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Archive for the ‘Fênix e Suas Asas’ Category

Hoje é dia 6 de abril de 2011. Pela manhã, juramos fidelidade à bandeira espanhola! Agora, oficialmente, além de múltipla personalidade, também tenho dupla cidadania!

Na prática, foi bem simples, estava marcado para chegarmos às 10h30, mas chegamos antes, umas 10 horas. Entregamos o protocolo na entrada e nos enviaram diretamente para uma outra sala com mais gente, umas 50 pessoas, talvez um pouco menos. Antes da hora marcada, pelas 10h15, um funcionário que parecia um juiz levantou e pediu para repetirmos em grupo o juramento, que era um parágrafo curto dizendo algo como: prometo respeitar a constituição e o rei de Espanha. Pensei que ia achar cafona, mas na verdade achei bem legal, deu um toque solene de ritual. Em seguida, ele chama um por um para assinar um papel e só, resolvido.

Agora é esperar a nova certidão de nascimento, que chega pelo correio, em um prazo aproximado de três meses. E sim, teremos uma nova certidão de nascimento espanhola, o que me dá muito em que pensar. Depois devemos ir com essa certidão para tirar nossa identidade como cidadãos espanhóis, o DNI, e, finalmente, com o DNI poderemos tirar o passaporte. Pequeno detalhe, depois de tirar o DNI também nos casaremos outra vez aqui!

Portanto, não, ainda não acabou, mas para mim é como encerrar um ciclo. Daqui para frente é só papel, mas o fato já está consumado.

O processo foi iniciado há mais de três anos, enfim, toda uma novela! Com tanto tempo de expectativa é difícil absorver tudo em um só dia. Porque não é apenas a burocracia da obtenção de um documento, mas todo o entendimento e incorporação de uma cultura, com o que há de bom e de mau em todo o trajeto. E é nesse sentido que para mim hoje se encerra um ciclo importante.

Em todo esse tempo me senti bem dividida, um pouco como cidadã de canto nenhum. Hoje me sinto adicionada, aprendi a ter mais de uma pátria e estou aberta a outras ainda, se vierem. Incluindo a minha de origem, onde já não sou a mesma brasileira. Não dói mais e mudanças boas também podem doer no começo. A palavra imigrante já não me ofende, porque há muito não caibo em uma descrição tão pequena. Ninguém deveria caber e também é culpa de quem veste a carapuça.

Na semana passada, quando a data de hoje foi marcada, saí do local feliz e leve como um passarinho. Hoje estou feliz também, mas de uma maneira muito diferente, mais séria, lúcida e emocionada. Porque fins de ciclos são pequenas mortes. E é bom que sejam, porque as limitações, que nos encurralam no início de cada um desses ciclos, logo se tornam hábitos e depois confortáveis desculpas. Até que você se perde um pouco entre o que você é e o que poderia ser se…

Muitas das minhas limitações estão prestes a acabar, em consequência, também minhas desculpas. Não tem mais “se”. A Jovem vem aí e o bicho vai pegar! Ainda bem que eu sou flamengo, mesmo quando ele não vai bem, algo me diz em rubro-negro que o sofrimento leva além e não existe amor sem medo.

Para o ritual de passagem, completei minha tatuagem, a que sempre deveria ter sido, mas eu não estava pronta.

Quando a gente é criança é gostoso se fantasiar, adutos também, é que quanto mais jovens, mais livres somos para não só viver um personagem, mas acreditar nele. Meninos costumam adorar se vestir de super-heróis e mudam até a postura para andar com suas capas e poderes fantásticos. Não saberia garantir, mas quase aposto que muitos rapazes fazem escondido as poses do homem-aranha fechados em seus quartos e sem testemunhas. Bom, espero que sim, me sentiria menos louca.

Enfim, quando era criança, tinha umas asas de anjo. Não me lembro como chegaram em casa, provavelmente complemento de alguma fantasia que se perdeu, mas as asas ficaram e eu era completamente alucinada por elas. Assim como os meninos iam com suas armas de brinquedo, eu ia com minhas asas para todo lado. E nenhum dos meus amigos imaginários achava estranho!

