E na hora que penso, agora ferrou, resta tentar… “with a little help from my friends”…

Para quem não fala inglês, a tradução de “with a little help from my friends” é “com uma ajudinha dos meus amigos“, referência da música que ganhou fama na voz do Joe Cocker e foi tema de série.

Como o diabo e boa parte das minhas histórias reside nos detalhes, vou contar uma parte da saga anterior dos bastidores que ficou faltando, a viagem maluca que fizemos para assinar a procuração em Portugal, a mesma usada para comprar a Quinta do Vianna.

Abre parênteses e vamos esquecer a Quinta por um minuto. Nós temos dupla nacionalidade, brasileira e espanhola, mas é como cidadãos espanhóis que vivemos na Europa. Aqui na Inglaterra, toda nossa documentação é atrelada aos documentos espanhóis e, a possibilidade de viver em Portugal algum dia também é vinculada a essa situação.

Pois bem, nossos passaportes e identidades venciam no mesmo dia, em maio e poderíamos renovar com até 6 meses de antecedência. Até aí, lindo! Só tinha um problema, estávamos todos em lockdown rigoroso! Não conseguíamos viajar, nem tinha voo! Era impossível agendar qualquer coisa no consulado espanhol de Londres. Quando chegou abril, a gente começou a surtar…

Em paralelo, uma história não tão grave, mas que estava acontecendo. Minha carteira de motorista (espanhola) venceu no ano passado e renovei em março de 2020. Exatamente uma semana antes da pandemia estourar, estive em Madri para resolver pepinos, aproveitei para renovar a carteira. Teoricamente, a habilitação seria enviada por correio para a casa de uma amiga, que nunca a recebeu! Estourou o raio do COVID e isso foi embolando cada vez mais. A verdade é que ninguém sabia a duração dessa loucura, sempre esperávamos que já fosse resolver e com isso o tempo foi passando.

Em outubro, quando fui a Portugal conhecer a Quinta comprada, aproveitei uma oportunidade que surgiu na mesma semana e comprei também um carro. Velhinho, mas muito bem conservado e bom para aguentar o tranco de estrada de terra. Pode me chamar de louca, como é que comprei um carro para ficar em um quinta que nem era minha ainda? Mas enfim, foi uma boa oportunidade e aproveitei. O carro ficou guardado esse período com meu primo.

Acontece que, se tinha um carro e precisaria dirigir, também voltou a necessidade de resolver o “mistério da carteira de motorista”, perdida no limbo! Óbvio que nada é fácil e o número da DGT (Departamento de Trânsito espanhol) era daquele de 3 dígitos, que você só consegue ligar se estiver no país. E eu não estava! Lá fui eu pedir socorro para uma amiga: liga lá para mim, por favor! Descobre, pelo menos, onde está minha carteira! Responderam para ela que estava na própria sede da DGT, em Madrid, e que precisaria buscar pessoalmente. Se não fosse pessoalmente, minha representante precisaria levar uma procuração e o original da minha identidade (ou uma cópia autenticada, eles dizem “copia compulsada“). Bom, ok, pensei, assim que as fronteiras abrirem, vou lá buscar minha carteira. Isso em outubro.

Lógico que fronteira abriu coisa nenhuma… o tempo passou e chegou março! Agoniada, resolvi tentar outra vez, mas a primeira amiga que ligou para mim (e era a do endereço onde minha carteira estava direcionada) viajou para o Brasil e ficou alguns meses por lá, sem conseguir voltar. Caraca, para quem eu peço esse favorzinho enjoado? É difícil até explicar a história, que dirá resolver!

Bem sem graça, procurei uma outra amiga que gosto muito e pedi, sem nenhuma obrigação, você poderia me ajudar a resolver essa encrenca? Ela foi super gente boa e me ajudou a solucionar o tal mistério da carteira e a marcar um horário para buscá-la na DGT. Outro detalhe, na total impossibilidade de se fazer uma procuração pelo consulado espanhol ou de autenticar minha identidade, enviei o documento original para ela por correio! E todos os papéis que eu tinha do processo, protocolo etc. Ela com a maior boa vontade do mundo, mas nada de conseguir uma data na instituição para agendar e buscar a carteira.

Nisso, chegou abril e aquela agonia dos passaportes vencendo… abriram uma brecha para viagens entre Inglaterra e Espanha, mesmo assim, só se fosse por absoluta necessidade. Super burocrático, milhões de formulários, 4 PCRs para cada um, quarentena na volta… um inferno! Mas era possível!

Bianquita somou 2 +2 = 22! Vou botar tudo no mesmo pacote! Luiz, vamos aproveitar essa brecha, renovar os passaportes e identidade (na Espanha você faz isso em um único dia e já sai de lá com os documentos novos) e vou eu mesma buscar a carteira de motorista na DGT. Daí, a gente aluga um carro e vai dirigindo até Portugal. As fronteiras terrestres são sempre mais fáceis, a gente tem o passaporte espanhol, o carro com placa da Espanha, o termo de compromisso de compra e venda da Quinta assinado e eu sou registrada como moradora em Braga. Ninguém precisa saber que a gente foi da Inglaterra. Fazemos a procuração para meu primo e deixamos as coisas por lá encaminhadas também. Convenhamos, um plano completamente insano, mas bastante prático, certo?

