A saga da mudança 39!

Não poderia ser diferente, não é mesmo?

Os últimos dois meses em Londres foram uma verdadeira saga e, vamos combinar, olha que sou profissional no tema! Mas o problema maior era o seguinte, Luiz precisou ir de cara para o Brasil assumir seu posto e achar um lugar para morarmos. Fiquei sozinha, presa em casa com dois gatos, para resolver os abacaxis britânicos. Nesse meio período, nós só nos vimos uma vez, durante 4 dias, dos quais 2 passamos em Madri, 1 ele trabalhou o dia inteiro e o outro voltou para o Brasil logo cedo. Depois, só no final, literalmente para me ajudar a levar os gatos e as malas no avião! Sério, desde que nos casamos, nunca ficamos tanto tempo longe e cheios de pepinos para resolver!

Chegou uma hora em que nada se definia por si só, então defini eu mesma uma data para a mudança sair de casa e outra para viajar para o Brasil. Paciência! O resto que se adaptasse a essas datas, eu não aguentava mais!

Não é que tudo fosse ruim, por sorte, ainda consegui sair uma vez ou outra com amigos muito legais para dar uma relaxada e amenizar um pouco a história. Mas, francamente, na maioria das vezes nem tinha muita vontade de fazer nada. Chega uma hora em que você já não aproveita mais e só quer resolver!

Não vou entrar na chatice de tudo que precisava ser feito em termos de documentação, tanto nossa como dos gatos! Só digo que o Brasil é um dos países mais complicados do mundo para se entrar com uma mudança! Os portos são colapsados, corruptos e burocráticos! Resolvi optar por uma empresa brasileira para fazer essa mudança, pelo menos, em teoria sabem os caminhos que precisam seguir para liberar tudo mais rápido. Escolhi a FINK e, até o presente momento, estou gostanto bastante do atendimento, vamos aguardar até o final.

E sim, sobrou uma mudança para fazer sozinha… dureza! Escolhi os dias 30/10 para empacotar e 31/10 para levarem tudo! Exatamente, a mudança saiu no dia das bruxas!

Prendi os gatos em um quarto menor, o qual já havia esvaziado e só deixado os felinos com as malas que levaríamos para o Brasil. Assim era menos estressante para eles e para todo mundo. Os empacotadores entram como furacões na sua casa (e é assim que deve ser), não combina com gatos perdidos no meio de toda aquela história, é até bem perigoso. No dia 30, o pessoal da mudança havia deixado minha cama montada, mas preferi o saco de dormir no chão com os gatos, companhia para mim e segurança para eles. Gosto de conforto, mas felizmente, sei viver com muito pouco quando preciso e não me importa.

Para deixar um pouco mais tenso, no início da noite, Luiz me dava a desesperante notícia que se fôssemos de vôo direto pela British, os gatos precisariam viajar no porão! O que? Não é possível! Tenta a Air France! É a companhia mais amigável para quem viaja com animais de estimação! Na verdade, havia dito isso algumas vezes, mas eventualmente, ele custa a me ouvir quando cisma que alguma coisa pode ser feita de outro jeito. Só que não…

Recebi essa terrível informação no caminho do jantar para o aniversário de um amigo nosso. Aliás, bendita hora em que fomos jantar! Pelo menos tomei meu vinhozinho e acreditei que tudo ia se resolver. Não deveria, mas como era um aniversário… ainda fomos tomar a saideira no pub local. Talvez por isso, dormir no chão não tenha sido o menor sacrifício.

Mas de manhã bem cedo, já estava acordada esperando a etapa final da mudança! Resolvi nem tirar os gatos do quarto, para que? Deixa eles saírem quando a casa estiver limpa e vazia. Fiquei o tempo todo dando notícias e fotos pelo Facebook, pelo menos era uma forma de me sentir acompanhada, né? Começaram a pipocar mensagens do Luiz, conseguiu que os gatos fossem conosco na cabine! Ufa! Adivinha em que companhia aérea? Air France, é claro! Precisaríamos fazer uma conexão, a vida não é simples, mas mil vezes dessa maneira, com os gatos ao alcance da minha vista!

E assim foi, com direito a outro porém, três peças dos meus móveis precisavam sair pelo jardim do vizinho, que não estava nem um pouco feliz com a história. O proprietário era quem deveria ter negociado direito isso com ele, o que não fez. Tudo bem, dei meu jeito e quase fiquei amiga da vizinha, pena que foi quando já estava vindo embora.