Outro dia, vendo um desses filmes antigos, gravados em super 8 (para quem ainda se lembra o que era isso), me vi em um aniversário. Todas as crianças arrumadinhas, eu também, bem arrumadinha. Daí eu me abaixo para apagar as velas e lá estão elas: minhas asas é claro! Quase me esborrachei de rir da completa falta de noção em achar que estava super natural. Bom, estava quase sobrenatural, mas tudo bem.

A idade, o bom senso e a vergonha tomaram seu curso e em algum momento, deixei minhas asas para lá. Ainda que, admito, mesmo adulta sempre que tinha uma oportunidade, dava um jeito delas voltarem em uma festa à fantasia ou na estampa de uma camiseta.

Pois agora estão cravadas na minha pele. Minhas asas estão tatuadas e de agora em diante posso carregá-las comigo para todo lado. 

Se eu posso ter nova certidão de nascimento é porque posso nascer outra vez. Se o fim de um ciclo é uma morte, o começo do próximo é ressurreição. Para cada fênix, seu par de asas! E agora, finalmente, tenho as minhas.

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Há nem me lembro quantos meses, mas acho que foram bem uns oito, recebemos a data do governo para confirmarmos que queremos mesmo a cidadania espanhola concedida. Caía em primeiro de abril, dia da mentira. Parecia piada!

Temos um escritório de advocacia acompanhando o caso e tentamos de toda maneira adiantar essa data, e nada! Luiz fez um segundo contato com outro advogado que talvez conseguisse, mas que não havia dado mais notícias. Ficou por isso mesmo.

Essa reunião consiste em simplesmente ir ao departamento responsável com seu NIE (documento espanhol para estrangeiros) e a carta de concessão da nacionalidade. Daí eles marcam para você jurar a bandeira, ou seja,  prometer fidelidade ao rei e a constituição. O que na prática, acho que é assinar um papel. Muito bem, atualmente, entre essa reunião de primeiro de abril e a seguinte, leva mais uns três meses, depende muito da quantidade de gente sendo atendida. Portanto, essa era a nossa expectativa.

Luiz tirou o dia de folga, para nem se estressar com possíveis atrasos ou problemas. Acordamos cedo, nos arrumamos, tomei café com o que era possível passar pela garganta e lá fomos nós, de taxi. Marcamos com a advogada no local.

Um dia lindo! A melhor temperatura do ano e um sol de primavera simplesmente perfeito! Bom presságio, dias assim me deixam em um bom humor fenomenal. Segundo observado pelo Luiz, apesar de estar meio apreensiva, estava sorrindo.

Literalmente dentro do taxi, a caminho do local, toca o celular. Lembra do tal advogado que talvez conseguisse apressar a data? Pois é, era ele. Luiz explicou, mas já é hoje, estamos justamente a caminho de lá. Então ele pediu que a gente esperasse um pouco que ele ia ligar para lá. Nos entreolhamos com aquela cara de será? Daqui a pouco, o celular toca outra vez: procura a fulana, ela conhece seu expediente e tem uma brecha de data na semana que vem.

Bom, maravilha! Tudo que pode ser adiantado, nos ajuda um montão. Estamos tão acostumados a ser escaldados que nem queria muito me animar. Vamos um passo de cada vez. Além do mais, havia nossa advogada lá nos esperando e como a gente conta essa história sem criar nenhum conflito?

Para variar, chegamos cedo. Nós somos sempre adiantados com tudo. Ficamos na esquina tomando um solzinho para relaxar um pouco, enquanto esperávamos a advogada e imaginávamos como dizer o que para quem.

Daqui a pouco, liga nossa advogada, estava completamente enrolada e não conseguiria chegar a tempo, mas havia uma outra advogada do mesmo escritório no local que nos acompanharia. Veja bem, em outras circunstâncias, isso poderia ser um problema, mas a gente achou ótimo, porque a advogada que nos atenderia parecia novata e não iria fazer tantas perguntas. Simplesmente dissemos que tínhamos um conhecido que nos indicou falar com fulana, porque ela já tinha nosso expediente. E assim foi!

