A idade da base

Não sei se esse texto fará algum sentido para um homem, mas tenho quase certeza que o universo feminino entenderá.

Se houvesse um desses programas para adivinhar a idade de uma mulher ao visitar seu banheiro, não teria nenhuma dúvida, direto para seu estojo de maquiagem!

Entre os 13 e 15 anos, acho que eu não poderia so-bre-vi-ver sem um lápis de olho. Pintado principalmente por dentro da pálpebra inferior, aquela que a gente aprende mais tarde que é errado pintar porque borra. Mas por algum motivo, quando você tem 13 anos acha simplesmente lindo! Sombra, só se for preta! E geralmente é o próprio lápis contornando os olhos por cima também. Deve ser algum complexo de Cleópatra, sei lá!

Ainda na adolescência, você cisma com batom vermelho! Independente da sua cor, não importa! Na minha época ainda tinha um infeliz de um batom paraguaio permanente, que durava horas e não saía com água. Nos corredores do colégio, a gente descobria que ele era o máximo porque você beijava sem borrar! Aquela porcaria devia tingir a boca da gente! Era uma embalagem plástica verde com uns detalhes em dourado. Ninguém merece!

Bom, pelos meus 16 anos, veio a mal fadada época New-Wave-Punk-qualquer-coisa-esquisita. Daí a gente usava sombras coloridas e blush era fundamental! Aprendi logo a colocar o blush de maneira a afinar as bochechas, ainda que pesasse uns 45 kgs no máximo e não precisasse afinar absolutamente nada! Eu devia parecer uma caveira travesti!

Felizmente, esse período passa. A gente começa a trabalhar e, pelos 20 anos, a qualidade da maquiagem melhora drasticamente, assim como nosso senso estético. A máscara de cílios passa a ser sua melhor aliada. Você coloca e parece que seu rosto se levanta, nem precisa mais de nada. Com o tempo, um pontinho de sombra branca bem no começo dos olhos (no lugar onde nasce a remela), dá uma iluminada show!

Vai chegando pelos 30 e um delineador vem bem, aliás, muito bem! Além disso, você começa a entender porque existe o pó compacto.

O pó compacto é só uma preparação para o que você só vai entender mesmo pelos 40 anos: a tal da base.

Pois é gente, devo dizer que cheguei à idade da base… É dureza! Não há maquiagem que preste se não começar por ela.

O problema é que olho para frente agora e imagino qual será a próxima fase? O que falta em termos de recurso? Cimento branco?

Olho para as senhorinhas espanholas e vejo as mesmas sombras coloridas, o batom vermelho e o blush marcado do passado! Será que assim como tendemos a nos comportar como crianças quando envelhecemos, nossas maquiagens também voltam ao estilo original?

Alguém pode me matar se isso acontecer? Por favor!

Codega

Tenho uma amiga que acha a melhor coisa do mundo realizar os sonhos alheios! Conheço ela o suficiente para saber que é sincero e acho o máximo! Entendo, por um lado, o princípio da generosidade e, por outro, o da consciência do quanto recebemos em troca, como experiência e aprendizado. É como se a energia da gentileza se alegrasse e te abrisse passagem para um nível de felicidade.

Ela chegou ao ponto de conseguir fazer isso propositalmente, sem constrangimentos e, ainda assim, mantendo a espontaneidade. Juro! Não alcancei esse nível de altruísmo, mas sim que o compreendo e me sinto bem realizando, se não sonhos, porque me parece bastante pretencioso, mas pequenos desejos, coisas que nem me custam tanto, mas podem ter impacto na vida das pessoas.

Não faz tantos anos, entendi o que talvez seja meu papel no mundo. De uma maneira simplificada, me tocou correr riscos, experimentar e depois voltar para contar o que aprendi a quem quiser escutar. Ainda que não corra riscos fantásticos ou totalmente extraordinários, como escalar picos nevados (ainda), me dei conta que a maioria das pessoas também não está tão interessada assim em conhecer a sensação de congelar o nariz ou perder um braço. Às vezes, importa mais compartilhar algo prático, mundano e possível. E que assim mesmo, assusta um monte de gente.

Essa semana, estava lendo “Comer, Rezar, Amar” e aprendi uma palavra nova que adorei: codega. Era um tipo de profissão que surgiu em Veneza, na idade média. Tratava-se de um sujeito que era contratado para andar na sua frente à noite, com uma lanterna acesa, mostrando-lhe o caminho, espantando ladrões e demônios. Na verdade, acho que era mais para o povo não se perder mesmo, considerando que Veneza é realmente um labirinto, e certamente espantar ladrões e aproveitadores, mas os demônios deixaram a função mais poética. A metáfora de trazer segurança e proteção pelo escuro é linda!

Não tenho força, treinamento ou coragem de sair por aí espantando bandidos de carne e osso, mas adoraria ser uma codega para medos e demônios alheios. Sempre tive a sorte de carregar a sensação constante de ser protegida. A sensação pode corresponder a algo real, irreal ou surreal, não importa, porque enquanto estiver comigo funciona como um amuleto poderoso. Mas só há pouco tempo, descobri como é aconchegante e realizadora a sensação de proteger.

E tenho um monte de protegidos, declarados ou secretos.

Passei a vida inteira dizendo que não gosto de cuidar de ninguém. Não sei exatamente quem queria convencer com essa bobagem, provavelmente eu mesma. Porque toda vez que paro para reparar um pouquinho só, me percebo tomando conta de todo mundo que está em volta. Eu tomo conta até dos cachorros que andam sem colera na rua! Só consigo relaxar quando tenho certeza que existe um “dono” e sei que ele não está sozinho. Talvez seja o momento de assumir esse terrível desvio de personalidade que reluto tanto! E afinal, qual é mesmo o problema? Por que reluto tanto?

E por que surgiu toda essa elocubração?

Esse ano de 2011 surgiu com bastante otimismo, tanto da minha parte como de muitos amigos. Pode ser apenas por ser início de ano, onde o otimismo prevalece, mas as previsões de maneira geral pareciam boas.

E, realmente, uma série de amigos meus tiveram começos de ano com portas muito interessantes e promissoras se abrindo. Fiquei, honestamente, feliz por todos eles, sem exceção! Todos mereceram.

Mas não vou negar que me passa aquela ponta de pensamento, será que comigo também vai se abrir uma porta em breve? Quando será minha vez? O que de bom vai me acontecer? Será que deslancho para algum lado? Será que me falta dar algum passo? Se o universo está se abrindo em oportunidades, não quero perder por não estar prestando atenção.

Abro um parênteses para contar uma outra história, até porque na verdade, o que quero dizer é o resultado de um emaranhado de histórias diferentes e em tempos diferentes, mas que de alguma maneira, me fizeram mais sentido hoje.

Voltando, uma vez estávamos dando um jantar em casa para um casal de amigos, que gentilmente elogiavam meus talentos artísticos e culinários. Agradeci e brinquei mais ou menos sério que um dia gostaria de ter um talento que pudesse me dar algum dinheiro! Afinal, nenhum dos meus “talentos” atualmente paga contas! No que meu amigo me respondeu de bate pronto, como algo lógico: você tem o Luiz. Veja bem, essa frase poderia ter a interpretação machista do marido responsável pelas contas da casa, mas tenho certeza absoluta que não foi o que ele queria dizer. O fato é que ninguém faz praticamente nada sozinho. De uma forma ou de outra, sempre dependemos de alguém em algum nível, financeiro, operacional, emocional, afetivo etc. Nesse caso, o dinheiro, por exemplo, é uma forma literal, mas ele nunca é um fim por si só, ou não deveria ser. O que ele quis dizer é que éramos uma equipe bizarramente equilibrada.

Nem tudo na vida é tão simples e no fundo acho bom não estarmos totalmente satisfeitos, pois essa ansiedade da busca também pode ser bastante produtiva. Mas, nesse momento, vou me ater ao fato de que praticamente tudo de importante na vida é sempre feito por mais de duas mãos. É tão pretencioso acreditar que se alcança metas totalmente sozinho, como é um desperdício não desfrutar do mérito alheio quando você, de alguma maneira, teve uma participação.

Não estou falando de reconhecimento. Reconhecimento é legal, massageia o ego. Mas o que estou dizendo é que também é bastante recompensador saber que você contribuiu para o sucesso de alguém. Porque no fundo, é seu sucesso também, mesmo que apenas uma parte dele.

Há um tempo atrás, escrevi a biografia de uma amiga. Foi um trabalho a quatro mãos, ela me passava o conteúdo e eu dava a forma. Ao longo desse trabalho, entendi porque ela me procurou, o livro era um presente para o filho e havia seus motivos que não vem ao caso, mas ela precisava de ajuda para transmitir esse conteúdo de uma maneira que ela não sabia como. Fui chamada à responsabilidade, não por ela, mas pela situação. Eu poderia simplesmente lavar minhas mãos e limpar o texto, sem me envolver ou me preocupar tanto. Mas o fato é que me envolvi, me emocionei algumas vezes e me preocupei sinceramente em como o filho receberia esse presente. Por ser a história dela, procurava ao máximo possível usar suas expressões e maneira de pensar. Porque o importante era ele reconhecer sua mãe, não uma personagem que eu inventava ou que me faria sentir melhor. O presente era dela para ele, eu era apenas a intermediária, quase uma tradutora. Ao mesmo tempo, me colocava direto na posição do filho, de como ele poderia ler da maneira mais leve e carinhosa possível. Ou em outras palavras, como não costumo gostar de admitir, estava cuidando dos dois, queria que tudo desse certo.

Resumo da ópera, essa semana ela me manda uma mensagem avisando que ia entregar o livro a ele naquele dia. Ai, meu santo, que nervoso! Parecia que eu tinha alguma coisa a ver com isso… até porque, eu tinha mesmo! No momento que pus meu dedinho, querendo ou não querendo, eu tinha a ver com isso! O bem deles era o meu bem também.

Não vou fazer suspense, deu tudo certo e, pelo o que ela me contava, foi muito bacana. Fiquei uma mistura de feliz com aliviada, mas o que eu nunca esperava era que o filho também me escrevesse hoje. E confesso que foi o que me tocou mais fundo e fez cair a ficha do quanto eu pude fazer parte de uma história que não era minha, pelo simples fato de querer que tudo ficasse bem. Por assumir uma responsabilidade com o outro. Era de se esperar que depois de meses escrevendo sobre a história de uma amiga próxima e do seu filho, sentisse que conhecia os dois. O que não imaginei é que um rapazinho com idade para ser meu filho também pudesse me reconhecer tanto simplesmente pela maneira que escrevi.

Ele me disse que foi o presente mais bonito que já recebeu na vida. O presente é da mãe dele, é claro, mas vamos combinar, nem que fosse só embrulhando o pacote do presente mais bonito que alguém recebeu na vida, não é o máximo? Eu nem sei explicar o tanto que eu fiquei feliz!

E por esse grão de areia, viajei na maionese o dia inteiro! Fiquei entrelaçando todas essas histórias.

Fiz até uma lista dos meus melhores presentes na vida, porque não consegui ainda eleger o presente mais bonito, the ultimate gift!

–         Um cordão com uma placa de ouro do mês de novembro com um brilhante no dia do meu aniversário: presente dos meus pais, eu era garota, acho que uns 10 anos e me senti muito adulta ganhando uma jóia.

–         Uma aliança de brilhantes que ganhei da minha avó por parte de mãe. Foi motivo de briga no começo. Minha mãe se recusava a me dar porque eu era muito criança e ela achava um absurdo eu ganhar uma aliança, coisa de mulher casada! Porque afinal, eu nem entenderia o valor daquilo! Minha avó dizia que a aliança era dela e ela dava para quem ela quisesse a hora que ela quisesse! A solução foi ela me dar, mas minha mãe guardar até eu ficar mais velha. Guardou durante anos e me deu pouco tempo antes de eu ficar noiva (pela primeira vez, quando a propósito, desisti de casar).

–         Um jogo de porcelana polonesa que minha avó por parte de pai havia ganhado de presente no seu próprio casamento. Ela também me deu por ter ficado noiva. Quando desisti de casar, perguntei se ela o queria de volta e ela disse que não, só não queria que desse para mais ninguém, era meu para quando eu casasse com quem bem eu entendesse. Casei anos depois com Luiz e trouxe o jogo comigo. Tenho ele até hoje, nunca me rachou um prato por todas essas trocentas mudanças em três países diferentes.

–         Uma tábua de passar roupa do meu irmão quando casei de verdade. Ele era universitário na época e provavelmente era o mais caro que ele podia pagar na minha lista de presentes.

–         Meus dois gatos, quando fiz 30 anos, ganhei do Luiz. A gatinha morreu em Atlanta, com 5 anos. Jack segue gordo e feliz conosco, caminhando (bem lentamente) para seus 12 anos.

–         Um álbum que ganhei da minha mãe, com uma coletânea de fotos dos momentos mais importantes desde que eu era bebê até ficar adulta e sair de casa.

–         Meu sobrinho me deixar levá-lo em uma loja de brinquedos no dia do seu aniversário, sozinho, e escolher o que quisesse ganhar, sem limite de preço ou tamanho. E para quem não acredita na espontaneidade infantil, ele nunca escolheu o mais caro ou maior, mas o que ele mais queria de verdade.

–         Uma caneta Mont Blanc que dei para Luiz quando estávamos namorando. Me custou um mês de salário, mas achava o máximo ele usar no bolso a mesma caneta que seu gerente e seu diretor!

–         Um trenzinho de cristal para o meu pai, quando descobri que ele adorava esses objetos. Sempre foi dificílimo achar alguma coisa diferente para o meu pai que não fosse comida.

–         Ops! Para quem mesmo eram os presentes?

Pois é, de repente aconteceu outra vez! Porque começou a ficar difícil separar o que era presente, dar ou receber?

Não sei que portas vão se abrir para mim esse ano, mas lembrei de outras que ajudei a abrir e que nem foram para mim. Mas no final, sim que foram. A felicidade de quem está a minha volta é a minha felicidade, faço parte dela e não tenho porque não desfrutá-la. Talvez eu esteja esperando muito do futuro e já tem um monte de coisas acontecendo todos os dias. Talvez eu esteja muito “masculina” e tenha voltado a relacionar minha vida a um trabalho remunerado. Um dia ele vai aparecer, se tiver que aparecer, mas a essa altura nem sei mais se é o mais importante que posso fazer. Na melhor das hipóteses, se eu realmente tiver sorte, será apenas uma ferramenta para algo maior.

