Corrigindo o título anterior – Gabrimanda mandou avisar: tô aqui! Você não me viu, vaca, mas sigo aqui!

Baixada um pouquinho a poeira, vamos dar uma desabafada, né?

 

Sei que não é bom ficar guardando rancores ou mágoas e é exatamente por isso que preciso colocar um pouco dessa roupa suja para fora!

 

Vamos voltar um pouquinho no tempo, para quarta-feira passada, quando Dra. Vaca me diz que as coisas não parecem bem, que o embrião não está se desenvolvendo como esperado e me prepara para fazer um aborto, provavelmente pela segunda-feira. Dependendo dos exames dos hormônios, talvez tivesse que voltar ao hospital antes de sábado, dando a entender que o embrião poderia já nem estar mais vivo.

 

Ela me falou isso com falta de educação? Não. Mas alguém no planeta acha isso normal ou correto? Como eu posso classificar essa filha da puta, por favor?

 

Veja bem, eu acho que o embrião deveria estar abaixo do tamanho esperado sim. É um bom sinal? Não, mas não é impossível, nem mesmo improvável de acontecer. Ainda que achasse precipitado, que ela me prevenisse que a coisa não ia bem, estou de pleno acordo, até para não voltar no sábado lá toda contente. Mas daí a já me preparar para o pior, sem nem ter feito ainda os testes dos hormônios? Vá a merda, fala sério! Em que exatamente isso poderia me ajudar?

 

Modéstia às favas, é que somos de não desistir das coisas antes da briga acabar. Ficamos tristes sim, mas não nos desesperamos nem caímos na inércia de ficar esperando até sábado.

 

Tem um lado bom nisso tudo? Tem um fantástico! Fui atrás de informações e consegui com amigas que se envolveram na história. Entendi melhor o que poderia estar acontecendo, me preparei para o pior sim, mas também vi que havia possibilidades o suficiente para não perder as esperanças. Acabei me adiantando e procurando meu atual ginecologista, a melhor coisa que poderia ter me acontecido nesse momento!

 

Na quinta-feira, foi Luiz que ligou para lá e torrou o saco para tentar uma consulta de urgência. Conseguiu para segunda (hoje), mas a atendente pediu que eu ligasse na sexta-feira para ela tentar me encaixar.

 

Muito bem, na sexta-feira, acordamos todos muito cedo, porque minha mãe voltava para o Brasil. Fui com ela ao aeroporto de Barajas. Na verdade, foi esse o motivo de não marcar com a Dra. Vaca na própria sexta, coisa que gostei, porque ganhava mais um dia.

 

Uma pena minha mãe ter viajado com o coração na mão, no meio desse furacão inconclusivo. Mas paciência, acho que também foi uma maneira das coisas se encaminharem nos dias certos.

 

Cheguei em casa e, ao meio dia em ponto, liguei para o consultório do ginecologista. A atendente me disse que o dia estava todo tomado. Disse a ela que morava bem perto do consultório e qualquer desistência, eu podia correr para lá. Ela me disse, olha a paciente do meio dia não apareceu e o doutor está um pouco atrasado, mas já a caminho. Você conseguiria estar aqui às 12h15?

 

Se eu consigo? Essa que está aí batendo na porta já sou eu!

 

Fui para lá voando baixo e pronta para esperar a tarde inteirinha algum encaixe! Mas nem foi necessário, a paciente das 12h realmente não apareceu e às 12h15 eu estava com o médico!

 

Ele me ouviu com toda tranqüilidade, anotou meu histórico, escutou a história da fertilização, da última ecografia em que me deram aquela notícia terrível… tudo na maior calma, sem ficar me dando falsas esperanças, mas sem alimentar problemas que ele nem sabia se existiam mesmo. Me encaminhou para uma nova ecografia, em seu próprio consultório.

 

O aparelho de ultrasom dele possui dois monitores, um fica diretamente virado para você acompanhar tudo. Começou o exame e, em poucos segundos, me disse, está escutando esse som?

 

Um som metálico e pulsante que já havia escutado antes em algum lugar, de maneira que reconheci imediatamente as batidas do coração.

 

Claro que desatei a chorar. Acho que normalmente já seria assim, imagino que todas as mães desabem nesse momento. Mas nesse caso em especial, acho que tinha muitas razões para isso.

