Istanbul (ou Estambul) em três dias

Em teoria seriam cinco dias, mas chegamos no dia primeiro de janeiro de 2011, pelas dez da noite, e ainda por cima nos curando de uma ressaca daquelas pela festa de reveillon. Fomos embora no dia 5 pela manhã. Ou seja, na prática, para conhecer a cidade mesmo, foram três dias inteirinhos. E sim, deu para fazer bastante coisa. Os turcos escrevem Istanbul, os espanhóis Estambul, não sei como se traduziu em português, então preferi a versão turca.

Ficamos hospedados no hotel Ceylan Intercontinental, localizado na praça Taksim. Quem reservou tudo foi meu irmão, fui de convidada e me dei muito bem. Logo no check in, o recepcionista nos deu um upgrade e ficamos em uma suíte enorme, com vista para o estreito de Bósforo.

Achei o máximo esse negócio de ficar na Europa com vista para a Ásia! Já havia ficado em locais com vista para o mar, para montanha, etc. Mas foi a primeira vez que fiquei com vista para outro continente.

 

Muito bem, como disse, chegamos um pouco tarde na cidade e ainda tinha álcool circulando pelo meu cérebro da noite anterior. Portanto, preferi tentar dormir logo e me preparar para o dia seguinte. Uma amiga nos acompanhou nessa viagem e ficou em um hotel bem próximo ao nosso. Ela e meu irmão ainda tiveram energia para ir ao bar do hotel um pouco mais. Devia estar bom, porque tinha música ao vivo e uma vista panorâmica da cidade. Enfim, não me arrependi da minha escolha, o dia seguinte agradeceu.

Amanheceu com sol, o único dia que não tivemos chuva na viagem. Como sabíamos dessa previsão, aproveitamos para logo fazer um tour de barco por Bósforo. Uma boa parte dos barcos parte de Eminonu, logo após a ponte, na entrada da parte antiga da cidade.

 

Achei que valeu o passeio, não é que mostre nada demais, mas é poético você ter a sensação de estar navegando entre dois continentes. Enfim, essa dialética de mundos diferentes tão próximos povoou minha cabeça por toda a viagem.

 

Passei muito pouco tempo na cidade para ter conclusões definitivas, mas me passou a impressão de mescla, de mistura e tolerância entre culturas orientais e ocidentais. Um pouco diferente de Dubai, por exemplo, onde sim, existe a tolerância e você vê diferentes culturas no mesmo espaço, entretanto, elas não se misturam, só estão no mesmo espaço. Em Istanbul, tive a impressão que sim, se misturavam, não se perdiam, mas conviviam e partilhavam.

Do que tive acesso, achei a cidade bonita, limpa e segura, inclusive para uma mulher sozinha. Agora, sempre bom manter o respeito, ninguém precisa abusar para ver o que acontece. Quanto ao idioma, falando-se em inglês, pelo menos nos locais mais turísticos, é possível conseguir quase tudo. E para quem quiser aprender um pouquinho: obrigada = tesekkür (techêcur); por favor = lütfen; ok = tamam; e sim = evet.

O transporte público é bom e simples. Há um metrô de superfície que te leva a maioria dos pontos importantes e custa o equivalente a uns 30 centavos de euro. Taxi, fora da parte antiga da cidade é tranquilo e não é tão caro. Dentro da cidade antiga, não querem cobrar no taxímetro e vai custar os olhos da cara!

Mas seguindo nossa viagem, o primeiro lugar que visitamos foi o Palácio Topkapi. O lugar é enorme e até vale a visita, mas melhor ficar atento, porque há mais de um portão para as suas atrações, digamos assim, e em cada um você paga uma entrada separada. Achei meio confuso. Logo no início, você acha que está comprando a entrada para o palácio, mas depois descobre que é para o museo arqueológico. Enfim, se estiver atento a esses detalhes, não acredito que haja nenhum problema.

 

Próximo ao palácio, há duas mesquitas que valem a viagem, a Sultanahmet Mosque (Mesquita Azul) e Hagia Sophia (Haya Sofia). Ambas tem arquitetura impressionantes e tem belezas diferentes de acordo com a iluminação do dia.