Cuidado com o que desejas…

Hoje é dia dos namorados na Espanha, na verdade, também em alguns outros países, porque é dia de San Valentín.

Desejei então, que Luiz chegasse cedo do trabalho e, ardente, não quisesse  mais sair da cama… ele chegou pela hora do almoço porque  não aguentou trabalhar mais do que isso, gripadaço, deitou e não saiu da cama até agora com uma febre daquelas!

Acho que o pedido deveria ter sido mais específico… joder! (por exemplo)

Grafiteiros em Madri

Pois é, incrivelmente, acordamos cedo no domingo e inventei de ir tomar um brunch na “Le Pain Quotidien” da Calle Fuencarral. Depois resolvemos dar uma voltinha a pé pela rua.

Vi um grafiteiro e um pessoal fotografando. Pensei, legal, deve ter sido algum trabalho contratado. Logo em seguida, outro grafite e mais gente fotografando… ué, domingo é dia de grafitar?

Entramos na Corredera Alta de San Pablo e uma galera grafitando todos os portões fechados das lojas! E uns trabalhos bacanas, pelo menos para mim que gosto de grafite bem feito.

Outra turma de fotógrafos e cinegrafistas acompanhando e registrando tudo, ou seja, não foi uma coincidência dominical, era um evento organizado. E um ponto importante, respeitaram as fachadas das lojas e edifícios residenciais, só pintaram os portões de metal do comércio.

Ainda não sei qual será a repercussão, mas pessoalmente, gostei muito. Acho que deixou nossa rua mais colorida e animada do que já é.

Por uma incrível coincidência, marcamos uma aula de fotografia com uma amiga nesse mesmo dia, aqui em casa. E, quando saímos no fim da tarde para praticar o aprendido, tínhamos um cenário e tanto para aproveitar.

E para quem quiser um gostinho do que foi, aí vão algumas das novas obras democraticamente espalhadas pela nossa vizinhança.

PS: Um pouco mais de informação para quem se interessou. O evento se chamou “Persianas Libres”, persianas em espanhol também são esses portões de ferro que fecham as lojas. Abaixo a reportagem que saiu no El País de hoje, dando maiores detalhes sobre a iniciativa entre comerciantes e grafiteiros no bairro de malasaña , onde moramos:  http://www.elpais.com/articulo/madrid/Malasana/lienzo/blanco/elpepiespmad/20110207elpmad_3/Tes

Sexy shop: quem nunca teve curiosidade de entrar em um, que atire a primeira pedra!

Meninos, sugiro que vocês saiam da sala, porque aqui o papo é de mulher para mulher! Fala sério, quem nunca quis ir a um sexy shop? Nem que fosse só por curiosidade!

Quando começou a se falar desse tipo de loja no Brasil, eu morava em São Paulo e já era casada com Luiz. Um belo dia, resolvemos ir a um para ver como era, me senti moderníssima e super atrevida com a idéia!

Se alguém espera alguma história excitante e sensual, pode ir tirando o cavalinho da chuva! Foi um micão daqueles! Parecíamos dois jecas, completamente constrangidos e sem coragem de perguntar absolutamente nada! Ainda por cima, o vendedor era um homem e ficava acompanhando a gente na loja, todo solícito e eu queria que se abrisse uma cratera no chão para enfiar minha cara! No final, acabei comprando um gel qualquer daqueles, algum que eu apontei sem ter muita certeza do que se tratava, só para não parecer muito caipira e sair dali correndo, roxa!

Agora, do alto da minha experiência, posso afirmar que ir com seu querido cônjuge a um sexy shop é uma tremenda roubada! Para ambos! O negócio é ir com as amigas, porque daí vira gaiatice.

Muita água já rolou nesse período e as lojas especializadas, hoje em dia, se parecem mais vendedores de brinquedos e cosméticos do que outra coisa. Aprenderam também a colocar mulheres atendendo, o que quebra algumas barreiras.

Inventaram até um tal de “Tupper Sexy”, que é um tipo de reunião, como aquelas antigas de vendas de tupper ware. Se reune um grupo de amigas e uma vendedora faz a apresentação dos produtos, de maneira mais lúdica. Confesso que tenho vontade de ver alguma dessas reuniões, mas ainda não tive a oportunidade.

Muito bem, dito isso, no meu caminho para ir ao Pilates, passava por uma loja que estava sempre fechada (porque é hora da siesta) e não dava para saber do que se tratava. Chama “Jugueteria”, palavra originária de “juguetes”, em português, brinquedos. Ok. Outro dia, estava passeando a pé com Luiz e passamos por ali em outro horário. Quando a gente olha a vitrine, me toquei que era um sexy shop! Luiz começou a rir e pensou em entrar. Eu, lembrando da nossa experiência fatídica, desconversei e preferi seguir andando.

Mas não vou negar, uma curiosidade…

Até que ontem, estava pela rua caminhando sem grandes pressas e me lembrei da tal loja. Ai, acho que vou lá! Vacilei um pouco, e se eu chamasse alguma amiga? Menos mico… Mas também, quem vou chamar agora? Vou sair ligando para o povo e perguntando quem quer ir a uma sexy shop? Meio estranho, né? Bianca, deixa de ser infantil! Você é uma mulher bem resolvida, bauzaca, segura, fala sério, vai na porcaria da loja e pronto!

Beleza, fui. Quando cheguei bem na rua, lei de Murphy é infalível, na minha frente, dois operários. Putz grila, mas vou entrar com esses dois olhando? Ai, que vergonha! Auto confiança para o saco! Diminuí o passo para eles irem embora. Os dois resolveram parar. Viadinhos! Ok, apressei o passo. Não deu em outra, eles voltaram a andar.  Agora já não tem jeito, vou apressar mais ainda para entrar antes e eles nem vão notar nada.

Entrei na loja meio rápido, e só vi pela periferia do olhar os dois parando exatamente em frente, olhando para dentro e rindo. Ninguém merece! Agora preciso ficar aqui uns quarenta minutos até eles evaporarem! E se entrarem, eu grito! Não entraram, seguiram seu caminho. A paranóia era só minha.

Passados os cinco primeiros segundos que você não sabe bem para que lado olhar, o resto foi bastante normal. A loja era decorada com bom gosto e os artigos são expostos com bastante naturalidade. Havia dois vendedores, uma mulher, que inclusive depois percebi que era brasileira e uma pessoa que, honestamente, não sei de que sexo era. O ser hermafrodita se aproximou, muito educadamente, e disse que qualquer dúvida era só perguntar, mas também não ficou insistindo nem me acompanhando.

E por que fiz tanto drama em vir aqui mesmo? A coisa mais normal do mundo!

O único produto que me deu realmente vontade de rir era um tipo de cadeira erótica, que mais parecia umas faixas de couro penduradas ao teto. Estava à venda. Considerando o peso e o movimento em questão, fiquei imaginando que quem comprasse a dita cuja, teria que contratar alguém para pendurá-la. Foi inevitável visualizar a cena de explicar para o pedreiro o que ele teria que instalar!

Resolvi me animar a fazer perguntas! Foi quando descobri que a vendedora era brasileira, pelo sotaque. As explicações vieram na mesma naturalidade técnica de quem conta como utilizar um controle remoto ou um celular. Até aprendi umas coisinhas!

Saí de lá tranquila e orgulhosa da minha façanha de meia tijela. Vim rindo sozinha para casa, doida para contar para alguém essa besteira! E se eu comprei alguma coisa? Ah, mas não digo mesmo!

A vida não anda me tratando mal…

A agenda segue cheia, mas até que andamos fazendo alguns programas diferentes. Fim de semana passado, fomos assistir uma amiga em um concerto Sufi. Achei interessante, porque estive há pouco tempo em Istanbul, onde conheci um pouco a respeito do assunto e me pareceu uma boa oportunidade para rever e entender melhor do que se tratava.

Fomos Luiz, eu e um casal de amigos. Bom, estava meio preocupada deles não gostarem, porque é o tipo da coisa que ou você embarca na viagem ou vai achar uma roubada. Felizmente, todo mundo embarcou e tivemos uma noite bastante agradável e relaxante.

Foi um concerto que durou umas duas horas, mas perdi a noção do tempo. A música é um pouco difícil de entender no início, um tipo de jam session oriental com ritmos e tons que parecem não fazer sentido, mas assim que você capta a estação e entra em sintonia com ela é quase um transe. Nossa amiga bailarina fez o giro sufi, que é algo que parece simples, mas você precisa estar realmente centrado e saber o que está fazendo. Caso contrário, vai acabar como um peru tonto se espatifando na parede, coisa que felizmente não aconteceu.

Nós quatro também ficamos muito impressionados com o indiano da percussão, que tocava um instrumento lindo, dois tambores encaixados em almofadas e afinados por um tipo de martelinho dourado. Era realmente hipnótico observar o cidadão. Um violinista da Tunísia que estava de passagem com um amigo, acho que francês, que tocava sax.  Dois aprendizes que às vezes tocavam um instrumento parecido a um pandeirão. E o mestre, Iraniano, que tocava alguns instrumentos diferentes, tanto de corda, como sopro e percussão. O conjunto era bacana e por mais que parecesse que cada um seguia sua própria viagem, o resultado final era incrivelmente harmônico.

O interessante é que só consegui realmente disfrutar de olhos fechados. É um tipo de música que faz mais sentido quando olhamos para dentro e buscamos equilíbrio. Quando olhava para os músicos, me distraía, principalmente com o indiano do tambor esquisito. Exceto quando nossa amiga girava, porque daí também gostava de assistir.

Enfim, valeu, deu vontade de repetir em algum momento. Saímos de lá atrás de um Pub, para sentar um pouco e bater papo. Tentei não chutar muito o pau da barraca, primeiro porque não estava na onda, segundo porque tínhamos um almoço de aniversário no dia seguinte para ir.

Outro programa muito legal! Um amigo comemorou seu aniversário em uma vinícola, que por sua vez, pertencia à família de um dos convidados presentes na festa. O local fica a mais ou menos uma hora e meia fora de Madri. O passeio de carro é bonito, a paisagem agradável. Enfim, teria valido nem que fosse só pelo passeio, mas foi mais que isso. A bodega era uma graça e o vinho corretíssimo! Conhecemos umas pessoas ótimas também, muito divertido. Voltamos para casa com a felicidade que o vinho sempre permite e ainda vim escutando músicas no meu super ipad, literalmente selecionadas a dedo!

Até que a vida não nos trata mal…

Mas seguindo, nesse almoço fiquei sabendo que entraria a semana do “Madrid Fusion”, o evento gastronômico mais importante do ano que acontece na cidade. É frequentada apenas por profissionais da área e os convites e credenciais são bem carinhos. Fiquei com vontade de ir e a amiga que acabei de conhecer no aniversário talvez conseguisse um convite para um dos dias. Beleza, vamos aguardar.

Na terça-feira à noite, toca o telefone, um amigão espanhol que trabalha com restaurantes e sabe que sou completamente fissurada com o tema. Tenho uma credencial para o Madrid Fusion amanhã, quer vir? Como assim, macaco quer banana? Claro que sim! O único problema é que está com nome de homem e há o risco de alguém perceber e criar caso. Sem problemas, prefiro arriscar do que perder!

Quarta-feira, cedinho, Bianquita está pronta e arrumada, doida para ir ao evento! Fui de carona com meu amigo, que ainda recolheu mais duas pessoas que foram conosco.

Chegando lá, coloco eu meu crachá de “José Miguel”, minha cara, né? Só que eu achava que passaria pelos controles uma única vez e lá dentro estava garantido. Não é bem assim, você passa pelos tais controles a cada vez que muda de andar, que entra em uma conferência, que troca de sala… enfim, tinha que mostrar a tal da credencial para lerem o código de barras umas 30 vezes! Considerando essa informação, até que fui bem, porque só uma delas me pegaram com a boca na botija!

Em uma das conferências, um infeliz resolveu além de passar o código de barras, puxar meu crachá para ler o nome, um corno, né? Mas você não é José Miguel… E sua mãe, vai bem?

Bom, fiz sinal para meu amigo que fui barrada e ele voltou comigo. Disse que ia tentar resolver com não sei quem. Verdade que eu estava bem sem graça, não só por ser barrada, mas por colocá-lo naquela situação. Enfim, ele foi falar com outra pessoa e pediu para eu esperar. Esperei.

Daqui a pouco, meu amigo vem com um cidadão falando no celular, escuto ele dizer para ele que tinha que ser pela outra entrada e me fez um sinal rápido para seguí-lo. Como boa carioca, nem perguntei nada, fiz cara de haja naturalmente e fui caminhando com o “desconhecido” que fingia falar no celular. Na entrada, mostro meu crachá e enquanto o segurança olhava, ele me fez sinal de que fosse entrando que ele ia depois e começou a perguntar qualquer absurdo para o segurança. O típico efeito distração! Beleza, entrei!

Pouco depois, chega meu amigo e nos esbaldamos de rir. Porque eu parecia uma adolescente entrando de penetra nas festas! Mas tudo bem, o importante é que deu certo.

A partir daí, peguei a manha de mostrar a credencial com o dedo, assim como quem não quer nada, sobre o nome. Funcionou. Não fui mais parada. Mas admito que rolava um certo stress de ser pega novamente.

Valeu à pena, porque foi um dia super bem aproveitado e, ao mesmo tempo, divertido. Assisti a umas palestras que, mesmo curtas, me agregaram algum valor e trouxeram inspiração. Cada vez tenho mais consolidada a idéia na cabeça do que quero fazer nessa área e recebi algumas informações que reforçaram esses conceitos. Fiquei satisfeita com o que ouvi. Além do mais, esse meu amigo conhece deus e o mundo e acabei conhecendo umas pessoas legais também. E isso, sem falar das comidinhas que a gente é praticamente obrigado a experimentar o tempo todo, tapas, queijinhos, vinhos, champagnes, ai, ai… vida dura!

Ou seja, a dieta semanal foi para o saco, né? E juro que ando levando a sério! Nem tanto um regime, mas uma melhoria na alimentação mesmo.