E não é que a fulana existia mesmo? E não é que ela conseguiu nos agendar para semana seguinte? E justo no dia do aniversário do meu irmão, dia 6 de abril. Que para quem não sabe, por alguma razão cósmica, bate sempre com alguma mudança positiva nossa. Excelente presságio!

Entre nós, vou confessar uma coisa, foi a primeira vez que minha ficha caiu mesmo que terei dupla cidadania. Preciso admitir que sentir concretamente que também seria espanhola me deixou feliz. Estava até meio emocionada, mas segurei a onda, afinal, preciso exercitar minha mala leche!

Ajuda muito o fato de não precisar perder nossa cidadania anterior, gosto de ser brasileira e é sempre melhor adicionar.

Cheguei em casa, liguei para meus pais para contar as novidades: agora tenho dois aniversários e vou casar outra vez aqui na Espanha! Maravilha, mais motivo para festas.

Como disse, Luiz tirou o dia livre, resolvemos aproveitar e saímos para almoçar bem! Fomos a um restaurante italiano ótimo aqui perto de casa, o Più di Prima.  Um vinho italiano para variar um pouco e celebrar.

Para completar a perfeição do dia, era sexta-feira! Ou seja, sem preocupações em acordar cedo no dia seguinte. Portanto, óbvio que queria sair à noite para seguir no alto astral e não foi preciso pensar muito para decidirmos ir ao El Junco. Era o show de uma conhecida e emendamos por lá mesmo. Encontramos os amigos queridos e já estava quase amanhecendo quando voltamos para casa!

Faz tempo que não tenho um dia em que sou tão feliz por tantas horas seguidas! E por dias assim, agradeço. Que venham muitos mais e que possa compartilhá-los!

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E haja garganta!

Chegou a primavera! Com ela, um festival de alergias, como de costume. Eu me tornei alérgica em São Paulo, já era adulta e nem posso reclamar porque a minha não é das piores. Mas olho em volta e está todo mundo meio mais ou menos. Quando foi que o planeta se tornou tão alérgico? Até meu gato tem asma!

Felizmente, não deixo de fazer as coisas, mas minha garganta está um lixo! Tenho uma porcaria de uma tosse seca (alérgica) que não me deixa livre por meses, é realmente um saco!

Essa semana temos uma das últimas reuniões com o governo, para acertar nossa cidadania espanhola. Não temos certeza absoluta se já juraremos a bandeira ou será marcado o juramento. É mais provável que seja só marcado o juramento. Confesso que isso também tem me deixado ansiosa. Vou tocando o barco porque não dá para parar a vida, mas é difícil não passar pela cabeça de vez em quando. Como pode um pedaço de papel ser capaz de mudar tanto sua vida? Uma dia você não pode e o outro você pode, mas você segue sendo a mesma pessoa.

Conto isso porque acredito que minha tosse só vá passar depois dessa etapa superada. Antes preciso que esse sapo se desentale da minha garganta!

Por outro lado, falando em garganta, o canto tem surgido no meu caminho novamente. E com ele, o gosto pela percussão.

Em uma das últimas festas a gente soltou a voz e bateu a vontade de resgatar o coral. Vamos tentar, acho que pode ser bacana e tenho saudades de melhorar a voz. Minha amiga cantora também me chamou para uma palhinha em um show e estou amarradona! Ou seja, preciso acabar com essa tosse urgente!

Quanto à percussão, parei de ter aulas e para ser sincera, acho que dei uma estacionada. Mas agora, também nas últimas festas, rolaram umas batucadas ótimas! É a hora que aproveito para me misturar com quem sabe tocar e pegar alguma manha, do tipo monkey see, monkey do. Ajuda muito quando tem profissionais puxando, principalmente um violão bem tocado. Sem falar que os amigos são legais e dão a maior força. É verdade que onde todo mundo se conhece o risco do erro é bobagem, não atrapalha tanto (espero!).

E viva a tolerância dos vizinhos! 

Enfim, é primavera! E apesar dos seus pesares, adoro quando ela chega. Os dias começam a se alongar e a temperatura ameniza. Ainda está frio, porém não me queixo; gostaria de um pouco mais de sol, mas já chegará.

