Uma coisa bem desagradável

Pois é, enrolei bastante para escrever sobre o aniversário. A festa foi o máximo, me diverti pacas e esse nem foi o problema. O caso é que fui roubada, isso mesmo que você leu, fui roubada dentro da minha casa. Então, não queria ofuscar uma história legal com um baixo astral desses.

 

Agora que a poeira baixou e posso até fazer piadas a respeito, resolvi contar o que ocorreu, mas vou fazer de trás para frente. Primeiro a parte ruim, assim me liberto para que na memória fique só o que houve de bom.

 

O festão foi no sábado, acordei no domingo nas nuvens, amarradona! Sem ressaca, sem uruca, feliz!

 

Chegou à tarde e comecei a procurar meu celular e nada! Que estranho…

 

Não sou uma pessoa ligada em celular, todos meus amigos sabem disso, no entanto, em dia de festa, eu deixo sempre sobre a mesa de centro, caso alguém ligue querendo informação. De modo que, se eu não escutar tocar (coisa comum), algum convidado dá o alerta.

 

Assim que na noite anterior, tive o cuidado de carregar a bateria e acordei com ele, afinal, é o meu despertador.

 

Com cinquenta e tantas pessoas em casa, obviamente, não estava preocupada em tomar conta de um telefone. Tinha muito o que fazer. Presentes estavam os amigos de sempre e alguns acompanhantes de amigos, ou seja, todo mundo conhecido e próximo, se não diretamente, trazido por alguém de confiança.

 

Portanto, deveria haver alguma explicação lógica e provavelmente até engraçada. O primeiro que pensei foi que deveria haver sido levado por engano. Bastante razoável, com pouca iluminação, o pessoal bebendo, é fácil se confundir e pegar o celular errado.

 

Como é um iphone e tem GPS, fomos buscá-lo para ver se estava aqui em casa em algum canto improvável, ou em outro endereço. Acontece que o GPS só funciona se o celular estiver ligado e me aparecia que ele havia sido desligado. Mais estranho ainda, porque bateria eu sabia que tinha. Alguém pega o celular trocado e ainda desliga?

 

Muito bem, esquisito, me deixou com uma pulga atrás da orelha, mas ao mesmo tempo, não queria acreditar no pior. Não havia nenhum estranho em casa. Tinha que haver alguma explicação.

 

É comum nas festas aqui em casa ter sempre alguém que esqueceu alguma coisa. Daí rola um tipo de “achados e perdidos” pelo próprio Facebook, até a gente localizar os distraídos. Coloquei eu um aviso que não encontrava meu celular, se alguém havia pego por engano. Juro, na maior boa vontade! Para os amigos que sei que não checam tanto a internet, cheguei a mandar mensagens pessoais para confirmar o equívoco. Qualquer pessoa poderia haver se enganado ou se distraído e, praticamente todo mundo se dispôs a procurar nas suas coisas se havia sido o causador da situação.

 

No início, surgiram algumas brincadeiras ou hipóteses absurdas, que não achei graça, porque sabia que a história estava esquisita. Cortei logo.

 

Seria possível que houvesse ido para o lixo sem querer? Impossível não é, mas bastante improvável. Vamos combinar, com tanta gente em casa, usei tudo descartável. Alguém pega um guardanapo junto com um iphone, que pesa, e não sente? As pessoas não estavam tão bêbadas assim e quem estava para lá de Marrakesh nem estava ajudando a recolher nada. Daí, ainda por cima, no caminho para o lixo, alguém consegue “sem querer” desligar o celular (precisa segurar o botão um tempo e ainda correr o dedo na tela em um local específico) e jogar fora. Não cola, né?

 

Para complicar, acabei recebendo informação em mensagens que já havia ocorrido roubo em outra situação. Fala sério! O problema é que ninguém quer divulgar essas coisas porque fica chato e provoca um mal estar generalizado.

 

Acontece que eu já tinha perguntado pelo celular e não podia simplesmente encerrar a conversa com um: ah, foi mal, acho que me enganei então…

 

Sinto muito, a merda foi para o ventilador!

