Adeus ano velho, feliz ano novo…

Para variar, quando me atraso nas crônicas, nem sei direito por onde começo a contar as histórias, difícil quando a semana passada não só parece, mas foi literalmente no ano anterior!

Outro dia, uma amiga me comentava que achava engraçado como tudo na nossa vida virava um evento! As coisas começavam aparentemente normais e de repente, aquele barata voa total!

Fiquei pensando que ela tinha razão, mas ainda não tinha me dado conta porque, para a gente, é algo que acontece naturalmente. Na verdade, acho que acontece para todo mundo, basta estar aberto e aceitar as ondas que vão e voltam a todo momento. O sim adiciona, o não, ainda que às vezes seja necessário, sempre te traz limitações.

Pois muito bem, vamos aos fatos práticos! Nossa viagem ao Brasil estava prevista para dia 24 de dezembro. Sim, viajaríamos na noite de Natal. Não estava achando ruim, como vou achar ruim ganhar uma passagem para uma semana no Rio? Se só tinha vôo na noite do Natal, paciência. Já tinha me planejado para no aeroporto comprar jamón, alguma outra coisinha gostosinha, vinhos em garrafas pequenas e levar tudo para o avião e, assim, improvisar nossa ceia nas alturas.

Dia 23, pela manhã, ainda estava naquela preguiça na cama, pensando nas últimas compras que tinha que fazer para levar, quando toca o telefone, era Luiz. Escuta, não quer ir hoje?

_ Hein? Hoje, como assim? Mas o vôo não estava lotado? Mas não tinha que fazer as últimas compras? Mas não tinha uma festa de aniversário para irmos hoje? Mas… foda-se! Sim!

Nada certo, mas ele ia tentar transferir a viagem. Na dúvida, levantei logo e fui arrumar as malas. Por sorte, a comida que a gente leva (afinal, minha família só se presenteia com comida, né?) estava toda comprada.

_ E o gato? Caramba, e o gato?

Tudo bem, a amiga que ia ficar com o Jack podia vir um dia antes.

Mas, e se a gente arrumasse essa confusão toda e no final    não desse para a gente adiantar a viagem? Ué, se não desse, paciência, não custava tentar.

E não é que deu certo?

No dia 24 de dezembro, pela manhã, pousamos no Rio de Janeiro, para o bem de todos e a felicidade geral da nação, ou pelo menos, para nossa família.

O Jantar foi tranqüilo, na casa dos meus pais com meu irmão e uma prima. A ceia, havia levado na mala, um “redondo de cochinillo” (leitão). Como disse antes, os presentes para minha família são sempre comida! No dia seguinte, 25 de dezembro, adicionaram-se a nós os meus sogros e assim completamos a festa. Dessa vez, um pouco mais light, com o tradicional peru natalino.

Não é por nada não, mas não sei o que me aconteceu nessa viagem! Parecia que fui possuída pelos espíritos de uma nuvem de gafanhotos! Simplesmente, devorava tudo que aparecia na minha frente! Não consegui me segurar em absolutamente nenhum dia! Comi e bebi à vontade!

Como de costume, é muito difícil conseguir fazer qualquer encontro no varejo, a gente sempre opta pelo atacado! Publico pelo Facebook onde a gente estará, e os amigos que querem e podem vão se encaixando. Era assim, durante o dia, a prioridade era sempre dos meus pais e à noite a gente ia fazendo os encontrões com quem desse.

Nunca conseguimos encontrar todo mundo, mas acho que talvez tenha sido uma das vezes que mais gente conseguimos ver. Até amiga virtual apareceu!

Já não me lembro em que ordem, mas fomos ao Joaquina do Leme, na Academia da Cachaça (meu bar favorito), no Londra (favorito do meu irmão), no Garota da Urca e no Belmonte. Na verdade, no Belmonte foi só o Luiz, porque nesse dia, infelizmente, a gente teve que se dividir em programas diferentes ou não dava conta do recado!

Uma coisa legal é que os parentes e alguns amigos foram lá em casa, assim também ganhei tempo e consegui encontrar mais gente querida. Porque se eu tivesse que visitar um a um, seria impossível. E a farra de primos em casa foi bem legal!

Grandes amigos de São Paulo, que em teoria não teria a menor chance de encontrar, foram para o Rio nessa semana. Enfim, sabe quando parece que o universo confabula a favor dos encontros?

Não sei o que houve ano passado, mas rolou um baby boom total! Consegui encontrar com quatro deles, três meninas (uma prima e duas filhas de amigas) e um menino (primo). Ainda faltaram alguns nenéns, mas ficará para próxima! Aliás, aviso que modéstia às favas, todos me deram mole e gostaram do meu colo!

