Sobre a vindima e a gratidão

Vindima é como chamamos a colheita das uvas para a fabricação do vinho. Na região do Douro, ela acontece em setembro.

Mas simplesmente chamar de colheita seria simplificar ao extremo, porque a vindima é muito mais do que isso! É toda uma experiência ímpar e hoje posso dizer que não apenas entendi, mas vivenciei com tudo de direito!

Aqui onde é nossa Quinta, em Vila Marim, colada a Mesão Frio e em pleno Douro Vinhateiro, todo mundo tem vinhas! Maiores ou menores, vivendo prioritariamente da terra ou complementando com outras profissões, há para todos os gostos e tamanhos. Importa que toda a paisagem é composta por montanhas rabiscadas em curvas e divididas em degraus com vinhas. Mesmo dentro da cidade, os quintais também são super aproveitados!

Considerando que há apenas uma colheita ao ano, imaginem uma região onde o resultado do trabalho de todas as pessoas culmine em um só momento. É como fazer parte de um enorme time, estamos todos no mesmo barco, o que afeta a mim, afeta igualmente aos meus vizinhos! Agora imagine essa galera na expectativa sobre o resultado de todo um ano de trabalho duro. Pois essa é a atmosfera que respiramos em setembro!

As cidades e vilarejos se enchem de caminhonetes, aqui chamadas de “carrinhas”, com grandes vasilhas de metal para o transporte das uvas. O assunto nos bares, nas lojas, nas praças… é a vindima!

Fila de carrinhas para a entrega das uvas na Adega da Cooperativa de Mesão Frio

É bastante difícil conseguir mão-de-obra para realizar esse trabalho, principalmente, nessa época do ano. O pagamento por uma jornada diária não é tão alto e, como estão todos ocupados com suas próprias vinhas, acaba faltando gente para se contratar.

Daí, acontece um fato muito interessante, para a colheita das uvas e, muitas vezes, para a execução do vinho caseiro em pequenas propriedades, quem trabalha são nossos familiares, amigos ou vizinhos. E, ainda que seja um trabalho duro, estão todos muito felizes, eventualmente, auxiliados por generosas doses de vinho oferecidas pelos proprietários. Assim que não é raro encontrar um clima de festa e celebração. É um orgulho para os donos das Quintas e um honra para os convidados que participam.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas era nossa primeira vindima e não sabíamos muito bem o que fazer. Nós precisávamos de ajuda, porque sozinhos, certamente não daríamos conta! Primeiro, recorremos aos nossos vizinhos, afinal, são muito mais experientes que nós e eles, generosamente, foram super solidários aceitando nos ajudar. Ainda assim, precisávamos de mais gente para dar conta do recado.

Pensei, peraí, de vindima não entendo nada, mas festa eu sei fazer! Vamos lá, o que há de mais importante em uma festa? Convidados, boa comida e boa bebida! Música ajuda muito, mas já não teria tempo para organizar esse ano. Pronto, Bianca, faz de conta que você dará uma festa, mas ao invés de dançar, as pessoas colherão uvas! Assim, tipo festa temática…

Vesti minha cara-de-pau, gravei um vídeo e publiquei no Instagram pedindo ajuda aos amigos! Enviei também mensagem para o grupo de whatsapp da família e amigos de Braga. Sem expectativas e sem cobrança porque, francamente, sei que todo mundo tem suas prioridades. Mas por que não?Afinal, se eu não disser que preciso, como alguém poderia me ajudar, certo?

E funcionou! Não só entre nossos contatos, mas o vídeo deu uma circulada entre os amigos de amigos e… encurtando a história, formamos um animadíssimo time de 17 adultos e 1 criança! Gente vindo de Braga, Porto, Coimbra, Madri, Bruxelas… o vizinho que combinou de ir… os vizinhos que só poderiam vir no dia seguinte e anteciparam trazendo a carrinha para carregar as uvas… toda essa gente bacana simplesmente foi aparecendo! Além da torcida à distância, várias pessoas nos enviando as melhores vibrações e dando aquele apoio moral! Acho que devemos estar entre as pessoas sortudas e com os melhores amigos do mundo!

Para mim, isso é muito emocionante! Porque alguma coisa certa na vida a gente deve ter feito para merecer tamanha boa vontade e desprendimento! E é aqui que entra nossa gratidão. Gratidão eterna e imensa, porque não tem preço receber literalmente tantas mãos estendidas para ajudar em um momento como esse. Honestamente, se tudo mais não tivesse funcionado, para nós já havia valido a pena.