E como se fosse pouco, no sábado ainda teve feijoada na casa de uma amiga! Putz! Quem é capaz de emagrecer desse jeito? Eu não tenho maturidade, chutei o pau da barraca! Bateu a síndrome da abstinência e me atraquei com a feijuca, queijo coalho, calabresa, cachaça, whisky e o golpe de misericórdia que foram uns chocolates da Kopenhagem! Um pequeno detalhe, porque venho comendo super leve, meu corpo já não tolera os abusos da mesma maneira e lógico que, na hora de me deitar, meu estômago parecia que ia explodir! Sofri pela madrugada. Felizmente, acordei bem e incrivelmente sem ressaca! Porque até já tinha me preparado psicologicamente para acordar arrasada.

Menos mal, porque tínhamos que encontrar no domingo com dois amigos que passavam por Madri a trabalho. Foi ótimo também! Agradável e light! Outra vez, comi mais do que devia, fomos a um restaurante tailandês. A única coisa é que bebi água e nada além de água!

E agora segunda-feira! Dia internacional de retomar a dieta, vamos ver se tomo vergonha e seguro minha onda.

Os números de 2010

O wordpress fez uma coisa interessante para seus usuários no fim de 2010, realizou análises individuais das estatísticas de cada blog e enviou aos seus respectivos donos. Já tinha o costume de analisar essas informações ao longo do ano, mas como devo esses números a vocês, para quem tiver curiosidade, o resultado do “Buraco da Fechadura” segue abaixo.

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

O Museu do Louvre é visitado por 8,5 milhões de pessoas todos os anos. Este blog foi visitado cerca de 78,000 vezes em 2010, o que quer dizer que se fosse uma exposição no Louvre, eram precisos 3 dias para que as mesmas pessoas a vissem.

In 2010, there were 70 new posts, growing the total archive of this blog to 635 posts. Fez upload de 91 imagens, ocupando um total de 18mb. Isso equivale a cerca de 2 imagens por semana.

The busiest day of the year was 9 de março with 496 views. The most popular post that day was Arrumar a mesa para um jantar especial.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram search.conduit.com, google.com.br, WordPress Dashboard, mundopequeno.com e dianachamma.blogspot.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por buraco da fechadura, como arrumar uma mesa de jantar, receitas de boteco, jantar especial e aperitivos de boteco receitas

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Arrumar a mesa para um jantar especial abril, 2008
144 comentários

2

BURACO DA FECHADURA julho, 2007
98 comentários

3

Dobrar guardanapos julho, 2008
39 comentários

4

Receitas de Boteco julho, 2008
6 comentários

5

Receber amigos em casa, primeiro movimento fevereiro, 2008
8 comentários

Queijos

Recebi uma mensagem com o título: Um Tratado sobre Queijos. Não constava o nome do autor, por isso não sei a quem atribuir os créditos. Mas acho que vale o texto, bastante esclarecedor sobre como comprá-los, armazená-los e seus tipos.

Sobre queijos:

Para aproveitar todo o sabor do queijo é importante alguns cuidados na compra, na manipulação e no armazenamento, mas o principal é conhecer cada um deles. E para conhecer é preciso experimentar.

Qualquer que seja o tipo de queijo, a matéria-prima é uma só: o leite (que pode ser de vaca, de ovelha, de cabra e de búfala). Como acontece com os vinhos, as condições climáticas e geológicas têm influência no sabor e no estilo do queijo, já que determinam a forma como o animal é criado e alimentado. Assim, seu leite terá características específicas e irá determinar o sabor final do queijo. A quantidade de gordura do leite, integral, semidesnatado, desnatado ou enriquecido com nata, resulta em diferentes tipos de queijo. Em alguns casos se usa o leite cru, não-pasteurizado (cada vez menos comum), como no caso do queijo Taleggio do norte da Itália, e a mistura de diferentes tipos de leite (de cabra, vaca e ovelha). A quantidade de água que se elimina no processo de produção do queijo determina a maciez, o tipo de casca e o mofo que irá se desenvolver no queijo. A casca é um dos primeiros aspectos a se avaliar em um queijo.

Como comprar:

Em algumas lojas especializadas se pode contar com a ajuda de funcionários com conhecimento, que dão boas sugestões. Mas quando você entra no supermercado e se depara com uma grande quantidade de queijos, a escolha pode ser mais complicada. Em caso de dúvida, procure experimentar o queijo antes de comprá-lo. Como acontece com outros produtos, verifique a data de validade, o aspecto e os cuidados com a temperatura à qual o queijo se encontra (o que pode alterar o processo de maturação).

Como conservar:

Preste atenção na temperatura e verifique sempre se o queijo mantém suas características durante o armazenamento. Os queijos de massa dura devem ser envolvidos individualmente em filme plástico ou papel-alumínio (neste caso, faça alguns furos com um garfo para que o queijo possa respirar) para que não ressequem. Os queijos de massa macia (brie e camembert) devem ser mantidos no próprio papel da embalagem, que já é especial para sua conservação, e guardados na geladeira (assim como os frescos e fundidos). Os que apresentam mofo interno (os azuis) devem ser envolvidos em papel-alumínio. Para conservar queijos duros por pouco tempo, deixe-os em uma queijeira (com base de madeira e tampa de vidro), que não feche hermeticamente, permitindo que os queijos respirem.

Os tipos de queijos:

Os queijos podem ser classificados de acordo com o tipo de leite, a textura, o grau de maturação e a intensidade de seu sabor e aroma. A classificação mais comum é de acordo com a textura (queijos duros e semiduros, macios, frescos etc). A consistência dos chamados queijos duros varia de lisa e fácil de cortar até a áspera e granulada. Alguns deles são: o emmenthal, o gruyère, o grana (parmesão), o provolone, o pecorino, o cheddar e o gouda. Há ainda os queijos macios (brie e camembert), os azuis (roquefort e gorgonzola) e os frescos (queijo de cabra, cream cheese, ricota, cottage, mascarpone e queijo feta).

Queijo gouda

 

É um queijo holandês, de corte, produzido em várias regiões a partir de leite de vaca pasteurizado (o de leite cru ainda existe, mas é menos comum), com formato redondo, pesando de 5 kg a 10 kg. A casca é muito lisa e de cor vermelha. Depois de maturado (após 18 meses) ganha uma consistência um pouco granulosa, a parte interna ganha uma cor amarelo-escuro e seu sabor se torna mais complexo. Em poucos meses de maturação já é firme, de textura lisa e flexível. A parte interna é permeada por pequenos buracos. O sabor do queijo mais jovem é frutado e doce, mas à medida que envelhece o seu sabor e aroma se intensificam. Existem algumas versões de gouda que incluem temperos como alho, cebola ou cominho.

Como usar:

Queijo de mesa, pode ser usado em sanduíches frios e em gratinados.

Queijo gorgonzola

 

Originário do norte da Itália, é produzido com leite de vaca (o tradicional, com leite cru e a versão mais moderna, com leite pasteurizado) e apresenta um alto teor de gordura. Tem forma de um tambor pesando de 6 kg a 12 kg. A textura interna tem veios de mofo que vão do cinza ao azul, obtidos pela presença da penicillium gorgonzola (ou glaucum). Os diferentes métodos de fabricação, o tipo de mofo e a quantidade de sal dão origem a uma variedade de queijos, mas os mais famosos são o gorgonzola doce, suave, e o picante, de sabor mais intenso. Os curados em grutas (na versão mais tradicional) resultam nos melhores gorgonzolas.

Como usar:

Além de ser consumido ao natural, o gorgonzola pode ser usado no preparo de molhos (misturado com creme de leite) para massas, no recheio de tortas ou em pastas para canapês.

Queijo roquefort

 

É produzido com leite de ovelha não-pasteurizado ao qual é adicionado o mofo penicillium roqueforti. A umidade e a quantidade de ar no local de maturação, necessárias para que o mofo se desenvolva no queijo, são rigorosamente controladas. Originário da região de Rouergue, França, tem forma cilíndrica e pesa de 2 kg a 3 kg. A casca é pegajosa de cor marfim bem clara e a textura é macia, com um aroma característico e sabor que pode ser mais ou menos picante de acordo com o grau de maturação.

Como usar:

Queijo de mesa, pode ser servido com pão ou acompanhado de nozes e frutas secas. Fica gostoso em saladas com verduras, como radicchio e endívia.

Queijo emmenthal

 

De origem suíça (há também o alemão e o francês), o queijo emmenthal se caracteriza pelo grande número de buracos (quanto menores e mais redondos, mais forte e picante o queijo). O aroma do queijo jovem, até 3 meses, é suave, ligeiramente adocicado e frutado, com sabor de nozes. Os queijos mais curados, de 4 a 5 meses, são mais fortes e picantes. O emmenthal é fabricado com leite cru de vaca e cada peça tem de 60 kg a 130 kg. A casca natural é fina e dura, com uma cor bege-amarelada. Existem ainda os chamados emmenthal de massa dura, fabricados com leite pasteurizado.

Como usar:

O emmenthal é usado para gratinados (ralado) e no preparo da fondue. Assim como o gruyère, pode entrar na composição da clássica Sopa de Cebola francesa. Experimente incluí-lo no preparo de omeletes ou ralado sobre batatas cozidas, temperadas com ervas e azeite de oliva e levadas ao forno para gratinar. Fica bom, ainda, em sanduíches.

Queijo de cabra

 

Feito com leite cru ou pasteurizado, o queijo de cabra pode ser encontrado em diversas variedades de sabor e formato. Geralmente, são produzidos apenas com leite de cabra, porém pode haver mistura com leite de vaca e de ovelha. A palavra chèvre (cabra em português) estampada na embalagem mostra que o queijo é feito somente com leite de cabra. Se for feito com 50% de leite de cabra e 50% de outro tipo de leite é chamado demi-chèvre. A maioria dos queijos é produzida de maneira artesanal, principalmente na França, onde os queijos caseiros respondem pela maior parte da produção. O queijo de cabra pode ser classificado de acordo com a consistência da massa e o processo de cura, que irão determinar o seu aroma e o seu sabor. Algumas versões desse queijo apresentam ervas e especiarias em sua superfície.

Como usar:

Pode ser consumido ao natural, mas fica ótimo amassado com um garfo e temperado com azeite de oliva e ervas frescas (salsinha, cebolinha e até hortelã) ou com especiarias (experimente com pimenta-do-reino moída, pimenta rosa ou curry). Pode ser servido como aperitivo, em saladas, sanduíches ou entrar no preparo de massas e recheios.

Queijo mussarela

 

Feita com leite de vaca, é comercializada sem curar. Tem sabor mais acentuado e menos delicado do que a mussarela de búfala, sendo também menos macia.

Como usar:

A mussarela é usada em pizzas, sanduíches e para gratinar.

Mussarela de Búfala

 

Como o nome diz, é feita com leite de búfala e tem vários tamanhos e formatos. É comum ser vendida mergulhada no soro, quando apresenta textura elástica e é bem mais macia, mas pode ser encontrada de outras maneiras. Por tratar-se de um queijo fresco deve ser consumido em poucos dias. Quando a mussarela de búfala é defumada recebe o nome de mussarela affumicata (em italiano).

Como usar:

Devido ao elevado teor de água, a mussarela absorve facilmente os sabores de outros ingredientes e temperos. Sua textura macia rende pratos interessantes. Pode ser temperada com ervas e azeite de oliva e servida com pão, em saladas (como na clássica Caprese), em pizzas e para gratinar.

Queijo gruyère

 

Também de origem suíça (copiado em todo o mundo), o queijo gruyère é menor que o emmenthal e os buracos são pequenos e em menor quantidade. Seu sabor é mais forte do que o emmenthal e sua textura mais cremosa. É fabricado com leite cru de vaca e cada peça tem de 20 kg a 45 kg. A casca natural é dura, seca e de cor castanho-ferrugem. A textura do queijo é ligeiramente granulosa, densa e compacta (ao mesmo tempo é flexível). Esta densidade é a responsável pela sua excelente capacidade de derreter ao gratinar. Este queijo apresenta um sabor bem complexo: no primeiro momento, frutado, mas em seguida percebe-se um sabor de nozes. O queijo gruyère tem coloração amarela, um pouco mais escura que a do emmenthal.

Como usar:

Ótimo para gratinar, ralar e no preparo da fondue. Experimente incluí-lo em sanduíches quentes (misto ou bauru), em legumes gratinados, em sopas (como na Sopa de Cebola) e molhos à base de queijo. Experimente preparar filé de frango recheado com fatias de gruyère e presunto, depois empanado e frito.

Queijo grana

 

Grana é o nome genérico dos queijos duros e granulosos que tiveram origem no Vale do Rio Pó, na época do Império Romano. Trata-se de um queijo frutado, de sabor excelente e que deve ser maturado por pelo menos 12 meses. Os granas mais famosos (protegidos pela DO – denominação de origem) são o Grana Padano e o Parmiggiano Reggiano. Tanto um como outro são conhecidos no Brasil como parmesão.

Grana Padano

 

Proveniente de Piemonte, Lombardia, Emilia Romagna, Veneto e Trentino, o grana padano é um queijo duro, elaborado com leite cru de vaca e tem a forma de um tambor pesando de 24 kg a 40 kg. Apresenta uma casca muito dura, de cor amarelo forte, de textura lisa, grossa e, normalmente, oleosa.O grana padano deve ter um gosto fresco frutado e doce (lembrando abacaxi). Um verdadeiro grana padano e em boas condições de armazenamento deve ter um gosto suave e jamais ser amargo. A parte interna do queijo deve ter uma cor amarelo-claro e de textura dura. Armazenado em condições.

Queijo pecorino

 

Pecorino é o nome genérico que se dá aos queijos feitos exclusivamente com queijo de ovelha. De origem italiana, tem características específicas dependendo da região e da forma como é produzido (os diferentes tamanhos dos grânulos, o tempo de maturação, o tipo de leite empregado e as misturas de leite). Trata-se de um queijo com boa capacidade de conservação. Há o pecorino fresco, o semicurado, o doce e o pepato (com adicão de pimenta). À medida que o queijo fica mais curado, é usado para ralar. As variações mais famosas são o Pecorino Romano, o Sardo e o Toscano.

Pecorino Romano

 

Da região de Lazio e Sardenha, trata-se de um queijo duro produzido com leite cru de ovelha, tem a forma de um tambor pesando de 22 kg a 33 kg. A casca é dura e lisa e tem uma cor que varia com a idade do queijo, começando pelo palha, passando pelo amarelo-claro até o castanho-escuro. A textura do queijo é granulosa. Demora de 8 a 10 meses para maturar, período que desenvolve seu sabor: salgado e picante, que se torna cada vez mais robusto à medida que se torna mais maduro.

