Chama que ela vem!

Estou falando da mudança! E logo não tocarei nesse assunto por mais algum tempo, porque já entramos em novo ciclo e estamos passando da fase de transição.

 

Tem gente que não gosta de mudança e tem suas próprias razões para isso, não julgo, cada um sabe de si. Eu gosto. E não é que não sofra com elas, porque muitas vezes é realmente difícil. Agora, percebi que nem espero mais ela acontecer para recebê-la de boa vontade. Se ela começa a demorar, corro eu atrás dela!

 

E pode chamar que ela vem.

 

Depois de balançar a energia da casa e nos desfazer de parte do passado para deixar entrar o novo, olha quem apareceu? A mudança!

 

Muita calma nesse momento, nada tão radical, pouco a pouco e no tempo que deve ser. Simplesmente, o que estava entravado começou a se mover, só isso. Acontece que só isso, um olhar treinado sabe que é grande coisa.

 

Luiz andava borocoxô com seu trabalho. Ao mesmo tempo, como se queixar ou arriscar em um momento tão delicado como agora na Espanha? Um monte de gente desempregada ou ganhando mal pacas e ele bem na fotografia. Sei o que é estar nesse lugar, já estive aí e não é tão confortável como parece. Porque no fundo, você não está feliz, mas se sente até culpado em reclamar. A tendência natural é procurar se conformar. Mas vamos combinar, poucas coisas na vida são mais frustrantes que a conformação.

 

Acho que ninguém está realmente bem se não está feliz no seu trabalho, mas essa relação é mais forte para homens do que para mulheres. Juro que não estou sendo sexista e lógico que exceções existem, mas na média é assim. Pergunte a uma mulher, oi, fulana, tudo bem? Ela faz uma média entre casa, empresa, filhos, marido, amigos, seu peso, viagens… enfim, e provavelmente comece a falar da vida para você. Pois pergunte a mesma coisa a um homem  e ele começará a te responder diretamente sobre o trabalho. Algo como, tudo bem, a indústria está em uma boa fase… ou, mais ou menos, os clientes não andam comprando nada… e blá blá blá…não importa, quase sempre o que segue o “tudo bem ou não” é uma descrição do que está acontecendo no seu emprego. Principalmente se a conversa for com outro homem. Assim de simples, pode fazer o teste!

 

Portanto, meninas, alerta! Quando seu parceiro não está satisfeito no trabalho, se preparem, eles começam a se sentir inseguros em relação às suas capacidades em geral (porque o trabalho é ele) e independente do nível em que estejam, viram garotos, ficam ranzinzas, engordam. E é bem provável que precisem da sua ajuda (ou de alguém)  para ver que há vida além do escritório e eles continuam sendo as mesmas pessoas!

 

E não, não estou falando necessariamente do Luiz, falo do que observo em geral e é bastante claro. Uma mulher sabe a importância de se ver no olhar do outro, vai muito além da vaidade ou de se importar com o pensamento alheio, trata-se da eterna reconstrução que passamos. Ajuda muito nos vermos bem em outros olhos e saber que alguém acredita em você. E nisso, por conhecimento de causa, podemos ajudar bastante.

 

Mas voltando à prática, Luiz recebeu há pouco uma proposta para mudar de posição dentro da mesma empresa. Um cargo em que ele se sente muito melhor e sem o risco de deixar uma companhia razoavelmente segura, pelo menos nesses tempos. Contando assim, parece pouco, algumas linhas. Acontece que isso fez toda a diferença do mundo. Ele está feliz da vida e parece que tiramos um bode da sala!

 

Porque com isso, também me animo a tocar meus planos. Teoricamente, deve querer dizer que seguimos por Madri, pelo menos, por algum tempo razoável para executar algum plano e não morrer na praia.

 

Pois eu juro que o simples fato de me abrir e estar disposta a tocar o barco por aqui, fez começar a aparecer algumas propostas. Idéias que estou amadurecendo e já já contarei, só preciso que elas estejam mais claras e concretas. Mas adianto que é na área de gastronomia. Alguns projetos venho matutando há algum tempo, falta colocar em prática e espero ter a oportunidade de fazer isso em breve.

 

Talvez não consiga executar exatamente o que quero, pelo menos no início, mas me importa começar de alguma maneira, sair do plano e ter alguma ação. Nem que me sirva de aprendizado, tudo bem, mas preciso sair do abstrato!

 

E para completar o quadro, na próxima segunda-feira, tenho consulta médica, para tentar engravidar novamente. Dessa vez, como manda o figurino e de maneira mais divertida, assim espero!

 

Do dia para noite, meu humor deu um giro. Hoje desceu minha menstruação do tal segundo ciclo, que eu precisava esperar para voltar a tentar. Parecem malucos esses rituais de passagem, mas funcionam que é uma beleza! De uma hora para outra quero comer melhor, tenho menos vontade de beber, quero tentar acordar mais cedo… uma injeção de energia!

 

Voltei a ter vontade de cuidar de mim, algo que senti falta quando perdi a gravidez. Não é que não me cuidasse, eu sempre me cuido bastante, mas era de uma maneira diferente que nem sei explicar direito. Quando estive grávida, me cuidar não era difícil, não era sacrifício, não custava, estava totalmente motivada e tudo parecia natural. O sono enorme que as grávidas reclamam às vezes, me sentou de maravilhas! Nem me lembro quando consegui dormir tão bem meses seguidos e acordar normalmente de manhã cedo, descansada, com vontade de tomar um café da manhã saudável. De comer em horas regulares e ter um prazer enorme em ingerir o que me fazia bem. De fazer ginástica com a consciência de que era uma cura para o corpo. De estar alegre em beber água e saber que estaria hidratada, com minha lucidez ao máximo, e ainda assim me divertir entre os que estavam em outra onda.

 

Isso tudo desapareceu no dia seguinte em que abortei. Como veio, toda essa disposição se foi. Eu quis muito que não acontecesse dessa forma, mas aconteceu e me deixou nostálgica não só pela gravidez em si, mas por quem eu fui nesse período.

 

Continuo sendo a mesma pessoa e continuo com as mesmas chances e riscos. Mas agora mesmo, só me importa que posso tentar de novo, ainda posso. E fiquei muito feliz pela possibilidade e por sentir o gosto dessa disposição novamente, de saber que essa força segue aí para quando eu realmente precisar.

 

Só faltava chamar.

Escudo protetor: ativar!

Tenho escutado uma quantidade de notícias bizarras avassaladoras! E vindas de todos os lados, de gente conhecida, desconhecida, da mídia, das redes sociais, do meu vizinho… sabe quando de repente você tem vontade de dizer: pára que eu quero saltar! Não teria um bonde mais divertido? Ou pelo menos, mais razoável?

Parece o livro do Saramago, Ensaio sobre a cegueira, só que a epidemia seria de loucura temporária. Quer dizer, espero que temporária, tenho esperança que logo desça uma nuvem de bom senso.

Não vou entrar nas histórias, porque não são minhas e só me sinto no direito de falar do meu umbigo. Mais não são uma nem duas, veio uma avalanche de absurdos!

Deve ser o ano do Dragão entrando, sei lá!

Fico dividida entre o dilema de sentir pelas pessoas mais queridas e, ao mesmo tempo, chegar à noite e dizer para mim mesma egoísta, por favor que não seja comigo, que não me atinja, que passe direto. Às vezes, me dá até vergonha de pensar assim.

De certa maneira, nos antecipamos às mudanças e sacudimos a poeira da nossa casa antes. Se o mal passou, não nos reconheceu, ou ficou com preguiça de subir as escadas. Ou nisso prefiro acreditar.

Sempre me lembro de um ditado que aprendi nos EUA, “ignorance is bliss”, ou a ignorância é uma alegria. E tem horas que passo pela tentação de não querer saber nada de ruim, nem meu, nem de ninguém. Sei que é impossível e, pelo menos conscientemente, não me isolo dos problemas alheios, porque também me tocam de uma forma ou de outra. Mas juro que nas duas últimas semanas me dá uma vontade danada de virar um avestruz, simplesmente não ouvir e seguir no meu planeta feliz!

Minha bolha de proteção, por favor! Sei que ela não existe, mas assim como os amigos imaginários infantis fazem companhia, as crenças e amuletos amenizam. Minha natureza me recorda para prestar mais atenção, desconfiar mais das pessoas e evitar maiores riscos, mas a idade me ensina que a generosidade também protege. Que eu saiba alimentar o cão certo e seja salva pelas minhas asas.

E falando em animais e suas asas, que esse dragão com corpo de serpente se lembre que também tem as dele, pare de se rastejar e soltar fogo pelas ventas e alce logo o seu vôo.

A saga da cama

Pois é, dando sequência às mudanças em casa, resolvi mudar de cama.

 

A nossa ex-cama era bem legal, em estilo japonês, com um futon sobre o tatame. De maneiras que dormíamos quase no chão, mas confortáveis.

 

Quando a compramos, nosso quarto era em um mezanino, com o teto mais baixo, e ela encaixava perfeitamente, tanto no espaço quanto na altura.

 

Em seguida, mudamos para um apartamento onde a proprietária tinha cama de casal e não havia como se desfazer dela. Resolvemos, então, deixar a nossa na varanda, sob uma tenda, e criamos um ambiente lounge. Ficou muito charmoso e a idéia era ótima! Infelizmente, a execução nem tanto. Madri é super seco, chove muito pouco, mas nesse ano especificamente, só de raiva, choveu pacas! A ponto de rasgar a tal tenda que protegia nossa cama. O pobre móvel pegou chuva e ficou meio manchado.

 

Paciência! Mesmo assim a mantivemos e a trouxemos para esse apartamento no centro. Limpamos o que deu, deixamos ela um pouco no sol e as manchas que não saíram, cobríamos com o colchão e tudo bem.

 

Daí, no fim do ano passado, com a história da gravidez, comecei a pensar que em algum momento seria complicado levantar do chão. Coloquei na cabeça que era hora de trocar de cama. Ainda que a gravidez não tivesse seguido, pelo menos não naquele momento, porque o futuro a gente não sabe, a idéia de trocar de cama havia entrado na cabeça. Porque já havíamos, inclusive, escolhido qual seria a cama nova.

 

Então, assim que veio esse vento de mudança, resgatei o plano da troca da cama.

 

Vendê-la, seria complicado. Porque além dela estar manchada, moramos no terceiro andar de escadas, em uma rua onde não há estacionamento em frente. Assim que só de conseguir alguém que a quisesse, já nos ajudava bastante. Por isso, anunciei no Facebook  que dava uma cama japonesa para quem quisesse vir buscá-la aqui em casa. Coloquei fotos, medidas, tudo!

 

Até que fez um certo sucesso e o pessoal começou a se manifestar. Os dois primeiros interessados não conseguiram, porque ela ocupa um bom espaço e o quarto precisa ser grande. A terceira interessada mediu seu espaço e tudo bem. Havia uma quarta interessada, caso a terceira desistisse. Mas deu certo com a terceira.

 

Pois muito bem, eu acho engraçado porque ainda tenho amigos no Brasil que imaginam uma vida na Europa cheia de glamour, coisa que está longe de acontecer. Aqui é a gente mesmo que faz os serviços de um modo geral.

 

Ainda me lembro do primeiro sofá-cama que compramos em Madri, antes da mudança chegar dos Estados Unidos, e levamos o dito cujo na cabeça até nosso apartamento! Quem quiser ler essa história, está aqui.

 

Não é que não existam esses serviços, mas além de caros, é normal que você mesma faça, geralmente com auxílio de alguns amigos. E sim, você também ajuda quando te pedem. Como se diz por aqui “hoy por ti, mañana por mí”.

 

Portanto, lembra da amiga que quis ficar com a cama? Lógico que ela não veio com nenhuma equipe de frete, era ela, o namorado e um amigo. Um deles tinha um carro maior e assim é a vida!

 

Desmontamos a cama para ela ver como é que fazia, guardamos todos os parafusos em um saquinho e eles se encarregaram de descer com toda a tralha. Favor lembrar que moramos no terceiro andar sem elevador!