Acontece que tudo, mas absolutamente tudo funcionou melhor que a encomenda!

Havíamos nos planejado para fazer a colheita em dois dias, no domingo (26/09) colher as uvas tintas e na segunda-feira, colher as brancas. Afinal, a gente não sabia quantas pessoas realmente iriam aparecer e só teríamos a carrinha para levar as uvas na segunda-feira. E ainda assim, não tínhamos certeza absoluta da tal carrinha, porque meu vizinho, dono do veículo, trabalha como caminhoneiro pela Europa durante a semana e poderia não chegar na cidade a tempo. Juro que até a manhã do domingo, essa era toda a informação que nós tínhamos! Mas vinha repetindo para o Luiz e para os convidados que chegaram no dia anterior que as coisas aqui tem seu tempo e vão se encaminhando como devem ser. Não há espaço para rigidez, você não escolhe o dia que irá chover ou fazer sol, a natureza te ensina muito sobre humildade e resiliência. O importante era estarmos preparados e flexíveis para seguir o curso da maneira que ele chegasse. E assim foi!

Mas vamos dar um pouco mais de suspense, porque eu moro nas entrelinhas e nos detalhes! Assim que agora conto sobre a parte prática de como nos organizamos.

Durante a semana, preparei comidinhas na casa alugada, porque na Quinta ainda não há estrutura para isso. Aproveitei os ingredientes frescos que ganhei dos nossos vizinhos. Fiz uma salada de beringela e pimentões assados; vinagrete; salada de batatas; salpicão de mariscos; farofa e Luiz encomendou uns frangos e linguiças assados na brasa, para buscar no dia. Preparei também uma mesa com sucos, queijos, pães e bolos para o café-da-manhã para o pessoal que fosse chegando de longe. E claro, bastante vinho, que não poderia faltar!

No sábado, buscamos no aeroporto de Porto uma amiga de Madri e um amigo de Bruxelas que veio com o filho de 6 anos. E já deixamos a maioria das bebidas e comidinhas na própria Quinta. Afinal, o dia seguinte começaria cedo.

Não sei se pelo trabalho de preparação acumulado, ou talvez a tensão para que tudo desse certo, mas o fato é que mal dormi durante à noite, com uma dor terrível na coluna! Havia me preparado psicologicamente para “jogar nas 11 posições”! Organizar os convidados, distribuir o equipamento, colher as uvas, alimentar as pessoas, levar as uvas na cooperativa… pular corda, plantar bananeira, aprender a tocar piano etc… E, de repente, mal consigo levantar da cama para ir ao banheiro sem parecer uma idosa corcunda. E agora?

Será que era dor muscular mesmo? E se fossem meus rins? Eu não posso parar num hospital agora! Mil fantasmas povoavam minha cabeça junto à vergonha e o medo de não conseguir trabalhar direito na minha própria vindima! O coração acelerou… a respiração começou a ficar difícil… uma crise de ansiedade doida para disparar… Para tudo! Respira… respira… respira! Medita, Bianquita, você tem as ferramentas para passar por isso! E se esse obstáculo apareceu era porque eu precisava aprender alguma coisa, talvez para me proteger ou me fazer prestar mais atenção! Acalmei, consegui dormir um pouco. Acordei antes do horário, cantei concentrada meus mantras de proteção e de abrir os caminhos. Quando meu despertador tocou, estava completamente calma e confiante que daria tudo certo. As preocupações se dissiparam e estava bastante feliz que aquele dia havia finalmente chegado.

Eu simplesmente fui lembrada que precisava respeitar meus limites e os limites dos convidados que aparecessem. Ninguém era profissional nem tão jovenzinho. Por via das dúvidas, tomei um relaxante muscular e um anti-inflamatório, usei uma cinta para proteger a coluna, mais que nada, para me lembrar de não exagerar nos movimentos. Adianto que senti dor durante o dia sim, mas tolerável e, ao final, havia tanta endorfina no meu organismo (e, claro, vinho também) que esqueci de como havia passado à noite anterior!

Até o clima favoreceu! A temperatura estava amena e sem previsão de chuvas!

