De volta a Viena

Pegamos novamente a estrada em direção à Viena, afinal, tínhamos entradas para uma Ópera que começava às 19:30h. Foi o tempo de chegar no hotel, deixar as malas, trocar de roupa correndo e tocar para o teatro.

A ópera era “La Sonnambula”, de Vicenzo Bellini. Dessa vez, finalmente conseguimos um bom lugar sentados e não precisamos sofrer na geral. Eu adorei a experiência! O teatro é lindíssimo e é o máximo você ter os músicos tocando ao vivo. Mas preciso confessar uma coisa, imagino que a intenção do Bellini era escrever uma obra intrigante e dramática, acontece que a história me pareceu uma grande comédia e tive que controlar o tempo inteiro a vontade infantil de dar gargalhadas.

É o seguinte, trata-se do dia do casamento da Amina com o Elvino, um casal extremamente apaixonado e exultantes de felicidade ingênua e amor puro. Ou seja, dois chatos! A vilã é a Lisa, que trabalha no hotel onde eles vão se casar e tem um olho no Elvino, ela morre de inveja da Amina e acha que ela é que devia casar-se com ele. Suas caras de despeito durante a ópera é o que há de melhor! Começa com a festa que antecipa o casamento que será no dia seguinte. Muito bem, o Elvino já chega atrasado porque parou no túmulo da mãezinha dele e chega na festa com o retrato da falecida, desejando que a Amina seja tão boa como sua mãe, que tenha todas as suas virtudes e o faça tão feliz quanto ela fez ao seu pai. Hein? Como é que é? O cidadão chega para casar dizendo que quer que você seja igual a mãe dele? Vamos combinar, um babaca, né? Mas tudo bem, a chata da Amina acha tudo lindo.

Bom, no meio da festa chega um tal de um conde, muito mais gato que o Elvino e com pinta de canastrão italiano. Ele dá um certo mole para a Amina, que se comporta como uma lady, mas o Elvino morre de ciúmes. Cá entre nós, ele bem que merecia o chifre, mas a pateta da Amina é louca por ele e é toda compreensiva pedindo que ele confie nela e no seu infinito amor.

Daí todo mundo vai dormir e só fica a Lisa e o Conde. Rola um clima entre os dois, se dá a entender que rolou alguma coisa mais até que se ouve um barulho, a Lisa se assusta, sai correndo e deixa uma meia e um sapato no quarto do conde.

O conde vai ver o que está acontecendo e resulta que a Amina é sonâmbula e aparece toda fresquinha de camisola para o canastrão do conde. Ele se sente tentado em se aproveitar da situação, mas como um cavalheiro se sente comovido porque a Amina mesmo dormindo só fala do seu casamento com o amado Elvino. Por isso ele não faz nada, só espera ela terminar de se deitar no chão, a cobre com seu casaco e vai embora. Fala sério, não rolou nem uma mãozinha boba? Duvido! Historinha para boi dormir, né? Eu acho que a Amina estava bem é se aproveitando e tirando uma casquinha do conde. Mas vá lá…

A canalha da Lisa está assistindo tudo e quando o conde termina de cobrí-la com seu casaco, corre para acordar o Elvino e todos do hotel. Quando eles chegam e encontram Amina ali, com suas roupas íntimas e coberta com o casaco do conde é aquele bafão!

O idiota do Elvino tem um ataque de piti (essa coca é fanta!), desiste de casar com a Amina e sabe o que ele faz? Substitui a noiva! Chama a Lisa para se casar no lugar dela.

A otária da Amina sofre inconformada e vai dormir! Hã? No meio desse bafafá ela vai dormir?

Durante a celebração da festa dos novos noivos, a dona da hotel, que é como uma mãe para Amina, desmascara Lisa e diz que encontrou sua meia e seu sapato no quarto do conde! Outro bafão! O imbecil do Elvino consegue ser corno duas vezes na mesma noite!

Muito bem, o conde resolve esclarecer aquela história e conta que Amina é totalmente inocente. Ilustras os convidados sobre o sonambulismo. Esses não acreditam nessa historinha (nem eu).

Mas de repente… lembram que a Amina foi dormir? Pois é, aparece a Amina sonâmbula, com o mesmo sonho idiota sobre o Elvino. Como ela o ama…. que ele é o único da sua vida… que deseja que ele seja tão feliz como ela é triste agora (blarg!)… blá blá blá… aliás, lá lá lá…

E assim, fica provada a inocência de Amina. Elvino volta a querer casar-se com ela e tudo fica resolvido!

Tudo bem, pieguices à parte, eles cantam para caramba e os  músicos são fantásticos! Assim que valeu!

Saímos de lá famintos! Mas não tínhamos nada reservado. Havíamos passado por um lugar chamado The Ring que pareceu interessante e depois de rodar daqui para lá, decidimos tentar. Outra surpresa agradabilíssima! Seu restaurante, o At Eight é comandado por um chef super jovem e promissor. Fechamos a noite com chave de ouro, destaque para o prato principal, um mar e terra, coelho com panquequinha de lagosta de correr para o abraço!