 

Isso começou pelas 16h e precisávamos esperar a cama antiga baixar para poder comprar a nova. Primeiro, porque só queria comprá-la quando tivesse certeza que a cama anterior sairia mesmo. E segundo, porque mesmo que eu quisesse, não cabiam duas camas de casal ao mesmo tempo no nosso apartamento!

 

Pedimos ajuda a um amigo, que nos encontrou no Ikea pelas 18h, nós no nosso carro e ele no dele. O Ikea, para quem não conhece, é como a Tok&Stok deveria ser. Móveis com design moderninho, com qualidade razoável e bom preço. Ou seja, móveis que não são para toda a vida, mas eu também não sou… então, pelo menos se paga pouco por algo prático. Acontece que é aquele esquema de você compra, você leva e você monta!

 

Sim, existe a possibilidade de você pagar para te entregarem em casa e montarem, mas a gente já conversou sobre isso há alguns parágrafos atrás, né?

 

Pois é, pequeno detalhe, sábado à tarde é o pior dia do mundo para ir ao Ikea! Fica desconfortavelmente lotado! E eu com aquela minha paciência de Jô, já viu! Mas era o jeito e encaramos a situação.

 

Finalmente, conseguimos comprar o raio da cama. Agora era transportar para casa. Em princípio, esse nosso amigo ia trazer as caixas no carro dele, mas acabamos resolvendo trazer no nosso, só que daí eu é que já não cabia no carro. Resultado, a carga que nosso amigo transportou fui eu!

 

Estaciona o Luiz na esquina, em uma beirinha de nada que se quebra o galho. Porque em frente à nossa casa, se parar um carro, o trânsito para. Fico eu tomando conta do carro e das coisas e ele e nosso amigo levando as caixas para a portaria do nosso apartamento. Tudo isso, torcendo para não aparecer a polícia, porque estávamos estacionados irregularmente. E lembra que era sábado? Pois é, uma muvuca danada de gente passando para lá e para cá!

 

Quando todas as caixas estavam na portaria, Luiz foi estacionar e meu amigo e eu fomos para o apartamento. Nosso amigo já foi subindo as caixas mais pesadas antes mesmo do Luiz chegar. Eu até tentei me fazer de engraçada, mas não consegui nem colocar as tais caixas porta a dentro, que dirá subir três andares com elas!

 

Nós três e a cama desmontada dentro de casa, os meninos fizeram uma paradinha de 5 minutos para descansar. Aproveitei para descer rápido ao caixa eletrônico. Subo e escuto metade da conversa, Luiz perguntando se não era melhor deixar para o dia seguinte, considerando que já eram 21h.

 

Nosso amigo achou que não, no dia seguinte ele estava enrolado e, afinal de contas, isso são dois palitos! Disse ele…

 

Fui fazer o jantar, afinal saco vazio não para em pé, enquanto os meninos começaram a montagem. Deram uma paradinha para comer e voltei com eles para o quarto, pelo menos para dar apoio moral e meia dúzia de palpites.

 

Encurtando os detalhes, a cama terminou de ser montada às duas da manhã! Troféu cocar, programinha de índio total!

 

Verdade que tem umas duas gavetas invertidas e sobraram duas arruelas… mas considerando os 47 passos da montagem, ficou ótima!

 

E se alguém pretendia estrear a cama com segundas intenções, aviso que às três da matina e depois dessa saga, tudo que a gente queria era dormir.

Começando 2012

Ainda não saberia dizer se o ano promete ser bom.

Para mim sim, começou muito bem, cheio de boas energias e sinceramente, bastante otimista. Sensação de baterias recarregadas e novo ciclo se iniciando.

Entretanto, ninguém é uma ilha e a vida de muitas pessoas ao meu redor parece um pouco complicada. Assim que é difícil não me influenciar.

De qualquer maneira, tento que isso não me abata, pelo contrário, quem sabe possa eu mesma passar um pouco dessa energia positiva e da crença que tudo vai dar certo, porque só deveria haver essa alternativa.

Logo no primeiro fim de semana em Madri, saímos direto com amigos. Bom para ter essa sensação de chegar em casa, de pertencer a um grupo, enfim, de aconchego, mesmo estando longe da nossa família de sangue.

Descobrimos um lugar para comer um acarajé bastante honesto aqui, o Rincón Baiano. Já fizemos dois encontros por lá, o segundo agora no início de 2012. Nos auto intitulamos de a Confraria do Acarajé, em busca do acarajé perfeito! Nesse último encontro, estávamos em umas 20 pessoas e o restaurante é pequeno, ou seja, que tomamos posse do local e pagamos um mico tremendo. Mas bem que foi divertido!

A dieta, por enquanto é um plano remoto ou mal cumprido!  Toda semana me prometo que levarei mais a sério… e todo fim de semana caio em tentação. Os hormônios fizeram seu estrago, mas não posso seguir culpando-os para sempre, preciso tomar vergonha!

Quando saímos, ainda tenho amigos me dando os parabéns pela gravidez que não é mais. Quando os atualizo, ficam mais arrasados do que eu e acabo tendo que consolá-los, o que é quase irônico. Já não sofro mais por falar no assunto com naturalidade e acho que superei. Mas ainda tenho recaídas, quando a gente chega da balada e me encaro no espelho, o bicho pega. É verdade que vai melhorando e me bate cada vez menos. O tempo realmente é nosso aliado nesse sentido.

No mês que vem, tenho consulta médica para saber se está tudo ok e volto a tentar engravidar. Sem tratamentos de fertilização artificial e sem pressão, dentro do possível. Não tenho bola de cristal, mas me sinto mais confiante do que da primeira vez. Não é que acredite ter maiores possibilidades, mas porque é como eu pensei e gostaria que fosse. Com alguma ajuda, acompanhamento médico, mas sem fazer com que toda minha vida se direcione a isso!

É engraçado porque muita gente fala comigo me desejando que “meu sonho de ser mãe” se realize. Não entro em discussão, porque sei que falam com a maior das boas intenções, mas esse não é um “sonho”, nunca foi. É uma vontade enorme que surgiu tardia e estamos tentando realizar, um plano talvez. É algo que espero fazer parte da minha vida, mas não a resume, sequer a complementa, simplesmente é um dos caminhos que adiciona ou multiplica. É um dos caminhos que resolvemos tentar, não depende só da gente e existem muitos outros.

Portanto, muita calma nesse momento. Estou tentando, não desisti, estou fazendo minha parte e acredito na possibilidade. Mas sem desespero, com a serenidade que nem achei que aprenderia um dia, mas a idade finalmente me deu.

Dito isso, seguimos. Enquanto essa confusão toda não vai adiante, preciso perder peso e está difícil segurar a boca! Continuo no Pilates, é ótimo para força, tonificar músculos e tal, mas emagrecer que é bom, necas! Correr está muito difícil, o inverno não ajuda em nada, desanima. Então, tenho um amigo que dá aula de capoeira e resolvi entrar para ver se queimo alguma coisa!

Sempre tive vontade de fazer capoeira, mas me considero o perfil totalmente inadequado para aqueles saltos mortais, rasteiras e afins. Tenho os dois joelhos bichados e uma flexibilidade horrorosa. Daí tinha muita vergonha de começar a fazer aula no Brasil. Acontece que ele está montando uma turma de capoeira adaptativa, ou alternativa, que é mais leve. Além do mais, não é possível que eu tenha menos ginga que a espanholada, né? Fala sério, aqui eles acreditam até que eu sambo bem! Por isso, resolvi tentar. Começa na próxima sexta-feira. Não sei quanto tempo conseguirei acompanhar, mas não custa ver o que passa. Com a minha falta de maturidade, é bem provável que acabe me atrevendo a umas voadoras, amarradona.

Queremos montar ou ajudar a montar um bloco de carnaval para sair esse ano. Todo carnaval que passamos aqui, pelo menos no sábado, a gente sai na rua tocando. A gente sempre diz que no ano seguinte poderia se organizar melhor, ensaiar e tal… mas acaba sendo todas as vezes na base do improviso. Quem sabe agora dê certo e o momento para começar a agitar é agora.

Hoje meu irmão falou que talvez venha para cá no carnaval, o que seria o máximo. Mas como é um plano recente, vamos aguardar.

E falando um pouco sobre a situação na Espanha, o mar não está muito para peixe. Diretamente, não nos afetou, no sentido que Luiz segue empregado. Mas tem tocado a uma série de amigos ao redor. Vários já voltaram para o Brasil e outros seguem avaliando essa intenção.

E para a gente, vale à pena voltar? Veja bem, nós nunca saímos do Brasil por falta de oportunidades ou uma vida ruim por lá. Portanto, o fato ou a impressão (porque acho que também há um certo exagero) de que o Brasil agora esteja “bombando” não nos muda nada. Nos enche de orgulho, mas na prática, não tínhamos problemas econômicos antes. No nosso caso, saímos pela possibilidade de novas experiências, novas línguas, novas culturas e uma maior sensação de segurança física. De maneiras que só nos interessa voltar se a proposta de trabalho for muito boa, porque não estamos mal aqui.

Honestamente, nem acho essa crise esse desespero todo, que me desculpem os afetados. Na minha opinião, está bem pior pela atitude em questão. No Brasil, nos acostumamos às crises, o que não acho bonito, mas é um fato. Portanto, ninguém fica de braços cruzados esperando o governo resolver. Porque sabemos que se formos contar com os políticos, estamos todos ferrados! Aqui, de maneira geral, tenho essa sensação que a maioria das pessoas seguem esperando o que o governo vai fazer para resolver essa encrenca! Não caiu a ficha que quem ter que fazer são eles mesmos. E aqui, ou em qualquer lugar do mundo, ou em qualquer situação, enquanto a gente não olha para o próprio umbigo, assume as limitações e vai correr atrás, ninguém vai fazer por você. Essa máxima do “ele que fez (no caso, “o governo”), a culpa não é minha” não gira nenhum motor. Não estou dizendo que é fácil, muito menos que a crise não exista. Simplesmente, essa atitude espanhola negativa e generalizada não está ajudando nada.

Enfim, quem acompanha nossa vida, sabe que nunca nos comprometemos a morar em lugar nenhum por mais que três meses, é um número cabalístico, sei lá, mas sempre foi assim, desde que nos casamos, e conseguimos nos virar bem com essa meta. De maneiras que não sei se seguiremos ou não na Espanha, só sei que por enquanto e pelos próximos três meses, sim. Se surgirem outras oportunidades nesse período, analisaremos felizes e contentes!

Acontece que começou a me dar coceira para me mudar. Na minha cabeça, esse ano seria, e quem sabe será, um ano de mudanças e inícios de novos ciclos. O problema era para onde? Porque não queria ter todo o trabalho de sair daqui para outro apartamento em Madri e no mês seguinte a gente resolver mudar de país!

Quer saber, se não mudamos de casa, por que não mudar a casa?

Tenho por hábito (e por contingência) não me apegar a quase nada. De tempos em tempos, faço uma limpeza geral e me desfaço de roupas, livros, objetos, enfim, acho importante que saia o velho, porque senão, o novo não tem espaço para entrar!

Daí, comecei a tocar um barata voa total em casa! Aproveitei o início de ano e toda essa energia para chamar a mudança! Não nos restringimos às roupas, mas inclusive estamos nos desfazendo de móveis. Sim, móveis que já estiveram em diferentes casas ou até continentes e que nos acompanham por anos. Coisa que despertou a curiosidade dos amigos, muitos certos que já estávamos levantando a carroça para outro canto!

Não, ainda não. Por enquanto, não.

O maior exercício para mim, tem sido desmontar o atelier. Faço a passo de tartaruga e com toda minha experiência em desapego, tem sido difícil e bastante simbólico.

No final do ano passado, fui visitar o atelier de um amigo, trocamos trabalhos de arte. Hoje ele é um dos poucos vínculos que mantive desse meu, digamos assim, lado artista. O trabalho que ele me deu faz parte de um momento de ruptura na sua vida, em que ele resolveu se desfazer do que havia em volta do seu atelier, porque vendo sempre as mesmas informações, havia a tendência de estar se repetindo. Estou resumindo a conversa ou pelo menos o que me tocou nessa conversa.

Já há alguns anos meu atelier e minhas peças, às vezes, me incomodam um pouco. As peças menos, porque gosto de ter a referência desse momento. Mas o atelier parece que é de outra pessoa. Porque a verdade é que sou outra pessoa agora. E essa história do meu amigo ficou martelando um pouco na minha cabeça.

