Mudança #48: no olho do furacão!

Desde a última mudança do Reino Unido para o Brasil, mais ou menos pelo final de 2014, fiz uma declaração de que havia cansado de ser um caracol! Seria minha última mudança de país com todos os móveis. Dali por diante, apenas o fundamental que pudesse ser enviado por caixas!

Não dá para dizer (ainda) que só vou com “a roupa do corpo” porque, por exemplo, tenho muitos acessórios de cozinha que uso bastante e fazem parte de uma das minhas atividades profissionais ou mesmo de lazer. Há também os instrumentos musicais, peças de arte, fotos, documentos, enfim, ítens essenciais que não daria para deixar para trás.

E desde então, tenho cumprido essa promessa com muito gosto! Costumo dizer que tenho “Síndrome de Diógenes” ao revés. Meu prazer é o desapego!

Isso quer dizer o seguinte, voltamos a Londres, em 2017, sem nenhum móvel e tivemos que comprá-los por aqui. Tudo bem, parti para o Ikea e Amazon, móveis bonitinhos, funcionais, bom preço e que não me dão nenhuma pena de desapegar!

Até aí, ok. Acontece que não é tão fácil quanto parece, porque não podemos simplesmente deixar os móveis na casa que alugamos vazia, afinal, isso implicaria em multas e não devolução da fiança. Poderíamos vender ou até mesmo doar os móveis, já fiz isso várias vezes, mas o timing nem sempre é perfeito.

Outro detalhe, havíamos acabado de renovar o contrato de aluguel! O proprietário (e nós também!) estava contando que ficaríamos até 2022. Por sorte, como estamos há mais de um ano na mesma casa, só precisaríamos avisar com dois meses de antecedência que deixaríamos o imóvel. Mas a gente não gosta de deixar ninguém na mão, principalmente porque o proprietário aqui parece ser gente boa.

Então tá, guarda aí essas duas histórias, dos móveis que precisávamos nos desfazer e do aluguel da casa que deixaríamos logo após ter renovado o contrato. Voltarei para concluir esse raciocínio.

No ano passado, um amigão de muitos anos, desde a época em que Luiz e eu éramos solteiros ainda, nos procurou para dizer que havia um amigo dele querendo se mudar para Londres com a família, por aproximadamente um ano. Perguntou se poderia dar nosso contato. Claro que pode, fala para ele ligar quando chegar e dizer onde está hospedado!

O amigo ligou e, para nossa surpresa, estava hospedado em Windsor… na mesmíssima rua que moramos! Absoluta coincidência, juro! Qual a probabilidade disso acontecer, né? Enfim, super gente boa, ficamos amigos também, ajudamos no que pudemos… eles decidiram morar mais ou menos por essa área por causa do colégio dos filhos e tal. Até aí, a gente nem sonhava que estaria se mudando para Portugal agora. Achamos ótimo que seríamos meio vizinhos!

Em maio ou junho, veio toda a família visitar a cidade e resolver burocracias. Conhecemos a todos, muito legais! Mas ficaram pouco tempo, era só uma viagem para acertar os últimos detalhes. Eles queriam uma casa um pouco maior que a nossa, por essa mesma região. Mas é bem complicado fazer essa busca à distância. Luiz vira e mexe enviava fotos de casas pela redondeza. Chegamos a visitar uma casa para eles, mas não era tão legal, um lugar meio isolado, acho que não iriam gostar. O tempo foi passando e eles preocupados sem ter ainda um lugar para morar.

Nisso, viajamos até a Quinta em Portugal e decidimos que o melhor era mudar de uma vez para lá. E a nossa mudança seria cerca de um par de semanas após a chegada deles na Inglaterra.

Opa, peraí! Escuta, sei que vocês queriam uma casa maior que a nossa, mas considerando essa dificuldade em encontrar, talvez funcione para vocês! Fiz vários vídeos detalhados da casa toda para eles fazerem uma visita virtual. Eles se animaram e, francamente, acho que vão gostar daqui. A gente gostou muito!

Resumindo, quando Luiz ligou para o proprietário para avisar que precisaríamos romper o contrato do próximo ano, já foi com a notícia que teríamos um amigo para indicar que poderia ficar em nosso lugar. Puxamos a sardinha para o lado dos nossos amigos e ele não precisaria perder nem um dia de aluguel!

E lembra a parte dos nossos móveis que ficariam para trás? Então, os amigos que mudarão para cá também se interessaram por eles. Fizemos um preço camarada pelo “pacotão” e pronto! Foi ótimo para a gente que resolve tudo de uma tacada só e também para eles, que não precisam comprar tudo novo e chegam com a casa totalmente habitável. Pode acreditar, sei bem a diferença que isso faz quando você chega em um país novo!

