Reflexões ao fim de um ano intenso

Hoje é dia 23 de dezembro de 2021, lá se vai o ano, escorregando por entre nossos dedos!

Nesse exato momento, nos encontramos em um limbo de endereços! A experiência nômade levada ao nosso extremo, pois só somos capazes de controlar o que cabe dentro do nosso carro. Temos o apartamento dos sonhos… no Brasil e alugado para amigos; uma Quinta fantástica… com a casa inabitável; nossa mudança fechada em caixas dentro de um apartamento… que talvez seja nosso algum dia, mas hoje é de outra pessoa… Temos tudo e não temos nada!

Mas não será sempre assim? O que temos de verdade? O que é realmente nosso?

Não estamos na rua da amargura e até me sinto um pouco mal por parecer reclamar da situação. Na prática, estamos bastante confortáveis hospedados por gentileza e generosidade na casa da minha cunhada, com nossas malas e dois gatos! Nós temos essa sorte, pois quando o calo aperta, sempre nos é oferecida uma mão acolhedora de algum lado. E sou imensamente grata!

Então, por que essa sensação de incômodo? Por que não consigo simplesmente relaxar e pensar que são umas férias em um local incrível? E se ninguém está me cobrando por uma data de saída, por que é tão difícil não acordar todos os dias pensando: mas o que quero mesmo é estar na minha casa!

Há muitos anos, meu lar é onde durmo, somos Luiz e eu (e os gatos). Sempre me orgulhei de ter raízes aquáticas e, de repente, essa necessidade avassaladora de ter um lugar definido que possa fincar os pés e chamar de meu. Uma parede que possa pintar da cor que eu quiser, andar de pijamas o dia inteiro, saudade das minhas facas e panelas, da louça da minha avó…

Não sei, talvez seja algum resquício por esse último par de anos, onde nossa casa foi nosso refúgio seguro, foi nosso restaurante, nosso trabalho, nossa prisão e liberdade ao mesmo tempo. Pode ser por isso e sei que essa sensação vai passar, mas não é tão simples como achei que fosse ser.

A dualidade da vida é mais forte que tudo. Encontrar meu lugar no mundo me trouxe simultaneamente: a paz de pertencer e a inquietude de ter o que perder. Não ser de canto nenhum me fazia parte de todos os lugares. Agora tenho um lugar que chamo de meu e, ao sair dele, me sinto deslocada. Ganhei e perdi. E, paciência, vou aprender a conviver com essa nova realidade. Ou talvez, entenda de uma vez por todas que sigo sem nada ter e não sou de lugar nenhum.

2 comentários em “Reflexões ao fim de um ano intenso”

  1. Bi e Luiz, que apesar dos pesares, vocês tenham um Feliz Natal e que no dezembro do próximo ano vocês possam postar que muitas coisas mudaram para melhor. Feliz Ano Novo!

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