Tensão até o minuto final, porque o container foi absolutamente cheio até o teto! As últimas duas caixas precisaram ser reembaladas para caber! Juro, foi cheio até a última caixa! Mas foi! E sempre acho que se dá certo, está bom! Temos 166 ítens em caixas e embalagens numeradas, descritas uma a uma, porque é uma requisição para entrar no Brasil. Tudo precisa bater exatamente igual! Assustador, né? Qual a probabilidade de em 166 ítens, passar algum erro? Mas nem quero pensar nisso agora!

Quando acabou, limpei tudo e armei o colchão inflável. Literalmente, os gatos e eu fomos acampar em casa. Eles completamente desconfiados, é lógico! Tudo bem, porque Luiz chegaria no dia seguinte logo pela manhã e isso era um alívio difícil de descrever!

No final de semana, conseguimos fazer um último encontro com os amigos de Londres, noite agradável, com notícias que nos deram muita felicidade! Por que não dizer, muita saudade também, mas faz parte.

Na segunda-feira, consulta final dos gatos no veterinário, para ter toda a papelada organizada para a viagem! Tudo certo! Outro alívio, só possível de ter nos 45 minutos do segundo tempo!

Na terça-feira, terminar de fechar as contas, limpeza, organização das malas etc. Jantamos com nosso amigo que herdou as últimas comidinhas e um aspirador que ele nem queria, coitado! Mas não tinha como deixar na casa.

E, na quarta-feira, dia 05 de novembro, acordamos às 3 da matina para tomar rumo ao Brasil. Última cereja do bolo: colocar os gatos na caixa de transporte. Imagina a facilidade, depois da mudança e de levá-los ao veterinário? Eles estavam mais ariscos que nunca! O Wolverine não deu tanto trabalho, mas a Phoenix se enviou na chaminé, com Luiz agarrando ela pela perna e eu enfiando a mão por cima da cabeça e empurrando para baixo. Juro, desesperador! Se ela se enfia com gosto na chaminé, a viagem ia para o saco! Foi para a caixa de transporte ainda cheia de cinza! Es lo que hay!

O avião saía às 7 da manhã de Londres para Paris, saltamos esbaforidos para entrar no avião seguinte (e o medo de perder a conexão!). Quando o avião levantou vôo para o Brasil, com nossos dois felinos no colo, sabia que o caminho era longo, mas estava feliz de ter conseguido! O pior havia passado!

Nossos bichanos se comportaram muito bem, devo admitir! Wolverine, só não aguentou no final, quando o avião pousou no Brasil e fez um xixizinho, que ninguém notou, porque a caixa estava protegida com material absorvente. Vamos combinar, depois de quase 24 horas desde que acordamos e saímos de casa, não foi nada!

E valeu à pena todo esse perrengue e despesa para trazer dois vira-latas? E como uma imagem vale mais que mil palavras…

gatos1

Claro que valeu!

Do taxi, liguei para os meus pais para avisar que chegamos e estava tudo bem. Ou quase bem…

Ah, vamos complicar só um pouquinho mais? Porque afinal de contas, estava tudo tão fácil… Pois é, Luiz teve uma reação alérgica forte na garganta, não é a primeira vez que tem e simplesmente precisava ir ao hospital. Em Londres, não dava ou perdíamos o avião, então também se segurou até chegarmos. Entramos no aparthotel e acomodamos os gatos. Eu fiquei com eles para se ambientarem e Luiz foi para a emergência do Einstein sozinho tomar cortisona!

Assim que Luiz voltou, os gatos estavam ainda desconfiados, claro, mas bem e carinhosos conosco. Espalhei pelo lugar alguns objetos de confortos, mantas com o cheiro deles, brinquedinhos… enfim, na medida do que era possível, estávamos todos bem. Luiz medicado, pais avisados, posso dormir! Empacotei de babar até o dia seguinte! Pela manhã, quando Luiz levantou meus olhos nem abriam! Mortinha da silva! Mas aliviada e posso dizer que feliz que, finalmente, tudo havia terminado bem!

Ainda temos muito o que resolver e meu endereço 39 é um aparthotel, com as roupas espremidas nos armários, uma mudança pelo oceano e as malas escondidas na varanda! Mas estamos juntos, os gatos estão protegidos, a família está próxima e os amigos cheios de mensagens carinhosas. Pronto! Prova superada!

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