Cortei o cabelo!

Acho engraçado, mulheres quando querem mudar (ou já mudaram) por dentro, tem a necessidade que isso se reflita do lado de fora também. É possível que os homens tenham essa vontade, não saberia dizer, porque em geral infelizmente eles possuem menos recursos estéticos do que nós (maquiagens, roupas etc).

Não vou dar muitas voltas, nem fazer grandes reflexões filosóficas por hoje, sejamos práticos, simplesmente é um fato: mulheres quando mudam a cabeça, cortam o cabelo! Conscientes ou não, executam esse rito de passagem constantemente.

E eu executei o meu ritual de direito!

Admito que adoro cabelos compridos, dos que batem na cintura! Sou cabeluda por natureza e acho que combina melhor comigo.

Mas de tempos em tempos, preciso cortar, sentir a cabeça mais leve e o vento na nuca. E nunca me arrependo. Sempre me traz a sensação de estar renascendo, me renovando e, independente de gostar mais ou menos, me faz bem.

E, por isso, fui de um extremo ao outro.

Agora só preciso daquela escovinha progressiva brasileira ma-ra-vi-lho-sa, que tanto me faz falta, e estamos resolvidas!

Realmente, acho que deveria ser tão simples assim também com o peso. Um dia a gente acorda e resolve se livrar de 5 kg! Toma uma pílula e pronto, saiu! Ou, quem sabe, hoje eu quero ter olhos verdes… passa um colírio e vale por 24h. Paciência, uma pena não ser tão fácil com o corpo, mas com o cabelo é.

Portanto, adeus a vários centímetros capilares! Agora é fechar um pouco a boca e pronta para 2012!

Fim de semana e feriado intensos, a gente atrai o que pede e busca!

Muitas informações! Nem sei por onde começar a contar!

 

Então, começo pela sexta-feira, que foi mais tranqüila. Tinha planos de cair na gandaia, mas mal conseguimos terminar o jantar, em um tailandês, e já estava mortinha da Silva. Sem querer dar o braço a torcer, é lógico, afinal preciso resgatar urgentemente minha fama de imparável! Mas a verdade é que estava doida para o Luiz querer voltar para casa e assim não ser eu a fugir da raia!

 

Melhor a gente aproveitar o dia amanhã, né? É, bem melhor… com certeza…

 

Papo de velho, mas tudo bem, acordamos no sábado, mais descansados e estava com vontade de viajar para algum lugar perto de Madri, para sair um pouco do mesmo ambiente e quebrar a rotina. Preferia que fosse alguma cidade que a gente ainda não conhecesse. Procura daqui, procura dali… encontrei uma tal de Miraflores de la Sierra, passando por Pedrezuela. Então vamos!

 

Pedrezuela é sem gracinha, mas Miraflores é bem bonitinha. Bastante tranqüila e com um hotel de boa estrutura para uma cidade tão pequena, onde inclusive resolvemos almoçar.

 

Valeu pelo passeio até a serra, realmente deu para dar uma carregada de baterias.

 

No caminho de volta para a casa, toca o telefone. Era meu irmão, perguntando o que a gente achava se ele trocasse milhas para a gente ir ao Brasil agora no Natal e Reveillon?

 

Como assim, macaco quer banana? Lógico que quero, mas não se empolga tanto, porque essa época é muito difícil, tanto achar lugar, como conseguir trocar milhas. Faz assim, estamos indo para casa e de lá te ligo, porque também tenho algumas milhas e a gente vê o que dá para fazer.

 

Nesse período, temos um amigo que trabalha na companhia aérea e mandei um e-mail para ele perguntando sobre essas possibilidades. Ele já me adiantou que seria complicado, mas tentaria na segunda-feira, quando fosse ao escritório. Beleza! Liguei para meu irmão para explicar isso, dizer quanto eu tinha de milhas e saber quanto ele tinha também.

 

Resumindo, quando consegui falar com ele, já estava todo mundo na casa da minha mãe envolvido, num barata voa total! Ou seja que aquela história de não levantar expectativas já tinha ido para o saco há muito tempo!

 

Olha no computador, vai para o aeroporto e blá blá blá… até que ele liga dizendo que conseguiu! Vamos no dia 24/12/11 e voltamos no dia 01/01/12. Isso quer dizer que viajamos na noite de Natal, o que sinceramente não ligo, acho Natal meio sem graça, queria mesmo era ver a família durante a semana e botar para quebrar no Ano Novo. E na volta, já emendamos da festa para o avião, já vi que viajarei de ressaca, mas quem sabe até ajude e dou uma dormidinha, né? Era assim ou não era, então, toca o barco! Fiquei toda eufórica!

 

Fui me arrumar correndo e atrasada, porque tínhamos uma festa surpresa para ir. Lógico que com essa confusão toda, perdi um pouco a hora.

 

Estou me maquiando correndo, toca o telefone. Lembra que sonhei toda uma noite com uma torta de chocolate? Cheguei a sonhar que encomendava de uma amiga que faz tortas aqui. Pois é, essa amiga leu a crônica e nem me perguntou nada, tratou de fazer uma torta do jeitinho que eu sonhei! Queria dar uma passada lá em casa para entregar!

 

Nem acreditei! Mas o pior é que estava em uma correria louca e não dava para esperar. Amanhã te ligo e vou buscar, obrigadíssima!

 

Caramba, tenho mesmo muita sorte!

 

Bom, no limite do limite conseguimos chegar na festa surpresa, antes de estragar a surpresa, cravado na hora. Foi bem gostoso, não estava tão cheio e deu para bater um papo bom. Como era cedo, sugeri que a gente seguisse a noite no El Junco.

 

Sim, meu adorado El Junco! Ficou alguns meses fechado por reforma, depois a gente nessa confusão toda, o fato é que devia haver quase seis meses que não colocava meus pezinhos por lá! Estava em plena crise de abstinência! Pre-ci-sa-va ir ao El Junco!

 

E assim foi! O mundo ainda seguia no mesmo lugar… ufa! Achei boa a reforma, só que ficou mais claro e gostava do jeitão underground que eles tinham antes. Qualquer dia desses, vou sugerir que eles apaguem uma parte das luzes.

 

Não pude tomar meu whisky de boas vindas, não estava ainda liberada para beber. Estava tomando medicação desde quinta-feira, a primeira para me provocar abertura do colo do útero e em seguida, outra que gerava contrações. Uma beleza! Era como se eu estivesse parindo há dias! Não era o tempo inteiro, mas para quem é fã incondicional da cesariana, estava no céu, né?

 

Mas se era para passar por isso, melhor que fosse aproveitando outros momentos. Na quinta e na sexta foi mais complicado. Depois a dor ficou mais tolerável, dava para disfarçar bem.

 

Tudo muito bom, tudo muito bem, e honestamente, me diverti bastante. Pela madrugada voltamos para casa. E aí, admito que o bicho pegou.

 

Depois de horas de euforia, o “bajón” foi inevitável. Impossível não bater o vitimista “por que não foi comigo” e tal. Daí Luiz foi dormir e preferi ficar lendo no computador, esperando o momento passar. Acho que ainda será assim alguns dias, mas com o tempo vai melhorando.

 

Nos últimos dias, também estava dormindo meio medicada. Primeiro, por minha conta mesmo. Minha mãe havia deixado um tarja preta aqui em casa, genérico do Rivotril (receitado para ajudar a dormir em viagem de avião). Normalmente, sou muito rigorosa com essas coisas, mas não quis nem saber, dormi uma semana à base dessa porcaria e muito bem obrigada. Depois parei para não misturar com os outros remédios, acontece que havia um analgésico forte, o Nolotil, que me apagava da mesma maneira. Nessa noite, cheguei a conclusão que qualquer coisa para dormir teria o efeito bombástico de droga dura e resolvi acabar com essa história de uma vez. Se era para enfrentar os demônios, vamos nessa.

 

E vieram todos! A noite foi  infernal, cheia de pesadelos seguidos, alguns Luiz até conseguia me acordar antes. Mas perdi a conta de quanta bobagem cheguei a sonhar. Enfim, à medida que o dia foi amanhecendo, tudo foi se acalmando e parecendo mais fácil outra vez.

 

Consegui dormir melhor e nem ouvi o interfone tocar. Era minha amiga da torta que combinou com Luiz e apareceu cedo aqui em casa. Fui acordada no domingo pelo Luiz já com um pedaço de torta de chocolate na minha frente!

 

Agora valeu! Isso sim é um sonho! O escândalo de chocolate fez seu efeito terapêutico e levantei positiva novamente.

 

Quer saber, já chutei o balde me empanturrando de torta de chocolate, então vamos até o final! Descongelei uma feijoada! Fiz arroz fresquinho e uma farofa de alho para espantar qualquer vampiro experimentado! Nos acabamos de comer feijão e ficamos morgando à tarde.

 

Mas não toda a tarde, porque havíamos combinado um encontro de fim de ano com amigos no Kabocla. Apesar da preguiça, foi bem legal. Toquei um pouco meu tamborim, batemos papo com os amigos e o tempo passou de maneira bastante agradável.

 

Segunda-feira, Luiz tirou o dia livre. É que essa semana, foi feriado na terça e na quinta-feira. Luiz tirou a segunda e a sexta, só precisou trabalhar na quarta, hoje, porque havia uma viagem marcada para Valência.

 

Mas foi bom ele estar em casa na segunda. Era o dia da minha consulta para saber se tinha alta definitiva, ou se ainda havia alguma coisa para limpar, se precisaria ir para cirurgia, enfim, não foi um dia exatamente tranqüilo. Ainda que na medida do possível, a gente leve bem, eu acho. Mas no fundo, tinha aquela sensação que minha energia e bom humor estavam se esgotando, já não agüentava mais seguir no mesmo processo. Queria que isso tudo se acabasse de uma vez por todas!

 

Almoçamos no Café Olivier, em Chueca, que está entrando para a lista dos meus favoritos. O brunch de domingo é perfeito e durante a semana também é bem legal, como se a gente desse um pulinho na França para comer.

