A saga do vestido de noiva

Pois é, sei que tenho uma meia dúzia de crônicas atrasadas, já entramos em fevereiro e nem consegui terminar de contar 2013 ainda! Coisas que tenho na cabeça, algumas mais sérias que outras, algumas que você empurra com a barriga porque não sabe se quer realmente se expor; outras mais leves, mas que queria registrar. Enfim, não importa a cronologia, hoje eu relaxei e vou escrever só para dividir o momento. Afinal, é domingo e quero fofocar com a mulherada, acho até que vou pegar uma tacinha de Chablis para entrar no clima!

Meninos, podem ouvir a conversa se quiserem, mas francamente, acho que interessará a poucos! É papo de mulher mesmo, mas alguns curiosos às vezes gostam.

E, a propósito, ao invés do vinho, peguei um chá de gengibre com limão. Mais propício ao momento que já vou contar.

É o seguinte, no próximo dia 18 de março faço 20 anos de casada. Pelo início do ano passado, tive o plano malévolo de fazer um festão de bodas de porcelana usando meu antigo vestido de noiva. Sim, ainda tenho guardado meu original vestido de noiva!

Havia apenas um pequeno detalhe: estava com quase 10kg a mais do que quando me casei! Era magrela pacas! Putz, menor chance! Até achei que poderia ser motivação para emagrecer… mas 10kg? Acho que nem queria emagrecer tudo isso! Impossível! Ainda mais que o vestido é tubinho, acho que ficaria entalado no pescoço! Muito humilhante para valer sequer uma tentativa. Deixa para lá!

O ano passou, muita água rolou e quase esqueci dessa história. Primeiro, porque acabei emagrecendo por outros caminhos e motivos, qualquer hora escrevo sobre isso, está entre aquelas crônicas que ando enrolando. Depois, porque surgiu a possibilidade de mudarmos de país exatamente nesse período. Assim que nem festa mais a gente tinha certeza se conseguiria fazer.

No Natal, tive hóspede em casa e falamos sobre vestidos de casamento. Fiquei até de mostrar o meu, mas acabei esquecendo. O fato é que lembrei do plano anterior de vesti-lo.

E, a partir de aí, de vez em quando eu olhava para aquela maleta cinza guardada na parte de cima do armário… será que você ainda cabe em mim? Ou melhor, será que algum dia ainda caberei dentro de você?

Ao longo do ano passado, perdi uns 6Kg e algo. Não os 10kg a menos de quando casei, mas já não parecia tão longe ou tão impossível. Uma coisa é que ele ficasse ridiculamente justo, outra é que não houvesse nem esperança de entrar! Pronto, minhoca plantada na cabeça!

Nisso, pedem mais alguns documentos para o nosso processo de visto para os EUA. Fizemos as contas e achamos que mudar em março estava muito em cima. Atualizamos nossa previsão para o fim de abril.

Opa! Se vamos em abril… festa de casamento em março volta a ser viável! Certamente, nada complicado, porque não dá para investir muito nisso agora, temos outras prioridades. Mas com criatividade e animação dos amigos, sempre se pode marcar o momento. E se sem motivo para festa a gente arruma, imagina com razão! Vamos combinar que 20 aninhos de matrimônio merece ser celebrado, certo? Não tenho ideia ainda do que vai rolar, mas já veremos.

Daí Luiz precisou viajar a trabalho ao Brasil, aproveitou para dar uma assistência à nossa família. Acontece que me deixou sozinha em casa um fim de semana, olha o perigo! Eu, sem muito ânimo para sair, mas satisfeita com as últimas notícias de casa, só podia pensar bobagem, né?

Quer saber, vou aproveitar que ninguém está olhando e vou provar o raio do vestido!

Abro a famosa maleta cinza, que dentro tem uma caixa de papelão, ainda com a fita adesiva da companhia de mudança entre São Paulo e Atlanta. O que quer dizer que há muitos anos não era aberta. Primeira surpresa, na minha memória havia somente o vestido de noiva dentro de um plástico. Mas havia três embalagens, uma do sapato que usei na cerimônia, outra com o vestido de primeira comunhão (Sério! Por que mesmo eu o guardei?) e outra com o… tchan, tchan, tchan, tchan… vestido de noiva!

Primeiro pensamento feminino: caraca, não deveria nem ter tomado café da manhã para perder mais algum milímetro de medida! Encolhe a barriga… não respira… coragem!

Admito que apertando aqui e ali… suspense de entalar ou o vestido esgarçar, afinal são 20 anos… opa, entrei! EN-TREI!

