A saga da cama

Pois é, dando sequência às mudanças em casa, resolvi mudar de cama.

 

A nossa ex-cama era bem legal, em estilo japonês, com um futon sobre o tatame. De maneiras que dormíamos quase no chão, mas confortáveis.

 

Quando a compramos, nosso quarto era em um mezanino, com o teto mais baixo, e ela encaixava perfeitamente, tanto no espaço quanto na altura.

 

Em seguida, mudamos para um apartamento onde a proprietária tinha cama de casal e não havia como se desfazer dela. Resolvemos, então, deixar a nossa na varanda, sob uma tenda, e criamos um ambiente lounge. Ficou muito charmoso e a idéia era ótima! Infelizmente, a execução nem tanto. Madri é super seco, chove muito pouco, mas nesse ano especificamente, só de raiva, choveu pacas! A ponto de rasgar a tal tenda que protegia nossa cama. O pobre móvel pegou chuva e ficou meio manchado.

 

Paciência! Mesmo assim a mantivemos e a trouxemos para esse apartamento no centro. Limpamos o que deu, deixamos ela um pouco no sol e as manchas que não saíram, cobríamos com o colchão e tudo bem.

 

Daí, no fim do ano passado, com a história da gravidez, comecei a pensar que em algum momento seria complicado levantar do chão. Coloquei na cabeça que era hora de trocar de cama. Ainda que a gravidez não tivesse seguido, pelo menos não naquele momento, porque o futuro a gente não sabe, a idéia de trocar de cama havia entrado na cabeça. Porque já havíamos, inclusive, escolhido qual seria a cama nova.

 

Então, assim que veio esse vento de mudança, resgatei o plano da troca da cama.

 

Vendê-la, seria complicado. Porque além dela estar manchada, moramos no terceiro andar de escadas, em uma rua onde não há estacionamento em frente. Assim que só de conseguir alguém que a quisesse, já nos ajudava bastante. Por isso, anunciei no Facebook  que dava uma cama japonesa para quem quisesse vir buscá-la aqui em casa. Coloquei fotos, medidas, tudo!

 

Até que fez um certo sucesso e o pessoal começou a se manifestar. Os dois primeiros interessados não conseguiram, porque ela ocupa um bom espaço e o quarto precisa ser grande. A terceira interessada mediu seu espaço e tudo bem. Havia uma quarta interessada, caso a terceira desistisse. Mas deu certo com a terceira.

 

Pois muito bem, eu acho engraçado porque ainda tenho amigos no Brasil que imaginam uma vida na Europa cheia de glamour, coisa que está longe de acontecer. Aqui é a gente mesmo que faz os serviços de um modo geral.

 

Ainda me lembro do primeiro sofá-cama que compramos em Madri, antes da mudança chegar dos Estados Unidos, e levamos o dito cujo na cabeça até nosso apartamento! Quem quiser ler essa história, está aqui.

 

Não é que não existam esses serviços, mas além de caros, é normal que você mesma faça, geralmente com auxílio de alguns amigos. E sim, você também ajuda quando te pedem. Como se diz por aqui “hoy por ti, mañana por mí”.

 

Portanto, lembra da amiga que quis ficar com a cama? Lógico que ela não veio com nenhuma equipe de frete, era ela, o namorado e um amigo. Um deles tinha um carro maior e assim é a vida!

 

Desmontamos a cama para ela ver como é que fazia, guardamos todos os parafusos em um saquinho e eles se encarregaram de descer com toda a tralha. Favor lembrar que moramos no terceiro andar sem elevador!

 

Isso começou pelas 16h e precisávamos esperar a cama antiga baixar para poder comprar a nova. Primeiro, porque só queria comprá-la quando tivesse certeza que a cama anterior sairia mesmo. E segundo, porque mesmo que eu quisesse, não cabiam duas camas de casal ao mesmo tempo no nosso apartamento!

 

Pedimos ajuda a um amigo, que nos encontrou no Ikea pelas 18h, nós no nosso carro e ele no dele. O Ikea, para quem não conhece, é como a Tok&Stok deveria ser. Móveis com design moderninho, com qualidade razoável e bom preço. Ou seja, móveis que não são para toda a vida, mas eu também não sou… então, pelo menos se paga pouco por algo prático. Acontece que é aquele esquema de você compra, você leva e você monta!

 

Sim, existe a possibilidade de você pagar para te entregarem em casa e montarem, mas a gente já conversou sobre isso há alguns parágrafos atrás, né?

 

Pois é, pequeno detalhe, sábado à tarde é o pior dia do mundo para ir ao Ikea! Fica desconfortavelmente lotado! E eu com aquela minha paciência de Jô, já viu! Mas era o jeito e encaramos a situação.