 

Vi a garçonete servir duas taças de champagne e me deu vontade. Em todos esses dias, nem tem me dado tanta vontade assim de beber álcool, mas ali me deu. Tanto pelo líquido em si, quanto pelo tom de celebração que a champagne traz inevitavelmente.

 

Luiz achou que não tinha nada demais, mas a possibilidade de talvez entrar na cirurgia naquele mesmo dia falou mais alto. Resolvi colocar como meta depois da consulta, se tudo estivesse certo, sair para fazer compras direto e comprar uma belíssima champagne! Não quero uma tacinha, quero uma garrafa!

 

Encurtando o suspense, fiz a famosa consulta e estava tudo certo! Útero limpinho, nenhum vestígio! Nenhuma cirurgia! Acho esse médico muito bacana e tem uma maneira de tratar as coisas que me deixa calma e confiante. O fato de estar com Luiz também ajuda muito, sei que se der alguma encrenca, ele pode cuidar da parte burocrática e me deixar focada só no problema. Aliás, isso é uma coisa que reparei, a quantidade de maridos que estão presentes nas consultas. Geralmente, estou acostumada a estar sozinha nos consultórios e ver a mulherada sozinha também, às vezes, uma ou outra vai com a mãe. Mas ali, os maridos são bem presentes, achei legal.

 

O que importa é que finalmente essa etapa acabou! Não posso dizer que fique exatamente feliz, mas seguramente, estou aliviada. Não tem mais remédios nem limitações. Na verdade, tenho até boas perspectivas de futuro, mas não quero pensar nisso agora. Há três meses não temos outro assunto, chega! Aliás, recomendação médica, que não pense nisso agora mesmo, desvincular um processo do outro.

 

Fomos fazer compras, e conforme prometido, que não faltasse champagne!

 

Comemos em casa mesmo, frutos do mar. Camarão e lula no azeite, salmão defumado e blinis de caviar com queijo cremoso. A champagne eleita foi uma Taittinger Prestige Rosé na temperatura perfeita, enfurecida! E claro, mais uma tortinha de chocolate de sobremesa…

 

Pergunta se tive problemas para dormir? Nenhum!

 

Terça-feira, feriado, Luiz me acorda dizendo que alguns amigos iam comer no Rincón Baiano, quer ir? E lá vamos nós! Vou terminar esse feriado rolando!

 

Outra vez, bastante divertido. Ótimas conversa e comida! Sem falar do astral alto de costume.

 

Hoje Luiz foi trabalhar, afinal, alguém tem que trabalhar nessa casa, né? Mas quinta e sexta, novamente, temos livre. Vamos ver o que mais aprontaremos.

 

Amanhã, marquei de cortar o cabelo, quero uma mudança de visual radical! Como é bom ser mulher, a gente pode ser camaleoa a hora que bem entende!

 

Também já comecei a agitar o povo para passar Reveillon no Rio, espero que dê certo! Quer dizer, que vai dar certo eu tenho certeza, mas seria legal ver além da família, o maior número de amigos possível. Botei a maior pilha na minha mãe para fazer festa, coisa que nem foi muito complicada, porque meu irmão e ela adoram uma bagunça! Meu pai faz que gosta mais ou menos no início, mas depois ele sempre se anima e sente prazer em dividir suas garrafas de whisky estocadas.

 

Assim que vamos bem, foi um ano e tanto e nada melhor que encerrar esse ciclo na areia da praia do Rio de Janeiro.

 

Fala sério, na hora que o calo aperta e eu realmente preciso, Luiz dá um jeito de sair do trabalho quantas vezes faça falta, minha mãe despenca de casa e atravessa o oceano, meu pai trata de ficar melhor, meu irmão se vira e nos dá passagens para ir ao Brasil, os amigos estão sempre presentes das formas mais diversas, uma delas até me faz uma torta simplesmente porque eu sonhei! Vamos combinar, tenho muito a agradecer.

 

Enquanto isso, na sala de justiça… ainda faltam mais duas garrafas enfurecidas de champagne para abrirmos. Desconfio que vai mais uma para a geladeira hoje! Acho que vou bater um papinho com a viúva Clicquot…

 

Saúde!

Sonho de chocolate

Olha, acho que os remedinhos que estou tomando devem ser muito bons mesmo, porque passei a noite inteira, mas inteirinha, sonhando nada mais, nada menos, que com um pedaço de torta de chocolate!

 

Daquelas tortas geladinhas, molhadas, com recheio e cobertura de brigadeiro! Ai, que vontade!

 

Aqui não tem dessas tortas molhadinhas em confeitaria para vender e cheguei a sonhar que encomendava de uma amiga! Inclusive, dava todas as descrições detalhadas de como queria a bendita torta!

 

Depois, sonhei que fazia uma alternativa meia boca, daqueles bolos de xícara de chocolate, e tomava no café da manhã.

 

Passei literalmente horas e horas sonhando com isso! Fala sério, não parece onda de larica?

 

Será que estou chapada e nem sei?

Pronto, acabou, chega!

Vou contar bem rápido, porque juro que já não agüento mais essa história. Passo só para deixar o pessoal tranqüilo e concluir essa novela mexicana!

 

Acordei cedo, tomei meu café da manhã e o tal do Cytotec. Estava um pouco apreensiva, primeiro porque na embalagem dizia para uso oral e fui instruída para uso intravaginal. Fiquei um pouco na dúvida se era aquilo mesmo e fui para o Google.

 

Bom, aparecem mil histórias escabrosas sobre o Cytotec, mas a grande maioria me parecia não seguir recomendação médica, o que realmente é um risco. Além do mais, muitas mulheres tomam em um estágio mais avançado da gravidez, o que pode ser de verdade perigoso. Fora que as dosagens variam um absurdo de uma experiência relatada para outra.

 

Enfim, resolvi deixar de lado o que li e confiar no meu médico, que foi o melhor que fiz. Coloquei as tais duas pastilhas, por via intravaginal, como ele falou e fui para cama esperar fazer efeito. Achei que fossem me doer mais as contrações, acho que isso varia de mulher para mulher, mas para mim, foram como cólicas menstruais normais. Incômodo, mas nada insuportável.

 

Verdade que também tomei um analgésico forte, o Nolotil, o que acho que ajudou.

 

De qualquer maneira, demorou muito a fazer efeito. Coloquei o Cytotec às 8h20 e só quase às 11h da manhã tive o primeiro sangramento leve. Cheguei a pensar em ligar para o médico e perguntar se deveria aumentar a dose, mais pela ansiedade do Luiz, que parecia um cuco na porta do quarto, coitado, toda hora entrando e perguntando se já havia começado a acontecer alguma coisa. Mas novamente, resolvi sossegar o faixo e seguir as recomendações.

 

Aos poucos começou a descer um fluxo pouco maior e alguns coágulos. Fiquei na dúvida se era o suficiente e já comecei a me preparar psicologicamente para acabar o dia na sala de cirurgia. Paciência.

 

Mas não foi necessário, fui atendida pelo médico às 17h, ainda estava sob o efeito do remédio, na verdade, são quase 21h agora e ainda sinto uma ou outra contração.

 

Enfim, vamos ao que interessa, o embrião já havia saído e essa era a informação mais importante. Ainda havia um ou outro coágulo pequeno, como fluxo menstrual normal, mas nada aderido e, como disse, o principal que era o embrião não estava mais.

 

Assim que, em princípio, não tenho nenhuma indicação para ir à cirurgia. Devo ainda expulsar esses coágulos, mas aparentemente, não há motivos para não saírem naturalmente.

 

Agora ele me receitou outros dois remédios, um antibiótico de dose única, o Zitromax e uma solução em gotas de um tal de Methergín, que pelo que entendi, seguirá me dando um pouco de contrações. Acho que ajuda a expulsar todos os vestígios. Tomo o Methergín até segunda-feira e volto lá para ele fazer uma checagem final.

 

Bom, vamos supor o pior dos mundos, que tenha restado algum resíduo e precise ir para cirurgia. Ainda assim é menos agressivo e não há mais embrião, ou seja que seria literalmente apenas uma limpeza.

 

Para os homens isso deve soar como a mesma coisa, mas talvez as mulheres entendam que para a gente faz diferença entrar para uma limpeza do que entrar para um aborto.

 

O fato é que para mim esse assunto acaba de ser encerrado! O que vem por diante são aparas de um processo que terminou. Não sei quais serão os próximos passos, não sei se quero saber disso agora.

 

Muito obrigada por todo apoio que cada um de vocês me deu até agora e que me desculpem pela falta de paciência, mas já não agüento mais pensar nisso!

 

Felizmente, amanhã é sexta-feira e não tenho nenhuma recomendação de fazer repouso. Assim que mal posso esperar para aproveitar o fim de semana!

PS: Pessoal, muitas mulheres tem entrado nesse post sem acompanhar o blog. Para quem não leu os posts anteriores, aviso que essa história se passou na Espanha, em 2011, e o que fiz não era ilegal lá. Fui o tempo todo orientada por um médico e o remédio foi comprado na farmácia, com receita. Infelizmente, o máximo que pude fazer para ajudar outras mulheres foi contar minha experiência, as dosagens e os nomes dos remédios. Não conheço quem vende, não conheço nenhum médico ou clínica que possa indicar e não permito propagadas de vendas, afinal elas não oferecem nenhuma segurança de que o remédio é verdadeiro.

E a natureza não se encarregou

Hoje venceu o prazo de uma semana sem a progesterona (Ultrogestan) para ver se a situação se resolvia naturalmente. Pois não me baixou nem pensamento.

 

Tento ver pelo lado positivo, mais uma vez, sinal que era meu corpo mesmo que estava segurando a gravidez e não uma maneira artificial de mantê-la.

 

Mas o fato é que não desceu. Então, hoje fui ao médico que me receitou dois óvulos de uma medicação chamada Cytotec. Uso os dois amanhã, pela manhã, e pelo que entendi, por volta de uma hora depois começará a me dar contrações e não devo demorar a sangrar e a expulsar o embrião.

 

Ele me receitou em paralelo um analgésico chamado Nolotil, porque parece que as contrações e a cólica são bastante incômodas.

