Sete vidas

Ando em uma fase meio pensativa, talvez tenha sido em função da caminhada, mas é possível que a história tenha sido o inverso.

 

Alguns projetos estão aparecendo e para tudo digo sim, alguma coisa tem que funcionar. Pareço uma metralhadora giratória. Não é o normal, porque apesar de não gostar de dispensar oportunidades, tenho o costume de focar esforços. Escolher um objetivo e me concentrar nele. Mas ultimamente, não sei porque, uma vida só parece que ficou pequena.

 

Há um filme que acho muito bonito, O Príncipe das Marés. Sempre me arrepio bem no final, quando o Nick Nolte sentado se pergunta: por que um homem, ou uma mulher, não poderia ter duas vidas? Ele se refere a dois amores, o que não é meu caso. Mas gosto de ampliar o conceito e me pergunto por que tentamos ser tão coerentes? Fazer uma coisa de cada vez.

 

Por que somos adestrados a ter uma qualidade forte e minimizar as outras? Em que momento viramos empresas? A tendência é sempre colocar o disco rodando na mesma música, até sabê-la de cor. Por que não aprendemos outro idioma ou um instrumento musical? Por que não praticamos um esporte diferente? Nem a desculpa a gente muda, costuma ser a clássica falta de tempo.

 

Tempo é importante, recursos também e não vou entrar no mérito, por exemplo, do caso de uma mãe profissional, que administra carreira, casamento, filhos etc. Há o grande executivo que trabalha 14 horas por dia, e também o pedreiro que queria tocar violino. Não estou falando de esforço sobre humano, nem de super heróis. Mas acho que às vezes, a gente se concentra no que sabe simplesmente para não correr o risco de errar.

 

Tenho corrido alguns riscos e pago as consequências. Ainda não me arrependi, mas precisei mudar.

 

Falo de uma atitude, e me ponho na berlinda. Eu sempre achei que concentrando esforços ganhava força, e é verdade. Cresço mais rápido. O problema é que não houve uma vez em que tivesse chegado rápido aonde quisesse e não olhasse para o lado decepcionada: mas era aqui? E o problema não é chegar cedo, mas o fato de que nossos finais são muito parecidos, desde que o mundo é mundo. Portanto, já que o final é previsível, por que não aproveitar mais o durante?

 

A boa e velha metáfora que o importante não é a chegada, mas o caminho. Mas ainda não havia me ocorrido o que era exatamente aproveitar esse caminho. Não havia percebido que a felicidade existe em grande parte dentro dos momentos de alívio. E daí a grande ironia da situação, o principal momento de alívio no fim da vida é a morte. Como consequência, no que parece ser uma incoerência tão grande que nos enganamos, quanto mais felizes somos, mais próximos da morte estamos. É possivel que por isso nos faça falta a fé. O grande amuleto que nos salvaria justo no final.

 

Mas não quero parecer mórbida, ainda quero ser feliz e não tenho um pingo de vontade de morrer agora. Se tiver que ser, aviso e registro que é contra vontade! Nesse momento, o que gostaria mesmo é de multiplicar possibilidades, mesmo correndo o risco de enfraquecê-las individualmente. Acho que queria ter muitas vidas.

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