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O fim de semana foi bastante movimentado. Na sexta-feira, a festa dos nossos 17 anos de casados. No sábado, o aniversário de 50 anos de uma amiga. Ou seja, muitos anos juntos prometendo celebrações de peso. No domingo, ainda tínhamos dois convites naturebas para picnics, mas passamos porque ninguém é de ferro! E na terça, para completar, mais uma festinha surpresa!

Começando pela nossa festa, como contei antes, foi decidido meio que às pressas. Chegamos de Viena no domingo bem cansados e com a casa vazia de compras, tinha que providenciar tudo. Sem falar do eterno glamour de volta de viagem, onde você tem cestas e cestas de roupa suja para dar cabo! Mas enfim, todo o planeta sabia que os dias iriam passar e eu iria me animar, então, contei com a antecipação do ânimo para convidar as pessoas e confiei no caos.

Não inventei muita moda para não me complicar. Dei peso aos queijos e frios, comprados perto de casa no Mercado de Barceló, que aliás estou fã! Tudo de qualidade excelente e muito fresco! Admito que é Luiz quem me motiva a ir por lá, porque se depender de mim, fico com preguiça de carregar as coisas e peço tudo pela internet!

Bom, acabei fazendo mais algumas coisinhas: canapés de chalota caramelizada com maçã e de ovos de codorna com caviar; salmão defumado; quibe; molho de yogurt com pepininhos; creme de aspargos e batatinhas, frutos secos, azeitonas, enfim, nada que fosse muito trabalhoso, mas que ficasse gostoso e houvesse fartura. O pão tem que ser da Le Pain Quotidien e encomendei um bolo com uma amiga que é fera.

Convidamos os amigos que cabiam em casa e voilà: festa express!

 

Como sempre, tudo de bom, alto astral e batucada improvisada. Ainda nos faz falta um violão que puxe, mas fazemos o possível e a gente se diverte. O importante é celebrar esses momentos e não deixar passar em branco. Porque as tempestades nos dão um tempo, porém mais cedo ou mais tarde chegam para todos e precisamos ter as baterias recarregadas. Boas memórias funcionam como amuletos poderosos nos momentos difíceis. Que eles demorem bastante a chegar e quando cheguem, tenham sua intensidade reduzida dentro de uma perspectiva maior.

 

Pois bem, casa devidamente energizada e os últimos convidados se foram pouco depois das 5 da manhã.

Sábado estávamos mortinhos da silva, mas coragem que tem festão à noite para ir! E até mais fácil, porque não tínhamos que organizar nada!

Muito bem, a festa era de uma amiga que fazia 50 anos. É engraçado como essa data tem um peso forte, não tinha me dado conta do quanto ela está próxima até esse último fim de semana. Caminho para os 42 anos, já não está tão longe assim. Enfim, reconfortante saber que essa amiga comemorou os seus aninhos fechando um bar, com música ao vivo e tudo! Tribos distintas e que bem se relacionaram.

Da banda contratada, dois dos três músicos estavam na festa aqui de casa no dia anterior batucando, de maneiras que Luiz e eu fomos chamados para contribuir no caxixi, e lá fomos para o palco canjear. Tamanha intimidade, parecia até que também éramos parte da banda! Também, todos amigos, ninguém estava se importando muito!

O pessoal do coral estava por lá e no final da apresentação da banda a gente se animou a cantar um pouquinho. Há alguns meses não nos reunimos, demos um tempo do coro, essa palhinha despertou vontade na galera de voltar. Mas essa é uma outra história que conto depois.

 

Não me lembro exatamente que horas nos fomos, esperamos o parabéns e Luiz me pediu arrego!

Domingo, morgação total! Não colocamos nem o nariz na rua! Foi quando aproveitei para dar a notícia ao Luiz: terça-feira temos uma festa surpresa para ir! Ele me olha com aquela cara de desespero: outra? Calma, essa é cedo, às 19:30 no Kabocla!

Na terça ele conseguiu não chegar tão tarde do trabalho, já estava pronta e com o presente esperando. Felizmente, o Kabocla fica a uns 5 minutos caminhando da nossa casa.

