Furacãozinho básico entre calmarias

Nada tão grave, aviso para não criar muito suspense, mas sabe quando as coisas parecem ir no prazo, redondinho e de repente, embola tudo e você não sabe o que fazer? Pois vamos por partes.

 

Segunda-feira à noite, fomos ao concerto do Toquinho. É a segunda vez que o assistimos aqui em Madri. Um showzaço! Acho ele muito fera e adoro o repertório de bossas, sambas arrojados e música brasileira de excelente qualidade! Os músicos que acompanham são fantásticos, mas dou destaque à pianista, Silvia Goes. Entra no palco aquela senhora de óculos que poderia ser minha mãe e dois segundos depois que começa a tocar, se transforma num monstro de habilidade e carisma. A tia era enfurecida! Acompanharam também um baterista, um baixista e outra cantora, todos muito bons, mas não consigo lembrar os nomes, infelizmente.

 

Depois do show, ainda tinha o concerto de uma amiga, Flávia-N, no bar desse mesmo local onde tocou o Toquinho (tocou Toquinho é engraçado, né?). Não pudemos ficar até o final, porque Luiz tinha que acordar cedo no dia seguinte, mas deu para curtir um pouco.

 

Assim que fui dormir na segunda bastante leve e com uma trilha sonora de cordas e acordes ressoando na cabeça.

 

Decidi que queria ficar com o carro na terça-feira, para resolver algumas coisas antes da viagem ao Rio, marcada para 26 de julho, quinta-feira. Então, acordei bem cedo para levar Luiz e assumir nosso veículo.

 

A primeira coisa que fiz quando acordei foi o teste de gravidez e nem foi por ansiedade, é por ser melhor logo pela manhã. Para ser brutalmente sincera, fiz bastante indiferente e com a expectativa baixa de quem sabia que o resultado seria negativo. E foi. Não fiquei triste, essa etapa já passou, estava apenas nas formalidades. No início, queria muito engravidar, mas já faz algum tempo que só quero que se acabe. Está mais do que na hora de mudar algumas prioridades. Se vai acontecer no futuro, talvez, mas meu papel foi cumprido e modéstia às favas, muito bem obrigada.

 

Bom, depois de deixar Luiz no trabalho, voltei para casa porque as lojas ainda estavam fechadas e fiquei fazendo uma horinha. Pelas 10h, hora que abre o comércio em geral por Madri, lá vou eu para a rua.

 

Passei em um outlet aqui perto, que vende roupas de marca a preços excelentes. Não é que seja baratinho, até porque são marcas boas, mas proporcionalmente ao preço das lojas, é bem razoável e você sabe que está comprando algo de qualidade. Tinha uma encomenda da minha mãe e aproveitei para ver alguma coisa para mim também. Geralmente, a gente ia nesse outlet nos sábados, quando fica bastante cheio e insuportável. Adorei ir cedo durante a semana e poder ver tudo tranquila.

 

Depois fui fazer umas últimas comprinhas, tanto aqui para casa quanto para levar ao Brasil. Sabe como é, as lembranças de viagem na minha família são sempre comida. Assim que lá fui eu comprar jamón, fuet, chocolates diferentes… enfim, o contrabando que costumo levar.

 

Ir ao mercado é algo rotineiro para qualquer mortal, mas nesse caso havia um certo tom de novidade. Primeiro, porque não vou sozinha dirigindo a um supermercado desde que morava em Atlanta, ou seja, lá se vão uns 8 anos! E nos últimos 3 anos, tenho feito as compras por internet. Até ia ao mercado de vez em quando, mas sempre com Luiz. Por isso, bem que estava curtindo essa história de um novo olhar em algo básico. Dá um gosto de conquista, mesmo sendo uma atividade simples.

 

Aproveitei para dar uma volta de carro, fazer alguns caminhos diferentes, explorar o território. Queria ter um gostinho do que será a vida por aqui antes de viajar de férias.

 

Fui para casa, preparei meu almoço devagar, comecei a separar algumas roupas para viajar, ver o que tinha para lavar, enfim tudo sob controle.

