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Archive for the ‘A Margem Direita do Oceano’ Category

Cheguei a Londres no meio de dezembro de 2017, depois de uma verdadeira saga contada por aqui. Quase que 3 anos exatos passados no Brasil e, finalmente, fiz o caminho de volta para as bandas européias. Bom, depois do Brexit, mais ou menos européias, mas tudo bem, até o momento, não nos afetou tanto.

Acho que de todas as sensações que tive nesse recomeço, definitivamente, a principal foi de alívio, em todos os sentidos. Não digo que tenha sido fácil, porque tivemos (e sei que teremos) nossos famosos episódios de montanha-russa, mas em geral, tenho aquele sentimento de conseguir descansar um pouco, tomar algo de fôlego. Nunca sabemos quando será nossa próxima tempestade, mas sei lá, por que também não acreditar que o pior pode já ter passado. Quem sabe agora possa ser a melhor parte da minha vida.

Durante esse período, precisei retornar 2 vezes ao Brasil. Sim, caríssimos, em menos de um ano! A primeira delas, em fevereiro, foi muito bacana e importante, precisava fazer meu ritual de encerramento de ciclo de uma maneira positiva. E fiz. Talvez tenha sido a única vez que fui ao país para me divertir e aproveitar na última década.

Em junho, precisei ir novamente ao Rio. Em princípio, o motivo seria bem legal, o nascimento de meu sobrinho. Aproveitaria para ver o apartamento em São Paulo e resolver algumas pendências. Mas não foi assim, na verdade, foi um completo pesadêlo!

Para começar, precisei adiantar minha viagem. Minha mãe havia feito uma cirurgia de catarata e deu alguns probleminhas. Nada que fosse exatamente grave, mas porque era na vista deixou ela muito nervosa, achando que ia ficar cega, de maneira que as informações chegavam para mim meio fora de proporção. Quer saber, fui um pouco antes e agendei com uma oculista que gosto muito, para eu ter uma opinião mais clara. Esse, que teoricamente era o problema grave, provou-se o menor deles! Sim, era um problema, a literal história de que pimenta nos olhos dos outros… mas foi muito mais por abalar minha mãe emocionalmente do que pelo problema em si. Era só uma questão de paciência e acompanhamento. Tudo muito bom, tudo muito bem! Após a consulta com a minha oculista de confiança, entendi melhor o que estava acontecendo, também fui com minha mãe no oculista dela e achei ele bastante correto, enfim, sabia que resolveria. Como se resolveu ao longo dos meses.

Daí, aproveitei que estava no Rio mesmo e tive a infeliz ideia de ir ao mastologista que me acompanhava dar uma checada nos meus últimos exames. Havia me aparecido um cisto suspeito na mamografia que fiz em Londres. Fiz um ultrassom para confirmar, em outro laboratório, mas ainda em Londres e tudo estava ok. De maneiras que fui fazer a consulta mais por desencargo de consciência e para perguntar se não seria bom fazer uma punção e ficar livre dos cistos maiores. Assim não me apareceriam nos próximos exames.

Estava tranquila, o susto com o cisto suspeito havia sido resolvido no mês anterior com o ultrassom. Isso foi em uma terça-feira pela manhã, meu sobrinho nasceria no mesmo dia, à noite. Fui com minha mãe à consulta.

A partir daí, a coisa ficou surreal. O médico, vendo meus exames, começou a falar em mastectomia. Oi? Pedi para minha mãe sair da sala e eu poder conversar com mais clareza. Exatamente, ele começou a dizer que eu deveria estar com câncer, mas era uma cirurgia relativamente simples, eu retirava as mamas e na mesma cirurgia já colocava o silicone… 

