A cup of tea? (Uma xícara de chá?)

O chá na Inglaterra é definitivamente uma instituição! Se não igual, acredito que talvez até mais forte que o café no Brasil. Absolutamente todo mundo toma!

Até aí, não é uma grande novidade para muita gente. Mas o curioso e que queria contar hoje é o fato de não ser incomum alguém que vá na sua casa te pedir chá. E não estou falando apenas dos seus amigos, pode ser simplesmente alguém que for prestar algum serviço, um ilustre desconhecido! Da mesma maneira que te pediriam, por gentileza, um copo de água, aqui pedem chá.

A primeira vez que isso aconteceu, achei engraçado. Havia ido em casa um “contractor” (como um mestre de obras) fazer alguns reparos e em determinado momento perguntei se ele queria uma água. Ele me respondeu que não, mas que ele aceitaria um chá. Sabe quando você fica na dúvida se era um abuso ou se era normal? Tipo, alguém vai prestar um serviço na sua casa, você oferece uma água e a pessoa vira e responde: não, mas quero um refrigerante!

Como assim? E se eu não tiver refrigerante na geladeira? Pois é, talvez você não tenha refrigerante ou suco, mas com a mais absoluta certeza, se você mora na Inglaterra, é lógico que você tem chá!

Claro que não liguei, quem me conhece sabe que todo mundo que vem na minha casa é bem recebido e não me custou nada fazer um chazinho. Só fiquei sem saber se era algo comum ou se foi só aquela pessoa.

Acontece que esse fato se repetiu e acabei descobrindo que não era abuso de quem pedia, era normal. Eu é que deveria ter oferecido antes! Mas que mal educada…

_ So, would you fancy a cup of tea?

A festa da minha vida!

Estou falando das minhas bodas de prata. Não gosto de classificar ou comparar coisas, vivo dizendo que quem compara sempre perde, mas posso dizer que, até hoje, essa foi a festa mais incrível que fui responsável por organizar. E vou contar o porquê.

Primeiro de tudo e correndo o risco de ser piegas, porque foi por amor. Amor a uma pessoa com quem compartilho mais da metade da minha existência por opção; amor a uma família que entre defeitos e qualidades são e me levaram a ser quem sou hoje; amor aos amigos que me fazem sentir parte de algo maior e acreditar no ser humano; amor à minha vida imperfeita e ainda assim feliz no limite do possível. Por tudo isso e muito mais, eu queria celebrar!

E celebrei, celebramos juntos, porque juntos era a única maneira de fazer sentido.

Quando começamos a planejar a festa, com mais de um ano de antecedência, admito que me deixou um pouco ansiosa. Foi só porque não tínhamos outra alternativa, afinal, nosso orçamento era limitado, são milhões de detalhes, as pessoas precisavam se programar etc. Então, ou nos programávamos ou não ia rolar! Mas juro que depois mudou minha visão, entrei naquela máxima de aproveitar o caminho e não só o destino final. Assim que aproveitei por todo ano!

Lógico que quando foi chegando mais perto, a pressão aumentou e foi batendo um certo nervoso. Vamos combinar, quando você negocia com pessoas que nunca viu na vida, em outro país, sem ter provado nada, sem grandes referências, pagando tudo adiantado… dá um pouco de medo de receber gato por lebre. Os únicos contratados que a gente conhecia com antecedência foram os músicos, o resto todo, foi um salto no escuro.

Mas confiamos! E recebemos de volta toda a confiança depositada! O apoio no local da festa, Château de Mauriac, foi impecável! O responsável pelo castelo nos ajudou na organização do evento, na contratação do buffet, na indicação de locais para os convidados se hospedarem, na arrumação do salão… foi de um apoio fundamental! O pessoal do buffet, Le Colombier, não falhou em nada do que se propôs, foram simpáticos, se esforçaram com os mil idiomas presentes no evento, me deixaram absolutamente tranquila em relação à comida (e isso vindo de mim é um elogio e tanto!). Os vinhos, comprados com meses de antecedência no castelo vizinho, Château de Salettes, foram entregues pontualmente no dia combinado, ainda nos entregaram (sem nenhum papel assinado ou pagamento) duas caixas extras de bebida em consignação. Enfim, sou toda elogios! Recomendo todos de olhos fechados!

Os músicos, que já conhecíamos, realmente arrasaram na apresentação! Sensacional! Botaram o pessoal para dançar mesmo! Infelizmente, acabaram antes do combinado. O líder da banda, que me prometeu terminar a festa no esquema cachaça, banquinho e violão tocando até o amanhecer, se recolheu logo após o concerto. E nem deixou um violãozinho para a gente seguir por conta própria. E o DJ, que deveria ficar até às 6h da manhã, recolheu seu equipamento logo depois das 2h sob meus protestos. Uma pena, mas não estava afim de me aborrecer em um dia tão especial. E, como a festa começou bem cedo, a maioria dos convidados nem ficou sabendo disso, melhor assim! Mas a diretoria do fim de noite ficou com o gostinho de quero mais e eu também.