 

Achei legal da parte dele também, porque a partir daí é que ele foi analisando e mostrando tudo. Me fazer ouvir o coração primeiro era a resposta mais rápida e tranqüilizadora que ele poderia haver me dado.

 

E passado o baque do tá vivo, eu pude curtir um pouco mais o momento, como acho que toda mãe deve fazer. Dentro da bolsa, ele me mostrou um pontinho de pouco mais de 2 mm pulsando e me explicou que ali estava o embrião.

 

Fez algumas medições, disse que como eu implantei dois embriões, poderia haver outro dentro daquela bolsa, mas que no momento ele só via um. Que na experiência dele, deveria ser apenas um mesmo. Viu uma outra manchinha no útero, que não dava para ter certeza, mas poderia ser o outro embrião que não desenvolveu. Enfim, que o mais importante é que pelo menos um embrião seguia ali, vivo e pulsante.

 

Preciso contar uma coisa, o porquê de falar tanto nesse som do coração. Nesses dois dias de dúvidas, “falava” o tempo todo com Gabrimanda (Gabriel ou Amanda). Pedia que ele se desenvolvesse, que tomasse seu tempo porque não iria deixar ninguém fazer nada se não tivesse certeza, mas que me desse algum sinal que eu pudesse me apegar para dizer: vou esperar um pouco mais e não tem conversa! Você ainda não fala, então bate esse coração! Bate esse coração!

 

Por isso, loucuras à parte, para mim esse som não veio como um simples alívio, mas como resposta do nosso primeiro diálogo. Antes eu estava aproveitando, mas foi só na sexta-feira que me senti grávida pela primeira vez.

 

Não sei se todo mundo é assim, acho que deve variar de mulher para mulher, mas não me senti grávida desde o primeiro dia do implante. Sabia que tecnicamente estava, mas ficava esperando sentir alguma coisa diferente, que só sinto agora.

 

 

Mas voltando, seguimos na consulta, onde ele me fez uma ficha de acompanhamento, verificou que exames eu já tinha feito, me aconselhou a tomar ácido fólico (diferente do médico da fertilização) e recomendou o Gestagyn, enriquecido com ferro e alguns minerais. Manteve os três óvulos de Ultrogestan e me informou que provavelmente eu mantenha esses óvulos até a décima terceira semana (como é bom falar com alguém que acredita em alguma possibilidade de futuro!). Me deu uma pastinha com um tipo de apostila com recomendações, conselhos, possíveis dúvidas… e disse que a partir de agora fosse guardando todos os exames nessa pasta. Fiquei marcada para voltar lá no dia 2 de dezembro, duas semanas depois.

 

Saí de lá correndo e flutuando para casa, querendo contar logo para o Luiz a novidade. No caminho, passei na farmácia para comprar o tal do Gestagyn. Acho que estava com uma cara tão atordoada que até a atendente da farmácia me perguntou: deu positivo? E eu, sim, acabei de saber! Pois se nota, me disse sorrindo, parabéns!

 

Bom, cheguei em casa e liguei para o Luiz e fui logo adiantando: ouvi até o coração! Daí desata a chorar ele do lado de lá! Coisa que não escuto há anos! Mas vamos combinar que haja controle emocional! Taquiupariu!

 

Daí fui contar para a família e os amigos, afinal, uma notícia dessas a gente precisa compartilhar. Infelizmente, minha mãe já estava dentro de um avião e só descobriu quando pousou no Rio. Mas avisei ao meu irmão, que foi buscá-la no aeroporto, conta para ela no minuto em que ela pousar! Assim ela já compra a champagne no free shop para celebrar!

 

Olha, eu sigo dizendo que não há nada certo ainda, é muito cedo, acabei de entrar na sétima semana ontem. Mas todo mundo sabe que comemoro cada etapa e acho que foi a melhor coisa que fiz desde o início.

 

E mesmo nos piores momentos, passou pela minha cabeça como seria duro dividir uma má notícia (isola!), mas nem por um segundo me arrependi. Mais do que isso, foi abrindo o jogo que as pessoas souberam que eu precisava de ajuda e me passaram informações, contatos, apoio e tudo mais.