Quer saber, vou aproveitar  a onda e me desfazer de quase tudo! Comecei pelos livros de arte, textos, apostilas etc. Por um lado, foi legal lembrar de tanta coisa que já passei e em que patamar havia conseguido chegar, porque às vezes eu me esqueço e chego a pensar que não havia conquistado grandes coisas. E sim, foram grandes coisas e um caminho bem bacana! Mas por outro lado, já foi. É bom ter a consciência da minha história e evolução, mas também é importante saber que isso não é garantia de futuro.

Por ironia do destino, a mesa que estava trabalhando, ou seria para eu trabalhar, vai exatamente para o atelier do meu amigo artista que acabei de comentar. Achei perfeito! Começos de ciclos para uns, fins de ciclos para outros. Todo fim é um começo.

Uma amiga me perguntou se não doía me desfazer dos livros. Respondi que sim, dói, mas sei que passa. Então, não sofro. Mas quero que eles saiam rápido da minha vista, antes de começar a olhá-los como um monte de papel que ocupa espaço.

E deixa eu seguir minha limpeza, porque acabo de notar que já estou fazendo hora para voltar a olhar meu passado.

Os números do Buraco da Fechadura em 2011

O WordPress envia aos seus usuários um relatório anual da performance de cada blog. Achei mais do que justo compartilhar esses números com vocês! Obrigada por fazerem parte da minha história! E daqui para baixo, só copio o que recebi!

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 120.000 vezes em 2011. Se fosse o Louvre, eram precisos 5 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

Adeus ano velho, feliz ano novo…

Para variar, quando me atraso nas crônicas, nem sei direito por onde começo a contar as histórias, difícil quando a semana passada não só parece, mas foi literalmente no ano anterior!

Outro dia, uma amiga me comentava que achava engraçado como tudo na nossa vida virava um evento! As coisas começavam aparentemente normais e de repente, aquele barata voa total!

Fiquei pensando que ela tinha razão, mas ainda não tinha me dado conta porque, para a gente, é algo que acontece naturalmente. Na verdade, acho que acontece para todo mundo, basta estar aberto e aceitar as ondas que vão e voltam a todo momento. O sim adiciona, o não, ainda que às vezes seja necessário, sempre te traz limitações.

Pois muito bem, vamos aos fatos práticos! Nossa viagem ao Brasil estava prevista para dia 24 de dezembro. Sim, viajaríamos na noite de Natal. Não estava achando ruim, como vou achar ruim ganhar uma passagem para uma semana no Rio? Se só tinha vôo na noite do Natal, paciência. Já tinha me planejado para no aeroporto comprar jamón, alguma outra coisinha gostosinha, vinhos em garrafas pequenas e levar tudo para o avião e, assim, improvisar nossa ceia nas alturas.

Dia 23, pela manhã, ainda estava naquela preguiça na cama, pensando nas últimas compras que tinha que fazer para levar, quando toca o telefone, era Luiz. Escuta, não quer ir hoje?

_ Hein? Hoje, como assim? Mas o vôo não estava lotado? Mas não tinha que fazer as últimas compras? Mas não tinha uma festa de aniversário para irmos hoje? Mas… foda-se! Sim!

Nada certo, mas ele ia tentar transferir a viagem. Na dúvida, levantei logo e fui arrumar as malas. Por sorte, a comida que a gente leva (afinal, minha família só se presenteia com comida, né?) estava toda comprada.

_ E o gato? Caramba, e o gato?

Tudo bem, a amiga que ia ficar com o Jack podia vir um dia antes.

Mas, e se a gente arrumasse essa confusão toda e no final    não desse para a gente adiantar a viagem? Ué, se não desse, paciência, não custava tentar.

E não é que deu certo?

No dia 24 de dezembro, pela manhã, pousamos no Rio de Janeiro, para o bem de todos e a felicidade geral da nação, ou pelo menos, para nossa família.

O Jantar foi tranqüilo, na casa dos meus pais com meu irmão e uma prima. A ceia, havia levado na mala, um “redondo de cochinillo” (leitão). Como disse antes, os presentes para minha família são sempre comida! No dia seguinte, 25 de dezembro, adicionaram-se a nós os meus sogros e assim completamos a festa. Dessa vez, um pouco mais light, com o tradicional peru natalino.

Não é por nada não, mas não sei o que me aconteceu nessa viagem! Parecia que fui possuída pelos espíritos de uma nuvem de gafanhotos! Simplesmente, devorava tudo que aparecia na minha frente! Não consegui me segurar em absolutamente nenhum dia! Comi e bebi à vontade!

Como de costume, é muito difícil conseguir fazer qualquer encontro no varejo, a gente sempre opta pelo atacado! Publico pelo Facebook onde a gente estará, e os amigos que querem e podem vão se encaixando. Era assim, durante o dia, a prioridade era sempre dos meus pais e à noite a gente ia fazendo os encontrões com quem desse.

Nunca conseguimos encontrar todo mundo, mas acho que talvez tenha sido uma das vezes que mais gente conseguimos ver. Até amiga virtual apareceu!

Já não me lembro em que ordem, mas fomos ao Joaquina do Leme, na Academia da Cachaça (meu bar favorito), no Londra (favorito do meu irmão), no Garota da Urca e no Belmonte. Na verdade, no Belmonte foi só o Luiz, porque nesse dia, infelizmente, a gente teve que se dividir em programas diferentes ou não dava conta do recado!

Uma coisa legal é que os parentes e alguns amigos foram lá em casa, assim também ganhei tempo e consegui encontrar mais gente querida. Porque se eu tivesse que visitar um a um, seria impossível. E a farra de primos em casa foi bem legal!

Grandes amigos de São Paulo, que em teoria não teria a menor chance de encontrar, foram para o Rio nessa semana. Enfim, sabe quando parece que o universo confabula a favor dos encontros?

Não sei o que houve ano passado, mas rolou um baby boom total! Consegui encontrar com quatro deles, três meninas (uma prima e duas filhas de amigas) e um menino (primo). Ainda faltaram alguns nenéns, mas ficará para próxima! Aliás, aviso que modéstia às favas, todos me deram mole e gostaram do meu colo!

Depois de anos, consegui rever meu sobrinho. Minha sogra conseguiu organizar um almoço para a gente se encontrar! Hoje não temos tanto contato, infelizmente, esses rolos de família. Mas quando ele era criança éramos muito apegados, acho que foi o mais próximo de uma relação de filho que tive. Pois é, esse nenenzinho está agora com 18 anos e cursando medicina, pode? Um homem e lindo! Fiquei até emocionada em encontrá-lo, mas me controlei para não pagar mico!

Aliás, os filhos dos amigos também são uma prova que o tempo passa! Acho engraçado ver aqueles rapazes e moças que vi pequenininhos, meus amigos ficando carecas ou grisalhos e, ao mesmo tempo, sempre chegando algum bebê. Não sei se é muito lógico o que vou dizer, mas adoro essa sensação! Não me sinto mais velha nesses momentos, eu gosto de vivê-los, acho que é o ciclo da vida mais forte que tudo e é como deve ser.

À medida que o tempo vai passando, a gente toma consciência que não há felicidade eterna, que não há ninguém sem problemas, que as pessoas adoecem e morrem. Mas também nascem, também evoluem, também curam. Acho que sou uma pessoa feliz por opção, mas que ninguém se iluda, felicidade dá o maior trabalho e de vez em quando, acordo me perguntando se ainda terei dias em que eu possa ser feliz sem fazer nenhuma força, sem sorrir sem tanta vontade ou sem precisar buscar o bom humor no meio do trágico para aliviar o peso.

Pois acabei de ganhar nove dias exatamente assim, de felicidade fácil. E por isso, eu agradeço.

E nesse clima de fartura de família, de amigos, de comidas e de bebidas, chegou dia 31 de dezembro, o melhor dia do ano inteiro! Eu simplesmente amo Ano Novo!

Achei que fosse bater aqueles momentos de retrospectiva, coisas que aprendi, coisas que quero mudar, o que fiz e não consegui fazer, as promessas, enfim, o típico de fim de ano.

Mas nem paciência para pensar nisso eu tive, juro. O que passou já foi, o que aprendi já sei. Quero pensar para frente. Ok, tudo bem, mas pensando para frente, também não me vinha nada! Engraçado, que sempre gosto de escolher uma característica para o ano seguinte, alguma habilidade, sentimento, enfim algo que precise desenvolver. Não consegui pensar em nada, como uma tela em branco!

E veja bem, não é que me sinta pronta ou tão evoluída assim, simplesmente não me vem nada! Talvez isso queira dizer que precise aprender a relaxar com as expectativas, deixar a vida me levar um pouco, parar de querer aprender tanto e executar o que já está. Sem  a cobrança de que vá dá certo, eu já sei que vai dar certo, porque se não der a gente vai consertar mesmo!

Eu não quero ter um sonho, quero ter vários planos e, de preferência, bem caóticos!

E voltando ao dia 31, durante à tarde, fui até a praia com minha mãe e minha tia, três descendentes de bruxas, filhas das minhas duas avós, cada uma ao seu estilo e sua crença. No meu caso, descrença, mas no último dia do ano eu posso tudo e acredito em tudo!

Avisei a Iemanjá que tive que cortar o cabelo, vai que ela não me reconhece, que ela não se aborrecesse, mas eu precisava renascer. Deixei que as sete ondas varressem meus pés e achei bom que dessa vez elas eram de verdade. Não precisaram ser sete montinhos de neve, ou sete fitas azuis, ou sete marolas na banheira ou qualquer coisa que eu encontre para manter nosso encontro marcado por vida. Se diz do pó vim, ao pó voltarei. Mas eu vim da água e foi muito bom estar na minha origem, no meu elemento e na cidade onde eu nasci. Meu ritual pessoal estava completo, esse assunto era e sempre será só nosso.

Voltamos para casa, já na correria para nos arrumar. Os convidados chegariam pelas 20 horas. Porque, claro, precisávamos de uma festa daquelas!

Começou tímida, quando perguntei se podia convidar meus amigos. A coisa foi crescendo, os amigos foram topando e alguns vieram de outras cidades, incrível! No final, acho que foram perto de umas 50 pessoas. Para mim, é tranqüilo, para os meus pais, estavam meio preocupados se ia caber.

Imagina, lógico que cabia, sobrava! Mas passei um bom tempo na cozinha, deixando tudo organizado com antecedência. Porque esse é um dia que a comida não pode faltar! A bebida, os convidados levaram, assim facilitava nossa vida. Minha mãe contratou um garçon e uma copeira, meu irmão levou as caixas de som… e olha a confusão armada! Do jeitinho que eu gosto!

O apartamento dos meus pais é bem de frente para praia, dá para assistir os fogos de camarote, um privilégio! Alguns amigos preferiram descer e romper o ano na areia. Foi bom, porque dividiu o pessoal e coube todo mundo nas janelas, sem maiores apertos.

Passado o ano, a maioria voltou da praia, alguns um pouco molhados, afinal, não sou a única que quer pular as sete ondas. A diferença é que fiz antes.

Já era mais de uma da manhã quando meu pai foi dormir, o que para ele é uma façanha! Aliás, faz muito tempo que não o vejo tão bem. Minha mãe também feliz, enfim, todo mundo parecia feliz ou eram os meus olhos, sei lá, mas acho que estavam realmente felizes. O astral que toma posse da praia de Copacabana nesse dia é algo inexplicável, só sentindo mesmo!

E eu estava feliz da vida, sentia a energia vibrar pelo corpo, difícil de tirar o sorriso! Com meu amor, com minha família e meus amigos! Tomei todas e mais algumas, só champagne! Para mim, a noite passou em cinco minutos!

Mas na verdade, foi até às cinco da matina!

Quando os últimos convidados se foram, fomos Luiz e eu dar um jeito na casa. Assim, meus pais acordavam com tudo mais arrumado. Com toda a animação, eles já não tem pique para essa intensidade, digamos assim. E eu quero garantir próximas futuras festas de Ano Novo, certo?

Já beirava às seis da manhã quando fomos para a cama. Até aí, nenhum problema… se nosso vôo não fosse no próprio dia primeiro.