Aqui há um dito popular que adoro, “where is a will there’s a way“! A tradução literal seria, onde há um desejo há um caminho. Ou seja, se há uma real vontade que algo aconteça, sempre haverá uma maneira de conseguir. Ou na popular versão tupiniquim, fé, foco e foda-se!

E vamos combinar, não é que eu quisesse simplesmente passar férias ibéricas, a gente precisava muito resolver tudo isso! Não estávamos inventando nada!

Certo, mas temos dois gatos! Quem fica com os bichanos por uma semana? Procura daqui, procura dali… no final do ano passado, o filho de uma amiga da minha mãe precisava vir para Londres. Ele tinha tudo muito estruturado, mas era fundamental ter um endereço aqui para correspondência e documentação. Não seja por isso, ajudamos no que pudemos e, sinceramente, na maior boa vontade. Porque sim e porque sempre que precisamos, alguém nos ajuda também! Acabamos ficando amigos. Pelas voltas que o mundo dá, justamente esse novo amigo faria um treinamento relativamente próximo à nossa casa, justo quando precisávamos viajar! Resumo da ópera: ficou ele aqui cuidando dos bichanos enquanto a gente viajava! Mais karma positivo que isso, impossível!

Claro que foi um perrengue alucinado… a Inglaterra chegou a abrir fronteira para Portugal… mas Portugal fechou fronteira para Inglaterra… achar hospedagem em Madri foi enrolado… conseguimos AirBnB… na semana anterior, Espanha e Portugal resolveram fechar fronteira também… agendar trocentos PCRs… fomos parados na fronteira terrestre na ida e na volta, mas os documentos que levei justificavam as entradas e saídas… nosso voo de volta de Madri para Londres foi cancelado… Luiz conseguiu remarcar… e lógico que deu tudo certo!

Contando só uma gracinha no meio desse turbilhão, na hora de preencher os formulários da volta para a casa, Luiz ficou na dúvida se dizia que tinha ido para Portugal ou não. Eu já disse logo, eu não vou dizer! Por que? A gente tomou todos os cuidados possíveis, para que vou criar uma razão para encrencarem? Eu acho que era legal, mas na dúvida, melhor ficar quieta. O caso é que nós dois chegamos a ser meio bobos de tão “caxias”, a gente gosta de fazer tudo certinho! Ele vira para mim todo dramático, com aquele olhar de indignação decepcionado: e você vai… meeeentirrrrr? Oi? Sério? Depois de todo esse estresse ele quer ser mais certinho que os próprios ingleses? Respondi gutural e maiusculamente: VOU! Vou mentir! Vou fazer o que eu precisar fazer! I’m a woman in a mission! Ele resmungou um pouquinho, mas pergunta se colocou no formulário dele que foi para Portugal? Na volta para casa, inclusive recebemos um elogio do agente britânico de imigração ao mostrarmos nossos documentos: nossa que organizados!

Bom, mas contei o final sem contar o meio da história. Espanha estava com suas restrições, mas os restaurantes e comércio estavam abertos. Para a gente que já levava 5 meses fechados em casa, foi uma brisa fresca! As ruas de Madri tem um burburinho alegre de fundo, de gente falando e eles não falam baixo, risadas, reclamações… e eu amo! Assim que, com todo perrengue e toda a tensão, a gente estava feliz pacas de estar ali!

Conseguimos mesa no nosso restaurante favorito, El fogón de Trifón! O dono também se tornou um grande amigo e sempre que vamos lá, temos essa sensação de estar em casa. Havia mais de um ano que não podíamos nos encontrar. Coincidiu de irmos justo no dia em que ele havia sido vacinado contra Covid, nós havíamos sido vacinados também. Nosso encontro foi uma festa!

Fomos quase que em segredo para Espanha, por vários motivos, primeiro porque seria praticamente impossível encontrar alguém com a agenda maluca que estávamos! Depois, porque tinha até medo de anunciar nas redes sociais, o governo achar que fomos passear e multar a gente! A multa era a bagatela de £10 mil. E, claro, entendemos a preocupação das pessoas em evitar saídas e encontros nesse momento, algo que compartilhávamos. Admito que um lado meu sentia uma falta gigante de marcar um encontrão daqueles e abraçar todo mundo, outra vez será!

Bom, mas queria falar um pouco mais dessa questão de como somos privilegiados por nossos amigos e também pela família que muitas vezes exerce esse papel. Aliás, constantemente essa coisa de amizade e família é simbiótica.