Mas vamos lá, pela manhã, às 8h estávamos na Quinta Luiz, eu, esses dois amigos (e o filho de um deles) e meu vizinho de baixo. Luiz foi para a parte de cima da propriedade com os mais fortes e eu fiquei mais próxima à casa. Aproveitei esse momento do início da manhã para dar um gás na colheita e, à medida que o pessoal foi chegando, comecei a me dividir entre receber as pessoas, entregar as tesouras de poda e baldes, instruir como fazer a colheita e distribuir os colaboradores pelas fileiras de vinhas, mais ou menos por níveis de dificuldade.

E não é que o povo começou a chegar mesmo? Um amigo viajou de ônibus à noite inteira desde Madri e chegou cheio de energia para ajudar no que precisasse! Um casal amigo de amigos veio do Porto… minha família e outros amigos de Braga… e todo mundo cheio de empolgação! Comecei a acreditar que acabaríamos as uvas tintas previstas para aquele dia antes mesmo da hora do almoço!

E eu pensando, maravilha, de repente até poderíamos começar as uvas brancas, mas ainda não sabíamos como levar tudo para a adega da cooperativa.

Por volta de umas 10h30, aparece o casal de vizinhos de cima, os que nos ajudariam no dia seguinte, também cheios de disposição e com a caminhonete para levar nossas uvas! Nem acreditei! Pequeno detalhe, ele teria que adiantar sua próxima viagem do trabalho e só poderia levar nossas uvas no domingo mesmo. O que queria dizer que a gente tinha que correr!

Por volta de umas 11h30, as uvas tintas estavam completamente colhidas e as brancas iniciadas! Como sou a associada da cooperativa, precisava ir com meu vizinho entregar a primeira carga. Luiz me substituiu na organização de quem ficou na colheita das uvas brancas e lá fui eu de caminhonete com meu vizinho fazer nossa primeira entrega!

Senti muito o fato do Luiz não estar comigo ali, porque queria compartilhar a emoção do que é esse momento. Mas somos um time e alguém tinha que “tomar conta do barraco“! Além do que, foi muito importante estar com meu vizinho que sabia exatamente o que fazer e tinha o veículo e o recipiente corretos, porque eu não tinha ideia! Não dá para simplesmente chegar na cooperativa com suas uvas em baldes, não teria como pesar ou descarregar.

Passou tudo como num sonho, meio em câmera lenta, meio em velocidade adiantada. E eu tentando absorver e aprender! Fiz diversos vídeos e perguntas para ter tudo registrado.

Ainda na fila de caminhonetes para a entrega, recebo mensagem de mais duas novas amigas, que vieram de Coimbra indicada por um casal de amigos. Passo o celular do Luiz para recebê-las, porque eu estava fora da Quinta. Quando descubro que Luiz também estava fora, porque precisava buscar o restante do almoço da galera, os frangos e linguiças encomendadas.

E quem ficou tomando conta “do lojinha”? Os convidados mesmo! Todo mundo já sabia o que fazer e seguiram tocando os trabalhos sozinhos! Pelo que soube depois, minha vizinha ajudou a orientar e a apressar os trabalhos!

Cheguei novamente na Quinta, flutuando e feliz da vida, mas não dava para relaxar ainda! Luiz chegou logo atrás de mim e me disse que as pessoas precisavam de um intervalo. Recebi correndo as amigas de Coimbra e voei para colocar o almoço na mesa!

O almoço não foi demorado como eu gostaria, afinal, precisávamos ainda acabar as uvas brancas, mas foi muito divertido! Uma confraternização gostosa como se fôssemos uma única família! Comi pouco e rápido, muita coisa acontecendo para eu ter fome! Deixamos a sobremesa para depois!

Apesar de todo esse trabalho e correria, a energia das pessoas era uma coisa muito bacana! Sei que pode parecer difícil entender como nessa trabalheira as pessoas estavam se divertindo, mas juro que todo mundo parecia contente, sorrindo e um astral super alto!

E é disso que se trata uma vindima, dessa colaboração entre todos! Tínhamos nossas limitações, uns com dores, outros sem enxergar direito, outros sem preparo físico, outros sem saber bem o que fazer… mas quando nos juntamos, somos fortes! Podemos mais!

Voltaram todos para as vinhas, ainda levei um tempo a organizar a casa e logo me juntei a eles! Quem disse que eu lembrava de dor nas costas ou de usar a cinta?

Acredito que pelas 15h mais ou menos, finalizamos a colheita das uvas brancas! Luiz ficou com o pessoal para comer a sobremesa e tomar um vinho do porto feito pelo meu vizinho de baixo, e lá fui eu com o vizinho de cima levar o restante das uvas de caminhonete. Dessa vez, não era mais uma novidade, mas a emoção permanecia.

