Os bastidores da tradicional feijoada do Luiz 2007

Meu digníssimo marido faz parte daquele time que não é muito chegado a comemorar aniversário. Mas ano passado fizemos uma feijoada que ele gostou, talvez até porque tirasse um pouco a cara e a carga de uma festa de aniversário.

 

O importante é que em 2006 saiu da boca dele o comentário que deveríamos instituir o dia anual da feijoada aqui em casa. E eu tinha muitas testemunhas que ouviram! Até no blog estava registrado. Pois muito bem, esse ano, por que não? Vamos fazer a feijoada do Luiz! Sábado, que é o dia dela.

 

Ele demorou um pouquinho, mas logo se animou com a idéia. Óbviamente, quando convidou as pessoas não disse que era seu aniversário. Mas não tem problema, porque alguns amigos lembravam e para o resto eu dedurei.

 

Infelizmente, é uma eterna escolha de Sofia e aqui não cabe todo mundo que queremos convidar. No total, fomos em vinte pessoas e duas nenéns, o limite estrapolado para um almoço em casa.

 

Os ingredientes principais chegaram de contrabando pelas mãos de um amigo. Meu pai havia me mandado uma mala de pertences e dessa vez ele caprichou! Uma carne seca alta e magra, costelinha defumada de ajoelhar, linguicinha enfurecida e o paio que não tem como ser ruim. Havia até um pé-de-porco, que coloco para dar gosto, mas tiro antes para não impressionar os convidados. Convém lembrar que nada disso existe aqui, o que faz a brasileirada, eu incluída, delirar quando encontra.

 

Aqui não tem a couve, mas a gente dá um jeito. Existe uma verdura galega similar, chamada “berza”, que é a opção mais próxima. Infelizmente, não era época. Daí tem a segunda opção que é a folha da acelga, também funciona bem. Comprei uma braçada de folhas, que picadinhas em tiras finas e refogadas com torresmo e alho, não decepcionam em nada.

 

Luiz teve a idéia de fazer uma camiseta da feijuca, como se fosse um abadá. O problema é que foi meio em cima da hora e achar alguém que executasse esse plano a tempo não foi simples. Mas como sempre, no fim deu certo.

 

Levo quase uma semana, preparando tudo e fazendo as compras. Assim não fica muito pesado e no dia da festa estou tranquila para aproveitar também. De qualquer forma, o dia anterior é sempre o que há mais trabalho.

 

Enfim, como a lei de Murphy é infalível, na sexta-feira levantei de uma noite infernal e uma ligeira intoxicação alimentar. Luiz, por sorte, teve na quinta, não sei que raios a gente comeu durante a semana, mas foi poderoso. Resultado, um dia antes, com todo mundo convidado, as carnes desalgadas e uma feijoadinha para umas 20 pessoas a ser preparada, acordo eu vendo o mundo girar e sem poder nem pensar em comer nada que enjoava! Ca-ra-ca! Alguém me diz que isso não está acontecendo…

 

Enrolei o que pude na cama, com aquela esperança remota de que na hora em que levantasse estaria boa. Quando vi que não ia acontecer e que não tinha jeito, instalei minha maca no sofá da sala, perto da cozinha e ficava variando entre o fogão e uma deitadinha. Liguei para o Luiz explicando o drama, ele conseguiu vir trabalhar de casa.

 

Foi a sorte, porque assim pôde me ajudar bastante. Bom, digo que foi a minha sorte, não sei se foi a dele, porque precisava picar uma tonelada de cebola e alho, amassar batata, enrolar bolinhos e trocar alguns móveis de posição. O feijão, fiz à moda antiga, sem panela de pressão. Cozinhando devagar, cada carne a seu tempo. Só não podia provar o sal, na verdade, não podia provar nada. Luiz provava para mim. Fora a preocupação em passar as boas energias para a comida, porque cozinha tem lá suas bruxarias. É terminantemente proibido se cozinhar de má vontade!

 

Fui dormir exausta! Nem tanto pelo trabalho, é que estava meio ruim ainda. Acho que o maior desespero era o medo de acordar mal no dia seguinte e não poder comer a bendita feijoada! Tomei anti-alérgico, anti-ácido, melatonina, aspirina e apaguei a noite toda. Uma boa noite de sono é um santo remédio! No sábado, acordei com todo gás e o principal, sem um pingo de enjôo. Uma ova que não ia comer da feijoada!

 

Por volta dàs 14:30 horas, começaram a chegar os convidados. Todo mundo entrou na brincadeira e vestiu a camiseta. Ficamos de farra dizendo que estávamos criando o vício e que no próximo ano o abadá seria vendido. No que mais do que depressa, uma amiga respondeu, mas o abadá tem que valer para quatro dias…

 

Como entrada, servimos um vinagrete com pão fresco e torradinha, bolinho de bacalhau, linguiça fina defumada e carne seca acebolada desfiadinha. Farofa de acompanhamento, para quem quisesse. Um amigo trouxe pão de queijo, que voou rapidamente.

 

Caipirinha de cachaça e cerveja. Eu mesma prefiro a amarelinha pura, não sou muito chegada a misturas. Tá bom, também tinha água e refrigerante, afinal de contas, havia dois bebês na festa!

 

E finalmente, ela, a rainha do evento: a feijoada! Putz! Modéstia às favas, ficou boa pra burro! Como feijão é bom!

 

Apesar da lombeira que provoca, o papo seguiu animado e ainda demos conta da sobremesa. Um amigo trouxe sorvetes e outro fez um pudim de leite condensado que foi uma covardia. Os últimos convidados se foram pela uma e meia da matina!

 

Festa boa… 2008 tem mais!

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