A minha sorte é que não surto nesses momentos, meu primeiro instinto foi tentar entender o que estava acontecendo e me restringi a fazer perguntas práticas. Mas como assim mastectomia? O cisto é pequeno, não sabemos ainda se é malígno e a ultrassonografia diz não haver nenhuma alteração significativa em relação aos últimos exames (que ele mesmo havia confirmado anteriormente que não eram preocupantes!). É mas, as mamas já estão cheias de cistos… Ué, e cisto vira câncer? Não, mas… Um grilinho no meu ouvido berrando, essa história não te soa meio comercial? Tipo, mas toda mulher não quer colocar silicone mesmo? Entretanto, a possibilidade da doença era real e o histórico da minha família não ajuda. Bom, doutor, não moro mais no Brasil, nem tenho plano de saúde aqui. Se eu tiver que tratar, será em Londres. Então, vamos fazer o seguinte, me encaminhou para realizar uma ressonância das mamas. É um exame feito com contraste e bem definitivo. Na minha cabeça pensando, esse não deveria ser o primeiro passo antes de me apavorar?

Na recepção, do lado de fora do consultório, foi a cerejinha do bolo. O médico virou-se para minha mãe, aquela que pedi para sair da sala justamente para não ficar nervosa, e disse: está com todo jeito de câncer.

Ao invés de marcar a ressonância por telefone, considerando o tempo limitado que tinha, corri direto para o laboratório, expliquei a situação e acredito que também por ser particular e não por convênio, me encaixaram no mesmo dia. Eu e minha mãe com aquelas caras de nádegas esperando o exame. O resultado deveria sair em uma semana, mas talvez meu médico conseguisse recebê-lo antes.

Nesse clima tão feliz, fomos para maternidade esperar meu sobrinho nascer. Minha vida é cercada por dualidades, assim que não posso dizer que estava bem, mas tentei pensar em outras coisas mais positivas e aproveitar o momento. Meu sobrinho nasceu grande, forte e saudável! E minha sobrinha, acostumada ao posto de rainha absoluta da família, tinha todos os ciúmes possíveis e imagináveis do irmão. Essa parte, até que foi divertida.

Chegamos em casa tarde e estava exausta! Minha mãe, checando seu passaporte, se poderia vir para Inglaterra quando ficasse boa dos seus olhos. E eu pedindo calma, não sabemos o que vai acontecer. Nem tenho certeza do que tenho ainda!

No dia seguinte, descansando um pouco na cama, entra minha mãe, aos prantos, no quarto, dizendo que nós duas estávamos com câncer ao mesmo tempo! Como é que ia ser? Havia ela também feito alguns exames e seu médico acabara de avisar que tinha uma lesão no seu pulmão, bem pequena, mas que precisava ser checada. Lá fui eu ligar para o médico dela para entender do que ela estava falando. Felizmente, ele é bem cauteloso e calmo, não deu nenhum diagnóstico definitivo, mas com toda razão, não podia fazer de conta que nada estava acontecendo. Nos indicou um outro médico especialista para conversarmos.

Sim, de um dia para o outro, nosso mundo inteiro virou pelo avesso! Estava muito difícil pensar. Dava aquela vontade insana de perguntar ao universo, falta mais nada não? Mas e o medo de aparecer mais alguma coisa!

Luiz me apoiando à distância, buscando informações de quais os passos deveríamos tomar em Londres, no caso de precisar me tratar. Conseguiu marcar uma consulta com meu médico “de cabeceira” para logo após minha chegada prevista. 

Conseguimos marcar uma consulta com o médico do pulmão da minha mãe. Expliquei a importância de estar com ela durante a consulta e que, em breve, viajaria para o exterior. Ele abriu uma brecha em sua agenda e nos atendeu. Foi uma consulta tranquilizadora, não no sentido de descartar o problema, mas na forma de tratá-lo. Minha mãe se acalmou um pouco mais também, porque entendemos que, na pior das hipóteses, se fosse uma lesão malígna, a cirurgia seria feita por robô, é pouco invasiva e curativa. Ou seja, eles retirariam uma pequena parte do pulmão e é vida normal, sem quimio nem radioterapia. Pediu também um exame tão definitivo quanto o meu, em palavras extremamente leigas, as células cancerígenas gostam de açúcar. Então, eles injetam um tipo de contraste de glicose, que faz com que essas células cancerígenas absorvam e brilhem. Enfim, a grosso modo, se brilhar é malígno.