Olha, eu tenho implicância com festa surpresa, não vou negar. Aliás, surpresas de modo geral, quase todas são estressantes ou dão confusão. Mas essa, juro que achava que daria certo desde o início. É que o aniversariante é muito boa praça, do tipo que se encaixa em qualquer programa com a maior tranquilidade.

E assim foi, festa ótima! Música excelente, ainda que os convidados não estivessem prestando muita atenção. É que em festa as pessoas se distraem, é normal, mas para mim é o oposto, é quase impossível não notar se a música é boa. Da mesma maneira que a música ruim me deixa agoniada e com vontade de sair logo do ambiente, não consigo abstrair, o que felizmente, não era o caso. Não saímos muito tarde, antes das 23h estávamos em casa. A maioria das pessoas também não esticou muito, exceto pelos amigos artistas e músicos, o resto trabalha cedo.

Hoje é sexta-feira, ainda não sei se faremos alguma coisa mais tarde, mas acho difícil. Luiz acordou às 4 da manhã, foi trabalhar em Bilbao ou algo assim. Acho que vai chegar morto, mas nunca se sabe… Às vezes, uma descansadinha e ele anima. Mas não vou insistir porque amanhã tem outro aniversário de uma amiga!

Todo mundo resolveu fazer festa de aniversário? Que bom!

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De volta a Viena

Pegamos novamente a estrada em direção à Viena, afinal, tínhamos entradas para uma Ópera que começava às 19:30h. Foi o tempo de chegar no hotel, deixar as malas, trocar de roupa correndo e tocar para o teatro.

A ópera era “La Sonnambula”, de Vicenzo Bellini. Dessa vez, finalmente conseguimos um bom lugar sentados e não precisamos sofrer na geral. Eu adorei a experiência! O teatro é lindíssimo e é o máximo você ter os músicos tocando ao vivo. Mas preciso confessar uma coisa, imagino que a intenção do Bellini era escrever uma obra intrigante e dramática, acontece que a história me pareceu uma grande comédia e tive que controlar o tempo inteiro a vontade infantil de dar gargalhadas.

É o seguinte, trata-se do dia do casamento da Amina com o Elvino, um casal extremamente apaixonado e exultantes de felicidade ingênua e amor puro. Ou seja, dois chatos! A vilã é a Lisa, que trabalha no hotel onde eles vão se casar e tem um olho no Elvino, ela morre de inveja da Amina e acha que ela é que devia casar-se com ele. Suas caras de despeito durante a ópera é o que há de melhor! Começa com a festa que antecipa o casamento que será no dia seguinte. Muito bem, o Elvino já chega atrasado porque parou no túmulo da mãezinha dele e chega na festa com o retrato da falecida, desejando que a Amina seja tão boa como sua mãe, que tenha todas as suas virtudes e o faça tão feliz quanto ela fez ao seu pai. Hein? Como é que é? O cidadão chega para casar dizendo que quer que você seja igual a mãe dele? Vamos combinar, um babaca, né? Mas tudo bem, a chata da Amina acha tudo lindo.

Bom, no meio da festa chega um tal de um conde, muito mais gato que o Elvino e com pinta de canastrão italiano. Ele dá um certo mole para a Amina, que se comporta como uma lady, mas o Elvino morre de ciúmes. Cá entre nós, ele bem que merecia o chifre, mas a pateta da Amina é louca por ele e é toda compreensiva pedindo que ele confie nela e no seu infinito amor.

Daí todo mundo vai dormir e só fica a Lisa e o Conde. Rola um clima entre os dois, se dá a entender que rolou alguma coisa mais até que se ouve um barulho, a Lisa se assusta, sai correndo e deixa uma meia e um sapato no quarto do conde.