Pois é, pelas 10 da manhã, estava de pé, preparando a saga da volta! Tínhamos que sair de casa por volta dàs 14h30. Rio de Janeiro para São Paulo e depois Madri.

Tudo bem, por incrível que pareça, estava cansada, mas sem nenhuma ressaca, felizmente. Talvez porque nem tivesse tempo do álcool parar de circular pelo meu sangue!

Lá fomos nós para o aeroporto do Rio, onde lógico, o avião atrasou pacas e chegamos em São Paulo meio que no limite de horário. Ainda pegamos uma fila quilométrica, porque precisávamos fazer novo check in. Por sorte, durante a fila, consegui falar com uma das atendentes e garantir o tal do assento conforto, que se trata da poltrona da porta de emergência, onde você tem mais espaço para os pés. Ufa!

Voamos para o embarque e já entramos com metade dos passageiros sentados! Tudo bem, o importante é dar certo! Vôo turbulento, mas sem maiores incidentes.

Agora, cá estamos, prontinhos para começar 2012 com o pé direito! Aliás, se depender da virada, excelentes fluídos e energia mais do que positiva no ar!

E lá vamos nós para o ano do Dragão!

Feliz 2012!

Queridos amigos,

Por aqui, preparando uma festa de Reveillon, em pleno verão carioca! Que 2012 chegue com todas as boas energias possíveis! Que sejamos melhores e que a vida nos trate como merecemos!

Com certeza, essa foi uma das viagens que mais consegui aproveitar todos os dias intensamente. Rever tanta gente querida, ainda que sempre me faltem algumas, é um privilégio e um luxo que não tenho frequentemente. Aproveitei e sigo aproveitando. Não acredito que só passou uma semana e ao mesmo tempo, não quero lembrar que amanhã vou embora.

Não estou com tempo de fazer a famosa retrospectiva de fim de ano, o que talvez seja até bom, melhor aproveitar as últimas horas pensando para frente e não para trás. Mas vamos lá, achei 2011 muito bom! Nem vou começar a enumerar quanta coisa boa experimentei esse ano, porque acaba gerando um ar meio nostálgico, mas houve muitas. Também perdi e me perdi algumas vezes. Importa que chegamos aqui, entre mortos e feridos, salvaram-se todos! 

E é muito bom respirar a maresia da praia nesse dia, porque não há outro lugar no planeta que me deixe com tanta esperança como esse ar hoje e em todos os dias 31 de dezembro que pude estar exatamente aqui.

Agora vou curtir esse finalzinho de ano e depois volto para contar! Saúde!

Correria total!

Queridos amigos,

Fim de ano é uma correria normalmente, mas agora mesmo estou em uma correria maior. Viajaria amanhã, na noite de Natal para o Brasil, mas conseguimos adiantar e transferir para… hoje! Daqui a pouquinho!

Assim, que as crônicas ficarão para depois!

Passo para desejar um Feliz Natal a todos e que vocês entrem 2012 com o pé direito!  Já faz anos que não passamos no Rio com nossos pais, estamos todos felizes e ansiosos para chegar logo!

Na volta, prometo contar tudo com mais calma!

Fui!

Besitos miles

 

 

Cortei o cabelo!

Acho engraçado, mulheres quando querem mudar (ou já mudaram) por dentro, tem a necessidade que isso se reflita do lado de fora também. É possível que os homens tenham essa vontade, não saberia dizer, porque em geral infelizmente eles possuem menos recursos estéticos do que nós (maquiagens, roupas etc).

Não vou dar muitas voltas, nem fazer grandes reflexões filosóficas por hoje, sejamos práticos, simplesmente é um fato: mulheres quando mudam a cabeça, cortam o cabelo! Conscientes ou não, executam esse rito de passagem constantemente.

E eu executei o meu ritual de direito!

Admito que adoro cabelos compridos, dos que batem na cintura! Sou cabeluda por natureza e acho que combina melhor comigo.

Mas de tempos em tempos, preciso cortar, sentir a cabeça mais leve e o vento na nuca. E nunca me arrependo. Sempre me traz a sensação de estar renascendo, me renovando e, independente de gostar mais ou menos, me faz bem.

E, por isso, fui de um extremo ao outro.

Agora só preciso daquela escovinha progressiva brasileira ma-ra-vi-lho-sa, que tanto me faz falta, e estamos resolvidas!

Realmente, acho que deveria ser tão simples assim também com o peso. Um dia a gente acorda e resolve se livrar de 5 kg! Toma uma pílula e pronto, saiu! Ou, quem sabe, hoje eu quero ter olhos verdes… passa um colírio e vale por 24h. Paciência, uma pena não ser tão fácil com o corpo, mas com o cabelo é.

Portanto, adeus a vários centímetros capilares! Agora é fechar um pouco a boca e pronta para 2012!

Fim de semana e feriado intensos, a gente atrai o que pede e busca!

Muitas informações! Nem sei por onde começar a contar!

 

Então, começo pela sexta-feira, que foi mais tranqüila. Tinha planos de cair na gandaia, mas mal conseguimos terminar o jantar, em um tailandês, e já estava mortinha da Silva. Sem querer dar o braço a torcer, é lógico, afinal preciso resgatar urgentemente minha fama de imparável! Mas a verdade é que estava doida para o Luiz querer voltar para casa e assim não ser eu a fugir da raia!

 

Melhor a gente aproveitar o dia amanhã, né? É, bem melhor… com certeza…

 

Papo de velho, mas tudo bem, acordamos no sábado, mais descansados e estava com vontade de viajar para algum lugar perto de Madri, para sair um pouco do mesmo ambiente e quebrar a rotina. Preferia que fosse alguma cidade que a gente ainda não conhecesse. Procura daqui, procura dali… encontrei uma tal de Miraflores de la Sierra, passando por Pedrezuela. Então vamos!

 

Pedrezuela é sem gracinha, mas Miraflores é bem bonitinha. Bastante tranqüila e com um hotel de boa estrutura para uma cidade tão pequena, onde inclusive resolvemos almoçar.

 

Valeu pelo passeio até a serra, realmente deu para dar uma carregada de baterias.

 

No caminho de volta para a casa, toca o telefone. Era meu irmão, perguntando o que a gente achava se ele trocasse milhas para a gente ir ao Brasil agora no Natal e Reveillon?

 

Como assim, macaco quer banana? Lógico que quero, mas não se empolga tanto, porque essa época é muito difícil, tanto achar lugar, como conseguir trocar milhas. Faz assim, estamos indo para casa e de lá te ligo, porque também tenho algumas milhas e a gente vê o que dá para fazer.

 

Nesse período, temos um amigo que trabalha na companhia aérea e mandei um e-mail para ele perguntando sobre essas possibilidades. Ele já me adiantou que seria complicado, mas tentaria na segunda-feira, quando fosse ao escritório. Beleza! Liguei para meu irmão para explicar isso, dizer quanto eu tinha de milhas e saber quanto ele tinha também.

 

Resumindo, quando consegui falar com ele, já estava todo mundo na casa da minha mãe envolvido, num barata voa total! Ou seja que aquela história de não levantar expectativas já tinha ido para o saco há muito tempo!

 

Olha no computador, vai para o aeroporto e blá blá blá… até que ele liga dizendo que conseguiu! Vamos no dia 24/12/11 e voltamos no dia 01/01/12. Isso quer dizer que viajamos na noite de Natal, o que sinceramente não ligo, acho Natal meio sem graça, queria mesmo era ver a família durante a semana e botar para quebrar no Ano Novo. E na volta, já emendamos da festa para o avião, já vi que viajarei de ressaca, mas quem sabe até ajude e dou uma dormidinha, né? Era assim ou não era, então, toca o barco! Fiquei toda eufórica!

 

Fui me arrumar correndo e atrasada, porque tínhamos uma festa surpresa para ir. Lógico que com essa confusão toda, perdi um pouco a hora.

 

Estou me maquiando correndo, toca o telefone. Lembra que sonhei toda uma noite com uma torta de chocolate? Cheguei a sonhar que encomendava de uma amiga que faz tortas aqui. Pois é, essa amiga leu a crônica e nem me perguntou nada, tratou de fazer uma torta do jeitinho que eu sonhei! Queria dar uma passada lá em casa para entregar!

 

Nem acreditei! Mas o pior é que estava em uma correria louca e não dava para esperar. Amanhã te ligo e vou buscar, obrigadíssima!

 

Caramba, tenho mesmo muita sorte!

 

Bom, no limite do limite conseguimos chegar na festa surpresa, antes de estragar a surpresa, cravado na hora. Foi bem gostoso, não estava tão cheio e deu para bater um papo bom. Como era cedo, sugeri que a gente seguisse a noite no El Junco.

 

Sim, meu adorado El Junco! Ficou alguns meses fechado por reforma, depois a gente nessa confusão toda, o fato é que devia haver quase seis meses que não colocava meus pezinhos por lá! Estava em plena crise de abstinência! Pre-ci-sa-va ir ao El Junco!

 

E assim foi! O mundo ainda seguia no mesmo lugar… ufa! Achei boa a reforma, só que ficou mais claro e gostava do jeitão underground que eles tinham antes. Qualquer dia desses, vou sugerir que eles apaguem uma parte das luzes.

 

Não pude tomar meu whisky de boas vindas, não estava ainda liberada para beber. Estava tomando medicação desde quinta-feira, a primeira para me provocar abertura do colo do útero e em seguida, outra que gerava contrações. Uma beleza! Era como se eu estivesse parindo há dias! Não era o tempo inteiro, mas para quem é fã incondicional da cesariana, estava no céu, né?

 

Mas se era para passar por isso, melhor que fosse aproveitando outros momentos. Na quinta e na sexta foi mais complicado. Depois a dor ficou mais tolerável, dava para disfarçar bem.

 

Tudo muito bom, tudo muito bem, e honestamente, me diverti bastante. Pela madrugada voltamos para casa. E aí, admito que o bicho pegou.

 

Depois de horas de euforia, o “bajón” foi inevitável. Impossível não bater o vitimista “por que não foi comigo” e tal. Daí Luiz foi dormir e preferi ficar lendo no computador, esperando o momento passar. Acho que ainda será assim alguns dias, mas com o tempo vai melhorando.

 

Nos últimos dias, também estava dormindo meio medicada. Primeiro, por minha conta mesmo. Minha mãe havia deixado um tarja preta aqui em casa, genérico do Rivotril (receitado para ajudar a dormir em viagem de avião). Normalmente, sou muito rigorosa com essas coisas, mas não quis nem saber, dormi uma semana à base dessa porcaria e muito bem obrigada. Depois parei para não misturar com os outros remédios, acontece que havia um analgésico forte, o Nolotil, que me apagava da mesma maneira. Nessa noite, cheguei a conclusão que qualquer coisa para dormir teria o efeito bombástico de droga dura e resolvi acabar com essa história de uma vez. Se era para enfrentar os demônios, vamos nessa.

 

E vieram todos! A noite foi  infernal, cheia de pesadelos seguidos, alguns Luiz até conseguia me acordar antes. Mas perdi a conta de quanta bobagem cheguei a sonhar. Enfim, à medida que o dia foi amanhecendo, tudo foi se acalmando e parecendo mais fácil outra vez.

 

Consegui dormir melhor e nem ouvi o interfone tocar. Era minha amiga da torta que combinou com Luiz e apareceu cedo aqui em casa. Fui acordada no domingo pelo Luiz já com um pedaço de torta de chocolate na minha frente!

 

Agora valeu! Isso sim é um sonho! O escândalo de chocolate fez seu efeito terapêutico e levantei positiva novamente.

 

Quer saber, já chutei o balde me empanturrando de torta de chocolate, então vamos até o final! Descongelei uma feijoada! Fiz arroz fresquinho e uma farofa de alho para espantar qualquer vampiro experimentado! Nos acabamos de comer feijão e ficamos morgando à tarde.

 

Mas não toda a tarde, porque havíamos combinado um encontro de fim de ano com amigos no Kabocla. Apesar da preguiça, foi bem legal. Toquei um pouco meu tamborim, batemos papo com os amigos e o tempo passou de maneira bastante agradável.

