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Archive for the ‘Limbo’ Category

Limbo

Entre o segundo e o terceiro ano vivendo em Madri, houve um precipício que não sei muito bem como definir. Na verdade, só percebi algum tempo depois que, logo após voltar do Caminho de Santiago, alguma coisa aconteceu.

 

O engraçado é que damos todos os sinais, mesmo sem a consciência deles. O exercício de registrar meus dias fez com que  não parasse de escrever, entretanto, parei de numerar as crônicas. Elas já não faziam parte daquele ciclo de vida, porque eu havia mudado.

 

Ao mesmo tempo, não me via em um novo ciclo. Não me via em canto nenhum, estava no limbo.

 

Entre dias melhores e piores, a vida me aborreceu. Pouco a pouco a pressão foi aumentando na panela, até uma explosão que me fez querer ir embora daqui. Mas daqui para onde? Onde afinal era minha casa?

 

Os textos estão postados na ordem em que foram escritos, mas não são numerados por não fazer a menor diferença. Pelo menos, na época, não fazia. Não são sequência de nada, porque não havia um objetivo claro.

 

Gradualmente, a nuvem de fumaça foi se dispersando e achei meu caminho de volta. E a partir daí, pude me reinventar, recomeçar. Não é incomum que, sem perceber, nos resgatamos ou somos resgatados. Eu já fui resgatada várias vezes, por pessoas e por situações. Quem sabe, talvez até tenha tido o privilégio de salvar alguém.

 

Mas nesse momento, importa saber que, mesmo a renegando por sete vezes, a arte salvou minha vida pela segunda vez. Um dia, quem sabe, possa parar de fugir dela.

 

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De volta na ilha

Cheguei em Santiago dia 06 de junho, e em Madri, dia 08, pouco antes do previsto.

 

Como foi o Caminho? A pergunta que não quer calar e que ainda tenho extrema dificuldade em responder, pois como poderia resumir uma experiência de vida em dois minutos? Foi bom e ruim, fácil e difícil… foi um pouco de tudo.

 

E a grande conclusão? Não encontrei quem queria ser, mas quem sou de verdade e isso pode até soar poético, mas é foda. Outra vez, não é bom nem mau, só difícil de entender. É o que ando fazendo por esses dias, tentando absorver todas essas informações e, principalmente, o que fazer com elas.

 

Tenho escrito sobre isso, já escrevi bastante e ainda falta muito. A medida que vou colocando as idéias em palavras, vou me sentindo melhor. Mas resolvi que aqui não é o espaço para elas, é uma quebra forte, um mundo à parte, pelo menos foi para mim. Portanto, vou abrir outro blog para contar toda a história, o que exige algumas questões técnicas e tempo. (Desvios do Caminho)

 

Adianto que estou bem fisicamente, os pés ainda incham um pouco, mas as bolhas curaram. Continuo caminhando todo dia, uma distância mais razoável, claro, entretanto, é a única maneira de melhorar de vez. Meu corpo mudou, não só pelos dias no Caminho, acredito que por todo treinamento também. Estou bem forte, a postura das costas está mais ereta, e tenho músculos novos. Não emagreci, a dieta de Santiago não foi eficiente nesse sentido, mas não tive vontade de emagrecer, era como se precisasse de toda energia. E sim, a bunda fica mais dura, alguma coisa de bom precisava levar, né?

 

A chegada em Santiago e a volta para casa foram o mais difícil, fiquei confusa. Luiz foi me buscar, felizmente, e aturou meu silêncio inevitável pelo caminho. Quando cheguei, vi que meus gerânios não só estavam vivos, mas haviam explodido em flores. Meu gato estava numa carência só, não fez o doce que imaginei que faria. E havia um montão de mensagens bonitinhas no blog, nos e-mails e por telefone, de gente torcendo pela viagem ou curiosos com o que havia acontecido. Tudo isso junto ajudou muito a voltar para casa e por os pés no chão, a retornar ao mundo real.