Enfim, lembra da minha amiga que conseguiu descobrir sobre minha carteira de motorista e estava com meu documento original? Então, precisava encontrá-la antes de ir renovar a documentação, o que era uma excelente desculpa para a gente se ver. Na maior boa vontade, ela se candidatou a nos buscar no aeroporto, favorzão que aceitei de bom grado! Acabamos jantando juntos e foi uma delícia, a gente gosta muito deles! Verdade que não era um grupo grande, mas tenho valorizado também esses encontros limitados entre dois casais ou poucos amigos, a gente consegue dar mais atenção individual e conversar melhor.

E havia também outro amigão, que não víamos há anos! Nos conhecemos em Madri, ele ficou várias vezes lá em casa com nosso gato quando a gente viajava, temos muitas histórias… daí ele mudou para Hong Kong… nós mudamos para Inglaterra… nós fomos para o Brasil… voltamos para Inglaterra… ele voltou para Madri e, finalmente, uma chance da gente se encontrar na mesma cidade! Maravilha, bora jantar! Atualizamos os anos de conversa e contamos para ele porque estávamos indo para Portugal.

Pouquíssima gente sabia sobre a compra da Quinta. E nem porque eu quisesse guardar grandes segredos, afinal, como costumo brincar, minha vida é um blog aberto! Eu não tenho essa paranóia de achar que alguém pode torcer contra e tal, até porque, quando sei sobre os projetos dos meus amigos, fico amarradona! Mas para mim, não fazia sentido sair divulgando algo que poderia nem rolar! Na minha opinião, o negócio só está fechado despois de assinada a escritura! Mas enfim, o fato é que ele curtiu muito a história e trocamos algumas mensagens sobre isso depois!

Dali seguimos para Portugal, onde nossos primos, como sempre, deram o maior apoio para a gente resolver as coisas. Vamos combinar, eles visitaram a Quinta antes da gente, foram nossos olhos e ouvidos para fechar o negócio, meu primo topou ser nosso procurador e acabou também assinando a escritura em nosso nome. Por mais que nós tentássemos ser organizados ou não incomodar, seria absolutamente impossível fazer esse negócio sem o suporte deles.

Tudo bem, mas uma vez fechada a compra, agora estávamos no sufoco seguinte: como é que a gente vai fazer para isso funcionar? Porque as fronteiras melhoraram, mas seguem limitadas, as viagens seguem complicadas e caras. Nós temos as duas doses da vacina, mas o tal passaporte de viagem dos vacinados ainda é um ideal não implantado. E nós precisamos urgente de pessoas trabalhando na Quinta do Vianna! Mesmo que contrate pessoas é fundamental ter alguém por lá cuidando.

Conseguimos marcar passagem para ficar uma semana em Portugal, resolvendo os incêndios! Vamos no dia 12 de junho e ficaremos até dia 18.

Ok, tudo muito bom, tudo muito bem… mas outra vez, com quem ficam os gatos? Eu já sem cara de pedir para as pessoas… lembrei de um casal de amigos… perguntei toda sem graça… eles toparam! Vou deixar a casa igual a um hotel! Comidinha na geladeira, tudo para eles adorarem ficar aqui!

Seguindo o bonde, com a escritura fechada, me deu a ideia de criar um perfil no Instagram, uma outra categoria aqui no blog… enfim, começar a divulgar o projeto. Em princípio, para nossos amigos mesmo, mas quem sabe no futuro, se converta em algo mais comercial. Não sei, vamos descobrir com o tempo. A verdade, é que gosto de compartilhar situações felizes, principalmente em um momento em que tudo parece tão sombrio. E, assim como eu busquei tantas informações sobre a vida às margens do Douro, talvez outras pessoas também tenham a curiosidade de saber como é. Se posso ajudar alguém a viver um pouco dessa aventura conosco, virtualmente ou pessoalmente, por que não?

Depois, tem o outro lado da moeda, porque tem um monte de coisas que não sei ou não consigo fazer sozinha. Feliz o dia em que aprendi a ser menos orgulhosa e a aceitar ajuda! Não é incomum que, ao expor uma situação, do nada me aparece alguém com uma resposta, uma dica, um contato… e eu escuto!

Dito isso, lembra daquele nosso amigo que encontramos em Madri e contamos sobre a Quinta? Então, lendo a história aqui no blog, ele teve uma ideia e nos procurou. Com a pandemia, ele não está trabalhando direto ou poderá trabalhar remoto. Ou seja, está com tempo e não é casado, não tem raízes ou nada que o prenda. Nos perguntou, quer que eu more lá por uns meses? Para ele seria uma experiência diferente, onde não precisaria de um salário, mas também não teria custos. Ele não se importa que a casa esteja velha e precisando de reformas, a vista é um desbunde e o trabalho é interessante. E para a gente, seria uma tranquilidade ter alguém morando lá direto, cuidando da casa e resolvendo os pepinos das vinhas. Mesmo que tenhamos que contratar ajuda, com alguém lá administrando facilita horrores! Além de não termos que nos preocupar com fronteiras fechando e abrindo. Sabe aquelas situações onde parece que todo mundo ganha? Conversa daqui, conversa dali, vamos nos encontrar em Portugal na semana que vem e ver o que rola. Torcendo para dar certo, desde que seja bom para ambos os lados!