Ao final, entregamos 1 pipa de uvas. Cada pipa são 750 Kg, que produzem cerca de 550 litros de vinho. Para uma propriedade que nos áureos tempos chegou a produzir cerca de 20 pipas, é pouco, mas para nós teve sabor de vitória! Foram 290 Kg de uvas tintas, a 10 graus e 450 Kg de uvas brancas, a 11,6 graus. Considerando que esse ano, mesmo quem cuidou muito bem de suas vinhas teve baixa produtividade, podemos nos orgulhar. Fizemos o melhor possível!

A quantidade de aprendizado condensado que absorvemos nos últimos 3 meses, em que tomamos posse da terra, e principalmente no mês de setembro, quando nos mudamos de mala e cuia para Portugal, é incomensurável! Sou outra pessoa! Mais importante do que isso, somos outro casal! E a gratidão que sinto por absolutamente tudo e todos à minha volta é difícil de explicar!

Quem acompanha o blog sabe que nunca cito o nome das pessoas, mas hoje abrirei uma exceção. Agradeço enormemente aos meus primos, Fabiana e Alexandre, por estarem conosco nessa aventura desde o início, quando nos ajudaram a comprar uma Quinta por telefone e assinar a escritura por procuração, e como não poderia deixar de ser, estavam juntos também na nossa primeira colheita; ao Annibal por despencar da Espanha e vir cuidar da nossa casa quando nós mesmos não conseguíamos; aos meus vizinhos Alcides e Maria Emília, nossos exemplos de trabalho e retidão, e por literalmente salvarem nossa vindima ao aparecerem com a carrinha e disposição para ajudar na colheita e na entrega das uvas; aos amigos Maurício e Maristela, por saírem de Braga e aparecerem com toda boa vontade do mundo e ainda indicarem novos amigos, Sylvia e seu marido Marcus, que mesmo com o braço machucado, vieram de Porto nos ajudar; meu primo Fábio, que ignorou qualquer problema e também veio de Braga colaborar; nossa amiga Sandrinha, que foi a primeira a responder meu pedido de ajuda pelo Instagram, não pensou duas vezes, chegou de Madri com toda a força e boa energia que ela exala; meu novo amigão Alexandre, que viajou à noite inteira de ônibus desde Madri, pegou um trem e um taxi para chegar na Quinta de manhã cedo e trabalhou com uma disposição e alegria invejáveis o dia inteiro; ao meu vizinho Laurindo, forte como um touro, que achou que 8h30 era muito tarde para a gente começar; as novas amigas Marcella e Juliana, que nem nos conheciam e dirigiram 2h para chegar até aqui e mais 2h para voltar para casa; e ao amigo Kevin, que respondendo ao meu pedido de ajuda, veio com seu filho Edouard desde Bruxelas, mesmo só havendo nos encontrado uma vez na vida! A todas essas pessoas tão especiais, corajosas e desprendidas, não tenho palavras para agradecer! Vocês terão prioridade para sempre conosco nesse projeto, sejam bem-vindos quando quiserem e garanto que guardaremos seus lugares na janelinha! E, principalmente, meu amor, Luiz, o “Vianna da Quinta”, que nunca duvidou desse plano maluco e caiu de pára-quedas nessa aventura comigo! Gratidão eterna!

Agora é respirar, tomar fôlego e nos preparar para o próximo ano. Essa história apenas começou a ser escrita. Não sabemos seu final, nem importa, vale o caminho e a companhia durante o percurso. Que assim seja e que assim siga!

Vindima 2021

Os trabalhos na Quinta

Muito bem, como já deve ter ficado claro, tanto Luiz como eu caímos de paraquedas nessa ideia maluca de ter uma Quinta vinícola, sem a menor noção dos trabalhos necessários para manter uma propriedade assim.

Durante os meses de espera, pesquisamos, lemos, assistimos tutoriais… fizemos o possível para não chegar de “pé mole”. Acontece que não é algo tão simples quanto parece, porque é uma atividade ainda aprendida e ensinada na prática, há pouca teoria disponível para uma autodidata.

Temos aprendido uma barbaridade de informações novas e tenho consciência que isso simplesmente só abre mais portas para novos conhecimentos. Ou mais coloquialmente, ainda temos coisa pacas para aprender!

Daí, resolvi fazer um tipo de glossário das principais atividades nas vinhas. Assim, além de registro para nós, fica também para quem quiser aprender um pouco mais a respeito dos trabalhos envolvidos.

