Meu amigo com nome de constelação

Há alguns anos atrás, conheci uma pessoa que se tornaria uma amiga muito querida. Todos amigos são especiais, cada um com suas próprias características. Essa amiga, pela idade, poderia ser minha mãe, mas nunca a tratei assim. Ela sempre foi uma grande amiga. Através dela, conheci aos poucos toda a família, da qual com o tempo, me senti parte e sinto saudades.

 

Um dia, conheci seu marido, com quem dividia também uma característica especial, que por falta de melhor definição, chamo de gula. O prazer de comer bem e de se emocionar com a comida. Saíamos muito para jantar, em dois casais, e era um super programa para mim. Na mesa, nossas diferenças se tornavam irrelevantes e o assunto nunca faltava. Experimentei novos sabores e desfrutei de alguns conhecidos, e por estar entre iguais, nunca fiz nenhum esforço em disfarçar o prazer que a comida me traz. Nem ele disfarçava a satisfação de ver alguém que se empolgasse tanto por um prato. Era o meu amigo de gula.

 

Meu amigo adoeceu, teve uma doença degenerativa. E o cruelmente irônico dessa história é que foi perdendo a capacidade de comer. Entre meus pesadelos sempre esteve o medo de não poder mais comer de tudo. Portanto, entendo perfeitamente o quanto isso deva tê-lo afetado. Mesmo assim, lutou bastante e teve ao lado uma heroína com a força que espero nunca precisar.

 

Hoje aqui em casa tem banquete, com o melhor vinho que tiver.

 

Meu amigo de gula, fique em paz.

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