Contando agora, parece tudo muito ordenado. Mas na prática, as coisas foram acontecendo totalmente emboladas e com emoções diferentes em paralelo por situações extremas. No meio desse furacão, estava tentando entender o que eu tinha e como proceder. Se, por exemplo, eu deveria atrasar minha volta para Londres e fazer uma biópsia no Brasil… se o resultado do meu exame sairia antes ou depois de viajar… meus exames anteriores estavam presos no laboratório que fiz a ressonância… e minha mãe, se precisasse operar, como seria? Onde estaria? Tudo muito confuso.

E, a propósito, que fique claro, não, não tenho a menor vontade de “aproveitar para colocar silicone”, não me passa pela cabeça, estou muito satisfeita com meus pequenos peitos normais!

Passei uma noite em claro pensando, levantei séria, mas com muita clareza e um plano. Primeiro, se estivesse com câncer: foda-se, encaro e não vou morrer disso! Se for malígno, ainda é muito pequeno, o que tivesse que fazer, faria. Em outras palavras, entubei. Absorvi o golpe. Não estando mais tonta, minha lucidez falou mais alto. Eu tinha exames de anos anteriores, feitos no Brasil, onde nada de errado apareceu e o laudo era integrado mamografia e ultrassom em português. Eu tinha uma mamografia feita em um laboratório em Londres, onde aparecia algo suspeito, mas nada definitivo, porque eles compararam unicamente com a imagem da mamografia anterior, se muito, porque tinha praticamente certeza que não analisaram o laudo, afinal era em português. Finalmente, consegui em Londres outro mastologista (brasileiro) que fez o ultrassom e comparou tudo aos exames anteriores e me disse que não havia alterações significativas, nem qualquer motivo para me preocupar. Cistos eu tenho, vários! Mas isso nada tem a ver com câncer! Então, como raios alguém pega esses mesmos exames e me tira da cartola que preciso fazer uma mastectomia de ambas as mamas? Quer saber, tenho exames de todos os lados, com idiomas e talvez com critérios diferentes, estou comparando chocalho com banana. Vou pedir novos exames, outra mamografia e outra ultrassonografia, no mesmo laboratório dos meus exames anteriores no Brasil. Assim, comparo chocalho com chocalho e, mesmo havendo algum problema, pelo menos há uma coerência, uma uniformidade no diagnóstico para iniciar um tratamento em Londres. Porque do jeito que estava, era até difícil explicar ao meu futuro médico o que eu tinha!

Só havia um probleminha, esse laboratório era em São Paulo e estava no Rio. Dane-se, vou. Tentei marcar o exame em São Paulo, mas tinha outro detalhe, precisava de um pedido médico, mesmo que fosse feito sem plano de saúde. Não queria pedir ao mastologista que me atendeu, então lembrei da minha ginecologista em São Paulo, que também é minha amiga. Foi a melhor coisa, porque ela acabou conseguindo me encaixar em uma médica hiper fera em exames e diagnósticos. Minha ginecologista dividiu comigo que, no passado, ela havia sido recomendada a fazer uma mastectomia e essa médica descobriu que ela só tinha um cisto de gordura, nada demais. Ou seja, mulheres, atentas! Não surtem porque apareceu um cisto e busquem outras opiniões!

A única coisa é que só consegui marcar essa consulta, em São Paulo, no dia anterior da minha volta para Londres, foi tudo muito corrido. Exatamente no dia que minha mãe também faria o exame dela no Rio. Não pude acompanhá-la, nem ela a mim.

Só de ter esse caminho e essa aceitação me fez sentir mais forte. Não estava feliz, claro, mas tinha uma direção e as coisas começaram a clarear. De certa forma, me surpreendi com minha própria resiliência.