Pecorino Sardo

 

Da região da Sardenha, é feito com leite cru de ovelha. Menor que o romano, tem forma cilíndrica e pesa de 1 kg a 4 kg. A casca é dura e lisa e sua cor varia com a idade, começando pelo palha até o castanho-avermelhado-escuro. A textura é granulosa e o sabor é de nozes e ervas. Há dois tipos de pecorino sardo, o doce (maturado de 20 a 60 dias, pesa de 1 kg a 2 kg e tem a massa branca e firme), com sabor delicado e não picante, e o maduro (maturado por até 1 ano), que é mais duro, seco e com textura bem granulosa. Seu sabor é salgado e picante.

Pecorino Toscano

 

Da região da Toscana, trata-se de um queijo duro produzido com leite cru de ovelha, tem forma cilíndrica e pesa de 1 kg a 3 kg. A casca varia do palha até o castanho, podendo chegar ao preto (pecorino toscano crosta nero). Entre os pecorinos é o menor e o que tem maturação mais rápida. Quando jovem, o pecorino toscano é frutado, aromático, com textura flexível e sabor de nozes e caramelo.

Como usar:

Ralado e servido em massas ou risotos, no preparo de molhos e em saladas (ralado na parte mais grossa do ralador). Na cozinha siciliana é usado no preparo das clássicas e deliciosas sardinhas frescas recheadas com uma pasta de alho e pecorino e marinadas em louro.

 

Queijo edam

 

Trata-se de um queijo de massa semidura, holandês, produzido em várias regiões a partir de leite de vaca gordo ou semidesnatado, com formato esférico (prensado na forma de uma bola) e peso médio de 1,5 kg. A casca é pouco percebida, coberta com uma cera vermelha. O ideal é consumir o edam jovem quando sua textura é ainda flexível (evite os queijos borrachudos). O sabor adocicado e suave lembra nozes. O edam revestido com cera preta significa que foi maturado por pelo menos 17 semanas. Há também os maturados por 10 meses, deixando o queijo com sabor mais forte e indicado para a culinária.

Como usar:

Queijo de mesa, pode acompanhar refeições rápidas, ser usado em sanduíches e para gratinar.

Queijo provolone

 

Fabricado com leite de vaca, é feito com massa cozida e amassada (formaggi a pasta filata, como é denominado na Itália). Originário da região da Lombardia, tem diversos formatos e o peso varia de 200 g a 5 kg. A casca é dura e fina, de cor amarela-dourada e brilhante. Em alguns casos pode ser encerada. O provolone de 2 a 3 meses é flexível e apresenta uma textura aveludada. É conhecido como provolone doce ou suave. No provolone picante se emprega o coalho de cabrito, que acelera a maturação e deixa seu sabor mais forte. Há ainda o provolone envelhecido de 6 meses a 12 anos, que apresenta uma casca bem mais dura e sabor mais forte e condimentado.

Como usar:

Para gratinar, na fondue e em petiscos (ou no tradicional à milanesa). O provolone envelhecido é ótimo para ralar e acompanhar massas.

Queijo asiago

 

Queijo italiano produzido a partir de leite cru de vaca, tem formato cilíndrico, pesando de 8 kg a 20 kg. A casca é lisa, acetinada e com uma linda cor amarela quando o queijo é jovem. À medida que envelhece ganha a cor amarelo-torrado. Existem dois tipos de queijo asiago: o Pressato, que é elaborado com leite integral e curado por 20 a 30 dias, tem cor amarelo-claro, textura elástica e seu sabor e fragrância são doces e delicados. E o Asiago d’Allevo, um queijo maturado e o preferido pelos apreciadores de asiago. Elaborado com leite desnatado, o longo processo de maturação (12 meses) resulta em um queijo frutado, levemente picante, de textura granulosa e compacta. No seu interior encontram-se pequenos buracos. Depois de maturado por 2 anos, se torna quebradiço.

Como usar:

Quando jovem é usado como queijo de mesa. Maturado, pode ser ralado para servir sobre massas, risotos ou em gratinados e saladas. Pode ser usado em sanduíches.

Queijo-de-minas

 

É o queijo mais consumido em nosso país, seja pela facilidade em produzi-lo, seja pela vasta distribuição no mercado, sem falar no seu sabor que agrada ao paladar dos brasileiros. As variedades de queijo das diferentes regiões queijeiras de Minas Gerais distinguem-se umas das outras. O leite é diferente em razão do clima, do solo, da raça e da alimentação das vacas que dá a identidade para cada queijo.

Queijo frescal

 

É o mais conhecido e consumido, principalmente por pessoas que querem perder ou manter o peso. É consumido puro, em sanduíches e com doces, como a clássica combinação com goiabada (Romeu e Julieta). Trata-se de um queijo delicado, de massa crua e que deve ser consumido até 10 dias depois de fabricado, já que sua produção envolve muita manipulação e tem elevado teor de umidade. Fabricado no sul de Minas e na Zona da Mata mineira.

Queijo-de-minas do tipo padrão

 

É firme com casca amarelada, massa interna branco-creme, buracos irregulares, sabor pronunciado e levemente ácido. Pode ser guardado sem perder as características por até 90 dias, desde que mantido sob refrigeração. Retire da geladeira de 15 a 20 minutos antes de servir para que o queijo recupere a consistência e sabor originais.

Queijo meia-cura

 

Também chamado de semicurado, é um queijo com características entre o queijo-de-minas padrão e o queijo prato. Seu tempo de cura é maior do que o minas padrão e varia de acordo com o fabricante. Sua massa é macia, amarelada e contém maior teor de gordura.

Queijo brie

 

Originário de Ile-de-France é elaborado com leite cru de vaca. As duas principais variedades, ambas com denominação de origem, são o brie de Meaux e o brie de Melun. O primeiro tem textura macia, mas firme (sem derreter) e tem aroma e sabor de cogumelos. Quando está bem curado, tem sabor forte, mas não picante. O brie de Melum tem sabor mais pronunciado e é um pouco mais salgado. Quando curado, sua textura quase derrete, o aroma é penetrante e o sabor, forte.

Como usar:

Somente como queijo de mesa. Sirva acompanhado de pães diversos, incluindo o sueco.

Queijo ricota

 

De origem italiana, a ricota é produzida a partir do soro de leite de vaca (bem poucas são elaboradas com soro de leite de ovelha). Quando se faz o queijo, o leite deve ser antes coagulado, separando a parte sólida (massa para fazer queijo) da líquida (soro). Nessa separação, a parte líquida ainda contém um pouco de sólido, que pode ser recuperado. Para isso, ferve-se o soro e a parte sólida (pequenos pedaços brancos) vem à superfície. Em seguida, essa mistura é coada, resultando num produto mole, esbranquiçado, que nada mais é do que a ricota. Uma ricota de boa qualidade deve ser firme, mas jamais sólida, e não deve esfarelar (a verdadeira ricota derrete na boca). Pedaços grosseiros de coágulos resultam num produto de qualidade inferior. Evite as ricotas de textura granulosa e arenosa e as que apresentam umidade excessiva. Existe ainda a ricota defumada, usada para ralar.

Como usar:

De sabor bem suave, a ricota pode entrar na composição de recheios de massas e pastéis, na elaboração de sobremesas e para fazer pastas para canapês.

Queijo camembert

 

Originário da região da Normandia, é produzido com leite cru de vaca. Em outras regiões pode ser feito também com leite pasteurizado. O formato é arredondado e pode pesar até 250 g. A casca apresenta uma crosta branca de bolor, que deve ser fina. À medida que o queijo matura, a casca ganha pigmentos coloridos (vermelhos, caramelo e amarelos) e o sabor e o aroma se intensificam. Tem textura macia muito agradável, aroma e sabor delicados e característicos. O original da Normandia apresenta sabor mais picante.

Como usar:

Somente como queijo de mesa. Sirva com pães diversos.

Queijo caciocavallo

 

Feito com leite cru de vaca, tem formato de cabaça, onde a parte mais estreita é usada para amarrar um barbante para pendurar o queijo. Pesa de 2 kg a 3 kg e tem elevado teor de gordura. A casca é lisa e oleosa. Aos 3 meses, tem sabor levemente doce e textura mais flexível, mas pode ser maturado por até 2 anos, quando pode ser ralado. O interior é amarelo-brilhante, a textura é fechada e o aroma, intenso.

Como usar:

Queijo de mesa, pode ser usado em sanduíches (frios ou quentes) e em gratinados.

Queijo cottage

 

De origem norte-americana, é elaborado com leite de vaca e apresenta massa ácida, de cor branca, sem forma e de textura cremosa e grumosa. Tem, no máximo, 15% de gordura, sendo ideal para quem faz dietas de controle de peso. Há marcas que possuem 5% de gordura (o menor teor entre os queijos).

Como usar:

Para acompanhar o pão, substituindo a manteiga, em saladas e para preparações mais leves e com menos gordura.

Cream cheese

 

De origem norte-americana, é feito com leite de vaca. O sabor é suave, tem textura cremosa e levemente aveludada e um gosto fresco, ligeiramente ácido. As versões feitas com leite integral têm uma riqueza de sabor conferido pela gordura da nata. Já as versões desnatadas têm uma textura um pouco granulosa, devido à adição de leite em pó.

Como usar:

Para servir com pão ou com torradas em substituição à manteiga, temperado com ervas e servido como patê, para fazer molhos cremosos, para rechear panquecas ou em sobremesas, como o cheesecake.

Queijo Feta

 

De origem grega, é tradicionalmente feito apenas de leite cru de ovelha (mas pode ser feito de leite de cabra ou uma mistura dos dois). Nas versões industrializadas, se utiliza o leite de vaca pasteurizado. Apresenta textura firme, macia e esfarelada e sabor acentuado.

Como usar

Acompanhado de pão, em saladas e em recheios.

Queijo parmiggiano

 

Originário de Modena, Parma, Reggio Emilia, zonas de Bolonha e Mântua, é um queijo duro, elaborado com leite cru de vaca e tem a forma de um tambor pesando de 24 kg a 40 kg. O controle de qualidade é tão grande, que as vacas que produzem o leite para a sua produção só podem alimentar-se de grama fresca, feno ou alfafa. Dessa maneira, garante-se um queijo de excelente qualidade. Apresenta uma casca muito dura, grossa, brilhante e tem uma cor que vai do amarelo ao alaranjado. O parmiggiano reggiano tem um aroma doce e frutado (lembrando abacaxi). Tem um sabor forte, robusto, encorpado e rico, mas jamais demasiadamente forte. Pode ser guardado durante meses e meses na geladeira.

Como usar:

Queijo de mesa, servido em lascas como entrada. Ralado ou em lascas, entra em molhos, massas, risotos, sopas e saladas. Poder ser ralado e guardado no congelador (é melhor do que comprar o queijo ralado industrializado, que nem sempre tem um sabor agradável).

Mascarpone

 

De origem italiana, é cremoso, apresenta textura macia e homogênea e contém alto teor de gordura. Apesar de suas características, o mascarpone não pode ser, tecnicamente, definido como um queijo (está mais próximo de um creme). É obtido a partir da nata (que é aquecida), à qual se adiciona ácido cítrico ou tartárico, que provoca a coagulação, dando origem ao mascarpone.

Como usar:

Em sobremesas (como no clássico tiramisù), pratos cremosos, recheios e molhos. Pode ser substituído por uma mistura de ricota e creme de leite, embora o resultado não seja o mesmo.

Queijos e vinhos sem conflito

 

Apesar de ser esse um hábito antigo, a mistura não é tão simples quanto parece. O vinho errado pode matar o sabor do queijo. O contrário também é verdadeiro. Veja algumas sugestões de harmonização:

Queijos frescos

 

Muito apreciados pelo paladar nacional, os queijos frescos são ideais para iniciar uma reunião e pedem vinhos brancos frescos, secos, com boa acidez e aromáticos, como o Gewürztraminer, Riesling, Moscatel e Malvasia.  A maioria dos queijos cremosos de leite de cabra também casam perfeitamente com esses vinhos.

Queijos macios

 

Tanto o brie quanto o camembert combinam com vinhos brancos estruturados, como um Chardonnay que tenha permanecido em barrica de madeira por algum tempo. Um Sancerre é outra alternativa de primeira. Tintos leves, pouco tânicos, como os do Vale do Ródano, os conhecidos Côtes du Rhône, ou um cru Beaujolais, são outros exemplos de boa companhia. Na Normandia, região de origem do camembert, acompanha-se esse queijo com goles de calvados, destilado feito de maçã, assim como a sidra, o fermentado da mesma fruta. Um camembert maduro e de boa procedência não fará feio se for saboreado com um champanhe.

Queijos azuis

 

O sabor complexo e picante do roquefort combina com um Sauternes, vinho francês de sobremesa de alta concentração de açúcar. Com um Tokaji húngaro, o resultado também será agradável. No caso do italiano gorgonzola, a combinação clássica é um tinto leve como um Valpolicella nobre, um Barbera ou Bardolino. Arrisque também com um Passito di Pantelleria, o vinho licoroso da Sicília. Você verá que não fica nada mal. Outra possibilidade é abrir um Moscatel português.

Queijos semiduros

 

Queijos como o emmenthal, o gruyère e o queijo-de-minas curado e semicurado ficam bem com tintos leves, no máximo de médio corpo, como um Côtes du Rhône, um Pinot Noir ou um Beaujolais (feito com a uva Gamay, já há versões brasileiras), todos poucos tânicos. Também vão bem com alguns italianos mais leves como o Barbera e o Dolcetto. Podem ser bons parceiros brancos secos como os Chardonnays estruturados que permaneceram em barricas de carvalho. Os holandeses gouda e edam e o italiano asiago têm sabor mais pronunciado e pedem vinhos potentes, como os da uva Shiraz – não a casta original francesa Syrah, mas sua variação espalhada pelo Novo Mundo (Austrália, África do Sul, Argentina). Também formam ótima parceria com um Rioja Reserva, um Cabernet Sauvignon proveniente do Chile ou mesmo um Tannat uruguaio. O provolone pode ser associado com um Chianti Clássico, tinto da Toscana, ou um outro tinto de médio corpo. A mussarela funciona bem com um tinto leve ou de médio corpo.