Mas é engraçado pensar nas voltas que o mundo dá! Quando achamos uma coincidência incrível o amigo estar hospedado na mesma rua que moramos no ano passado, quem imaginaria que a história ainda se desdobraria dessa maneira?

Muito bem, mas seguimos, porque há vários passos para a mudança se concluir!

Tivemos que vacinar os gatos contra raiva. Nós vacinamos os felinos anualmente com todas as vacinas de direito, mas na Inglaterra não usam mais a vacina antirrábica, a doença foi abolida aqui. Tudo bem, passo resolvido! Outro detalhe, o passaporte deles é britânico e isso quer dizer que, depois do Brexit, não é válido na Comunidade Européia. Ou seja, as vacinações que estão ali valem, mas o passaporte em si como documento, não vale mais. É necessário que o veterinário autorizado assine um certificado de saúde. Não é tão complicado, só que precisa ser emitido em menos de 10 dias da data da viagem. Está providenciado e agendamos tudo direitinho, mas acredito que teremos que fazer novo passaporte para os gatos assim que chegarmos em Portugal. Assim que, nossos autênticos vira-latas britânicos, não só viajarão para seu quinto país, como terão dupla nacionalidade com seu segundo passaporte emitido!

O lado positivo é que, pelo menos, Luiz conseguiu comprar passagem pela TAP que autoriza que os gatos viagem de avião conosco na cabine. Caso contrário, a saga seria bem mais intensa!

Consegui contratar uma empresa de mudança. Optei por uma empresa que faz esse translado para Portugal com frequência, inclusive, negocio tudo em português mesmo. Fica aí uma dica, quando fizer uma mudança internacional, sempre bom buscar uma empresa com sede no país de chegada. Eles entendem melhor os trâmites burocráticos e costumam ter mais remessas entre períodos mais curtos. Optei pela TP-International, se forem bons, recomendarei aqui!

A embalagem, farei eu mesma. Translados só com caixas são mais simples e tenho bastante experiência ao empacotar. Dá mais trabalho, porém é menos gente estranha em casa manuseando as coisas e, considerando que vamos deixar muitos ítens para trás, seria confuso fazer essa seleção do que embalar ou não ali no calor do momento. E depois, já deixei as caixas da última mudança guardadas! Tinha certeza que teriam utilidade em breve!

Ainda assim, com toda a experiência adquirida, é bastante trabalhoso e a casa está um pouco caótica. Por um lado, não quero deixar tudo para em cima da hora e, por outro, como não temos excessos, tudo que tenho uso muito, cada coisa que empacoto, acaba por me fazer alguma falta. Paciência, es lo que hay!

Conseguimos finalmente alugar uma casa em Mesão Frio, tarefa mais complicada do que imaginei, mas deu certo! (acho) Aluguei por três meses, podendo renovar. Preço bom e pelas fotos e vídeos que nosso amigo que está morando na Quinta enviou, acho que ficaremos bem acomodados. De toda maneira, é provisório.

Tenho pensado que nosso foco agora é a Quinta, é a nossa prioridade! Todo trabalho que temos, os perrengues que estamos passando (e pode acreditar, não são poucos!), as economias que fazemos… é tudo para fazer da nossa casa um lar bacana. Sei que vamos conseguir e é só uma questão de tempo e organização.

Estou preparada para ter uma vida mais simples, muito atribulada com tarefas braçais e sem grandes luxos. Mais do que estar preparada, estou desejando! Na verdade, o luxo é sempre muito relativo, depende do que você quer e espera da sua vida. Sonho com nossa casa, literamente, todos os dias, de olhos fechados e abertos. Fiz hortas e obras imaginárias, passeei muito entre as vinhas, desenhei projetos, montei o restaurante, elaborei pratos com minhas ervas frescas, conversei com vizinhos, fiz parcerias, pilotei tratores e roçadeiras, pisei minhas uvas, degustei meu vinho, abri novas estradas, colhi flores, espalhei esculturas pelo jardim, dei festas, recebi amigos e família, fiz balanços de pneus para meus sobrinhos, recebi estranhos, promovi eventos… trabalhei pacas! Chega acordo cansada! O mais importante é que sempre que me pego nesses devaneios, me percebo sorrindo. Então, deve ser o certo e o que devo fazer. Conhecer a verdade e ser feliz com o essencial é hoje meu luxo! E que assim seja! Om Tat Sat!

2 comentários em “Mudança #48: no olho do furacão!”

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