Mas vamos por partes! Saímos de Londres na sexta-feira, dia 05 de abril, a festa foi no dia seguinte. Eu estava semi-histérica, com vontade de pular, porém mantendo a pose. Chegaríamos no final da tarde em Mauriac, ainda para arrumar o salão e adiantar as coisas para o dia seguinte. Fui eu mesma que levei a decoração da festa, vasinhos, velas, pequenos arranjos, luzes, coisas assim que coubessem em uma mala! E não, não tinha orçamento para arranjos de flores, decoradores ou qualquer tipo de mordomia.

Em Londres, no caminho para o aeroporto.
Começando a relaxar e com o bronzeado francês!

No aeroporto em Londres, começamos a encontrar convidados. No mesmo avião que a gente, havia mais dois casais da festa. Comecei a me animar! Quando pousamos em Toulouse, entre a saída do avião até o local de aluguel de carros, encontramos mais outra galera que ia para festa! Comecei a me sentir local!

Quando chegamos ao castelo, o salão estava arrumado direitinho como enviei desenhado em uma planta. Nos adiantou um bom trabalho! As toalhas estavam forradas, como havia pedido por email ao buffet e ainda fizemos uma rápida reunião para acertar os detalhes do dia seguinte. Tudo certinho, conforme combinado, o que me tranquilizou bastante. Montei com Luiz as decorações que havia trazido de Londres e conseguimos nos liberar para jantar com amigos!

Château de Mauriac

Nesse momento, ainda rolava um nervosinho, mas era gostoso. Sentia que a gente tinha feito tudo que podia e agora era começar a aproveitar!

Chegamos no restaurante, no castelo ao lado, o Château de Salettes, e basicamente todas as mesas eram de convidados da festa! Foi engraçado! É uma cidade muito pequena e de gente amável, assim que considerando a quantidade de pessoas que se movimentaram para o evento, viramos assunto da comunidade!

Tentando encurtar um pouco a história, compareceram às bodas 110 convidados dos quatro cantos do mundo! E eu me arrepio quando penso nisso. Sim, nós gostaríamos de ter condições de convidar mais gente… sim, havia muita gente querida que não pode comparecer… sim, havia gente que nem está mais entre nós que deveria estar ali… mas nesse momento, sinceramente, isso não importava. O casal de convidados que morava mais perto da festa estava há 3 horas de carro do local. O restante veio do Brasil, da Espanha, da Itália, da Inglaterra, dos EUA, da Dinamarca, da Austrália, da Holanda, da Alemanha, da Suécia… pense em um país e havia alguém de lá! Mauriac é um povoado no interior da França sem projeção internacional (pelo menos, não até esse momento). Quem compareceu se esforçou muito para estar presente. E todos que estavam presentes, amigos antigos e recentes, fizeram e fazem parte da nossa história. Saber que Luiz e eu conseguimos mover tanta gente tão querida para uma celebração foi de uma emoção que nem sei como descrever.

Festa é feita de convidados. Você pode ter tudo perfeito e se a combinação de pessoas não for legal, não acontece tão bem. Mas imagina o oposto, uma centena de pessoas, com um astral altíssimo, uma energia positiva paupável no ar, se reunindo, abertos a conhecer gente nova, se encontrando para celebrar um momento feliz! Eu só posso passar mais um ano agradecendo o privilégio de ter vivido essa experiência. A gente precisa ter feito alguma coisa certa na vida para ter essa honra, porque foi uma honra! E sou eternamente grata!

Uma coisa muito bacana é que conseguimos reunir alguns grupos que normalmente não se encontravam, mas de alguma maneira já haviam ouvido falar uns dos outros. Porque leram no blog, porque comentamos ou por algum outro motivo. E, de repente, as próprias pessoas foram se reconhecendo e se apresentando. Não rolou ninguém deslocado, não teve ninguém intimidado, não ficou ninguém sem carona. Tudo fluiu naturalmente.

Recebemos os convidados às 19h para um coquetel, depois subimos para o salão de festa. Luiz fez um discurso de abertura e agradecimento. Em seguida, nossa madrinha de casamento (sim, do casamento mesmo, há 25 anos!) também fez um discurso muito legal.

Abrimos o salão dançando New York, New York, fizemos o mesmo no nosso casamento.

Nós optamos por não fazer jantar sentado. Achamos que seria muito formal e as pessoas acabam interagindo apenas com quem está na sua mesa. Então, servimos umas mini-comidinhas, arroz de pato e pasta com molho de tomates e pesto. Depois deixamos à disposição um buffet de queijos e frios variados por toda à noite. Todos os produtos, vinhos, queijos, eram de produtores locais.

E, literalmente, nos acabamos de dançar! A banda estava muito show!


E claro que paguei meus micos! Todos muito bem acompanhada, diga-se de passagem!

De repente, ganhei uma grinalda, que estavam com medo que eu não fosse gostar. Imagina, achei divertidíssimo! Mas para merecê-la e porque não poderia faltar, uma amiga me o-bri-gou a tomar uma cachacinha! Glamour total!