 

Segunda-feira, Luiz tirou o dia livre. É que essa semana, foi feriado na terça e na quinta-feira. Luiz tirou a segunda e a sexta, só precisou trabalhar na quarta, hoje, porque havia uma viagem marcada para Valência.

 

Mas foi bom ele estar em casa na segunda. Era o dia da minha consulta para saber se tinha alta definitiva, ou se ainda havia alguma coisa para limpar, se precisaria ir para cirurgia, enfim, não foi um dia exatamente tranqüilo. Ainda que na medida do possível, a gente leve bem, eu acho. Mas no fundo, tinha aquela sensação que minha energia e bom humor estavam se esgotando, já não agüentava mais seguir no mesmo processo. Queria que isso tudo se acabasse de uma vez por todas!

 

Almoçamos no Café Olivier, em Chueca, que está entrando para a lista dos meus favoritos. O brunch de domingo é perfeito e durante a semana também é bem legal, como se a gente desse um pulinho na França para comer.

 

Vi a garçonete servir duas taças de champagne e me deu vontade. Em todos esses dias, nem tem me dado tanta vontade assim de beber álcool, mas ali me deu. Tanto pelo líquido em si, quanto pelo tom de celebração que a champagne traz inevitavelmente.

 

Luiz achou que não tinha nada demais, mas a possibilidade de talvez entrar na cirurgia naquele mesmo dia falou mais alto. Resolvi colocar como meta depois da consulta, se tudo estivesse certo, sair para fazer compras direto e comprar uma belíssima champagne! Não quero uma tacinha, quero uma garrafa!

 

Encurtando o suspense, fiz a famosa consulta e estava tudo certo! Útero limpinho, nenhum vestígio! Nenhuma cirurgia! Acho esse médico muito bacana e tem uma maneira de tratar as coisas que me deixa calma e confiante. O fato de estar com Luiz também ajuda muito, sei que se der alguma encrenca, ele pode cuidar da parte burocrática e me deixar focada só no problema. Aliás, isso é uma coisa que reparei, a quantidade de maridos que estão presentes nas consultas. Geralmente, estou acostumada a estar sozinha nos consultórios e ver a mulherada sozinha também, às vezes, uma ou outra vai com a mãe. Mas ali, os maridos são bem presentes, achei legal.

 

O que importa é que finalmente essa etapa acabou! Não posso dizer que fique exatamente feliz, mas seguramente, estou aliviada. Não tem mais remédios nem limitações. Na verdade, tenho até boas perspectivas de futuro, mas não quero pensar nisso agora. Há três meses não temos outro assunto, chega! Aliás, recomendação médica, que não pense nisso agora mesmo, desvincular um processo do outro.

 

Fomos fazer compras, e conforme prometido, que não faltasse champagne!

 

Comemos em casa mesmo, frutos do mar. Camarão e lula no azeite, salmão defumado e blinis de caviar com queijo cremoso. A champagne eleita foi uma Taittinger Prestige Rosé na temperatura perfeita, enfurecida! E claro, mais uma tortinha de chocolate de sobremesa…

 

Pergunta se tive problemas para dormir? Nenhum!

 

Terça-feira, feriado, Luiz me acorda dizendo que alguns amigos iam comer no Rincón Baiano, quer ir? E lá vamos nós! Vou terminar esse feriado rolando!

 

Outra vez, bastante divertido. Ótimas conversa e comida! Sem falar do astral alto de costume.

 

Hoje Luiz foi trabalhar, afinal, alguém tem que trabalhar nessa casa, né? Mas quinta e sexta, novamente, temos livre. Vamos ver o que mais aprontaremos.

 

Amanhã, marquei de cortar o cabelo, quero uma mudança de visual radical! Como é bom ser mulher, a gente pode ser camaleoa a hora que bem entende!

 

Também já comecei a agitar o povo para passar Reveillon no Rio, espero que dê certo! Quer dizer, que vai dar certo eu tenho certeza, mas seria legal ver além da família, o maior número de amigos possível. Botei a maior pilha na minha mãe para fazer festa, coisa que nem foi muito complicada, porque meu irmão e ela adoram uma bagunça! Meu pai faz que gosta mais ou menos no início, mas depois ele sempre se anima e sente prazer em dividir suas garrafas de whisky estocadas.

 

Assim que vamos bem, foi um ano e tanto e nada melhor que encerrar esse ciclo na areia da praia do Rio de Janeiro.

 

Fala sério, na hora que o calo aperta e eu realmente preciso, Luiz dá um jeito de sair do trabalho quantas vezes faça falta, minha mãe despenca de casa e atravessa o oceano, meu pai trata de ficar melhor, meu irmão se vira e nos dá passagens para ir ao Brasil, os amigos estão sempre presentes das formas mais diversas, uma delas até me faz uma torta simplesmente porque eu sonhei! Vamos combinar, tenho muito a agradecer.

 

Enquanto isso, na sala de justiça… ainda faltam mais duas garrafas enfurecidas de champagne para abrirmos. Desconfio que vai mais uma para a geladeira hoje! Acho que vou bater um papinho com a viúva Clicquot…

 

Saúde!

Sonho de chocolate

Olha, acho que os remedinhos que estou tomando devem ser muito bons mesmo, porque passei a noite inteira, mas inteirinha, sonhando nada mais, nada menos, que com um pedaço de torta de chocolate!

 

Daquelas tortas geladinhas, molhadas, com recheio e cobertura de brigadeiro! Ai, que vontade!

 

Aqui não tem dessas tortas molhadinhas em confeitaria para vender e cheguei a sonhar que encomendava de uma amiga! Inclusive, dava todas as descrições detalhadas de como queria a bendita torta!

 

Depois, sonhei que fazia uma alternativa meia boca, daqueles bolos de xícara de chocolate, e tomava no café da manhã.

 

Passei literalmente horas e horas sonhando com isso! Fala sério, não parece onda de larica?

 

Será que estou chapada e nem sei?

Pronto, acabou, chega!

Vou contar bem rápido, porque juro que já não agüento mais essa história. Passo só para deixar o pessoal tranqüilo e concluir essa novela mexicana!

 

Acordei cedo, tomei meu café da manhã e o tal do Cytotec. Estava um pouco apreensiva, primeiro porque na embalagem dizia para uso oral e fui instruída para uso intravaginal. Fiquei um pouco na dúvida se era aquilo mesmo e fui para o Google.

 

Bom, aparecem mil histórias escabrosas sobre o Cytotec, mas a grande maioria me parecia não seguir recomendação médica, o que realmente é um risco. Além do mais, muitas mulheres tomam em um estágio mais avançado da gravidez, o que pode ser de verdade perigoso. Fora que as dosagens variam um absurdo de uma experiência relatada para outra.

 

Enfim, resolvi deixar de lado o que li e confiar no meu médico, que foi o melhor que fiz. Coloquei as tais duas pastilhas, por via intravaginal, como ele falou e fui para cama esperar fazer efeito. Achei que fossem me doer mais as contrações, acho que isso varia de mulher para mulher, mas para mim, foram como cólicas menstruais normais. Incômodo, mas nada insuportável.

 

Verdade que também tomei um analgésico forte, o Nolotil, o que acho que ajudou.

 

De qualquer maneira, demorou muito a fazer efeito. Coloquei o Cytotec às 8h20 e só quase às 11h da manhã tive o primeiro sangramento leve. Cheguei a pensar em ligar para o médico e perguntar se deveria aumentar a dose, mais pela ansiedade do Luiz, que parecia um cuco na porta do quarto, coitado, toda hora entrando e perguntando se já havia começado a acontecer alguma coisa. Mas novamente, resolvi sossegar o faixo e seguir as recomendações.

 

Aos poucos começou a descer um fluxo pouco maior e alguns coágulos. Fiquei na dúvida se era o suficiente e já comecei a me preparar psicologicamente para acabar o dia na sala de cirurgia. Paciência.

 

Mas não foi necessário, fui atendida pelo médico às 17h, ainda estava sob o efeito do remédio, na verdade, são quase 21h agora e ainda sinto uma ou outra contração.

 

Enfim, vamos ao que interessa, o embrião já havia saído e essa era a informação mais importante. Ainda havia um ou outro coágulo pequeno, como fluxo menstrual normal, mas nada aderido e, como disse, o principal que era o embrião não estava mais.

 

Assim que, em princípio, não tenho nenhuma indicação para ir à cirurgia. Devo ainda expulsar esses coágulos, mas aparentemente, não há motivos para não saírem naturalmente.

 

Agora ele me receitou outros dois remédios, um antibiótico de dose única, o Zitromax e uma solução em gotas de um tal de Methergín, que pelo que entendi, seguirá me dando um pouco de contrações. Acho que ajuda a expulsar todos os vestígios. Tomo o Methergín até segunda-feira e volto lá para ele fazer uma checagem final.

 

Bom, vamos supor o pior dos mundos, que tenha restado algum resíduo e precise ir para cirurgia. Ainda assim é menos agressivo e não há mais embrião, ou seja que seria literalmente apenas uma limpeza.

 

Para os homens isso deve soar como a mesma coisa, mas talvez as mulheres entendam que para a gente faz diferença entrar para uma limpeza do que entrar para um aborto.

 

O fato é que para mim esse assunto acaba de ser encerrado! O que vem por diante são aparas de um processo que terminou. Não sei quais serão os próximos passos, não sei se quero saber disso agora.

 

Muito obrigada por todo apoio que cada um de vocês me deu até agora e que me desculpem pela falta de paciência, mas já não agüento mais pensar nisso!

 

Felizmente, amanhã é sexta-feira e não tenho nenhuma recomendação de fazer repouso. Assim que mal posso esperar para aproveitar o fim de semana!

PS: Pessoal, muitas mulheres tem entrado nesse post sem acompanhar o blog. Para quem não leu os posts anteriores, aviso que essa história se passou na Espanha, em 2011, e o que fiz não era ilegal lá. Fui o tempo todo orientada por um médico e o remédio foi comprado na farmácia, com receita. Infelizmente, o máximo que pude fazer para ajudar outras mulheres foi contar minha experiência, as dosagens e os nomes dos remédios. Não conheço quem vende, não conheço nenhum médico ou clínica que possa indicar e não permito propagadas de vendas, afinal elas não oferecem nenhuma segurança de que o remédio é verdadeiro.

E a natureza não se encarregou

Hoje venceu o prazo de uma semana sem a progesterona (Ultrogestan) para ver se a situação se resolvia naturalmente. Pois não me baixou nem pensamento.

 

Tento ver pelo lado positivo, mais uma vez, sinal que era meu corpo mesmo que estava segurando a gravidez e não uma maneira artificial de mantê-la.

 

Mas o fato é que não desceu. Então, hoje fui ao médico que me receitou dois óvulos de uma medicação chamada Cytotec. Uso os dois amanhã, pela manhã, e pelo que entendi, por volta de uma hora depois começará a me dar contrações e não devo demorar a sangrar e a expulsar o embrião.

 

Ele me receitou em paralelo um analgésico chamado Nolotil, porque parece que as contrações e a cólica são bastante incômodas.

 

A parte melhor é que se resolve em seguida, em casa e no mesmo dia. É um procedimento recomendado até a sétima semana, meu caso, sendo que meu embrião tinha tamanho de cinco semanas. Assim que há boas chances de se resolver tudo dessa maneira. Espero eu.

 

De qualquer modo, tenho consulta amanhã, logo após esse processo, para ver se o útero está limpo e se tudo funcionou como deveria. Caso não tiver funcionado bem (isola!), de lá mesmo sigo para o hospital e faço a curetagem.

 

Ou seja, que de uma maneira ou de outra, amanhã dormirei com essa situação resolvida e poderemos passar a página. Espero que da melhor forma possível.

 

Foi difícil hoje comprar o remédio, o tal do Cytotec. Passei em quatro farmácias e nada, nem podendo encomendar. Achei estranho, até que na última farmácia me explicaram que havia muitas receitas falsas a respeito e algumas farmácias não queriam vender, havia dificuldade inclusive em encontrar distribuidores. Ela ligou para o distribuidor e não conseguiu encomendar.

