Mas como nada na nossa vida é definitivo…

La Maison Blanche começou muito bem, obrigada! Pouco a pouco, ganhando espaço e, o mais importante, desfrutando muito da nova experiência!

Em paralelo, o trabalho como “host” de treinamentos virtuais também aquecendo. Bom para entrar algum dinheiro extra e sem me prender tanto. Ainda que a empolgação inicial já não seja a mesma. À medida que o tempo vai passando, o desafio é menor e não há grandes novidades. Não reclamo, só comento. Achei que foi uma oportunidade e tanto que estou fazendo por merecer.

Enfim, trabalho bombando, Copa do mundo acontecendo no Rio e… meu pai precisa ser internado novamente. Caraca, não tinha uma horinha melhor, não? Passagens a preços estratosféricos, compromissos assumidos… o que eu faço?

Respirar fundo e tentar manter a calma, não é a primeira vez e (assim esperava) não seria a última! Achei que era um momento em que eu precisava ser um pouco egoísta, não podia me dar ao luxo de perder essas oportunidades que estava esperando e batalhando há anos! Resolvi que só iria realmente em último caso, mas esticaria a corda ao máximo.

Foi duro, uma das piores internações do meu pai, que precisou pela primeira vez entrar na hemodiálise, seus rins haviam parado de funcionar. Minha mãe no seu limite da resistência e eu contando à distância com família e amigos para ajudarem a segurar a onda.

Ele melhorou, o bichinho é duro na queda! Meu pai voltou para casa e foi se recuperando na medida do possível. Ainda assim, senti que minha mãe estava muito cansada, a um triz do seu limite. Veja bem, sejamos realistas, se minha mãe cai, ferrou tudo!

Então, assim que ganhei uma brecha entre treinamentos e entreguei os eventos no Maison Blanche que já havia me comprometido, embarquei num avião por três semanas, rumo ao Rio de Janeiro. Meu pai estava relativamente estabilizado, mas queria vê-lo e, principalmente, dar uma folguinha para minha mãe que estava me preocupando mais naquele momento.

Acho que dentro de um núcleo familiar, é normal as pessoas assumirem diferentes papéis, que nem sempre são tão rígidos, podem se alternar de acordo com as necessidades, mas costumam seguir algum padrão. No meu ponto de vista, em minha família acho que meu pai é a força, o porto seguro, minha mãe é o elo de ligação, é quem une, quem alivia, resolve e decide, meu irmão traz vida, energia, alegria e eu sou a “cavalaria”.

Preciso correr livre por fora, não me prenda que eu fujo, não me chame à toa porque sou ocupada. Mas quando o bicho pega, volto do inferno, porque sei que sou para a hora que falta fôlego, para tocar o barata vôa, para celebrar o improvável, para o deixa de mimimi e sobe mais dois degraus porque você pode. Estou para quando a força resvale, a confiança duvide e a alegria se perca. Essa é a hora da cavalaria, é a minha deixa e meu papel. E depois vou cavalgar por outros campos.

Mas voltando à viagem, por coincidência, Luiz também precisou ir a trabalho a São Paulo no mesmo período, por alguns dias e nos encontramos no final de semana, antes dele retornar a Londres.

Basicamente, chega ele no Rio e me diz que a empresa onde foi trabalhar queria contratá-lo, o que ele fazia?

Hein? Como? Quando?

Vou ser bastante sincera, meu impulso natural era dizer: nem escuta, sem chance! Não quero morar no Brasil! Eu morro de saudades das pessoas, mas da vida no país eu não tenho um pingo! Eu sei que se, naquele momento, eu tivesse dito isso, ele nem evoluiria a história.

Acontece que, na prática, dei aquela olhadinha para o “grilo falante” no meu ombro, que cruzava os braços, balançava a cabeça e me dizia: tem certeza? Olha em volta do seu umbigo e seja razoável… seus pais precisando de apoio… sua sobrinha que vai nascer… a carreira do seu marido que, como você, não está ficando mais jovem… todos são você e você é parte disso. Era impossível também não notar como Luiz estava mais feliz trabalhando aqueles dias com a tal empresa, era seu ambiente. Ele queria.

Cavalaria, se vira e comparece!

Luiz, acho que pelo menos você deveria escutar o que eles tem a dizer. Em outra ocasião, não ia querer nem saber, mas talvez agora a nossa presença aqui seja importante. Depois, nada é definitivo, temos cidadania européia, poderemos voltar. Quem sabe seja a hora de dar outra chance ao caos…

Ele abriu a porta para uma proposta, que não tardou em chegar.

Enquanto isso, na sala de justiça… aproveitei bem minha estadia no Rio. Quanto à saúde do meu pai, diria que estava pior do que eu gostaria, mas melhor do que esperava. Durante o dia, minha programação era com meus pais e à noite, quando eles não saem mesmo, marcava com os amigos pelos bares da redondeza. Na verdade, até encontrei mais gente do que imaginava e a viagem foi mais leve do que me preparei.