E fiz questão de contar tudo isso hoje, porque sempre falo das sagas, aventuras e encrencas que a gente se mete, e vamos combinar, não são poucas! Mas a vedade é que dificilmente conseguimos resolver tudo sozinhos. Quantas vezes, quando a gente acha que não tem mais jeito, ou o que raios a gente vai fazer… a ajuda aparece! Às vezes de amigos antigos, outras de absolutos desconhecidos que acabam por se tornar amigos novos. E acho tão bom e sou tão grata que sempre que existe alguma maneira de também ajudar outra pessoa, para mim é um privilégio! Acredito sinceramente na gentileza que gera gentileza!

Portanto, hoje agradeço aos meus amigos e amigas, aos que me ajudaram diretamente ou que simplesmente estão aí, aos que serão amigos um dia, aos estranhos que abracei pelo caminho com a sensação mútua de pertencer e também aos que precisaram de mim e me deram essa oportunidade de retribuir ao universo.

Porque é uma delícia saber que na hora em que o bicho pega, sempre contamos com nossos amigos! Eu acredito em vocês e me torno melhor porque sinto que essa crença é recíproca, mesmo nos meus projetos mais improváveis ou absurdos. Por vocês acreditarem em mim, eu sou.

Muito obrigada.

A saga dos bastidores

Como Luiz costuma dizer, vocês olham as cachaças que eu tomo, mas não os tombos que eu levo! Entretanto, prometi que vou contar tudo, então, vamos lá!

Podemos dizer que, oficialmente, essa saga específica começou há cerca de um ano, quando iniciamos nossa busca de uma propriedade rural em Portugal, por volta de junho de 2020. Até encontrarmos o que queríamos, levou alguns meses e o contrato de compra e venda foi assinado em outubro. Mas, enfim, essa parte da história, em que compramos através de uma visita virtual, já foi contada na crônica passada.

Bom, sabíamos que haveria uma razoável espera até toda a documentação ficar pronta. E para nós, essa era uma espera bastante positiva, pois ganhávamos tempo para entender um pouco melhor em que encrenca a gente estaria se metendo!

Fora a questão das viagens durante a pandemia! Era um tal de abre e fecha fronteira a toda hora! Ou melhor, um tal de fecha e fecha mais ainda, porque abrir que é bom… estava difícil! E aí, como você contrata gente para trabalhar? Como você faz obra? Meus primos ajudaram bastante, mas não dá para você contar com os outros para resolver seus pepinos sempre, né? Nem seria justo! Todo mundo tem seus próprios problemas para resolver e vamos combinar, em tempos de COVID, ninguém estava tão tranquilo assim.

E o que era essa documentação? É o seguinte, nessa região do Douro Vinhateiro, há uma série de regras rigorosas em relação à construção nos terrenos e ao plantio das vinhas. O que pessoalmente, concordo, porque precisa mesmo haver esse tipo de controle ou a coisa vira bagunça.

Não pode chegar um indivíduo por lá e resolver plantar qualquer casta de uva porque o terreno é dele! Precisam ser as castas da região. É bom para quem quer ser produtor de vinho, porque também é uma certa garantia de boa qualidade. Da mesma maneira, as construções também são regulamentadas, você tem um máximo de metragem que pode construir de acordo com o tamanho do terreno, não pode distoar arquitetonicamente, há uma limitação de cores…

Essa parte é um pouco técnica, mas acho que vale explicar e se não quiser saber, é só pular alguns parágrafos.

Basicamente, você tem dois tipos de terreno, que eles chamam de “artigo”. São eles: o artigo rústico, para plantio e o artigo urbano, para construção. Em um artigo rústico, você não pode construir nem a pau! Só pode plantar e, ainda assim, respeitando as regras da região. O artigo urbano é só a construção, que por sua vez, tem um limite de metragem quadrada. Eventualmente, você consegue expandir um pouco esse limite, mas muito pouco e precisa se aprovar o projeto na câmara.

Isso quer dizer que, por exemplo, a nossa Quinta não é simplesmente um terreno com duas casa dentro, são 11 artigos, sendo 9 rústicos e 2 urbanos. O somatório desses 11 artigos são aproximadamente 3 hectares de terreno com duas construções. A escritura é uma só, mas descreve especificamente cada um desses 11 artigos. E cada artigo tem um valor separado, ou seja, tivemos 11 preços diferentes e a somatória desses preços é o valor total da escritura.

Imagina você indo a um supermercado e comprando 11 artigos, quando você for pagar no caixa, paga tudo junto, é uma compra só, mas na nota vem separado o valor de cada ítem. É igual.

