez entrar na hemodiálise, seus rins haviam parado de funcionar. Minha mãe no seu limite da resistência e eu contando à distância com família e amigos para ajudarem a segurar a onda.

Ele melhorou, o bichinho é duro na queda! Meu pai voltou para casa e foi se recuperando na medida do possível. Ainda assim, senti que minha mãe estava muito cansada, a um triz do seu limite. Veja bem, sejamos realistas, se minha mãe cai, ferrou tudo!

Então, assim que ganhei uma brecha entre treinamentos e entreguei os eventos no Maison Blanche que já havia me comprometido, embarquei num avião por três semanas, rumo ao Rio de Janeiro. Meu pai estava relativamente estabilizado, mas queria vê-lo e, principalmente, dar uma folguinha para minha mãe que estava me preocupando mais naquele momento.

Acho que dentro de um núcleo familiar, é normal as pessoas assumirem diferentes papéis, que nem sempre são tão rígidos, podem se alternar de acordo com as necessidades, mas costumam seguir algum padrão. No meu ponto de vista, em minha família acho que meu pai é a força, o porto seguro, minha mãe é o elo de ligação, é quem une, quem alivia, resolve e decide, meu irmão traz vida, energia, alegria e eu sou a “cavalaria”.

Preciso correr livre por fora, não me prenda que eu fujo, não me chame à toa porque sou ocupada. Mas quando o bicho pega, volto do inferno, porque sei que sou para a hora que falta fôlego, para tocar o barata vôa, para celebrar o improvável, para o deixa de mimimi e sobe mais dois degraus porque você pode. Estou para quando a força resvale, a confiança duvide e a alegria se perca. Essa é a hora da cavalaria, é a minha deixa e meu papel. E depois vou cavalgar por outros campos.

Mas voltando à viagem, por coincidência, Luiz também precisou ir a trabalho a São Paulo no mesmo período, por alguns dias e nos encontramos no final de semana, antes dele retornar a Londres.

Basicamente, chega ele no Rio e me diz que a empresa onde foi trabalhar queria contratá-lo, o que ele fazia?

Hein? Como? Quando?

Vou ser bastante sincera, meu impulso natural era dizer: nem escuta, sem chance! Não quero morar no Brasil! Eu morro de saudades das pessoas, mas da vida no país eu não tenho um pingo! Eu sei que se, naquele momento, eu tivesse dito isso, ele nem evoluiria a história.

Acontece que, na prática, dei aquela olhadinha para o “grilo falante” no meu ombro, que cruzava os braços, balançava a cabeça e me dizia: tem certeza? Olha em volta do seu umbigo e seja razoável… seus pais precisando de apoio… sua sobrinha que vai nascer… a carreira do seu marido que, como você, não está ficando mais jovem… todos são você e você é parte disso. Era impossível também não notar como Luiz estava mais feliz trabalhando aqueles dias com a tal empresa, era seu ambiente. Ele queria.

Cavalaria, se vira e comparece!

Luiz, acho que pelo menos você deveria escutar o que eles tem a dizer. Em outra ocasião, não ia querer nem saber, mas talvez agora a nossa presença aqui seja importante. Depois, nada é definitivo, temos cidadania européia, poderemos voltar. Quem sabe seja a hora de dar outra chance ao caos…

Ele abriu a porta para uma proposta, que não tardou em chegar.

Enquanto isso, na sala de justiça… aproveitei bem minha estadia no Rio. Quanto à saúde do meu pai, diria que estava pior do que eu gostaria, mas melhor do que esperava. Durante o dia, minha programação era com meus pais e à noite, quando eles não saem mesmo, marcava com os amigos pelos bares da redondeza. Na verdade, até encontrei mais gente do que imaginava e a viagem foi mais leve do que me preparei.

Na cabeça, girando a possibilidade de voltar a morar no Brasil. Os noticiários eram desanimadores! Sim, a mídia pode ser bastante tendenciosa e blá blá blá… mas convenhamos, basta colocar o narizinho na rua, o país é violento sim, há muita corrupção sim, a educação é uma vergonha sim, a saúde é lamentável sim… enfim, não vou dourar a pílula. Acho que olhe pelo lado que se olhe, a coisa está complicada! Temos uma esquerda indecente e uma direita imoral, ou vice-versa, ferrou mesmo! E aí, o que a gente faz?

