O pirônomo e a incendiária

Há uns dois anos, meu irmão combina conosco de celebrar seu aniversário de 40 anos em grande estilo. Tínhamos um acordo e viajaríamos para onde ele escolhesse. A primeira opção era o Japão ou algum país asiático.

 

Acontece que em dois anos muita coisa muda e por vários motivos, esse plano mixou.

 

De certa forma, até achamos que foi melhor assim, porque quem poderia adivinhar que uma semana antes o Luiz ia descobrir que estava com pneumonia? Mas enfim, ele se recuperou e se aproximava a semana santa.

 

Liga meu irmão na quarta-feira, dia 4 de abril, meio jururu, contando seus planos para seu aniversário, dia 6 de abril. Ele sairia para jantar só com meus pais e comemoraria na semana seguinte. É que ainda por cima, caía no feriado e muita gente estaria viajando.

 

Muito bem, eu ouvi na minha, dando palpites bastante razoáveis de que a gente poderia comemorar outro ano… que ele podia fazer uma festa depois… que o jantar era legal… ainda que essa história não convencia nem a mim!

 

Passou algum tempinho, chegou a hora do jantar e resolvi tomar um vinhozinho enquanto cozinhava. Aproveitar meu recesso de juízo, né?

 

Fiquei pensando: e em que momento eu passei a ser razoável mesmo? As pessoas não me procuram para saber o que é mais correto. Quando elas pedem um palpite, o que querem na verdade é que alguém diga que tudo bem em fazer uma merda de vez em quando se isso te faz mais feliz.

 

Quer saber, catei o telefone. O que você vai ficar fazendo aí? Quarenta anos se faz uma vez! Tudo bem que todas as idades só se fazem uma vez, acontece que os quarenta são emblemáticos! Vindo para cá você só gasta a passagem. Faz as contas de quanto sairia o tal do jantar mais a festa? Pelo menos você terá uma história legal para contar no futuro!

 

O Luiz escutava a conversa da sala… pronto, juntou o pirônomo com a incendiária! Ê família!

 

Ele ficou maluquinho, ligou para minha mãe, afinal, sentia falta de um respaldo familiar, que por sua vez ligou para mim. Coloquei a maior pilha e acabou que minha mãe se animou e meu pai interou a passagem de presente. Maravilha, incêndio iniciado!

 

No dia seguinte, ele embarcou para Madri, chegou aqui no próprio dia 6 de abril, dia do seu aniversário e sexta-feira santa.

 

Do aeroporto já fomos direto almoçar e iniciar as comemorações. Almoçamos no Paralelo Cero. Praticamente abrimos o restaurante, porque ainda era cedo, mas tudo bem que somos de casa.

 

Meu irmão todo acelerado, dizendo que era uma loucura vir para a Espanha por menos de uma semana e tal, mas no fundo, adorando a confusão.

 

No jantar e comemoração oficial, fomos ao Asia Gallery, no Palace. Achei que como não celebramos em um país asiático, pelo menos valia o ambiente. O restaurante é ótimo e temos uma amiga que trabalha lá e reservou uma mesa show de bola!

Foi quando recebemos uma mensagem de parabéns de uma outra amiga, que se lembrou que era nosso aniversário espanhol! Como pudemos esquecer? É que a semana havia sido intensa e nem pensamos nisso. Justo no dia do aniversário do meu irmão, comemoramos ao mesmo tempo 7 anos de Espanha e nossa cidadania espanhola. Fenomenal, mais motivos para celebrar!

 

Do jantar, Luiz veio para casa. Ainda estava se recuperando e não podia abusar.

 

Segui com meu irmão para o El Junco, onde também encontramos uma amiga de Brasília, dos tempos de colégio, que estava de visitas por essas bandas. Só chutei parcialmente o pau da barraca, porque no dia seguinte tínhamos um casamento, mas já chego lá.

 

Do El Junco, fomos ao Olé Lola tomar um drink e conseguir conversar com um pouco mais de calma.

 

E do Olé Lola, fomos para a Pachá. Para ser franca, não é minha praia, tem muita pirralhada. Mas meu irmão queria ir e me importava mais a companhia dos dois.

 

Na volta para casa, ainda paramos na Pá Pizza para não perder o hábito. Nem comi, mas meu irmão sim.

 

Não lembro que horas a gente chegou em casa, mas pelo trajeto, não foi muito cedo.

 

Está pensando que acabou?

 

Dia seguinte, tínhamos um super casamento para ir. Já tinha pedido à noiva para levar meu irmão de penetra e às duas horas da tarde, lá estávamos arrumados e prontos para a próxima!

 

Eu amo casamentos! Acredito sim na instituição e no romantismo. E se não for romântico, no mínimo, acredito no amor. Sei que é piegas, mas foda-se, eu adoro! E essa relação em especial tem uma história muito bonita que acompanhamos desde o início. Não cabe a mim contar a vida dos outros, por isso, só me restrinjo a dizer que estava muito feliz por eles e por poder estar ali compartilhando esse momento.

 

Uma das madrinhas fez um discurso de surpresa para a noiva. Ela havia pedido que algumas amigas lhe enviassem textos sobre o que pensavam da noiva para ela resumir e fazer uma homenagem no momento. Para mim, também foi uma surpresa, porque no final do seu discurso ela leu meu texto na íntegra e me senti honrada de poder ter deixado alguma recordação.

 

Muito bem, se na noite anterior tínhamos chutado meio pau da barraca, nesse dia nós chutamos todos os baldes possíveis! Basta dizer que após um festaço de 10 horas, ainda seguimos para um bar, o Mañana no Salgo, e chegamos em casa pelas três da manhã.

 

O que aconteceu na festa? Só saberá quem foi, pacto de silêncio total. Mas posso contar que em algum momento, me apoderei de umas plumas e incorporei a poderosa arara azul, capaz de realizar desejos. Meu irmão não teve muitos problemas para se enturmar e Luiz, apesar de bastante comportado, também pareceu se divertir. Afinal, devia ser um dos únicos sóbrios no recinto e lhe restava rir dos outros. Resumindo, divertidíssimo! Tudo perfeito!

 

Também não acabou por aí! Até a terça-feira, dia que meu irmão voltou para o Brasil, não paramos um minuto! O tempo foi pouco, mas bastante bem aproveitado em muitos sentidos.

 

Um incendiozinho de vez em quando tem seu valor! E fala sério, alguém que queira um conselho lúcido e razoável vem pedir logo para mim? É porque já quer confusão, né? E já dizia Vicente Mateus, quem está na chuva é para se queimar!

 

 

Um finalzinho de semana no hospital para variar…

Pois é, em função dessa história de tentar engravidar, tenho um tipo de tabelinha torta onde registro os dias que posso chutar o pau da barraca e outros que é melhor me comportar. Assim que, ultimamente, passo mais ou menos uma semana sem grandes limites e o resto do mês como uma lady, sem beber, sem abusar.

 

Enfim, ainda por cima, nas últimas três semanas Luiz vinha meio gripado e tal. De maneiras que estávamos super tranquilos e bem comportados.

 

Daí, na quinta-feira, fiz meu exame de gravidez, sem grandes expectativas, é verdade, e deu negativo. Tinha o aniversário de um amigo perto de casa. Luiz tinha que trabalhar no dia seguinte e ainda por cima estava gripado, não quis ir. Pensei, quer saber, posso beber, vai um monte de amigos, vou aproveitar para dar uma relaxada.

 

Fui  ao forró aqui perto, fica literalmente há uns 3 minutos de casa. Dali ainda nos animamos e fomos ao El Junco e, para não chegar em casa meio mais ou menos, passamos para comer uma pizza no caminho. Tomei meu whisky sossegada e feliz da vida, afinal, estava tudo certo.

 

Cheguei em casa pelas 4 da matina e já estranhei da porta quando vi a luz acesa. Luiz estava acordado tossindo. Disse que não conseguiu dormir. Não gostei muito e quando lhe beijei senti que estava com febre. Peguei o termômetro e pedi a ele que medisse a temperatura.

 

E aí, quer ir a um hospital?

 

Ele não tinha muita certeza. Ficamos conversando um pouco na cama, esperei para ver se ele melhorava. Mas bateu os cinco minutos e quer saber, vou por uma roupa e vamos ao hospital de uma vez. Já estou acordada mesmo, você também. Pensei que pelo menos não devia ter fila.

 

Ou seja, que nem dormi, fui direto com ele para o hospital. Chegamos nós dois, ele mais para lá do que para cá e eu com aquele cheiro de whisky e o carimbo da Sala Barco na mão.

 

Acho que por um momento, a médica ficou na dúvida de quem ela devia atender. Confesso que me senti tentada a pedir um “shot” de glicose, assim, aproveitando a visita, né? Mas tudo bem. Na verdade, achei que ela ia examiná-lo, receitar uns antibióticos e voltaríamos para casa.

 

Ele fez um raio X e ficamos esperando o resultado.

 

Ele deitado em uma maca e eu sentada vendo estrelinhas. Luiz, estou morrendo de sono, fica deitado aqui e vou esperar o resultado no carro. Deitei no banco de trás, esperando ele bater no vidro a qualquer momento para a gente ir embora.

 

Mas isso não aconteceu.

 

Ele me ligou e pediu que eu voltasse. Ups! Voltar, como assim? Na radiografia apareceu uma mancha no pulmão, poderia ser pneumonia. A médica recomendou que ele se internasse para fazer mais exames.

 

Hein? Pneumonia? Internar? Como assim?

 

Ok, então internamos e vamos ver o que acontece. Eu ainda tinha aquela ilusão que ele faria os exames ao longo do dia e iríamos para casa no fim da tarde.

 

Mas essa ilusão se desfez muito rápido.

 

Fomos para um tipo de quarto na emergência, com uma cama para ele e uma cadeira ao lado para mim. Ali ele já começou a receber a medicação, mas precisava esperar vagar um quarto para subir e fazer os exames.

 

Lógico que o quarto pequeno devia estar com o maior cheiro de whisky, afinal, eu era o próprio sachet da bebida, né? Ele deitou na cama e começou a cochilar. E eu naquela cadeira dura, sem dormir, com a cabeça batendo na parede de vez em quando.

 

Nisso chega o enfermeiro e pergunto se há alguma previsão de que horas sairia a internação. Ele não foi específico, mas deu a entender que seria após o meio dia. Era mais ou menos umas nove da manhã.

 

Luiz, quer saber, estou sem condições e não estou fazendo nenhuma diferença aqui, fora esse aroma agradável que exala do meu ser. Vou em casa tomar um banho, tentar descansar um pouco e já volto. Enquanto isso, aproveita para tentar dormir, afinal, ele também não havia dormido bem durante a noite.

 

Fiz isso. Consegui deitar um pouco, não dormi, mas foi o suficiente para o mundo parar de rodar. Escovei bem os dentes para desaparecer aquele hálito que me incriminava, deixei mais comida para o gato, tomei um café com cafeína (tomo descafeinado há mais de um ano) e toquei para o hospital novamente, pouco depois do meio dia.

 

Daí já estava mais acesa, cansada, mas normal.

 

Esperamos por toda a tarde e só vagou quarto quase às 18h. Pequeno detalhe, essa hora já não tinha mais médico e a enfermeira nos informou que não se faziam exames no fim de semana.

 

Hein? Como assim? Vamos ficar aqui fazendo o que? Pensei seriamente em ir embora, mas por outro lado, Luiz já estava tomando os antibióticos e lhe fizeram um segundo exame de sangue. Ficou de vir um médico na manhã do dia seguinte explicar tudo melhor. Mas com certeza, antes de segunda-feira ele não teria alta.

 

Esse hospital é público. Aqui, de modo geral, os médicos são melhores nos hospitais públicos que privados. Assim que, mesmo tendo plano de saúde, na hora que o calo aperta, muitas vezes é mais garantido ir para o sistema público.

 

Acontece que o quarto é dividido com outra pessoa. Não tem cama de acompanhante, tem um tipo de poltrona, até bem confortável para passar o dia, mas para dormir é dose. Como ele estava independente, nem soro ele estava tomando, achamos que não tinha sentido eu dormir por lá.

 

Com a certeza que Luiz ficaria internado pelo fim de semana, achei melhor vir em casa buscar algumas coisas para ele, pijama, escova de dente, roupa para ficar durante o dia, livro, frutas, enfim,  algo que desse um pouco de conforto.

 

Vim em casa de novo e voltei ao hospital pela terceira vez no mesmo dia! Bom que  nesse período, foi uma amiga visitar Luiz e ele não ficou só. Verdade que a essa altura, eu estava só o pó, não conseguia nem conversar mais direito. Fiquei com ele até quase 23h, ele já estava pegando no sono.

 

Voltei para casa e dormi como uma pedra. Acordei cedo no sábado, mas bem disposta.

 

Mas estava bastante incômoda com aquela história de não saber direito o que estava acontecendo e tendo que esperar um fim de semana inteiro com Luiz internado com esse nível de informação. De maneira que cheguei no hospital no sábado pronta para tirar Luiz de lá, se ele quisesse, e irmos procurar atendimento em outro canto.

 

Acontece que no sábado ele estava se sentindo melhor e a febre baixou. Ele disse que foi monitorado toda a noite e achava que devia esperar mesmo. O médico chegou, conversou com ele, explicou tudo e entendemos melhor o quadro.

 

Não é que ele tivesse que ficar ali à toa, ele estava sendo medicado desde sexta-feira. Faria um raio X no domingo e na segunda-feira, se estivesse tudo seguindo bem, ele poderia ter alta do hospital e seguir tomando os antibióticos em casa. E foi isso que acabou acontecendo realmente.

 

Aproveito para dizer que achei o atendimento surpreendentemente bom! Sempre me queixo, e com muita razão, dos médicos aqui em Madri. Por isso, me sinto também na obrigação de relatar que fomos muito bem atendidos em todos os sentidos.

 

No sábado e no domingo a gente teve visitas de amigos, o que ajuda o tempo a passar mais depressa. Mesmo na segunda-feira de manhã, uma amiga e um amigo passaram para visitar. E na própria segunda, Luiz teve alta. Saímos do hospital pelas 15 horas.