Na cabeça, girando a possibilidade de voltar a morar no Brasil. Os noticiários eram desanimadores! Sim, a mídia pode ser bastante tendenciosa e blá blá blá… mas convenhamos, basta colocar o narizinho na rua, o país é violento sim, há muita corrupção sim, a educação é uma vergonha sim, a saúde é lamentável sim… enfim, não vou dourar a pílula. Acho que olhe pelo lado que se olhe, a coisa está complicada! Temos uma esquerda indecente e uma direita imoral, ou vice-versa, ferrou mesmo! E aí, o que a gente faz?

A proposta profissional definitiva do Luiz chegou, junto com o dia de voltar para Londres, com minha cabeça e coração completamente divididos.

E foi nesse contexto, alguns dias depois, que dissemos sim. Ele confiante que é a melhor opção e tenso se me faria feliz com isso.

Pensei que já não precisasse mais explicar que sou feliz por vocação, não por ocasião ou contingência. Sou feliz porque sim, porque preciso ser. E é lógico que estou feliz! Pelo menos uma parte de mim, ainda que nunca sejamos uma parte só.

Tenho um pé na euforia por saber que será maravilhoso pela família, pelos encontros e reencontros, os sabores confortáveis, os sorrisos com dentes à mostra, os sons dos sotaques e tantas outras coisas que me lembram quem eu sou… e outro pé no putz, como conviver novamente com a violência, com a falta de educação, com a deselegância, com a desigualdade e tantas outras coisas que me lembram quem eu não sou mais. E nunca serei em lugar nenhum, porque não sou mais um lugar só.

Há muitos anos coleciono saudades. Sei que o preço de um encontro é outra distância e não vou mentir, dói sempre, de todos os lados. E é difícil dar essa notícia porque agora estou no momento do luto do lado de cá, da partida. Sei que quando chegar no Brasil a história será outra, porque terei a felicidade de uma nova chegada e, convenhamos, já era tempo de levar minha saudade para outro lugar.

10 comentários em “Mas como nada na nossa vida é definitivo…”

  1. E eu estou do lado de cá, cotando preços de vôos para São Paulo, desde já. Considerem-se bem vindos de volta, ainda antes de chegarem!
    Muita gente feliz com essa notícia, hein?

  2. Pertencemos ao mundo. Talvez por isso a consciência de que todos os lugares são nossos, mas não somos de nenhum em específico 😉
    O ponto positivo (um dos) é que vc sabe perfeitamente pra onde vem. Virá com vc uma bagagem de vida agregada que fará com que vc viva “o conhecido”, porém com olhos diferentes 😉
    E vi no Face que o primeiro comentário do post referente a vinda de vcs foi da sua mãe 🙂 essa possibilidade de estar próximo, principalmente em momentos onde se faz necessário, não tem preço.
    Toda felicidade e sucesso do mundo para vcs na nova aventura!
    E que venha La Maison Blanche made in Brazil 🙂

  3. Gostei muito da notícia, mas algo me diz que não será definitivo…Mas é bom saber que vcs estão de volta e que a cidade é Sampa…Muitos bjs e sejam muito bem vindos.

  4. Lindo texto, minha amiga! Sei que vem de coração aberto e que deixa muitas saudades por aí… Então dá licença, mundo, a Bia agora é nossa!

  5. Lindo o post Bianca, totalmente tu , Fenix linda, uma inspiracao.
    Qualquer lugar que voces morem, voces sempre serao bem vindos casal, e felizes o que tem, tiveram, terao a energia boa de voces.
    Love xxx
    Ana

  6. Olá Bia,

    Estava a ficar preocupada pela falta de noticias 😉 mas fico feliz por saber que está tudo bem… nova etapa, novas aventuras mas tenho a certeza que um dia ainda voltas para a “nossa Europa”

    Desejo-te muitas felicidades
    Beijinhos
    Andreia

  7. Fico feliz por seus pais e também por ver a família fisicamente mais perto. Não conhecia esse seu lado. Boa sorte e continue se deixando levar.

  8. Pois é, de monotonia não posso reclamar, né? rsrsrsrsrs…

    Andreia, a falta de notícias foi pela correria de costume, como você pode ver agora.

    E, sim gente, não acho que seja definitivo, como nunca é na nossa vida, mas nesse momento acho que é uma mudança importante e pode ser muito legal também.

    Georgia, a corrida ficou para segundo plano, infelizmente. Estou treinando boxe direto, mas havia parado de correr. Estou tentando voltar essa semana, aos trancos e barrancos, mas dessa vez decidida!

    No mais, assim que descubra o que será de nossa vida, vou contando a vocês! Muito obrigada pelo apoio de sempre, a energia positiva de vocês me anima pacas!

    Beijão

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