A tributação e honorários na hora de fazer a escritura e registro da propriedade não é nada simples. Começando pela parte mais fácil, porque é fixo independente do preço do imóvel (valores referentes a junho/2021), foi cobrado pela escritura €375,00, mais €165,00 de consulta do registro predial, mais €500,00 de registro dos prédios. Inclua-se os honorários do notário, aproximadamente €750,00 (adicionados de 23% de IVA). Esse é o básico! Mas tem os impostos para cada artigo, que são o IMT e o Imposto do Selo. O imposto do selo também é fixo e igual para todos os artigos, no valor de 0,8%. Mas o tal do IMT varia completamente!

E aí começa a complicação, o IMT para artigos urbanos é de 1% do valor declarado e dos artigos rurais é de 5%. E se o artigo urbano for sua habitação permanente, ela é isenta de IMT. Até aí parece simples, né? Só que tem um detalhe, você tem o valor total da compra, certo? Mas sabe quem define quanto desse valor vai para cada artigo? Você!

Por exemplo, vamos supor que você tenha comprado 3 artigos, 2 rústicos e 1 urbano, por €100. É você que decide como distribuir, dá no mesmo dizer que os 2 rústicos valem €10 cada um e o urbano vale €80… ou que um rústico vale €10, outro vale €70 e o urbano vale €20… tanto faz, desde que no final, a conta some os €100. Daí, claro, como os artigos rústicos pagam maior imposto, todo mundo quer botar o valor maior no artigo urbano!

E pode? Pode, mas tem uma pegadinha…

A escritura é um documento público e os vizinhos, por lei, tem prioridade na compra dos artigos. Se algum vizinho descobrir que o terreno foi vendido, pode ir lá buscar por qual valor e, se estiver num valor muito baixo, ele pode entrar na justiça e ter a prioridade na compra. E ele pode fazer isso em até 6 meses depois da escritura lavrada. Ou seja, se você colocar um preço muito ridículo nos artigos rústicos para se livrar do imposto, corre o risco de se aborrecer com os vizinhos e até perder a compra!

E se está complicado para você que leu com tudo mastigadinho e explicado, imagina para a gente descobrir todo o processo?

Muito bem, mas chega de tecnicidade, vamos voltar à saga!

Lembra que eu falei lá atrás que precisávamos esperar a documentação da Quinta ficar pronta? Lembra que falei também que as regras de construção e produção nessa região são muito específicas? Então, a casa principal da nossa propriedade havia sido construída em 1951, antes mesmo de toda essa regulamentação atual. O que queria dizer que, mesmo não havendo sido uma construção ilegal, e não foi, não estava dentro dos padrões vigentes e, portanto, a venda não poderia ser efetivada e a escritura não poderia ser lavrada. Foi essa adequação da casa dentro das regras atuais que levou 7 meses para ser resolvida! Boa parte desse atraso se deu pela pandemia, entretanto, outra parte grande era burocracia. No fundo, a gente nunca teve grandes dúvidas que seria resolvido, afinal, não era ilegal e o proprietário tinha toda a documentação em nome dele, mas sabíamos que não seria rápido e não tínhamos ideia de quando terminaria.

O problema, caríssimos, é que as vinhas não esperam a burocracia se resolver. Entre outubro e fevereiro, não havia muito trabalho a ser feito, mas a partir daí, a coisa começa a acumular e, ao menos a poda das vinhas precisava ser realizada. Começou o jogo de empurra! O proprietário querendo nos cobrar pelo serviço ou que nós mesmos fizéssemos o trabalho e a gente naquela situação de, como é que vou pagar por um serviço de uma propriedade que não é minha e não sei se vai ser ou quando vai ser? E vamos combinar, o problema da documentação era dele, não nosso! A gente estava sendo legal pacas em esperar pacientemente!

Fizemos a seguinte proposta: você cuida das vinhas e, independente de quando a venda seja efetivada, você fica com a produção desse ano. É o que eles chamam de arrendamento da terra. Pareceu-me bastante justo, nós abriríamos mão da produção de 2021, mas não teríamos que esquentar a cabeça, não teríamos custos, nem precisaríamos buscar gente para trabalhar.

Essa intermediação foi feita pela corretora do imóvel e eles aceitaram. Ótimo! Para nós, estava resolvido, fiquei tranquila.

Só que não… porque chegou março e a gente, de repente, recebe a ligação dele “preocupado” porque o tempo estava passando e estava no limite para fazer a poda e nada…

Oi?

Ele insistiu que foi um mal entendido, que foi a corretora que fez confusão, que ele já tinha até se mudado de lá… enfim, não acreditei! Depois, em outras ocasiões, a gente percebeu que ele sempre mudava a história de acordo com a própria conveniência. Mas não importa, porque as vinhas precisavam ser podadas, independente de quem estivesse falando a verdade. Resumindo a ópera, meia dúzia de historinhas mais e um preço que foi o dobro do combinado… pagamos nós o raio da poda das vinhas e paciência!

