Escava e análise do solo

Hoje é dia 19 de outubro de 2021. Passado o furacão da vindima… começamos tudo novamente! Mas agora e pela primeira vez, podemos cuidar do processo desde o início!

A primeira etapa é entender a qualidade do solo. Acreditamos que esse terreno não leva adubação há algum tempo e, ao invés de tentar adivinhar, coletamos parte da terra para análise e definição de que nutrientes faltariam para nossas vinhas. Estou ansiosa pelo resultado, ainda que provavelmente nem vá entender o tal diagnóstico. Não importa, como tudo que fizemos até agora, a gente parte para cima e vai perguntando e aprendendo pelo caminho!

Em paralelo, iniciamos o trabalho que é chamado de “escava”. Nada mais é do que uma escavação ao redor de cada pé de vinha. Dentro desse pedaço escavado, colocamos adubo orgânico. É importante que seja feito nessa época por duas razões. A primeira, aproveitar as chuvas, que farão com que os nutrientes penetrem e sejam absorvidos pela terra. Outro fator é que, ao chegar o inverno, as folhas das plantas cairão nesse mesmo espaço e também se converterão em um tipo de adubo natural.

Falando assim, parece tudo simples, certo? Só há um pequeno detalhe, temos aproximadamente 7 mil pés de vinha e… esse trabalho é feito individualmente. Isso mesmo, em cada um dos 7 mil pés de vinha, se faz a escava de forma manual!

Resolvemos então, contratar nosso vizinho, que vai com o filho e a esposa nos dar essa força. Acho muito legal, porque ele faz e vai me explicando o porquê das coisas, nem sempre consigo entender tudo, mas aos poucos vai entrando por osmose.

E sim, lógico que não dou conta de fazer sozinha, mas me atrevi a mandar ver na enxada também! Por que não? Claro que comecei com o equipamento errado, porque não se faz com uma enxada normal, se usa a chamada “enxada de bico”. A parte da pá é menor e a ponta é em formato de triângulo, ajuda a entrar nos cantinhos e arrancar as ervas e pedras. Comprei uma dessas para mim e vou tentar amanhã fazer esse mesmo trabalho ao redor das oliveiras que, por enquanto, temos em menor número.

E o que achei sobre fazer esse tipo de trabalho? Alguém tem alguma dúvida que fiquei amarradona? É bastante duro, não nego, e sendo sincera, nem fiz tanto assim por hoje, até porque estava com o equipamento errado. Foi mais para entender o que precisava ser feito e como executar. Mas deu para perceber que será uma malhação daquelas! Entendo melhor o bíceps definido da minha vizinha! Quem sabe ano que vem estarei mais forte?

Gosto do trabalho físico, acho uma pena meu preparo ser fraco (por enquanto!), mas devagar vou melhorando. É um momento que não penso em problemas, me concentro nos movimentos, nos sinais que meu corpo dá e em não me machucar. É uma sensação parecida a que tinha quando trilhava o “Caminho de Santiago”, onde basicamente me preocupava com os passos que dava, em proteger meus pés, na postura do corpo, na respiração e… quando me dava conta, havia chegado ao próximo povoado.

Não venho aqui romantizar o trabalho no campo. Como já disse e reforço, é um trabalho duro pacas, muitas vezes pouco reconhecido e mal pago. Tampouco quero dar uma de “blogueira” que vai ali 5 minutos, tem uma experiência e acha que entendeu tudo. Não cheguei nem perto de entender nada! Mas estou aproveitando muito essa conexão com a terra e integração com a natureza. Perceber o tempo das coisas.

Fico sempre embasbacada com a sabedoria popular, situações que são aparentemente simples, mas cheias de detalhes. Por exemplo, quando minha vizinha olha um saco de sementes e diz que é a temporada de plantá-las, mas não pode ser hoje, porque as sementes são velhas e é lua nova… Caraca, não havia reconhecido nem que eram sementes, para mim, eram umas bolinhas! Ainda por cima acreditando que bastava se saber de quando era temporada do que, pronta para fazer minhas elaboradas planilhas para não me perder e, de repente, me dou conta que também depende da tal semente ser nova ou mais velha, ou de que lua estamos e sabe-se lá mais o que!

Caríssimos, eu agora me preocupo com as fases da lua! E não aquela lua que checamos no calendário para cortar o cabelo, mas a que simplesmente olhamos para o céu e vemos. Ainda não sei o que se planta nem quando se plantar e sigo aprendendo horrores todos os dias. Por agora, me contento em ouvir e contemplar.

Aliás, já olhou para a lua essa noite? Ela hoje está um escândalo!

3 comentários em “Escava e análise do solo”

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