 

No mesmo dia em que cheguei, saímos para jantar com uma grande amiga e outro casal de novos amigos. Estava cansada, mas também já era hora de fazer minha parte e seguir adiante. Fomos ao Trifón, precisava de algo familiar. É comum quando a gente chega de alguma viagem passar lá para ver se o mundo ainda está no mesmo lugar. Era um dia de casa lotada, final de touradas, que detesto, mas enfim, onde os restaurantes e bares nos arredores ficam impraticáveis. De alguma coisa serve o prestígio, pois por frequentar tão regularmente o local, nos arranjaram lugar em cima da hora, no meio do olho do furacão.

 

Foi ótimo e o papo esticou até nossa casa. Até teria me distraído da história do Caminho, caso meus pés não parecessem duas bolas de futebol! Tomar vinho não deve ter ajudado muito, paciência, incha mais os pés, mas distrai. Aliás, me senti na própria expressão “pé inchado”!

 

No dia seguinte, churrasco na casa de outro casal de amigos que gostamos muito. Ficavam de farra comigo, me chamando de iluminada ou santa Bianca. Sei, sei… só se for la santa del palo vacío, vulgo, a santa do pau oco!

 

A parte boa é que Luiz, com toda essa história e apesar dela, se animou a fazer caminhadas. E a próxima faremos juntos. Claro que haverá próxima, devo ser masoquista! Dalí saímos para tentar comprar uns sapatos de caminhada para ele também. Ainda não achamos o mais adequado. Na minha opinião, o equipamento mais importante de todos são os sapatos.

 

No domingo, ele já foi caminhar comigo no Retiro, tem bom ritmo, vai ser legal fazer trilha com ele. Eu mesma, estava um pouco lenta, ainda me recuperava de uma bolha chatinha no pé esquerdo. E não me sinto mais um bicho raro vestida de andarilha, na verdade, fico até bem confortável.

 

Aliás, na segunda, fui encontrar uns amigos em um bar e lá fui com a tal bota de trekking. Não tinha muita escolha, preciso continuar andando para desinchar e o único sapato que entra são as botas! E que engraçado como as distâncias agora são tão pequenas.

 

Na terça, almocei com outra amiga no centro da cidade. Claro, fui caminhando e com as botas outra vez. Ou seja, fui de Lara Croft a Forrest Gump. ¡Joder!

 

… sim, eu estou tão cansado, mas não pra dizer, que não acredito mais em você. As minhas calças vermelhas, meu casaco de general, cheio de anéis… eu vou descendo por todas as ruas… eu vou tomar aquele velho navio, vou tomar aquele velho navio, aquele velho navio…eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus, e não me importa…

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E la nave va

… os pés, continuam inchados… mas os meus cabelos… quanta diferença!

 

Passada uma semana que voltei de viagem, finalmente, a vida parece prosseguir. A gente se prepara muito para a ida, e não pensa que a volta também exige preparação, ou pelo menos, uma maneira de lidar com a situação. É como uma volta de férias, por exemplo, é normal bater um pouco de depressão, cansaço, aquela sensação de mas já acabou? Ou quando a gente muda de casa, que não consegue achar nada em lugar nenhum e tudo parece meio sujo. Enfim, multiplique por algumas centenas e é como a gente volta do Caminho de Santiago. Não dá para aterrizar de uma vez só. Falo por mim, deve ter gente que consegue fazer isso com maior naturalidade, para mim foi complicado. Intenso.

 

Mas uma hora seu pé entra em algum sapato que não sejam as botas de trekking e você lembra que existe outra vida. É como se o corpo também se adaptasse junto com a cabeça. Tudo volta devagar. Tenho um dedinho do pé que ainda está meio bobo, chegou mortinho. As bolhas curaram e, pela primeira vez, tenho calos nos pés. O curioso é que não achei ruim, pior, gostei. Meu pé sempre foi muito frágil e sensível, mesmo quando criança que andava descalça, sempre foi um ponto fraco. Agora é um ponto de atenção, mas não me sinto fraca em canto nenhum e gosto dessa sensação.

