Fim da primeira semana

Hoje é domingo e agora tenho um tempinho para fazer um balanço da semana. Resumindo, foi tudo bem, algumas coisas gostei mais, outras gostei menos… o normal. O mais importante é que tenho aprendido bastante e algumas peças vao se juntando. Tem idéias e conceitos que podem parecer muito evidentes, mas uma coisa é a superficie, um palpite ou uma intuiçao e outra é ir a fundo no que voce pode, quer ou tem habilidade. Sem falar que tudo tem seu momento e enquanto ele nao chegar, nao adianta.

E nesse exato momento, consigo ver as experiencias que fui desenvolvendo ao longo da vida, de repente começarem a se encaixar, a parecer que podem funcionar juntas e me alavancar em torno de um novo objetivo. Como se tomasse uma consciencia maior das ferramentas que possuo pelas experiencias em negocios, em artes plasticas, em cozinha, nos ambientes que frequentei, nas festas da minha casa, na vida em paises diferentes, nos idiomas aprendidos, em cantar, em fazer amigos, em aceitar diferenças, em tolerar a dor, em suportar o que nao posso controlar, em escrever, em me expor… como se fossem pecinhas de quebra-cabeça que começam a definir uma imagem concreta.

O primeiro dia ja contei e acredito haver sido o auge da euforia, ao longo da semana fui ajustando as expectativas e colocando as coisas dentro de uma perspectiva real. Pelo final da semana me bateu um certo “bajon”, uma ligeira desanimada, por alguns motivos diferentes que vao desde a dificuldade de comunicaçao com o chef e tempo parisiense muito cinza, ate saudade de casa. Logo passou. Luiz chegou, os amigos me animam muito e dai bate mais vontade de fazer tudo.

Mas vamos aos fatos, na terça e na quarta nao trabalhei, isso me deu uma certa  baixada de bola. Nao chegou a ser grave porque havia um evento que queria visitar, o Equip’ Hotel (evento com foco em hoteis e restaurantes, divulgam uma serie de produtos alimenticeos, equipamentos, acessorios, vinhos… tudo relacionado a gastronomia. Também ha demonstraçoes de chefs de cozinha, o que mais me interessava. Passei nessa feira esses dois dias e nao vou negar que bem que aproveitei,  entao nao chegou a ser tempo perdido, mas me preocupou um pouco em relaçao ao futuro. Comecei a pensar em um plano B, do tipo, os dias que tiver livres, posso buscar alguma escola de culinaria.

Bom, na quinta o chef me chamou para ajudar em um jantar e combinou comigo as 16 horas, logo, imaginei que fosse participar da preparaçao dos pratos, o que nao aconteceu. Meu amigo frances me acompanhou nesse encontro (porque os dois tinham que combinar coisas entre eles) e aproveitei para pedir ajuda na traduçao, porque para mim nao tinha ficado muito claro qual seria minha participaçao, nao tinha uma agenda concreta, enfim, estava achando tudo muito no ar. Acabou que meu amigo também nao entendeu muito bem, achou ele um pouco confuso, o que por um lado me aliviou por saber que nao era so uma questao de idioma, mas por outro, me deixou desconfortavel em continuar sem saber bem como me posicionar. Olhando para tras agora, acho que o que aconteceu é que para ele era tao novo ter uma assistente quanto era para mim, desconfio que ele também esta aprendendo como me orientar, no que pode interessar, no que ele pode confiar, enfim, é tudo muito recente.

Mas vamos la, procurei manter uma atitude positiva e a nao tinha mais medo como tive no primeiro dia, de certa forma, depois do batismo de fogo, o trabalho ficou desmitificado.

Resumindo, fizemos um jantar na quinta, para 10 pessoas e outro na sexta para 12 pessoas.

O que gostei:

– Ganhei confiança. Vi que nao é nada que nao pudesse fazer; na verdade, é bastante proximo a jantares ou recepçoes que ja faço de vez em quando e ainda dou conta de participar como anfitria.