Eu poderia morar nessa festa! Não queria que acabasse, por mais exausta que estivesse. Para mim, o tempo passou voando como os últimos anos, passou em 5 minutos! Queria uma festa cigana, dessas que duram dias! Acho que é da minha natureza sempre querer mais!

Eu não tive “dia da noiva”, fui eu mesma que fiz meu cabelo e minha maquiagem. Queria ter tido mais tempo. Queria ter perdido mais peso. Queria ter dormido melhor. Queria um sapato mais confortável. Mas sou o que sou e tenho o que posso. E vou confessar que à tarde, quando me arrumei para a festa e me olhei no espelho pronta, me senti o máximo! Confortável na minha pele, feliz da vida, radiante, poderosa! O bom de ter quase 50 anos é que não preciso mais de modéstia, quando acho que estou podendo, eu posso mesmo!

E agora vou esnobar, sabe o cara mais gato da festa, vestindo elegantemente seu smoking? Pois é… tô pegando… há mais de 25 anos!

“Set design”, meu novo “crush”

Há anos, desde que abandonei a carreira de consultoria de negócios, navego por diferentes atividades e descubro vocações. Brinco que cada vez me especializo mais em profissões que não dão dinheiro… mas me deixam feliz!

Já estou careca de superar a fase de autoafirmação financeira e tenho o privilégio de estar casada com alguém que entende que somos um time, independente de onde o dinheiro venha e de onde o trabalho saia. Aliás, trabalho nunca faltou para ninguém aqui em casa!

Mas vamos ao que interessa! No papel de artista plástica, um par de vezes ouvi a pergunta se eu não tinha interesse em trabalhar com cenografia. Realmente, faço algumas instalações que, mesmo em tamanhos menores, lembram bastante ambientes inteiros. Respondia a verdade, adoraria, mas que não tinha nenhuma referência nessa área, nem saberia como começar a trabalhar com isso!

Além do que, vejo como propostas bastante diferentes. Quando faço uma obra de arte, é sempre um trabalho autobiográfico. Em uma cenografia, ou como chamamos por essas bandas, um “set design”, você executa a visão e a intenção de outra pessoa. É uma forma de materializar ideias que não são necessariamente suas. E é fundamental entender e aceitar que um cenário nunca será o protagonista, se for, está errado. Ele é criado para que @ protagonista apareça em sua melhor forma.

Não tenho nenhum problema em assumir o protagonismo, se essa for a proposta. Eu gosto do palco, mas independente do que esteja fazendo, também adoro os bastidores! Para mim, o backstage é um caminho que aproveito tanto quanto o destino final. Acho que atrás das cortinas há um mundo extremamente interessante, me sinto parte de algo secreto e privilegiado. Gosto das preparações, de montar exposições para mim ou para estranhos. Amo entrar nos estoques dos museus! Curto poder estar em um camarim! Levo os ensaios musicais tão a sério quanto as apresentações, simplesmente há objetivos diferentes.

Dito isso, estou eu na minha vida de pau-para-toda-obra-e-sem-mi-mi-mi e fico muito amiga do meu vizinho. Por caso do acaso, ele tem duas revistas de moda masculina que adoro! Conversa para cá, conversa para lá… quer me ajudar? Claro que quero, por que não? Achei o máximo! Fui dando meus pitacos, me envolvendo naturalmente em pontos diferentes e que tinha alguma experiência formal ou informal.

Em uma dessas vezes, ele me pediu para fazer o set design para algumas fotos. Se tratava de uma instalação incluída em uma matéria de moda que questionava em paralelo o impacto ecológico do plástico. Aliás, é uma coisa que gosto muito nessa revista, não é uma moda oca e futil, há sempre um aspecto de questionamento político ou cultural como fio condutor.

Foi uma experiência super produtiva! Eu gostei de fazer e ele gostou do que eu fiz. Ainda que tenha surgido de maneira informal, eu sempre levo a sério tudo que faço, não importa se é por amizade, por trabalho, por necessidade… acho que quando você se propõe a fazer alguma coisa, o outro conta com isso, certo? Mas ainda não tinha me caído a ficha que era uma possibilidade concreta de atividade profissional. Eu registrei o que fiz, guardei as revistas com carinho, mas era mais por uma questão afetiva que profissional.

Acho que temos um pouco desse resquício de que se for divertido, não é exatamente trabalho. O que é louco, mas observo que é frequente. Luiz costuma dizer que se trabalhar fosse bom, não te pagariam para isso. E se te pagam muito, deve ser pior! Claro que é uma brincadeira, entretanto esse sentimento é real. Então, talvez porque me divertisse, não associei a trabalho no primeiro momento.

Até essa semana, quando fizemos o último ensaio fotográfico em um estúdio bem interessante. Logo que chegamos para montar o circo, meu amigo me falou: você podia começar a montar seu portfólio com esses trabalhos… Ficou na cabeça, mas estava mais preocupada em deixar tudo organizado para as fotos e só respondi que tenho registrado esses cenários, caso precise usar como referência. Inclusive, as próprias revistas são o melhor portfólio que posso apresentar.