 

Já consigo contar algumas histórias para os amigos que me perguntam. Não que seja nada excepcional, é só porque é difícil passar pelo filtro da boca. O que foi importante não foram os fatos em si, mas as sensações, as experiências que eles proporcionaram em determinado momento. E traduzir isso em palavras tem me custado, parece diminuir o volume.

 

Felizmente, tenho andado com a agenda cheia. Apareceu um monte de gente legal me chamando para encontrar. Para falar a verdade, me dava vontade de ficar escondida embaixo da mesa. Mas não deixei nenhum compromisso de lado, fui a todos. Sabia que depois que saísse de casa me sentiria melhor. E assim foi. O papo animava, boas risadas e pouco a pouco vou recuperando a capacidade de ser irônica comigo mesma. Que bom ter amigos!

 

Um amigo me sinalizou uma possibilidade de exposição, muito precoce, nada garantido. Mas me animou. Senti vontade de correr atrás e ouvir isso agora, me soou como bom presságio. Automaticamente, algumas idéias começaram a navegar pela cabeça, me fez bem.

 

Fui a um encontro de brasileiras muito divertidas, não é a primeira vez que nos reunimos. Sempre achei que esse negócio de fazer um grupo só de brasileiros não era boa idéia. Não pela nacionalidade, não preciso negar nada a essa altura do campeonato, era porque pareceria que nos juntávamos num gueto ou algo assim. Mas por algum motivo, esse grupo não me parece isso, até porque não é. Muitas são casadas com espanhóis ou tem filhos que nasceram aqui, não nos reunimos para nos isolar ou reclamar da vida, é mais leve. Às vezes é muito bom contar uma piada que sabemos que será entendida, porque compartilhamos o mesmo senso de humor. É bom falar besteira para alguém que não precisa ficar relativizando para respeitar diferenças culturais. Também é bom conversar sobre temas mais sérios, sem ter que refazer toda a frase na sua cabeça, porque o idioma tem outra lógica. E o melhor, quando encontro com elas, não penso nisso tudo, acontece naturalmente.

 

Falei com amigas por telefone. Sou ruim de telefonar, sempre prefiro escrever. Mas elas me ligaram e foi bom conversar. Tudo ao redor parecia me chamar para voltar à casa, me sacodia dizendo, acorda! Tem muita coisa para fazer!

 

Então tá, fizemos o que somos especialistas, uma festa. Festa é exagero, foi uma reunião de casais que são amigos entre si. Tudo começou quando passamos na semana anterior na casa de um desses casais, ela havia me ensinado a receita para fazer kibe e me deu o tal do trigo que é muito difícil achar em Madri. Pois bem, mais do que justo, combinei com eles de fazer o kibe no fim de semana e eles provariam se havia aprendido direito. Mas uma coisa puxa a outra, tem outro casal de amigos que mora perto deles, trabalham juntos. Outro casal que conheceu esse segundo casal há anos atrás, ainda no Brasil, e descobrimos que, por absoluta coincidência, éramos todos amigos aqui. E mais um casal que sempre saímos juntos e também conhecia esse grupo. Muito bem, chega, né? A vontade era de convidar mais gente, tenho essa dificuldade, a escolha de Sofia, sempre quero chamar todo mundo, mas nesse dia queria fazer algo onde as pessoas pudessem sentar e estava no limite de cadeiras. No fim das contas, cada um trouxe alguma coisa e foi bem divertido.

 

Luiz havia ido a Israel essa semana e lá comprou um par de botas de trekking enfurecidas para ele também. Está decidido a fazer as caminhadas comigo, acho que dessa vez é sério. Na festa, outro amigo queria fazer as trilhas do Mont Blanc e do Aconcagua. Não é que me animei? Acho que andei perdendo alguns parafusos pelo caminho… Mas uma coisa de cada vez e nós começaremos menos ambiciosos, depois, quem sabe. O plano A é fazer uma caminhada mais larga em setembro, uns dez dias.

