De volta a Londres

Muito bem, depois de toda comemoração, morta de sono e cansaço, embarcamos de volta para casa. Adoraria ser capaz de dormir no avião, mas nunca, absolutamente nunca, é meu caso. Diferente do Luiz, que dá até raiva! O avião nem decolou ainda e ele já está ressonando! Na verdade, acho ótimo, porque ele encara umas viagens bem longas tendo que trabalhar no dia seguinte, só queria ter metade dessa habilidade.

Aterrissamos no Reino Unido com a história da possível mudança a pleno vapor! Eu vou ser muito sincera, depois de mais de nove anos, me custa um bocado deixar a Europa. O estilo de vida europeu me cai como uma luva e estava bastante satisfeita morando em Londres. Vamos combinar que agora em janeiro fez só um ano que chegamos por essas bandas e temos amigos ótimos aqui! Mas chega uma hora que a gente precisa colocar outras coisas na balança.

No início de 2005, quando saímos dos EUA, praguejei que não colocaria mais meus pés naquele país! Nem como turista! Após um ano, com a poeira mais baixa e com a distância suficiente para por as coisas em perspectiva, fiz as pazes com o passado e cheguei à conclusão que também não era assim. A raiva passou e ficou a saudade dos amigos legais que conhecemos por ali. De certa maneira, aprendi com a experiência, saberia o que esperar e poderia ser feliz se fosse necessário viver ali uma próxima vez.

Apesar de ter essa questão resolvida na cabeça, não foi simples cair a ficha de que essa possibilidade ficava cada vez mais certa. O reflexo condicionado da rejeição a querer voltar ainda ecoa de vez em quando. Mas cada vez menos, até porque a condição é tão diferente e eu sou tão diferente também que fica difícil comparar.

Da primeira vez que moramos nos EUA, poderíamos eleger Atlanta ou Miami. Eu e meu preconceito achávamos que Miami era meio cafona e teríamos uma experiência muito mais latina que americana. Fomos para Atlanta. Um ano mais tarde, quando precisamos tramitar a papelada de vistos para Espanha, o consulado mais próximo era em Miami, para onde viajamos um par de vezes com esse propósito. Mudei minha opinião em relação à cidade, achei mais viva, mais animada, até pela mistura de nacionalidades. Mas enfim, já estávamos de partida.

Mal sabia eu que, pouco mais de nove anos depois, Miami estaria novamente em nosso caminho. Porque é exatamente para lá que Luiz está sendo convidado. Na realidade, terá que viajar bastante pela América Latina e ali é logisticamente interessante.

Minha família recebeu a notícia de maneira muito positiva. Eles gostam mais dos EUA, o acesso é mais fácil e muito mais barato do que daqui. Além do que, o clima é ameno e, na hipótese mesmo remota de nossos pais resolverem nos visitar algum dia, para eles isso faz muita diferença. Saber disso também pesou para mim. Caso a gente precise dar um apoio maior, como tem acontecido, facilita bastante. Acho que dá mais segurança para eles, o que por tabela me deixa mais tranquila.

Temos amigos queridos que se mudaram a pouco tempo para Miami também, o que dá outra motivação. Não tenho muita dificuldade em refazer um círculo de amizades, mas já chegar conhecendo gente legal, praticamente família, ajuda muito!

Outro ponto que pesa pacas e não vou negar, é o financeiro. A Europa é show culturalmente para se morar, mas o dinheiro por aqui não sobra. Muito menos em Londres! E vamos combinar, nem Luiz nem eu somos mais garotos, a água passou do joelho faz um tempinho e já começa a bater nas nádegas! Precisamos ser razoáveis e pensar no futuro.

Diante de todos esses pontos, a decisão pelo nosso lado não deixava muita margem a dúvidas. Então, topamos e vamos ver no que dá.

Estava esperando ter certeza absoluta para contar, mas a verdade é que nunca temos certeza absoluta de nada mesmo. Assim que prefiro o risco a contar o que talvez não aconteça, mas pelo menos com a torcida e o palpite dos amigos.

Agora tem a parte burocrática. Dessa vez, iremos com visto de transferência, o que costuma ser bem mais simples que o nosso visto anterior. Além do que, com esse visto eu também posso trabalhar normalmente. Mas só podemos dar entrada na semana que vem, quando Luiz faz oficialmente um ano de empresa. Daí veremos quanto tempo levará de verdade, nos disseram que leva de 4 a 6 semanas para resolver, o que me pareceu um prazo fenomenal, não estou nem acreditando muito. Meu palpite é que, se tudo der certo, a gente muda pelo fim de março ou começo de abril.

Enquanto isso, na sala de justiça… resolvi não pensar tanto a respeito e aproveitar tudo que tiver direito por aqui! Quando a gente tiver uma data mesmo para se mudar, aí sim eu viro a chavinha na cabeça para gostar de lá! Modéstia às favas, tenho prática nesse assunto e sei que ainda tem muita água para rolar!