 

Em casa tudo é melhor, não tem nem comparação! Ele seguiu tomando antibióticos, eu tratei de fazer umas comidinhas mais indicadas e foi tudo certo. Na terça e na quarta-feira, ele inclusive foi trabalhar. Aproveitou que a semana era curta, por causa do feriado e também não pegou muito pesado.

 

Esse negócio ainda vai render um pouco, até essa mancha sumir é melhor ele se cuidar, mas agora é vida normal.

 

Enfim, tudo bem quando acaba bem.

E a comemoração?

Pois é, o planeta inteiro sabe que amo uma festa! Eu faço festa até para inauguração de cafeteira! Se o pretexto for bom então, aí é que não me aguento mesmo.

 

Mas sempre costuma ser decidido de última hora. Quer dizer, a gente sabe que vai rolar, mas nunca tem certeza de onde e como.

 

Esse aniversário de casamento fiquei bem na dúvida. Primeiro, pensei em fazer em algum bar, normalmente, é o que Luiz prefere. Mas onde? Fechar um bar não é simples, nem costuma ser barato. Descartei logo.

 

Depois fiquei com vontade de fazer um jantar pequeno, para meia dúzia de casais e um esquema banquete de Babete. O problema é reduzir a lista de amigos para meia dúzia de casais… fica praticamente impossível. Além do mais, não estou bebendo e uma orgia gastronômica sem vinho é quase um pecado.

 

Então, tá, faço uma festa mais informal em casa e assim posso convidar mais gente. Daí lá vou eu para o dilema de todas as festas, a única parte que detesto, escolher os amigos que cabem no apartamento! Toda vez é o mesmo drama, o mesmo cobertor curto… pero es lo que hay! Encurtando a lista ao máximo, e porque era feriado e muita gente viajou, chegamos a um número de quarenta pessoas.

 

Não é pouca gente, mas consigo me administrar sem grandes problemas. Resolvi fazer na hora do almoço para não ficar tarde e não torturar os vizinhos. Eles nunca reclamam, a gente não tem certeza se não se incomodam ou se tem medo da gente. Não me reprimo, mas procuro não abusar da paciência de ninguém. Fazer durante o dia também é bom porque temos muitos amigos músicos e para eles é mais difícil vir à noite, costumam trabalhar.

 

Enfim, fiz um bobó de camarão e mais umas coisinhas de aperitivos. Na medida do possível pelo número de pessoas, ficou muito bom, modéstia às favas! A bebida, pedimos  aos convidados que trouxessem.

 

Uma pena que Luiz estava gripado e aproveitou pouco. Sabe como é homem com qualquer coisa relacionada à saúde, né? Tudo é um drama épico! Alguém conhece um homem que diga simplesmente, estou resfriado ou com tosse? Nada! Eles dizem: estou doeeeeente! Tenho certeza que se homem menstruasse, todos os meses lotariam os hospitais solicitando coma induzido para aliviar o sofrimento extremo! Mas enfim, também é verdade que Luiz não me perturbou nem ficou me pedindo nada, o que é um grande passo masculino!

 

Mas não bebeu e ficou mais quieto que o normal. Bom, eu aproveitei bastante. Batuquei, cantei, dancei… tudo de direito! Mas sim que também estava um pouco mais quieta que de costume.

 

Quer dizer, nós estávamos mais tranquilos, mas a galera estava a mil! Mulherada atacada, coisa que já previa quando comecei a cozinhar. Tenho esse dom culinário e adoro direcionar a energia que vai rolar no ambiente de acordo com a comida, me sinto meio bruxa e poderosa.

 

O que rolou ou deixou de rolar, fica no nosso eterno pacto de silêncio. O que acontece nas festas, fica nas festas! Até porque boa parte a gente esquece mesmo e seguimos literalmente o lema: se não lembro, eu não fiz!

 

Também rolou música ao vivo e uma batucada animadíssima! Como disse, a gente tem alguns amigos músicos e outros que não são profissionais, mas curtem a brincadeira. Às vezes, fico um pouco sem graça, porque não quero abusar de quem faz isso por profissão. Se queremos um concerto, a gente contrata. Fora isso, os convidados músicos tocam se querem, quando querem e o que querem. Mas felizmente, isso acontece com frequência e adoro, me sinto privilegiada de ter gente tão talentosa na minha sala!

 

E fico no céu quando sei que os amigos estão se divertindo e se sentindo queridos!

 

Bom, o almoço rolou até umas 23h mais ou menos. E lógico que houve o enterro dos ossos no jantar mesmo! A diretoria já sabe que vai acontecer a segunda rodada e espera. Como Luiz estava mais ou menos, a festa durou só nove horas!

 

Mas quem pensa que acabou por aí, se engana! Não disse que a mulherada estava atacada? Daqui ainda saíram para seguir a noite e acompanhar o show de um amigo que cantou a tarde inteira aqui em casa e ainda tinha fôlego para mais! Haja resistência!

 

É verdade que em condições normais de temperatura e pressão, também teria seguido a noite fácil! Mas já estava satisfeita por ali e segurei minha onda.

 

Afinal de contas, fizemos 18 anos, certo? Já somos um casal adulto e responsável! Ou quase…

18 aninhos de casada… uma relação adulta!

No dia 18 de março é nosso aniversário de casamento e acabamos de fazer 18 aninhos!

 

Como tenho brincado por esses dias, agora nosso relacionamento é adulto, já pode dirigir, sair para beber e votar. O único problema é que qualquer infração é crime!

 

Pois é, engraçado que às vezes tenho essa sensação de que foi ontem. Não tenho o peso que imaginei que houvesse em tantos anos de relacionamento. Talvez até porque não somos os mesmos ao longo do tempo. Felizmente, nossas mudanças tem sido para o mesmo lado, e quando não são, damos nosso jeito de tornar a vida compatível e mais leve.

 

Ao mesmo tempo, outras vezes parece que sempre foi assim. Há umas semanas encontrei uma amiga nova, que me perguntou como a gente se conheceu. Tive que parar alguns segundos e organizar as ideias. Aquela sensação de como assim a gente se conheceu? Ele não estava sempre ali?

 

Não, não estava sempre ali, chegou um dia. Mas hoje é difícil lembrar de qualquer história importante onde Luiz não esteja presente. Temos nossa individualidade garantida, é lógico, impossível qualquer relacionamento sobreviver sem seu espaço, mas realmente há momentos que parece que a gente se fundiu.

 

Nas agendas dos nossos amigos, somos a Bianca “do Luiz” ou o Luiz “da Bianca”. Como nas cidades do interior, passou a ser nosso sobrenome.

 

Sem combinar, contamos as mesmas piadas, dividimos a mesma ironia sarcástica, nos vestimos da mesma cor e nos esforçamos para não pedir os mesmo pratos nos restaurantes (o que não precisamos negociar porque sempre sabemos o que o outro vai pedir). Poderia ser considerado monotonia, mas eu chamo de cumplicidade. E vamos combinar, de monótona nossa vida não tem nada!

 

De uns tempos para cá, me olho nas fotografias atuais e quase não gosto de nenhuma, não me reconheço. Cheguei à conclusão que é porque ainda me vejo no espelho e me imagino com olhos de passado. Mas não sou mais assim, não tenho o mesmo peso nem a mesma pele. E, principalmente, não tenho o mesmo olhar.

 

Não estou falando de vaidade ou do medo de envelhecer, simplesmente da consciência de que cada vez tenho menos tempo. Só isso.

 

Na verdade, talvez haja um pouco de vaidade sim, mas tenho um conforto. Escuto Luiz reclamar que se vê velho e é engraçado escutar suas próprias reclamações bem parecidas com as minhas mais íntimas e pensar que não noto nada disso nele. E o que noto, não me incomoda. Então, acredito (e tenho a esperança) que para ele também seja assim.

 

E essa é uma grande vantagem em poder envelhecer junto a quem se ama. Sem os óculos e com a luz baixa, ainda podemos ter dezoito anos.

 

 

A Confraria da Cachaça

Para quem não sabe, sou cachaceira de marca maior.

 

Nunca fui de cerveja, o que no meu tempo morando no Rio, não ajudava muito a minha vida social. Era bastante constrangedor quando o garçon chegava à mesa, contava as pessoas e dizia: “x” chopps! Daí lá ia eu, morrendo de vergonha dizer, não, eu não tomo chopp. E todo mundo me olhava como se eu estivesse dizendo a coisa mais estranha do planeta.

 

Vale ressaltar que nessa época, a oferta de vinhos era ainda bastante ruim. E Whisky não combinava muito com o verão carioca. Não me sobravam muitas alternativas.

 

Paciência!

 

Daí abriram a “Academia da Cachaça” e para mim foi ótimo ter uma opção de lugar onde eu não era um bicho esquisito. Aliás, por curiosidade, o primeiro bar que Luiz me levou quando saímos foi exatamente esse, porque ele também era frequentador.

 

Ou seja, que podemos dizer que a cachaça batizou nosso relacionamento e, de momento, 19 anos depois, não podemos reclamar.

 

Quando saímos do Brasil, dificultou seu consumo. São poucas as cachaças que chegam à Espanha e todas brancas. Temos uma barriquinha de carvalho, o que quebra bastante o galho, envelhecemos nossa própria cachaça. E, lógico, a cada ida de férias, a mala vem cheia.

 

Um dia, Luiz teve a idéia de montar a “Confraria Européia da Cachaça”. Nos juntamos com um amigo brazuca que mora na Suíça e começamos a brincadeira. Não temos fins lucrativos, mas tentamos reunir amigos que apreciem a bebida. E quem sabe, ajudando a difundir seu consumo, direta ou indiretamente a gente consiga incentivar que outras marcas cheguem à Europa.

 

Aqui em Madri, temos um amigo dono de uma coqueteleria que se interessou pelo tema. Também é um apreciador de cachaças. Então, começamos a promover alguns cursos e degustações no seu bar. O que a gente faz é apresentar 5 cachaças para serem degustadas, cada uma harmonizada com a respectiva “tapa”. Aqui chamamos isso de “maridaje”, feito normalmente com vinhos, mas que se encaixa à perfeição com as cachaças. Luiz faz a apresentação de cada bebida e conduz a palestra, e eu faço as comidinhas.

 

Degustamos o seguinte “maridaje”:

 

Começamos por uma cachaça branca. Normalmente, utilizadas para drinks, justamente por serem mais neutras que as envelhecidas. Ainda assim, aportam bastante personalidade. A cachaça ficou internacionalmente conhecida através da “caipirinha”, drink bastante popular no Brasil e cada vez mais pelo mundo. Mas existe uma série de possibilidades de outras combinações e não há limites para a criatividade em novos drinks. E a cachaça branca, também pode ser consumida pura. Aqui encontramos a “Velho Barreiro” e optamos por ela, acompanhada por um caldinho de feijão.

 

Seguimos com a Sanhaçu, envelhecida em Freijó. Madeira nobre que não altera muito as características da bebida (cor, sabor e aroma), sendo muito utilizada para o “descanso/repouso” das bebidas brancas, que adquirem com o freijó maior estabilidade dos seus elementos e compostos. O processo de “repouso” assenta a aspereza natural da bebida e a torna mais gostosa de tomar. Degustamos a Sanhaçu acompanhada de bolinho de tapioca com queijo. Sobre a cachaça, na Zona da Mata pernambucana, esta família trabalha com agricultura orgânica desde 1993, o que propiciou o retorno de animais silvestres como o teju, o coelho do mato e o sanhaçu ou sanhaço, pássaro que dá nome à cachaça. Com notas frutadas, de rapadura e de especiarias, é um pouco ácida na boca, deixando a boca bem enxuta. Por sua adstringência, a gordura do queijo dá o equilíbrio e combina bastante com o toque de rapadura.

 

A terceira foi a Salinas, envelhecida em Bálsamo. Famoso na produção da cachaça de Salinas, o envelhecimento em bálsamo deve ser muito cuidadoso. É de processo mais específico e pode deixar a cachaça com gosto de “madeira de marcenaria”. Já em boas mãos, propicia uma bebida vivamente amarelada, com gosto forte e marcante – muito atraente. Antigamente abundante na região de Salinas, foi usada por esses com maestria. A Salinas é uma cachaça premiada várias vezes, é suave e versátil, pode ser consumida pura ou em drinks. Há uma falsa idéia de que a cachaça só deve acompanhar aperitivos fortes, o que não é verdade. No caso da Salinas, pode perfeitamente se harmonizar, por exemplo, com peixe. Foi degustada com bolinho de bacalhoada.

 

A próxima foi a Magnífica, envelhecida em carvalho. É a madeira mais usada no envelhecimento, junto com o bálsamo, o jequitibá e a amburana. Por ser tão famosa há jeitos e jeitos de envelhecê-la aí: há cachaças mais claras feitas em carvalho, mas também há outras bastante escuras. Sem sombra de dúvida, uma das madeiras mais próprias ao envelhecimento de bebidas alcoólicas, o carvalho proporciona uma melhora na aguardente, encorpando-a e deixando cor e aroma marcantes e característicos. Muitas vezes se empregam tonéis em que já foram usados para envelhecer outras bebidas e, por isso, a cachaça adquirirá um sabor diferente, de acordo com o que tiver sido anteriormente armazenado neles (vinho, whisky, Bourbon etc). Já que muitos produtores utilizavam tonéis que uma vez envelheceram whisky, a cachaça curada nessa madeira é aquela que fica mais parecida com a bebida escocesa – mas com um grande sotaque brasileiro. O “maridaje” da Magnífica foi com bolinho de mandioca com calabresa. É uma cachaça de cor dourada, sabor suave e aroma perfumado. É envelhecida por 2 anos em barris de carvalho. Indicada para ser apreciada pura como aperitivo. A linguiça calabresa, assim como a mandioca estão bastante presentes nos aperitivos de bar no Brasil. Sua combinação harmoniza muito bem com o sabor do carvalho.