 

Logo me toquei do porquê, é um remédio abortivo. E as pessoas ainda se sentem no direito de julgar as outras. Me senti muito mal, como se estivesse fazendo alguma coisa suja ou ruim. Por mais absurdo que seja esse pensamento, às vezes seus sentimentos são mais rápidos do que a cabeça pode racionalizar. Meu embrião nem está mais vivo, simplesmente tento evitar uma cirurgia.

 

E mesmo que não fosse esse o caso, alguém acha que qualquer mulher no planeta faz um aborto feliz? Não importa seus motivos, é sempre uma situação sensível e dolorosa.

 

Liguei para Luiz meio arrasada e felizmente ele se encarregou dessa história. Conseguiu encontrar e comprar o remédio para mim. É importante nessas horas você ter com quem contar, porque até me considero uma pessoa razoavelmente forte, mas a vontade que tinha era de me meter embaixo do cobertor e não sair até o inverno acabar!

 

Mas já passou. Agora quero que chegue logo amanhã, já estou pronta.

 

Hoje na consulta foi um pouco estranho, eu mesma ainda não sei direito como me comportar. Tem horas que ainda me emociono, mas outras tenho vontade de sorrir, só que parece que não cabe, que vai doer ou que não será compreendido. Mesmo com os poucos amigos que encontrei foi assim também, fico sem saber bem para onde olhar ou onde por os braços. Eu sorrio por reflexo, porque eu gosto de sorrir, mas parece que agora sou mais consciente disso e é menos frequente que me saia tão espontâneo. Eu sei que é só uma questão de tempo.

 

Durante esses dias, tem sido difícil, mas juro que nada devastador. Muitas mulheres passam por isso, é bem menos raro do que a gente possa imaginar. E muitas delas me contam seus casos, escuto com respeito, mas não me serve de consolo nenhum nesses momentos. Tampouco me atrapalha, simplesmente, não muda nada.

 

Os primeiros dias são os mais tristes, logo a vida vai seguindo seu rumo. Luiz e eu temos saído, não estamos de molho em casa. Só realmente não tenho a menor vontade de ficar conversando a respeito, porque é justo quando começo a esquecer que vem alguém e toca no assunto. Por melhor que seja a intenção, não é legal e já não consigo disfarçar minha impaciência.

 

Agora mesmo, só quero que esses dias passem logo e que eu possa voltar a falar com meus amigos sobre outras coisas! Não tenho vocação para tristeza, chega!

 

Vai me bater ainda de vez em quando e, de verdade, se quiser me ajudar, faz de conta que não notou!

 

Chegará o dia em que poderei conversar sobre isso como mais um fato que passamos, mas hoje não tenho vontade, escrevo apenas até fechar esse ciclo, que ojalá, se encerre amanhã.

Manual de perguntas e respostas para um momento muito difícil

Vou ser bastante sincera e direta em relação a como estou me sentindo agora e é bem fodida. Acho que não haveria outra maneira de passar por esse momento. Não há como dourar a pílula.

Mas sei que não é para sempre e só tem um jeito da gente sair do buraco, por cima.

Por sorte, o bom humor não me abandonou. Ainda tenho muitos momentos de tristeza por dia, mas hoje já é mais fácil que ontem, o que me leva a crer que amanhã será melhor. Também tenho momentos de bastante tranqüilidade e alívio, seguramente devo agradecer à boa energia das pessoas à nossa volta.

Escrever me faz muito bem, exorciza as bruxas! Às vezes, me faz chorar, mas de uma maneira positiva porque sempre me deixa mais leve e melhor resolvida. Agora, falar ainda é muito difícil. A palavra escrita me faz desabafar, a falada me dói. Pelo menos, por enquanto, vai chegar a hora em que isso vai passar também.

Tenho lido tudo que me escrevem e agradeço o apoio de todos, cada um à sua maneira e dentro das suas crenças. Procuro tirar o que vem de positivo em cada mensagem e, por isso, novamente agradeço. Mas ainda não tenho vontade de responder. É como se uma resposta sobrasse.

Por isso estive pensando o quanto é difícil a gente saber o que dizer nesses momentos. Não só nesse caso, mas em situações de perda de um modo geral. Parece que tudo sobra, porque no fundo a gente sabe que não tem nada além do tempo que faça com que a vida volte ao seu curso. Mesmo assim, temos a vontade de dizer que se há alguma coisa que possamos fazer para aliviar, estamos ali. E não nego que é bom ouvir, a gente também sabe que não vai resolver a dor, mas divide-se o peso.

Então, resolvi enumerar o que percebo que são as dúvidas de quem está de fora. Para mim, também funciona como uma maneira de ordenar as idéias e me questionar. Não sei se será assim para todo mundo, mas é assim para mim.

O que gostaria de ouvir para me aliviar a dor?

Infelizmente, nada, não há nada que se possa dizer. Conselhos religiosos ou frases bonitas soam todas iguais. A gente percebe que há uma boa intenção, passa apoio, mas honestamente, não adianta.

Saber que os amigos estão do seu lado sem te julgar e para o que você precisar ajuda sim. Na prática, não preciso de nada em concreto, mas é bom me sentir querida. Faz a gente pensar que está no caminho certo.

O que, de verdade, alivia a dor?

O tempo e saber que todo o possível foi feito. Mas principalmente o tempo, porque nem sempre podemos controlar todas as ações.

O que a gente deve responder para os amigos?

Não tenho a menor idéia, também queria saber. Não gosto que meus amigos fiquem preocupados ou achando que não estamos bem. Porque eu fico muito angustiada quando sei que tenho um amigo sofrendo e me incomoda saber que pode ter alguém assim por minha causa.

Como as pessoas devem se comportar quando me encontrarem pela primeira vez?

Como quiserem, como for mais espontâneo.

Se está com vontade de brincar brinque; se ficou emocionada, chore; se quiser abraçar, abrace; se preferir falar de outro assunto, falaremos sobre o tempo, não tem nenhum problema nisso!

Eu sei que você sabe e você sabe que eu sei, então não se sinta obrigado a falar no tema ou a me consolar. Se você está bem, eu estou bem.

A alegria alheia não me incomoda, me alimenta!

Estar com amigas grávidas, em tratamento ou com bebês me fazem sofrer?

Não, de maneira nenhuma! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Não me incomoda em nada falar sobre gravidez, tratamentos ou filhos! Não tenho absolutamente nenhum pudor com esse assunto. Não mudou nada.

Será que a gente deve ou não deve contar sobre a gravidez antes do terceiro trimestre?

Só posso responder por mim e não tenho nenhum arrependimento a esse respeito. Não acho que é o que garanta nenhum resultado. Vai depender do nível de privacidade que necessitem os pais.

Eu sempre penso que escrevo e conto minhas histórias para quem quiser saber; quem não quiser, tem sempre a opção de não ler, não é mesmo? Não tenho nenhuma pretensão de mudar ou julgar ninguém. Simplesmente, conto minha experiência.

Devo confessar que a parte mais complicada foi a hora de dividir a perda. Não vou negar que é muito difícil contar que a gravidez não foi adiante. E, infelizmente, antes do terceiro trimestre, muitas vezes não vai adiante mesmo. Entretanto, do meu lado, posso afirmar que no que diz respeito a ser mais ou menos doloroso, para mim, francamente, a dor é a mesma.

Acho importantíssimo dizer que a felicidade em dividir as boas notícia com a família e os amigos (antigos, novos, virtuais…) foi geometricamente multiplicada e valeu muito! Trouxe e segue trazendo muita força e ânimo para gente. Não creio que fizesse nada diferente e isso me faz muito bem.

Tem outro fator importante no meu caso, quando comecei a fazer o tratamento, tinha muita curiosidade e ansiedade por ter informações. Não só informações técnicas, mas também conhecer experiências de outras mulheres que haviam passado por isso.

Portanto, já que não me importo em contar o que acontece comigo, na verdade, é minha terapia, achei que outras mulheres poderiam ter as mesmas dúvidas, ou ansiedades, ou medos, afinal, em muitas coisas somos parecidas, e optei contar todos os detalhes.

Novamente, não me arrependo. Mas me preocupa um pouco o grau de influência que isso possa ter nas pessoas. Queria deixar uma mensagem positiva e repassar o mesmo apoio e ânimo que tenho recebido, independente de qualquer resultado.

O que achei de fazer a fertilização in vitro?

Achei uma experiência tremendamente válida, mas faço algumas ressalvas.

O casal precisa estar preparado física e psicologicamente. Na verdade, porque não dizer, também financeiramente.

É uma pauleira! Precisa conversar bastante e tomar muito cuidado para que não abale sua relação.

A tensão de tomar toda a medicação, ficar na ansiedade se vem óvulo, se fertiliza, se vira embrião, se desenvolve embrião… não é mole! Tem que querer muito e saber o que te espera.

Algum arrependimento em fazer a fertilização in vitro?

Nenhum. Acho que foi uma boa tentativa e me trouxe respostas importantes.

Agora sabemos, por exemplo, que ainda ovulo, que Luiz é fértil e que sou capaz de manter uma gravidez.

Quanto ao desenvolvimento do embrião, pode acontecer com qualquer mulher, na verdade, nem é muito raro. É que geralmente é um assunto mais privado, mas todas nós mulheres temos milhões de amigas cuja primeira gravidez não prosseguiu.

Foi precipitado ir diretamente para a fertilização in vitro?

Provavelmente, sim.

Não foi isso que alterou o resultado, mas poderia ter explorado outras alternativas antes.

É muito difícil julgar as pessoas e não quero ser injusta, mas agora me desfazendo dos materiais do tratamento, me deparei com uma tabela de preços (em euros) de onde retiro três deles:

– Ciclo de inseminação artificial: $ 575

– Ciclo de Fecundação in vitro: $ 3.900

– Ciclo de Receptora de óvulos doados: $ 4.100

Bom, isso sem contar as medicações, mas digamos que existe uma certa diferença entre o custo de simplesmente incrementar a ovulação e o tratamento que fiz. Inclusive, para quem acompanhou desde o início, fui fortemente incentivada a receber óvulos doados, coisa que rechacei completamente.

Cada um tire sua própria conclusão e cada caso é um caso.

Mas na prática, além da minha idade, não tínhamos nenhuma complicação adicional, como problemas de espermatozóides, endometriose, problema de trompas… nada! Simplesmente, tenho 42 anos, o que é um fator forte, mas não tão definitivo como fui levada a acreditar.

Pretendo fazer outro tratamento de fertilização in vitro?

Não.

Não me arrependi, mas um foi o suficiente. Não tenho nenhuma intenção de passar por essa situação mais uma vez.

Foi válido, tenho a sensação de dever cumprido e não desaconselho quem quer continuar tentando. Há muitas mulheres que conseguem em tentativas seguintes. Também há muitas que insistem e fazem da sua vida terrível. Cada uma que se enquadre onde bem entender.

Se é para seu bem, se vai te deixar tranqüila saber que tentou novamente, siga em frente!

Só estou dizendo que a mim não fará nenhum bem insistir no mesmo caminho e essa decisão está tomada.

Pretendo seguir tentando engravidar?

Muita calma nesse momento.

Ainda tenho um embrião dentro da barriga e as coisas tem seu tempo, não adianta se afobar nem se desesperar. Isso não é um filme americano onde o final feliz é garantido. Essa ansiedade é de algumas amigas, mas não é minha.

Gostei de saber com meu médico que essa possibilidade existe e se pudermos tentar de maneira natural e tranqüila, sim tentarei.

Esperamos o corpo descansar e a natureza agir como deve. Digamos que não será uma prática nada desagradável, não é mesmo? Nesse ponto, não me incomodo em fazer muitas tentativas!

Se eu puder dar uma ajudinha, muito bem, vamos nessa! Mas existe uma diferença enorme entre determinação e obsessão. A determinação te ajuda a alcançar seus objetivos, a obsessão transforma sua vida em um inferno.

A adoção de uma criança ainda é uma opção?

Sim, totalmente!

A única coisa é que nesse momento ainda tenho alternativas. Não quero partir para uma adoção como uma muleta em uma história que não deu certo.

Se algum dia eu chegar a adotar uma criança será por amor a ela mesma e não por substituição a ninguém.

Como é estar com o embrião no corpo sabendo que não está mais vivo?