Um dia antes de ir para São Paulo, fazer a consulta com a nova mastologista, saiu o resultado da minha ressonância de mama: apenas cistos! Toda essa loucura e eu só tinha cistos! Não sabia se celebrava, se me aborrecia, uma mistura completa de sensações. Mas certamente, a principal sensação era de alívio! De toda maneira, resolvi manter a consulta com a médica de São Paulo, afinal, chega um momento em que você não sabe bem em quem ou o que acreditar! Encurtando a história já longa, a consulta com ela foi ótima, super detalhada e não tinha nada que indicasse remotamente câncer, muito menos uma mastectomia!

Mas essa certeza, só tive às vesperas de voltar para Londres. Assim que, por mais que tentasse dividir minha cabeça e meu coração em departamentos, não aproveitei o suficiente a alegria da chegada de um sobrinho, nem tive a paciência necessária de administrar os ciúmes da sobrinha. Fiz o que deu, no limite da minha capacidade! Porém, tenho a consciência que essa é uma sensação só para mim, eles não terão essa memória.

O resultado do exame da minha mãe saiu pela manhã e meu voo era à noite. Lembra que ela fez um exame que se brilhasse era malígno? Pois é, a bosta do exame brilhou. O meu não era câncer, mas o dela era. Embarquei para Londres com essa notícia na bagagem. 

Voltei para casa sem a sensação de missão cumprida. Afinal, havia deixado um rabo gigante para trás! Não sabia se teria que voltar ao Rio ou não, por causa da minha mãe. Mas a verdade é que resolvi aceitar que sou humana e tenho meus limites, preciso cuidar de mim ou não vou ter fôlego para cuidar de ninguém. Em uma das nossas conversas, quando tudo indicava que ambas estávamos doentes, num acesso de preocupação e responsabilidade materna do: como você vai tratar disso lá sozinha e eu não posso ir! Minha resposta foi direta e mais cortante do que gostaria, tenho força suficiente para vencer essa merda 3 vezes! O câncer não me derruba e não vou morrer disso, a única que pode me derrubar é você, se cair por minha causa, porque daí eu caio junto. Depois até me arrependi de ter dito, foi um momento de cabeça quente.  Adianto que um par de meses depois, deu tudo certo com a cirurgia da minha mãe e essa história é mais dela que minha, conto apenas para encerrar esse pedaço. Tenho a impressão que uma parte dela ter demonstrado tanta positividade, foi sua maneira de tentar “me ajudar” a não ficar tão preocupada do lado de cá. Talvez ela tenha entendido meu momento. E quer saber, ajudou mesmo! Outra parte, será por seus próprios motivos e cabe a ela contar ou não. Do meu lado, só posso dizer que me encheu de orgulho e admiração por sua força e coragem.

Nem sei descrever o que foi chegar em casa, brincar com meus gatos e encontrar Luiz! Não quero nem imaginar precisar passar por tudo isso sem o apoio de um parceiro como ele. Acho que, de modo geral, sei aproveitar a vida e as oportunidades que ela me apresenta. Mas não há como negar que quando passamos por essas situações críticas, repensamos nossa postura, nossos hábitos, nossas prioridades… Ainda por cima, considerando que já estou mesmo em uma fase de reavaliação da própria identidade, essa avalanche de sentimentos teve um efeito viral! Apesar dos pesares, acho que o saldo foi positivo, tem me ajudado a colocar tudo em outra perspectiva.

E contei toda essa história, porque facilita entender o contexto de alguns caminhos que tenho escolhido e posturas que tenho assumido.

Faz quase um ano que cheguei ao lado de cá do oceano. Não sei se ficaremos mesmo por Londres, mas sinto que agora está decidido e claro que meu lar é nessa margem direita, pelas bandas européias. Está na hora de começar a achar ao menos um vaso grande para minhas raízes aquáticas. Talvez precise podá-las um pouco. Quero sossegar,  me preparar para o outono que estou vivendo, cortar os galhos secos.

E não conto isso triste, nem contente, só aliviada, em paz. Podendo ser quem sou e podendo mudar o que não quero mais ser, eu posso! Estou pronta para viver o novo resto da minha vida!