 

A parte melhor é que se resolve em seguida, em casa e no mesmo dia. É um procedimento recomendado até a sétima semana, meu caso, sendo que meu embrião tinha tamanho de cinco semanas. Assim que há boas chances de se resolver tudo dessa maneira. Espero eu.

 

De qualquer modo, tenho consulta amanhã, logo após esse processo, para ver se o útero está limpo e se tudo funcionou como deveria. Caso não tiver funcionado bem (isola!), de lá mesmo sigo para o hospital e faço a curetagem.

 

Ou seja, que de uma maneira ou de outra, amanhã dormirei com essa situação resolvida e poderemos passar a página. Espero que da melhor forma possível.

 

Foi difícil hoje comprar o remédio, o tal do Cytotec. Passei em quatro farmácias e nada, nem podendo encomendar. Achei estranho, até que na última farmácia me explicaram que havia muitas receitas falsas a respeito e algumas farmácias não queriam vender, havia dificuldade inclusive em encontrar distribuidores. Ela ligou para o distribuidor e não conseguiu encomendar.

 

Logo me toquei do porquê, é um remédio abortivo. E as pessoas ainda se sentem no direito de julgar as outras. Me senti muito mal, como se estivesse fazendo alguma coisa suja ou ruim. Por mais absurdo que seja esse pensamento, às vezes seus sentimentos são mais rápidos do que a cabeça pode racionalizar. Meu embrião nem está mais vivo, simplesmente tento evitar uma cirurgia.

 

E mesmo que não fosse esse o caso, alguém acha que qualquer mulher no planeta faz um aborto feliz? Não importa seus motivos, é sempre uma situação sensível e dolorosa.

 

Liguei para Luiz meio arrasada e felizmente ele se encarregou dessa história. Conseguiu encontrar e comprar o remédio para mim. É importante nessas horas você ter com quem contar, porque até me considero uma pessoa razoavelmente forte, mas a vontade que tinha era de me meter embaixo do cobertor e não sair até o inverno acabar!

 

Mas já passou. Agora quero que chegue logo amanhã, já estou pronta.

 

Hoje na consulta foi um pouco estranho, eu mesma ainda não sei direito como me comportar. Tem horas que ainda me emociono, mas outras tenho vontade de sorrir, só que parece que não cabe, que vai doer ou que não será compreendido. Mesmo com os poucos amigos que encontrei foi assim também, fico sem saber bem para onde olhar ou onde por os braços. Eu sorrio por reflexo, porque eu gosto de sorrir, mas parece que agora sou mais consciente disso e é menos frequente que me saia tão espontâneo. Eu sei que é só uma questão de tempo.

 

Durante esses dias, tem sido difícil, mas juro que nada devastador. Muitas mulheres passam por isso, é bem menos raro do que a gente possa imaginar. E muitas delas me contam seus casos, escuto com respeito, mas não me serve de consolo nenhum nesses momentos. Tampouco me atrapalha, simplesmente, não muda nada.

 

Os primeiros dias são os mais tristes, logo a vida vai seguindo seu rumo. Luiz e eu temos saído, não estamos de molho em casa. Só realmente não tenho a menor vontade de ficar conversando a respeito, porque é justo quando começo a esquecer que vem alguém e toca no assunto. Por melhor que seja a intenção, não é legal e já não consigo disfarçar minha impaciência.

 

Agora mesmo, só quero que esses dias passem logo e que eu possa voltar a falar com meus amigos sobre outras coisas! Não tenho vocação para tristeza, chega!

 

Vai me bater ainda de vez em quando e, de verdade, se quiser me ajudar, faz de conta que não notou!

 

Chegará o dia em que poderei conversar sobre isso como mais um fato que passamos, mas hoje não tenho vontade, escrevo apenas até fechar esse ciclo, que ojalá, se encerre amanhã.

Manual de perguntas e respostas para um momento muito difícil

Vou ser bastante sincera e direta em relação a como estou me sentindo agora e é bem fodida. Acho que não haveria outra maneira de passar por esse momento. Não há como dourar a pílula.

Mas sei que não é para sempre e só tem um jeito da gente sair do buraco, por cima.

Por sorte, o bom humor não me abandonou. Ainda tenho muitos momentos de tristeza por dia, mas hoje já é mais fácil que ontem, o que me leva a crer que amanhã será melhor. Também tenho momentos de bastante tranqüilidade e alívio, seguramente devo agradecer à boa energia das pessoas à nossa volta.

Escrever me faz muito bem, exorciza as bruxas! Às vezes, me faz chorar, mas de uma maneira positiva porque sempre me deixa mais leve e melhor resolvida. Agora, falar ainda é muito difícil. A palavra escrita me faz desabafar, a falada me dói. Pelo menos, por enquanto, vai chegar a hora em que isso vai passar também.

Tenho lido tudo que me escrevem e agradeço o apoio de todos, cada um à sua maneira e dentro das suas crenças. Procuro tirar o que vem de positivo em cada mensagem e, por isso, novamente agradeço. Mas ainda não tenho vontade de responder. É como se uma resposta sobrasse.

Por isso estive pensando o quanto é difícil a gente saber o que dizer nesses momentos. Não só nesse caso, mas em situações de perda de um modo geral. Parece que tudo sobra, porque no fundo a gente sabe que não tem nada além do tempo que faça com que a vida volte ao seu curso. Mesmo assim, temos a vontade de dizer que se há alguma coisa que possamos fazer para aliviar, estamos ali. E não nego que é bom ouvir, a gente também sabe que não vai resolver a dor, mas divide-se o peso.

Então, resolvi enumerar o que percebo que são as dúvidas de quem está de fora. Para mim, também funciona como uma maneira de ordenar as idéias e me questionar. Não sei se será assim para todo mundo, mas é assim para mim.

O que gostaria de ouvir para me aliviar a dor?

Infelizmente, nada, não há nada que se possa dizer. Conselhos religiosos ou frases bonitas soam todas iguais. A gente percebe que há uma boa intenção, passa apoio, mas honestamente, não adianta.

Saber que os amigos estão do seu lado sem te julgar e para o que você precisar ajuda sim. Na prática, não preciso de nada em concreto, mas é bom me sentir querida. Faz a gente pensar que está no caminho certo.

O que, de verdade, alivia a dor?

O tempo e saber que todo o possível foi feito. Mas principalmente o tempo, porque nem sempre podemos controlar todas as ações.

O que a gente deve responder para os amigos?

Não tenho a menor idéia, também queria saber. Não gosto que meus amigos fiquem preocupados ou achando que não estamos bem. Porque eu fico muito angustiada quando sei que tenho um amigo sofrendo e me incomoda saber que pode ter alguém assim por minha causa.

Como as pessoas devem se comportar quando me encontrarem pela primeira vez?

Como quiserem, como for mais espontâneo.

Se está com vontade de brincar brinque; se ficou emocionada, chore; se quiser abraçar, abrace; se preferir falar de outro assunto, falaremos sobre o tempo, não tem nenhum problema nisso!

Eu sei que você sabe e você sabe que eu sei, então não se sinta obrigado a falar no tema ou a me consolar. Se você está bem, eu estou bem.

A alegria alheia não me incomoda, me alimenta!

Estar com amigas grávidas, em tratamento ou com bebês me fazem sofrer?

Não, de maneira nenhuma! Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Não me incomoda em nada falar sobre gravidez, tratamentos ou filhos! Não tenho absolutamente nenhum pudor com esse assunto. Não mudou nada.

Será que a gente deve ou não deve contar sobre a gravidez antes do terceiro trimestre?

Só posso responder por mim e não tenho nenhum arrependimento a esse respeito. Não acho que é o que garanta nenhum resultado. Vai depender do nível de privacidade que necessitem os pais.

Eu sempre penso que escrevo e conto minhas histórias para quem quiser saber; quem não quiser, tem sempre a opção de não ler, não é mesmo? Não tenho nenhuma pretensão de mudar ou julgar ninguém. Simplesmente, conto minha experiência.

Devo confessar que a parte mais complicada foi a hora de dividir a perda. Não vou negar que é muito difícil contar que a gravidez não foi adiante. E, infelizmente, antes do terceiro trimestre, muitas vezes não vai adiante mesmo. Entretanto, do meu lado, posso afirmar que no que diz respeito a ser mais ou menos doloroso, para mim, francamente, a dor é a mesma.

Acho importantíssimo dizer que a felicidade em dividir as boas notícia com a família e os amigos (antigos, novos, virtuais…) foi geometricamente multiplicada e valeu muito! Trouxe e segue trazendo muita força e ânimo para gente. Não creio que fizesse nada diferente e isso me faz muito bem.

Tem outro fator importante no meu caso, quando comecei a fazer o tratamento, tinha muita curiosidade e ansiedade por ter informações. Não só informações técnicas, mas também conhecer experiências de outras mulheres que haviam passado por isso.

Portanto, já que não me importo em contar o que acontece comigo, na verdade, é minha terapia, achei que outras mulheres poderiam ter as mesmas dúvidas, ou ansiedades, ou medos, afinal, em muitas coisas somos parecidas, e optei contar todos os detalhes.

Novamente, não me arrependo. Mas me preocupa um pouco o grau de influência que isso possa ter nas pessoas. Queria deixar uma mensagem positiva e repassar o mesmo apoio e ânimo que tenho recebido, independente de qualquer resultado.

O que achei de fazer a fertilização in vitro?

Achei uma experiência tremendamente válida, mas faço algumas ressalvas.

O casal precisa estar preparado física e psicologicamente. Na verdade, porque não dizer, também financeiramente.

É uma pauleira! Precisa conversar bastante e tomar muito cuidado para que não abale sua relação.

A tensão de tomar toda a medicação, ficar na ansiedade se vem óvulo, se fertiliza, se vira embrião, se desenvolve embrião… não é mole! Tem que querer muito e saber o que te espera.

Algum arrependimento em fazer a fertilização in vitro?

Nenhum. Acho que foi uma boa tentativa e me trouxe respostas importantes.

Agora sabemos, por exemplo, que ainda ovulo, que Luiz é fértil e que sou capaz de manter uma gravidez.