O dia foi bem cheio e mal paramos para comer! Também, nem fome eu tive, estava bastante focada. Montei uns quatro ou cinco cenários, onde se podia acrescentar alguns elementos que levamos ou que havia no próprio local. Eram quatro modelos, ótimos! Uns meninos lindos, super profissionais, colaborativos, uma vibe boa! Marcas fortes, algo em torno de £10.000 em roupas e acessórios, olha a responsabilidade!

Abro um parênteses como me impressiona o fato dos modelos serem tão jovens e tão responsáveis. No caso, falo dos modelos masculinos, mas imagino que é o mesmo no universo feminino. Eles saem para morar sozinhos cedo, muitas vezes em outros países, com idiomas conhecidos ou não e se viram! Um ensaio fotográfico dá um trabalho danado! Verdade que não só para eles, é maquiadora, cabeleireira, estilista, fotógrafo, set designer (olha eu aí! U-huu!)… toda uma estrutura montada! Mas no geral, os outros profissionais envolvidos não são tão jovens como os modelos. Enfim, todo um trabalho bastante sério e elaborado, e eles seguem passando pelo estígma do rostinho bonito que não precisa se esforçar tanto. Dou aqui meu depoimento desde dentro: precisam sim e eles encaram! Palmas para eles! Fico feliz em trabalhar com uma revista e uma equipe que respeita e cuida da imagem desses garotos, porque nesse mercado tem de tudo. Bom, também é verdade que me sinto um pouco dinossaura, tipo aquela tia coroa preocupada se os sobrinhos estão comendo direito em casa… se lembraram de levar o casaco… Vamos voltar ao assunto, né? Fecha parênteses!

Onde quero chegar é que, ao acabarmos esse último ensaio, foi a primeira vez que me senti fazendo essa atividade profissionalmente. Não era uma amiga dando uma força, era para valer. Sempre foi, mas só aí realizei que era trabalho, tinha valor, fazia diferença e era bom pacas!

Acho que os próximos trabalhos vão surgir tão naturalmente como esses que o universo colocou no meu colo e aceitei. Entretanto, posso me preparar melhor, dar uma ajudinha para que o acaso se concretize. As oportunidades aparecem quando estamos abertos e estou.

Ganhei mais uma possibilidade em trabalhar com cenários fotográficos ou de vídeos e sou grata por isso. É uma delícia ver uma foto bacana publicada em uma revista show e saber que tem um dedinho meu ali, em uma composição com a cor, em um objeto que dá ao modelo algo para interagir ou qualquer detalhe que permita ampliar o olhar.

Se estou na linha de frente, sei a falta que me faz uma retaguarda confiável e tenho absoluta consciência de que não consigo ser tão boa sozinha. Essa empatia é fundamental quando a retaguarda sou eu. O sucesso de quem está na frente é meu sucesso também! Aquele prazer muito pessoal e íntimo, um resultado que não preciso contar para ninguém, porque o legal é deixar o outro melhor, é o que me fará maior.

E, principalmente, fico muito feliz em ainda ser capaz de descobrir e desenvolver novas habilidades. Ajuda a manter a cabeça ativa, as ideias jovens, é desafiador de uma maneira leve. Ainda tenho tempo e é muito bom ter paixões!

Bodas de Prata

Lembro quando celebrar bodas de prata era coisa dos nossos avós! Algo tão distante que sequer pensava na possibilidade de um dia ser comigo.

Na verdade, já adulta, não queria me casar. Cheguei a ficar noiva uma vez, enquanto era só um conceito, uma demonstração de compromisso, mas na hora mesmo da decisão, amarelei! Casamento não era para mim!

Claro que não! Nunca! Nem adianta, não era para mim!

Até que Luiz entrou no meu caminho, definitivo! Nos conhecemos no trabalho. Naquele ambiente que eu também dizia que jamais iria namorar ninguém, imagina! Tanta gente no mundo, vou arrumar confusão no trabalho? Na empresa onde trabalhávamos, inclusive era proibido.

Daí comecei a notar que toda hora ele arrumava alguma coisa para fazer perto da minha mesa. Tudo bem, passou ligeiramente em meus pensamentos que ele podia estar me dando mole, mas eu era meio ruim para perceber essas situações, principalmente, se não estivesse prestando atenção e eu não estava. E depois, realmente, ele tinha coisas para fazer na minha áerea. Devia ser minhoca da minha cabeça e eu estava ocupada, deixa para lá! Melhor nem dar ideia, já falei que era completamente contra a namoro em local de trabalho?

Então, não demorou muito, um dia ele me chamou para sair e eu, sendo bastante coerente com tudo que acabei de dizer sobre relacionamentos no trabalho… aceitei, claro! Mas eu não ia ficar com ele, lógico que não, só ia conversar…

… e ele deve ser muito bom de papo mesmo, porque estamos conversando há 26 anos, 25 deles, casados!

Tenho 49 anos, casei aos 24, e isso quer dizer que mais da metade da minha vida estivemos juntos! É difícil ter alguma memória de acontecimentos marcantes onde ele não estivesse presente. Nós viramos sobrenomes, na agenda dos nossos amigos sou a Bianca do Luiz e ele o Luiz da Bianca.