E como chega tudo junto, consegui um trabalho! É tão meu número que dá até medo de comentar! A empresa é de amigos nossos, que me fizeram uma proposta bastante interessante para ambos os lados. É basicamente para dar suporte a treinamentos virtuais. Os cursos duram 3 dias, não tem toda semana e posso trabalhar remoto. Parece fácil de encaixar alguém no perfil, mas acaba não sendo tão simples, porque apesar de ser uma tarefa básica, não dá para ser apenas alguém técnico, tem que ter um certo nível, ser capaz de entender e aplicar o conteúdo do treinamento e funcionar de intermediário entre os participantes e instrutores. Geralmente, quem tem esse perfil não está tão satisfeito em executar uma tarefa básica. Além do que, para a empresa, não interessa ter alguém contratado por tempo integral para uma atividade que não acontece toda semana; mas é complicado ter alguém confiável e conhecido que não precise ter esse compromisso. Veja bem, tudo que poderia ser desvantagem para outra pessoa, para mim é correr para o abraço! Estou pouco me lixando se é uma tarefa básica ou não! Acho até melhor não ter a pressão de ser responsável pelo conteúdo, pelo menos, por enquanto. Não me interessa um contrato fixo, muito menos trabalhar todos os dias, porque tenho outras atividades em outras áreas que quero seguir. Para completar, ainda posso entregar em três dos quatro idiomas que eles treinam, e em qualquer lugar do mundo, porque não me importa o fuso horário local (faço de casa mesmo, só três dias não mata ninguém!). Semana que vem participo do primeiro, em inglês. Estou curiosa e não vou negar que dá um pouco de nervoso voltar a namorar com o mercado, mesmo que seja só pela tangente e com algo simples. Mas uma “dinheirrinha” para Bianquinha não virá nada mal…

Pois é, até aí, tudo ótimo! A questão é que há uns dois treinamentos desses marcados em épocas que a gente “poderia” estar mudando. Friso o “poderia”, porque sabe como é, a gente nunca sabe se vai mesmo, que dia vai e como vai até os 45 minutos do segundo tempo! Bem vindos ao nosso mundo! E mesmo podendo estar em qualquer país, o que é uma vantagem imensa, preciso de uma base para conectar direito, um computador e uma mesa de trabalho. Agora, onde raios estará essa mesa é o que a gente vai ver! Mas você ia perder uma oportunidade assim por causa de uma mudancinha transoceânica?

Enfim, mais uma vez, vamos dar uma chance ao caos!

Ainda preciso descobrir como chamar as próximas crônicas… Miamicas? Sugestões?

14 comentários em “De volta a Londres”

  1. Querida prima Bianca,
    Não vou ser tão narrativa quanto você, não se preocupe, mas só quero te desejar, e ao Luiz igualmente, muita sorte na empreitada. Sempre devemos ter a fé e a perseverança de abraçar desafios e seguir em frente. Claro que será melhor e, como você mencionou, mas perto da terrinha, da família, dos pais amados. Vocês são bem jovens ainda, bonitos e iluminados; nada de pensar que a idade está pesando. Tudo vai dar, e já deu muito certo! Miami é fantástica e certamente vocês serão ainda mais felizes do que têm sido até então. Aceite a boa intuição desta aquariana que te quer bem. Desejamos muita boa sorte para vocês! Beijos, Angela e José Roberto

  2. Otimas noticias Bi!!!! 🙂 Acho que Miami vai cair como uma luva pra vcs, ainda mais sabendo que pessoas tao queridas estarao la aguardando vcs… Quanto ao trabalho, nao podia ser melhor! Sei o quanto isso e importante pra a gente que teve uma carreira um dia. Corre pro abraco minha amiga!!! Nao se preocupe por antecipacao, pois no final as coisas se ajeitam. Beijo grande e suerte suerte suerte!!! 🙂

  3. Estou adorando as suas crônicas, já virei fã de carteirinha! 🙂

    Siga o seu instinto sempre e deixe a vida te levar, pelo menos foi assim que fiz na minha rota: Rio de Janeiro/Budapest/Madrid/Rio de Janeiro/Miami e, hoje sou bastante feliz aqui.

    Também tinha preconceito com Miami e até hoje ainda brinco: Miami não é EUA, você começa com o inglês e se a pessoa acha que você é latino (o que está estampado na nossa cara!) te rebate com o espanhol (nada de sotaque madrileno, o sotaque é de se atirar da Ponte Rio-Niterói).

    Mas o clima compensa, a simpatia dos latinos (maioria cubanos) compensa, o custo de vida compensa, a variedade da comida compensa e o melhor, você certamente terá um milhão de visitas de amigos e família por ano pois Miami virou Rio-SP, todo mundo arranja um jeito de passar por aqui, nem que seja Rio/Mia/NY! 🙂

    Vem com fé, amigos muito queridos estão à sua espera! 🙂

    Beijos da nova amiga de asas e super sorte na nova vida de vcs!
    Bela (Isabela Lins do Face)

  4. Uau! Que maravilha!
    Há algum tempo atrás jurei que JAMAIS moraria no Rio. Olha eu aqui agora – e que ninguém nos escute: estou “até” gostando …rs
    Sorte, sucesso, felicidade para vcs!
    Estarei ansiosa para ler suas aventuras Miamicas 🙂
    Bjos!

  5. Pois é gente, vamos ver como essa história evolui, vou contando por aqui! Valeu pelas palavras e pelo incentivo! Como diz Barão Vermelho, “…sorte tem quem se apaixona, sem tralhas, nem planos, nem ais, sorte, tem muita sorte, quem decide ir e vai…”. Então, vamos, né? 😀 Beijão para vocês

  6. As noticias nao poderiam ser mais MASSA do que estao :):):) Contando que voce estar tao pertinho aqui da gente (pelo menos ate que nao aconteca a minha mudanca, hahahahaha), mas isso a gente deixa para quando o tempo chegar. Vamos celebrar a proximidade primeiro :):):)
    E SEJA BEM-VINDA AO MUNDO DOS NEGOCIOS DE NOVO, hahahaha Ja estava na hora :):):) E realmente tem a sua cara!
    So desejo o de melhor para voces dois!!!! VOCES MERECEM TUDO DE BOM E UM POUCO MAIS!!!!
    All my love com um beijo

  7. Bianca e Luis, vocês estão se aproximando pouco a pouco do Brasil…Muita sorte e sucesso pra vocês em Miami. Bjs.

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