Normal. Desculpem se choco alguém. Mas é como se simplesmente estivesse esperando minha menstruação descer. Já não é mais meu Gabriel desde ontem.

Digo isso porque pelo primeiro médico fui levada a crer que poderia ser angustiante saber que o embrião ainda estava lá e que uma curetagem diretamente seria menos doloroso.

Não é verdade, pelo menos, não no meu caso. Quanto menos invasivo o processo, melhor para mim.

Estou sossegada em casa, primeiro porque estou me recuperando emocionalmente, não nego, mas também porque não queria estar na rua quando isso começasse a acontecer. Não sei bem o que se sente, se sangra muito, se é igual a uma menstruação… enfim, saberemos em breve.

Mas é muito melhor que partir diretamente para um centro cirúrgico, tomar outra anestesia geral e sofrer a agressão que é um aborto.

Mesmo que isso tenha que acontecer, pode ser depois, de uma forma mais tranqüila ou simplesmente para um acabamento, digamos assim.

Como é o procedimento de aborto que optei e quais são os próximos passos?

Primeiro, deixar de tomar a progesterona, o Ultrogestan. É possível que seja um dos motivos por eu não ter tido nenhum sangramento até agora. É parecido a deixar de tomar uma pílula anticoncepcional, não me lembro mais, mas acho que em dois ou três dias sua menstruação desce.

Esperaremos aproximadamente uma semana e na quarta-feira que vem, temos uma consulta para saber se desceu e verificar se está tudo limpo.

Caso não seja o suficiente, começo tomar uma medicação que provoca contrações e faz com que se expulse o embrião, também como se fosse uma menstruação, mas com um pouco de cólicas.

Daí, verificamos novamente se está tudo limpo.

E só se ainda tiver algum resquício ou, isola, tiver algum problema nesse período, vou para um centro cirúrgico. E nesse caso, sou atendida pessoalmente pelo meu médico.

Para os brasileiros deve ser estranho essa última frase, mas aqui é comum você ser seguida por um determinado médico, mas no caso de uma operação ou parto, outro médico que você nunca viu na vida te atender. Se eu fizesse o procedimento no hospital anterior, seria assim, não tenho idéia de quem me atenderia na cirurgia.

Segundo meu médico atual, não deveria haver nenhum problema de infecções ou algo mais grave antes de umas 4 semanas. Ou seja que temos tempo para fazer todo esse procedimento com calma e segurança.

Enfim, daí o corpo precisa de uns dois meses para estar no seu estado normal. E poderia, inclusive, tentar nova gravidez. Mas vamos com calma, só estou contando como funciona.

Ainda não sei se terei alguma restrição física nesse período, acho que não, confirmarei na próxima consulta. Por enquanto, deixei a ginástica de lado um pouco até saber melhor o que está acontecendo comigo.

Qual foi o pior momento?

Na quarta-feira, quando a médica vaca começou a me falar de curetagem sem nada conclusivo ainda.

Fiquei apavorada com a possibilidade de me tirarem ou machucarem o embrião enquanto ainda havia possibilidades. Isso sim, desculpe a franqueza, seria criminoso.

Ontem, quando descobri que seu coração parou de bater e devia ser algo bem recente, me senti muito triste, mas conformada. Não foi o pior momento, porque não havia mais o que fazer e tinha certeza que não estaria matando meu embrião. É forte de dizer, mas é a verdade.

Qual foi o melhor momento?

Ouvir seu coração, simplesmente lindo e inesquecível!

Como me sinto a respeito de tudo isso?

Como disse antes, conformada ou talvez algo que aprendi há pouco no deserto, resignada. Se há algo que a gente possa fazer, a gente briga até o fim, se não há mais nada, aceitando a vida como se apresenta, nós sofremos muito menos.

Quando o embrião não se desenvolve bem, costuma ser sinal de algum problema em sua formação. Melhor então que se vá nesse momento, sem sofrimento para ele e com menor sofrimento para nós.

Digo do fundo do coração que estou convencida de que o que nos passou foi o melhor para todos e nos trouxe muitos motivos para alegria e aprendizado. Continuo vendo como uma razão para celebrar.

Estou em paz. Já volto!

Meu Gabriel

Meu anjo que passou pouco tempo comigo, mas passou. Hoje descobri que você se foi e já não tenho mais o que fazer.

 

Às vezes, escuto mães contando que nem se lembram direito como eram suas vidas antes dos filhos chegarem. Porque parecia que eles sempre estiveram ali.

 

Eu não vi seu rosto, mas escutei seu coração e pareceu que você sempre esteve ali.

 

E o que sinto agora é a coisa mais estranha do mundo, porque a tristeza vem acompanhada de uma nostalgia de alegria de poder ter vivido essas semanas com você. Independente do que venha passar no futuro, sei que por alguns dias fui mãe e não troco essa experiência por nada.

 

Gostei de escutar o médico dividir uma frase interessante no final da consulta, quando queria saber se me interessava ficar com as imagens da ecografia. Contou dessa maneira: tivemos três filhos, o terceiro foi um aborto… É sutil, mas ele não disse, tive dois filhos e o terceiro abortou. Sua mulher quis guardar a ecografia, não de uma maneira mórbida, mas como a foto de um mais da família.

 

E é assim que me sinto, tivemos um mais na casa, tão breve quanto intenso. E eu manterei a sua imagem guardada, com seu coração pulsando.

 

Você movimentou toda nossa família, nossos amigos e gente que nem conhecia! Trouxe alegria e emoção para muitas pessoas, lembrou muita gente de ser feliz, de tomar decisões, fez pensar em seus próprios filhos e reviver momentos bacanas e tantas coisas boas que passaram nesse período.

 

Que privilégio foi te ter na minha vida. Vai em paz, nosso pequeno guerreirinho.

Queridos amigos, não foi dessa vez

Infelizmente, passo para dar uma notícia dura, não era o que queria dizer, mas assim é a vida.

O embrião não se desenvolveu e hoje já não se escutava mais seu coração.

Estamos tristes, mas ficaremos bem.

Fui nos dois médicos hoje, primeiro no antigo médico da fertilização, para que ele me desse alta. Na verdade, ele acabou me dando essa notícia, dizendo que havia 99% de chance de perder a gravidez e novamente, me encaminhando para uma curetagem o mais rápido possível. Deixei seu consultório séria e preocupada, mas calma e sem uma lágrima, sabia que não pisaria mais ali. Nosso ciclo estava fechado.

Saímos de lá e fomos diretamente no meu novo ginecologista, em quem confio mais e me deixa mais tranquila. A notícia não foi diferente, mas a forma de abordá-la sim. Deixamos a consulta tristes, mas em paz e com a certeza de que havíamos feito todo o possível.

Não vamos fazer o aborto diretamente, primeiro tentaremos de forma natural, deixando a progesterona. Se nada acontecer em uma semana, tomo um remédio, que esqueci o nome. E só se essas duas alternativas não forem totalmente efetivas, vou para cirurgia finalizar o procedimento, mas de uma maneira menos agressiva.

Me sinto um pouco estranha, obviamente triste, tenho momentos mais doloridos que outros, mas honestamente acredito que o que passou foi para o nosso bem. Portanto, agora o melhor que pode me acontecer é a natureza se encarregar de resolver.

Dentro da nossa conversa, o médico disse que entendia, mas achou que poderia ter sido precipitado ir direto à fertilização artificial. E que, apesar da minha idade, ainda há algumas alternativas como a estimulação da produção de óvulos. Até porque como se observou, engravidar, eu engravidei. Então, que eu esperasse uns dois meses para o corpo se ajustar, deixasse essa poeira baixar e que, se ainda quisesse, temos possibilidades.

Ainda é cedo para falar nisso, preciso clarear as idéias, mas não vou negar que gostei de ouvir que nada é tão definitivo assim como o médico da fertilização havia nos informado.

O único que tenho certeza é que não pretendo passar pelo tratamento outra vez. Não me arrependo de haver tentado, mas o custo emocional é muito alto para uma segunda tentativa.

E é isso, não há mais o que dizer. Agora quero hibernar um pouquinho, ficar sossegada e calada em casa. A gente já dará a volta nessa história, mas hoje ainda é muito duro falar no assunto.

De qualquer maneira, agradecemos muito a todos por todo apoio que vocês deram. A energia positiva de vocês nos ajudou e apoiou bastante. Não fiquem tristes, porque apesar de tudo, para a gente foi uma experiência tremenda! Nos uniu como casal e como família. Esperamos que nesse período vocês tenham passado por momentos tão felizes como a gente.

 

Corrigindo o título anterior – Gabrimanda mandou avisar: tô aqui! Você não me viu, vaca, mas sigo aqui!

Baixada um pouquinho a poeira, vamos dar uma desabafada, né?

 

Sei que não é bom ficar guardando rancores ou mágoas e é exatamente por isso que preciso colocar um pouco dessa roupa suja para fora!

 

Vamos voltar um pouquinho no tempo, para quarta-feira passada, quando Dra. Vaca me diz que as coisas não parecem bem, que o embrião não está se desenvolvendo como esperado e me prepara para fazer um aborto, provavelmente pela segunda-feira. Dependendo dos exames dos hormônios, talvez tivesse que voltar ao hospital antes de sábado, dando a entender que o embrião poderia já nem estar mais vivo.

 

Ela me falou isso com falta de educação? Não. Mas alguém no planeta acha isso normal ou correto? Como eu posso classificar essa filha da puta, por favor?

 

Veja bem, eu acho que o embrião deveria estar abaixo do tamanho esperado sim. É um bom sinal? Não, mas não é impossível, nem mesmo improvável de acontecer. Ainda que achasse precipitado, que ela me prevenisse que a coisa não ia bem, estou de pleno acordo, até para não voltar no sábado lá toda contente. Mas daí a já me preparar para o pior, sem nem ter feito ainda os testes dos hormônios? Vá a merda, fala sério! Em que exatamente isso poderia me ajudar?

 

Modéstia às favas, é que somos de não desistir das coisas antes da briga acabar. Ficamos tristes sim, mas não nos desesperamos nem caímos na inércia de ficar esperando até sábado.

 

Tem um lado bom nisso tudo? Tem um fantástico! Fui atrás de informações e consegui com amigas que se envolveram na história. Entendi melhor o que poderia estar acontecendo, me preparei para o pior sim, mas também vi que havia possibilidades o suficiente para não perder as esperanças. Acabei me adiantando e procurando meu atual ginecologista, a melhor coisa que poderia ter me acontecido nesse momento!

 

Na quinta-feira, foi Luiz que ligou para lá e torrou o saco para tentar uma consulta de urgência. Conseguiu para segunda (hoje), mas a atendente pediu que eu ligasse na sexta-feira para ela tentar me encaixar.

 

Muito bem, na sexta-feira, acordamos todos muito cedo, porque minha mãe voltava para o Brasil. Fui com ela ao aeroporto de Barajas. Na verdade, foi esse o motivo de não marcar com a Dra. Vaca na própria sexta, coisa que gostei, porque ganhava mais um dia.

 

Uma pena minha mãe ter viajado com o coração na mão, no meio desse furacão inconclusivo. Mas paciência, acho que também foi uma maneira das coisas se encaminharem nos dias certos.

 

Cheguei em casa e, ao meio dia em ponto, liguei para o consultório do ginecologista. A atendente me disse que o dia estava todo tomado. Disse a ela que morava bem perto do consultório e qualquer desistência, eu podia correr para lá. Ela me disse, olha a paciente do meio dia não apareceu e o doutor está um pouco atrasado, mas já a caminho. Você conseguiria estar aqui às 12h15?

 

Se eu consigo? Essa que está aí batendo na porta já sou eu!

 

Fui para lá voando baixo e pronta para esperar a tarde inteirinha algum encaixe! Mas nem foi necessário, a paciente das 12h realmente não apareceu e às 12h15 eu estava com o médico!

 

Ele me ouviu com toda tranqüilidade, anotou meu histórico, escutou a história da fertilização, da última ecografia em que me deram aquela notícia terrível… tudo na maior calma, sem ficar me dando falsas esperanças, mas sem alimentar problemas que ele nem sabia se existiam mesmo. Me encaminhou para uma nova ecografia, em seu próprio consultório.