 

A quinta cachaça foi a Saliboa, envelhecida em Ipê. Da mesma forma que outras madeiras como o jatobá, o ipé empresta à cachaça um tom e um sabor bastante pessoais. Sua cor chega a um alaranjado escuro, e o sabor fica bastante peculiar e muito atrativo para aqueles de personalidade forte e que buscam prazeres igualmente profundos e marcantes. Foi acompanhada de doce de tapioca com côco. Com uma produção anual de 30 mil litros, é intensa e persistente no aspecto olfativo, com notas de fruta, flor, madeira e especiarias. Na boca, é leve, de acidez equilibrada e macia, destacando a forte presença de canela. Muito boa na harmonia geral. É comum as pessoas degustarem a cachaça com “salgados”, mas também funciona muito bem como digestivo, ao final da refeição com doces (como um “orujo”). A Saliboa poderia ter sido harmonizada perfeitamente com um aperitivo salgado, com os torresmos, por exemplo, mas queríamos mostrar outras possibilidades para a bebida e foi bem recebida assim.

 

Nossa degustação acabaria aí, mas Luiz resolveu adicionar um “bônus” e degustamos também a Ypioca 160, que tem um sabor que lembra razoavelmente a um whisky.

 

Atrevo-me a dizer que foi um êxito total! Fizemos no dia 15 de março, na Belmondo Coqueteleria. O local é pequeno, charmoso e aconchegante. Não cabe muita gente e lotou! Tanto as cachaças quanto as tapas fizeram bastante sucesso e o pessoal pareceu se divertir bastante. Verdade que à medida que o álcool circulava pelo cérebro o grupo ficava mais animado, mas todos saíram bem de lá. Não era nossa intenção embebedar ninguém.

Para mim, também não deixou de ser uma experiência com catering e adorei! Estou pensando seriamente em montar um curso de tapas em casa mesmo, mas já veremos.

 

Enfim, ainda não sabemos quando será a próxima, mas já tem fila de espera. Assim que vamos fazendo nossa parte em converter mais e mais cachaceiros pelo mundo!

Uma fugidinha para Seefeld, Áustria

Essa é uma das grandes vantagens de se morar na Europa, a gente pode dar uma esticada de última hora e se mandar para outro país.

 

Há algumas semanas perguntei ao Luiz se ele não queria aproveitar esse finalzinho de inverno e ir esquiar em algum lugar. Nada que fosse muito complicado nem caro. Ele falou que estava afim, mas sem grandes perspectivas.

 

Semana passada, ele foi trabalhar em Barcelona na segunda e na terça-feira. De Barcelona mesmo, me perguntou se o plano de viajar seguiria de pé. Ué, por mim… macaco, quer banana? Só me avisa antes porque tem que achar alguém para ficar com Jack.

 

Na quarta-feira, por sua própria iniciativa, resolveu tudo. Conseguiu dia livre, converteu milhas, comprou passagem, reservou hotel e me avisou: viajamos na quinta!

 

Quinta amanhã? Sim, amanhã! Lá fui eu correr para cancelar aula de Pilates, perguntar se uma amiga podia ficar com Jack e arrumar as malas.

 

E para onde a gente vai mesmo? Uma  tal de “Seefeld”, no Tirol. Pegamos um vôo até Munique, de lá alugamos um carro e fica entre uma hora e meia, duas horas dirigindo até chegar ao destino final.

 

Assim que chegamos na Alemanha, pegamos o carro e partimos para a estrada. Advinha qual a primeira música que tocou na rádio? Nossa, nossa… assim você me mata… ah, se eu te pego… Veja bem, a primeira! Não foi a segunda nem a terceira! E adianto que na Áustria tocava também! Em pleno Tirol, nas lojas ou no bar do hotel, lá estava a voz de Michel Teló! Inacreditável!

 

Bom, eu não gosto nem do estilo nem da música. Não iria a um concerto do cidadão. Mas tampouco me incomoda tanto assim e acho que ele não denigre a imagem do Brasil. De maneira que se o menino está fazendo sucesso mundialmente, sorte a dele e que aproveite bem!

 

Chegamos em Seefeld pelas 22h, já tarde para jantar. Mas tiveram a gentileza de nos deixar um prato de frios no quarto para nossa chegada. O hotel era ótimo, um jeitão bem familiar, como de costume nas cidadezinhas dessa região. Ainda que a recepcionista se chamasse “Piroska” e me parecesse um pouco intimidador ser recebida pela Piroska assim logo de cara!  E óbvio que fiz mil e novecentas piadinhas cretinas com esse fato.

 

Nessas cidades pequenas austríacas é muito comum que os hotéis façam esquema de meia pensão, o que inclui o café da manhã e o jantar. Porque na hora do almoço, está todo mundo esquiando pela rua. E no jantar, todos cansados e querendo dormir cedo para aproveitar o dia. Não costuma haver uma vida noturna interessante. Eventualmente, os hotéis organizam vernissages, pequenos concertos de músicos locais ou jogos de cartas.

 

Funciona assim, logo no primeiro dia você recebe uma mesa e todos os dias é ali onde você sentará no café da manhã e no jantar. Fica uma plaquinha com seu nome de família nesse local definido. No próprio café da manhã, você tem acesso ao cardápio da noite, com entrada, salada, queijos e sobremesa fixos e opção de três pratos principais a eleger. Você escolhe seu prato, marca um “x” em um papel que fica sobre sua mesa, com o número do seu quarto. Ou seja, logo pela manhã, você precisa decidir o que vai jantar. A comida é caseira, mas muito bem cuidada no preparo e na arrumação dos pratos. Não é pretensiosa, mas tem um toque gourmet. Aliás, comemos muito bem todos os dias.

 

No fim da semana, tinha que fazer a prova de gravidez, mas isso era fácil, porque era desses exames de farmácia. Pensei, beleza, assim se for positivo a gente comemora e se for negativo, tenho mais com que me distrair. Comprei meu exame ainda em Madri, para evitar confusões. E para cortar o suspense, deu negativo. A verdade é que durante a semana, meus sinais foram sumindo e no fundo era já o que esperava. Sem problemas, tentaremos de novo sem grandes neuroses.

 

Mas acabou que essa história rendeu um mico divertido. Porque a tonta aqui confundiu o dia de fazer o teste e acabei fazendo antes. Quando me dei conta do erro, ainda que fosse muito improvável, resolvi fazer novo teste no dia correto. Só que daí tinha que comprá-lo na Áustria. Veja bem, a atendente da farmácia só falava alemão, lógico! E o alemão da Bianquinha é algo que beira o inexistente!

 

Cheguei tentando com inglês: pregnancy test? Ela olhou para mim com aquela cara que interrogação. Ok, parti para a mímica, pregnancy… e fazia o gesto de barriga de grávida… test… e colocava cara de dúvida!

 

Funcionou, ela começou a me apontar para uma prateleira e segui suas indicações. Acontece que na prateleira só havia uns folhetos pequenos, meio compridinhos, que falavam de teste de gravidez. Pego aquele papel: e o que faço com isso? Tenho que fazer xixi nesse folheto? Olho para a atendente com aquele jeito de “mas é isso mesmo”?

 

Ela começou a me chamar dizendo que sim e apontar para embaixo do caixa. Entendi que ela trocava aquele papel pelo teste. Acho que deve ser algum tipo de controle para menores de idade não comprarem o produto, sei lá.

 

Bom, com a caixinha do produto em mãos, perguntei: english instructions? E ela balançava a cabeça que sim. Mas eu, escaldada, tratei de abrir a caixa ali mesmo para ver se entendia as instruções. Claro que só tinha instruções em alemão! Tudo bem, já tenho experiência no assunto e fui direto para os desenhos. Geralmente, são 3 desenhos, um é sim, os outros dois são não ou nulo.

 

Apontei para o primeiro desenho e fiz o gesto do barrigão outra vez. Ela olhou e fez positivo! Os outro dois desenhos ela dizia algo que me soava como: nirr… nirr… fazendo cara de não. Beleza, resolvido! Ainda bem que a farmácia estava vazia, né?

 

No restante da cidade, a gente se virava bem com o inglês. Aliás, pessoal bastante amável e simpático.

 

Essas cidadezinhas entre vales nevados sempre me parecem de conto de fadas, me sinto em uma fábula de Natal. Havia nevado bastante e os telhados ainda guardavam cerca de um metro de neve, apesar da temperatura chegar à incrível marca de uns 15 graus! Nem sabia que com essa temperatura ainda era possível que a neve não derretesse inteira!

 

Enfim, fizeram dias lindos e ensolarados, ainda que nevados.

 

Descobrimos uma delicatessen especializada em produtos austríacos e italianos que era uma autêntica perdição. Ali tomamos um vinho tinto italiano fantástico, porque vamos combinar, os vinhos tintos alemães são sofríveis, pelo menos ao meu paladar. Acompanhamos com uma tábua de frios divinos, dos quais selecionamos um em especial para trazer a Madri. Um salame trufado dos deuses! Até hoje nossas roupas de esqui estão cheirando a trufas, mas tudo bem, valeu à pena!

 

No domingo, dia de voltar para casa, a diária do hotel vencia às 11h e nosso vôo só saía de Munique às 19h. Podíamos almoçar em Seefeld e fazer uma hora por lá, mas temos um casal de amigos que mora em Munique e queríamos almoçar com eles. Assim, além de passar o tempo, também aproveitávamos para fofocar um pouco pessoalmente.

 

Domingo é um dia meio morto em Munique, aliás, acho que na Europa de modo geral. Mesmo aqui em Madri, que é super animada, boa parte dos restaurantes simplesmente fecham no domingo. Mas minha amiga acabou achando um vegetariano bem bonitinho no centro da cidade e ali gastamos algumas horas.

 

De lá, nos despedimos, e fomos para o aeroporto tomar o rumo de volta. Melhor não chegar tão tarde, porque ainda tínhamos que devolver o carro alugado.

 

Antes de devolver o carro, precisávamos abastecê-lo. Normalmente, tem posto de gasolina perto dos aeroportos e contamos com essa facilidade. Achar o posto nem foi complicado, estava bem sinalizado. Mas na hora de abastecer, cadê que a gente conseguia?

 

Bom, em geral, eu nem salto do carro, porque odeio essas bombas que a gente tem que se servir sozinha. Adoro o esquema brazuca que alguém faz isso para você. Mas o Luiz está acostumado. Saltou ele e daqui a pouco me chama, Bi, não estou conseguindo abastecer, vê se você descobre como é. Ele colocava a bomba, mas tinha uma espécie de tampa por dentro que não abria e não entrava o combustível! Inclusive, vazou um pouco pelo lado de fora. Lá fui eu catar o manual de instruções, todo em alemão… putz! Ele foi atrás de um taxista para pedir ajuda. O taxista apontava para a entrada de combustível que tinha escrito “Diesel” e a gente, ok, mas a bomba não entra…

 

O taxista desistiu e foi embora. Eu achei no manual o desenho de onde abastecer, mas aparentemente não fazíamos nada errado. Até que Luiz venceu a vergonha e perguntou para o carro que estava atrás da gente se podiam ajudar.

 

Foi quando a gente entendeu que Luiz estava tentando enfiar a bomba de gasolina, ao invés da de diesel, e o carro muito inteligente reconhecia o erro e simplesmente não deixava entrar o combustível errado!

 

Fica a gente com aquela cara de nádegas, querendo se enterrar, mas com vontade de rir da mancada! Daí Luiz tenta com a bomba certa. Acontece que quando ele tentou com a bomba errada, vazou um pouco de combustível, lembra? E enquanto não pagasse a incomensurável conta de 13 centavos, a bomba não funcionaria novamente. Lá foi ele no posto pagar os centavos para liberar a bomba e, finalmente, conseguir encher o tanque do carro! Ufa!

 

Que mico!

 

Mas enfim, sobrevivemos e até achando graça. O resto da viagem correu tudo bem. Chegamos em casa pelas 23 horas, exaustos, mas ao mesmo tempo relaxados.

 

Minha amiga que ficou cuidando do Jack ainda foi legal e colocou a roupa da casa para lavar, porque sempre que a gente chega de viagem tem um monte roupa suja. Assim que já foi bom chegar com a vida adiantada.

 

Nosso felino, como todo fim de viagem, estava um docinho, uma carência só, pedindo atenção o tempo inteiro. Mas em um par de dias já está normal novamente. Ele anda mais sociável com quem fica em casa.

 

E isso, pues nada, para quem não tinha planos até quarta-feira passada, não podemos reclamar do fim de semana inesperado.

Será primavera? Estou na Bahia?

Chegou sábado e fomos a um churrasco na casa de amigos. Pouca gente, marcado no dia anterior.

 

Engraçado quando seus amigos entram na categoria família e as formalidades vão para o saco! O marido nos chamou, marcou o churrasco e simplesmente se esqueceu de avisar a esposa!

 

Para completar, surgiu uma oportunidade de última hora que ele não podia perder exatamente no sábado pela manhã.

 

Resultado, chegamos na casa deles e estava só a esposa. Sem problemas, começamos a organizar a história, ascender churrasqueira, preparar carnes, pão etc. Dalí a pouco chega o marido e pouco depois quem tem que sair é ela, porque já havia marcado com a sobrinha de participar de um campeonato de quebra-cabeças!

 

Hein?!

 

Primeira pergunta, vocês moram na mesma casa? Estão brigados? E a segunda, como assim campeonato de quebra-cabeças? Marido, você acreditou nessa desculpa esfarrapada?

 

Explicada a história e depois de tirarmos muito sarro da cara dos dois, a verdade é que fez um dia muito agradável. O primeiro fim de semana de sol do ano que deu para tirar o casaco e quase sentir calor.

 

Quer dizer, calorzinho mesmo, só embaixo do sol e chegou um momento em que ficou hilário porque todos os homens estavam ao redor da churrasqueira, na sombra; e todas as mulheres encostadas em uma parede, alinhadas na escada, para não perder nem um raiozinho de sol. Lógico que passamos a ser chamadas de lagartixas e a comparação era inegável.

 

Lagartixas sim, mas que aquele sol estava ótimo, isso estava!

 

Carne boa, companhia melhor ainda e temperatura excelente! Um dia de primavera com tudo para acabar bem.