A proposta profissional definitiva do Luiz chegou, junto com o dia de voltar para Londres, com minha cabeça e coração completamente divididos.

E foi nesse contexto, alguns dias depois, que dissemos sim. Ele confiante que é a melhor opção e tenso se me faria feliz com isso.

Pensei que já não precisasse mais explicar que sou feliz por vocação, não por ocasião ou contingência. Sou feliz porque sim, porque preciso ser. E é lógico que estou feliz! Pelo menos uma parte de mim, ainda que nunca sejamos uma parte só.

Tenho um pé na euforia por saber que será maravilhoso pela família, pelos encontros e reencontros, os sabores confortáveis, os sorrisos com dentes à mostra, os sons dos sotaques e tantas outras coisas que me lembram quem eu sou… e outro pé no putz, como conviver novamente com a violência, com a falta de educação, com a deselegância, com a desigualdade e tantas outras coisas que me lembram quem eu não sou mais. E nunca serei em lugar nenhum, porque não sou mais um lugar só.

Há muitos anos coleciono saudades. Sei que o preço de um encontro é outra distância e não vou mentir, dói sempre, de todos os lados. E é difícil dar essa notícia porque agora estou no momento do luto do lado de cá, da partida. Sei que quando chegar no Brasil a história será outra, porque terei a felicidade de uma nova chegada e, convenhamos, já era tempo de levar minha saudade para outro lugar.

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Pausa para um comercial, por favor! Divido com vocês meu novo projeto gastronômico!

Quem me conhece ou acompanha o blog, sabe que tenho uma enorme paixão pela cozinha há muitos anos. Acho que vem um pouco do histórico da minha família, onde todo mundo sabe cozinhar e ama comer bem!

Ainda assim, nunca tive vontade de abrir um restaurante, é muito diferente a obrigação mecânica e militar de cozinhar para estranhos do que o gosto de preparar tudo na sua casa, pensando literalmente em quem vai desfrutar. Ser chef de um restaurante também pode ser uma paixão, mas não é a minha. Pelo menos, por enquanto.

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Eu gosto de cozinhar em casa, para minha família e meus amigos, assim de simples. A questão era, seria possível fazer disso um negócio? Como não misturar as coisas? Ou melhor, como misturar de uma maneira positiva?

Muito bem, há algum tempo, uma amiga me deu a ótima idéia de fazer um “supper club”, que basicamente é o seguinte, você recebe as pessoas para comer na sua casa. Geralmente, um chef monta um cardápio, define um ou dois dias da semana que receberá para o almoço/jantar e anuncia através de um website aos interessados. As pessoas se candidatam e pagam adiantado por essa refeição. Oficialmente, não é uma tarifa, é uma “doação” para pagar os custos. A grande maioria não serve bebida, mas você pode levar a sua.

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Gostei bastante do conceito, mas ainda não era perfeito para mim. Por que? Primeiro, porque por contrato de aluguel, não posso ter negócio em casa. Então, montar um website com endereço seria complicado. Segundo, a possibilidade de receber completos estranhos no meu lar era um pouco assustadora. Sem falar que vai que alguém tem algum problema alérgico, não me informa e passa mal, olha o tamanho da encrenca! Aqui é um tal de não pode comer isso e não pode comer aquilo que você nunca sabe se é frescura, moda ou problema sério!

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Enfim, cheguei a conclusão que nunca haveria o modelo, local e momento perfeitos. Quer saber, isso é algo que quero fazer há um tempão e estou pronta! Então, logo que mudamos de casa e consegui um pouco mais de espaço, havia decidido que ia fazer da maneira que fosse possível e vamos corrigindo o curso no caminho.

Assim, nasceu La Maison Blanche Supper Club!

O nome vem de uma brincadeira antiga que fazemos em casa, com super jantares nababescos para poucos amigos muito íntimos, queridos e de paladar amplo. Luiz queria dar meu nome para esses eventos, o que me deixava constrangida, porque afinal, era sempre uma homenagem a alguém que não era eu! Daí o que começou como a casa da Bianca, mudou um pouquinho e disfarçou em francês. Quando queria fazer um desses jantares, dizia: vou fazer um “Maison Blanche”. Acabou que o nome pegou e resolvi mantê-lo.