 

O aparelho de ultrasom dele possui dois monitores, um fica diretamente virado para você acompanhar tudo. Começou o exame e, em poucos segundos, me disse, está escutando esse som?

 

Um som metálico e pulsante que já havia escutado antes em algum lugar, de maneira que reconheci imediatamente as batidas do coração.

 

Claro que desatei a chorar. Acho que normalmente já seria assim, imagino que todas as mães desabem nesse momento. Mas nesse caso em especial, acho que tinha muitas razões para isso.

 

Achei legal da parte dele também, porque a partir daí é que ele foi analisando e mostrando tudo. Me fazer ouvir o coração primeiro era a resposta mais rápida e tranqüilizadora que ele poderia haver me dado.

 

E passado o baque do tá vivo, eu pude curtir um pouco mais o momento, como acho que toda mãe deve fazer. Dentro da bolsa, ele me mostrou um pontinho de pouco mais de 2 mm pulsando e me explicou que ali estava o embrião.

 

Fez algumas medições, disse que como eu implantei dois embriões, poderia haver outro dentro daquela bolsa, mas que no momento ele só via um. Que na experiência dele, deveria ser apenas um mesmo. Viu uma outra manchinha no útero, que não dava para ter certeza, mas poderia ser o outro embrião que não desenvolveu. Enfim, que o mais importante é que pelo menos um embrião seguia ali, vivo e pulsante.

 

Preciso contar uma coisa, o porquê de falar tanto nesse som do coração. Nesses dois dias de dúvidas, “falava” o tempo todo com Gabrimanda (Gabriel ou Amanda). Pedia que ele se desenvolvesse, que tomasse seu tempo porque não iria deixar ninguém fazer nada se não tivesse certeza, mas que me desse algum sinal que eu pudesse me apegar para dizer: vou esperar um pouco mais e não tem conversa! Você ainda não fala, então bate esse coração! Bate esse coração!

 

Por isso, loucuras à parte, para mim esse som não veio como um simples alívio, mas como resposta do nosso primeiro diálogo. Antes eu estava aproveitando, mas foi só na sexta-feira que me senti grávida pela primeira vez.

 

Não sei se todo mundo é assim, acho que deve variar de mulher para mulher, mas não me senti grávida desde o primeiro dia do implante. Sabia que tecnicamente estava, mas ficava esperando sentir alguma coisa diferente, que só sinto agora.

 

 

Mas voltando, seguimos na consulta, onde ele me fez uma ficha de acompanhamento, verificou que exames eu já tinha feito, me aconselhou a tomar ácido fólico (diferente do médico da fertilização) e recomendou o Gestagyn, enriquecido com ferro e alguns minerais. Manteve os três óvulos de Ultrogestan e me informou que provavelmente eu mantenha esses óvulos até a décima terceira semana (como é bom falar com alguém que acredita em alguma possibilidade de futuro!). Me deu uma pastinha com um tipo de apostila com recomendações, conselhos, possíveis dúvidas… e disse que a partir de agora fosse guardando todos os exames nessa pasta. Fiquei marcada para voltar lá no dia 2 de dezembro, duas semanas depois.

 

Saí de lá correndo e flutuando para casa, querendo contar logo para o Luiz a novidade. No caminho, passei na farmácia para comprar o tal do Gestagyn. Acho que estava com uma cara tão atordoada que até a atendente da farmácia me perguntou: deu positivo? E eu, sim, acabei de saber! Pois se nota, me disse sorrindo, parabéns!

 

Bom, cheguei em casa e liguei para o Luiz e fui logo adiantando: ouvi até o coração! Daí desata a chorar ele do lado de lá! Coisa que não escuto há anos! Mas vamos combinar que haja controle emocional! Taquiupariu!

 

Daí fui contar para a família e os amigos, afinal, uma notícia dessas a gente precisa compartilhar. Infelizmente, minha mãe já estava dentro de um avião e só descobriu quando pousou no Rio. Mas avisei ao meu irmão, que foi buscá-la no aeroporto, conta para ela no minuto em que ela pousar! Assim ela já compra a champagne no free shop para celebrar!

 

Olha, eu sigo dizendo que não há nada certo ainda, é muito cedo, acabei de entrar na sétima semana ontem. Mas todo mundo sabe que comemoro cada etapa e acho que foi a melhor coisa que fiz desde o início.

 

E mesmo nos piores momentos, passou pela minha cabeça como seria duro dividir uma má notícia (isola!), mas nem por um segundo me arrependi. Mais do que isso, foi abrindo o jogo que as pessoas souberam que eu precisava de ajuda e me passaram informações, contatos, apoio e tudo mais.

 

Coincidência ou não, dentro da pastinha que ganhei no meu médico atual, começa com um folheto dizendo: “Cualquier problema es menor sientiéndote apoyado y cualquier alegria es mayor compartiéndola” (Qualquer problema é menor sentindo-se apoiado e qualquer alegria é maior sendo compartilhada). Um pouquinho diferente do meu antigo médico, que ficou aborrecido ao ver minha mãe me acompanhando na primeira ecografia, acredite se quiser!

 

Muito bem, mas ainda assim, precisava voltar lá no antigo hospital no sábado, né? Pois voltei, com aquela boa vontade que nem preciso descrever! Advinha quem me atendeu? A Dra. Vaca, é lógico! Digamos, que foi uma consulta tensa, mas dessa vez, tensa para todos os lados, porque nós também não facilitamos nem um pouquinho. Não é para todo mundo ser sincero? Já disse que seguirei o tratamento a partir de agora com meu ginecologista e ela marcou uma consulta na quarta-feira, com o meu médico principal, para ele me dar alta. Não tenho um pingo de vontade de voltar lá, mas quero encerrar bem esse ciclo.

 

Essa coisa do pessimismo espanhol é cultural, não é exclusividade dele. Não quero e não vou ser assim, não me faz bem estar nesse meio, mas não vou levar para o lado pessoal. De toda maneira, independente do que concorde ou não concorde com sua atitude, tenho um embrião na minha barriga apoiada pela sua equipe. E por isso, agradecerei sempre. Espero que o tempo me apague as lembranças mais desagradáveis e guarde o lado positivo.

 

Agora é respirar azul, manter a calma, me cuidar, me alimentar bem e continuar seguindo um dia de cada vez.

Gabriel mandou avisar: tô aqui!

Bom galera, não tenho muita cabeça para escrever grandes crônicas porque estou meio atordoada com todas essas possibilidades que nos tiraram o chão nos últimos dias.

Passei para tranquilizar a família e os amigos, afinal, na hora do aperto e da torcida, vocês estão sempre dando a maior força. Então, vamos celebrar juntos o leão de hoje!

Procurei outro ginecologista para me acompanhar, independente do resultado da gravidez. Peguei indicação com uma amiga que morou aqui e teve uma série de complicações, acompanhadas de três filhos lindos. Ela havia me contado que ele usa um equipamento de ultrassom de última tecnologia, salvou a vida dela, era ótimo médico e blá blá blá…

Muito bem, eu é que não ia ficar na dúvida se estava fazendo ou não a coisa certa. Corri atrás desse médico e tentei marcar uma consulta com a maior urgência possível. Ele acabou me encaixando agorinha, no lugar de uma paciente que não apareceu (afinal, a sorte ajuda também, né?).

Resumindo a ópera, meu embriãozinho segue lá e hoje ouvi pela primeira vez seu coração. Eu nem vou entrar no detalhe da emoção que foi, senão já começo a chorar outra vez!

Isso quer dizer que estou garantida e já posso respirar aliviada? Não, ainda é cedo, faço  7 semanas no próximo domingo. A contagem é igual à gravidez normal, utilizando-se o primeiro dia da última menstruação como dia 1. Na prática, tenho umas 5 semanas, quando os embriões foram implantados.

Mas… meu novo médico confirmou hoje que estou oficialmente grávida! Aparentemente, de um único embrião.

De qualquer maneira, amanhã tenho que ir ao médico da fertilização fazer a tal da ecografia já marcada, mas vamos combinar, muito mais tranquila e bem informada. Provavelmente, seja minha última ou uma das últimas consultas com ele.

Meu ginecologista atual, marcou o próximo ultrassom para daqui a duas semanas, dia 2 de dezembro.

E agora, chega de escrever e deixa eu descansar do leão de hoje que não foi mole! E olha se não valeu entrar na briga?

Ainda tem briga, mas o bicho está pegando

Como se diz por aqui, vamos “directo al grano”, hoje fiz nova ecografia para acompanhar o crescimento das manchinhas.

Muito bem, só aparece uma delas e a médica que me atendeu (da equipe do meu médico oficial) me adiantou que não tinha boa pinta. Aparentemente, o embrião deveria estar mais desenvolvido. Pode acontecer? Pode, mas não é o habitual.

Que eu estava grávida na semana passada, estava. Os níveis hormonais sinalizavam isso claramente. Não tive nenhum tipo de sangramento nesse período, nem passei mal, nada! O que aconteceu ou não aconteceu nesse período, não tenho idéia.

Bom, fiz novos testes hormonais e ela marcou nova ecografia para o sábado. Mas que já fosse me preparando para o pior.

Fiz os testes e voltei a casa para esperar o resultado. Porque se desse negativo, já nem esperaria até sábado para a nova ecografia, teria que voltar ao hospital para uma curetagem ou algo assim.

Fiquei confusa. Lógico que me entristeceu e preocupou, mas por outro lado, nada me parece definitivo, então também não quero desistir porque posso ter ainda um embrião se desenvolvendo e ficar mal não vai ajudar em nada.

No caminho, passei pela farmácia e comprei novo teste de urina. Fiz em casa e deu positivo novamente.

Umas duas horas depois, me ligaram do hospital e pelos exames hormonais, minha gravidez continua inconclusiva. Pelo que entendi, deve estar dando que sigo grávida, assim como o teste que fiz em casa, mas o embrião não aparece claro na ecografia.

Portanto, sigo com a mesma medicação, a progesterona que estou tomando, e tenho que voltar lá no sábado para a tal ecografia. Nesse momento bastante turbulento, isso pode ser considerado uma boa notícia. Pelo menos há por aí alguma esperança.

Não vou enlouquecer antes de tempo. Tenho oscilações de humor, alguns momentos me dá vontade de chorar um pouco, mas estou bem. Estar ou não estar grávida era algo que havia me preparado. O que mais está pegando é essa história de talvez ter que fazer uma curetagem, para isso não me preparei. Achei que se não vingasse, simplesmente minha menstruação desceria e se acabou.

De qualquer maneira, ainda é cedo para me preocupar com esse passo. Vamos com um leão por dia. Pelo menos minha mãe está aqui e Luiz ainda acredita que vai dar tudo certo.

Eu sei que vai dar tudo certo, de uma maneira ou de outra, só preciso de um pouco de serenidade para esse momento passar e que seja o melhor para todos.

E afinal, são gêmeos?

Não sabemos se sim, se não, muito menos pelo contrário!

Hoje fui fazer a primeira ecografia. Até a hora que coloquei os pés no hospital, estava absolutamente tranqüila. Mas foi só sentar na recepção que me bateu aquele frio na barriga do: e se não for? E se não aparecer nada?

Bom, não esperamos muito, assim que nem deu para ficar tão ansiosa. Logo entrei e parti direto para o exame.

Resultado: inconclusivo!

Como assim inconclusivo? Eu estou vendo duas manchinhas aí na tela! Pois é, mas pelo que consegui entender, a manchinha tem que ter mais de 10mm para ser considerada um embrião. Eu tenho duas manchinhas, uma de 7,53mm e outra de 5.50mm. Assim que cada um interprete como quiser.

O médico, no seu papel, precisa ter prudência. Disse que ainda é muito cedo e que devo fazer outra ecografia na semana que vem. Tudo bem, semana que vem volto lá e faço outra, sem problemas.

Mas entre nós, me lixei para a parte que ele disse que era inconclusivo, já batizei a manchinha 7,53 de Gabriel e a 5,50 de Amanda! Depois a gente resolve o que é e o que não é!

Os detalhes, vão ficar para outro dia, porque estou ocupadíssima e com a visita da minha querida mãezinha que chegou muito bem no domingo passado.

De maneiras que o bolão segue no ar, galera! Até semana que vem, na quarta-feira, seguimos aceitando apostas!