Quanto ao desenvolvimento do embrião, pode acontecer com qualquer mulher, na verdade, nem é muito raro. É que geralmente é um assunto mais privado, mas todas nós mulheres temos milhões de amigas cuja primeira gravidez não prosseguiu.

Foi precipitado ir diretamente para a fertilização in vitro?

Provavelmente, sim.

Não foi isso que alterou o resultado, mas poderia ter explorado outras alternativas antes.

É muito difícil julgar as pessoas e não quero ser injusta, mas agora me desfazendo dos materiais do tratamento, me deparei com uma tabela de preços (em euros) de onde retiro três deles:

– Ciclo de inseminação artificial: $ 575

– Ciclo de Fecundação in vitro: $ 3.900

– Ciclo de Receptora de óvulos doados: $ 4.100

Bom, isso sem contar as medicações, mas digamos que existe uma certa diferença entre o custo de simplesmente incrementar a ovulação e o tratamento que fiz. Inclusive, para quem acompanhou desde o início, fui fortemente incentivada a receber óvulos doados, coisa que rechacei completamente.

Cada um tire sua própria conclusão e cada caso é um caso.

Mas na prática, além da minha idade, não tínhamos nenhuma complicação adicional, como problemas de espermatozóides, endometriose, problema de trompas… nada! Simplesmente, tenho 42 anos, o que é um fator forte, mas não tão definitivo como fui levada a acreditar.

Pretendo fazer outro tratamento de fertilização in vitro?

Não.

Não me arrependi, mas um foi o suficiente. Não tenho nenhuma intenção de passar por essa situação mais uma vez.

Foi válido, tenho a sensação de dever cumprido e não desaconselho quem quer continuar tentando. Há muitas mulheres que conseguem em tentativas seguintes. Também há muitas que insistem e fazem da sua vida terrível. Cada uma que se enquadre onde bem entender.

Se é para seu bem, se vai te deixar tranqüila saber que tentou novamente, siga em frente!

Só estou dizendo que a mim não fará nenhum bem insistir no mesmo caminho e essa decisão está tomada.

Pretendo seguir tentando engravidar?

Muita calma nesse momento.

Ainda tenho um embrião dentro da barriga e as coisas tem seu tempo, não adianta se afobar nem se desesperar. Isso não é um filme americano onde o final feliz é garantido. Essa ansiedade é de algumas amigas, mas não é minha.

Gostei de saber com meu médico que essa possibilidade existe e se pudermos tentar de maneira natural e tranqüila, sim tentarei.

Esperamos o corpo descansar e a natureza agir como deve. Digamos que não será uma prática nada desagradável, não é mesmo? Nesse ponto, não me incomodo em fazer muitas tentativas!

Se eu puder dar uma ajudinha, muito bem, vamos nessa! Mas existe uma diferença enorme entre determinação e obsessão. A determinação te ajuda a alcançar seus objetivos, a obsessão transforma sua vida em um inferno.

A adoção de uma criança ainda é uma opção?

Sim, totalmente!

A única coisa é que nesse momento ainda tenho alternativas. Não quero partir para uma adoção como uma muleta em uma história que não deu certo.

Se algum dia eu chegar a adotar uma criança será por amor a ela mesma e não por substituição a ninguém.

Como é estar com o embrião no corpo sabendo que não está mais vivo?

Normal. Desculpem se choco alguém. Mas é como se simplesmente estivesse esperando minha menstruação descer. Já não é mais meu Gabriel desde ontem.

Digo isso porque pelo primeiro médico fui levada a crer que poderia ser angustiante saber que o embrião ainda estava lá e que uma curetagem diretamente seria menos doloroso.

Não é verdade, pelo menos, não no meu caso. Quanto menos invasivo o processo, melhor para mim.

Estou sossegada em casa, primeiro porque estou me recuperando emocionalmente, não nego, mas também porque não queria estar na rua quando isso começasse a acontecer. Não sei bem o que se sente, se sangra muito, se é igual a uma menstruação… enfim, saberemos em breve.

Mas é muito melhor que partir diretamente para um centro cirúrgico, tomar outra anestesia geral e sofrer a agressão que é um aborto.

Mesmo que isso tenha que acontecer, pode ser depois, de uma forma mais tranqüila ou simplesmente para um acabamento, digamos assim.

Como é o procedimento de aborto que optei e quais são os próximos passos?

Primeiro, deixar de tomar a progesterona, o Ultrogestan. É possível que seja um dos motivos por eu não ter tido nenhum sangramento até agora. É parecido a deixar de tomar uma pílula anticoncepcional, não me lembro mais, mas acho que em dois ou três dias sua menstruação desce.

Esperaremos aproximadamente uma semana e na quarta-feira que vem, temos uma consulta para saber se desceu e verificar se está tudo limpo.

Caso não seja o suficiente, começo tomar uma medicação que provoca contrações e faz com que se expulse o embrião, também como se fosse uma menstruação, mas com um pouco de cólicas.

Daí, verificamos novamente se está tudo limpo.

E só se ainda tiver algum resquício ou, isola, tiver algum problema nesse período, vou para um centro cirúrgico. E nesse caso, sou atendida pessoalmente pelo meu médico.

Para os brasileiros deve ser estranho essa última frase, mas aqui é comum você ser seguida por um determinado médico, mas no caso de uma operação ou parto, outro médico que você nunca viu na vida te atender. Se eu fizesse o procedimento no hospital anterior, seria assim, não tenho idéia de quem me atenderia na cirurgia.

Segundo meu médico atual, não deveria haver nenhum problema de infecções ou algo mais grave antes de umas 4 semanas. Ou seja que temos tempo para fazer todo esse procedimento com calma e segurança.

Enfim, daí o corpo precisa de uns dois meses para estar no seu estado normal. E poderia, inclusive, tentar nova gravidez. Mas vamos com calma, só estou contando como funciona.

Ainda não sei se terei alguma restrição física nesse período, acho que não, confirmarei na próxima consulta. Por enquanto, deixei a ginástica de lado um pouco até saber melhor o que está acontecendo comigo.

Qual foi o pior momento?

Na quarta-feira, quando a médica vaca começou a me falar de curetagem sem nada conclusivo ainda.

Fiquei apavorada com a possibilidade de me tirarem ou machucarem o embrião enquanto ainda havia possibilidades. Isso sim, desculpe a franqueza, seria criminoso.

Ontem, quando descobri que seu coração parou de bater e devia ser algo bem recente, me senti muito triste, mas conformada. Não foi o pior momento, porque não havia mais o que fazer e tinha certeza que não estaria matando meu embrião. É forte de dizer, mas é a verdade.

Qual foi o melhor momento?

Ouvir seu coração, simplesmente lindo e inesquecível!

Como me sinto a respeito de tudo isso?

Como disse antes, conformada ou talvez algo que aprendi há pouco no deserto, resignada. Se há algo que a gente possa fazer, a gente briga até o fim, se não há mais nada, aceitando a vida como se apresenta, nós sofremos muito menos.

Quando o embrião não se desenvolve bem, costuma ser sinal de algum problema em sua formação. Melhor então que se vá nesse momento, sem sofrimento para ele e com menor sofrimento para nós.

Digo do fundo do coração que estou convencida de que o que nos passou foi o melhor para todos e nos trouxe muitos motivos para alegria e aprendizado. Continuo vendo como uma razão para celebrar.

Estou em paz. Já volto!

Meu Gabriel

Meu anjo que passou pouco tempo comigo, mas passou. Hoje descobri que você se foi e já não tenho mais o que fazer.

 

Às vezes, escuto mães contando que nem se lembram direito como eram suas vidas antes dos filhos chegarem. Porque parecia que eles sempre estiveram ali.

 

Eu não vi seu rosto, mas escutei seu coração e pareceu que você sempre esteve ali.

 

E o que sinto agora é a coisa mais estranha do mundo, porque a tristeza vem acompanhada de uma nostalgia de alegria de poder ter vivido essas semanas com você. Independente do que venha passar no futuro, sei que por alguns dias fui mãe e não troco essa experiência por nada.

 

Gostei de escutar o médico dividir uma frase interessante no final da consulta, quando queria saber se me interessava ficar com as imagens da ecografia. Contou dessa maneira: tivemos três filhos, o terceiro foi um aborto… É sutil, mas ele não disse, tive dois filhos e o terceiro abortou. Sua mulher quis guardar a ecografia, não de uma maneira mórbida, mas como a foto de um mais da família.

 

E é assim que me sinto, tivemos um mais na casa, tão breve quanto intenso. E eu manterei a sua imagem guardada, com seu coração pulsando.

 

Você movimentou toda nossa família, nossos amigos e gente que nem conhecia! Trouxe alegria e emoção para muitas pessoas, lembrou muita gente de ser feliz, de tomar decisões, fez pensar em seus próprios filhos e reviver momentos bacanas e tantas coisas boas que passaram nesse período.

 

Que privilégio foi te ter na minha vida. Vai em paz, nosso pequeno guerreirinho.

Queridos amigos, não foi dessa vez

Infelizmente, passo para dar uma notícia dura, não era o que queria dizer, mas assim é a vida.

O embrião não se desenvolveu e hoje já não se escutava mais seu coração.

Estamos tristes, mas ficaremos bem.

Fui nos dois médicos hoje, primeiro no antigo médico da fertilização, para que ele me desse alta. Na verdade, ele acabou me dando essa notícia, dizendo que havia 99% de chance de perder a gravidez e novamente, me encaminhando para uma curetagem o mais rápido possível. Deixei seu consultório séria e preocupada, mas calma e sem uma lágrima, sabia que não pisaria mais ali. Nosso ciclo estava fechado.

Saímos de lá e fomos diretamente no meu novo ginecologista, em quem confio mais e me deixa mais tranquila. A notícia não foi diferente, mas a forma de abordá-la sim. Deixamos a consulta tristes, mas em paz e com a certeza de que havíamos feito todo o possível.

Não vamos fazer o aborto diretamente, primeiro tentaremos de forma natural, deixando a progesterona. Se nada acontecer em uma semana, tomo um remédio, que esqueci o nome. E só se essas duas alternativas não forem totalmente efetivas, vou para cirurgia finalizar o procedimento, mas de uma maneira menos agressiva.