Casamos em 18 de março de 1.994, no século passado! Caracas! Faz um século e faz meia hora!

E como passou? Passou voando! Só consigo notar o efeito do tempo quando vejos as fotos do dia do meu casamento. Como éramos jovens e como acreditávamos que éramos invencíveis! Talvez por nisso acreditar, nos tornamos. E talvez por não tomar isso por garantido, renovamos nosso acordo diariamente. Há 25 anos dizemos eu te amo um ao outro absolutamente todos os dias. Mas esse é um assunto nosso!

O dia do meu casamento foi, se não o mais feliz, um dos dias mais felizes da minha vida! E tenho certeza que parte disso foi o fato de poder compartilhar o momento. Foi o primeiro ritual de passagem que entendi a importância. Pois muito bem, eu que a-do-ro uma celebração e agora entendo muito melhor essa importância, cismei que nas tais das bodas de prata a gente ia botar para quebrar! Queria porque queria dar uma super festa!

Mas tínhamos um problema, nós nunca sabemos onde vamos morar com uma antecedência maior do que três meses. Quem conhece a gente ou acompanha o blog, sabe que isso não é um exagero. Portanto, onde raios fazer a festa?

Acontece que aqui pelas bandas européias não é uma coisa muito rara você resolver se casar em outro país. E as pessoas vão porque é razoavelmente acessível. Nós chegamos a ir a dois casamentos assim, um na Grécia e outro na Espanha.

Verdade que no nosso caso não é um casamento, mas é uma comemoração similar. Talvez, até mais forte em alguns sentidos, porque é legal dar a esperança que essas relações existem, são reais, que é possível!

Quer saber, Luiz, e se a gente ao invés de se preocupar onde estará morando, resolvesse fazer uma festa onde a gente realmente quisesse?

Encurtando uma longa história, acabamos por encontrar um castelo na França muito charmoso, ao mesmo tempo, despojado e com uma história bacana. Foi comprado em ruínas por um pintor que, com sua família, passou a vida o restaurando. Não era um nobre, nem de família abastada, era uma pessoa comum com um propósito extraordinário. Quem quiser conhecer melhor a respeito, o local é o Château de Mauriac.

Château de Mauriac

Cerimônias em castelos não são algo tão raro por aqui. Entretanto, para mim, era algo que parecia inatingível, coisa de contos de fadas! E, de repente, a gente podia viver essa experiência, era só se esforçar um pouco e acreditar. Quem sabe, não éramos mesmo invencíveis?

Conseguimos reservar com antecedência de um ano, possibilitando aos nossos amigos que se planejassem para estar presentes. Além de podermos nos preparar melhor.

Pois é, lindo, maravilhoso, um sonho! Só que eu nunca, jamais, em tempo algum, planejei nada com tanta antecedência assim! Nem meu próprio casamento, que a propósito, quem fez tudo foi minha mãe! Luiz e eu só aparecemos para casar, literalmente!

A festa acontecerá em abril, com a temperatura mais amena que agora. Eu já estou agoniada de imaginar e está muito pertinho! Não é mais uma ideia maluca distante, é uma questão de semanas!

Virá gente do mundo inteiro! Brasil, Espanha, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Austrália, França, Canadá, Estados Unidos, Suiça, Itália, Portugal… Olha a responsabilidade!

E o pior, estou acostumada a organizar eventos na minha casa, na minha cidade, ou seja, onde posso controlar os detalhes (admito, posso ser meio control freak). Mas, nesse caso, contratamos os serviços e basicamente acreditamos que vai dar certo! Tipo, uma questão de fé! Nós chegaremos literalmente na véspera da festa!

E só de escrever isso, meu estômago se contorceu! Ai, que nervoso! Mas enfim, é um nervoso gostoso, quero que chegue logo.

Sim, falta muita gente que gostaríamos que estivesse, alguns não conseguirão comparecer, alguns não tínhamos mais espaço para convidar, alguns nem mais entre nós estão… ainda assim, me emociona saber que conseguiremos encontrar tanta gente querida ao mesmo tempo, num só ambiente quase mágico. Quantas histórias entrelaçadas e como é bom lembrar de todas elas!

Não há como garantir que a vida seja uma história com final feliz, até porque felicidade não é um estado definitivo, é uma escolha, um “sim” que acreditamos. E dá trabalho! Problemas vieram e outros virão. Mas como é bom ter um dia de contos de fadas, onde todos que participam desse momento sejam envolvidos por uma energia boa, de amizade, de amor, de família e, mesmo que dure apenas uma noite, possa terminar com aquela sensação de, e foram felizes para sempre…

Meu livro “Fome”, finalmente, disponível para venda!

Há alguns dias (e posts), publiquei meu primeiro livro, Fome, uma ficção do gênero suspense e mistério. Infelizmente, tive uma série de problemas com a plataforma de publicação, mas a boa notícia é que essas questões já foram resolvidas. Fora toda a preocupação e aborrecimento, pelo menos, no final deu tudo certo! E isso é o que importa!