O conde vai ver o que está acontecendo e resulta que a Amina é sonâmbula e aparece toda fresquinha de camisola para o canastrão do conde. Ele se sente tentado em se aproveitar da situação, mas como um cavalheiro se sente comovido porque a Amina mesmo dormindo só fala do seu casamento com o amado Elvino. Por isso ele não faz nada, só espera ela terminar de se deitar no chão, a cobre com seu casaco e vai embora. Fala sério, não rolou nem uma mãozinha boba? Duvido! Historinha para boi dormir, né? Eu acho que a Amina estava bem é se aproveitando e tirando uma casquinha do conde. Mas vá lá…

A canalha da Lisa está assistindo tudo e quando o conde termina de cobrí-la com seu casaco, corre para acordar o Elvino e todos do hotel. Quando eles chegam e encontram Amina ali, com suas roupas íntimas e coberta com o casaco do conde é aquele bafão!

O idiota do Elvino tem um ataque de piti (essa coca é fanta!), desiste de casar com a Amina e sabe o que ele faz? Substitui a noiva! Chama a Lisa para se casar no lugar dela.

A otária da Amina sofre inconformada e vai dormir! Hã? No meio desse bafafá ela vai dormir?

Durante a celebração da festa dos novos noivos, a dona da hotel, que é como uma mãe para Amina, desmascara Lisa e diz que encontrou sua meia e seu sapato no quarto do conde! Outro bafão! O imbecil do Elvino consegue ser corno duas vezes na mesma noite!

Muito bem, o conde resolve esclarecer aquela história e conta que Amina é totalmente inocente. Ilustras os convidados sobre o sonambulismo. Esses não acreditam nessa historinha (nem eu).

Mas de repente… lembram que a Amina foi dormir? Pois é, aparece a Amina sonâmbula, com o mesmo sonho idiota sobre o Elvino. Como ela o ama…. que ele é o único da sua vida… que deseja que ele seja tão feliz como ela é triste agora (blarg!)… blá blá blá… aliás, lá lá lá…

E assim, fica provada a inocência de Amina. Elvino volta a querer casar-se com ela e tudo fica resolvido!

Tudo bem, pieguices à parte, eles cantam para caramba e os  músicos são fantásticos! Assim que valeu!

Saímos de lá famintos! Mas não tínhamos nada reservado. Havíamos passado por um lugar chamado The Ring que pareceu interessante e depois de rodar daqui para lá, decidimos tentar. Outra surpresa agradabilíssima! Seu restaurante, o At Eight é comandado por um chef super jovem e promissor. Fechamos a noite com chave de ouro, destaque para o prato principal, um mar e terra, coelho com panquequinha de lagosta de correr para o abraço!

Dali nos despedimos de nossos amigos. No dia seguinte eles seguiriam para Milão e nós teríamos mais um dia na cidade.

Acordamos com calma e fomos devolver o carro. Na volta, já ficamos passeando pelo centro. Aproveitamos para visitar uma exposição de fotografias da Trude Fleischmann no Wein Museum e bater perna sem grandes compromissos.

No jantar, queria chutar o pau da barraca e conseguimos uma reserva no Imperial. O restaurante é um pouco formal e vale ir mais arrumadinha, o atendimento é bastante gentil e te deixa à vontade, aliás como de maneira geral na Áustria. Comi um tartar de caranguejo dos deuses e um chateaubriand deliciosamente mal passado.

Viagem muito bem encerrada! No domingo, nosso vôo saía pelas 15:00hs. Assim que tínhamos tempo de acordar com calma, tomar nosso café e sair devagar para o aeroporto.

No check out, minha única má lembrança da Áustria, o completo desrespeito às filas. Sério, nunca vi nada parecido, tanto na estação de esquis quanto na cidade, nunca vi tanta gente ter tão pouco respeito às filas. Nesse sentido, são mal educados pacas! Contrasta com a gentileza que se encontra de modo geral. Não se respeitam as filas nunca! Não estava afim de me aborrecer e confesso que levei um tempo para sequer acreditar em tamanha cara de pau. Mas agora que sei do que se trata, se houver uma próxima vez, estou preparada para ser grossa! Mas tudo bem, como diz uma amiga minha, respira azul Bianca!

Lá fomos nós para o aeroporto, com saco para pegar uma conexão em Milão. Na sala de espera e com as malas despachadas, descobrimos que o vôo estava atrasado e, consequentemente, seria impossível seguir na conexão prevista. Fico eu na sala de espera e sai Luiz para ver o que consegue.