 

No final, como de costume, foram jogar sinuca. Também como de costume, depois de meio bêbados, eles brigam por causa das regras. E essa é a parte ruim de ter amigos-família. Brigam a sério, o que me irrita e não é a primeira vez. Das outras vezes, fiz ouvido de mercador, dessa perdi minha paciência e vim embora. Acho que quem não sabe brincar, não brinca e quem não sabe beber, não bebe. Da minha parte, não tenho que ficar ouvindo grosserias, mesmo que não sejam destinadas a mim diretamente.

 

Portanto, a quantos churrascos mais for convidada, irei na maior alegria. E na hora do jogo de sinuca, nunca mais estarei presente.

 

Chegamos em casa perto dàs 21h, eu acho. Deu preguiça para sair outra vez, porque para jantar não tínhamos fome e para dançar ou beber, não é exatamente o momento. Então, aproveitamos para dormir um pouco mais cedo.

 

No domingo, acordamos bem. Essa também é uma vantagem de não beber, quando acordo no final de semana cedo, bem disposta e ainda por cima de propósito, me sinto recompensada.

 

Os dias estavam muito bonitos para ficar dormindo em casa, queria estar ao ar livre um pouco.

 

Havíamos marcado de ir com uns amigos a um restaurante baiano. Há algum tempo atrás, uma amiga descobriu um restaurante que fazia um acarajé bem honesto, o Rincón Baiano. Almoçamos ali e criamos a “Confraria do Acarajé”. De tempos em tempos, nos reunimos para desfrutar de tal iguaria!

 

A Confraria acabou crescendo e esse último almoço já reuniu umas 20 pessoas. Acho até gente demais para ir de uma vez ao restaurante, dificulta o serviço. Por outro lado, o pessoal é sempre muito animado e a gente sempre se diverte. Vamos combinar que se juntar para comer acarajé em plena Madri é algo meio surreal.

 

Fomos e voltamos caminhando, aproveitando a temperatura e o ar fresco. Está chegando a temporada que mais adoro na Espanha, aliás, na Europa em geral, mas aqui especialmente.

 

Apesar dos percalços, um dia de primavera e outro de Bahia são muito bem vindos!

Carnaval em Madri 2012

Adianto que foi bem animado, aliás, se não foi o mais animado, seguramente foi o que mais dias teve!

 

Geralmente, nosso carnaval em Madri se resume ao sábado, quando nos juntamos e saímos em bloco para batucar na rua.

 

Acontece que dessa vez começou na quinta-feira, dia 16 de fevereiro. Pela hora do almoço, chegou meu irmão do Rio, junto com duas amigas. Ele ficou hospedado aqui em casa e as amigas em um apart hotel logo na esquina, muito perto.

 

Na mesma tarde, fiz um passeio pelo centro da cidade com eles e paramos para comer no Mercado de San Anton e no de San Miguel. Eles já começaram ali os trabalhos etílicos, mas eu estava uma lady só na água e, claro, nas tapas que são ótimas!

 

Bom, na sequência, foi a noite das caipirinhas, no Belmondo, uma coqueteleria bem charmosa em lavapiés. Lá fomos nós e um grupo de amigos. Luiz e eu não ficamos até muito tarde porque ele trabalhava no dia seguinte, aqui não tem feriado em carnaval. Então, pela hora da Cinderela a gente puxou nosso carro e o pessoal seguiu mais um pouco.

 

Na sexta, acordei meio entupida, senti que estava querendo gripar e me deu um pouco de medo. Meu irmão não estava sozinho e não dependia de mim para sair. Pois quer saber, fico em casa e me preservo, porque à noite tem mais.

 

E teve! Na sexta à noite foi um grito de carnaval, organizado por um amigo em um bar, na Taberna Alabanda, com direito à fantasias e marchinhas!

 

Veja bem, para quem estava atento, leu mais acima que meu irmão saiu do Rio em pleno carnaval para vir a Madri, certo? Imagino que por si só esse fato demonstre o quanto ele ama de paixão pular carnaval. Mas o caso é que nós íamos para esse bar e as amigas dele gostaram da história, portanto, ele acabou sendo voto vencido. E a verdade é que se divertiu e dançou bastante.

 

O pessoal se empolgou e todo mundo foi fantasiado. Com os amigos daqui não tem erro, todos embarcam na brincadeira sempre! Nem preciso dizer que o povo chutou o pau da barraca três vezes, né? O bar não estava lotado e virou festa privê, animada, mas confortável.

 

Como já contei, não estava tomando álcool nesse carnaval. Tudo bem, porque consigo me divertir sóbria no meio dos doidões, até dou corda. E devo ser a única que sabia exatamente o que estava acontecendo a todo momento. Entretanto, por empatia aos meus amigos ébrios, e sorte a deles, me abstenho de contar sobre a vida alheia, a menos que me toque diretamente. Mas para dar uma idéia do teor alcoólico da galera, só conto que duas pessoas perderam suas carteiras!

 

Uma delas, amiga do meu irmão, com seu passaporte dentro! Pequeno detalhe, no dia seguinte, bem cedo, os três tinham passagem marcada para Barcelona.

 

O que quer dizer que saímos cedo da festa, por volta dàs duas da manhã, para dar tempo deles dormirem alguma coisa. Mas na prática, não adiantou muito, porque tiveram que ir para a polícia dar queixa, entre outras pendências a serem resolvidas quando se perde a sua bolsa! Resultado, ninguém deitou antes das 4 da matina!

 

Um parêntese, enquanto esperávamos essa confusão com o povo na polícia, liga o outro amigo que tinha perdido a carteira. Atendo eu e bato o maior papo com ele, afinal, não estava fazendo nada mesmo e tinha que esperar acordada. E no meio de uma conversa relativamente surreal, entendo que ele perdeu uma carteira, em suas palavras: com 40 contos e minha carteira do coração…

 

Carteira do coração? Que raio será isso? Deve ter querido dizer que era uma carteira de estimação, que ele gostava, sei lá! O importante é que dizia não haver levado documentos.

 

No dia seguinte, ele mandou uma mensagem ao Luiz avisando que perdeu a carteira. Luiz respondeu que sabia. Ele não lembrava que já tinha nos falado! Meu amigo, você ligou duas vezes às 3 da matina e bateu o maior papo com a Bianca! E que raio é a carteira do coração?

 

Era uma carteirinha da Cruz Vermelha! E sim, ele tinha perdido os tais 40 euros, mas não havia levado documentos. Menos mal.

 

Seguindo a saga, no sábado, às 7 da manhã já estávamos de pé para levar meu irmão e a amiga que não perdeu nada no aeroporto e a outra na delegacia. Chegamos no apart hotel, só estava meu irmão e a amiga que ia viajar. A outra devia estar com vergonha, dormindo, sei lá! A gente ficou meio chateado de estar todo mundo acordado àquela hora e justo a pessoa que perdeu a bolsa não ter aparecido. Mas tudo bem, isso era problema deles.

 

O que não sabíamos é que em seguida ela levantou, conseguiu embarcar com a carteira de motorista com foto e acho que uma declaração da polícia que havia perdido o passaporte. Como era um vôo nacional, deu certo. E lá mesmo em Barcelona, ela conseguiu fazer outro passaporte de emergência. Enfim, tudo solucionado!

 

Voltamos para casa e demos uma cochilada para agüentar o tranco! Porque no sábado era o principal programa carnavalesco, dia de por o bloco na rua! Fomos nos juntando em um grupo de amigos, e passamos ensaiando músicas e percussão nos domingos de janeiro e fevereiro.

 

Vou ser bastante sincera, no dia mesmo estava mortinha! Gripada, toda entupida, sem poder tomar remédio, sem poder ficar doente, sem poder beber e um frio do cão na rua! Afinal, aqui é inverno!

 

Acontece que tinha posto a maior pilha em um monte de gente, feito toda a propaganda, levantado expectativas… enfim, não dava para amarelar de jeito nenhum.

 

Então, às cinco da tarde lá estávamos nós na concentração do bloco, no Kabokla. O plano A era ficar só na concentração e na hora de ir para a rua a gente sair pela tangente e voltar para casa. Mas já dizia Vicente Mateus que quem está na chuva é para se queimar. Assim que quando o bloco foi para a rua, lá fomos nós com ele.

 

Fui tocando tamborim e o Luiz, caxixi. Mas pelo meio do bloco ele também tocou tamborim comigo. Saímos do Kabokla, na Calle San Vicente Ferrer, caminhamos até a Plaza de España, subimos pela Gran Via até Callao, descemos a Preciados até a Puerta do Sol. De lá, se fez o caminho de volta.

 

Mostro um dos vídeos do pessoal, quando estávamos descendo a Preciados. Dá para notar que é um bloco bastante democrático, cada um toca e canta o que quiser. Na frente é uma música, na bateria é outra! Mas tudo bem, o importante é a brincadeira e divertido foi! A gente aparece duas vezes, a primeira por volta dos 20 segundos, quando um dos músicos mostra uma garrafa, estamos atrás dele tocando tamborins; e a segunda quase no final vídeo.

 

No trajeto de volta, assim que chegamos em Callao, caminho para nossa casa, resolvemos sair à francesa e tirar nosso time de campo. Demos nossos chapéus para outras duas pessoas e tomamos nosso rumo!

 

Domingo foi dia de preguiça! Meu irmão estava em Barcelona ainda, chegaria na segunda-feira, e já sabia que durante a semana a programação deveria seguir. Melhor a gente aproveitar para descansar.

 

Segunda-feira, tive médico e estava tudo certo. Ótimo, assim relaxei um pouco! Aproveitei para pegar o nome de algum descongestionante nasal que eu pudesse usar e me senti melhor.

 

O pessoal chegou de Barcelona no fim da tarde. E nessa noite, além dos três, ainda haviam chegado mais dois casais, amigos do meu irmão. Marcamos jantar com todo mundo, um grupo de nove pessoas, em plena segundona! Fomos ao Paralelo Cero, onde eles foram super gentis e nos colocaram em uma sala privativa para nosso grupo.

 

As amigas do meu irmão eram bem divertidas e os casais também, assim que a animação seguiu. Luiz voltou para casa, afinal ele não está de férias, e segui com eles para o Olé Lola, um bar lounge em Malasaña.

 

Na terça, jantamos no já legendário El Fogón de Trifón, como não poderia deixar de ser e na quarta-feira, fomos ao La Mucca. Enfim, tentei buscar lugares com estilos diferentes para variar um pouco.

 

Na quarta, depois do jantar e de deixar Luiz em casa, fui com eles até o El Junco, mas nem me atrevi a entrar, porque me conheço e sei que não tenho maturidade! Fui só garantir que eles soubessem o caminho e voltei da porta!

 

Na quinta-feira, ainda saí com meu irmão durante o dia, para fazer as últimas compras e comer alguma coisa só nós dois. E à noite eles foram embora.

 

Por um lado, dei aquela respirada por poder descansar, mas por outro, ficou a sensação de meio vazio. Eu bem que estava gostando da confusão, por mais comportada que estivesse.

 

Para quem achava que ia acordar mais tarde na sexta, nada! Obra em casa! Pelo menos foi rápido e pela hora do almoço já estava tudo resolvido.

 

Quando chegou à noite, perguntei ao Luiz se ele queria sair para jantar ou fazer alguma coisa e ele praticamente rosnou para mim! Após cruzar com seu olhar, algo entre um assassino em série e alguém pedindo clemência, achei que era melhor ficar quieta em casa mesmo…

 

Um novo fim de semana estava chegando,  porque ninguém acha que acabou, né? Mas, enfim, essa já é outra história…

Fazendo contas

Agora sou uma mulher matemática: vivo contando!

 

Porque entre o sanduíche de “feveillon” e carnaval, dona Bianquinha segue em seus planos de gravidez. E para não perder a conta, deixa eu registrar tudo direitinho! E aviso logo que esse texto interessará mais às mulheres que também tentam engravidar.

 

Primeira data que você nunca pode esquecer é a da última menstruação. É dali que saem todos os cálculos e, no caso de tudo dar certo, será quando começa a contar a sua gravidez.

 

Minha última data foi 03 de fevereiro.

 

O primeiro passo foi tomar o estimulador para ovular, no meu caso, o Omifin. Ele começa a ser tomado no 5º dia da menstruação, ou seja, nesse caso, no dia 7 de fevereiro. Foi tomado durante 5 dias. Ou seja, que tomei até o dia 11 de fevereiro.

 

No dia 13, fiz outra consulta como médico, que por sua vez confirmou que meu ovário esquerdo reagiu.

 

Daí ele disse que minha ovulação provavelmente seria entre os dias 15 e 16 de fevereiro. Segundo ele, o óvulo dura 48 horas e o espermatozóide 72 horas, portanto, para cercar essa data, deveríamos manter relações nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro. E que não fizéssemos nada nos dois ou três dias anteriores.

 

Ele não me recomendou medir temperatura. Na dúvida eu medi e não tive grandes alterações. Também não me falou nada de deixar as pernas para cima por um tempo, coisa que a sabedoria popular prega constantemente. Mas quer saber, lenda ou verdade, não me custava colocar as pernitas para cima, então está valendo!

 

É um pouco engraçado você ter dia marcado para sexo, no caso, três dias seguidos, mas não achei nada ruim!

 

Muito bem, no dia 17 de fevereiro, comecei a tomar progesterona para dar uma forcinha. Voltei a tomar o Ultragestan 200mg, uma vez ao dia. Normalmente, tomo antes de deitar porque me dá muito sono. Aliás, acho ótimo, durmo que é uma beleza!

 

No dia 20, voltei no médico e fiz nova ecografia, para verificar se havia realmente ovulado, medir não sei o que do endométrio e blá, blá, blá… Bom, nessa consulta ainda é muito cedo para dizer que estou grávida, mas poderia confirmar que não estava. Felizmente, segundo ele, tudo seguia como se deve, como se diz por aqui, a coisa tinha “muy buena pinta”.

 

Ele fez novas contas e me disse para fazer o teste de gravidez no dia 3 de março. Até lá, a comer paredes de curiosidade para saber logo se deu certo!

 

Lógico que fiquei toda animada, né? O médico me perguntou se eu tinha algum sinal ou percebia alguma coisa diferente. Eu disse que sim, mas que ele não levasse muito em consideração, porque agora tudo que sinto acho que é um sinal!