Preferi deixar o carnaval passar e usei esse tempo a meu favor para fazer pequenos ajustes técnicos. Além do mais, também foi bom deixar a poeira baixar e conseguir desfrutar o momento como deveria ser.

Então, faço uma pausa para os comerciais, por favor!

Fome é um livro que gera sensações tão incômodas como o título sugere. Trabalha com a ideia de que não existe um ser humano totalmente bom ou totalmente mau. Há um padrão de comportamento e regras sociais estabelecidas, mas quando as pessoas são levadas a uma situação limite é difícil ter certeza para onde a balança pesaria. Tendemos a julgar os outros por esses padrões e por partes de informações que temos acesso, mas na privacidade dos indivíduos, tudo pode acontecer, desde situações absolutamente rotineiras a completos absurdos. Então, se pudéssemos entrar na realidade de cada um, conhecer seus pensamentos e necessidades mais íntimas, será que julgaríamos da mesma forma? E seria justo julgarmos os valores alheios? Quem teria o direito de estabelecer o que está certo? Para repensar esses e uma série de outros questionamentos éticos, inclusive temas considerados tabus, os três personagens principais do livro, Tara, Adroa e Zao, são levados a passar por situações extremas de violência, abusos ou mesmo amor, e tomam suas decisões.

O livro está disponível nas versões impressa e e-book, e pode ser comprado nos links disponíveis abaixo:

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Itália: https://www.amazon.it/dp/1798914115
Japão: https://www.amazon.co.jp/dp/1798914115
França: https://www.amazon.fr/dp/1798914115

Links para a compra do e-book:

Brasil: https://www.amazon.com.br/dp/B07NYG1R11
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Caso não tenha encontrado seu link acima, basta ir no website da Amazon do seu país e buscar pelas referências: “Fome, Bianca Rocha”, ou “1798914115” para o livro impresso, ou “B07NYG1R11” para o e-book.

É uma publicação absolutamente independente, assim que conto com a ajuda dos amigos na divulgação. Não é uma história leve, toca em temas complicados, mas garanto que é surpreendente! Espero que gostem e que possa trazer um outro olhar.

PS: aproveito para agradecer a indicação no blog super legal da Mirella, o Mikix.com.

Comida indiana em Londres, manual básico para iniciantes

Engraçado como algumas comidas são tão incorporadas em determinadas culturas, que parecem que sempre pertenceram a elas. Por exemplo, no Brasil, alguém para e pensa qual é a nacionalidade do “beef stroganoff”? Claro que não, né? Já virou “estrogonofe” há muito tempo! Às vezes, é até “PF” no cardápio de restaurantes brasileiríssimos!

Algo similar acontece entre a relação da comida indiana e Londres. A ponto de conhecer muita gente que vem visitar a cidade, quer comer algo típico e, lógico, pede dicas de restaurante… indiano!

A verdade é que a comida indiana faz todo sentido aqui por diversos motivos, desde o clima dos cinzentos dias britânicos à colonização e imigração no país.

Nossos outonos e invernos podem ser complicados, a temperatura cai bastante, os dias ficam muito curtos, anoitece às 4h da tarde! É comum para algumas pessoas desenvolverem a depressão de inverno pela perda de luz. Nesse caso, a alimentação pode ajudar bastante e comidas condimentadas cabem perfeitamente nessa dieta. E, como curiosidade, as pimentas fazem o corpo produzir endorfinas, efeito parecido a quando praticamos esportes.

Sem falar da falta de sabor da comida inglesa no passado (já melhorou muito, mas esse é outro assunto). E, completando, a abertura que a cidade oferece aos diferentes sotaques e culturas, nesse caso específico, aos indianos.

Aos puristas, peço desculpas antecipadas. Sou brasileira meio espanholizada, não fui à Índia (ainda) e tudo que conheço a respeito dessa gastronomia, aprendi em Londres, onde certamente sofreu algumas adaptações ao paladar local. Ou seja, é o filtro do filtro! Não venho dar lição para ninguém, só tento facilitar um pouquinho aos novatos por essas bandas e compartilhar um gosto que adquirimos. E digo que, hoje em dia, faz parte da nossa rotina, para o Luiz virou até comfort food!

Então, vamos lá, você chegou ao restaurante e não tem a menor ideia do que eleger. Minha sugestão, é que você peça uns poppadoms enquanto pensa e escolhe com calma. Não é a mesma coisa, mas imagina uma massa de pastel crocante em forma circular, do tamanho de um pão árabe. É mais ou menos assim. Deve vir com uns 3 ou 4 tipos de molho (provavelmente, um adocicado, um mais picante, um com yogurte, mas há variações). Você passa esses molhos na massa crocante, como se fossem torradas. Aí você já começa a preparar seu paladar para a intensidade de sabores que virão na sequência.

Poppadoms

Falando sobre essa intensidade de sabores, vamos ao primeiro mito da comida indiana: é sempre uma comida muito apimentada? Falso.