Dali nos despedimos de nossos amigos. No dia seguinte eles seguiriam para Milão e nós teríamos mais um dia na cidade.

Acordamos com calma e fomos devolver o carro. Na volta, já ficamos passeando pelo centro. Aproveitamos para visitar uma exposição de fotografias da Trude Fleischmann no Wein Museum e bater perna sem grandes compromissos.

No jantar, queria chutar o pau da barraca e conseguimos uma reserva no Imperial. O restaurante é um pouco formal e vale ir mais arrumadinha, o atendimento é bastante gentil e te deixa à vontade, aliás como de maneira geral na Áustria. Comi um tartar de caranguejo dos deuses e um chateaubriand deliciosamente mal passado.

Viagem muito bem encerrada! No domingo, nosso vôo saía pelas 15:00hs. Assim que tínhamos tempo de acordar com calma, tomar nosso café e sair devagar para o aeroporto.

No check out, minha única má lembrança da Áustria, o completo desrespeito às filas. Sério, nunca vi nada parecido, tanto na estação de esquis quanto na cidade, nunca vi tanta gente ter tão pouco respeito às filas. Nesse sentido, são mal educados pacas! Contrasta com a gentileza que se encontra de modo geral. Não se respeitam as filas nunca! Não estava afim de me aborrecer e confesso que levei um tempo para sequer acreditar em tamanha cara de pau. Mas agora que sei do que se trata, se houver uma próxima vez, estou preparada para ser grossa! Mas tudo bem, como diz uma amiga minha, respira azul Bianca!

Lá fomos nós para o aeroporto, com saco para pegar uma conexão em Milão. Na sala de espera e com as malas despachadas, descobrimos que o vôo estava atrasado e, consequentemente, seria impossível seguir na conexão prevista. Fico eu na sala de espera e sai Luiz para ver o que consegue.

Volta ele dizendo que conseguiu nos trocar de vôo, agora iríamos via Frankfurt e tínhamos que correr para embarcar em uma sala ao lado. Mas nossas malas não vão para Milão? Aparentemente, eles trocariam a bagagem de avião. Ah, tá…

Parênteses: lembram que na ida tínhamos excesso de bagagem, né? Então, na volta resolvemos trazer uma mala de mão, com 10 kg. O que costuma ser a média de peso para bagagem de cabine. Na hora de embarcar, descobrimos que não eram 10 kg e sim 8 kg, coisa que ninguém daria tanta bola, a não ser o infeliz do filho de mãe na zona que nos embarcou e resolveu nos tomar como exemplo e pesar a bolsa na hora de entrar no avião! Senhor, sua bagagem tem 2 kg a mais, precisa entregar na porta do avião para eles despacharem. Luiz ficou com aquela cara de quem ia socar o indivíduo. Eu confesso que nem achei tão ruim, me estresso mais com o Luiz que com a situação, afinal, despachamos a tal da mala sem pagar nenhum excesso. Claro que pelo caminho vínhamos pensando se alguma das nossas malas chegariam ao destino conosco!

Muito bem, as três malas que íam para Milão e foram trocadas encima da hora chegaram perfeitamente, acredite se quiser! A mala que foi despachada na porta do avião não apareceu!

Taquiupariu, outra vez! Na ida e na volta! Lá fomos nós fazer a reclamação. E encurtando o suspense, apareceu no dia seguinte e trouxeram na nossa casa. Pequeno detalhe, moramos no terceiro andar de escadas e me entregaram aqui na porta! Se soubéssemos, melhor seria haverem extraviado todas e não teríamos que fazer tanta força!

Ainda tínhamos um jantar marcado nesse dia da chegada em Madri, mas nosso amigo mudou de planos. Uma pena, mas sim que estávamos meio cansados. A amiga que ficou em casa com o Jack nos fez almôndegas e bateu um bolão! Tudo que queria era agarrar meu gato gordo e dormir na minha caminha. Jack estava tranquilo, aparentemente nossa catsitter o conquistou devagarzinho. Mas acontece que somos seus donos há quase doze anos e ele estava que não se aguentava de felicidade, cheio de gracinhas e denguinhos para pedir atenção.

Enfim, missão cumprida! Ótimas férias com um pouco de tudo: cidade, natureza, noite, dia, amigos, paz, comilança, exercício, cultura, diversão, música, silêncio, alarme disparado em museu…

And that’s all folks!

3 comentários em “De volta a Viena”

  1. Oi Bianca

    Voce sempre divertida, dei muita risada com a historia do Elvino e Amina.
    Só voce mesmo…um sarro!

    Beijos

    Marianne

  2. Oi Bianca,

    que delícia de férias! tem coisa melhor que viajar e relaxar? nããão. Ainda não conheço a Áustria, está na minha listinha de viagem.

    Bjo

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