Queijos duros

 

Em geral, esses queijos são reservados para a seqüência final, uma vez que com sabor demasiadamente marcante, acabam ofuscando os demais. As virtudes de um parmiggiano reggiano ou de um grana padano são ressaltadas com tintos potentes como um Cabernet Sauvignon Reserva chileno, um Amarone della Valpolicella ou um Zinfandel californiano encorpado. O pecorino vai bem com vinhos de médio corpo. Vale provar com um Malbec argentino, por exemplo. O Malbec traz uma doçura que produz um interessante contraste com esse queijo.

Uma opção interessante é contrariar a regra clássica de aproximar queijos duros e salgados de vinhos encorpados. Experimente prová-los com vinhos generosos, como um Porto ou Madeira. A mesma sugestão se aplica ao provolone. A bebida licorosa rompe com o gosto de defumado desse queijo.

Como harmonizar uma tábua de queijos:

Houve uma época em que os queijos eram servidos no lugar da sobremesa nos países europeus. Até hoje, os queijos costumam ser servidos para finalizar a refeição (antes ou depois da sobremesa) em países como França, Grã-Bretanha e Itália. Saiba como escolher os queijos e acompanhamentos para compor uma tábua de queijos, seja para terminar uma refeição ou para servir como aperitivo.

Como escolher os queijos:

O primeiro passo é escolher as categorias de queijo de sua preferência. Não é necessário ter queijos de todas as categorias, mas é interessante incluir queijos de diferentes texturas e sabores, dos suaves aos mais fortes (inclua pelo menos um de leite de cabra ou de ovelha). É importante também ter uma variedade de cores e formatos (evite servir todos no mesmo formato). Se possível, use facas próprias para queijos e jamais espete-os com um garfo no momento de cortar.

Para acompanhar:

Os bons queijos deveriam ser degustados ao natural, sem nenhum acompanhamento. Portanto, ao escolher itens para acompanhar uma tábua de queijos tenha em mente que o sabor deve ser sutil e não pode mascarar o ingrediente principal. Veja algumas sugestões:

Pães frescos, de casca crocante e sabor neutro, para não “brigar” com o queijo. Nada de pães com frutas secas, nozes, tomate ou azeitona.

Frutas da época também podem ser incluídas. Mas evite as de sabor mais ácido (limão, abacaxi, kiwi) e as muito doces. As mais indicadas são maçã, pêra, uva e figo.

Frutas secas, como uva passa, damasco, ameixa e figo, combinam muito bem com queijo, principalmente os duros, como o parmesão e o pecorino.

As frutas oleaginosas, como noz, castanha de caju, castanha-do-pará, amêndoa e avelã, também são bons acompanhamentos.

E agora 2011, o que a gente faz?

Eu amo finais de ano. Reveillon é a festa que mais gosto de todas! O que ela tem demais? O fechamento de um ciclo. Querendo ou não, o ano acaba e começa outro, simples assim. E se ainda que fosse só por isso, já me valeria.

Mas não é só isso, tem toda uma atitude que muda junto com uma virada de ano, tem esperança, tem fé contagiosa que a vida vai melhorar. É a única época que conheço que há um consenso que mudar é melhor, é a única ocasião que ninguém sente medo da mudança, consciente ou inconscientemente. Compartilhar essa atitude não é o máximo?

Não sei porque não somos assim o ano inteiro, nem vou entrar nessa discussão porque é inútil. Mas o fato é que nas viradas de ano nós somos, eu pelo menos sou.

Daí chega janeiro, começa ainda meio tumultuado, todo mundo de dieta ou de ressaca! Mas logo o mês engrena e me bate um tipo de síndrome de segunda-feira, algo como o domingo acabou, agora é trabalhar para realizar alguma coisa.

A gente olha em volta e tem milhões de desgraças acontecendo, todo ano é isso. Talvez seja assim no restante do ano também, mas eu noto mais em janeiro. Acho que é porque estou naquela energia tão positiva, que tendo aos contos de fadas, coisa que a vida real está longe de ser. Por isso o contraste é mais forte.

Fico sempre no dilema de querer ajudar, mas ao mesmo tempo, com uma vontade enorme de não querer saber, de não querer me informar nem me contagiar com má notícia. É egoísta pacas, não é o que faço, mas é o que sinto. Como se a gente pudesse dormir e acordar no dia primeiro em outro planeta, mudado, em paz.

Sei lá porque, mas nossa felicidade nunca é individual, sempre depende da felicidade alheia, em maior ou menor grau. É realmente impossível ser feliz sozinho. É sem graça. Pessoas pelo mundo, sejam felizes! Assim posso ser também!

Enfim, as graças e as desgraças continuarão acontecendo apesar das minhas vontades, então, o que realmente posso fazer? Vida real! Nem sempre tão bem vinda, mas é a que tenho, que venha assim mesmo e a gente vai tentando deixá-la melhor e mais divertida. Até que ela fica.

As cartas estão na manga, esperando a hora do bote. Aliás, já está me faltando manga para tantas cartas, que saudade de um bom jogo, parece que só jogo paciência! Chegou 2011, quase entramos fevereiro, estou aqui cheia de vontade e sem muito o que começar. Ando meio de saco cheio de fazer planos, quero definições. Agora acho que falta pouco e espero não ter enferrujado demais, mas tenho a impressão que não.

De qualquer maneira, estou otimista ou sou. Expectativas são problemáticas, mas se as coisas ainda não aconteceram, melhor acreditar que podem dar certo. Ainda tenho um gostinho de reveillon na boca, por que não aproveitá-lo?

Blind copy, essa função tão esquecida…

Pois é, quando a gente quer enviar um e-mail, na hora de eleger os destinatários da mensagem, existe a opção de teclar em “Bcc”, o que chamamos de blind (carbon) copy ou, em português, cópia oculta.

É uma maneira de você preservar o nome e o endereço de e-mail de seus amigos que não precisam ter suas informações expostas para quem não conhece. Simples, não? Todo mundo já não sabe disso?

Acontece que a essa altura do campeonato ainda tem gente que envia mensagens para grupos enormes e de pessoas que não se conhecem entre si, com os endereços todos à mostra. Costumam ser aqueles power points deliciosos com correntes ou mensagens de anjinhos com letras que caem vagarosamente na tela até te matarem de tédio!

Muito bem, mas vamos aos fatos, porque exemplos reais são muito mais interessantes. Hoje recebi uma dessas mensagens com um montão de desconhecidos copiados em aberto, até aí, normal. Acontece que na sequência veio uma resposta, também para todo mundo copiado em aberto. A mensagem inicial era uma dessas pedindo ajuda por causa das chuvas, algo aparentemente bastante ingênuo, e a resposta foi literalmente essa abaixo:

“Não vejo por que vc passar email pra mim e pro amante da Katia – ivan … provocação?
 
Vai cuidar da sua familia e esquece a minha , ja chega a destruição q vc provocou na minha familia. 
 
Mas vc não me esquece né ?
 
Uma coisa pra vc se ocupar: Como se joga futebol sem sujar as meias ? Isso sim é problema seu.
 
Ps. Para de falar de mim pro Thiago. Me esquece.”

Ops! Que barraco!

Veja bem, pensei em poupar o nome das pessoas envolvidas, mas se ninguém poupou meu endereço de e-mail, acho que não tenho motivos, não é mesmo? Até porque, feliz ou infelizmente, não conheço ninguém envolvido no barraco! Mas busquei nos destinatários e havia “Katia”, “Ivan” e “Thiago”, que suponho serem os citados na mensagem.

Se a pessoa que enviou a primeira mensagem tinha realmente a intenção de provocar, não sei. Meu palpite é que simplesmente nem notou que estava copiando inimigos, digamos assim. Porque até hoje as pessoas não param para pensar que quem recebe um e-mail se dá ao trabalho de ler quem são os outros destinatários. E olha a confusão armada!

Tudo isso seria evitado se lá atrás alguém tivesse se lembrado de colocar o raio da cópia oculta! E veja bem, isso em uma mensagem pessoal, imagina se fosse em uma empresa? Conheço casos verídicos de gente que foi demitida!

Por outro lado, meu dia teria sido bem menos intrigante. Porque agora, como é que vou sobreviver sem saber o que a Katia fez com o Ivan? Como se joga futebol sem sujar as meias?  E quem diabos é Thiago?

Istanbul (ou Estambul) em três dias

Em teoria seriam cinco dias, mas chegamos no dia primeiro de janeiro de 2011, pelas dez da noite, e ainda por cima nos curando de uma ressaca daquelas pela festa de reveillon. Fomos embora no dia 5 pela manhã. Ou seja, na prática, para conhecer a cidade mesmo, foram três dias inteirinhos. E sim, deu para fazer bastante coisa. Os turcos escrevem Istanbul, os espanhóis Estambul, não sei como se traduziu em português, então preferi a versão turca.

Ficamos hospedados no hotel Ceylan Intercontinental, localizado na praça Taksim. Quem reservou tudo foi meu irmão, fui de convidada e me dei muito bem. Logo no check in, o recepcionista nos deu um upgrade e ficamos em uma suíte enorme, com vista para o estreito de Bósforo.

Achei o máximo esse negócio de ficar na Europa com vista para a Ásia! Já havia ficado em locais com vista para o mar, para montanha, etc. Mas foi a primeira vez que fiquei com vista para outro continente.

 

Muito bem, como disse, chegamos um pouco tarde na cidade e ainda tinha álcool circulando pelo meu cérebro da noite anterior. Portanto, preferi tentar dormir logo e me preparar para o dia seguinte. Uma amiga nos acompanhou nessa viagem e ficou em um hotel bem próximo ao nosso. Ela e meu irmão ainda tiveram energia para ir ao bar do hotel um pouco mais. Devia estar bom, porque tinha música ao vivo e uma vista panorâmica da cidade. Enfim, não me arrependi da minha escolha, o dia seguinte agradeceu.

Amanheceu com sol, o único dia que não tivemos chuva na viagem. Como sabíamos dessa previsão, aproveitamos para logo fazer um tour de barco por Bósforo. Uma boa parte dos barcos parte de Eminonu, logo após a ponte, na entrada da parte antiga da cidade.

 

Achei que valeu o passeio, não é que mostre nada demais, mas é poético você ter a sensação de estar navegando entre dois continentes. Enfim, essa dialética de mundos diferentes tão próximos povoou minha cabeça por toda a viagem.

 

Passei muito pouco tempo na cidade para ter conclusões definitivas, mas me passou a impressão de mescla, de mistura e tolerância entre culturas orientais e ocidentais. Um pouco diferente de Dubai, por exemplo, onde sim, existe a tolerância e você vê diferentes culturas no mesmo espaço, entretanto, elas não se misturam, só estão no mesmo espaço. Em Istanbul, tive a impressão que sim, se misturavam, não se perdiam, mas conviviam e partilhavam.

Do que tive acesso, achei a cidade bonita, limpa e segura, inclusive para uma mulher sozinha. Agora, sempre bom manter o respeito, ninguém precisa abusar para ver o que acontece. Quanto ao idioma, falando-se em inglês, pelo menos nos locais mais turísticos, é possível conseguir quase tudo. E para quem quiser aprender um pouquinho: obrigada = tesekkür (techêcur); por favor = lütfen; ok = tamam; e sim = evet.

O transporte público é bom e simples. Há um metrô de superfície que te leva a maioria dos pontos importantes e custa o equivalente a uns 30 centavos de euro. Taxi, fora da parte antiga da cidade é tranquilo e não é tão caro. Dentro da cidade antiga, não querem cobrar no taxímetro e vai custar os olhos da cara!

Mas seguindo nossa viagem, o primeiro lugar que visitamos foi o Palácio Topkapi. O lugar é enorme e até vale a visita, mas melhor ficar atento, porque há mais de um portão para as suas atrações, digamos assim, e em cada um você paga uma entrada separada. Achei meio confuso. Logo no início, você acha que está comprando a entrada para o palácio, mas depois descobre que é para o museo arqueológico. Enfim, se estiver atento a esses detalhes, não acredito que haja nenhum problema.

 

Próximo ao palácio, há duas mesquitas que valem a viagem, a Sultanahmet Mosque (Mesquita Azul) e Hagia Sophia (Haya Sofia). Ambas tem arquitetura impressionantes e tem belezas diferentes de acordo com a iluminação do dia.

A Mesquita Azul é usada para orações até hoje. Portanto, há horários de visita, para turistas, e horários para as orações e são rígidos. Acho que a última entrada para visitantes é por volta das 16h30. Além desses horários, só quem realmente vai rezar pode entrar. E pode acreditar, eles sabem muito bem quem é curioso e barram a entrada mesmo, sem um pingo de tato ou simpatia. Em teoria, turistas ou fieis, as mulheres devem entrar de véu na cabeça (pode ser uma echarpe ou um pano, simplesmente ter a cabeça coberta em sinal de respeito). Entretanto, nos horários de visita, às vezes eles fazem vista grossa com as turistas. De qualquer maneira, nos arredores tem comércio e você pode comprar um lenço por uns 5 euros. Todos devem tirar os sapatos e oferecem bolsas de plástico na entrada para eles.

 

A Haya Sofia é mais liberal. Pelo que entendi, já não é mais utilizada para orações. Por isso, seu horário de visitação também é bem mais flexível. Excepto quando fecha um dia na semana, se não me engano, nas segundas-feiras. Vale a visita, achei até mais interessante que a Mesquita Azul.

 

Pausa para compras?

Há dois bazares interessantíssimos, o Grand Bazaar e o Spice Bazaar.

O Spice Bazaar, como indica o nome, é especializado em temperos. Para mim, que sou uma glutona, é imperdível. Mas mesmo para quem não é tão ligado em cozinha, vale pelos aromas e cores. Ali, como em qualquer outro lugar em Istanbul, você tem que barganhar o preço das mercadorias ou se sentirá um idiota em seguida.

 

O Grand Bazaar é uma cidade! O tamanho é realmente impressionante! Jóias, luminárias, roupas, bolsas, marcas falsificadas (perfeitas!), comidas… tem de tudo! É de se perder lá dentro! Felizmente, adquiri em Marrocos a capacidade de passar por essas lojas com o olhar no horizonte, só na visão periférica, então é tranquilo. Mas se parar, perguntar ou olhar diretamente, vão te encher o saco até você comprar. Você pode negociar bem ou mal, mas jamais negociará melhor que um turco, então, relaxe!

 

Comemos bem na cidade, não tivemos problemas. Até no próprio Bazar almoçamos sem nenhuma consequência malévola, pelo contrário, o tempero excelente e a comida bem honesta.