Volta ele dizendo que conseguiu nos trocar de vôo, agora iríamos via Frankfurt e tínhamos que correr para embarcar em uma sala ao lado. Mas nossas malas não vão para Milão? Aparentemente, eles trocariam a bagagem de avião. Ah, tá…

Parênteses: lembram que na ida tínhamos excesso de bagagem, né? Então, na volta resolvemos trazer uma mala de mão, com 10 kg. O que costuma ser a média de peso para bagagem de cabine. Na hora de embarcar, descobrimos que não eram 10 kg e sim 8 kg, coisa que ninguém daria tanta bola, a não ser o infeliz do filho de mãe na zona que nos embarcou e resolveu nos tomar como exemplo e pesar a bolsa na hora de entrar no avião! Senhor, sua bagagem tem 2 kg a mais, precisa entregar na porta do avião para eles despacharem. Luiz ficou com aquela cara de quem ia socar o indivíduo. Eu confesso que nem achei tão ruim, me estresso mais com o Luiz que com a situação, afinal, despachamos a tal da mala sem pagar nenhum excesso. Claro que pelo caminho vínhamos pensando se alguma das nossas malas chegariam ao destino conosco!

Muito bem, as três malas que íam para Milão e foram trocadas encima da hora chegaram perfeitamente, acredite se quiser! A mala que foi despachada na porta do avião não apareceu!

Taquiupariu, outra vez! Na ida e na volta! Lá fomos nós fazer a reclamação. E encurtando o suspense, apareceu no dia seguinte e trouxeram na nossa casa. Pequeno detalhe, moramos no terceiro andar de escadas e me entregaram aqui na porta! Se soubéssemos, melhor seria haverem extraviado todas e não teríamos que fazer tanta força!

Ainda tínhamos um jantar marcado nesse dia da chegada em Madri, mas nosso amigo mudou de planos. Uma pena, mas sim que estávamos meio cansados. A amiga que ficou em casa com o Jack nos fez almôndegas e bateu um bolão! Tudo que queria era agarrar meu gato gordo e dormir na minha caminha. Jack estava tranquilo, aparentemente nossa catsitter o conquistou devagarzinho. Mas acontece que somos seus donos há quase doze anos e ele estava que não se aguentava de felicidade, cheio de gracinhas e denguinhos para pedir atenção.

Enfim, missão cumprida! Ótimas férias com um pouco de tudo: cidade, natureza, noite, dia, amigos, paz, comilança, exercício, cultura, diversão, música, silêncio, alarme disparado em museu…

And that’s all folks!

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Going to Going

Seguindo nossa última viagem austríaca, saímos no domingo de Viena em direção a Going. Para quem fala inglês, é um nome engraçado para uma cidade e gerou várias piadinhas e diálogos bizarros ou quase existencialistas: Where are we going? We’re going to Going! So, are we staying in Going? Are we leaving from Going?

Going é uma cidade pequeniníssima, praticamente de passagem, o que deixava seu nome, traduzido como “indo” em português, mais curioso ainda. Faz parte de um conjunto de quatro ou cinco cidadezinhas que comporta a estação de esquis Wilder Kaiser. Aliás, não era a única cidade de nome peculiar, a seguinte se chamava Ellmau, que na sonoridade seria como “O mau” em portunhol. Injusta associação, pois era onde havia o maior movimento de bares e restaurantes, além do único lugar para dançar da região.

O hotel Blattlhof foi escolhido pelo Luiz meio que às cegas por um desses websites de buscas. De maneiras que não tínhamos muita certeza do que encontraríamos pela frente. A verdade é que era um local bem simpático, aconchegante e agradável, com um atendimento para lá de gentil. Escolhemos o sistema de meia pensão, que incluía o jantar ao módico preço de 7 euros por cabeça. Pensamos que, mesmo que fosse ruim, não perderíamos tanto e valia arriscar. Gratíssima surpresa, pois era bem servido e muito gostoso. Além do que, no fim de um dia de esquis, você não quer muito assunto fora do hotel e nem havia tantas opções assim.