 

O único problema é que minha resistência baixou e eu gripei, coisa que raramente acontece. É raríssimo que eu pegue uma gripe! Mas nem isso achei ruim, porque da primeira vez que engravidei, aconteceu exatamente a mesma coisa. Para ver o nível de neurose da pessoa, até a gripe eu achei que era um sinal positivo!

 

Bom, tinha uma outra questão, isso foi exatamente antes do final de semana do carnaval. E pelo sim ou pelo não, achei que não deveria me arriscar. Não quero fazer nada errado.

 

Assim que não deixei de aproveitar, de encontrar os amigos e tal, mas nada de beber ou abusar fisicamente. Dizem que manter suas atividades normais não é o problema, o complicado é fazer algo que não estava na sua rotina. Estou acostumada a um ritmo puxado, portanto, não me custa esforço adicional sair, dançar um pouco, caminhar, mas me preservei. Depois conto sobre o carnaval, que aliás, foi muito divertido.

 

E quer saber, eu aproveitei e sigo aproveitando muito minha vida, segurar minha onda não é esse sofrimento todo. O chato mesmo foi ficar toda entupida e com medo de usar qualquer medicação.

 

Admito que à medida que o tempo vai passando e se aproxima da data de fazer o teste, meu ânimo vai sendo substituído por preocupação. Não é que não acredite, sigo otimista até o final, mas às vezes me bate o pensamento do é bom demais para ser verdade. Será que engravido logo na primeira tentativa? E se não for agora, por quanto tempo ficarei nessa expectativa?

 

Porque por mais que a gente tente levar uma vida normal, fica difícil não pensar nisso. Como acabo de explicar, seria no mínimo imprudente que eu levasse a minha vida normal. Necessariamente, muda minha programação de viagens, os encontros com amigos, os horários, o que como, o que bebo, a maneira de fazer ginástica, de subir as escadas de casa. Então, como faço para simplesmente não pensar nisso? É complicado.

 

Isso quer dizer que estando ou não, comecei a levar uma vida de grávida! Não é ruim, mas é diferente, porque é meio maluco você agir como se estivesse, sem ter certeza se está!

 

Enfim, detalhes que devo ir aprendendo a lidar pelo caminho. Talvez seja bom para eu ir absorvendo que minha vida já mudou e esse é só o começo.

Feveillon

Hein? Que?

 

Para quem nunca leu a respeito, já vou explicar, começou há alguns anos, quando fizemos uma tremenda festa de Ano Novo em casa. Na época, morávamos em uma cobertura e até fogos de artifício a gente estourou.

 

Quem mora fora de seu país, sabe uma festa assim nesse período é meio complicada de fazer. Porque muitos expatriados viajam e o pessoal local sempre tem alguma família com quem passar. Mas naquele ano, nem sei por que, havia muitos amigos pela cidade, de maneira que foi bastante animado.

 

Janeiro até que começou bem, mas pela metade do ano a coisa foi ficando meio pesada, meu pai adoeceu, vários amigos tiveram problemas, enfim, chegou dezembro e tudo que eu queria era desaparecer. Praticamente fugi com Luiz e o Jack para algum lugar que não recordo agora, acho que foi para França ou Andorra.

 

Nem me lembrei que tudo que você faz na vida tem uma conseqüência, ação e reação. E no momento que nos dispusemos a acolher os “exilados” nas festas de fim de ano, nós havíamos criado uma expectativa. Querendo ou não, havia uma responsabilidade, afinal já dizia o pequeno príncipe, tu es responsável pelo que cativas, certo?

 

Pois é, depois a gente soube até de umas histórias engraçadas de gente que estava muito aborrecida conosco, porque não convidamos para uma festa de réveillon que, por sinal, nunca existiu!

 

O que importa é que chegou fevereiro e os amigos finalmente haviam voltado de seus destinos. Tinha ficado um certo vazio no ar e a gente estava pensando mesmo em fazer algum reencontro de início de ano.

 

Quer saber, por que não fazemos uma festa de réveillon fora de época?

 

Réveillon + Fevereiro = Feveillon

 

E assim nasceu o famoso Feveillon!

 

De lá para cá, todo início de fevereiro a gente se organiza e dá uma festa, fazendo de conta que o ano começou novamente.

 

Parece uma loucura coletiva, porque nos vestimos de branco, colamos 7 ondas estilizadas no chão para pular e fazer pedidos, cantamos músicas de réveillon, comemos uvas, fazemos contagem regressiva, estouramos champagne à meia noite e nos abraçamos desejando um feliz ano novo a todos! Sim, simplesmente todo mundo entra na bagunça e incorpora a brincadeira!

 

O caso é que essa confusão começou a crescer e cada vez tinha mais gente querendo entrar na roda. Também não gostamos de ficar selecionando e limitando convidados, não para essa festa. Afinal de contas, réveillon que se preze se passa na praia com todo mundo, é democrático!

 

Então, decidimos esse ano fazer em um bar, assim todos poderiam participar. Checamos com os amigos a melhor data e foi 11 de fevereiro.

 

Pergunta se lotou?

 

Bombou! Na verdade, em algum momento da noite chegou a ficar meio aglomerado com tanta gente. Mas sem nenhum incidente ou confusão. Aliás, o clima era totalmente de boa energia. A grande maioria era de amigos ou amigo de amigos, então ficou tudo em casa.

 

Não havia ninguém na porta controlando entrada, por isso sempre pode chegar gente de fora, principalmente com aquela animação toda no recinto. Mas mesmo quem não era do grupo, entrou no clima da festa.

 

Tocou uma banda, também de amigos. Repertório de música brasileira que botou o povo para dançar. Lógico que a gente também se meteu, tocamos, cantamos… enfim, uma farra! Pelo meio da madrugada, outro amigo ficou de DJ e a festa seguiu.

 

Também distribuímos uns patuás caseiros, feitos com um saquinho de sal grosso enrolado em fitas do Senhor do Bonfim, para pendurar no pescoço. Infelizmente, só fizemos uns 60 e não deu vazão para todos convidados, mas paciência, valeu a intenção. Os nossos, pelo sim pelo não, já estão pendurados atrás da porta! Proteção é sempre bem vinda!

 

E assim, começamos o ano pela segunda vez!

 

É um pouco louco, admito, mas para que tanta razão, certo? Um pouco de fantasia, brincadeira, música e bom astral não fazem mal a ninguém.

Let me try again…

E lá vamos nós de novo, tentar engravidar outra vez. Aviso logo, assim só lê quem se interessar pelo tema.

 

Pois é, passei os dois meses necessários para o corpo voltar para o lugar e a poeira baixar na cabeça. Quer saber, acho que foi bom esse prazo. O tempo que levou meu corpo para se ajustar, foi o mesmo que levei para deixar de choramingar pelos cantos. Chega, prova superada!

 

Muito bem, próximos passos, como funciona agora?

 

Esperei os dois ciclos menstruais após a perda da gravidez. No primeiro dia do segundo ciclo, telefonei para o médico e marquei consulta, que devia ser feita entre o terceiro e o quarto dia.

 

Fui até lá, que é bem pertinho da minha casa, por sinal. Ele me fez a consulta e uma ecografia para ver se estava tudo bem. Felizmente, sim, está tudo certo, nas medidas que devem ter, tudo limpinho, nenhuma seqüela. Maravilha!

 

Bom, daí o que tenho que fazer é tomar um comprimido chamado Omifin 50mg, uma vez ao dia, por cinco dias. É um estimulante para ovulação. Daí na próxima segunda-feira, ou seja, uma semana após começar a tomar a medicação, volto lá e faço nova ecografia. Isso, recapitulando, é no 10º dia após a menstruação baixar. É quando ele me diz se estou ovulando ou não e em que pé de amadurecimento está o óvulo. E, dessa maneira, a gente pode concentrar as relações no dia correto, aumentando nossas probabilidades.

 

Em outras palavras, ele vai me dizer algo como: não é nesse mês, vai para casa e te vejo no próximo ciclo… ou, amanhã vocês poderiam ter um encontro romântico… ou, corre minha filha e avisa para seu marido chegar logo!

 

Fora esses 3 ou 4 dias em que estamos na dúvida se o óvulo está maduro ou não, o resto do mês todo é vida normal. O que para quem passou por uma fertilização in vitro, é moleza!

 

Olha, conheci e sigo conhecendo um monte de “tentantes” em ser mãe. Escuto todas as histórias e resultados possíveis. Aprendi pacas! E também espero ter ajudado a orientar alguma outra perdida como eu estava. E muitas me repetem a mesma situação, que é o fato das relações sexuais terem ficado mecânicas ou burocráticas, em função dessas tentativas de engravidar.

 

Deve ser verdade, porque é uma queixa geral. Mas vou dizer uma coisa, com todo o respeito que tenho pela experiência de cada uma, essa questão não me preocupa agora. Acho que negar o problema seria ingênuo da minha parte, entretanto, vê-lo sob outra perspectiva pode ajudar bastante.

 

Queridas e queridos, estamos falando de sexo! Com alguém que você espera ser o pai ou a mãe de seus potenciais filhos! E isso tem que ser ruim ou obrigação por que mesmo? Fala sério!

 

Vamos abrir o verbo? Eu não sou uma virgem de 15 anos que sonha com anjinhos e passarinhos cantando em suas futuras relações. Tenho 42 anos, casada há quase 18 deles, se eu for esperar condições perfeitas de temperatura e pressão para dar umazinha, vou cicatrizar!

 

Porque na vida normal, um dia você sim está com dor de cabeça, o outro ele chegou morto do trabalho, no outro está um frio do cão e no outro você simplesmente está sem paciência! Então, esse momento romântico perfeito, onde vocês estão relaxados, descansados e lindos pode demorar muito a acontecer! E que ainda por cima isso coincida com o exato dia em que estou ovulando… putz!

 

Isso quer dizer que não existe espontaneidade nas relações? Lógico que existe! Caso contrário, o casamento vai para as cucuias, não é isso que estou dizendo. Só que já não tenho essa necessidade de tanto romantismo para ficar arrumando problema onde não há. Sinto muito em admitir, meninas, mas eu não preciso de 45 minutos de preliminares em absolutamente todas as vezes, e se isso acontecer, eu durmo ou vou começar a pensar na lista de compras do dia seguinte! Para que complicar o que é bom simples?

 

E se alguém me diz que preciso ter sexo em determinado dia e ainda por cima, sob recomendação médica, eu acho é bom! Inclusive, muito mais fácil de administrar a depilação, vamos combinar!

 

É mais ou menos assim, você está fazendo uma dieta, e uma vez ao mês, seu médico diz que você está obrigada a comer um prato de massa com molho de trufas brancas e… eu vou achar ruim por que mesmo? Não é jiló!

 

Do lado do marido, não posso afirmar, talvez sim que exista certa pressão. Por outro lado, acho que os homens de modo geral não vão achar muito ruim se você chegar para ele e disser: amor, hoje eu quero sexo! Você se incomoda?

 

O que quero realmente dizer é que levando a situação com naturalidade e bom humor, fica tudo mais leve. Não tem porque transformar o que é bom em ruim ou obrigatório.

 

E voltando à parte técnica do tema, não tenho nem idéia de quantos meses estaremos nessas tentativas. Não há nenhuma garantia, simplesmente, aumenta as probabilidades.

 

Durante esse período, voltei a tomar o ácido fólico. Não faz mal a ninguém e vale prevenir.

 

No caso de algum óvulo ser realmente fertilizado, provavelmente eu volte a tomar o complemento de progesterona, o tal do Ultragestan. Mas vamos com calma e cada coisa a seu tempo.

 

Por enquanto, meu único tratamento é tomar um comprimido de Omifin, outro de ácido fólico e praticar sexo!

 

Não sei se será mais eficiente que a fertilização in vitro, mas definitivamente, será bem mais divertido!

Celular: esse amigo imaginário chato e possessivo para adultos!

Eu já contei por aqui que quando era criança tinha amigos imaginários. Sim, no plural, não era um amigo, era toda uma galera imaginária!

Não sei porque eles apareceram, mas desconfio que em parte era porque me fazia falta companhia. À medida que fui crescendo eles foram sumindo naturalmente e não só porque parecesse maluco falar sozinha, mas porque passou a haver amigos de verdade ao meu redor. E eram bem mais interessantes.

Depois veio uma fase de jogos. Gostava particularmente de alguns que meu avô fabricava, até porque vê-los sendo construídos ou participar dessa elaboração era parte do pacote. Em algum tempo, o jogo em si passava a um segundo plano, porque era em parte um pretexto para nos juntarmos e começarmos nova brincadeira.

Logo vieram os vídeo games, mas nunca me convenceram muito. De certa forma, a tela da televisão passava a substituir outra pessoa. Os computadores também ocuparam esse lugar.

E podemos abrir uma lista de queixas e de vantagens que vieram com a popularização dos computadores, mas hoje gostaria mesmo de falar dos telefones celulares. Esses pequenos objetos que surgiram com o objetivo inicial de falar com outra pessoa, mas que sofreram um tipo de mutação genética e se tornaram computadores ambulantes.

É inegável, os celulares hoje em dia se parecem cada vez mais a computadores, englobam imagens, dados, jogos etc. O que nem acho ruim, mas é que, às vezes, tenho essa sensação que eles passaram a ocupar o lugar do amigo imaginário infantil, mas em uma versão aceita socialmente por adultos.

Vamos voltar o filme um pouco, repetindo, seu objetivo inicial não seria a comunicação, a interação? Porque na prática, os celulares estão paradoxalmente ocupando o espaço de alguém real e tornando as pessoas de verdade que estão ao seu lado em invisíveis.

Isso me irrita, às vezes me ofende.

Tenho o exemplo vivo em casa, um marido viciado em super celulares. Não é o único, ele é dessa categoria que recebe o celular do trabalho. Faz parte desse grupo que reclama eventualmente por ter que estar sempre disponível e não receber horas extras por isso, mas que no fundo, tenho certeza que gostam dessa situação. Afinal, tem desculpa melhor do que ter que checar o celular o tempo inteiro? Porque não há argumento mais incontestável do que: preciso checar, pode ser trabalho! Como você vai atrapalhar alguém que “pode” estar trabalhando?