 

O meu lugar favorito da viagem foi a cisterna de Yerebatan. Impressionante! Construída no ano de 532, é a maior das 60 cisternas construídas em Istanbul na época Bizantina. Era o local onde se depositava a água trazida do aqueduto de Valente. Foi utilizada até o século XIV e restaurada a meados do século XIX, já que durante muito tempo, na época otomana, não foi utilizada. Para sua construção, se usaram diferentes tipos de colunas romanas de épocas diferentes. São 336 colunas repartidas em 12 fileiras e situadas a 4 metros umas das outras. Falamos de uma área de 10.000 m2 e 8 m de altura, abaixo do solo. Em 1987, após restaurações realizadas, foi aberta ao turismo. Duas das colunas chamam mais atenção, pois reposam sobre cabeças de Medusa. Não sei exatamente porque, mas a sensação de estar nela é muito boa e de paz, poderia ficar ali embaixo o dia inteiro.

 

A grande maioria dos locais a serem visitados está nessa parte antiga da cidade, mas também bateu uma certa curiosidade de pelo menos colocar no pézinho na Ásia, né?

Pegamos um barco, atravessamos Bósforo e chegamos na estação de Üsküdar. Realmente, parece mais residencial, não há muito o que visitar. Talvez se o tempo estivesse melhor, tivéssemos passeado um pouco a pé. Mas com chuva tudo se complica. Pegamos um taxi e fomos até o Palácio Beylerbei. É legal, mas valeu mais o passeio por dizer que fomos a Ásia do que qualquer outra coisa.

 

Quanto à vida noturna, o que vi de mais animado foi pela praça de Taksim, mais especificamente, na avenida Istiklal. É cheio de bares e restaurantes, alguns deles com música ao vivo e um ambiente bastante animado. Vi de fora algumas discotecas também, mas não cheguei a entrar.

 

Um show de “música e dança”, por falta de melhor descrição, que não se deve perder é dos Sufis. Fica no Press Museum (Basin Müzesi) info@istanbuliveproduction.com, custa $35 libras turcas e dura cerca de uma hora. A música tradicional Sufi contém algumas das mais importantes composições da música clássica turca, desenvolvidas através dos séculos com as cerimônias Mevlevi. Nesse concerto, eles realizam a cerimônia Sema, como uma maneira de alcançar êxtase religioso. Para facilitar, visualmente falando, são aqueles homens vestidos de branco, com saias longas e um chapéu comprido, que giram com a mão direita direcionadas para o céu (para receber as bençãos divinas) e a mão esquerda para terra. Giram da direita para esquerda, ao redor de seus próprios corações. Enfim, é um espetáculo simples, mas místico e tocante.

 

Para finalizar o passeio, ou em qualquer momento que preferir, outra dica imperdível é o Hamman, ou banho turco. Há alguns espalhados por Istanbul, o mais conhecido é o Çemberlitas. Fica na cidade antiga e há uma estação do metrô de superfície justo em frente.

É simplesmente o máximo! Principalmente se você já está cansada de caminhar e afim de dar uma relaxada. Homens e mulheres são separados, afinal é no esquema peladão mesmo, melhor não guardar muitos pudores. O ambiente é bom e familiar, não rola constrangimentos, pelo menos do lado das mulheres que foi o que conheci. Você vai para o Hamman, uma espécie de sauna, mas em um salão enorme com o teto em abóbada e um tipo de mesão imenso em mármore branco onde a mulherada deita. Depois chegam umas senhoras que dão banho (literalmente) na gente. Na verdade, fazem um tipo de esfoliação com muita espuma e muita água e lavam nossos cabelos. Francamente, você se sente uma princesa! Dali a gente fica relaxando em uma piscina de água quente ou nesse salão e depois vai para uma massagem. Quer dizer, você pode fazer só o banho, mas comprei pacote completo. Depois você pode ficar tomando um cházinho, relaxando e batendo papo até a hora de ir embora. A estrutura é muito boa, você recebe as toalhas limpinhas, tem secador de cabelos para depois, enfim, recomendadíssimo! Saí de lá pisando em nuvens, outra pessoa.

Infelizmente, nosso tempo acabou e ainda fiquei com gosto de quero mais. Definitivamente, é uma cidade que quero voltar.

Escrever e coçar é só começar…

Será? Espero que sim, porque ando bastante enferrujada nesse sentido. Não sei se é fase, mas perdi um pouco a ansiedade de escrever para concretizar os fatos, talvez esteja pensando menos ou com menos vontade de pensar.

Tenho caminhado pouco também e para mim há uma relação direta entre caminhar e pensar, consequentemente, em escrever. Até tenho andado bastante, mas sempre ocupada ou viajando, portanto, o foco é para fora e não para dentro. Não é mau nem bom, só estou tentando entender porque de repente a escrita perdeu a prioridade na minha vida.

Então, resolvi escrever sem vontade mesmo, quem sabe assim vou pegando no tranco.

Meu irmão chegou na noite de Natal, literalmente. Luiz foi buscá-lo no aeroporto enquanto eu terminava os últimos preparativos para a Ceia. Fizemos o Natal dos exilados aqui em casa. Quem não tinha família em Madri, ou onde passar, foi bem vindo. Achei que viessem umas dez pessoas, vieram umas vinte. Achei bom, mais animado, além do que, comida e bebida sempre tem de sobra.

No dia seguinte, não acordamos tão tarde, demos uma voltinha pela cidade, arrumamos a casa e as malas e, logo no dia 26 de dezembro, partimos para Andorra. Luiz, meu irmão, eu e nosso gato. Adoro Andorra, tenho uma simpatia especial pelo lugar e foi bom para dar uma relaxada e esquiar um pouco. Também era uma oportunidade para meu irmão conhecer outro país.

Para ser sincera, nem lembrava mais como esquiar, havia me esquecido os movimentos e a sensação. Para mim, em relação a esquiar, é sempre assim, nunca consigo partir de onde parei e evoluir diretamente; preciso dar um passo atrás e logo evoluir. Assim que as primeiras baixadas me custaram um pouco, além de haver cometido a burrada de esquecer de apertar as botas e acreditar que não lembrava mais como controlar os esquis. Quando esse problema foi detectado, ganhei confiança e topei baixar com Luiz de uma pista maiorzinha.

A primeira descida comecei bem, dei uma travadinha no meio, mas fui me lembrando o que tinha que fazer e já cheguei animada. As outras descidas foram enfurecidas e uma delícia! Pena ter sido tão pouco tempo, pois senti que poderia melhorar novamente. Mas pelo menos funcionou como aquecimento para o carnaval, quando o plano A é ir esquiar na Áustria.

Voltamos a Madri para passarmos o reveillon por aqui, chegamos no dia 29 à noite. Não paramos um minuto e já emendamos na balada madrileña, afinal, meu irmão não ia descansar em euros, né?

A festa de Ano Novo foi na casa de uma amiga e também foi bem animada, com direito a tamborins, queima de fogos e tudo. O interessante é que foi o reveillon dos irmãos, onde três deles, incluindo o meu, apareceram pela Espanha sem haver programado com muita antecedência. Claro que chutamos o balde! Nós nem procurávamos mais os nossos copos, e sim nossas garrafas!

Resumo da ópera, chegamos em casa pelas 5 da matina.

O que não seria nenhum problema, caso não precisássemos estar no aeroporto ao meio dia, rumo à Turquia! Embarcamos meu irmão, uma amiga e eu para Istanbul (ou Estambul, se preferirem). Os três numa ressaca de dar gosto! Não aceitei nem o vinhozinho do serviço de bordo!

Chegamos sãos e salvos na cidade. Aliás, adorei Istanbul! Vale uma crônica só do local com dicas e fotos, vou tentar fazer isso em breve. O hotel que meu irmão escolheu era o máximo! Nada mais, nada menos que um janelão para o canal de Bósforo. Ou seja, fiquei na Europa, com vista para Ásia.

Dia 5 de janeiro, voltamos para Madri e emendamos com a despedida dele, na mesma noite, no El Junco, com os amigos daqui. De quebra, ainda chegaram uns amigos de São Paulo, que se juntaram a nós nessa mesma noite.

Dia seguinte, meu irmão embarcou para o Rio, fomos levá-lo ao aeroporto às nove da madrugada! Eu nem era uma pessoa ainda!

Mas está pensando que acabou? Lembra que chegaram amigos de São Paulo? Pois é, eles só passariam o dia 6 em Madri e se não aproveitássemos para sair nesse dia, sabe lá quando a gente se veria outra vez. Então, ânimo e energia que tem mais!

Passeamos com eles pelo centro da cidade, para mostrar um pouquinho e jantamos no Botín. Afinal, como todos turistas que chegam a Madri, queriam ir ao restaurante mais antigo do mundo. De qualquer maneira, era dia de reis e boa parte dos outros restaurantes estava fechada, assim que foi uma boa opção. Apesar de um pouco cansada, foi ótimo também sair com eles.

Na sexta-feira, finalmente, um dia sem hora para acordar e sem compromissos para cumprir. Quer dizer, mais ou menos, né? Porque me aguardava um faxinão daqueles! A glamurosa volta de viagem… Tudo bem, se tem que fazer, então tem que fazer e pronto. Aproveitei e já dei uma limpa no armário e comecei a zerar a casa para 2011.

Sábado, vacinamos o Jack. É importante para um gato tão internacional, que precisa viajar a qualquer momento, ter sua carteira de vacinação em dia. Ele sempre fica meio molinho nesse dia e dá pena da gente sair. Só fomos jantar perto de casa e voltamos logo.

Pouco depois de voltar do jantar, toca o telefone. Meu primo avisando que chegaria no dia seguinte, na verdade, ao todo seis pessoas, sendo duas crianças. Pelo que entendi da história, eles vinham almoçar conosco, mas não era certo que dormissem na cidade.

Muito bem, chegaram no domingo por volta do meio dia. Passeamos o dia todo e no fim da tarde fomos com eles ao Xanadú, para mostrar a pista de neve artificial. Mas realmente, não dormiram em Madri, voltaram pelas 22h para um hotel em Segóvia, de onde partiriam no dia seguinte pela manhã.

Hoje é segunda-feira, 10 de janeiro, a primeira do ano em que pareço voltar a alguma rotina. Daqui a pouco quero ver se consigo me matricular no Pilates novamente. Preciso de ajuda para me livrar dessas gordurinhas de festas de fim de ano que não me pertencem!

E que 2011 venha com tudo de melhor! Para mim, chegou com família, amigos, temperos variados e viagens, o que me parece um ótimo preságio!

Natal

Venho por meio desta, explicar que ando sumida do blog por motivos de força maior: uma preguiça monstra de escrever por aqui!

Tudo vai bem e nesse momento termino de deixar as coisas encaminhadas para o banquete de Natal. É lógico que exagerei! Mas não é assim que tem que ser?

Até agora, tenho no cardápio: mini kibes, foie gras, salada de beterraba com azeite de baunilha e molho de yogurte, salpicão de frutos do mar, vieiras crocantes, casquinha de siri, arroz de côco, lombinho recheado de damasco e coberto com presunto cru, pernil com molho reduzido de porto, filet Wellington e tarte tatin. Isso, sem falar no que os convidados irão trazer de queijinhos e sobremesas.

Meu irmão decidiu vir e chega no dia 24 de dezembro mesmo. Passaremos Natal em Madrid, viajaremos Luiz, ele, Jack e eu para Andorra no dia 26, para tentar esquiar um pouco e voltamos para o Reveillon. Logo depois da festa, no dia primeiro, embarcamos meu irmão e eu para Istambul e ficaremos até dia 5 de janeiro. Ele volta ao Brasil no dia 6. Ou seja, a programação promete.

Assim que não sei quando terei tempo para sentar e contar tudo, mas imagino que só depois da volta de Istambul. Mas prometo que daí não passa!

Um Feliz Natal para todos e que 2011 venha cheio de sucesso e realizações! Obrigada a quem compartilhou comigo esse ano, ainda que virtualmente, e me ajudou a tornar nossas as minhas experiências, partilhando elas se tornam maiores e mais interessantes. E se alguém puder pular umas sete ondinhas por mim em alguma praia quentinha, agradeço muito! No máximo, conseguirei pular sete montinhos de neve! Afinal, independente do seu estado, água é água, né?

Até breve e boas festas!

Comer em Madri na madrugada

Uma das coisas que costumo reclamar por aqui é da falta de opções de onde comer na madrugada. Porque as noites são bastante longas e animadas, mas nos bares e danceterias só há bebidas e saímos dos lugares simplesmente famintos!

Eventualmente, se abrem opções que vão até um pouco mais tarde, como pelas 3 ou 4 da manhã, mas logo alguém liga para fiscalização e o lugar some.

Pois bem, notívagos famintos de plantão, há pouco tempo abriu bem perto da estação Tribunal, um lugar chamado Papizza, que fica aberto por toda a noite, até às 8 da manhã. É legal, no sentido da lei, ou seja, em princípio não corre o risco de ser fechado após uma denúncia e a pizza é bastante honesta. Fica na Calle de Fuencarral, 80. Logo em frente, abriram outra pizzaria que não lembro o nome, mas com conceito parecido. Pessoalmente, preferi a massa da Papizza, mas isso é uma questão de gosto.

De qualquer maneira, fica dada a dica. Pintou a fome do fim de noite, pode baixar pela estação Tribunal que há o que comer bem quentinho e rápido! O dia seguinte agradece!

O último dia do estágio

Passadas duas semanas de trabalho, percebi que já não havia grandes novidades, ou pelo menos, nada que eu percebesse que fosse aprender. Vou ser sincera, fui para Paris no espírito de absorver e aprender o máximo possivel, mesmo que isso incluísse algumas roubadas, afinal, não da para escolher só a parte legal do trabalho. Mas não tenho mais 18 anos nem preciso tanto assim para encarar roubadas sem maiores retornos. Com esse pensamento, conversei com meu amigo francês para ver se a gente achava alguma outra alternativa dentro desse periodo que tinha disponível. Como por exemplo, algum restaurante.

Mas me dispus a cumprir os compromissos assumidos na última semana. Bom, na minha cabeça era a última, mas não havia ainda conversado com o chef. Para variar, a comunicação foi difícil e confusa, mas ficou combinado que eu me encontrava com ele na saída do metro, às 15h30, e de lá íamos trabalhar em um jantar. Não ficou claro se era mis en place… se era direto no local do jantar… para quantas pessoas… enfim, o de sempre, mas também já estava sem saco de ter que espremer informação a conta gotas.