Primeiro, você precisa entender que pimenta é considerada um tempero, como qualquer outro. Ou seja, em inglês o termo spiced pode ser usado para apimentado ou bem temperado (sem ser, necessariamente, picante). A comida indiana é spiced, tem sabores bastante característicos e usa mesmo muitos temperos, mas nem sempre isso quer dizer que seja tudo apimentado.

E, por falar em temperos, começo pelo curry. O curry no Brasil é um pó amarelo com um único sabor. Esquece isso, você nem vai achar esse pó amarelado versão brazuca no mercado!

Existe o curry powder (pó de curry), que é uma composição de uns 20 temperos diferentes! Não tem uma cor própria nem uma mistura definida oficial como padrão. Os temperos utilizados, em geral, são: cumin (cominho), coriander (coentro), ginger (gengibre), chilies (pimentas), turmeric (parecido ao açafrão), cardamom (cardamomo), cinamon (canela), curry leaves (folhas de curry-sim, também é uma folha ardidinha!), mustard seeds (sementes de mostarda), garlic (alho) etc. Dou os nomes dos ingredientes em inglês para facilitar, caso você queira encontrá-los. Você pode comprar essa mistura pronta, mas é comum nas famílias indianas fazerem seu próprio pó de curry na mistura que lhes pareça mais conveniente. Assim como os restaurantes fazem suas misturas também. Eu mesma faço meu curry powder em casa quando resolvo cozinhar pratos indianos.

Curry powder

Entretanto, o significado mais comum quando você fala só “curry”, quer dizer que é um tipo de comida. Curry aqui são pratos compostos por um molho feito por uma combinação de vários temperos. Ou seja, você sai para comer um curry! Como, por exemplo, você comeria uma moqueca. Aliás, muito provavelmente, um britânico descreveria uma moqueca como um tipo de “curry brasileiro”.

Os currys estão entre as comidas indianas mais populares por aqui. Normalmente, costumam ser de cordeiro, frango ou camarão. Abaixo do título do prato, deve haver uma ligeira descrição de como aquele curry é preparado, se leva leite de côco, se é mais picante, se leva mais de um ou outro ingrediente específico (gengibre, folha de limão…) etc. Ou seja, se você pedir um curry de cordeiro em um determinado restaurante, não quer dizer que em outro ele será preparado da mesma maneira. Tem que checar a descrição. Curry é só a forma de preparo: um molho com vários temperos.

Curry

Os currys são servidos como prato principal e costumam ser acompanhados de rice (arroz) ou de naan. Se você pedir só rice, é o arroz puro cozido em água, às vezes nem sal tem. Se quiser o arroz mais temperadinho, parecido ao nosso refogado, opte pelo pilau rice. E o naam é um tipo de pão achatado, pode ter sabores como queijo e alho. Você molha esse pão no curry.

Naam

Bom, como falei anteriormente, nem sempre a comida é apimentada, mas vai que você goste de comida picante ou acabou pedindo por engano! Um erro clássico é beber água para aliviar a ardência. Não funciona tão bem. O ideal seria leite, mas seria meio esquisito pedir um copo de leite no restaurante, então, tente algo com yogurte, quem sabe já deixar garantido algum prato ou molho que leve esse ingrediente, mal não vai fazer… Inclusive, até para a comida condimentada, o yogurte é bem refrescante.

Para os mais aventureiros, há os vindaloos e os madras. Ambos são tipos de curry (que agora você sabe que é um prato com molho), são mais picantes, sendo o madras o mais apimentado de todos. Inclusive, o madras nem é tão tipicamente indiano assim, nasceu para agradar os ingleses. Francamente, acho que é aquela coisa de competição masculina de quem aguenta comer a coisa mais ardida. Na minha opinião, uma bobagem! Já o vindaloo, pode nem ser tão ardido assim, depende da tolerância de cada um e é bem saboroso, típico da região de Goa.

Uma boa pedida é o lamb rogan, que é um cordeiro cozido lentamente no molho até ficar bem macio a ponto de desfiar. Não é nada picante e, quando é bem feito, é de lamber os dedos!

Lamb Rogan

E que tal alguns pratos vegetarianos? Ando muito fã do black lentils dal. Pode não ser muito atraente, é próximo ao nosso feijão, só que temperado com condimentos indianos, leva muita manteiga e creme de leite. Credo, e isso fica bom? Fica dos deuses! Também se come com arroz ou naam. Para quem, como eu, adora o injustiçado quiabo, pode tentar o bhindi bhaji, é servido como prato principal ou acompanhamento. Gosto também do saag paneer, saag é espinafre e paneer é um queijo fresco que não derrete muito fácil (tipo um coalho menos salgado), a combinação é ótima!

Dal
Bhindi Bhaji
Saag Paneer

Se não quiser arriscar muito, pode tentar um biryani, é tipo um risotão que a mãe da gente faz com arroz e o que sobra durante a semana na geladeira. Ok, é melhor do que eu descrevi, mas foi só para dar uma ideia. É um arroz que já vem misturado com temperos, vegetais, carnes, yogurte, ovos, frutos secos etc. Varia um pouco e é bem honesto, eventualmente, pode ser um pouco picante, melhor perguntar.