Depois de anos, consegui rever meu sobrinho. Minha sogra conseguiu organizar um almoço para a gente se encontrar! Hoje não temos tanto contato, infelizmente, esses rolos de família. Mas quando ele era criança éramos muito apegados, acho que foi o mais próximo de uma relação de filho que tive. Pois é, esse nenenzinho está agora com 18 anos e cursando medicina, pode? Um homem e lindo! Fiquei até emocionada em encontrá-lo, mas me controlei para não pagar mico!

Aliás, os filhos dos amigos também são uma prova que o tempo passa! Acho engraçado ver aqueles rapazes e moças que vi pequenininhos, meus amigos ficando carecas ou grisalhos e, ao mesmo tempo, sempre chegando algum bebê. Não sei se é muito lógico o que vou dizer, mas adoro essa sensação! Não me sinto mais velha nesses momentos, eu gosto de vivê-los, acho que é o ciclo da vida mais forte que tudo e é como deve ser.

À medida que o tempo vai passando, a gente toma consciência que não há felicidade eterna, que não há ninguém sem problemas, que as pessoas adoecem e morrem. Mas também nascem, também evoluem, também curam. Acho que sou uma pessoa feliz por opção, mas que ninguém se iluda, felicidade dá o maior trabalho e de vez em quando, acordo me perguntando se ainda terei dias em que eu possa ser feliz sem fazer nenhuma força, sem sorrir sem tanta vontade ou sem precisar buscar o bom humor no meio do trágico para aliviar o peso.

Pois acabei de ganhar nove dias exatamente assim, de felicidade fácil. E por isso, eu agradeço.

E nesse clima de fartura de família, de amigos, de comidas e de bebidas, chegou dia 31 de dezembro, o melhor dia do ano inteiro! Eu simplesmente amo Ano Novo!

Achei que fosse bater aqueles momentos de retrospectiva, coisas que aprendi, coisas que quero mudar, o que fiz e não consegui fazer, as promessas, enfim, o típico de fim de ano.

Mas nem paciência para pensar nisso eu tive, juro. O que passou já foi, o que aprendi já sei. Quero pensar para frente. Ok, tudo bem, mas pensando para frente, também não me vinha nada! Engraçado, que sempre gosto de escolher uma característica para o ano seguinte, alguma habilidade, sentimento, enfim algo que precise desenvolver. Não consegui pensar em nada, como uma tela em branco!

E veja bem, não é que me sinta pronta ou tão evoluída assim, simplesmente não me vem nada! Talvez isso queira dizer que precise aprender a relaxar com as expectativas, deixar a vida me levar um pouco, parar de querer aprender tanto e executar o que já está. Sem  a cobrança de que vá dá certo, eu já sei que vai dar certo, porque se não der a gente vai consertar mesmo!

Eu não quero ter um sonho, quero ter vários planos e, de preferência, bem caóticos!

E voltando ao dia 31, durante à tarde, fui até a praia com minha mãe e minha tia, três descendentes de bruxas, filhas das minhas duas avós, cada uma ao seu estilo e sua crença. No meu caso, descrença, mas no último dia do ano eu posso tudo e acredito em tudo!

Avisei a Iemanjá que tive que cortar o cabelo, vai que ela não me reconhece, que ela não se aborrecesse, mas eu precisava renascer. Deixei que as sete ondas varressem meus pés e achei bom que dessa vez elas eram de verdade. Não precisaram ser sete montinhos de neve, ou sete fitas azuis, ou sete marolas na banheira ou qualquer coisa que eu encontre para manter nosso encontro marcado por vida. Se diz do pó vim, ao pó voltarei. Mas eu vim da água e foi muito bom estar na minha origem, no meu elemento e na cidade onde eu nasci. Meu ritual pessoal estava completo, esse assunto era e sempre será só nosso.

Voltamos para casa, já na correria para nos arrumar. Os convidados chegariam pelas 20 horas. Porque, claro, precisávamos de uma festa daquelas!

Começou tímida, quando perguntei se podia convidar meus amigos. A coisa foi crescendo, os amigos foram topando e alguns vieram de outras cidades, incrível! No final, acho que foram perto de umas 50 pessoas. Para mim, é tranqüilo, para os meus pais, estavam meio preocupados se ia caber.

Imagina, lógico que cabia, sobrava! Mas passei um bom tempo na cozinha, deixando tudo organizado com antecedência. Porque esse é um dia que a comida não pode faltar! A bebida, os convidados levaram, assim facilitava nossa vida. Minha mãe contratou um garçon e uma copeira, meu irmão levou as caixas de som… e olha a confusão armada! Do jeitinho que eu gosto!

