Começando 2012

Ainda não saberia dizer se o ano promete ser bom.

Para mim sim, começou muito bem, cheio de boas energias e sinceramente, bastante otimista. Sensação de baterias recarregadas e novo ciclo se iniciando.

Entretanto, ninguém é uma ilha e a vida de muitas pessoas ao meu redor parece um pouco complicada. Assim que é difícil não me influenciar.

De qualquer maneira, tento que isso não me abata, pelo contrário, quem sabe possa eu mesma passar um pouco dessa energia positiva e da crença que tudo vai dar certo, porque só deveria haver essa alternativa.

Logo no primeiro fim de semana em Madri, saímos direto com amigos. Bom para ter essa sensação de chegar em casa, de pertencer a um grupo, enfim, de aconchego, mesmo estando longe da nossa família de sangue.

Descobrimos um lugar para comer um acarajé bastante honesto aqui, o Rincón Baiano. Já fizemos dois encontros por lá, o segundo agora no início de 2012. Nos auto intitulamos de a Confraria do Acarajé, em busca do acarajé perfeito! Nesse último encontro, estávamos em umas 20 pessoas e o restaurante é pequeno, ou seja, que tomamos posse do local e pagamos um mico tremendo. Mas bem que foi divertido!

A dieta, por enquanto é um plano remoto ou mal cumprido!  Toda semana me prometo que levarei mais a sério… e todo fim de semana caio em tentação. Os hormônios fizeram seu estrago, mas não posso seguir culpando-os para sempre, preciso tomar vergonha!

Quando saímos, ainda tenho amigos me dando os parabéns pela gravidez que não é mais. Quando os atualizo, ficam mais arrasados do que eu e acabo tendo que consolá-los, o que é quase irônico. Já não sofro mais por falar no assunto com naturalidade e acho que superei. Mas ainda tenho recaídas, quando a gente chega da balada e me encaro no espelho, o bicho pega. É verdade que vai melhorando e me bate cada vez menos. O tempo realmente é nosso aliado nesse sentido.

No mês que vem, tenho consulta médica para saber se está tudo ok e volto a tentar engravidar. Sem tratamentos de fertilização artificial e sem pressão, dentro do possível. Não tenho bola de cristal, mas me sinto mais confiante do que da primeira vez. Não é que acredite ter maiores possibilidades, mas porque é como eu pensei e gostaria que fosse. Com alguma ajuda, acompanhamento médico, mas sem fazer com que toda minha vida se direcione a isso!

É engraçado porque muita gente fala comigo me desejando que “meu sonho de ser mãe” se realize. Não entro em discussão, porque sei que falam com a maior das boas intenções, mas esse não é um “sonho”, nunca foi. É uma vontade enorme que surgiu tardia e estamos tentando realizar, um plano talvez. É algo que espero fazer parte da minha vida, mas não a resume, sequer a complementa, simplesmente é um dos caminhos que adiciona ou multiplica. É um dos caminhos que resolvemos tentar, não depende só da gente e existem muitos outros.

Portanto, muita calma nesse momento. Estou tentando, não desisti, estou fazendo minha parte e acredito na possibilidade. Mas sem desespero, com a serenidade que nem achei que aprenderia um dia, mas a idade finalmente me deu.

Dito isso, seguimos. Enquanto essa confusão toda não vai adiante, preciso perder peso e está difícil segurar a boca! Continuo no Pilates, é ótimo para força, tonificar músculos e tal, mas emagrecer que é bom, necas! Correr está muito difícil, o inverno não ajuda em nada, desanima. Então, tenho um amigo que dá aula de capoeira e resolvi entrar para ver se queimo alguma coisa!

Sempre tive vontade de fazer capoeira, mas me considero o perfil totalmente inadequado para aqueles saltos mortais, rasteiras e afins. Tenho os dois joelhos bichados e uma flexibilidade horrorosa. Daí tinha muita vergonha de começar a fazer aula no Brasil. Acontece que ele está montando uma turma de capoeira adaptativa, ou alternativa, que é mais leve. Além do mais, não é possível que eu tenha menos ginga que a espanholada, né? Fala sério, aqui eles acreditam até que eu sambo bem! Por isso, resolvi tentar. Começa na próxima sexta-feira. Não sei quanto tempo conseguirei acompanhar, mas não custa ver o que passa. Com a minha falta de maturidade, é bem provável que acabe me atrevendo a umas voadoras, amarradona.

Queremos montar ou ajudar a montar um bloco de carnaval para sair esse ano. Todo carnaval que passamos aqui, pelo menos no sábado, a gente sai na rua tocando. A gente sempre diz que no ano seguinte poderia se organizar melhor, ensaiar e tal… mas acaba sendo todas as vezes na base do improviso. Quem sabe agora dê certo e o momento para começar a agitar é agora.

Hoje meu irmão falou que talvez venha para cá no carnaval, o que seria o máximo. Mas como é um plano recente, vamos aguardar.

E falando um pouco sobre a situação na Espanha, o mar não está muito para peixe. Diretamente, não nos afetou, no sentido que Luiz segue empregado. Mas tem tocado a uma série de amigos ao redor. Vários já voltaram para o Brasil e outros seguem avaliando essa intenção.