Biryani

As sobremesas, para o meu gosto, não são o forte. Mas se tiver um sorvetinho, ajuda a limpar o paladar.

Quanto à bebida alcoólica para acompanhar, acho que a cerveja ou a cidra seriam mais recomendáveis. Infelizmente, não tomo cerveja. Assim que, para quem prefere vinho, recomendo o vinho branco, independente da carne que escolher. Claro que você toma o que preferir, mas acho que o vinho tinto é uma combinação ruim e confusa. Além de um desperdício, porque a comida vai matar todo o sabor do vinho.

A gastronomia indiana é certamente muito mais ampla do que isso. É super rica e varia bastante dependendo da região de procedência. Acho que vale explorá-la e aqui deixo apenas um gostinho de por onde começar. Se valeu pelo menos para aguçar sua curiosidade, fico feliz!

Carnaval para inglês ver…

Nesse caso, literalmente!

Gente, não adianta, carnaval é no Brasil e pronto. Em Londres, ninguém nem tomou conhecimento do assunto! Para começar, o deles é como em Nova Orleans, em agosto.

Mas vamos lá, porque brasileiro se espalha, né? E a cidade é super cosmopolita, assim que você sempre pode encontrar algo próximo ao que chamamos de carnaval por aqui. Mas nada de feriado, é vida normal e corrente.

É importante manter as expectativas do tamanho certo. Provavelmente, o máximo que costuma acontecer são festas com músicas brasileiras, no sábado de carnaval. Eventualmente, pode até ter algum desfile menor, talvez algo em Notting Hill, alguma coisa em Clapham ou Willesden Green… mas ainda não vi nada tão oficial. Ou seja, já me preparo psicologicamente para me conformar com um sábadozinho e olhe lá!

No ano passado, fui ao Brasil nessa época. Certamente, um dos melhores carnavais da minha vida, contei por aqui. Modéstia às favas, desfilei tocando meu surdo com o Monobloco em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Também foi um momento importante de ritual de passagem e despedida do país. Enfim, foi muito bacana!

Esse ano, tem várias coisas acontecendo em paralelo pelas bandas de cá e a menor possibilidade (honestamente nem vontade) de ir ao Brasil tão cedo! Por isso, como disse, não estava esperando nada, até evitava olhar as fotos dos amigos batuqueiros no Instagram para não dar saudade (porque ver e ouvir a bateria de tão longe dói um pouco).

Daí pelo meio da semana, me chama uma amiga baiana, e aí, vamos numa festa de carnaval no sábado? Igualzinho a perguntar se macaco quer banana… É claro que eu quero! Então, lá fomos nós em um grupo de umas 7 pessoas, Luiz de bendito é o fruto entre as mulheres!

A tal festa foi em um bar chamado Jerusalem. Confesso que fiquei um pouco cismada em ir pular carnaval em um bar com esse nome… será que ia parar em uma festa kosher? Ou crente? Mas, brincadeiras à parte, descobrimos que o bar leva esse nome como uma tentativa pacífica de congregar diferentes culturas e opiniões. Achei a história bonitinha e fez mais sentido celebrarem um carnaval brazuca. O bar é legal também.

Chegamos cedo, na tentativa de pegar uma mesa e garantir certo conforto e, principalmente, o espaço vital do Luiz. Funcionou bem, conseguimos uma mesa ótima! Atendimento simpático… as músicas começaram mais tranquilas… e, aos poucos, o pessoal falando português começou a encher o local. Minha amiga chegou, com mais quatro meninas que eu não conhecia… … animadas… a música foi esquentando… dancei pacas, até Luiz se empolgou, fazia um tempinho que não dançávamos tanto juntos… e sabe que foi muito bom!

Só não ficamos até o final porque não queríamos perder o transporte público. Para vir de metrô, a gente precisava sair por volta da meia noite. Muita gente não gosta desses últimos horários de metrô ou de trem, porque fica cheio de, digamos assim, pessoas um pouco mais etilizadas (não, não quis dizer elitizadas, é sobre o patamar etílico mesmo!). Eu adoro! Acho divertido!

Juro que nem tentei fazer amizade com ninguém, vim bem comportadinha porque Luiz estava muito legal nessa noite. Aliás, ando comportadíssima! Durante toda a festa, a única “estranha” que conversei foi a noiva de uma despedida de solteira, dei conselhos para a vida sexual dela, mas foi ela que perguntou…

Enfim, voltando ao metrô (comportadinha, sem puxar papo com ninguém, lembra?), conversando com o Luiz, escuto em português do brasil, desculpa me intrometer, mas vocês estavam em uma festa de carnaval, né? Tem carnaval aqui ? Sentado ao meu lado, vinha um rapaz que havia chegado há pouco tempo em Londres e queria algumas dicas. Viu? Nem sempre sou eu que provoco. Nem convidei para uma festa em casa! Porque, não deu tempo…

E, pronto, acabou a história! Chegamos e dormimos. Não avisei que o carnaval aqui era meio sem graça?