Não importa que isso seja no meio do jantar, sábado às 22h, mas sabe como é, pode ser trabalho…

De tempos em tempos eu me rebelo, me nego a ser conivente com essa situação absurda e me recuso a ter aquela porcaria sobre a mesa todo o jantar. Daí ele se esforça em achar qualquer coisa que eu fale que precise ser checada imediatamente na internet, pelo celular é claro. Algo besta como, nossa está mais frio hoje, né? Sabe aquela frase que você diz para puxar assunto? Ah, para que? Motivo perfeito para resgatar o celular e me “ajudar” com a precisa informação da temperatura exata em três países diferentes. Bom, daí ele aproveita e dá mais uma checadinha se chegou algo novo nos últimos 90 segundos.

E fico eu jantando sozinha, enquanto ele busca informações metidas em seu amigo imaginário, para mim, é claro!

Também funciona para nossos amigos. Quantas vezes estamos em grupo e ele se enfia no seu universo paralelo e larga todo mundo falando sozinho. Quero morrer de vergonha da falta de educação, mas o problema é que é geral e já nem se considera mais como falta de educação.

Olho em volta e constato que ele não é o único. Quase todas as mesas tem sua própria tecnologia e seu ralo virtual. Infelizmente, o bicho raro sou eu.

Semana passada saímos em quatro pessoas, Luiz, eu e duas amigas, também da categoria mega profissionais que precisam muito estar conectadas 24 horas por dia. Por acaso, estava eu com meu celular também, digo por acaso porque ele costuma ser um excelente despertador, mas muito pouco usado. Nesse caso, elas poderiam se perder ou precisar de direções, então, o mantive comigo até elas chegarem. Meu primeiro impulso quando as vi foi justamente guardar o celular, afinal, já não era mais necessário. Sou dessa estranha parte da população que ainda acha estranho você ficar com sua atenção dividida quando interage com gente de verdade, lembra?

Bom, novamente, o bicho raro era eu. Porque os três trataram de posicionar seus celulares ao lado dos pratos, afinal poderiam receber chamadas muito importantes. E, lógico, podia ser trabalho…

Juro que chegou o momento em que Luiz pediu o código wi-fi. Nós em um excelente restaurante, um belo vinho, companhia agradável e… três pessoas com as caras enfiadas em celulares!

Estava desagradável? Não, gosto da companhia deles. Só me pareceu insano! Sem perceber, me escapou pela boca o que ressoava na cabeça: sou muito mais feliz!

E livre.

Quando quero companhia, viro para o lado, vejo quem tem cara de que também quer papo e pergunto alguma coisa estúpida como, nossa está frio hoje, né? E apenas espero que o interlocutor olhe para mim e responda qualquer besteira como, é, também achei…

Chama que ela vem!

Estou falando da mudança! E logo não tocarei nesse assunto por mais algum tempo, porque já entramos em novo ciclo e estamos passando da fase de transição.

 

Tem gente que não gosta de mudança e tem suas próprias razões para isso, não julgo, cada um sabe de si. Eu gosto. E não é que não sofra com elas, porque muitas vezes é realmente difícil. Agora, percebi que nem espero mais ela acontecer para recebê-la de boa vontade. Se ela começa a demorar, corro eu atrás dela!

 

E pode chamar que ela vem.

 

Depois de balançar a energia da casa e nos desfazer de parte do passado para deixar entrar o novo, olha quem apareceu? A mudança!

 

Muita calma nesse momento, nada tão radical, pouco a pouco e no tempo que deve ser. Simplesmente, o que estava entravado começou a se mover, só isso. Acontece que só isso, um olhar treinado sabe que é grande coisa.

 

Luiz andava borocoxô com seu trabalho. Ao mesmo tempo, como se queixar ou arriscar em um momento tão delicado como agora na Espanha? Um monte de gente desempregada ou ganhando mal pacas e ele bem na fotografia. Sei o que é estar nesse lugar, já estive aí e não é tão confortável como parece. Porque no fundo, você não está feliz, mas se sente até culpado em reclamar. A tendência natural é procurar se conformar. Mas vamos combinar, poucas coisas na vida são mais frustrantes que a conformação.

 

Acho que ninguém está realmente bem se não está feliz no seu trabalho, mas essa relação é mais forte para homens do que para mulheres. Juro que não estou sendo sexista e lógico que exceções existem, mas na média é assim. Pergunte a uma mulher, oi, fulana, tudo bem? Ela faz uma média entre casa, empresa, filhos, marido, amigos, seu peso, viagens… enfim, e provavelmente comece a falar da vida para você. Pois pergunte a mesma coisa a um homem  e ele começará a te responder diretamente sobre o trabalho. Algo como, tudo bem, a indústria está em uma boa fase… ou, mais ou menos, os clientes não andam comprando nada… e blá blá blá…não importa, quase sempre o que segue o “tudo bem ou não” é uma descrição do que está acontecendo no seu emprego. Principalmente se a conversa for com outro homem. Assim de simples, pode fazer o teste!

 

Portanto, meninas, alerta! Quando seu parceiro não está satisfeito no trabalho, se preparem, eles começam a se sentir inseguros em relação às suas capacidades em geral (porque o trabalho é ele) e independente do nível em que estejam, viram garotos, ficam ranzinzas, engordam. E é bem provável que precisem da sua ajuda (ou de alguém)  para ver que há vida além do escritório e eles continuam sendo as mesmas pessoas!

 

E não, não estou falando necessariamente do Luiz, falo do que observo em geral e é bastante claro. Uma mulher sabe a importância de se ver no olhar do outro, vai muito além da vaidade ou de se importar com o pensamento alheio, trata-se da eterna reconstrução que passamos. Ajuda muito nos vermos bem em outros olhos e saber que alguém acredita em você. E nisso, por conhecimento de causa, podemos ajudar bastante.

 

Mas voltando à prática, Luiz recebeu há pouco uma proposta para mudar de posição dentro da mesma empresa. Um cargo em que ele se sente muito melhor e sem o risco de deixar uma companhia razoavelmente segura, pelo menos nesses tempos. Contando assim, parece pouco, algumas linhas. Acontece que isso fez toda a diferença do mundo. Ele está feliz da vida e parece que tiramos um bode da sala!

 

Porque com isso, também me animo a tocar meus planos. Teoricamente, deve querer dizer que seguimos por Madri, pelo menos, por algum tempo razoável para executar algum plano e não morrer na praia.

 

Pois eu juro que o simples fato de me abrir e estar disposta a tocar o barco por aqui, fez começar a aparecer algumas propostas. Idéias que estou amadurecendo e já já contarei, só preciso que elas estejam mais claras e concretas. Mas adianto que é na área de gastronomia. Alguns projetos venho matutando há algum tempo, falta colocar em prática e espero ter a oportunidade de fazer isso em breve.

 

Talvez não consiga executar exatamente o que quero, pelo menos no início, mas me importa começar de alguma maneira, sair do plano e ter alguma ação. Nem que me sirva de aprendizado, tudo bem, mas preciso sair do abstrato!

 

E para completar o quadro, na próxima segunda-feira, tenho consulta médica, para tentar engravidar novamente. Dessa vez, como manda o figurino e de maneira mais divertida, assim espero!

 

Do dia para noite, meu humor deu um giro. Hoje desceu minha menstruação do tal segundo ciclo, que eu precisava esperar para voltar a tentar. Parecem malucos esses rituais de passagem, mas funcionam que é uma beleza! De uma hora para outra quero comer melhor, tenho menos vontade de beber, quero tentar acordar mais cedo… uma injeção de energia!

 

Voltei a ter vontade de cuidar de mim, algo que senti falta quando perdi a gravidez. Não é que não me cuidasse, eu sempre me cuido bastante, mas era de uma maneira diferente que nem sei explicar direito. Quando estive grávida, me cuidar não era difícil, não era sacrifício, não custava, estava totalmente motivada e tudo parecia natural. O sono enorme que as grávidas reclamam às vezes, me sentou de maravilhas! Nem me lembro quando consegui dormir tão bem meses seguidos e acordar normalmente de manhã cedo, descansada, com vontade de tomar um café da manhã saudável. De comer em horas regulares e ter um prazer enorme em ingerir o que me fazia bem. De fazer ginástica com a consciência de que era uma cura para o corpo. De estar alegre em beber água e saber que estaria hidratada, com minha lucidez ao máximo, e ainda assim me divertir entre os que estavam em outra onda.

 

Isso tudo desapareceu no dia seguinte em que abortei. Como veio, toda essa disposição se foi. Eu quis muito que não acontecesse dessa forma, mas aconteceu e me deixou nostálgica não só pela gravidez em si, mas por quem eu fui nesse período.

 

Continuo sendo a mesma pessoa e continuo com as mesmas chances e riscos. Mas agora mesmo, só me importa que posso tentar de novo, ainda posso. E fiquei muito feliz pela possibilidade e por sentir o gosto dessa disposição novamente, de saber que essa força segue aí para quando eu realmente precisar.

 

Só faltava chamar.

Escudo protetor: ativar!

Tenho escutado uma quantidade de notícias bizarras avassaladoras! E vindas de todos os lados, de gente conhecida, desconhecida, da mídia, das redes sociais, do meu vizinho… sabe quando de repente você tem vontade de dizer: pára que eu quero saltar! Não teria um bonde mais divertido? Ou pelo menos, mais razoável?

Parece o livro do Saramago, Ensaio sobre a cegueira, só que a epidemia seria de loucura temporária. Quer dizer, espero que temporária, tenho esperança que logo desça uma nuvem de bom senso.

Não vou entrar nas histórias, porque não são minhas e só me sinto no direito de falar do meu umbigo. Mais não são uma nem duas, veio uma avalanche de absurdos!

Deve ser o ano do Dragão entrando, sei lá!

Fico dividida entre o dilema de sentir pelas pessoas mais queridas e, ao mesmo tempo, chegar à noite e dizer para mim mesma egoísta, por favor que não seja comigo, que não me atinja, que passe direto. Às vezes, me dá até vergonha de pensar assim.

De certa maneira, nos antecipamos às mudanças e sacudimos a poeira da nossa casa antes. Se o mal passou, não nos reconheceu, ou ficou com preguiça de subir as escadas. Ou nisso prefiro acreditar.

Sempre me lembro de um ditado que aprendi nos EUA, “ignorance is bliss”, ou a ignorância é uma alegria. E tem horas que passo pela tentação de não querer saber nada de ruim, nem meu, nem de ninguém. Sei que é impossível e, pelo menos conscientemente, não me isolo dos problemas alheios, porque também me tocam de uma forma ou de outra. Mas juro que nas duas últimas semanas me dá uma vontade danada de virar um avestruz, simplesmente não ouvir e seguir no meu planeta feliz!

Minha bolha de proteção, por favor! Sei que ela não existe, mas assim como os amigos imaginários infantis fazem companhia, as crenças e amuletos amenizam. Minha natureza me recorda para prestar mais atenção, desconfiar mais das pessoas e evitar maiores riscos, mas a idade me ensina que a generosidade também protege. Que eu saiba alimentar o cão certo e seja salva pelas minhas asas.

E falando em animais e suas asas, que esse dragão com corpo de serpente se lembre que também tem as dele, pare de se rastejar e soltar fogo pelas ventas e alce logo o seu vôo.

A saga da cama

Pois é, dando sequência às mudanças em casa, resolvi mudar de cama.

 

A nossa ex-cama era bem legal, em estilo japonês, com um futon sobre o tatame. De maneiras que dormíamos quase no chão, mas confortáveis.

 

Quando a compramos, nosso quarto era em um mezanino, com o teto mais baixo, e ela encaixava perfeitamente, tanto no espaço quanto na altura.

 

Em seguida, mudamos para um apartamento onde a proprietária tinha cama de casal e não havia como se desfazer dela. Resolvemos, então, deixar a nossa na varanda, sob uma tenda, e criamos um ambiente lounge. Ficou muito charmoso e a idéia era ótima! Infelizmente, a execução nem tanto. Madri é super seco, chove muito pouco, mas nesse ano especificamente, só de raiva, choveu pacas! A ponto de rasgar a tal tenda que protegia nossa cama. O pobre móvel pegou chuva e ficou meio manchado.

 

Paciência! Mesmo assim a mantivemos e a trouxemos para esse apartamento no centro. Limpamos o que deu, deixamos ela um pouco no sol e as manchas que não saíram, cobríamos com o colchão e tudo bem.

 

Daí, no fim do ano passado, com a história da gravidez, comecei a pensar que em algum momento seria complicado levantar do chão. Coloquei na cabeça que era hora de trocar de cama. Ainda que a gravidez não tivesse seguido, pelo menos não naquele momento, porque o futuro a gente não sabe, a idéia de trocar de cama havia entrado na cabeça. Porque já havíamos, inclusive, escolhido qual seria a cama nova.

 

Então, assim que veio esse vento de mudança, resgatei o plano da troca da cama.

 

Vendê-la, seria complicado. Porque além dela estar manchada, moramos no terceiro andar de escadas, em uma rua onde não há estacionamento em frente. Assim que só de conseguir alguém que a quisesse, já nos ajudava bastante. Por isso, anunciei no Facebook  que dava uma cama japonesa para quem quisesse vir buscá-la aqui em casa. Coloquei fotos, medidas, tudo!

 

Até que fez um certo sucesso e o pessoal começou a se manifestar. Os dois primeiros interessados não conseguiram, porque ela ocupa um bom espaço e o quarto precisa ser grande. A terceira interessada mediu seu espaço e tudo bem. Havia uma quarta interessada, caso a terceira desistisse. Mas deu certo com a terceira.

 

Pois muito bem, eu acho engraçado porque ainda tenho amigos no Brasil que imaginam uma vida na Europa cheia de glamour, coisa que está longe de acontecer. Aqui é a gente mesmo que faz os serviços de um modo geral.

 

Ainda me lembro do primeiro sofá-cama que compramos em Madri, antes da mudança chegar dos Estados Unidos, e levamos o dito cujo na cabeça até nosso apartamento! Quem quiser ler essa história, está aqui.