Pelas 14h, ele me ligou dizendo que estava atrasado e transferiu nosso compromisso para às 17h30. Putz, outro dia que poderia ter aproveitado em algum curso ou outra coisa e fiquei de plantão esperando. Tudo bem, vai.

Cheguei no local combinado um pouco antes. Como Murphy nunca falha, estava uns 3 graus e chovendo de maneira intermitente. Cassilda, esperar na rua assim é um saco, mas vá lá, queria encerrar a coisa direito. Resumindo a ópera, uns 15 minutos de espera, liguei para ele para saber se estava vindo ou se me abrigava em algum lugar. Ele não atendeu. Meia hora de espera liguei outra vez e ele disse que estava a caminho, ainda que o telefone não soasse como alguém que estivesse sequer na rua. Quarenta e cinco minutos depois, sem exagero, enchi meu saco e fui embora. Depois fiquei sabendo que ele chegou com uma hora de atraso. Vamos lembrar, eu estava em pé na rua, na chuva e no frio.

Nesse período em que eu voltava para casa, ele ligou para meu amigo francês e perguntou por mim. Ele já sabia do acontecido e respondeu que eu congelei e vim embora, o que deixou o chef meio sem graça.

Para ser bem honesta, achei só mais ou menos ruim. Esperar foi chato, mas por outro lado, tirou o mico das minhas costas e se estava meio sem graça em deixar o estágio antes, naquele momento ficou bem claro que era o melhor a fazer.

Em paralelo, começamos a nos movimentar para ver se surgia algum restaurante e eu aproveitava o restante do tempo; ou se voltava para Madri e deixava para uma outra ocasião. Acontece que a essa altura, também já não estava disposta a topar qualquer coisa. Queria um estágio estruturado ou nada. Esse negócio de pousar de pára-quedas e ver o que acontece tinha dado para mim.

Bom, até pintou um restaurante que concordava em me receber. Fui lá com meu amigo de “espiã”, ou seja, sem me apresentar, como se fosse uma cliente normal. Era um bistrot cotado entre os melhores e bastante conhecido no meio político. Como cliente, achei excelente, mas fiquei na dúvida se seria uma boa experiência para trabalhar. O lugar tem bastante movimento, a escala e rotatividade são relativamente grandes e o cardápio bem tradicional, diferente do que quero fazer. A cozinha era aberta e funcionava apenas com 4 empregados, realmente não sei onde iriam me encaixar e muito menos imagino que alguém fosse ter boa vontade e tempo para me ensinar alguma coisa. E para completar, achei que a resposta foi rápida demais para que tivessem pensado em qual seria o meu papel, provavelmente, lá ia eu ficar meio no ar outra vez.

Quer saber, resolvi seguir meu instinto e ele me dizia para voltar para casa e absorver o que foi melhor da experiência.

E, apesar dos pesares, a experiência foi muito boa! Não fui para fazer amigos, fui para entender e pensar em um modelo de negócio. Posso dizer que essa idéia está bem mais clara na minha cabeça agora. E sim, é viável, mas depende de onde o estabeleça.

O chef com quem trabalhei, podia ser confuso e estar acostumado a trabalhar sozinho, mas era um bom chef de cozinha. Não sabia me transmitir conhecimento, mas eu sabia o que estava buscando e, verdade seja dita, também não me omitia nada.

Meu amigo francês, onde fiquei hospedada, já foi dono de mais de um restaurante e aproveitei para aprender com ele também. Além do que, a gente comia bem pacas! Nosso assunto mais frequente era a comida!

Encontrei mais duas amigas brasileiras que estavam por aquelas bandas e foi legal sair algumas vezes. Ainda que a maior parte dos dias foram de trabalho mesmo.

Então, sim, valeu muito a pena! Mas diferente de todas as apostas, incluindo as minhas, voltei antes e não depois do tempo previsto.

Fiz várias compritas interessantes, obviamente, tudo ao redor da cozinha. Segundo Luiz, sou uma mulher muito estranha… fico exultante com panelas, facas ou eletrodomésticos! Mas fazer o que? É verdade.

Desde que cheguei, já fiz vários testes e adaptações de receitas. Desafio complicado quando você e seu marido estão de regime. Entretanto, juro que fora uma Tarte Tatin, tudo razoavelmente leve, pouco calórico e bem gostoso. Tanto que não engordei e Luiz segue emagrecendo.

Agora preciso sentar e colocar todas as idéias no papel (ou na tela do computador) para não perder o momento. Hora de planejar os próximos passos e que o ano que vem chegue com deliciosas oportunidades!

Receita de Tarte Tatin, incluindo acidentes!

Vou logo avisando, acho um saco seguir receitas! Ou melhor dizendo, não gosto de seguir à risca, sempre é bom um pouco de liberdade para criar.

Além do mais, tem uma coisa que a gente aprende, receitas são pontos de referência, feitas para funcionar (quase) perfeitamente em situações normais de temperatura e pressão. Mas elas nunca consideram que o telefone toca… que o filho chora… que as potências dos fornos são diferentes… que um ingrediente mais ou menos fresco cozinha em outro tempo… que frutas e verduras não tem o mesmo tamanho sempre… enfim, acho que mais importante do que saber seguir uma receita nova, é se preparar para improvisar um pouco e saber corrigir, se for necessário.

Dito isso, segue a “receita” da Tarte Tatin que fiz hoje:

–         13 maçãs

–         +/- 300 g de açúcar

–         +/- 200 g de manteiga

–         cardamomo

–         gengibre em pó

–         noz moscada

–         pimenta do reino

–         massa quebrada, pode comprar pronta (usei a massa folhada, que era a que tinha em casa e funcionou também)

A idéia de incluir o cardamomo, aprendi em Cuq Toulza, onde fiz um curso de culinária por um dia. Já contei por aqui em alguma crônica passada. Muito bem, mas queria que ela ficasse um pouco mais “spicy” e resolvi incluir algumas pitadas de gengibre em pó, noz moscada e pimenta do reino, para ver o que dava. Na prática, não altera a maneira de fazer, ou seja, pode eliminar ou substituir por canela, cravo ou alguma outra especiaria que lhe convenha.

Muito bem, deixei minhas maçãs lindas lavadinhas dentro da forma nova que acabei de comprar em Paris e estava doida para testar. Mas acabei demorando um par de dias para fazer, por estar ocupada com outras coisas. Não me dei conta que Luiz, cada vez que passava pela cozinha, achava as maçãs tão bonitas que comia uma.

No dia de fazer a torta, lá fui eu procurar a receita que aprendi em Cuq Toulza, mas não achei. Ah, quer saber, vou meio no olho. Ainda vou fotografar passo a passo, porque se ficar legal, posto no blog.

Bom, começando nossa receita, cobrir o fundo da forma com o açúcar, a manteiga e as especiarias. Descascar as maçãs, dividir ao meio e começar a arrumar na forma. Melhor não demorar muito, porque as maçãs começam a escurecer. Não entre em pânico, se escurecer um pouco não tem problema, porque elas vão caramelizar. Só não deixar as pobrezinhas lá largadas até ficarem pretas, ok?

 

Quando a forma estiver quase toda preenchida, descobrir que seu marido comeu as maçãs que faltavam para completar a torta!

Comunicar esse fato tranquilamente para ele e, enquanto seu marido corre esbaforido para comprar mais maçãs na mercearia da rua, afinal de contas você iria matá-lo por deixar sua torta banguela, você pode aproveitar o tempo e colocar a forma em fogo baixinho.

 

A manteiga e o açúcar vão começar a derreter no fundo e formar um caramelo. A própria maçã solta um pouco de caldo e vai temperando essa mistura.

Seu marido volta para casa em 35 segundos, meio pálido, com uma dúzia de maçãs fresquinhas. Você usa as duas que te faltavam para completar a forma. E todos em casa respiram aliviados.

 

Cozinhar em fogo baixo por uns 30 minutos, não precisa mexer.

Descobrir que as maçãs, quando cozinham, diminuem de tamanho e começam a boiar na forma. Descascar outra maçã bem rápido e completar o buraco!

Após esses 30 minutos, virar as maçãs, para elas caramelizarem do outro lado também.

 

Deixar, pelo menos, mais 30 minutos do outro lado. Nesse período, descobrir que a marca das maçãs que seu marido trouxe é diferente. Mais macias, elas começam a derreter no meio da forma.

Desligar o fogo antes das maçãs estarem caramelizadas decentemente, com medo delas derreterem.

Cobrir o fundo da torta com a massa folhada esticadinha. Fazer um buraquinho no meio (não sei muito bem porque, mas vi o chef fazendo e achei que deveria repetir).

Levar a torta ao forno pré-aquecido, a uns 180 graus. Ficar de olho para ver se a massa não queima e cozinha direito. Leva uns 15 minutos, mas depende do forno, melhor realmente ficar tomando conta.

 

Retirar a torta e deixar esfriar um pouco. Não pode deixar esfriar totalmente, ou o caramelo pode grudar na forma.

 

Virar a forma em um prato.

Comemorar porque sua torta virou inteirinha! Se alguma maçã sair do lugar, sempre dá para arrumar na mão mesmo!

Descobrir que não caramelizou o suficiente e seu prato é raso demais, ou seja, toda a calda se espalha por seu balcão da cozinha.

Manter a calma e secar toda aquela meleira. Não se dê por vencida! Quase tudo na vida tem solução!

Na mesma forma, refazer um pouco de calda de caramelo (açúcar, manteiga, calda líquida que estiver escorrendo da sua tarte tatin, um pouco mais de cardamomo ou a especiaria que usar). Quando a calda estiver na cor e espessura desejadas, escorrer por cima da sua torta e fazer de conta que tudo deu certo desde o primeiro momento.

 

Provar, descobrir que ficou uma delícia e valeu o perrengue!

Rapadura é doce, mas nao é mole nao…

Segunda-feira, acordei cedo e fui direto para o Chateau de Versailles. Tive que sair com uma hora e meia de antecedencia, afinal é longe pacas! Mas pelo menos nao errei o trem dessa vez e cheguei até antes da hora, melhor assim. Almoço tranquilo, para 4 pessoas, e relativamente austero, afinal, pelo que entendi de orelhada, era para pedir fundos para a instituiçao.

Mesmo sendo almoço para 4, faziamos para 6, porque o diretor de protocolo e o de relaçoes publicas ficaram direto na cozinha conosco, acompanhando todo o procedimento (e conversando também). No inicio me incomodava um pouco, mas depois achei que nao atrapalhou como imaginei. A escolha dos pratos foi bastante discreta, como solicitado, e segundo o chef, com  jeito de cozinha de avo. Na entrada, foi servido um tipo de torta de miudos de frango; com um toque de foie, simplesmente divina! Engraçado porque quando olhei aquela torta com jeito de empadao, nao dei muito crédito, além de nao saber naquele momento que havia sido pedido um almoço simples (afinal sempre vou descobrindo as coisas no caminho). Mas digo que foi uma das melhores coisas que degustei e agradou em cheio ao cliente.

Aos poucos, vou entendendo o que devo fazer, o que devo deixar, o que devo controlar o impulso de pular na frente, quando ir atras do chef ou quando simplesmente ele esta andando de um lado para o outro por simples ansiedade, essas coisas…

Escutei uma coisa interessante sobre a sobremesa. O chef disse que ela é fundamental, se voce erra na sobremesa, pode ter feito uma entrada e um prato principal perfeitos que o cliente so se lembrara do final. Informaçao importante para mim, porque acho que, por nao ligar para sobremesa, dou menos importancia para ela na escolha do menu, preciso rever esse detalhe.

Bom, no final do almoço, voltou para a cozinha mais de meia garrafa de um Pommard 2003, da qual os dois diretores e o chef falavam empolgadamente. Eu louca para provar! Até que me ofereceram e peguei um pouquinho por educaçao. Putz, um show! Quando a tropa, por sei la que motivo, saiu da cozinha, tratei de  completar minha taça! Tudo bem que ralei, mas no final também tomei um vinho de 120 euros a garrafa – que valia cada centavo, mas deveria haver sido aberto e decantado com mais tempo.

Mais uma vez, sai um pouco decepcionada por nao ter participado da preparaçao, que aqui se diz “mis en place”. Mas, sabendo que eu ja tinha o uniforme completo, ele marcou comigo no dia seguinte, bem cedo, para eu pegar o processo desde o inicio. Beleza! Acordei quando o dia ainda estava escuro, mas satisfeita e curiosa.

Primeiro, passamos no fornecedor para pegar alguns ingredientes. As compras sao feitas por telefone, quando ele chega no atacadista, ja ha uma caixa separada com o pedido. Entao, é so pegar e seguir o caminho.

Nesse dia, fizemos almoço para 20 pessoas (sim, so descobri isso la, como de costume, é sempre uma surpresa). Foi feito dentro de uma empresa grande, para seus executivos, e havia um cozinhao industrial! Exatamente como em um restaurante. As panelas sao gigantes, o fogao é gigante… e a louça para lavar é gigante! Descasquei uma caixa de cenouras e outra de batatas, me senti no exército! Tudo bem, nao era isso que eu queria? Conhecer o processo inteiro. O preço é ralaçao pura e dura! Nao tem nada de bonito nem glamuroso, vou logo avisando.

Valeu a experiencia, precisava dela e mais uma vez, aprendi bastante. Desde a melhor maneira de descascar uma cenoura, limpar um peixe, usar utensilhos em escala industrial, sentir a pressao de ter que sair da cozinha 20 pratos quentes ao mesmo tempo e multiplicar isso por entrada, prato principal e sobremesa… Mas para mim ficou mais do que claro, definitivamente meu negocio é pequena escala!

Acabamos o serviço, ele me perguntou se tinha a tarde livre para outro mis en place. Claro, vamos nessa!

Seguimos para onde judas perdeu as meias, mas foi bom que conseguimos conversar um pouco. Senti que ele estava um pouco preocupado como se relacionar comigo, ele tinha consciencia que estava sempre em seu mundo (palavras dele), porque esta acostumado a trabalhar sozinho e a seguir a ordem que tinha na sua propria cabeça. Ou se eu me ofendia pela maneira mais rude de falar enquanto as coisas estao sendo feitas, o que deixei ele a vontade, afinal entendo que a pressao do momento nao permite muitos “por favores e obrigadas”.

