De volta na ilha

Cheguei em Santiago dia 06 de junho, e em Madri, dia 08, pouco antes do previsto.

 

Como foi o Caminho? A pergunta que não quer calar e que ainda tenho extrema dificuldade em responder, pois como poderia resumir uma experiência de vida em dois minutos? Foi bom e ruim, fácil e difícil… foi um pouco de tudo.

 

E a grande conclusão? Não encontrei quem queria ser, mas quem sou de verdade e isso pode até soar poético, mas é foda. Outra vez, não é bom nem mau, só difícil de entender. É o que ando fazendo por esses dias, tentando absorver todas essas informações e, principalmente, o que fazer com elas.

 

Tenho escrito sobre isso, já escrevi bastante e ainda falta muito. A medida que vou colocando as idéias em palavras, vou me sentindo melhor. Mas resolvi que aqui não é o espaço para elas, é uma quebra forte, um mundo à parte, pelo menos foi para mim. Portanto, vou abrir outro blog para contar toda a história, o que exige algumas questões técnicas e tempo. (Desvios do Caminho)

 

Adianto que estou bem fisicamente, os pés ainda incham um pouco, mas as bolhas curaram. Continuo caminhando todo dia, uma distância mais razoável, claro, entretanto, é a única maneira de melhorar de vez. Meu corpo mudou, não só pelos dias no Caminho, acredito que por todo treinamento também. Estou bem forte, a postura das costas está mais ereta, e tenho músculos novos. Não emagreci, a dieta de Santiago não foi eficiente nesse sentido, mas não tive vontade de emagrecer, era como se precisasse de toda energia. E sim, a bunda fica mais dura, alguma coisa de bom precisava levar, né?

 

A chegada em Santiago e a volta para casa foram o mais difícil, fiquei confusa. Luiz foi me buscar, felizmente, e aturou meu silêncio inevitável pelo caminho. Quando cheguei, vi que meus gerânios não só estavam vivos, mas haviam explodido em flores. Meu gato estava numa carência só, não fez o doce que imaginei que faria. E havia um montão de mensagens bonitinhas no blog, nos e-mails e por telefone, de gente torcendo pela viagem ou curiosos com o que havia acontecido. Tudo isso junto ajudou muito a voltar para casa e por os pés no chão, a retornar ao mundo real.

 

No mesmo dia em que cheguei, saímos para jantar com uma grande amiga e outro casal de novos amigos. Estava cansada, mas também já era hora de fazer minha parte e seguir adiante. Fomos ao Trifón, precisava de algo familiar. É comum quando a gente chega de alguma viagem passar lá para ver se o mundo ainda está no mesmo lugar. Era um dia de casa lotada, final de touradas, que detesto, mas enfim, onde os restaurantes e bares nos arredores ficam impraticáveis. De alguma coisa serve o prestígio, pois por frequentar tão regularmente o local, nos arranjaram lugar em cima da hora, no meio do olho do furacão.

 

Foi ótimo e o papo esticou até nossa casa. Até teria me distraído da história do Caminho, caso meus pés não parecessem duas bolas de futebol! Tomar vinho não deve ter ajudado muito, paciência, incha mais os pés, mas distrai. Aliás, me senti na própria expressão “pé inchado”!

 

No dia seguinte, churrasco na casa de outro casal de amigos que gostamos muito. Ficavam de farra comigo, me chamando de iluminada ou santa Bianca. Sei, sei… só se for la santa del palo vacío, vulgo, a santa do pau oco!

 

A parte boa é que Luiz, com toda essa história e apesar dela, se animou a fazer caminhadas. E a próxima faremos juntos. Claro que haverá próxima, devo ser masoquista! Dalí saímos para tentar comprar uns sapatos de caminhada para ele também. Ainda não achamos o mais adequado. Na minha opinião, o equipamento mais importante de todos são os sapatos.

 

No domingo, ele já foi caminhar comigo no Retiro, tem bom ritmo, vai ser legal fazer trilha com ele. Eu mesma, estava um pouco lenta, ainda me recuperava de uma bolha chatinha no pé esquerdo. E não me sinto mais um bicho raro vestida de andarilha, na verdade, fico até bem confortável.

 

Aliás, na segunda, fui encontrar uns amigos em um bar e lá fui com a tal bota de trekking. Não tinha muita escolha, preciso continuar andando para desinchar e o único sapato que entra são as botas! E que engraçado como as distâncias agora são tão pequenas.

 

Na terça, almocei com outra amiga no centro da cidade. Claro, fui caminhando e com as botas outra vez. Ou seja, fui de Lara Croft a Forrest Gump. ¡Joder!

 

… sim, eu estou tão cansado, mas não pra dizer, que não acredito mais em você. As minhas calças vermelhas, meu casaco de general, cheio de anéis… eu vou descendo por todas as ruas… eu vou tomar aquele velho navio, vou tomar aquele velho navio, aquele velho navio…eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus, e não me importa…

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