 

Não é que não existam esses serviços, mas além de caros, é normal que você mesma faça, geralmente com auxílio de alguns amigos. E sim, você também ajuda quando te pedem. Como se diz por aqui “hoy por ti, mañana por mí”.

 

Portanto, lembra da amiga que quis ficar com a cama? Lógico que ela não veio com nenhuma equipe de frete, era ela, o namorado e um amigo. Um deles tinha um carro maior e assim é a vida!

 

Desmontamos a cama para ela ver como é que fazia, guardamos todos os parafusos em um saquinho e eles se encarregaram de descer com toda a tralha. Favor lembrar que moramos no terceiro andar sem elevador!

 

Isso começou pelas 16h e precisávamos esperar a cama antiga baixar para poder comprar a nova. Primeiro, porque só queria comprá-la quando tivesse certeza que a cama anterior sairia mesmo. E segundo, porque mesmo que eu quisesse, não cabiam duas camas de casal ao mesmo tempo no nosso apartamento!

 

Pedimos ajuda a um amigo, que nos encontrou no Ikea pelas 18h, nós no nosso carro e ele no dele. O Ikea, para quem não conhece, é como a Tok&Stok deveria ser. Móveis com design moderninho, com qualidade razoável e bom preço. Ou seja, móveis que não são para toda a vida, mas eu também não sou… então, pelo menos se paga pouco por algo prático. Acontece que é aquele esquema de você compra, você leva e você monta!

 

Sim, existe a possibilidade de você pagar para te entregarem em casa e montarem, mas a gente já conversou sobre isso há alguns parágrafos atrás, né?

 

Pois é, pequeno detalhe, sábado à tarde é o pior dia do mundo para ir ao Ikea! Fica desconfortavelmente lotado! E eu com aquela minha paciência de Jô, já viu! Mas era o jeito e encaramos a situação.

 

Finalmente, conseguimos comprar o raio da cama. Agora era transportar para casa. Em princípio, esse nosso amigo ia trazer as caixas no carro dele, mas acabamos resolvendo trazer no nosso, só que daí eu é que já não cabia no carro. Resultado, a carga que nosso amigo transportou fui eu!

 

Estaciona o Luiz na esquina, em uma beirinha de nada que se quebra o galho. Porque em frente à nossa casa, se parar um carro, o trânsito para. Fico eu tomando conta do carro e das coisas e ele e nosso amigo levando as caixas para a portaria do nosso apartamento. Tudo isso, torcendo para não aparecer a polícia, porque estávamos estacionados irregularmente. E lembra que era sábado? Pois é, uma muvuca danada de gente passando para lá e para cá!

 

Quando todas as caixas estavam na portaria, Luiz foi estacionar e meu amigo e eu fomos para o apartamento. Nosso amigo já foi subindo as caixas mais pesadas antes mesmo do Luiz chegar. Eu até tentei me fazer de engraçada, mas não consegui nem colocar as tais caixas porta a dentro, que dirá subir três andares com elas!

 

Nós três e a cama desmontada dentro de casa, os meninos fizeram uma paradinha de 5 minutos para descansar. Aproveitei para descer rápido ao caixa eletrônico. Subo e escuto metade da conversa, Luiz perguntando se não era melhor deixar para o dia seguinte, considerando que já eram 21h.

 

Nosso amigo achou que não, no dia seguinte ele estava enrolado e, afinal de contas, isso são dois palitos! Disse ele…

 

Fui fazer o jantar, afinal saco vazio não para em pé, enquanto os meninos começaram a montagem. Deram uma paradinha para comer e voltei com eles para o quarto, pelo menos para dar apoio moral e meia dúzia de palpites.

 

Encurtando os detalhes, a cama terminou de ser montada às duas da manhã! Troféu cocar, programinha de índio total!

 

Verdade que tem umas duas gavetas invertidas e sobraram duas arruelas… mas considerando os 47 passos da montagem, ficou ótima!

 

E se alguém pretendia estrear a cama com segundas intenções, aviso que às três da matina e depois dessa saga, tudo que a gente queria era dormir.

Começando 2012

Ainda não saberia dizer se o ano promete ser bom.

Para mim sim, começou muito bem, cheio de boas energias e sinceramente, bastante otimista. Sensação de baterias recarregadas e novo ciclo se iniciando.

Entretanto, ninguém é uma ilha e a vida de muitas pessoas ao meu redor parece um pouco complicada. Assim que é difícil não me influenciar.

De qualquer maneira, tento que isso não me abata, pelo contrário, quem sabe possa eu mesma passar um pouco dessa energia positiva e da crença que tudo vai dar certo, porque só deveria haver essa alternativa.

Logo no primeiro fim de semana em Madri, saímos direto com amigos. Bom para ter essa sensação de chegar em casa, de pertencer a um grupo, enfim, de aconchego, mesmo estando longe da nossa família de sangue.

Descobrimos um lugar para comer um acarajé bastante honesto aqui, o Rincón Baiano. Já fizemos dois encontros por lá, o segundo agora no início de 2012. Nos auto intitulamos de a Confraria do Acarajé, em busca do acarajé perfeito! Nesse último encontro, estávamos em umas 20 pessoas e o restaurante é pequeno, ou seja, que tomamos posse do local e pagamos um mico tremendo. Mas bem que foi divertido!

A dieta, por enquanto é um plano remoto ou mal cumprido!  Toda semana me prometo que levarei mais a sério… e todo fim de semana caio em tentação. Os hormônios fizeram seu estrago, mas não posso seguir culpando-os para sempre, preciso tomar vergonha!

Quando saímos, ainda tenho amigos me dando os parabéns pela gravidez que não é mais. Quando os atualizo, ficam mais arrasados do que eu e acabo tendo que consolá-los, o que é quase irônico. Já não sofro mais por falar no assunto com naturalidade e acho que superei. Mas ainda tenho recaídas, quando a gente chega da balada e me encaro no espelho, o bicho pega. É verdade que vai melhorando e me bate cada vez menos. O tempo realmente é nosso aliado nesse sentido.

No mês que vem, tenho consulta médica para saber se está tudo ok e volto a tentar engravidar. Sem tratamentos de fertilização artificial e sem pressão, dentro do possível. Não tenho bola de cristal, mas me sinto mais confiante do que da primeira vez. Não é que acredite ter maiores possibilidades, mas porque é como eu pensei e gostaria que fosse. Com alguma ajuda, acompanhamento médico, mas sem fazer com que toda minha vida se direcione a isso!

É engraçado porque muita gente fala comigo me desejando que “meu sonho de ser mãe” se realize. Não entro em discussão, porque sei que falam com a maior das boas intenções, mas esse não é um “sonho”, nunca foi. É uma vontade enorme que surgiu tardia e estamos tentando realizar, um plano talvez. É algo que espero fazer parte da minha vida, mas não a resume, sequer a complementa, simplesmente é um dos caminhos que adiciona ou multiplica. É um dos caminhos que resolvemos tentar, não depende só da gente e existem muitos outros.

Portanto, muita calma nesse momento. Estou tentando, não desisti, estou fazendo minha parte e acredito na possibilidade. Mas sem desespero, com a serenidade que nem achei que aprenderia um dia, mas a idade finalmente me deu.

Dito isso, seguimos. Enquanto essa confusão toda não vai adiante, preciso perder peso e está difícil segurar a boca! Continuo no Pilates, é ótimo para força, tonificar músculos e tal, mas emagrecer que é bom, necas! Correr está muito difícil, o inverno não ajuda em nada, desanima. Então, tenho um amigo que dá aula de capoeira e resolvi entrar para ver se queimo alguma coisa!

Sempre tive vontade de fazer capoeira, mas me considero o perfil totalmente inadequado para aqueles saltos mortais, rasteiras e afins. Tenho os dois joelhos bichados e uma flexibilidade horrorosa. Daí tinha muita vergonha de começar a fazer aula no Brasil. Acontece que ele está montando uma turma de capoeira adaptativa, ou alternativa, que é mais leve. Além do mais, não é possível que eu tenha menos ginga que a espanholada, né? Fala sério, aqui eles acreditam até que eu sambo bem! Por isso, resolvi tentar. Começa na próxima sexta-feira. Não sei quanto tempo conseguirei acompanhar, mas não custa ver o que passa. Com a minha falta de maturidade, é bem provável que acabe me atrevendo a umas voadoras, amarradona.

Queremos montar ou ajudar a montar um bloco de carnaval para sair esse ano. Todo carnaval que passamos aqui, pelo menos no sábado, a gente sai na rua tocando. A gente sempre diz que no ano seguinte poderia se organizar melhor, ensaiar e tal… mas acaba sendo todas as vezes na base do improviso. Quem sabe agora dê certo e o momento para começar a agitar é agora.

Hoje meu irmão falou que talvez venha para cá no carnaval, o que seria o máximo. Mas como é um plano recente, vamos aguardar.

E falando um pouco sobre a situação na Espanha, o mar não está muito para peixe. Diretamente, não nos afetou, no sentido que Luiz segue empregado. Mas tem tocado a uma série de amigos ao redor. Vários já voltaram para o Brasil e outros seguem avaliando essa intenção.

E para a gente, vale à pena voltar? Veja bem, nós nunca saímos do Brasil por falta de oportunidades ou uma vida ruim por lá. Portanto, o fato ou a impressão (porque acho que também há um certo exagero) de que o Brasil agora esteja “bombando” não nos muda nada. Nos enche de orgulho, mas na prática, não tínhamos problemas econômicos antes. No nosso caso, saímos pela possibilidade de novas experiências, novas línguas, novas culturas e uma maior sensação de segurança física. De maneiras que só nos interessa voltar se a proposta de trabalho for muito boa, porque não estamos mal aqui.

Honestamente, nem acho essa crise esse desespero todo, que me desculpem os afetados. Na minha opinião, está bem pior pela atitude em questão. No Brasil, nos acostumamos às crises, o que não acho bonito, mas é um fato. Portanto, ninguém fica de braços cruzados esperando o governo resolver. Porque sabemos que se formos contar com os políticos, estamos todos ferrados! Aqui, de maneira geral, tenho essa sensação que a maioria das pessoas seguem esperando o que o governo vai fazer para resolver essa encrenca! Não caiu a ficha que quem ter que fazer são eles mesmos. E aqui, ou em qualquer lugar do mundo, ou em qualquer situação, enquanto a gente não olha para o próprio umbigo, assume as limitações e vai correr atrás, ninguém vai fazer por você. Essa máxima do “ele que fez (no caso, “o governo”), a culpa não é minha” não gira nenhum motor. Não estou dizendo que é fácil, muito menos que a crise não exista. Simplesmente, essa atitude espanhola negativa e generalizada não está ajudando nada.

Enfim, quem acompanha nossa vida, sabe que nunca nos comprometemos a morar em lugar nenhum por mais que três meses, é um número cabalístico, sei lá, mas sempre foi assim, desde que nos casamos, e conseguimos nos virar bem com essa meta. De maneiras que não sei se seguiremos ou não na Espanha, só sei que por enquanto e pelos próximos três meses, sim. Se surgirem outras oportunidades nesse período, analisaremos felizes e contentes!

Acontece que começou a me dar coceira para me mudar. Na minha cabeça, esse ano seria, e quem sabe será, um ano de mudanças e inícios de novos ciclos. O problema era para onde? Porque não queria ter todo o trabalho de sair daqui para outro apartamento em Madri e no mês seguinte a gente resolver mudar de país!

Quer saber, se não mudamos de casa, por que não mudar a casa?

Tenho por hábito (e por contingência) não me apegar a quase nada. De tempos em tempos, faço uma limpeza geral e me desfaço de roupas, livros, objetos, enfim, acho importante que saia o velho, porque senão, o novo não tem espaço para entrar!

Daí, comecei a tocar um barata voa total em casa! Aproveitei o início de ano e toda essa energia para chamar a mudança! Não nos restringimos às roupas, mas inclusive estamos nos desfazendo de móveis. Sim, móveis que já estiveram em diferentes casas ou até continentes e que nos acompanham por anos. Coisa que despertou a curiosidade dos amigos, muitos certos que já estávamos levantando a carroça para outro canto!

Não, ainda não. Por enquanto, não.

O maior exercício para mim, tem sido desmontar o atelier. Faço a passo de tartaruga e com toda minha experiência em desapego, tem sido difícil e bastante simbólico.

No final do ano passado, fui visitar o atelier de um amigo, trocamos trabalhos de arte. Hoje ele é um dos poucos vínculos que mantive desse meu, digamos assim, lado artista. O trabalho que ele me deu faz parte de um momento de ruptura na sua vida, em que ele resolveu se desfazer do que havia em volta do seu atelier, porque vendo sempre as mesmas informações, havia a tendência de estar se repetindo. Estou resumindo a conversa ou pelo menos o que me tocou nessa conversa.

Já há alguns anos meu atelier e minhas peças, às vezes, me incomodam um pouco. As peças menos, porque gosto de ter a referência desse momento. Mas o atelier parece que é de outra pessoa. Porque a verdade é que sou outra pessoa agora. E essa história do meu amigo ficou martelando um pouco na minha cabeça.

Quer saber, vou aproveitar  a onda e me desfazer de quase tudo! Comecei pelos livros de arte, textos, apostilas etc. Por um lado, foi legal lembrar de tanta coisa que já passei e em que patamar havia conseguido chegar, porque às vezes eu me esqueço e chego a pensar que não havia conquistado grandes coisas. E sim, foram grandes coisas e um caminho bem bacana! Mas por outro lado, já foi. É bom ter a consciência da minha história e evolução, mas também é importante saber que isso não é garantia de futuro.

Por ironia do destino, a mesa que estava trabalhando, ou seria para eu trabalhar, vai exatamente para o atelier do meu amigo artista que acabei de comentar. Achei perfeito! Começos de ciclos para uns, fins de ciclos para outros. Todo fim é um começo.

Uma amiga me perguntou se não doía me desfazer dos livros. Respondi que sim, dói, mas sei que passa. Então, não sofro. Mas quero que eles saiam rápido da minha vista, antes de começar a olhá-los como um monte de papel que ocupa espaço.