Me sinto um pouco estranha, obviamente triste, tenho momentos mais doloridos que outros, mas honestamente acredito que o que passou foi para o nosso bem. Portanto, agora o melhor que pode me acontecer é a natureza se encarregar de resolver.

Dentro da nossa conversa, o médico disse que entendia, mas achou que poderia ter sido precipitado ir direto à fertilização artificial. E que, apesar da minha idade, ainda há algumas alternativas como a estimulação da produção de óvulos. Até porque como se observou, engravidar, eu engravidei. Então, que eu esperasse uns dois meses para o corpo se ajustar, deixasse essa poeira baixar e que, se ainda quisesse, temos possibilidades.

Ainda é cedo para falar nisso, preciso clarear as idéias, mas não vou negar que gostei de ouvir que nada é tão definitivo assim como o médico da fertilização havia nos informado.

O único que tenho certeza é que não pretendo passar pelo tratamento outra vez. Não me arrependo de haver tentado, mas o custo emocional é muito alto para uma segunda tentativa.

E é isso, não há mais o que dizer. Agora quero hibernar um pouquinho, ficar sossegada e calada em casa. A gente já dará a volta nessa história, mas hoje ainda é muito duro falar no assunto.

De qualquer maneira, agradecemos muito a todos por todo apoio que vocês deram. A energia positiva de vocês nos ajudou e apoiou bastante. Não fiquem tristes, porque apesar de tudo, para a gente foi uma experiência tremenda! Nos uniu como casal e como família. Esperamos que nesse período vocês tenham passado por momentos tão felizes como a gente.

 

Corrigindo o título anterior – Gabrimanda mandou avisar: tô aqui! Você não me viu, vaca, mas sigo aqui!

Baixada um pouquinho a poeira, vamos dar uma desabafada, né?

 

Sei que não é bom ficar guardando rancores ou mágoas e é exatamente por isso que preciso colocar um pouco dessa roupa suja para fora!

 

Vamos voltar um pouquinho no tempo, para quarta-feira passada, quando Dra. Vaca me diz que as coisas não parecem bem, que o embrião não está se desenvolvendo como esperado e me prepara para fazer um aborto, provavelmente pela segunda-feira. Dependendo dos exames dos hormônios, talvez tivesse que voltar ao hospital antes de sábado, dando a entender que o embrião poderia já nem estar mais vivo.

 

Ela me falou isso com falta de educação? Não. Mas alguém no planeta acha isso normal ou correto? Como eu posso classificar essa filha da puta, por favor?

 

Veja bem, eu acho que o embrião deveria estar abaixo do tamanho esperado sim. É um bom sinal? Não, mas não é impossível, nem mesmo improvável de acontecer. Ainda que achasse precipitado, que ela me prevenisse que a coisa não ia bem, estou de pleno acordo, até para não voltar no sábado lá toda contente. Mas daí a já me preparar para o pior, sem nem ter feito ainda os testes dos hormônios? Vá a merda, fala sério! Em que exatamente isso poderia me ajudar?

 

Modéstia às favas, é que somos de não desistir das coisas antes da briga acabar. Ficamos tristes sim, mas não nos desesperamos nem caímos na inércia de ficar esperando até sábado.

 

Tem um lado bom nisso tudo? Tem um fantástico! Fui atrás de informações e consegui com amigas que se envolveram na história. Entendi melhor o que poderia estar acontecendo, me preparei para o pior sim, mas também vi que havia possibilidades o suficiente para não perder as esperanças. Acabei me adiantando e procurando meu atual ginecologista, a melhor coisa que poderia ter me acontecido nesse momento!

 

Na quinta-feira, foi Luiz que ligou para lá e torrou o saco para tentar uma consulta de urgência. Conseguiu para segunda (hoje), mas a atendente pediu que eu ligasse na sexta-feira para ela tentar me encaixar.

 

Muito bem, na sexta-feira, acordamos todos muito cedo, porque minha mãe voltava para o Brasil. Fui com ela ao aeroporto de Barajas. Na verdade, foi esse o motivo de não marcar com a Dra. Vaca na própria sexta, coisa que gostei, porque ganhava mais um dia.

 

Uma pena minha mãe ter viajado com o coração na mão, no meio desse furacão inconclusivo. Mas paciência, acho que também foi uma maneira das coisas se encaminharem nos dias certos.

 

Cheguei em casa e, ao meio dia em ponto, liguei para o consultório do ginecologista. A atendente me disse que o dia estava todo tomado. Disse a ela que morava bem perto do consultório e qualquer desistência, eu podia correr para lá. Ela me disse, olha a paciente do meio dia não apareceu e o doutor está um pouco atrasado, mas já a caminho. Você conseguiria estar aqui às 12h15?

 

Se eu consigo? Essa que está aí batendo na porta já sou eu!

 

Fui para lá voando baixo e pronta para esperar a tarde inteirinha algum encaixe! Mas nem foi necessário, a paciente das 12h realmente não apareceu e às 12h15 eu estava com o médico!

 

Ele me ouviu com toda tranqüilidade, anotou meu histórico, escutou a história da fertilização, da última ecografia em que me deram aquela notícia terrível… tudo na maior calma, sem ficar me dando falsas esperanças, mas sem alimentar problemas que ele nem sabia se existiam mesmo. Me encaminhou para uma nova ecografia, em seu próprio consultório.

 

O aparelho de ultrasom dele possui dois monitores, um fica diretamente virado para você acompanhar tudo. Começou o exame e, em poucos segundos, me disse, está escutando esse som?

 

Um som metálico e pulsante que já havia escutado antes em algum lugar, de maneira que reconheci imediatamente as batidas do coração.

 

Claro que desatei a chorar. Acho que normalmente já seria assim, imagino que todas as mães desabem nesse momento. Mas nesse caso em especial, acho que tinha muitas razões para isso.

 

Achei legal da parte dele também, porque a partir daí é que ele foi analisando e mostrando tudo. Me fazer ouvir o coração primeiro era a resposta mais rápida e tranqüilizadora que ele poderia haver me dado.

 

E passado o baque do tá vivo, eu pude curtir um pouco mais o momento, como acho que toda mãe deve fazer. Dentro da bolsa, ele me mostrou um pontinho de pouco mais de 2 mm pulsando e me explicou que ali estava o embrião.

 

Fez algumas medições, disse que como eu implantei dois embriões, poderia haver outro dentro daquela bolsa, mas que no momento ele só via um. Que na experiência dele, deveria ser apenas um mesmo. Viu uma outra manchinha no útero, que não dava para ter certeza, mas poderia ser o outro embrião que não desenvolveu. Enfim, que o mais importante é que pelo menos um embrião seguia ali, vivo e pulsante.

 

Preciso contar uma coisa, o porquê de falar tanto nesse som do coração. Nesses dois dias de dúvidas, “falava” o tempo todo com Gabrimanda (Gabriel ou Amanda). Pedia que ele se desenvolvesse, que tomasse seu tempo porque não iria deixar ninguém fazer nada se não tivesse certeza, mas que me desse algum sinal que eu pudesse me apegar para dizer: vou esperar um pouco mais e não tem conversa! Você ainda não fala, então bate esse coração! Bate esse coração!

 

Por isso, loucuras à parte, para mim esse som não veio como um simples alívio, mas como resposta do nosso primeiro diálogo. Antes eu estava aproveitando, mas foi só na sexta-feira que me senti grávida pela primeira vez.

 

Não sei se todo mundo é assim, acho que deve variar de mulher para mulher, mas não me senti grávida desde o primeiro dia do implante. Sabia que tecnicamente estava, mas ficava esperando sentir alguma coisa diferente, que só sinto agora.

 

 

Mas voltando, seguimos na consulta, onde ele me fez uma ficha de acompanhamento, verificou que exames eu já tinha feito, me aconselhou a tomar ácido fólico (diferente do médico da fertilização) e recomendou o Gestagyn, enriquecido com ferro e alguns minerais. Manteve os três óvulos de Ultrogestan e me informou que provavelmente eu mantenha esses óvulos até a décima terceira semana (como é bom falar com alguém que acredita em alguma possibilidade de futuro!). Me deu uma pastinha com um tipo de apostila com recomendações, conselhos, possíveis dúvidas… e disse que a partir de agora fosse guardando todos os exames nessa pasta. Fiquei marcada para voltar lá no dia 2 de dezembro, duas semanas depois.

 

Saí de lá correndo e flutuando para casa, querendo contar logo para o Luiz a novidade. No caminho, passei na farmácia para comprar o tal do Gestagyn. Acho que estava com uma cara tão atordoada que até a atendente da farmácia me perguntou: deu positivo? E eu, sim, acabei de saber! Pois se nota, me disse sorrindo, parabéns!

 

Bom, cheguei em casa e liguei para o Luiz e fui logo adiantando: ouvi até o coração! Daí desata a chorar ele do lado de lá! Coisa que não escuto há anos! Mas vamos combinar que haja controle emocional! Taquiupariu!

 

Daí fui contar para a família e os amigos, afinal, uma notícia dessas a gente precisa compartilhar. Infelizmente, minha mãe já estava dentro de um avião e só descobriu quando pousou no Rio. Mas avisei ao meu irmão, que foi buscá-la no aeroporto, conta para ela no minuto em que ela pousar! Assim ela já compra a champagne no free shop para celebrar!

 

Olha, eu sigo dizendo que não há nada certo ainda, é muito cedo, acabei de entrar na sétima semana ontem. Mas todo mundo sabe que comemoro cada etapa e acho que foi a melhor coisa que fiz desde o início.

 

E mesmo nos piores momentos, passou pela minha cabeça como seria duro dividir uma má notícia (isola!), mas nem por um segundo me arrependi. Mais do que isso, foi abrindo o jogo que as pessoas souberam que eu precisava de ajuda e me passaram informações, contatos, apoio e tudo mais.

