Limbo

Entre o segundo e o terceiro ano vivendo em Madri, houve um precipício que não sei muito bem como definir. Na verdade, só percebi algum tempo depois que, logo após voltar do Caminho de Santiago, alguma coisa aconteceu.

 

O engraçado é que damos todos os sinais, mesmo sem a consciência deles. O exercício de registrar meus dias fez com que  não parasse de escrever, entretanto, parei de numerar as crônicas. Elas já não faziam parte daquele ciclo de vida, porque eu havia mudado.

 

Ao mesmo tempo, não me via em um novo ciclo. Não me via em canto nenhum, estava no limbo.

 

Entre dias melhores e piores, a vida me aborreceu. Pouco a pouco a pressão foi aumentando na panela, até uma explosão que me fez querer ir embora daqui. Mas daqui para onde? Onde afinal era minha casa?

 

Os textos estão postados na ordem em que foram escritos, mas não são numerados por não fazer a menor diferença. Pelo menos, na época, não fazia. Não são sequência de nada, porque não havia um objetivo claro.

 

Gradualmente, a nuvem de fumaça foi se dispersando e achei meu caminho de volta. E a partir daí, pude me reinventar, recomeçar. Não é incomum que, sem perceber, nos resgatamos ou somos resgatados. Eu já fui resgatada várias vezes, por pessoas e por situações. Quem sabe, talvez até tenha tido o privilégio de salvar alguém.

 

Mas nesse momento, importa saber que, mesmo a renegando por sete vezes, a arte salvou minha vida pela segunda vez. Um dia, quem sabe, possa parar de fugir dela.

 

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