E deixa eu seguir minha limpeza, porque acabo de notar que já estou fazendo hora para voltar a olhar meu passado.

Os números do Buraco da Fechadura em 2011

O WordPress envia aos seus usuários um relatório anual da performance de cada blog. Achei mais do que justo compartilhar esses números com vocês! Obrigada por fazerem parte da minha história! E daqui para baixo, só copio o que recebi!

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 120.000 vezes em 2011. Se fosse o Louvre, eram precisos 5 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

Adeus ano velho, feliz ano novo…

Para variar, quando me atraso nas crônicas, nem sei direito por onde começo a contar as histórias, difícil quando a semana passada não só parece, mas foi literalmente no ano anterior!

Outro dia, uma amiga me comentava que achava engraçado como tudo na nossa vida virava um evento! As coisas começavam aparentemente normais e de repente, aquele barata voa total!

Fiquei pensando que ela tinha razão, mas ainda não tinha me dado conta porque, para a gente, é algo que acontece naturalmente. Na verdade, acho que acontece para todo mundo, basta estar aberto e aceitar as ondas que vão e voltam a todo momento. O sim adiciona, o não, ainda que às vezes seja necessário, sempre te traz limitações.

Pois muito bem, vamos aos fatos práticos! Nossa viagem ao Brasil estava prevista para dia 24 de dezembro. Sim, viajaríamos na noite de Natal. Não estava achando ruim, como vou achar ruim ganhar uma passagem para uma semana no Rio? Se só tinha vôo na noite do Natal, paciência. Já tinha me planejado para no aeroporto comprar jamón, alguma outra coisinha gostosinha, vinhos em garrafas pequenas e levar tudo para o avião e, assim, improvisar nossa ceia nas alturas.

Dia 23, pela manhã, ainda estava naquela preguiça na cama, pensando nas últimas compras que tinha que fazer para levar, quando toca o telefone, era Luiz. Escuta, não quer ir hoje?

_ Hein? Hoje, como assim? Mas o vôo não estava lotado? Mas não tinha que fazer as últimas compras? Mas não tinha uma festa de aniversário para irmos hoje? Mas… foda-se! Sim!

Nada certo, mas ele ia tentar transferir a viagem. Na dúvida, levantei logo e fui arrumar as malas. Por sorte, a comida que a gente leva (afinal, minha família só se presenteia com comida, né?) estava toda comprada.

_ E o gato? Caramba, e o gato?

Tudo bem, a amiga que ia ficar com o Jack podia vir um dia antes.

Mas, e se a gente arrumasse essa confusão toda e no final    não desse para a gente adiantar a viagem? Ué, se não desse, paciência, não custava tentar.

E não é que deu certo?

No dia 24 de dezembro, pela manhã, pousamos no Rio de Janeiro, para o bem de todos e a felicidade geral da nação, ou pelo menos, para nossa família.

O Jantar foi tranqüilo, na casa dos meus pais com meu irmão e uma prima. A ceia, havia levado na mala, um “redondo de cochinillo” (leitão). Como disse antes, os presentes para minha família são sempre comida! No dia seguinte, 25 de dezembro, adicionaram-se a nós os meus sogros e assim completamos a festa. Dessa vez, um pouco mais light, com o tradicional peru natalino.

Não é por nada não, mas não sei o que me aconteceu nessa viagem! Parecia que fui possuída pelos espíritos de uma nuvem de gafanhotos! Simplesmente, devorava tudo que aparecia na minha frente! Não consegui me segurar em absolutamente nenhum dia! Comi e bebi à vontade!

Como de costume, é muito difícil conseguir fazer qualquer encontro no varejo, a gente sempre opta pelo atacado! Publico pelo Facebook onde a gente estará, e os amigos que querem e podem vão se encaixando. Era assim, durante o dia, a prioridade era sempre dos meus pais e à noite a gente ia fazendo os encontrões com quem desse.

Nunca conseguimos encontrar todo mundo, mas acho que talvez tenha sido uma das vezes que mais gente conseguimos ver. Até amiga virtual apareceu!

Já não me lembro em que ordem, mas fomos ao Joaquina do Leme, na Academia da Cachaça (meu bar favorito), no Londra (favorito do meu irmão), no Garota da Urca e no Belmonte. Na verdade, no Belmonte foi só o Luiz, porque nesse dia, infelizmente, a gente teve que se dividir em programas diferentes ou não dava conta do recado!

Uma coisa legal é que os parentes e alguns amigos foram lá em casa, assim também ganhei tempo e consegui encontrar mais gente querida. Porque se eu tivesse que visitar um a um, seria impossível. E a farra de primos em casa foi bem legal!

Grandes amigos de São Paulo, que em teoria não teria a menor chance de encontrar, foram para o Rio nessa semana. Enfim, sabe quando parece que o universo confabula a favor dos encontros?

Não sei o que houve ano passado, mas rolou um baby boom total! Consegui encontrar com quatro deles, três meninas (uma prima e duas filhas de amigas) e um menino (primo). Ainda faltaram alguns nenéns, mas ficará para próxima! Aliás, aviso que modéstia às favas, todos me deram mole e gostaram do meu colo!

Depois de anos, consegui rever meu sobrinho. Minha sogra conseguiu organizar um almoço para a gente se encontrar! Hoje não temos tanto contato, infelizmente, esses rolos de família. Mas quando ele era criança éramos muito apegados, acho que foi o mais próximo de uma relação de filho que tive. Pois é, esse nenenzinho está agora com 18 anos e cursando medicina, pode? Um homem e lindo! Fiquei até emocionada em encontrá-lo, mas me controlei para não pagar mico!

Aliás, os filhos dos amigos também são uma prova que o tempo passa! Acho engraçado ver aqueles rapazes e moças que vi pequenininhos, meus amigos ficando carecas ou grisalhos e, ao mesmo tempo, sempre chegando algum bebê. Não sei se é muito lógico o que vou dizer, mas adoro essa sensação! Não me sinto mais velha nesses momentos, eu gosto de vivê-los, acho que é o ciclo da vida mais forte que tudo e é como deve ser.

À medida que o tempo vai passando, a gente toma consciência que não há felicidade eterna, que não há ninguém sem problemas, que as pessoas adoecem e morrem. Mas também nascem, também evoluem, também curam. Acho que sou uma pessoa feliz por opção, mas que ninguém se iluda, felicidade dá o maior trabalho e de vez em quando, acordo me perguntando se ainda terei dias em que eu possa ser feliz sem fazer nenhuma força, sem sorrir sem tanta vontade ou sem precisar buscar o bom humor no meio do trágico para aliviar o peso.

Pois acabei de ganhar nove dias exatamente assim, de felicidade fácil. E por isso, eu agradeço.

E nesse clima de fartura de família, de amigos, de comidas e de bebidas, chegou dia 31 de dezembro, o melhor dia do ano inteiro! Eu simplesmente amo Ano Novo!

Achei que fosse bater aqueles momentos de retrospectiva, coisas que aprendi, coisas que quero mudar, o que fiz e não consegui fazer, as promessas, enfim, o típico de fim de ano.

Mas nem paciência para pensar nisso eu tive, juro. O que passou já foi, o que aprendi já sei. Quero pensar para frente. Ok, tudo bem, mas pensando para frente, também não me vinha nada! Engraçado, que sempre gosto de escolher uma característica para o ano seguinte, alguma habilidade, sentimento, enfim algo que precise desenvolver. Não consegui pensar em nada, como uma tela em branco!

E veja bem, não é que me sinta pronta ou tão evoluída assim, simplesmente não me vem nada! Talvez isso queira dizer que precise aprender a relaxar com as expectativas, deixar a vida me levar um pouco, parar de querer aprender tanto e executar o que já está. Sem  a cobrança de que vá dá certo, eu já sei que vai dar certo, porque se não der a gente vai consertar mesmo!

Eu não quero ter um sonho, quero ter vários planos e, de preferência, bem caóticos!

E voltando ao dia 31, durante à tarde, fui até a praia com minha mãe e minha tia, três descendentes de bruxas, filhas das minhas duas avós, cada uma ao seu estilo e sua crença. No meu caso, descrença, mas no último dia do ano eu posso tudo e acredito em tudo!

Avisei a Iemanjá que tive que cortar o cabelo, vai que ela não me reconhece, que ela não se aborrecesse, mas eu precisava renascer. Deixei que as sete ondas varressem meus pés e achei bom que dessa vez elas eram de verdade. Não precisaram ser sete montinhos de neve, ou sete fitas azuis, ou sete marolas na banheira ou qualquer coisa que eu encontre para manter nosso encontro marcado por vida. Se diz do pó vim, ao pó voltarei. Mas eu vim da água e foi muito bom estar na minha origem, no meu elemento e na cidade onde eu nasci. Meu ritual pessoal estava completo, esse assunto era e sempre será só nosso.

Voltamos para casa, já na correria para nos arrumar. Os convidados chegariam pelas 20 horas. Porque, claro, precisávamos de uma festa daquelas!

Começou tímida, quando perguntei se podia convidar meus amigos. A coisa foi crescendo, os amigos foram topando e alguns vieram de outras cidades, incrível! No final, acho que foram perto de umas 50 pessoas. Para mim, é tranqüilo, para os meus pais, estavam meio preocupados se ia caber.

Imagina, lógico que cabia, sobrava! Mas passei um bom tempo na cozinha, deixando tudo organizado com antecedência. Porque esse é um dia que a comida não pode faltar! A bebida, os convidados levaram, assim facilitava nossa vida. Minha mãe contratou um garçon e uma copeira, meu irmão levou as caixas de som… e olha a confusão armada! Do jeitinho que eu gosto!

O apartamento dos meus pais é bem de frente para praia, dá para assistir os fogos de camarote, um privilégio! Alguns amigos preferiram descer e romper o ano na areia. Foi bom, porque dividiu o pessoal e coube todo mundo nas janelas, sem maiores apertos.

Passado o ano, a maioria voltou da praia, alguns um pouco molhados, afinal, não sou a única que quer pular as sete ondas. A diferença é que fiz antes.

Já era mais de uma da manhã quando meu pai foi dormir, o que para ele é uma façanha! Aliás, faz muito tempo que não o vejo tão bem. Minha mãe também feliz, enfim, todo mundo parecia feliz ou eram os meus olhos, sei lá, mas acho que estavam realmente felizes. O astral que toma posse da praia de Copacabana nesse dia é algo inexplicável, só sentindo mesmo!

E eu estava feliz da vida, sentia a energia vibrar pelo corpo, difícil de tirar o sorriso! Com meu amor, com minha família e meus amigos! Tomei todas e mais algumas, só champagne! Para mim, a noite passou em cinco minutos!

Mas na verdade, foi até às cinco da matina!

Quando os últimos convidados se foram, fomos Luiz e eu dar um jeito na casa. Assim, meus pais acordavam com tudo mais arrumado. Com toda a animação, eles já não tem pique para essa intensidade, digamos assim. E eu quero garantir próximas futuras festas de Ano Novo, certo?

Já beirava às seis da manhã quando fomos para a cama. Até aí, nenhum problema… se nosso vôo não fosse no próprio dia primeiro.

Pois é, pelas 10 da manhã, estava de pé, preparando a saga da volta! Tínhamos que sair de casa por volta dàs 14h30. Rio de Janeiro para São Paulo e depois Madri.

Tudo bem, por incrível que pareça, estava cansada, mas sem nenhuma ressaca, felizmente. Talvez porque nem tivesse tempo do álcool parar de circular pelo meu sangue!

Lá fomos nós para o aeroporto do Rio, onde lógico, o avião atrasou pacas e chegamos em São Paulo meio que no limite de horário. Ainda pegamos uma fila quilométrica, porque precisávamos fazer novo check in. Por sorte, durante a fila, consegui falar com uma das atendentes e garantir o tal do assento conforto, que se trata da poltrona da porta de emergência, onde você tem mais espaço para os pés. Ufa!

Voamos para o embarque e já entramos com metade dos passageiros sentados! Tudo bem, o importante é dar certo! Vôo turbulento, mas sem maiores incidentes.

Agora, cá estamos, prontinhos para começar 2012 com o pé direito! Aliás, se depender da virada, excelentes fluídos e energia mais do que positiva no ar!

E lá vamos nós para o ano do Dragão!

Feliz 2012!

Queridos amigos,

Por aqui, preparando uma festa de Reveillon, em pleno verão carioca! Que 2012 chegue com todas as boas energias possíveis! Que sejamos melhores e que a vida nos trate como merecemos!

Com certeza, essa foi uma das viagens que mais consegui aproveitar todos os dias intensamente. Rever tanta gente querida, ainda que sempre me faltem algumas, é um privilégio e um luxo que não tenho frequentemente. Aproveitei e sigo aproveitando. Não acredito que só passou uma semana e ao mesmo tempo, não quero lembrar que amanhã vou embora.

Não estou com tempo de fazer a famosa retrospectiva de fim de ano, o que talvez seja até bom, melhor aproveitar as últimas horas pensando para frente e não para trás. Mas vamos lá, achei 2011 muito bom! Nem vou começar a enumerar quanta coisa boa experimentei esse ano, porque acaba gerando um ar meio nostálgico, mas houve muitas. Também perdi e me perdi algumas vezes. Importa que chegamos aqui, entre mortos e feridos, salvaram-se todos! 

E é muito bom respirar a maresia da praia nesse dia, porque não há outro lugar no planeta que me deixe com tanta esperança como esse ar hoje e em todos os dias 31 de dezembro que pude estar exatamente aqui.

Agora vou curtir esse finalzinho de ano e depois volto para contar! Saúde!

Correria total!

Queridos amigos,

Fim de ano é uma correria normalmente, mas agora mesmo estou em uma correria maior. Viajaria amanhã, na noite de Natal para o Brasil, mas conseguimos adiantar e transferir para… hoje! Daqui a pouquinho!

Assim, que as crônicas ficarão para depois!

Passo para desejar um Feliz Natal a todos e que vocês entrem 2012 com o pé direito!  Já faz anos que não passamos no Rio com nossos pais, estamos todos felizes e ansiosos para chegar logo!

Na volta, prometo contar tudo com mais calma!

Fui!

Besitos miles