Pois muito bem, a idéia é a seguinte, abri um clube exclusivo para amigos e pessoas indicadas por esses amigos. Em determinadas datas, promovo jantares, aulas ou eventos, onde pequenos grupos são bem vindos a desfrutar de uma experiência gastronômica. As experiências podem variar entre a saudade de uma boa comida caseira em um ambiente despojado e informal; ou um jantar absolutamente sofisticado, uma fusão de sabores, texturas e sensações. Não se trata de um restaurante, tudo é feito na minha casa, portanto, apenas pessoas conhecidas ou com referência de algum amigo em comum serão recebidas. Tudo é pensado em conjunto, a comida, a iluminação, a música… é todo um contexto. Para cada evento, há uma doação, paga antecipadamente, para cobrir os custos de um menu fixo. Considerando os preços cobrados nos restaurantes de Londres, francamente, as doações sugeridas são para lá de razoáveis! O valor não inclui bebida, posso oferecê-las por fora desse valor ou, se os amigos preferirem, podem trazer sua própria bebida, não cobro rolha.

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Tudo é organizado e divulgado através de uma página no Facebook https://www.facebook.com/LaMaisonBlancheSupperclub?ref_type=bookmark, não tenho website, afinal, a principal propaganda é a boca-a-boca, literalmente. Sigo recebendo amigos em casa do mesmo jeito, não misturo as estações, isso é outra coisa. Por exemplo, no caso desses jantares, fico literalmente na cozinha, ocupada e adorando. Lógico que recebo as pessoas e faço o papel de anfitriã, mas as estrelas são os convidados, é tudo feito para eles, não sento à mesa.

Está muito no início, mas a verdade é que a recepção tem sido bastante positiva e estou animadíssima! Já começaram a surgir as primeiras encomendas e estou doida para esquentar meu umbigo no fogão!

E se você vem a Londres, ou queira indicar algum amigo que venha, seja mais que bem vindo à La Maison Blanche Supper Club!

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Muita calma nesse momento! Estou falando de dois vira-latinhas felinos que acabam de nos dar a honra de sua presença!

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Para quem chegou agora e não acompanha a história, já tivemos um par de gatinhos irmãos, a Buchannan, que viveu por 5 anos e o Jack Daniel’s que viveu 13. Chegaram em nossa casa, em São Paulo, quando ainda tinham 40 dias de vida. Aprenderam a ser nômades como nós e se adaptavam às mudanças com muita elegância. Buchannan se foi em Atlanta e Jack em Madri, pelo meio de 2012.O persa creme que aparece na foto de entrada do blog é o Jack e já foi personagem de várias crônicas por aqui.

Precisamos de um tempo para a poeira baixar e o luto acalmar. E o bendito tempo, como sempre, se encarrega de nos aliviar e dar outra perspectiva para tudo que passamos.

Quando começamos a pensar em um novo animalzinho, tinha claro que seria adotado, mas também sabia que precisava ser no momendo adequado. Logo veio a possibilidade de mudança para Londres e resolvemos aguardar.

No antigo endereço, comecei a receber visitas felinas, uma gata preto e branca muito carinhosa (e com dono). Passou a me visitar diariamente, como que me preparando ou me dando sinais que o momento estava chegando. Escrevi sobre ela aqui.

Assim que, ao mudar para a casa nova, tínhamos decidido que já era hora. Luiz entrou em contato com o centro de adoção, optamos pelo RSPCA, e eles marcaram a visita de uma inspetora. Achei muito responsável da parte deles, não é uma visita invasiva, mas para saber que condições tem a casa, se tem crianças, se tem quintal etc. Ou seja, garantir que é o ambiente adequado e que o perfil do animal e do dono sejam compatíveis. O fato é que temos o perfil ideal para adotar um gato, já tivemos outros e muito bem educados, trabalho em casa, temos espaço, não temos outros animais, não há crianças (há gatos que se adaptam a uma casa com crianças pequenas ou outros animais, mas nem todos). Enfim, nenhum empecilho.

Não tinha certeza se queria um ou dois bichanos, ambas as escolhas oferecem vantagens e desvantagens. Comprei um kit básico para receber quem viesse e o destino se encarregasse do resto.

Começar a comprar cama, caixa de areia, potes de comida etc teve um efeito ambíguo. Por um lado foi gostoso, já foi me dando vontade de mimar um ser que eu nem conhecia; mas por outro remexeu algumas saudades e me perguntava se queria mesmo passar por tudo isso novamente. Não vou negar que é bom ter minha liberdade completa, nada nem ninguém dependendo de mim. Não sei tomar meias decisões e acho que, nesse caso, é a maneira correta, se você opta por ter um bichinho, que pode ser um gato, cachorro, peixe, tartaruga, o que for, você é responsável por ele o resto da vida, ponto.