A Mesquita Azul é usada para orações até hoje. Portanto, há horários de visita, para turistas, e horários para as orações e são rígidos. Acho que a última entrada para visitantes é por volta das 16h30. Além desses horários, só quem realmente vai rezar pode entrar. E pode acreditar, eles sabem muito bem quem é curioso e barram a entrada mesmo, sem um pingo de tato ou simpatia. Em teoria, turistas ou fieis, as mulheres devem entrar de véu na cabeça (pode ser uma echarpe ou um pano, simplesmente ter a cabeça coberta em sinal de respeito). Entretanto, nos horários de visita, às vezes eles fazem vista grossa com as turistas. De qualquer maneira, nos arredores tem comércio e você pode comprar um lenço por uns 5 euros. Todos devem tirar os sapatos e oferecem bolsas de plástico na entrada para eles.

 

A Haya Sofia é mais liberal. Pelo que entendi, já não é mais utilizada para orações. Por isso, seu horário de visitação também é bem mais flexível. Excepto quando fecha um dia na semana, se não me engano, nas segundas-feiras. Vale a visita, achei até mais interessante que a Mesquita Azul.

 

Pausa para compras?

Há dois bazares interessantíssimos, o Grand Bazaar e o Spice Bazaar.

O Spice Bazaar, como indica o nome, é especializado em temperos. Para mim, que sou uma glutona, é imperdível. Mas mesmo para quem não é tão ligado em cozinha, vale pelos aromas e cores. Ali, como em qualquer outro lugar em Istanbul, você tem que barganhar o preço das mercadorias ou se sentirá um idiota em seguida.

 

O Grand Bazaar é uma cidade! O tamanho é realmente impressionante! Jóias, luminárias, roupas, bolsas, marcas falsificadas (perfeitas!), comidas… tem de tudo! É de se perder lá dentro! Felizmente, adquiri em Marrocos a capacidade de passar por essas lojas com o olhar no horizonte, só na visão periférica, então é tranquilo. Mas se parar, perguntar ou olhar diretamente, vão te encher o saco até você comprar. Você pode negociar bem ou mal, mas jamais negociará melhor que um turco, então, relaxe!

 

Comemos bem na cidade, não tivemos problemas. Até no próprio Bazar almoçamos sem nenhuma consequência malévola, pelo contrário, o tempero excelente e a comida bem honesta.

 

O meu lugar favorito da viagem foi a cisterna de Yerebatan. Impressionante! Construída no ano de 532, é a maior das 60 cisternas construídas em Istanbul na época Bizantina. Era o local onde se depositava a água trazida do aqueduto de Valente. Foi utilizada até o século XIV e restaurada a meados do século XIX, já que durante muito tempo, na época otomana, não foi utilizada. Para sua construção, se usaram diferentes tipos de colunas romanas de épocas diferentes. São 336 colunas repartidas em 12 fileiras e situadas a 4 metros umas das outras. Falamos de uma área de 10.000 m2 e 8 m de altura, abaixo do solo. Em 1987, após restaurações realizadas, foi aberta ao turismo. Duas das colunas chamam mais atenção, pois reposam sobre cabeças de Medusa. Não sei exatamente porque, mas a sensação de estar nela é muito boa e de paz, poderia ficar ali embaixo o dia inteiro.

 

A grande maioria dos locais a serem visitados está nessa parte antiga da cidade, mas também bateu uma certa curiosidade de pelo menos colocar no pézinho na Ásia, né?

Pegamos um barco, atravessamos Bósforo e chegamos na estação de Üsküdar. Realmente, parece mais residencial, não há muito o que visitar. Talvez se o tempo estivesse melhor, tivéssemos passeado um pouco a pé. Mas com chuva tudo se complica. Pegamos um taxi e fomos até o Palácio Beylerbei. É legal, mas valeu mais o passeio por dizer que fomos a Ásia do que qualquer outra coisa.

 

Quanto à vida noturna, o que vi de mais animado foi pela praça de Taksim, mais especificamente, na avenida Istiklal. É cheio de bares e restaurantes, alguns deles com música ao vivo e um ambiente bastante animado. Vi de fora algumas discotecas também, mas não cheguei a entrar.

 

Um show de “música e dança”, por falta de melhor descrição, que não se deve perder é dos Sufis. Fica no Press Museum (Basin Müzesi) info@istanbuliveproduction.com, custa $35 libras turcas e dura cerca de uma hora. A música tradicional Sufi contém algumas das mais importantes composições da música clássica turca, desenvolvidas através dos séculos com as cerimônias Mevlevi. Nesse concerto, eles realizam a cerimônia Sema, como uma maneira de alcançar êxtase religioso. Para facilitar, visualmente falando, são aqueles homens vestidos de branco, com saias longas e um chapéu comprido, que giram com a mão direita direcionadas para o céu (para receber as bençãos divinas) e a mão esquerda para terra. Giram da direita para esquerda, ao redor de seus próprios corações. Enfim, é um espetáculo simples, mas místico e tocante.