Aproximadamente, pelo mês de fevereiro, final de inverno em Portugal, começam as primeiras atividades. Boa parte das folhas já caíram e os galhos secos enfraquecem a planta, precisam ser cortados. Ou seja, é a hora da poda. Sem essa poda, a planta não consegue desenvolver bem os cachos. Você deve deixar aproximadamente 4 tornos por videira. Um torno é da onde sairá os novos galhos. Aqui há um vídeo mostrando como fazer essa poda. A impressão que você tem é que a planta está morta, toda sequinha. Mas não tem problema, é só parte do ciclo da produção.

Logo que vem a primavera, as folhas começam a despontar e os galhos a crescerem. Quando chega mais ou menos abril ou maio, é importante fazer o controle dos novos rebentos que vem da videira, ou seja, os pâmpanos. Esse procedimento se chama despampa. Nessa fase, tiramos todos os rebentos que se encontram abaixo do primeiro arame (são 3 arames em alturas diferentes).

Em paralelo à despampa, ou pouco depois, se faz o desladroamento, ou o que também se chama de intervenção em verde. É um tipo de poda, mas dessa vez, do excesso de folhas. O objetivo é retirar os ramos que se encontram na madeira velha e, com isso, tornar a vegetação menos densa e dar uma melhor possibilidade de maturação das uvas. É como você dizer para a planta que ela não precisa se preocupar com aquele monte de galhos e folhas e ela deve se concentrar no fruto. Quando você também retira esses “ladrões” (por isso o nome desladroamento) do tronco, isso também ajuda a evitar as contaminações. Pode ser feito manualmente ou através de máquina. Mas mesmo com o auxílio das máquinas, segue sendo um processo bem artesanal.

Logo tem a ampara e a desponta, as vinhas precisam estar amparadas e arrumadas nos arames. Isso é feito manualmente, é como uma condução dos galhos por entre os arames. Tem que ficar tudo arrumadinho e não aquela videira descabelada! Imagina se os galhos não estiverem bem apoiados e comece a nascer um cacho de uva, o galho provavelmente vai se romper. Esse vídeo fala um pouco a respeito. Além disso, a parte de cima da planta também é podada, você tira aquela ponta de cima, ficam todas as vinhas niveladas na mesma altura.

E finalmente, outra parte essencial é o tratamento fitossanitário, que é a aplicação dos produtos químicos que evitam as doenças. Os produtos são pulverizados nas vinhas, geralmente com trator. A periodicidade desse tratamento é variável, porque tanto a chuva quanto aquela neblina que parece uma bruma, retiram o produto e precisa se reaplicar. Esse tratamento evita algumas doenças, como por exemplo, o míldio, que é um fungo que ataca os órgãos herbáceos da videira. As folhas ficam com manchas amareladas ou marrons. Se estiver só nas folhas, você consegue salvar, se chegar na planta, você perde a videira.

A parte da adubação, ainda estou entendendo melhor e não me sinto confortável em escrever a respeito. Há algumas diferentes vertentes onde você tanto pode usar produtos químicos pulverizados, como tentar uma agricultura biológica. Vou ficar devendo essa parte e prometo escrever em breve. Mas sim, as vinhas precisam de comidinha!

Entre as vinhas cresce muita erva. Quando nós chegamos na nossa Quinta, com todos os trabalhos atrasados, a erva estava tão alta que mal passou o carro!

Essa erva é primeiro aparada com a roçadora, no nosso caso, foi um trabalho feito manualmente. E, seguida, foi passado um trator para a trituração dessa erva nas entrelinhas.

Todos os trabalhos acima já foram realizados na nossa Quinta, uns mais atrasados que outros, mas demos conta! Agora falta alguma pulverização de produto e, finalmente, em setembro, o ponto alto de toda essa história: a vindima!

A vindima é a colheita da uva. Geralmente, ocorre em setembro, mas o momento do mês pode variar. É uma grande festa! É comum se chamar amigos e familiares para ajudar nessa colheita e se oferece a refeição e vinho à vontade! Claro que, de acordo com o tamanho da sua produção, será necessário ajuda profissional, mas muitos produtores menores fazem de maneira familiar mesmo. E mal posso esperar por esse momento!

Entre o fim de setembro até mais ou menos fevereiro do ano seguinte, não há grandes trabalhos nas vinhas. É quando começa efetivamente a produção do vinho, mas essa parte vai ficar para um outro post!