E para a gente, vale à pena voltar? Veja bem, nós nunca saímos do Brasil por falta de oportunidades ou uma vida ruim por lá. Portanto, o fato ou a impressão (porque acho que também há um certo exagero) de que o Brasil agora esteja “bombando” não nos muda nada. Nos enche de orgulho, mas na prática, não tínhamos problemas econômicos antes. No nosso caso, saímos pela possibilidade de novas experiências, novas línguas, novas culturas e uma maior sensação de segurança física. De maneiras que só nos interessa voltar se a proposta de trabalho for muito boa, porque não estamos mal aqui.

Honestamente, nem acho essa crise esse desespero todo, que me desculpem os afetados. Na minha opinião, está bem pior pela atitude em questão. No Brasil, nos acostumamos às crises, o que não acho bonito, mas é um fato. Portanto, ninguém fica de braços cruzados esperando o governo resolver. Porque sabemos que se formos contar com os políticos, estamos todos ferrados! Aqui, de maneira geral, tenho essa sensação que a maioria das pessoas seguem esperando o que o governo vai fazer para resolver essa encrenca! Não caiu a ficha que quem ter que fazer são eles mesmos. E aqui, ou em qualquer lugar do mundo, ou em qualquer situação, enquanto a gente não olha para o próprio umbigo, assume as limitações e vai correr atrás, ninguém vai fazer por você. Essa máxima do “ele que fez (no caso, “o governo”), a culpa não é minha” não gira nenhum motor. Não estou dizendo que é fácil, muito menos que a crise não exista. Simplesmente, essa atitude espanhola negativa e generalizada não está ajudando nada.

Enfim, quem acompanha nossa vida, sabe que nunca nos comprometemos a morar em lugar nenhum por mais que três meses, é um número cabalístico, sei lá, mas sempre foi assim, desde que nos casamos, e conseguimos nos virar bem com essa meta. De maneiras que não sei se seguiremos ou não na Espanha, só sei que por enquanto e pelos próximos três meses, sim. Se surgirem outras oportunidades nesse período, analisaremos felizes e contentes!

Acontece que começou a me dar coceira para me mudar. Na minha cabeça, esse ano seria, e quem sabe será, um ano de mudanças e inícios de novos ciclos. O problema era para onde? Porque não queria ter todo o trabalho de sair daqui para outro apartamento em Madri e no mês seguinte a gente resolver mudar de país!

Quer saber, se não mudamos de casa, por que não mudar a casa?

Tenho por hábito (e por contingência) não me apegar a quase nada. De tempos em tempos, faço uma limpeza geral e me desfaço de roupas, livros, objetos, enfim, acho importante que saia o velho, porque senão, o novo não tem espaço para entrar!

Daí, comecei a tocar um barata voa total em casa! Aproveitei o início de ano e toda essa energia para chamar a mudança! Não nos restringimos às roupas, mas inclusive estamos nos desfazendo de móveis. Sim, móveis que já estiveram em diferentes casas ou até continentes e que nos acompanham por anos. Coisa que despertou a curiosidade dos amigos, muitos certos que já estávamos levantando a carroça para outro canto!

Não, ainda não. Por enquanto, não.

O maior exercício para mim, tem sido desmontar o atelier. Faço a passo de tartaruga e com toda minha experiência em desapego, tem sido difícil e bastante simbólico.

No final do ano passado, fui visitar o atelier de um amigo, trocamos trabalhos de arte. Hoje ele é um dos poucos vínculos que mantive desse meu, digamos assim, lado artista. O trabalho que ele me deu faz parte de um momento de ruptura na sua vida, em que ele resolveu se desfazer do que havia em volta do seu atelier, porque vendo sempre as mesmas informações, havia a tendência de estar se repetindo. Estou resumindo a conversa ou pelo menos o que me tocou nessa conversa.

Já há alguns anos meu atelier e minhas peças, às vezes, me incomodam um pouco. As peças menos, porque gosto de ter a referência desse momento. Mas o atelier parece que é de outra pessoa. Porque a verdade é que sou outra pessoa agora. E essa história do meu amigo ficou martelando um pouco na minha cabeça.

Quer saber, vou aproveitar  a onda e me desfazer de quase tudo! Comecei pelos livros de arte, textos, apostilas etc. Por um lado, foi legal lembrar de tanta coisa que já passei e em que patamar havia conseguido chegar, porque às vezes eu me esqueço e chego a pensar que não havia conquistado grandes coisas. E sim, foram grandes coisas e um caminho bem bacana! Mas por outro lado, já foi. É bom ter a consciência da minha história e evolução, mas também é importante saber que isso não é garantia de futuro.

Por ironia do destino, a mesa que estava trabalhando, ou seria para eu trabalhar, vai exatamente para o atelier do meu amigo artista que acabei de comentar. Achei perfeito! Começos de ciclos para uns, fins de ciclos para outros. Todo fim é um começo.

Uma amiga me perguntou se não doía me desfazer dos livros. Respondi que sim, dói, mas sei que passa. Então, não sofro. Mas quero que eles saiam rápido da minha vista, antes de começar a olhá-los como um monte de papel que ocupa espaço.

E deixa eu seguir minha limpeza, porque acabo de notar que já estou fazendo hora para voltar a olhar meu passado.

Seja bem vindo a comentar! Sua resposta pode demorar um pouco a ser publicada.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s