 

Coincidência ou não, dentro da pastinha que ganhei no meu médico atual, começa com um folheto dizendo: “Cualquier problema es menor sientiéndote apoyado y cualquier alegria es mayor compartiéndola” (Qualquer problema é menor sentindo-se apoiado e qualquer alegria é maior sendo compartilhada). Um pouquinho diferente do meu antigo médico, que ficou aborrecido ao ver minha mãe me acompanhando na primeira ecografia, acredite se quiser!

 

Muito bem, mas ainda assim, precisava voltar lá no antigo hospital no sábado, né? Pois voltei, com aquela boa vontade que nem preciso descrever! Advinha quem me atendeu? A Dra. Vaca, é lógico! Digamos, que foi uma consulta tensa, mas dessa vez, tensa para todos os lados, porque nós também não facilitamos nem um pouquinho. Não é para todo mundo ser sincero? Já disse que seguirei o tratamento a partir de agora com meu ginecologista e ela marcou uma consulta na quarta-feira, com o meu médico principal, para ele me dar alta. Não tenho um pingo de vontade de voltar lá, mas quero encerrar bem esse ciclo.

 

Essa coisa do pessimismo espanhol é cultural, não é exclusividade dele. Não quero e não vou ser assim, não me faz bem estar nesse meio, mas não vou levar para o lado pessoal. De toda maneira, independente do que concorde ou não concorde com sua atitude, tenho um embrião na minha barriga apoiada pela sua equipe. E por isso, agradecerei sempre. Espero que o tempo me apague as lembranças mais desagradáveis e guarde o lado positivo.

 

Agora é respirar azul, manter a calma, me cuidar, me alimentar bem e continuar seguindo um dia de cada vez.

Gabriel mandou avisar: tô aqui!

Bom galera, não tenho muita cabeça para escrever grandes crônicas porque estou meio atordoada com todas essas possibilidades que nos tiraram o chão nos últimos dias.

Passei para tranquilizar a família e os amigos, afinal, na hora do aperto e da torcida, vocês estão sempre dando a maior força. Então, vamos celebrar juntos o leão de hoje!

Procurei outro ginecologista para me acompanhar, independente do resultado da gravidez. Peguei indicação com uma amiga que morou aqui e teve uma série de complicações, acompanhadas de três filhos lindos. Ela havia me contado que ele usa um equipamento de ultrassom de última tecnologia, salvou a vida dela, era ótimo médico e blá blá blá…

Muito bem, eu é que não ia ficar na dúvida se estava fazendo ou não a coisa certa. Corri atrás desse médico e tentei marcar uma consulta com a maior urgência possível. Ele acabou me encaixando agorinha, no lugar de uma paciente que não apareceu (afinal, a sorte ajuda também, né?).

Resumindo a ópera, meu embriãozinho segue lá e hoje ouvi pela primeira vez seu coração. Eu nem vou entrar no detalhe da emoção que foi, senão já começo a chorar outra vez!

Isso quer dizer que estou garantida e já posso respirar aliviada? Não, ainda é cedo, faço  7 semanas no próximo domingo. A contagem é igual à gravidez normal, utilizando-se o primeiro dia da última menstruação como dia 1. Na prática, tenho umas 5 semanas, quando os embriões foram implantados.

Mas… meu novo médico confirmou hoje que estou oficialmente grávida! Aparentemente, de um único embrião.

De qualquer maneira, amanhã tenho que ir ao médico da fertilização fazer a tal da ecografia já marcada, mas vamos combinar, muito mais tranquila e bem informada. Provavelmente, seja minha última ou uma das últimas consultas com ele.

Meu ginecologista atual, marcou o próximo ultrassom para daqui a duas semanas, dia 2 de dezembro.

E agora, chega de escrever e deixa eu descansar do leão de hoje que não foi mole! E olha se não valeu entrar na briga?

Ainda tem briga, mas o bicho está pegando

Como se diz por aqui, vamos “directo al grano”, hoje fiz nova ecografia para acompanhar o crescimento das manchinhas.

Muito bem, só aparece uma delas e a médica que me atendeu (da equipe do meu médico oficial) me adiantou que não tinha boa pinta. Aparentemente, o embrião deveria estar mais desenvolvido. Pode acontecer? Pode, mas não é o habitual.

Que eu estava grávida na semana passada, estava. Os níveis hormonais sinalizavam isso claramente. Não tive nenhum tipo de sangramento nesse período, nem passei mal, nada! O que aconteceu ou não aconteceu nesse período, não tenho idéia.

Bom, fiz novos testes hormonais e ela marcou nova ecografia para o sábado. Mas que já fosse me preparando para o pior.

Fiz os testes e voltei a casa para esperar o resultado. Porque se desse negativo, já nem esperaria até sábado para a nova ecografia, teria que voltar ao hospital para uma curetagem ou algo assim.

Fiquei confusa. Lógico que me entristeceu e preocupou, mas por outro lado, nada me parece definitivo, então também não quero desistir porque posso ter ainda um embrião se desenvolvendo e ficar mal não vai ajudar em nada.

No caminho, passei pela farmácia e comprei novo teste de urina. Fiz em casa e deu positivo novamente.

Umas duas horas depois, me ligaram do hospital e pelos exames hormonais, minha gravidez continua inconclusiva. Pelo que entendi, deve estar dando que sigo grávida, assim como o teste que fiz em casa, mas o embrião não aparece claro na ecografia.

Portanto, sigo com a mesma medicação, a progesterona que estou tomando, e tenho que voltar lá no sábado para a tal ecografia. Nesse momento bastante turbulento, isso pode ser considerado uma boa notícia. Pelo menos há por aí alguma esperança.

Não vou enlouquecer antes de tempo. Tenho oscilações de humor, alguns momentos me dá vontade de chorar um pouco, mas estou bem. Estar ou não estar grávida era algo que havia me preparado. O que mais está pegando é essa história de talvez ter que fazer uma curetagem, para isso não me preparei. Achei que se não vingasse, simplesmente minha menstruação desceria e se acabou.

De qualquer maneira, ainda é cedo para me preocupar com esse passo. Vamos com um leão por dia. Pelo menos minha mãe está aqui e Luiz ainda acredita que vai dar tudo certo.

Eu sei que vai dar tudo certo, de uma maneira ou de outra, só preciso de um pouco de serenidade para esse momento passar e que seja o melhor para todos.

E afinal, são gêmeos?

Não sabemos se sim, se não, muito menos pelo contrário!

Hoje fui fazer a primeira ecografia. Até a hora que coloquei os pés no hospital, estava absolutamente tranqüila. Mas foi só sentar na recepção que me bateu aquele frio na barriga do: e se não for? E se não aparecer nada?

Bom, não esperamos muito, assim que nem deu para ficar tão ansiosa. Logo entrei e parti direto para o exame.

Resultado: inconclusivo!

Como assim inconclusivo? Eu estou vendo duas manchinhas aí na tela! Pois é, mas pelo que consegui entender, a manchinha tem que ter mais de 10mm para ser considerada um embrião. Eu tenho duas manchinhas, uma de 7,53mm e outra de 5.50mm. Assim que cada um interprete como quiser.

O médico, no seu papel, precisa ter prudência. Disse que ainda é muito cedo e que devo fazer outra ecografia na semana que vem. Tudo bem, semana que vem volto lá e faço outra, sem problemas.

Mas entre nós, me lixei para a parte que ele disse que era inconclusivo, já batizei a manchinha 7,53 de Gabriel e a 5,50 de Amanda! Depois a gente resolve o que é e o que não é!

Os detalhes, vão ficar para outro dia, porque estou ocupadíssima e com a visita da minha querida mãezinha que chegou muito bem no domingo passado.

De maneiras que o bolão segue no ar, galera! Até semana que vem, na quarta-feira, seguimos aceitando apostas!

Meu único assunto e o primeiro bolão

Eu juro que tento, mas está muito difícil falar de outro assunto na vida que não seja a gravidez! Simplesmente, ocupou todo o espaço importante do meu tempo, pensamentos, planos e tudo mais.

É lógico que sigo a vida de maneira relativamente normal, mas é impossível que esse tema não surja pelo caminho. E quando não é da minha parte, é da parte dos amigos curiosos perguntando sobre como vão as coisas. Não me incomodo em responder, na verdade, até gosto.

E a propósito, fiz o segundo teste de gravidez e foi positivo novamente. Esse nem me preocupava, tanto que fiz só na hora que fui levantar, pelas 9 e algo da manhã. Diferente do primeiro, em que fiquei contando os minutos para dar às 6! Um falso negativo, pode acontecer, mas um falso positivo é muito difícil. Mas enfim, sim, tenho os dois testes de urina positivos, guardados para a posteridade. Afinal, ainda não tive coragem de jogar no lixo, ainda que me pareça um pouco absurdo ficar guardando essas coisas.

Começamos a fazer uma limpa na casa. Teve gente que achou que já fosse para preparar quarto para neném. Mas não, a verdade é que fazemos isso com freqüência, geralmente nas mudanças de estações. Só aproveitamos a ocasião, porque inclusive, não sei em que momento mudaremos de apartamento, mas certamente, o nascimento da(s) criança(s) não será aqui. São três andares de escada, muito complicado com carrinho e toda a tralha.

Assim que não, é muito cedo para montar quarto e toda a parafernália. Isso não virá antes do terceiro mês, quando aí sim, podemos considerar que tudo segue normalmente. Como venho ressaltando, acho até meio paradoxal, mas mantenho a cautela e os pés no chão, mesmo viajando totalmente na maionese. Em compensação, quero ver alguém me segurar depois do terceiro mês!

Bom, também começamos a ver alguns preços de móveis, berços, camas e não parece ser algo tão assustador. Porque até nossa cama precisaremos mudar, dormimos em um tatame, imagina levantar do chão com o barrigão? Não deve ser de todo simples, e também já estava meio enjoada e querendo mudar mesmo, aproveito o pretexto.

Falando em enjôos, felizmente não tenho nada disso. Pelo menos, por enquanto. Mas tenho alguns sintomas como um tipo de cólica, umas pontadas abdominais; não mudei de peso, mas o formato da minha barriga parece estar mudando; começaram a aparecer umas espinhas, mas somem de um dia para o outro; os peitos cresceram (até que enfim uma coisa boa, né?); tenho mais sono, o que no meu caso é ótimo, porque passei a dormir melhor durante à noite; não paro de fazer xixi o dia inteiro e à noite também (achei que isso era mais tarde). Enfim, acho que aos poucos meu corpo está se adequando no seu tempo, mas ainda não tive nada que achasse realmente ruim, pelo contrário, tudo tem me parecido bastante natural.