 

Coincidência ou não, dentro da pastinha que ganhei no meu médico atual, começa com um folheto dizendo: “Cualquier problema es menor sientiéndote apoyado y cualquier alegria es mayor compartiéndola” (Qualquer problema é menor sentindo-se apoiado e qualquer alegria é maior sendo compartilhada). Um pouquinho diferente do meu antigo médico, que ficou aborrecido ao ver minha mãe me acompanhando na primeira ecografia, acredite se quiser!

 

Muito bem, mas ainda assim, precisava voltar lá no antigo hospital no sábado, né? Pois voltei, com aquela boa vontade que nem preciso descrever! Advinha quem me atendeu? A Dra. Vaca, é lógico! Digamos, que foi uma consulta tensa, mas dessa vez, tensa para todos os lados, porque nós também não facilitamos nem um pouquinho. Não é para todo mundo ser sincero? Já disse que seguirei o tratamento a partir de agora com meu ginecologista e ela marcou uma consulta na quarta-feira, com o meu médico principal, para ele me dar alta. Não tenho um pingo de vontade de voltar lá, mas quero encerrar bem esse ciclo.

 

Essa coisa do pessimismo espanhol é cultural, não é exclusividade dele. Não quero e não vou ser assim, não me faz bem estar nesse meio, mas não vou levar para o lado pessoal. De toda maneira, independente do que concorde ou não concorde com sua atitude, tenho um embrião na minha barriga apoiada pela sua equipe. E por isso, agradecerei sempre. Espero que o tempo me apague as lembranças mais desagradáveis e guarde o lado positivo.

 

Agora é respirar azul, manter a calma, me cuidar, me alimentar bem e continuar seguindo um dia de cada vez.

20 comentários em “Corrigindo o título anterior – Gabrimanda mandou avisar: tô aqui! Você não me viu, vaca, mas sigo aqui!”

  1. E viva o coração pulsante! Gabrimanda ta ai na luta amiga e vai conseguir!!!! E a torcida continua e sempre continuará, voces são merecedores de tudo de otimo sempre! Beijos mil, e lembra de mandar o nome do medico pra mim ta?

  2. Que coisa boa! Mas posso falar? Li o outro texto, comentei com o Edu e nossa conclusão na hora foi de que essa médica era uma vaca e deveria estar bem longe de um consultório e de pessoas. Mal amada!
    A gente ficou aqui pensando (acho que mais eu que ele), imaginando o baby depois de nascer. Acho que foi a minha maneira de pensar positivo.
    Milhões de beijos e mais uma vez! Tudo de melhor pra vocês!

  3. Nossa! Tô aliviada também, sei bem o que é a sensação e choro incontrolável de ouvir as primeiras batidas do coraçãozinho. Fez muitíssimo bem em consultar outras opiniões, pensei em te falar isso, mas me segurei, graças a Deus suas amigas daí o fizeram. Para a Dra Vaca, fazer tudo de novo é apenas técnico e um bom negócio, né! Mas para os pacientes, é projeto de vida e imerso de sentimentos. E qual a melhor definição de vida e de sentimentos do que a batida de um coração!! Viva! bjs

  4. Oi Bianca agora que contou a historia inteira ja vemos que casualidades nao existem mesmo, espero que tudo corra bem, nada como ter medico, coma bem, durma bem , relaxe e espere o melhor que o melhor vira um beijo-

  5. Me emocionei lendo teu post (to sensìvel, fazer o que?!) …rs. Fiquei imaginando o teu momento e relembrando momentos meus passados …rs
    Uma segunda opiniao é sempre muito importante. Bola pra frente, pensamento positivo e simbora comemorar … uma etapa de cada vez, mas tem comemorar cada etapa concluìda sim!
    Tb tive uma experiencia péssima com um ginecologista daì, pré-històrico, mal-amado, mal humorado e péssimo profissional. Tive a sorte de ver a cara dele somente uma vez. Mas jà valeu como experiencia. O importante é q vc encontrou alguém que te passou calma e, sobretudo, confiança.
    Espero ansiosa pelas pròximas notìcias do(a)(s) Grabrimanda 😉

  6. Tu tens todo direito pra esse desabafo Bianca. Eu como leitora, quando li o teu post sobre o q a tal doutora t disse, fiquei pasma e indignada. Poxa vida, falta de sensibilidade e ainda por cima sendo ela mulher! Mas há males que vem pro bem, tu encontrastes um sr Doutor e graças a Dra. Vaca (risos). Fica bem, felicidades 🙂 besitos