 

Sexta-feira que vem, viajaremos a Valencia para assistir ao America’s Cup. Não entendo nada a respeito, mas a idéia de estar próxima ao mar me empolgou. Vamos com um casal de amigos e ainda não sei se levamos ou não o Jack.

 

A semana promete ser corrida, do jeitinho que gosto!

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… e deu Real Madrid

Ontem foi final de campeonato e venceu o Real Madrid.

 

Que não me peçam detalhes futebolísticos, afinal de contas, continuo o esteriótipo de mulher acompanhando esportes. Só para dar uma idéia, achei que a competição que assistiremos em Valencia,  America’s Cup, deveria ser alguma partida de futebol ou, no máximo, tênis! De mais a mais, que raios o America’s está fazendo na Europa? Esse povo fica me confundindo! Que mania de invadir todo mundo!

 

Mas voltando ao assunto, tem uma coisa que adoro em futebol, é a torcida. Acho o máximo aquela bagunça de comemorações. Sem violência, claro. Gosto dos gritos de guerra, das coreografias, das fantasias… todo mundo solta a franga! É libertador!

 

Ontem, Madri me lembrou o Rio de Janeiro. São Paulo é assim em alguns bairros, mas é mais espalhado e nunca assistia a mesma farra dos jogos de futebol que participava no Rio. Leia-se, os jogos que envolviam o Flamengo, ou teria alguma outra hipótese de time carioca?

 

O goooooool, ecoava pela rua, você não precisava ligar a televisão para saber o placar. Todo mundo ia comemorar na janela e gritava ao mesmo tempo. Pois ontem, no bairro onde moro, estava assim. E a cada grito na janela, lá ia o Luiz desesperado trocar de canal para saber a quantas andava, a propósito, ele é Barça.

 

Para falar a verdade, apesar de ter escolhido o Real Madrid como segundo time, só para ficar de farra, não estava ligando muito para aquela história, nem tinha paciência de assistir a partida. Mas quando começou aquela gritaria, buzinas, ruídos, sei lá, me soou familiar e fui para janela.

 

Uma galera caminhando na rua em direção à Plaza Cibeles, é lá que eles comemoram. Bom, eles vão para Cibeles porque não tem o Clipper, né? Fazer o que? Até que me deu vontade de participar, mas fui devidamente ignorada em casa. Tudo bem, não é o Flamengo mesmo.

 

Posso dizer o seguinte, torcedores, pelo menos os latinos, são todos iguais!

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America’s Cup

Fim de semana passado fomos a Valência, assistir a primeira regata do America’s Cup. Explico um pouco para quem não sabe do que se trata, até porque eu mesma também não sabia. É o torneio mais famoso e prestigiado na área, em outras palavras, uma mistura de copa do mundo do futebol com corrida de fórmula um, só que de barcos à vela. Também acontece de quatro em quatro anos.

 

Funciona da seguinte maneira, o último vencedor do America’s Cup fica esperando quem ganha a Copa Louis Vuitton e esses dois vencedores competem. Sempre o último vencedor do America’s Cup escolhe em qual o porto será a próxima competição, normalmente em seu país. Nesse caso, os vencedores da America’s Cup passada eram suíços, equipe Alinghi, que por motivos óbvios, precisavam optar por algum país onde houvesse mar. Elegeram o porto de Valência, o que fez a Espanha torcer em peso por eles. Os vencedores da Copa Louis Vuitton são da Nova Zelândia.

 

Muito bem, a equipe Alinghi bate nove pegas com a equipe New Zeland e o primeiro que ganhar cinco, vence o torneio. Nós fomos assistir a primeira dessas regatas.

 

A dúvida inicial era para quem iria torcer, principalmente considerando minha longa trajetória e conhecimento do tema. Então, optei por motivos bem racionais, New Zeland fala inglês, tenho amigos morando na Suíça, suíços costumam ser gente boa… resolvi torcer para o Alinghi.

 

Fomos Luiz, eu e um casal de amigos, nós compramos ingressos para assistir o peguinha náutico em alto mar. Não sabia muito bem como isso funcionaria, mas me parecia uma experiência muito diferente.