Aliás, para quem pretende estabelecer algum tipo de negócio por essas bandas e tem a ideia romântica do caipira super honesto, pode esquecer! Não diria que é exatamente uma desonestidade, mas é lei de Gerson total! Verdade que pode acontecer em qualquer lugar e também tem muita gente boa, mas melhor não se distrair. Porém, uma vez que tenha a confiança estabelecida, aí é outra história.

Muito bem, chegou abril, nada da documentação ficar pronta e a água começou a bater no joelho… porque agora era questão de pouco tempo e as fronteiras entre Inglaterra e Portugal seguiam super fechadas!

Mas sabe aquela história de que não peço mais que meus caminhos estejam abertos, só peço os obstáculos corretos? Pois então, assim foi. Nossos passaportes e identidades espanholas venciam em maio e não estávamos conseguindo agendar a renovação através do consulado aqui de jeito nenhum! Quando chegou abril, deu medo da gente ficar sem documento válido, trava a vida toda, né? Nós vivemos na Inglaterra como cidadãos espanhóis que somos.

Então, descobrimos uma brecha para poder viajar entre Inglaterra e Espanha. Porque se fôssemos de férias, haveria uma multa de £10.000. Você só poderia viajar em caso de necessidade. E entre essa lista de “necessidades” constava a questão dos documentos. Luiz sem vontade de ir… com medo de ficar preso em quarentenas… de ser multado… a gente foi mesmo na raça! Daí, veio a ideia mirabolante de alugar um carro na Espanha e atravessar a fronteira terrestre para Portugal, sem dizer que morávamos na Inglaterra. Foi um sufoco danado, contarei essa outra saga em algum momento, mas o importante é que deu tudo certo.

A gente não sabia quando teria outra oportunidade de viajar para lá, por isso, aproveitamos essa brecha e fizemos uma procuração para o meu primo comprar em nosso nome. Luiz, finalmente, conheceu a Quinta e deixamos tudo encaminhado para a realização do negócio. Isso foi em abril.

Fiz questão de fazer a procuração com o mesmo advogado com poderes notariais que lavraria a escritura futuramente, para não correr o risco de haver nenhuma divergência! Inclusive, descobrimos que foi no mesmo local que a própria escritura anterior havia sido feita.

Colocamos a bola na frente do gol e voltamos para casa. Ainda assim, com todos esses detalhes cuidados, sabe a probabilidade de alguma coisa não dar certo? Pois é…

Mas deu tudo certo! Um mês após todo esse trâmite e cantar muito para Ganesha, recebi o contato da corretora. A documentação estava pronta!

Cerejinha do bolo, o proprietário encontrou um documento que provava que a casa havia sido construída antes da regulamentação atual e, portanto, como estava isenta das novas regras, poderíamos fazer a escritura quando quiséssemos. Caso você esteja se perguntando se esperamos esses 7 meses à toa, porque essa venda já estaria careca de poder ser realizada… sim! Mas dane-se, porque esse erro foi exatamente o que possibilitou que a Quinta fosse nossa e na hora em que poderia ser!

Não havia voos para irmos novamente assinar pessoalmente, mas não foi nenhum problema, afinal, estava tudo encaminhado para meu primo assinar por procuração e assim foi!

Escritura lavrada em 27 de maio de 2021, quinta-feira, noite de super lua cheia!

Para quem acha que finalmente está tudo resolvido e a gente pode relaxar… entendeu nada, inocente! Agora é que o bicho vai pegar! Por enquanto, foi só aquecimento!

E tudo bem, cada coisa a seu tempo e vamos aprender pelo caminho! Às vezes, a gente precisa saltar no abismo e torcer para não ser tão alto ou ter água para absorver o impacto! Acreditar que vai dar certo é um excelente começo e acreditamos que sim, agora é trabalhar duro!

A Quinta do Vianna

Tudo começou há uns dois anos, quando fomos passar Natal de 2019 com nossos primos em Portugal, eles haviam se mudado recentemente para Braga. Na realidade, ela é a minha prima de verdade, mas está casada há séculos, assim como eu, e nossos maridos também se dão muito bem, de maneira que nos chamamos todos de “primos” e facilitamos a história!

Até aquele momento, meu plano com Luiz era de nos aposentar em Madri, por milhões de motivos que nem vou entrar em todos os detalhes agora, mas entre eles, o fato de termos muitos amigos que consideramos nossa família extendida.

Enfim, a estadia na casa dos primos durante o Natal fez a gente repensar essa questão da aposentadoria e de onde morar. Francamente, acredito que, quando somos adultos, nós mesmos elegemos a nossa família em função da afinidade. Acontece que quando essa afinidade bate e ainda por cima existe o real grau de parentesco… o sangue fala alto e pesa na decisão. E pesou!

Saí de lá revendo meus paradígmas e avaliando: por que não Portugal? Não seria bacana poder envelhecer perto de quem a gente conhece e gosta? Além do que, minha mãe e a mãe da minha prima são super unidas. Se algum dia elas precisarem morar conosco, facilitaria muito estarmos próximas e em um lugar onde ambas falem o idioma.