 

É que, enquanto estivermos viajando, vem dormir aqui em casa um casal de amigos para cuidar do Jack, nosso felino mimado. E daí gosto de deixar comidinhas, o apartamento arrumado e confortável para que eles se sintam em um hotel! Afinal, estão me quebrando um galhão!

 

Aproveitei para pintar e arrumar o cabelo, afinal quero chegar ajeitada no Rio, né? Minha amiga que faz minha depilação ficou de chegar pelas 17h, assim que tinha tempo para tudo.

 

Muito bem, quando estou no banheiro terminando de guardar o secador de cabelos, cai a luz. Às vezes, quando você liga vários eletrodomésticos ao mesmo tempo, ou dois que puxem muita energia, a luz cai. Mas achei estranho um apartamento desse tamanho não ter capacidade para aturar um ar condicionado e um secador!

 

Fui checar o painel de luz e estava tudo normal, não havia caído nenhum fusível.

 

Havia escutado alguns sons de obra embaixo e pensei, vai ver eles desligaram a energia por algum tempo para resolver algum pepino. Que sorte que pelo menos terminei de lavar a cabeça e fazer minha escova!

 

Liguei para o Luiz para contar, mas ele estava em reunião enrolado, então nem falei nada e desliguei.

 

Fui procurar o telefone do zelador do condomínio para perguntar se ele sabia alguma coisa. Ele veio aqui em casa, mostrei o painel de luz para ele, que me disse que iria confirmar no quadro de energia do edifício.

 

Dali a pouco ele volta com um ar de dúvida e me diz: olha seu apartamento não tem nem contador de luz!

 

Como assim não tem contador? Minha luz foi cortada? Bom, agradeci e disse que ligaria para a imobiliária para tentar entender o que estava acontecendo.

 

Será que Luiz tinha esquecido de pagar a conta? E agora, como a gente fazia? E isso já era umas 17h, como vou conseguir resolver isso hoje? Caraca, e o casal que vem para cá cuidar do Jack? Entrei em pânico!

 

Mandei uma mensagem para Luiz e liguei em seguida, sinto muito, não interrompo suas reuniões nunca, mas isso era uma urgência! Pergunto para ele: Luiz você pagou a conta?

 

Ele ficou até meio ofendido, mas o que eu poderia pensar. É assim, os proprietários do nosso apartamento moram na Bélgica e a imobiliária é que administra. Ele me disse que havia combinado com a corretora que ela passaria todas as contas do antigo inquilino para ele. Que eu ligasse para ela para ver se havia algum problema. Eu achava que ele deveria ligar, afinal era quem tinha combinado tudo. Mas ele estava todo enrolado, então ligo eu para a corretora, toda sem graça, achando que a gente devia ter feito alguma besteira.

 

Quando conto a história para ela que a luz havia sido cortada, ela responde do outro lado com um jeito de que sabia do que se tratava: não acredito que eles cortaram! Eles me disseram que não iriam cortar…

 

Eles quem? Do que a gente está falando?

 

Encurtando o assunto, os inquilinos anteriores deixaram uma dívida de mil e tantos euros em energia e, por isso, simplesmente, cortaram nossa luz e quase cortam o gás também!

 

A corretora estava tentando resolver esse assunto nos bastidores e não nos falou nada. Até entendo que ela não quisesse nos preocupar, mas acabou nos deixando numa saia justa danada! Sem energia, em um momento péssimo e ainda passo por caloteira com o zelador!

 

Enfim, nisso consegui falar com Luiz que disse que estava indo para lá conversar com a corretora pessoalmente e ela me disse que já estava providenciando um eletricista que ligaria minha luz naquele momento.

 

No meio dessa confusão, me liga a amiga depiladora que havia saltado no ponto errado e não sabia como chegar direito aqui em casa. Putz, estava de carro, em outra situação, iria buscá-la, mas como poderia sair de casa com essa muvuca armada?

 

Expliquei por telefone como ela chegava, avisei que era longe e disse que podia vir com calma porque estava sem luz em casa!

 

Me liga Luiz: Bi, falei que ia para a imobiliária, mas esqueci que quem está com o carro é você!