Bom, isso visto de frente, né? Quando olho de costas, lógico que o vestido estava aberto! Tudo bem, melhor do que eu pensava! Agora é ver até onde consigo fechar a bosta do zíper! Não deu para fechar tudo, mas como ele é bem decotado atrás, sabe que não ficou mal? Talvez se colocasse algum arranjo ao fim do decote para disfarçar…

Fui procurar um arranjo de tecido parecido. Quando me dei conta que andava como uma foca, mal conseguindo separar as pernas! Lembra que o vestido era tubinho? Ok, foca não, uma sereia, pronto! Uma gueisha, quem sabe… Enfim, andando bem engraçado!

Acontece que a ideia do arranjo não foi de todo má e quando me olhei no espelho grande da sala de jantar, já com as imensas luvas e o cabelo preso em coque, admito que adorei! Sem os óculos não via detalhes e foi muito bom viajar no tempo, me achar parecida, me lembrar. E ainda me emociona e alegra recordar esse dia. Vale dizer que me emociona sem lágrimas, não chorei no meu casamento, estava só feliz.

Agora, a grande dúvida que gostaria de compartilhar: devo passar fome até o dia da festa para caber no vestido ou coloco um arranjo em cima da bunda para disfarçar o decote aberto? Porque aí também não sento nem caminho muito durante toda a noite, né? Ou, de repente, coloco o vestido só para fazer algumas fotos em posições estratégicas e logo troco para uma roupa mais confortável, como acontece em alguns casamentos. Assim, como se fosse esse o plano original mesmo, naturalmente.

Muito bem, ainda não decidi que roupa usarei nas bodas, na verdade, nem certeza da festa tenho ainda. Paciência! A melhor parte foi pensar que tanta coisa mudou, mas sobrando um pouco daqui e apertando um pouco dali, ainda caibo na minha pele, me reconheço. E caminho em direção ao mesmo par de olhos.

10 comentários em “A saga do vestido de noiva”

  1. Ahhh, menina! Que felicidade, hein?! Tb guardo o meu vestido (que nem é vestido, é saia e blusa), mas nemmmmm de longe ele me entra mais (eu não entro nele). Já pensei em reformá-lo, remodelá-lo, transformá-lo … mas, no final, sempre ganha a esperança de algum dia entrar nele novamente. Estou na metade do caminho … digo, em anos de casório, porque de quilos … deixa pra lá 😉
    Bjos!

  2. Bianca, me lembro dessa historia na semana depois do meu casamento. Acho uma grande ideia. Coloca o vestido sò para as fotos.
    Levei meu vestido de noiva de ferias em dezembro e fizemos otimas fotos na praia. Ele ta aqui guardadinho para uma super festa de 5,10,20… Anos… Não sei. Faz a festa sim, veste seu vestido e aproveita.

  3. Essa Bianca 🙂 ri tanto agora quando li “Quando me dei conta que andava como uma foca, mal conseguindo separar as pernas! Lembra que o vestido era tubinho? Ok, foca não, uma sereia, pronto! Uma gueisha, quem sabe… Enfim, andando bem engraçado!” Imaginei a cena, um dia passou comigo. Boba, eu diria, sereia 😉 Fica bem xxx

  4. Ahhhhhh minha chica linda, é lógico que vc vai colocar o vestido tubinho, tirar vaaariass fotos e depois de virar sereia, troque o modelito! Beijos millllll

  5. Hilaria a cena da foca!!!! Rsrsrs Tambem voto ir de sereia com arranjo na retaguarda, tirar muitas fotos e dps outro modelito mais confortavel! 🙂 Bjs

  6. Eu também acho que você deve colocar o vestido sim, afinal você já emagreceu muito e já pode entrar nele, tire muitas fotos com o Luiz e depois um modelito confortável pra aproveitar a festa…
    Sabe que eu ainda tenho o meu desde 26/07/1979…Mas nem em sonho eu entraria nele kkkk…
    Muito beijos para você…

  7. Bianca, que bonitinho!!! Eu faria as fotos e trocaria de roupa. Lei do menor esforço sempre. Aliás, quase sempre. Sabe aquela meia-maratona? Será no domingo. Medooo! Depois te conto.
    Beijos!

  8. Bi, sou pelo vestido com arranjo no decote para o momento “formal” das bodas e depois trocar por um modelito mais confortável para aproveitar a festa. E estou feliz que eu não tenho mais o meu macacão vermelho pois com certeza não caberia mais, e hoje em dia eu não usaria aquele modelito de jeito nenhum 🙂

  9. Opção B: “…de repente, coloco o vestido só para fazer algumas fotos em posições estratégicas e logo troco para uma roupa mais confortável, como acontece em alguns casamentos.”

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