E assim, tudo começou, a ideia estava plantada na minha cabeça! Mas… será que Luiz toparia? Pois conversamos e ele achou válido analisar a possibilidade.

Em termos financeiros, o custo dos imóveis em Portugal é muito mais atraente! Principalmente, porque não estávamos interessados em Lisboa. Queríamos algo na região do Porto, de preferência, Braga e arredores. Chegamos a quase fazer uma proposta em um uma casa na mesma rua da minha prima, mas não deu certo.

A essa altura do campeonado, Bianquita já havia aberto o leque e começado a investigar outras possibilidades na região. Comecei a vasculhar websites de busca a propriedades e a história de ter uma quinta, foi ganhando espaço na minha imaginação.

Quinta é um terreno, como um sítio, por exemplo. Esses terrenos são chamados “artigos”. Cada artigo pode ser rústico (plantação), urbano (casa/construção) ou de natureza mista (parte plantação e parte construção). Eu queria uma quinta de natureza mista, onde eu pudesse morar e cultivar a terra.

Cada vez mais, me interessava um lugar onde eu pudesse plantar, produzir minha própria energia, hospedar pessoas, organizar eventos, ter um pequeno restaurante… enfim, uma propriedade autossustentável, com uma gama de possibilidades.

Só tinha um pequeno detalhe, eu nunca tive a menor experiência agrícola na vida! Não entendo chongas de terra! Sou urbana até os ossos! O que vou fazer no meio de Portugal profunda e rural?

Ah, mas o Luiz entende do assunto, certo?

… claro que não! Acho que talvez menos que eu! A ideia maluca foi mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa!

Luiz sabia que eu vinha buscando oportunidades por terras lusitanas, mas nem imaginava o tamanho da encrenca! Honestamente, nem foi algo que saiu inteiro planejado no mesmo dia, a ideia foi desenvolvida aos poucos. Não sou uma pessoa que tem sonhos, nem sei se isso é uma coisa boa ou não. Mas outro dia, li algo como “não tenho sonhos, tenho planos”, e me senti totalmente identificada. Não sonho, eu planejo e faço. E, apesar de só poder falar por mim, acho que Luiz também é assim.

Até que por meados de 2020, compartilhei o pensamento com Luiz. Por sua vez, me olhou num primeiro momento como quem olha para um ET! Mas alguns segundos depois, senti que avaliava seriamente a possibilidade. No fundo, sabia que ele tinha gostado. Provavelmente, mais por mim do que por ele, mas a ordem dos fatores nem sempre altera o produto. Dei o tempo dele amadurecer a ideia, mesmo porque, não havia pressa.

Estávamos em pleno início de pandemia do COVID, há uns 3 meses fechados em casa e, não tenho a menor dúvida, que essa situação teve grande influência nas nossas decisões. Como todos, no princípio quase enlouqueci, mas encontrei meu caminho, com muita meditação e muito canto de mantras! Percebi que meu corpo é a única casa que posso controlar e que levo comigo para onde for. Nada mais parecia me assustar. Por quantas mudanças nós já passamos? Quantas vezes nos reconstruímos? E por que não? Além do que, nós dois somos um time e tanto!

Luiz não só comprou a ideia, como adicionou e incorporou de tal maneira que hoje posso dizer que o plano é nosso! Óbvio que ele profissionalizou a história… me pediu para fazer “business plan“… foi buscar investidores… e eu pensando, caracas, o povo ali nem endereço definido tem! Cada vez que você pergunta onde alguém mora ou onde encontrar é algo como: duas ruas depois da igreja… à direita da casa rosa antes da praça… na bomba de gasolina…

O que importa é que estava decidido! Era nosso novo plano e parecia bastante interessante! Um lugar para vivermos nossa pré-aposentadoria, que nos proporcionasse algum tipo de renda e boa qualidade de vida. Eu cuidaria nos primeiros anos, enquanto Luiz manteria seu emprego e garantia as contas pagas. Ficaríamos nessa ponte-aérea até que pudéssemos fazer uma transição definitiva, no que é possível chamarmos algo de definitivo na nossa vida!

Perfeito! Tudo muito bom, tudo muito bem… mas como a gente coloca isso em prática? Porque como disse, estávamos em plena pandemia e as viagens eram super complicadas, às vezes nem eram possíveis!

Entretanto, acho que por volta de junho, conseguimos marcar uma semana em Portugal, hospedados na casa dos primos. Explicamos tudo a eles, que adoraram saber que teriam companhia muito em breve e se propuseram a ajudar no que pudessem. Aliás, apoio fundamental, como já contarei!

Com a viagem marcada, selecionei pela internet as propriedades que nos interessavam e entrei em contato com os corretores. A intenção era ter todas as visitas agendadas e não perder tempo na visita, afinal, sabe-se lá quando poderíamos viajar novamente!