 

Pega um taxi, daqui não posso sair!

 

Liga a corretora que havia conseguido falar com o eletricista e ele estava a caminho da nossa casa, um tal de Miguel Angel. E eu pensando, é bom esse anjo Miguel saber operar milagres, porque como é que ele vai ligar minha luz sem contador? Em bom português popular, ele ia me fazer era um belo de um “gato”, certo?

 

Nisso, minha amiga depiladora me ligando perdida e pedindo instruções para chegar. E eu pensando, o pior é que ela vai chegar aqui e não vamos poder fazer nada. Onde é que ela vai ligar os aparelhos para esquentar a cera? Não tem luz!

 

Liga meu irmão do Rio, para falar que nos buscaria no aeroporto e todo animado para conversar. Caraca, agora não dá, estou no meio de um furacão, falamos mais tarde!

 

Chega Luiz em casa, já havia conversado com a corretora por telefone e entendido melhor o problema. Que será solucionado a gente sabe, a responsabilidade não era nossa. O caso é que estamos para viajar e não podemos deixar esse pepino para quem ficar aqui, né? O casal de amigos pode ficar no seu próprio apartamento, afinal, só estão vindo para cá por um favor. Mas e meu gato? Já comecei a pensar em um plano B para o Jack, podia deixá-lo na casa de amigos, mas seria bem chato ter que tirá-lo do apartamento. Ele está velhinho, tem que tomar medicação todos os dias e agora que está começando a se acostumar aqui, sair de seu ambiente e sem a gente por perto… putz!

 

Bom, o eletricista estava a caminho e Luiz disse que não adiantava ele ficar aqui esperando comigo, o que concordei. Então, voltou para seu trabalho e levou o carro.

 

Uns minutinhos depois, chega a amiga depiladora. A coitada caminhou uma hora com o sol na cuca e uma bolsa pesada, estava roxa! Entra, senta um pouco, toma uma água que te conto o tamanho da encrenca!

 

Sentamos na sala, ficamos esperando juntas o eletricista, conversando com aquela cara de nádegas, sem saber que raio fazer. E eu pensando, cassilda, minha geladeira cheia de comida…

 

Escutamos um carro, será que é o tal Miguel? Um minuto depois toca o interfone, era ele. Abri a portaria e fiquei esperando ele subir. Começou a demorar um pouco, daí deduzimos que ele já estaria tentando resolver lá no quadro de energia do edifício.

 

Uns minutinhos depois… e fez-se a luz! Nem acreditei! Ele subiu para conferir, tinha mais jeito de executivo que eletricista. E eu pensando, deve estar tudo engatilhado aí embaixo…

 

Passei um SMS para Luiz, já que ele nem poderia atender o telefone e avisei que, pelo menos por hoje, tínhamos energia.

 

Fui fazer a depilação e bem no meio, me liga Luiz: esqueci de te avisar, combinei com um casal de amigos de passarem no apartamento hoje no fim da tarde, se eles tocarem aí, recebe por favor que estou chegando… Veja bem, nesse exato momento tenho cera em locais que prefiro não pronunciar, não tenho como levantar daqui, melhor você correr e chegar rápido!

 

Ele chegou a tempo e recebeu nossos amigos, enquanto eu terminava minha sessão de torturas particular. Chato, porque gosto de preparar alguma coisa quando recebo as pessoas, mas enfim, era o jeito. Por sorte, são de casa.

 

Ficamos conversando um pouco e ainda deram carona para a amiga depiladora, que ao menos na volta, não precisaria correr o risco de errar a condução outra vez.

 

Só aí que consegui conversar com Luiz para entendermos melhor a situação. Ele me deu mais detalhes que havia falado com a corretora. Ela disse que já havia conseguido solucionar com a companhia elétrica e que eles voltariam no dia seguinte, hoje, para regularizar a situação e que já haviam sido informados que foi feita uma ligação, digamos, “provisória”. Como essa história vai terminar, ainda não sei, mas um passo de cada vez.

 

Tudo bem, quando acaba bem.

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