Prevaleceu a lembrança de todo o carinho e companhia que me fizeram Buchannan e Jack, por países, casas e humores diferentes. A delícia que é ouvir um ronronado alegre só porque te viu. A dignidade de um ser que independente da situação, segue sendo dono do seu rabo, seu fucinho e dos seus termos.

Fui meio emocionada ao centro de adoção, ainda bem que Luiz estava junto, não queria essa responsabilidade sozinha. Achei que seria sofrido, porque no fundo, a gente sabe que estará deixando “alguém” para trás. É um pouco escolha de Sofia.

Mas a verdade é que não foi nada duro! Primeiro porque o centro era um lugar bastante razoável. As jaulas dos animais não são tão mínimas, na verdade, parecem pequenos quartos com uma parte mais protegida e uma parte externa com grade. Você consegue inclusive andar dentro delas. Não é o espaço ideal, é lógico, mas os bichos não estavam confinados ou mau tratados. Alguns mantidos sozinhos e vários mantidos em duplas ou grupos, no caso de virem de uma mesma casa.

Então, deixamos o acaso seguir seu curso. Passeamos por cada uma das celas, observando o compartamento dos animais. Passei na ida e na volta por um bichano apagado sobre um desses arranhadores grandes. Quando estava um pouco adiante, Luiz me chama para conhecer um gato, exatamente o tal que estava dormindo quando passei. Chego lá e ele está todo ronronante para Luiz, como também ficou para mim, pedindo carinho e esfregando o rosto na nossa mão. Dali a pouco, sai de dentro do quartinho uma outra gata, tímida que só ela, mas se esfregando nesse primeiro e também ronronante para a gente, se deixando ser tocada. Mas logo que a cuidadora chegou, voltou correndo para o quarto. Ali, nossa decisão que ele viria já estava tomada.

Entretanto, lembra que ainda tínhamos dúvidas se queríamos um ou dois gatos? Estava bastante inclinada a ter dois. Porque o trabalho é bem parecido e um faz muita companhia ao outro, te libera mais. A pior desvantagem é que você não consegue prever que ambos tenham o mesmo número de anos de vida, e quando um deles se vai antes é um trauma! Portanto, se viessem dois gatos, preferia que tivessem idades iguais ou bem parecidas.

Muito bem, a responsável do centro, quando nos viu interessada nesse gato, e sem saber se levaríamos só um, fez um ar de preocupada. Explicou que a outra era extremamente tímida e, por isso, era uma das gatas que estava há mais tempo no abrigo. Quando o gato chegou, também tímido, fizeram a experiência de colocá-los juntos e foi muito positivo para ambos. Ela começou a se comunicar através dele, brincarem e desenvolverem um laço especial. Assim que não era obrigatório adotar os dois, mas separá-los seria muito ruim, principalmente para ela que já estava ali há 6 meses. De tão tímida, cada vez que alguém chegava para visitar, ela se entocava!

Acontece, que ela havia saído da toca para a gente, muito provavelmente por causa dele. E ouvindo sua história, imagino o esforço que foi para ela, foi uma grande coisa! Então, levamos os dois, pronto!

Assim, chegaram em nossa casa dois felinos assustados, ele batizado de Wolverine (2 anos), Wolvie para os íntimos e ela nossa Fênix (4 anos). Gatos super poderosos, que precisam de espaço, tempo e paciência para entenderem seus talentos. Wolverine é mais corajoso, não se deixa pegar, mas se entrega a carinhos quantas vezes você se aproximar. Fênix é uma ostra de tímida, mas bem docinha, esperamos que em breve possa renascer mais confiante. E, definitivamente, a relação entre os dois é muito especial! Separá-los haveria sido uma maldade, ela é completamente louca por ele e ele busca por ela o tempo todo.

Pois muito bem, começamos novo capítulo na nossa história, reunindo um casal de gatos apaixonados, que provavelmente vão virar nossa casa de cabeça para baixo em algumas semanas, mas que daremos nosso jeito, encontraremos os próprios espaços e viveremos felizes para sempre (ou quase).

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PS: Wolverine é o mais preto da direita, Fênix tem as patas brancas.

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