 

O que acho é que quem levou não tinha idéia que o tal celular era meu e muito menos que daria essa repercussão. Porque se fosse de qualquer outra pessoa, sempre ficaria a dúvida. Poderia ter caído na rua, no carro… Além do mais, ninguém ia abrir o jogo dessa maneira, dizendo que foi roubado na casa alheia, cheia de amigos.

 

Acontece que foi comigo. Por um lado, felizmente, porque a situação ficou evidente. Por outro, não me lembro na minha vida de haver ficado tão aborrecida e decepcionada. Alguém para quem abri a porta da minha casa e recebi com carinho me roubou. E, pior, poderia haver roubado algum amigo meu.

 

Se eu sei quem é? Sei. É muito difícil enganar a intuição escorpiana. Mas nunca terei certeza, porque se tivesse, já haveria ido à polícia. E se não for?

 

E é essa dúvida que não tem preço. Alguém foi responsável por deixar constrangidas pelo menos 50 pessoas absolutamente inocentes. A lei do retorno é infalível e não gostaria de estar na pele dessa criatura infeliz.

 

Infelizmente, a noção de ética das pessoas vem se deteriorando, um dia você não devolve o troco que veio a mais… no outro acha normal aproveitar a confiança de quem acredita que é seu amigo e roubar um objeto de alguém que você convive. Que feio.

Quase nada na vida é imperdoável, essa carga não levarei eu, leve quem a mereça. Perdoado já está, nunca me faltará e o valor é o meu menor problema. Mas com pesar anuncio que no que depender do meu grão de areia, Madri estará mais desanimada, a temporada de festas e de portas que sempre estiveram abertas se encerrou indefinidamente.

3 comentários em “Uma coisa bem desagradável”

  1. Bianca que coisa chata isso, eu ate pouco tempo atrás nem habilitado o recurso de buscar o aparelho em caso de esquecimento, ou perda. Mas ultimamente li vários casos iguais ou parecidos com o seu e acabei perdendo um pouco a fé nas pessoas, por precaução abilitei o serviço e proibi alterações, protegendo por senha, pq qualquer um hoje em dia se “pega por engano” o aparelho pode desligar o serviço de localização, e como saber onde foi “esquecido”, é difícil acreditar, mas como vc disse situações como essas causam um mal estar tremendo, e os bons por o serem assim ficam se sentindo mal, mesmo sem culpa alguma. Isso pode ter certeza pra vc não fará falta, agora quem levou o seu celular embora, perdeu muito, pq confiança e respeito é uma coisa que não há dinheiro no mundo que compre, perdeu acabou, não sei eu no seu lugar se teria perdoado, ainda bem que vc esta num patamar mais evoluído, sofre menos, tomara que seu tempo no casulo não dure muito, pois os seus bons amigos com certeza sofrerão mais do que já estão sofrendo com a situação, abraço.

  2. Pois é, Fernando, chato mesmo. E não é que esteja no casulo, eu gosto de gente e vou continuar gostando. O problema é que fica difícil agora (e tão cedo) dar uma festa maior, porque se coloca na minha situação: se não convido alguém por qualquer motivo (coisa boba, porque não cabe, porque é outro grupo etc), já vai ficar um mal estar de acharem que estou desconfiando. Pior que isso, vai que estou errada quanto às minhas suspeitas e me arrisco a colocar um ladrão dentro de um grupo de amigos queridos? Quem recebe gente precisa ter responsabilidade e como posso assumir essa situação? É complicado. Acho lamentável porque é um prazer para mim ter amigos em casa, uma felicidade compartilhada, mas às vezes a vida é dura, né? E, sim, o que mais sinto é saber que tem pessoas queridas chateadas com isso, sem ter nada com o peixe. Enfim,deixar a poeira baixar. De certa forma, quem fez estará mais alerta e sabe que as pessoas não são bobas e estão prestando atenção. Besito

  3. Lamento muito pela situação… é realmente muito chato mas o pior é que cada vez mais estamos a perder os valores, mentir, enganar, roubar, passou a ser normal e isso é muito triste 😦
    Beijos
    Andreia

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