Não há muito o que contar sobre essa semana, na verdade, os dias eram bastante iguais, o que nesse caso era exatamente o que buscávamos. Acordávamos não tão tarde, íamos para a estação de esquis e nos dividíamos de acordo com o nível de cada um. Eu tratei de contratar um instrutor para me acompanhar e corrigir meus fundamentos. Luiz não gosta de esquiar sozinho, mas já estava acompanhado, portanto, não me preocupava. A partir das 14 horas, quando minha aula acabava, nos reuníamos para comer alguma coisa e dar uma volta pelo local. Chegávamos por volta das 18 horas no hotel, exaustos! Era o tempo de tomar um banho, descansar um pouco e descer para jantar. Nossos quartos eram ligados pela varanda e, às vezes, também tomávamos um vinhozinho e uns queijinhos antes de descer. Eles jantam e dormem cedo por lá, nas estações as noites não são tão valorizadas. Comíamos bem, tomávamos um vinhozinho e dormíamos cedo também. E o dia seguinte era praticamente igual ou muito parecido.

No nosso último dia em Going, único que não tinha aula de esquis contratada, resolvi mudar um pouco minha programação. Minhas canelas já estavam doendo das botas torturadoras de esquis e não tinha mais espaço para hematomas nas minhas pernas. Às vezes é difícil entender porque a gente faz isso de propósito e insiste em repetir! Galera, hoje a gente se separa, trouxe minhas queridas botas de trekking e vou fazer um pouco de trilha. Fazer mais do que três dias a mesma coisa começa a me incomodar. Eu gosto de esquiar, mas preciso de uns intervalos e logo tenho vontade outra vez.

Foi ótimo! Sou um animal social, amo companhia e meus amigos, mas sempre preciso de alguns momentos com meu umbigo para caminhar ou escrever e ordenar os pensamentos. Assim, quando os encontro, meu humor está muito melhor e estou até com saudades.

Uma coisa interessante é que ali descobrimos que a cidade faz parte da rota de um dos Caminhos de Santiago. Sem planejar, acabei me reunindo com parte do meu inseparável Caminho. Bom saber que ele sempre estará lá para batermos um papinho.

 

Enfim, na sexta-feira pela manhã, descansadíssimos, partimos de volta para Viena. Decidimos parar em Salzburg, para uma visitinha de algumas horas. O suficiente para conhecer a casa onde nasceu e morou Mozart, hoje é um museu, passear pelo centro da cidade à pé e almoçar. Nós quatro já estávamos um pouco saturados de tanta fritura e começamos nosso processo de “desintoxicação”. Luiz e eu comemos uma saladinha e nossos amigos uma bela sopa.

Não esticamos muito e partimos novamente para a estrada. Precisávamos chegar cedo em Viena, pois já tínhamos ingressos reservados para assistir uma ópera.

Nossos amigos se hospedaram em um NH no próprio aeroporto, pois partiriam de madrugada para Milão. Nós conseguimos uma promoção imperdível de um hotel 5 estrelas, o Hotel de France,  por um preço fenomenal bem no centro da cidade. Ficaríamos um dia a mais que eles.

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Depois eu termino de contar sobre a Áustria, agora estou ocupada! Hoje é 18 de março e fazemos 17 aninhos de casados!

Chegamos de viagem essa semana e não tinha nada em casa, de maneiras que estava com uma certa preguiça de fazer uma festa express. Mas sabe como é, já me conheço o suficiente para saber que a preguiça passaria e comecei a me organizar e esperar a inspiração bater. E claro, hoje tem festa! Meio improvisada, é que não dá para passar em branco.

Nosso casamento parte para o fim da adolescência e é preciso aproveitar os hormônios enlouquecidos e a falta de juízo. Afinal, no próximo ano ele será adulto, poderá até dirigir!

Agora deixa eu correr para a cozinha, tenho uma festa para terminar e muito o que celebrar! Depois eu conto!

PS: O reflexo no vidro não parece aquelas auréolas de anjo na cabeça do Luiz? Depois de 17 anos comigo, isso deve significar alguma coisa…

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