Eu sei que é natural, pelo menos deveria ser para a maioria das mulheres, mas sou meio esquisitinha e nunca tive nenhuma paixão pela gravidez. Sei lá, quando vejo um barrigão, tenho aquela sensação que vai pular um alien! Vejo simplesmente como o meio necessário para alcançar o fim desejado, então, paciência. Dito isso, eu mesma estou me surpreendendo por me pegar de vez em quando curtindo a barriga e o processo com essa naturalidade.

Eu achei que fosse ter vontade de buscar mil referências e ler trocentos livros a respeito. Mas, pelo menos por enquanto, não tive um pingo de vontade, é um tipo de sentimento meio infantil de querer descobrir as sensações e etapas por minha conta. Não é só isso, sei que a bibliografia disponível é bem fraca, costuma ser machista, radical ou em clima de fantasia ingênua. Nesse caso, prefiro mil vezes os blogs das amigas, mais no esquema “a vida como ela é”.

O que não quer dizer que não esteja me informando, só estou tentando, por incrível que pareça, não me adiantar ou precipitar. Coisa que para quem me conhece, deve achar que estou possuída!

É claro que a gravidez virou minha família de cabeça para baixo e estão em um alvoroço só! Meus sogros estão super felizes, mas pelo menos, já tem dois netos dos outros dois filhos. Meus pais e meu irmão já haviam perdido a esperança de serem avós e tio, principalmente do meu lado. E acho que até a notícia que eu estava disposta a tentar já foi uma verdadeira reviravolta e agora então, toda a vizinhança deles sabe!

Minha mãe chega depois de amanhã e está em um misto de alegria e pânico. Nem sei quando foi a última vez que viajou sozinha! Ainda mais uma viagem internacional e deixando meu pai no Brasil com alguém tomando conta! Aliás, falei com meu pai ontem pela webcam e ele está ótimo! Perdeu uns 15kg, com isso, melhorou a pressão e foi dispensado de um dos remédios. Além do mais, a locomoção ficou mais fácil, por isso e pela fisioterapia que ele reclama, mas faz. E obviamente, a possibilidade de ser avô também deu uma animada no espírito. Ou seja, que não posso reclamar da boa onda que chegou.

Muito bem, na terça-feira que vem, dia 8 de novembro, faço minha primeira ecografia. Eu acho que vai dar para saber se tenho um ou dois embriões na parada. Afinal, se na ecografia dá para ver os óvulos, um embrião tem que ser maior que um óvulo, né?

Portanto, lançado o primeiro bolão! Minha primeira aposta é que são gêmeos! Acho que será um menino e uma menina, o Gabriel e a Amanda! Luiz me diz que acha que são gêmeos também, mas ele que faça sua aposta oficial.

E aí, quem se arrisca a um palpite?

Siiiiiiiiiimmm! Deu positivo, estamos oficialmente grávidos!

Já vamos esclarecendo desde o título certo? Hoje estou muito mais para comédia romântica do que para dramas ou suspense!

Fiz o teste de urina, desses comprados em farmácia mesmo, foi o recomendado pelo médico. E o resultado foi inegavelmente positivo.

E agora, para quem quiser saber dos detalhes, sigo contando.

Minha intuição me dizia que estava grávida, que era o que estava escrito. Talvez por isso, estivesse bem mais tranqüila do que imaginava ou as pessoas esperavam. Mantive e sigo mantendo a cautela, mas de alguma forma, com tanta gente boa torcendo para o bem, me senti protegida. E me convenci que mesmo que não engravidasse, seria o melhor para mim. Mas lógico, queria e quero que dê certo!

Pipoquei na cama a noite inteira, doida para chegar de manhã! Às seis da matina não me agüentei e fui para o banheiro fazer o teste.

A essa hora aqui é escuro como noite, acendi a luz ainda vendo tudo meio embaçado e lá fui eu fazer xixi no copinho descartável, para não ter dúvidas em relação ao tempo de contato com o tal do palitinho do exame.

Meu histórico com todos esses testes, tanto de gravidez como de ovulação, é que sejam sempre negativos. E não tem como não vir o sentimento na hora que o produto começa a reagir.

Tem que aparecer duas faixas para confirmar a gravidez. Quando não aparece nada, quer dizer que o teste está com problemas. Mas positivo ou negativo, sempre aparece uma faixa primeiro e você fica naquele tremendo suspense se aparecerá a segunda ou não. Até porque ainda por cima a segunda é de um tom de rosa mais claro.

Caraca, acho que foi o minuto mais longo do mundo! Até que achei que estava começando a aparecer uma segunda faixa, mas não conseguia ver direito. Fui para a sala, onde a luz é melhor, pedi ajuda ao Luiz… sabe quando você não tem certeza se acredita no que está vendo?

Não sei se com esse tempo a faixa foi realmente ficando mais escura ou eu comecei a acreditar que era real. Mas chegou o momento que tive certeza: sim é positivo, estou grávida!

Fotografei o exame para a posteridade e corri para o computador para ver se conseguia falar com a minha mãe. No Brasil era por volta das duas da manhã, mas eu tinha certeza absoluta que ela estaria esperando acordada. Não deu em outra! E assim consegui dar a notícia fresquinha.

Luiz teve que sair para trabalhar, imagina como vai render esse serviço hoje, né? Ainda bem que é sexta-feira, dia perfeito para a gente celebrar mais um passo imensamente importante.

Aproveitei para enviar a notícia por e-mail para a família mais próxima, porque por mais que queira ligar para todo mundo, o fuso horário é muito diferente!

Dei sorte com meu irmão, que ainda estava acordado na gandaia (meu irmão, né?) e leu o torpedo que ia ser tio. Me ligou completamente emocionado, muito bacana.

E enquanto ninguém mais acorda, cá estou eu, registrando o momento e contando para vocês!

Muito bem, e agora?

Agora eu tenho que refazer o teste depois de amanhã, mas em teoria, essa repetição é necessária quando o primeiro teste é negativo ou inconclusivo, o que não foi o caso. Mas tudo bem, cumprirei direitinho e farei novamente o teste, por pura burocracia.

Mais tarde, ligo para o médico para avisar que deu positivo e devemos marcar uma ecografia para daqui a uns dez dias, vou confirmar isso mais tarde. Eu acho que nessa ecografia já deve dar para saber se vingou um embrião ou dois. Nós seguimos com o palpite de que serão gêmeos. Acho isso porque os dois embriões tinham a mesma qualidade, se vingou pelo menos um, o bom senso leva a crer que o outro teria as mesmas chances. Mas não sei se isso é científico.

Enfim, queridos, já agradeci e volto a agradecer a torcida e o apoio de todos os amigos e família que temos recebido. Ajuda bastante, podem acreditar! Da minha parte, só posso desejar que volte tudo em dobro para vocês!

E agora, deixa eu sossegar e curtir a notícia, porque para ser sincera, minha ficha ainda está caindo! Não sei se rio, se choro ou se compro uma bicicleta, mas uma coisa para mim está bastante clara, já não tenho um pingo de medo.

Passa logo dia!

Vai chegar ano que vem e não chega amanhã!

Sim, amanhã faço o primeiro bendito exame para saber se o corpo segurou a gravidez. Não, não estou histérica, nem em pânico, mas muito curiosa e querendo saber logo tudo!

O que eu acho? Acho que sim. Por que? Primeiro, por intuição. Segundo, confiança na torcida e em toda energia legal que rolou. E, terceiro, único palpite racional, não estou com nenhum sintoma que me vai descer a menstruação. Isso me dá certeza absoluta? Não, mas ajuda bastante.

Pela manhã, tive visita de uma amiga brasileira passeando por essas bandas. Bom para papear e distrair o pensamento.

Agora à tarde, tinha Pilates, mas a professora não pode ir. Para ser sincera, nem reclamei, estava com uma preguiça do cão. Ainda mais que o clima está friozinho e chuvoso. Mas bem que ajudaria a passar o tempo também.

Mais tarde teremos outra visita, ótimo! Dia cheio!

Quero só ver na hora de dormir…

No news… good news!

Tenho algumas amigas perguntando como vai tudo, afinal não estou escrevendo todos os dias. Na verdade, não escrevia todos os dias antes e não tenho feito pelo simples fato de não haver grandes novidades.

A vida seguiu seu rumo e tenho feito as coisas de sempre. Por uma questão de consideração, passo por aqui para dizer que sim, vai tudo bem. Um pouco de expectativa em relação à sexta-feira, quando farei o primeiro exame para confirmar a gravidez.

Não estou nervosa, juro! Um pouco de ansiedade faz parte, mas nada que me deixe fora do eixo.

Saber que minha mãe vem nos visitar ajudou bastante. Tenho coisas para providenciar, pensar em lugares que poderemos ir, enfim, vejo como uma oportunidade de concluir um ciclo que ficou aberto há quase quatro anos atrás, última vez que ela pode vir à nossa casa. Eu preciso mudar de fase e ela também, todos nós precisamos quebrar nossos paradigmas.

E enquanto isso, para movimentar as coisas, dois amigos chegaram do Brasil, por vias diferentes. Uma amigona que morou aqui e fica um mês de férias e outro que veio de passagem e vai embora amanhã.

Minha amiga, consegui encontrar duas vezes, em uma reunião na casa onde está hospedada e num jantar, em um restaurante mexicano. Deu para começar a colocar as fofocas em dia, mas ainda temos muito o que conversar. Em outra ocasião, já teríamos nos acabado na balada para relembrar os velhos tempos, mas sabe como é, não é e provavelmente não será exatamente meu programa no próximo ano. Estou bem calminha.