 

Sinceramente, nunca vi tantos barcos juntos! Juro que havia engarrafamento de iate! Nós fomos em um barco comercial mesmo, mas de acordo com o tamanho e animação dos iates que passavam ao nosso lado, ficávamos de farra escolhendo com quem deveríamos fazer amizade. Aliás, não sei como não batiam.

 

Tinha um probleminha, considerando que era uma regata, até lembrei do fato de que deveria haver bastante vento, mas nem me toquei do quanto o barco em que estava poderia balançar. E juro que havia momentos em que precisava me segurar como se estivesse sobre um touro de rodeio. Não cheguei a passar mal, mas fiquei meio mareada umas duas vezes. Algumas pessoas não se sentiram bem, entre elas, duas mulheres que não levantaram a cabeça por toda viagem. Os maridos solidários, sentados ao lado, com aquela cara de felicidade. Deveriam estar exultantes em pagar caro para ver as esposas enjoarem no mar.

 

Enfim, para ser muito franca, não conseguia entender bem quem estava ganhando a regata, mas achei aquela confusão muito interessante, me deu até vontade de saber velejar. Em boa parte do trajeto me distraí com a cor de água que deve ter sido a originária do nome azul marinho. Muito bonito.

 

A propósito, venceu Alinghi.

 

Depois da regata, ficamos por ali mesmo em uma terraza muito agradável. A estrutura para o evento foi bem montada e tudo me parecia funcionar. Quando resolvemos voltar para o hotel, era mais de dez da noite e estávamos todos exaustos. Sol cansa.

 

E para quem se interessou pelo assunto, até a última vez que acompanhei, as duas equipes estavam empatadas. O website para conferir os resultados é www.americascup.co.nz

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Verano

E o verão chegou de vez! Entrou de pé na porta.

 

Ainda está bem agradável e esses dias super claros dão vontade da gente sair e fazer as coisas. Anoitece quase onze da noite e ainda por cima a lua está cheíssima, fica com jeito de fim de tarde. É verdade que na hora clássica da siesta, adotei totalmente o costume local e não ponho nem meu nariz na rua. Já substituí o hidratante por protetor solar, indispensável.

 

Melhor aproveitar agora porque quando entra agosto, é de matar. Além de tudo, a cidade se esvazia. Ano passado, julho foi mais quente, mas é só porque anda essa bagunça metereológica. Não se sabe como será esse ano, mas na semana que vem a temperatura promete chegar aos 35 graus em Madri.

 

A parte boa é que, junto com o verão, entrou também a fase das “rebajas”, ou liquidações. Nessas promoções, quase tudo é vendido abaixo de 50% do preço e as lojas ficam mais cheias que no Natal. E é claro que também vou nessa!

 

Uma coisa engraçada, eles sempre elegem uma música que é o tema de verão. Acho que também tem algo assim no Brasil, mas aqui é realmente levado a sério. As pessoas esperam para saber qual é a música do verão daquele ano. Lógico que é sempre alguma meio cafona e intensa, como quase toda música latina, mas costuma ser divertido e dançante. A desse ano se chama “La Magdalena”, é até bem animada, mas quando você presta um pouco mais de atenção na letra, lá vem aquela coisa dramática.

 

Enfim, esse fim de semana, além de uma overdose da série House, saímos para dançar. Passamos antes na casa de uns amigos que tem uma terraza ótima e ali jantamos ao ar livre. Na sequência, passamos em um bar cubano e no El Junco, que estava surpreendentemente vazio. Talvez ainda fosse cedo para encher os lugares, porque a rua estava lotada de gente. Foi dia de parada gay e movimentou a cidade toda. Acho que o pessoal ainda estava na hora do soninho da beleza antes de voltar para a balada.

 

Óbvio que fizemos tudo caminhando. Luiz resistiu um pouco a princípio, mas acabou por me acompanhar e, quando saímos do El Junco, até as amigas se animaram a ir a pé para a próxima parada.