 

Para finalizar o passeio, ou em qualquer momento que preferir, outra dica imperdível é o Hamman, ou banho turco. Há alguns espalhados por Istanbul, o mais conhecido é o Çemberlitas. Fica na cidade antiga e há uma estação do metrô de superfície justo em frente.

É simplesmente o máximo! Principalmente se você já está cansada de caminhar e afim de dar uma relaxada. Homens e mulheres são separados, afinal é no esquema peladão mesmo, melhor não guardar muitos pudores. O ambiente é bom e familiar, não rola constrangimentos, pelo menos do lado das mulheres que foi o que conheci. Você vai para o Hamman, uma espécie de sauna, mas em um salão enorme com o teto em abóbada e um tipo de mesão imenso em mármore branco onde a mulherada deita. Depois chegam umas senhoras que dão banho (literalmente) na gente. Na verdade, fazem um tipo de esfoliação com muita espuma e muita água e lavam nossos cabelos. Francamente, você se sente uma princesa! Dali a gente fica relaxando em uma piscina de água quente ou nesse salão e depois vai para uma massagem. Quer dizer, você pode fazer só o banho, mas comprei pacote completo. Depois você pode ficar tomando um cházinho, relaxando e batendo papo até a hora de ir embora. A estrutura é muito boa, você recebe as toalhas limpinhas, tem secador de cabelos para depois, enfim, recomendadíssimo! Saí de lá pisando em nuvens, outra pessoa.

Infelizmente, nosso tempo acabou e ainda fiquei com gosto de quero mais. Definitivamente, é uma cidade que quero voltar.

10 comentários em “Istanbul (ou Estambul) em três dias”

  1. Taí uma das cidades que estão do topo da minha lista! Mas a distância daqui da Coreia não favorece muito… 😦
    Eu também ia me acabar no mercado das especiarias! Nota mil!
    Besitos proceis, e feliz 2011!

  2. Olha quem apareceu! Bem vinda, agora a gente só se encontra no facebook… heheheh…

    Pois em contrapartida, esse ano estou pensando seriamente em fazer um tour asiático pelas suas bandas. Queria fazer uma viagem educativo-gastronômica por Japão, Coreia, China e Tailândia. Vamos ver se dá certo! Depois vou te pedir umas dicas!

    Besitos e um super 2011 para vocês também!

  3. Obaaaaa!!! Aceito sem a menor cerimônia… hahahah… quando estiver mais certo a gente conversa melhor, por enquanto é só um plano em amadurecimento 🙂 Besitos e obrigada!

  4. Bacana a sua experiência em Istambul, tb amei as cisternas 😉
    Falei q conheci uma turca na loja? E que era de Istambul? Conversamos uns minutos e contou várias historias sobre a cidade.

  5. A nossa experiência, né chica? Você me contou da turca, só não me contou das histórias sobre a cidade! Besitos

  6. Vc se sentiu princesa quando te deram banho??? Eu nao! Era um tal de “levanta braço, vira, cabeça pra cima”, eu me senti um elefante sendo tratado por um tratador! Sem contar que meu cabelo saiu duro de pedra…mas valeu a experiência 🙂

    E é claro que vcs nao precisaram de saia nas mesquitas, vcs estavam cobertas até o pescoço de casaco! Agora que vi nas fotos hehehe nao tinha nada mais que cobrir 😉

    beijos! so agora to pondo em dia teu blog! o meu tá lá jogado às traças…me sugam toda a energia de dia que à noite eu quero mais é sair de frente do computer 😉

  7. ahahahahahah… um elefante, Suz? Pô, não me avacalha… kkkkkkkkkkkk… pois me senti uma princesa em um harem! E você tinha me avisado do cabelo, fui preparada! Quanto à mesquita, sim, estávamos encasacadas, mas não estavam controlando quem não cobrisse a cabeça. Digo isso só no horário de visitantes, nos horários de oração eram super rígidos e aí sim, só com véu e não entrava turista nem a pau. A gente caprichou na foto toda coberta para tirar onda… hahahahahah…

    Ando um pouco devagar aqui também, está me custando a pegar ritmo de escrita outra vez. De vez em quando bate aquela vontade louca de escrever, mas normalmente tenho quase que me forçar a começar e aí depois flui mais fácil.

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