A primeira Quinta que nos interessou, ficava em Vila Marim, muito próxima a Mesão Frio, com uma vista do Rio Douro de impressionar! Era a favorita do Luiz, mas quando entrei em contato com a corretora, ela já estava sendo negociada e por um preço acima do que nós poderíamos pagar naquele momento. Paciência! Se não é essa, outra será!

Viajamos para Portugal e passamos uma semana ótima e super produtiva! Além da delícia de ver a família, sair um pouco, mudar a rotina… fomos visitar várias propriedades com os primos! Chegamos a fazer proposta em uma delas e marcar assinatura do compromisso de compra e venda… mas o proprietário amarelou na hora de assinar o contrato! Putz, ninguém merece!

Mas também não sofremos! Nessa minha nova fase de vida, penso logo em Ganesha me colocando os obstáculos corretos pelo caminho. O que é nosso viria e pronto!

Tivemos que voltar para Inglaterra, quando nos esperava uma mudança de endereço, uma complicação danada que nem vem ao caso aqui, mas o fato é que só pude pensar em voltar para Portugal pelo final de setembro, início de outubro.

Lá fui eu fuçar na internet outra vez! Quando, de repente, me aparece as fotos da tal primeira Quinta que Luiz gostou, em Vila Marim. E eu pensando… ué, mas não havia sido vendida? Será que o anúncio ficou esquecido aqui? Na dúvida, liguei para a corretora novamente.

Pois não havia sido vendida, o negócio havia furado! Depois viemos entender que a pessoa que tentou comprar da primeira vez o faria através de hipoteca bancária e a documentação estava um pouco enrolada. O banco não espera, mas a gente poderia esperar. Acontece que sempre tem um detalhe, não é mesmo? Havia outro cliente marcado para visitar justamente naquele final de semana e as chances de vender eram boas.

Não conseguíamos marcar passagem para a mesma semana, afinal, as viagens continuavam complicadas. Mas consegui que meus primos fossem visitar no nosso lugar, antes do outro cliente que estava marcado. Acompanhamos toda a visita virtualmente pela câmera do celular, com Luiz no meu ouvido ansioso: fecha agora! Fecha agora!

E assim foi! Acreditamos no julgamento dos primos, que afinal, conheciam nossos gostos e o que estávamos buscando. E, claro, pelas imagens que acompanhamos, nos pareceu um ótimo negócio! No final da visita, pelo celular mesmo, fechamos com a corretora: te envio o depósito como sinal e parte do pagamento agora por transferência bancária! Mas não quero que o o próximo cliente vá visitar a propriedade.

Exatamente dessa maneira, compramos uma Quinta vinícola em outro país, que será nossa casa e fonte de renda na pré-aposentadoria, ou seja, foi literalmente, pelas câmeras de um celular, sem visitar pessoalmente!

Na semana seguinte, em outubro de 2020, consegui passagem e visitei o local… sem o Luiz, que não pôde viajar. Nem vou fazer suspense, eu amei o lugar! Arrependimento zero! Gostei ainda mais do que através das câmeras e das fotos. Aliás, ainda bem, né? Porque os 10% de sinal estavam pagos e não tinha volta!

Aproveitei a semana para abrir conta em banco, me registrar como residente na casa dos primos… enfim, começar a preparar a estrutura. E, porque não devo ter um pingo de juízo, acabei comprando também um carro para ficar lá! Foi uma oportunidade, meu primo vende automóveis e apareceu um Kia pé-de-boi, preço bom, com 20 anos de idade, mas baixíssima kilometragem e muito bem cuidado. Pronto! Fica resolvido isso também!

Agora era só esperar a documentação ficar pronta para terminarmos de pagar e assinarmos a escritura. Honestamente, não tínhamos nenhuma pressa, com todas as viagens dificílimas e nosso exímio conhecimento dos trabalhos necessários, o tempo estava a nosso favor.

A pandemia ficou mais complicada ainda, o ano virou e só conseguimos ir novamente a Portugal em abril de 2021. Em outro momento, contararei a saga que foi, mas finalmente Luiz conheceu a propriedade, 6 meses depois de negociada! A documentação não estava pronta, mas poderia ficar a qualquer momento. Por isso, tivemos a boa iniciativa de fazer uma procuração para meu primo.

Foi a melhor coisa que fizemos, porque em maio, após uma espera de 7 meses, a documentação foi regularizada! E como não poderia deixar de ser, essa história foi coroada com a escritura sendo assinada pelo meu primo, através de uma procuração!

O que importa é que agora é oficial, somos os felizes proprietários de uma propriedade em Vila Marim, com 3 hectares e produção de 7 mil pés de uvas! Prometo contar todos os detalhes, em breve!

Hoje, venho registrar que no dia 27 de maio de 2021, nasceu a Quinta do Vianna! Aqui, compartilharei essa aventura entre erros, acertos, sustos, descobertas, alegrias, preocupações, aprendizado e muito trabalho! E quem quiser fazer parte dessa aventura conosco, seja mais que bem-vindo!