 

Bom, tentamos o La Bodeguita del Medio, que inclusive foi o primeiro lugar onde saí para dançar em Madri, logo que nos mudamos. Estava bem animado e com todas as músicas espanholas que a gente se acaba de dançar e de rir. A propósito, advinha que música estava bombando?

 

 

La Magdalena (Quijano)

Llevas dos semanas
encerrada en casa
sin salir de la cama
ya no tienes ni lágrimas
no paras de llorar
no comes, ni hablas
ni te vistes, ni te lavas
todo es una lástima

Lo que sobran son hombres
como ése y mejores
ése era un gandul
que problema vas a tener tú
déjate de decir
que no quieres vivir
que le quieres a él
pero él no te quiere a tí

Y hazme caso que no…
no no no no no vale la pena
llorar como una magda magdalena
por culpa de ese hombre culpable
seguro que no va a valer la pena
todos son iguales
prometen haz de ramos, los rosales
ellos nunca salen
pero siempre tienen penas quincenales
no hay ni uno sólo
ni uno sólo sólo que no falle
si no es por una cosa es por otra
pero siempre falla algún detalle
si no es por una cosa es por otra
pero siempre falla algún detalle

Tienes que olvidarte
distraerte, salír, cuidarte
tu bendito mal lo cura el tiempo
y ahora mismo tu estás ciega
cada noche te envenenas
yo sé bien lo que se siente
y no te miento
lo curioso de estas cosas
esque luego te das cuenta
de que que es cierto
lo que cuentan
que una mancha limpia a otra
que otros peces y mejores
en el mar….
siempre se encuentran..

Y hazme caso que no…
no no no no no vale la pena
llorar como una magda magdalena…

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Meu pé esquerdo

Consegui quebrar um dedinho do pé esquerdo. Pior, nem foi fazendo nada radical ou interessante, foi uma porcaria de tampa de panela que despencou em cima dele, ou seja, nada mais doméstico!

 

Não se engessa dedo de pé, a única coisa que resta a fazer é imobilizá-lo o melhor possível e ficar de molho. Portanto, nem me dei ao trabalho de mofar em uma emergência de hospital para um médico me atender de má vontade e receitar uma aspirina! Não preciso de ajuda para alimentar minha mala leche.

 

O curioso, e nem um pouco legal, é que finalmente meus pés pareciam curados. Até meu dedinho do pé direito ressucitou! Havia quase um mês que ele estava meio dormente. Além do mais, agora que todo mundo sabe que gosto de caminhar, tem me surgido mais companhia e virei a andarilha de plantão! O que na verdade bem que gosto.

 

Pois bem, no dia do pseudo acidente Luiz estava viajando e uma amiga acabou dormindo por aqui, com a promessa de caminharmos no dia seguinte de manhã. Na hora de por a louça na máquina, a merda da tampa caiu no meu dedo. Foi bem dolorido, mas não achei que fosse muito mais longe que isso, minha tolerância a dor, principalmente nos pés, melhorou muito. Fomos dormir e no dia seguinte o dedo parecia uma bolinha avermelhada e uma parte um pouco roxa. Fui falar com ela, olha, acho que quebrei o dedo. Será que dá para andar assim? Felizmente, ela tem mais bom senso que eu e achou que poderia até aguentar a dor, mas que provavelmente fosse andar toda torta e acabaria por machucar outra coisa. Paciência.

 

No mesmo dia, outra amiga ligou me chamando para caminhar em um parque perto da casa dela. Lá fui eu explicar a saga do dedinho…

 

Fazer o que? Terminei de assistir a segunda temporada de House, meu mais novo vício e acho que vou procurar uma bengala igual a dele para fazer charme. Tive uma idéia, acho que vou usar meu stick de caminhada, o mesmo que usei no Caminho de Santiago.

 

Espero melhorar em breve porque temos viagem de férias marcada para o fim da semana que vem. Vamos até Amsterdam de carro e voltamos parando pelo caminho. Nesse caso, a idéia da bengala já não parece tão charmosa.

 

Fora que ficar internada em casa em pleno verão é de matar!

 

Ai, ai… lá vou eu brincar de estátua.

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