Os trabalhos na Quinta

Muito bem, como já deve ter ficado claro, tanto Luiz como eu caímos de paraquedas nessa ideia maluca de ter uma Quinta vinícola, sem a menor noção dos trabalhos necessários para manter uma propriedade assim.

Durante os meses de espera, pesquisamos, lemos, assistimos tutoriais… fizemos o possível para não chegar de “pé mole”. Acontece que não é algo tão simples quanto parece, porque é uma atividade ainda aprendida e ensinada na prática, há pouca teoria disponível para uma autodidata.

Temos aprendido uma barbaridade de informações novas e tenho consciência que isso simplesmente só abre mais portas para novos conhecimentos. Ou mais coloquialmente, ainda temos coisa pacas para aprender!

Daí, resolvi fazer um tipo de glossário das principais atividades nas vinhas. Assim, além de registro para nós, fica também para quem quiser aprender um pouco mais a respeito dos trabalhos envolvidos.

Aproximadamente, pelo mês de fevereiro, final de inverno em Portugal, começam as primeiras atividades. Boa parte das folhas já caíram e os galhos secos enfraquecem a planta, precisam ser cortados. Ou seja, é a hora da poda. Sem essa poda, a planta não consegue desenvolver bem os cachos. Você deve deixar aproximadamente 4 tornos por videira. Um torno é da onde sairá os novos galhos. Aqui há um vídeo mostrando como fazer essa poda. A impressão que você tem é que a planta está morta, toda sequinha. Mas não tem problema, é só parte do ciclo da produção.

Logo que vem a primavera, as folhas começam a despontar e os galhos a crescerem. Quando chega mais ou menos abril ou maio, é importante fazer o controle dos novos rebentos que vem da videira, ou seja, os pâmpanos. Esse procedimento se chama despampa. Nessa fase, tiramos todos os rebentos que se encontram abaixo do primeiro arame (são 3 arames em alturas diferentes).

Em paralelo à despampa, ou pouco depois, se faz o desladroamento, ou o que também se chama de intervenção em verde. É um tipo de poda, mas dessa vez, do excesso de folhas. O objetivo é retirar os ramos que se encontram na madeira velha e, com isso, tornar a vegetação menos densa e dar uma melhor possibilidade de maturação das uvas. É como você dizer para a planta que ela não precisa se preocupar com aquele monte de galhos e folhas e ela deve se concentrar no fruto. Quando você também retira esses “ladrões” (por isso o nome desladroamento) do tronco, isso também ajuda a evitar as contaminações. Pode ser feito manualmente ou através de máquina. Mas mesmo com o auxílio das máquinas, segue sendo um processo bem artesanal.

Logo tem a ampara e a desponta, as vinhas precisam estar amparadas e arrumadas nos arames. Isso é feito manualmente, é como uma condução dos galhos por entre os arames. Tem que ficar tudo arrumadinho e não aquela videira descabelada! Imagina se os galhos não estiverem bem apoiados e comece a nascer um cacho de uva, o galho provavelmente vai se romper. Esse vídeo fala um pouco a respeito. Além disso, a parte de cima da planta também é podada, você tira aquela ponta de cima, ficam todas as vinhas niveladas na mesma altura.

E finalmente, outra parte essencial é o tratamento fitossanitário, que é a aplicação dos produtos químicos que evitam as doenças. Os produtos são pulverizados nas vinhas, geralmente com trator. A periodicidade desse tratamento é variável, porque tanto a chuva quanto aquela neblina que parece uma bruma, retiram o produto e precisa se reaplicar. Esse tratamento evita algumas doenças, como por exemplo, o míldio, que é um fungo que ataca os órgãos herbáceos da videira. As folhas ficam com manchas amareladas ou marrons. Se estiver só nas folhas, você consegue salvar, se chegar na planta, você perde a videira.

A parte da adubação, ainda estou entendendo melhor e não me sinto confortável em escrever a respeito. Há algumas diferentes vertentes onde você tanto pode usar produtos químicos pulverizados, como tentar uma agricultura biológica. Vou ficar devendo essa parte e prometo escrever em breve. Mas sim, as vinhas precisam de comidinha!

Entre as vinhas cresce muita erva. Quando nós chegamos na nossa Quinta, com todos os trabalhos atrasados, a erva estava tão alta que mal passou o carro!

Essa erva é primeiro aparada com a roçadora, no nosso caso, foi um trabalho feito manualmente. E, seguida, foi passado um trator para a trituração dessa erva nas entrelinhas.

Todos os trabalhos acima já foram realizados na nossa Quinta, uns mais atrasados que outros, mas demos conta! Agora falta alguma pulverização de produto e, finalmente, em setembro, o ponto alto de toda essa história: a vindima!

A vindima é a colheita da uva. Geralmente, ocorre em setembro, mas o momento do mês pode variar. É uma grande festa! É comum se chamar amigos e familiares para ajudar nessa colheita e se oferece a refeição e vinho à vontade! Claro que, de acordo com o tamanho da sua produção, será necessário ajuda profissional, mas muitos produtores menores fazem de maneira familiar mesmo. E mal posso esperar por esse momento!

Entre o fim de setembro até mais ou menos fevereiro do ano seguinte, não há grandes trabalhos nas vinhas. É quando começa efetivamente a produção do vinho, mas essa parte vai ficar para um outro post!

2 comentários em “Os trabalhos na Quinta”

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