O apartamento dos meus pais é bem de frente para praia, dá para assistir os fogos de camarote, um privilégio! Alguns amigos preferiram descer e romper o ano na areia. Foi bom, porque dividiu o pessoal e coube todo mundo nas janelas, sem maiores apertos.

Passado o ano, a maioria voltou da praia, alguns um pouco molhados, afinal, não sou a única que quer pular as sete ondas. A diferença é que fiz antes.

Já era mais de uma da manhã quando meu pai foi dormir, o que para ele é uma façanha! Aliás, faz muito tempo que não o vejo tão bem. Minha mãe também feliz, enfim, todo mundo parecia feliz ou eram os meus olhos, sei lá, mas acho que estavam realmente felizes. O astral que toma posse da praia de Copacabana nesse dia é algo inexplicável, só sentindo mesmo!

E eu estava feliz da vida, sentia a energia vibrar pelo corpo, difícil de tirar o sorriso! Com meu amor, com minha família e meus amigos! Tomei todas e mais algumas, só champagne! Para mim, a noite passou em cinco minutos!

Mas na verdade, foi até às cinco da matina!

Quando os últimos convidados se foram, fomos Luiz e eu dar um jeito na casa. Assim, meus pais acordavam com tudo mais arrumado. Com toda a animação, eles já não tem pique para essa intensidade, digamos assim. E eu quero garantir próximas futuras festas de Ano Novo, certo?

Já beirava às seis da manhã quando fomos para a cama. Até aí, nenhum problema… se nosso vôo não fosse no próprio dia primeiro.

Pois é, pelas 10 da manhã, estava de pé, preparando a saga da volta! Tínhamos que sair de casa por volta dàs 14h30. Rio de Janeiro para São Paulo e depois Madri.

Tudo bem, por incrível que pareça, estava cansada, mas sem nenhuma ressaca, felizmente. Talvez porque nem tivesse tempo do álcool parar de circular pelo meu sangue!

Lá fomos nós para o aeroporto do Rio, onde lógico, o avião atrasou pacas e chegamos em São Paulo meio que no limite de horário. Ainda pegamos uma fila quilométrica, porque precisávamos fazer novo check in. Por sorte, durante a fila, consegui falar com uma das atendentes e garantir o tal do assento conforto, que se trata da poltrona da porta de emergência, onde você tem mais espaço para os pés. Ufa!

Voamos para o embarque e já entramos com metade dos passageiros sentados! Tudo bem, o importante é dar certo! Vôo turbulento, mas sem maiores incidentes.

Agora, cá estamos, prontinhos para começar 2012 com o pé direito! Aliás, se depender da virada, excelentes fluídos e energia mais do que positiva no ar!

E lá vamos nós para o ano do Dragão!

9 comentários em “Adeus ano velho, feliz ano novo…”

  1. Bi, fico muito contente com tudo que acabei de lêr, vi algumas fotos e vc transmite serenidade e alegria. Sejá bem vinda assim como o ano novo.

  2. Feliz 2012 pra vocês!!!
    Eu simplesmente adoro essas datas de renovaçao, de promessas, de espiritos em harmonia, sensaçao de começo de tudo o que cada um se proponga a fazer…

    Realmente como vc disse a felicidade é gratuita, tai pra quem quiser e agarrar… depende de como cada um vê e faz a vida!
    Felicidades mil neste ano novo e saiba que suas palavras sao contagiantes… Vivi tudinho que vcs viveram atraves dos seus relatos. OBrigada por compartir…
    Beijos e o melhor estar por vir….

  3. Adorei!!!!:D Feliz ano novo Bi!!!Saude, paz, amor, sucesso e muita festa, pois afinal ninguem é de ferro! Besos

  4. Ficamos muito felizes com vcs e seus amigos conosco. Foi uma das melhores viradas de ano que tivemos. Nossos filhos, nossa família , nossos amigos estávamos ali todos juntos numa mesma vibração.
    Obrigada Senhor por tanta felicidade!

  5. E tinah até uma amiga da Alemanha que não teve a capacidade de (estando tão perto) dar uma passadinha pra matar as saudades….

  6. FELIZ 2012 ***** Cheguei ontem de Londres depois de 2 semanas maravilhosas e lendo esse post fico muito feliz por ti, voces mereceram o fim de ano maravilhoso com a familia no Rio e merecem muito mais!!! Saude amor prosperidade, que os sonhos se realizem em 2012***** Besitos

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