  7. Haja coração Bi! Fico muito feliz de ver o quão guerreiros vcs são, de buscar, de lutar, não desistir. Vcs merecem um final feliz! Muita energia positiva pra vcs =). Bjus mil

  8. Bianca,sempre que passeio por aqui me emociono! Na verdade,a gente nunca acha que está grávida, de fato , enquanto não escuta o coração…comigo foi exatamente assim!!!! 🙂 Parabéns! Força!
    Querida, ainda bem que vc é uma leoa, e a Dra Vaca que se cuide…hehehehe! Bjssssssss

  9. Negaaaaaa, já ando sensível, mulher…lendo esse relato de hoje então….uiiiiiii Pois pra mim das duas vezes tb só me senti grávida quando ouvi o coração, e repito o que disse antes, posso imaginar vc depois de todo esse sufoco!!!!! Quanta emoção!!!! Imaginei vc voltando, andando pelo teu bairro, para tudo que a Bianca tá passando!!!! 🙂
    Felizzzzzzzzzz AMIGA, FELÍZZZZZZZZ!!!
    VIVA ESSA PESSOA PODEROSA AÍ DENTRO!!!!!
    Beijossssss

  10. concordo com tudo q vc falou…e acho que às vezes as coisas se entortam pra endireitar..talvez essa Dra vaca apareceu so pra vc acabar num medico melhor e mais bacana..a verdade é que o gine-obstetra vai ser uma das pessoas mais importantes da sua vida nos próximos meses, e vc precisa confiar nele e gostar dele. é engraçado mas uma das horas que eu me senti mais amparada foi na sala de parto, logo q acabou o parto, meu GO indo embora me deu um beijo na testa..eu senti como se todas as energias: de Deus, da vida, pessoas, etc..estivessem ali naquele gesto simples e carinhoso..enfim fico feliz por demais..bjs

  11. Batebatebate, coraçãaaaaao! Vocês chorando daí, eu chorando de cá do outro lado do Atlântico, com a confirmação da boa notícia. Afff, esses hormônios… Quer saber? Essa doutora é uma vaca mesmo, ponto com ponto br!

  12. To aqui de longe.. chorando de emoção…!
    Uma alegria poder dividir com vcs cada palavra e cada sentimento aqui expressado!
    Seguimos todos juntos em uma mesma oração do bem e de luz!
    Felicidades família!
    Beijaooo
    Fer

  13. Fiquei tão emocionada que o único que consigo é mandar beijos para os três e dizer que continuo na torcida. Deus abençoe muito o “nosso” Gabriel.

  14. Olha, escorreu uma gota de suor da testa de ler todo o perrengue. Essas coisas me deixam tão prostituta da vida que dá vontade de pegar o avião até Madri e dar um murrrrrrrrrro na fuça da Dra. Meretriz! Ai que “nervioso”!
    Eu falei, o bichinho é guerreiro! Um grande futuro pela frente!
    Besitos!

  15. Tía,

    Que emoção!
    Estou com os olhos cheios d’agua!

    Que lindo o médico te fazer ouvir o coraçaozinho, exatamente o que você tinha pedido tanto! ” Conhecidência” ?!!

    Que bom que você encontrou um médico mais humano para te seguir!
    Muda tudo!
    Bons sinais!!!

    Grande beijo nos corações!

    Adri

  16. Bi… Vaca concordo…filha da puta, sim…..sem comentários…ela tá na profissão errada….ainda bem que tu encontrou o anjo da guarda. bj e tudo vai dar certo.

  17. Eu imaginei uma vaca bem feia com chifres quando vc começou a chamá-la assim…acho que ela nem deve estar dormindo mais de tão mal que estamos falando dela! hehehe Que alívio, a/o Gabrimanda (pegou o nome hein?!) tá ali e ele esperou até você trocar de médico. Cara de cu tem alguns médicos espanhóis pra dar uma notícia séria, acho que eu me assusto mais com a cara deles do que com a notícia que têm pra me dar às vezes. E eu adorei saber que até o Luiz chorou do outro lado da linha 🙂 Parabéns aos 3 seres mais insistentes 😀 beijos e continuem com sorte!!!

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