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Quando cheguei à Espanha, em 2005, não existiam redes sociais. Ou pelo menos, não existiam na minha vida. O máximo da tecnologia caseira era a possibilidade de conversar pela webcam, acho que usávamos o MSN, ou algo do gênero. Mas enfim, a internet era meu principal canal de comunicação com a família e os amigos pelo mundo. Ainda assim era limitado e cansativo repetir individualmente as mesmas histórias.

Não era minha primeira mudança de país, mas foi em Madri que me surgiu a necessidade de escrever, registrar de uma forma concreta tudo que estava vivendo e experimentando. Foi algo natural, intuitivo e, em muito pouco tempo, virou realmente uma necessidade. Era minha terapia e, muitas vezes, minha cura, minha forma de lucidez. Por sugestão do Luiz, essas pequenas confissões viraram um blog. Passados os momentos iniciais de vergonha e preocupação sobre minha própria exposição, se converteu em parte da minha rotina. Talvez até uma mini rede social, onde conseguia me aproximar de novas pessoas e antigos conhecidos.

Muita água rolou durante esse período, uma parcela considerável compartilhada aqui. O fato é que da mesma maneira que havia surgido aquela necessidade inicial de me comunicar, ela se foi. Às vezes, me questiono se estava mais egoísta, mais seletiva, menos feliz… sei lá… talvez descubra os verdadeiros motivos no caminho, nem sei se isso importa agora. Acontece que o tal bichinho parece que anda me mordiscando novamente, uma saudade dessa tela, de ter um tempo para pensar, analisar, contar, dividir… uma vontade danada de escrever!

Não sei se você me conhece, se me acompanhou ou não, e a verdade é que eu também estou me reconhecendo, me reconstruindo, então, muito prazer e que todos sejam bem-vindos! Eu sou a Bianca, tenho 48 anos, faço 49 daqui a um mês. Escorpiana de carteirinha! Moro em Londres, pela segunda vez, cheguei em dezembro de 2017, ou seja, quase um ano de volta à terra da rainha. Sou carioca por nascimento, casadíssima, ateísta, meio bruxa como toda mulher, amo cozinhar, sei beber, adoro dar festas, toco percussão e vivo fazendo amizades com estranhos na rua, aliás, boa parte deles me confessa seus segredos secretos logo de cara. Escuto tudo, interessada nos detalhes, gosto de gente. Sou daquelas que quando você me pergunta, e aí, como você está? Não sei responder só, tudo bem! Eu conto mesmo como tudo está! Quem mandou me perguntar?

Pois bem, após uns 11 anos fora do Brasil, precisei voltar ao meu país de nascimento por um período de 3 anos e, sério, foi barra! Os motivos já foram escritos, não pretendo repetir. Porém, a necessidade de negação da minha nacionalidade tem sido brutal, quase cruel! Como se quisesse apagar meu rastro brasileiro, o que seria absurdo! Não quero negar quem fui, apenas não tolero que seja minha referência para o futuro. Em outras palavras, não é quem quero ser.

A experiência precisa servir para alguma coisa e, depois de tantas crises de identidade que atravessei, sei bem quem sou ou fui. O suficiente para também saber que nada, além da morte, é definitivo. Assim que a reconstrução pessoal é parte constante na minha vida e, nesse exato momento, preciso ressurgir das cinzas, mais uma vez. O lado bom é que parece ser a primeira delas que isso acontece de maneira serena. É provável que seja a primeira crise que desfruto enquanto acontece. Coisa que me dá um pouco de medo em admitir, porque não tenho certeza se toda essa serenidade é experiência, ignorância ou resto de luto, nem tenho como saber, por enquanto. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é e, não importa mais os motivos, só consigo ser eu mesma do lado de cá do Atlântico.

E agora que aqui estou, nessa margem direita do oceano, tenho a embriagante sensação de achar que posso ser quem eu quiser. Um daqueles momentos que a gente se sente em um filme de ficção científica em que se abre uma brecha no universo para você se transportar a uma realidade paralela. Uma realidade que eu tenha o poder de escolha. E estava com uma saudade louca desse poder!

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