 

Finalmente, conseguimos comprar o raio da cama. Agora era transportar para casa. Em princípio, esse nosso amigo ia trazer as caixas no carro dele, mas acabamos resolvendo trazer no nosso, só que daí eu é que já não cabia no carro. Resultado, a carga que nosso amigo transportou fui eu!

 

Estaciona o Luiz na esquina, em uma beirinha de nada que se quebra o galho. Porque em frente à nossa casa, se parar um carro, o trânsito para. Fico eu tomando conta do carro e das coisas e ele e nosso amigo levando as caixas para a portaria do nosso apartamento. Tudo isso, torcendo para não aparecer a polícia, porque estávamos estacionados irregularmente. E lembra que era sábado? Pois é, uma muvuca danada de gente passando para lá e para cá!

 

Quando todas as caixas estavam na portaria, Luiz foi estacionar e meu amigo e eu fomos para o apartamento. Nosso amigo já foi subindo as caixas mais pesadas antes mesmo do Luiz chegar. Eu até tentei me fazer de engraçada, mas não consegui nem colocar as tais caixas porta a dentro, que dirá subir três andares com elas!

 

Nós três e a cama desmontada dentro de casa, os meninos fizeram uma paradinha de 5 minutos para descansar. Aproveitei para descer rápido ao caixa eletrônico. Subo e escuto metade da conversa, Luiz perguntando se não era melhor deixar para o dia seguinte, considerando que já eram 21h.

 

Nosso amigo achou que não, no dia seguinte ele estava enrolado e, afinal de contas, isso são dois palitos! Disse ele…

 

Fui fazer o jantar, afinal saco vazio não para em pé, enquanto os meninos começaram a montagem. Deram uma paradinha para comer e voltei com eles para o quarto, pelo menos para dar apoio moral e meia dúzia de palpites.

 

Encurtando os detalhes, a cama terminou de ser montada às duas da manhã! Troféu cocar, programinha de índio total!

 

Verdade que tem umas duas gavetas invertidas e sobraram duas arruelas… mas considerando os 47 passos da montagem, ficou ótima!

 

E se alguém pretendia estrear a cama com segundas intenções, aviso que às três da matina e depois dessa saga, tudo que a gente queria era dormir.

5 comentários em “A saga da cama”

  1. Bianca sei como é isso, aqui também é igual, ou vc faz ou paga caro, muito caro pelo serviço, nosso problema foi com um sofá cama, quem disse q coube no carro, tive de pagar pra trazer, pq dos amigos nossos q tem carro são menores q o nosso, aí vai eu e minha mulher montar, e perdi a conta de qtas vezes desmontei o bagulho, as fotos do passo a passo estavam trocadas, e tive de ir por rumo, o q demoraria 2 horas foi o dobro, mas tive sorte pq nada era colado, senão já viu tinha dado problema, igual uma cômoda, a gaveta ficou igual da sua cama invertida, era colada e se fosse desmontar teria quebrado, ficou ao contrario mesmo, mas q vcs estreiaram a cama, estreiaram, dormindo nela hahaha, abraços.

  2. Hilário… Lembrei daquela charge onde o camarada chega para uma entrevista de trabalho no IKEA e tem somente o entrevistador sentado na sua mesa e um amontoado de pedaços de madeira, parafusos, arruelas e ferramentas no chão em frente à mesa.
    O entrevistador diz: – Monte uma cadeira e sente!
    Em Hong Kong nós mobiliamos a casa INTEIRA, no IKEA. Menos os guarda-roupas que eram embuidos, foi tudo! Cama de casal, cama do quarto de convidados, mesa e cadeira de escritório, mesa de jantar e cadeiras, aparador, sofá e estante da sala. Lá há uma grande vantagem, o preço é menor que na Europa (dos mesmos móveis), se não me engano, quase 20% mais barato, a entrega é relativamente barata e a montagem não é tão cara (10% do valor do móvel, com um limite máximo que nos favoreceu, o limite era inferior a 10% do total). A montagem foi algo cinematográfico de assistir… um vários chineses chegam e trazem 3.528 pacotes (ou um número muito parecido)… e fica somente um magrelo e alto tipo emo… ele faz gestos de artes marcias para abrir os pacotes violenta e teatralmente… como eles só entram nas casas descalços e ele estava de preto, parecia um ninja. Eu perguntei para ele se ele praticava artes marciais e ele disse que não, mas que dançava hip-hop. O ninja era uma máquina de montar. Depois de uma ou duas horas ele recebeu reforços para os móveis grandes. E uma equipe especial veio instalar a estante da sala que ia presa na parede. A operação completa de montagem da mobília da casa inteira demorou umas 3 ou 4 horas aproximadamente. Super mega hiper ultra valeu os 10%…. ahahaha… isso faz um ano, eu tenho completa certeza que ainda teria móvel desmontado se eu tivesse me proposto a montar tudo…. hahahaha…..

    Beijos e PARABÉNS pela cama nova e pelo heroísmo do Luiz e amigo.

    Annibal

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