Ele nao falou, mas é evidente que é um ambiente muito, mais muito masculino. Sou o bicho raro circulando no meio deles e, da mesma maneira que fico meio perdida, ninguém sabe muito bem como se comportar comigo. Sendo justa, ninguém me desrespeitou, mas as vezes tem detalhes basicos complicados, do tipo, que banheiro eu uso e onde troco de roupa. Na duvida, me mantenho em alerta constante, sei intimidar e tenho uma vantagem, nao preciso do trabalho. Quando vem a educada pergunta: mademoiseille ou madame? Respondo sem margem para brincadeira, madame, com o olhar de “e mordo”! 

Muito bem, chegamos em um lugar longe pacas, com cara de pequena fabrica. Foi quando finalmente entendi a historia, era la que ele cozinhava e nao no tal laboratorio que meu amigo entendeu a principio (e onde consta o endereço no website). Trata-se de uma super cozinha industrial de um “trateur” de grande escala. O chef com quem trabalho aluga uma parte dessa cozinha para trabalhar alguns dias da semana. Ali so podem estar profissionais (com uniformes completos por motivos de segurança), por isso ele nao queria me levar antes. E claro, mais uma vez, so tem homem! Todos me trataram com respeito, mas me olhavam com cara de que nao entendiam muito bem o que eu fazia ali. A parte boa é que todos se empenhavam em dizer, sem que o chef ouvisse, que ele era muito bom chef, dando a entender  que era uma oportunidade para mim.

Fizemos, o chef e eu, a preparaçao de um coquetel para 50 pessoas. Do que me lembre agora, fizemos gateau de cenouras; espetinho de frango ao curry; enroladinho com camarao, tupinambo (parece mandioca) e maça; enroladinho de abobrinha com salmao marinado; espetinhos de salmao defumado; enroladinho de presunto, rucula, manjericao e parmesao; torradas com passas (para servir com foie) e algumas outras coisinhas que nao me lembro agora. Saimos de la pelas 22 horas. Peguei uma carona com ele ate o metro e cheguei em casa depois das onze. Para quem acordou as 6 da matina e trabalhou direto todo esse tempo de pé, sem parada de almoço, a gente vai beliscando enquanto faz, foi bem cansativo.

A maioria dos funcionarios ja tinha ido embora, o ultimo saiu pelas 21h, foi um frances-marroquino que fazia patisserie na mesma sala que estavamos e nos presenteou no final com uma tortinha de frutas deliciosa!

Para mim, o balanço desse dia foi bastante positivo em termos de aprendizagem, sai contente. Mas também muito cansada e, se parte do meu dia foi interessante, outra parte também foi ocupada com tarefas bem chatas e desagradaveis. Ok, é o preço, mas nao estou disposta a paga-lo todos os dias.

O ponto é, foi super valido, mas ja absorvi o que me interessava, daqui para frente, desconfio que sera mais dureza que aprendizado. Nao sou fresca, mas gosto de dirigir minha energia de maneira muito especifica. O ideal seria partir para outra cozinha, dessa vez mais estruturada, como em um restaurante, por exemplo. Nao sei se vou conseguir agora ou se algum outro chef me aceitaria por duas semanas, mas vou tentar.

Enquanto isso, na sala de justiça, sigo o caminho que ja tenho. Hoje trabalho a partir das 15 horas. Nao tenho idéia até que horas, como sempre. Mas ja descobrirei e volto para contar.

Fim da primeira semana

Hoje é domingo e agora tenho um tempinho para fazer um balanço da semana. Resumindo, foi tudo bem, algumas coisas gostei mais, outras gostei menos… o normal. O mais importante é que tenho aprendido bastante e algumas peças vao se juntando. Tem idéias e conceitos que podem parecer muito evidentes, mas uma coisa é a superficie, um palpite ou uma intuiçao e outra é ir a fundo no que voce pode, quer ou tem habilidade. Sem falar que tudo tem seu momento e enquanto ele nao chegar, nao adianta.

E nesse exato momento, consigo ver as experiencias que fui desenvolvendo ao longo da vida, de repente começarem a se encaixar, a parecer que podem funcionar juntas e me alavancar em torno de um novo objetivo. Como se tomasse uma consciencia maior das ferramentas que possuo pelas experiencias em negocios, em artes plasticas, em cozinha, nos ambientes que frequentei, nas festas da minha casa, na vida em paises diferentes, nos idiomas aprendidos, em cantar, em fazer amigos, em aceitar diferenças, em tolerar a dor, em suportar o que nao posso controlar, em escrever, em me expor… como se fossem pecinhas de quebra-cabeça que começam a definir uma imagem concreta.

O primeiro dia ja contei e acredito haver sido o auge da euforia, ao longo da semana fui ajustando as expectativas e colocando as coisas dentro de uma perspectiva real. Pelo final da semana me bateu um certo “bajon”, uma ligeira desanimada, por alguns motivos diferentes que vao desde a dificuldade de comunicaçao com o chef e tempo parisiense muito cinza, ate saudade de casa. Logo passou. Luiz chegou, os amigos me animam muito e dai bate mais vontade de fazer tudo.

Mas vamos aos fatos, na terça e na quarta nao trabalhei, isso me deu uma certa  baixada de bola. Nao chegou a ser grave porque havia um evento que queria visitar, o Equip’ Hotel (evento com foco em hoteis e restaurantes, divulgam uma serie de produtos alimenticeos, equipamentos, acessorios, vinhos… tudo relacionado a gastronomia. Também ha demonstraçoes de chefs de cozinha, o que mais me interessava. Passei nessa feira esses dois dias e nao vou negar que bem que aproveitei,  entao nao chegou a ser tempo perdido, mas me preocupou um pouco em relaçao ao futuro. Comecei a pensar em um plano B, do tipo, os dias que tiver livres, posso buscar alguma escola de culinaria.

Bom, na quinta o chef me chamou para ajudar em um jantar e combinou comigo as 16 horas, logo, imaginei que fosse participar da preparaçao dos pratos, o que nao aconteceu. Meu amigo frances me acompanhou nesse encontro (porque os dois tinham que combinar coisas entre eles) e aproveitei para pedir ajuda na traduçao, porque para mim nao tinha ficado muito claro qual seria minha participaçao, nao tinha uma agenda concreta, enfim, estava achando tudo muito no ar. Acabou que meu amigo também nao entendeu muito bem, achou ele um pouco confuso, o que por um lado me aliviou por saber que nao era so uma questao de idioma, mas por outro, me deixou desconfortavel em continuar sem saber bem como me posicionar. Olhando para tras agora, acho que o que aconteceu é que para ele era tao novo ter uma assistente quanto era para mim, desconfio que ele também esta aprendendo como me orientar, no que pode interessar, no que ele pode confiar, enfim, é tudo muito recente.

Mas vamos la, procurei manter uma atitude positiva e a nao tinha mais medo como tive no primeiro dia, de certa forma, depois do batismo de fogo, o trabalho ficou desmitificado.

Resumindo, fizemos um jantar na quinta, para 10 pessoas e outro na sexta para 12 pessoas.

O que gostei:

– Ganhei confiança. Vi que nao é nada que nao pudesse fazer; na verdade, é bastante proximo a jantares ou recepçoes que ja faço de vez em quando e ainda dou conta de participar como anfitria.

– Aprendi sobre quantidades, preço por pessoa, que tipo de ajuda contratar, equipamentos para levar, timing entre a preparaçao da cozinha e o ritmo do jantar, volume de lixo produzido, o que levar pronto, o que levar encaminhado, o que se aproveita da estrutura da cozinha do cliente… enfim, fiquei atenta a todos os detalhes operacionais.

– O chef é muito bom tecnicamente, a comida é bem feita e saborosa. Ele se adapta perfeitamente ao gosto do cliente, em diferentes niveis de sofisticaçao. Se por exemplo, o cliente pede para ele tirar a “pele” do jamon (gordura de um iberico de bellota!), ele tira e acabou, nao surta com chilique.

– Nao me machuquei.

O que nao gostei:

– Puta que pariu tres vezes, nunca lavei tanta louça na minha vida!  Trabalhinho de corno!

– Para os padroes franceses eles sao bastante limpos, nao quero passar a imagem errada, mas para meu padrao de neurotica com TOC e obssessiva por limpeza é um sofrimento! Assim, caiu comida no chao, é lixo (talvez porque eu corra na frente para jogar fora), mas caiu uma faca no chao, esquece! Dai a louca aqui nao se aguenta e sai atras lavando tudo! Ou seja, ainda tenho mais trabalho! Agora entendo muito melhor a necessidade de um pano de prato grudado em voce! Na primeira vinda do Luiz, pedi para ele trazer o meu proprio, que euzinha garanto que lavo.

– Grande dificuldade de comunicaçao com o chef. Ele é muito bom na cozinha, mas vive no mundo dele e é totalmente hiperativo, nao consegue ficar parado. Tudo tenho que descobrir pelo meio do caminho e improvisar. De vez em quando, tudo bem, mas sempre é muito cansativo, me enlouquece. Como ele esta direto no celular pendurado (nao sei como ele consegue), nunca sei se ele esta falando comigo, no telefone ou com as vozes na sua cabeça! Enfim, mas nao tiro minha responsabilidade, se eu falasse melhor frances, seria mais simples.

– Nao participei de nenhuma preparaçao, peguei so o acabamento na casa dos clientes. Eu precisava conhecer esse lado de compras e da cozinha, que para mim é fundamental! Depois de muita dificuldade para entender porque ele nao me chamava para preparaçao (que nao era uma questao de idioma, afinal meu amigo frances também nao entendia), parecia ser porque eu nao tinha o uniforme completo de cozinha (me faltava os sapatos e a calça) e se batesse alguma fiscalizaçao, ele poderia ter problemas. Ok, se o problema é esse, la fui comprar a roupa no sabado.

Ficou marcado para que na segunda-feira seguinte, eu fosse ajudar em um almoço, novamente no Chateau de Versailles. Mas essa historia vai ficar para a proxima cronica. E assim, acabou minha semana, entre mortos e feridos, salvaram-se todos!

O primeiro dia de trabalho

Começo avisando que estou em um teclado frances, ou seja, algumas letras sao em outra posiçao e faltam acentos. Portanto, infelizmente, alguns erros ortograficos vao passar, sorry! Mas como tem muita gente me perguntando, e admito, também estou louca para contar como estao as coisas, vai assim mesmo!

Bom, cheguei em Paris na sexta-feira à noite, junto com Luiz. Tudo muito bom, tudo muito bem. No sabado fomos encontrar nosso amigo frances para almoçar. Ele me conta que falou com o chef que eu ia trabalhar e estava tudo certo para segunda. Acontece que ele ja tinha um coquetel agendado nesse dia e perguntou ao meu amigo se eu me incomodava em ir direto para la ou preferia esperar a terça-feira para conversar com mais calma. Meu amigo respondeu que nao achava que eu teria nenhum problema e confirmou por mim na propria segunda, direto na fogueira.

_  Beleza, isso mesmo, quero começar logo, e onde é?

_ No Chateau de Versailles, um coquetel para 50 pessoas, nao é legal? Voce ja começa muito bem…

_ … (glup!)

Perai, deixa eu pensar, nao conheço o chef pessoalmente ainda, nunca trabalhei nisso na vida, meu frances é macarronico… e vou cair de para-quedas em um coquetel para 50, nada mais, nada menos que no castelo de Versailles… putz! Por outro lado, fala sério, nao é o maximo? Vou morrer de catapora até os primeiros 15 minutos, depois serei feliz. Ja dizia Vicente Mateus, quem esta na chuva é para se queimar!

E sim, mantive razoavelmente as aparencias, mas por dentro, estava semi-histérica!

Hoje, segunda-feira, acordei bem cedo e sai com toda a antecedencia do mundo, e isso porque ja havia ido no sabado até Versailles, para checar direito onde era, quanto tempo levaria para chegar etc. Portanto, qual era a possibilidade de pegar o trem errado? Para quem conhece a Lei de Murphy, 100% de chance! Peguei a merda do trem errado e so nao me atrasei porque realmente havia saido cedo. Mesmo assim, cheguei na hora cravada e esbaforida!

Liguei para o chef, para entender onde encontra-lo, afinal o lugar é enorme! Recapitulando, liguei para o cidadao – que fala obviamente frances – para me explicar por celular – aquele aparelho que adoro – por onde eu deveria ir. Onde eu entendia que era, uma vaca-vigia francesa me informava com bastante ma vontade que era para outro lado. Achei entao que havia entendido errado e liguei novamente, ele acabou descendo para me encontrar. Algum tempo depois, a vaca francesa foi nos bastidores do coquetel filar uma boquinha e ficou com cara de bunda quando me viu. Admito que tive pensamentos impuros em relaçao ao que ela ia comer, mas tinha mais com o que me preocupar. 

Bom, nos apresentamos rapidamente, afinal o coquetel começaria mais ou menos uma hora depois e ainda havia que finalizar algumas coisas. Havia o chef, 2 garçons e um ajudante. Nao sabia se deveria so observar, perguntar… que raios se esperava que eu fizesse? Quer saber, nao vou perguntar muito nao, vou logo metendo a mao na massa e se ele achar ruim, vai me dizer. Pois ele nao achou ruim e nao demorou nem 5 minutos para eu estar no meio da historia… amarradona!

Nao foi dificil trabalhar com outras pessoas. Sou do tipo que nao gosta de ter companhia enquanto cozinha, eu literalmente expulso o povo da cozinha de casa e sem pudores. Acontece que é muito diferente ter mais gente, mas todos concentrados em um objetivo, ocupados. Nao é a sua amiga batendo papo ou seu amigo bebado te sugerindo temperos absurdos e isso faz muita diferença. Honestamente, esperava ate mais pressao, pelo menos, me preparei para isso. Fiquei preocupada antes de saber do que se tratava, mas durante o coquetel em si, a sensaçao foi de segurança que estava tudo sob controle.

Enfim, adorei. Quando acabou fiquei ate com pena, cheia de adrenalina, quero mais. O proximo evento é um jantar na quinta-feira, em uma residencia. Na verdade, esse tipo de evento é o que mais me interessa, porque é o que gostaria de trabalhar por minha conta.

E amanha tem o equip’hotel, pelo que entendi, um tipo de feira gastronomica, onde ha demonstraçoes tanto de equipamentos, como palestras com chefs de cozinha enfurecidos. Para mim, é como ir a um parque de diversoes!