– Aprendi sobre quantidades, preço por pessoa, que tipo de ajuda contratar, equipamentos para levar, timing entre a preparaçao da cozinha e o ritmo do jantar, volume de lixo produzido, o que levar pronto, o que levar encaminhado, o que se aproveita da estrutura da cozinha do cliente… enfim, fiquei atenta a todos os detalhes operacionais.

– O chef é muito bom tecnicamente, a comida é bem feita e saborosa. Ele se adapta perfeitamente ao gosto do cliente, em diferentes niveis de sofisticaçao. Se por exemplo, o cliente pede para ele tirar a “pele” do jamon (gordura de um iberico de bellota!), ele tira e acabou, nao surta com chilique.

– Nao me machuquei.

O que nao gostei:

– Puta que pariu tres vezes, nunca lavei tanta louça na minha vida!  Trabalhinho de corno!

– Para os padroes franceses eles sao bastante limpos, nao quero passar a imagem errada, mas para meu padrao de neurotica com TOC e obssessiva por limpeza é um sofrimento! Assim, caiu comida no chao, é lixo (talvez porque eu corra na frente para jogar fora), mas caiu uma faca no chao, esquece! Dai a louca aqui nao se aguenta e sai atras lavando tudo! Ou seja, ainda tenho mais trabalho! Agora entendo muito melhor a necessidade de um pano de prato grudado em voce! Na primeira vinda do Luiz, pedi para ele trazer o meu proprio, que euzinha garanto que lavo.

– Grande dificuldade de comunicaçao com o chef. Ele é muito bom na cozinha, mas vive no mundo dele e é totalmente hiperativo, nao consegue ficar parado. Tudo tenho que descobrir pelo meio do caminho e improvisar. De vez em quando, tudo bem, mas sempre é muito cansativo, me enlouquece. Como ele esta direto no celular pendurado (nao sei como ele consegue), nunca sei se ele esta falando comigo, no telefone ou com as vozes na sua cabeça! Enfim, mas nao tiro minha responsabilidade, se eu falasse melhor frances, seria mais simples.

– Nao participei de nenhuma preparaçao, peguei so o acabamento na casa dos clientes. Eu precisava conhecer esse lado de compras e da cozinha, que para mim é fundamental! Depois de muita dificuldade para entender porque ele nao me chamava para preparaçao (que nao era uma questao de idioma, afinal meu amigo frances também nao entendia), parecia ser porque eu nao tinha o uniforme completo de cozinha (me faltava os sapatos e a calça) e se batesse alguma fiscalizaçao, ele poderia ter problemas. Ok, se o problema é esse, la fui comprar a roupa no sabado.

Ficou marcado para que na segunda-feira seguinte, eu fosse ajudar em um almoço, novamente no Chateau de Versailles. Mas essa historia vai ficar para a proxima cronica. E assim, acabou minha semana, entre mortos e feridos, salvaram-se todos!

3 comentários em “Fim da primeira semana”

  1. ADOREI!!!!!
    Viva as novas experiencias com tudo de bom e de ruim….

    (ñ me machuquei foi ótimo, hehehehe).

    Sorte, estamos torcendo muitissimo por vc nessa fase linda!!!
    Tenho certeza de que o seu grupo/buffe de festas daqui (ou o que vcc decida fazer) vai ser um sucesso tao grande!!!

    Beijos enormes.
    Vanessa

  2. Oi Bianca

    É uma merda mesmo lavar louça em qualquer lugar no planeta, hahahahaha.
    E o lance da roupa porque o cara não falou logo de uma vez!? no primeiro dia?
    Eu acredito que o lance de onde comprar as coisas para o jantar, os endereços certos e preços melhores, esse sim é o pulo do gato, assim que voce puder fale pra ele que voce quer estar nessa também.
    Bom continuamos aqui na torcida.
    Beijos

    Marianne

  3. É isso ai neguinha, força na peruca como diria nossa amiga Ale! Tem de tudo um pouco, ralaçao e empolgaçao, e enquanto tudo isso rola voce vai absorvendo tudo e aprendendo um monte. Como disse a Vane, estamos aqui na torcida por voce!!!
    Beijosssss

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