Meu amigo é mais tranqüilo mesmo, uma vez fizemos uma rota do Caminho de Santiago juntos e é uma pessoa que gosto muito da companhia para caminhar. E foi o que acabou acontecendo, rodamos meia Madri a pé e visitamos o Museu Reina Sofia. Já fazia um tempo que não ia por lá e foi bom rever meu museu favorito na Espanha. Gostei muito da exposição da Elena Asins (Fragmentos de la Memoria), uma artista que não conhecia e me surpreendeu. Hoje jantaremos juntos, ele, Luiz e eu.

Domingo passado, fomos a um encontro cultural, digamos assim, que está acontecendo no Kabocla semanalmente. É a iniciativa de um amigo nosso que tem uma relação forte com a capoeira. O objetivo é reunir gente (brasileiros, espanhóis ou estrangeiros) que esteja interessada em conhecer parte da cultura brasileira, através da música cantada e tocada, principalmente na capoeira e no samba. Antes era difícil a gente conseguir ir, porque como sempre saíamos até tarde no sábado, nunca conseguíamos acordar a tempo ou com ânimo de participar. Entretanto, como estamos menos notívagos, casou como uma luva. Até porque ando com muita vontade de cantar e tocar percussão.

Seguimos no coral, mas estou um pouco cansada. Já saí e voltei uma vez e não gosto desse negócio de ficar indo e voltando, é desgastante para mim e atrapalha o grupo. Além do mais, como somos todos amigos, acho que se mistura muito a sintonia. Às vezes, me dá vontade de buscar outras experiências diferentes, variar, tentar coisas novas. No mês que vem teremos uma apresentação, o que costuma ser uma motivação legal. Para ser bastante sincera, nosso grupo não é nenhuma Brastemp, mas nas apresentações o pessoal parece que se concentra e o resultado sai honesto. Não sei se acontecerá isso novamente, espero que sim. É o combustível que nos move a continuar entre os erros e acertos. Por agora, me resta ensaiar, treinar e esperar que o mico não seja tão grande.

Em casa, aproveitando toda essa onda de mudanças ou pelo menos, da vontade de mudar, comecei a fazer uma limpa geral. Pouco a pouco, aliás, estou aprendendo a fazer as coisas mais devagar. As diferentes estações do ano ajudam nessa atitude, é o pretexto para mudar seu armário, verificar os casacos, guardar ou se desfazer das camisetas muito leves.

E isso por enquanto, né? É possível que na semana que vem a gente comece a pensar em trocar de cama, de carro, de apartamento… acho bom me preparar!

Distraída

Lembra do feijão que eu ia colocar no fogo no post passado? Pois é, queimei! Na verdade, por dois dias seguidos queimei a comida! Desconfio que ando meio distraída…

 

Coisas que acontecem, mas pelo menos não estou deixando nada salgado, o que costuma ser sinal de que estou triste ou aborrecida. Simplesmente, estou com a cabeça na lua!

 

A atenção especial à alimentação está dando seus resultados. Aumentei minha resistência novamente e, mesmo sem fazer dieta, perdi mais de 1/2 Kg que havia ganho com os hormônios.

 

Estou fazendo assim, pela manhã (e estou acordando mais cedo) tomo suco de laranja, 3 laranjas espremidas na hora; café descafeinado; e pão integral, o equivalente a umas 5 torradas, com manteiga e alguns dias com tomate picado. No almoço, sempre caldo de feijão e alguma proteína, às vezes com arroz, outras com legumes variados. Estou tentando comer mais peixe. Durante à tarde frutas, cereais em barra e/ou yogurt. Tem dias que não resisto a um chocolatinho, mas pequeno. E no jantar, salada verde caprichada (com muzzarela de búfala, tomate, abacate, pistache… vou variando os acompanhamentos e molhos da salada) e/ou sopa. Às vezes, também alguma proteína magra. De sobremesa ou antes de dormir, é comum tomar outro yogurt natural com mel ou leite semi desnatado com ração humana.

 

Fim de semana, dou uma relaxada e a gente vai comer fora. Mesmo assim, procuro não abusar. E obviamente, não estou bebendo nada alcoólico. Aliás, bebo basicamente água. Porque já não bebia refrigerante antes e não gosto de suco comprado pronto, sempre tem um monte de conservantes e são doces demais para meu paladar. Assim que, amo e tomo suco de frutas, mas só quanto tenho certeza que são feitos com fruta fresca ali na minha frente.

 

Segui no Pilates, duas vezes na semana. Minha professora está informada de todo o processo e já mudou minha série de exercícios. Para quem vinha puxando o ritmo há vários meses, até estou achando fácil. Mas é melhor assim, até as coisas estarem mais firmes e definidas. Nos outros dias, caminho. Tento caminhar por volta de uma hora em um ritmo bom, sem correr, mas sem parecer que estou passeando pela rua. Até porque nem sei andar muito devagar, sou meio bicicleta, se parar eu caio! Fora que fico realmente entediada e irritada em fazer as coisas muito devagar.

 

De novidades sobre o processo de fertilização, tive duas ontem. Uma média e outra muito boa.

 

Começando pela média, eu tinha um terceiro embrião, que não foi implantado porque estava imaturo. Bom, ontem me ligaram e esse embrião não resistiu para ser congelado. A parte ruim é que fico sem plano B. Por outro lado, fiquei meio na dúvida se isso é realmente ruim. Quer dizer, só é mau se eu não engravidar agora, mas se eu mantiver a gravidez, acho até melhor não ter nada por lá congelado. Se a gente pensar bem, é meio estranho deixar uma vida ali esperando na prateleira ou simplesmente descartá-la. Enfim, procurei não pensar nisso antes, porque já tinha muita informação para me preocupar, mas talvez tenha sido melhor.

 

A notícia boa é que tive a chance de conversar com a responsável pelo laboratório e saber mais detalhes dos dois embriões que me foram implantados. No dia da transferência, ela me disse que eles estavam em perfeitas condições e tal, mas não me falou qual era a classificação. Pensei em perguntar, mas ao mesmo tempo, achei que podia ficar nervosa ou decepcionada, então me contentei com o “estão muito bem”. Fora que, como já contei, era muita gente e muita coisa ao mesmo tempo acontecendo.

 

Pois é, os embriões são classificados em A, B, C e D. Sendo os do tipo A, os mais prováveis de seguirem a gravidez. Meus dois embriões implantados foram do tipo A, o que é uma excelente notícia! Isso garante a gravidez? Não. Mas aumenta razoavelmente minhas probabilidades.

 

Pelo que entendi, para ser classificado como tipo A, o embrião precisar ter pelo menos quatro células. Para ser bastante específica com meu processo, no momento da classificação, eu tinha um embrião do tipo A e outro do tipo B. Mas eles olham novamente na hora de implantar, e o do tipo B, que no dia anterior possuía duas células, já havia duplicado. Resumindo, no momento da classificação era um A e um B, mas na prática, me foram transferidos dois do tipo A. Um por fertilização tradicional e outro por micro injeção.

 

Fiquei muito feliz com essa notícia, sou meio CDF e adoro ganhar um A! Dois então, melhor ainda! Aumentou também nosso palpite que serão gêmeos.

 

Eu falo muito de gêmeos e tem gente que acha que prefiro que sejam dois, ou que vou ficar decepcionada se vier um só, o que está muito longe de ser verdade. Eu prefiro só um nenén e até já sou um ser mais evoluído e não me importa de que sexo venha, tenho uma preferência por menina, mas vou curtir menino também. A única coisa é que sei que foram implantados dois embriões e é anti natural que eu torça para que um não vingue, entende? O meu instinto é zelar pela vida dos dois.

 

Por isso, e só por isso, todo o medo da gravidez múltipla, a preocupação com o trabalho e as despesas que nos acarretariam duas crianças de uma vez, passou para segundo plano. Tudo o que quero, minha prioridade absoluta, é saúde.

 

O resto, falo um pouco de brincadeira também, porque senão fica tudo muito sério, né?

 

Outra coisinha, todo mundo diz que mulher grávida fica radiante… Olha só, não estou me achando nada radiante! Minha pele está uma bosta e eu estou barriguda. Pior, porque nem é da gravidez ainda, é puro hormônio! A única coisa melhor é que os peitos cresceram, o que no meu caso vai a meu favor! Luiz fica dizendo que estou linda, mas ele é meu puxa-saco, claro que eu gosto, mas não acredito muito. Acho que vou aproveitar para cortar o cabelo e dar uma mudada no visual.

 

Agora, voltando ao assunto, para as mulheres que pensam em fazer ou estão em um processo de fertilização in vitro, se seus embriões são do tipo C ou D, isso é um problema? Não, simplesmente a probabilidade diminui. Por isso, também é comum se transferir mais embriões do que se forem do tipo A, por exemplo. É uma maneira de aumentar essa estatística.

 

Enfim, quais são meus próximos passos? Fazer dois exames de urina, desses comprados em farmácia, para verificar se estou grávida. Um no dia 28 e outro no dia 30 de outubro. Ou seja, 14 e 16 dias depois da transferência dos embriões.

 

Daí, há três possibilidades:

 

1)    Se as provas são positivas, ligo para o médico e marco consulta para uma ecografia entre 24 e 26 dias após a transferência (entre 7 e 9 de novembro), sem suspender os óvulos do Ultrogestan.

2)    Se são negativas, suspendo o Ultrogestan e ligo para uma consulta, onde seriam analisados em detalhe os dados do meu ciclo.

3)    Se são discordantes, faria um exame de sangue.

 

 

Pequeno detalhe, dia 9 de novembro é meu aniversário, para uma escorpiana, dia de renascer. E com todas as coincidências de números e de datas de toda essa história, não poderia ser diferente.

 

E eu, que amo aniversário e sou louca por uma festa, não preparei nada. Não sei o que preparar. Sei que no dia, certamente, jantarei com Luiz e minha mãe, o que já será bastante especial. Mas fora isso, estou em branco! Para variar, entre dois extremos, ou vou querer abraçar o planeta ou me esconder como um tatu! Não tem meio termo.

 

Bom, um pouco mais de paciência e meia dúzia de panelas queimadas no fogão e já saberei!

Esperando…

Passado o turbilhão que foram as duas últimas semanas, as coisas se acalmaram.

No próprio sábado em que fiz a transferência dos embriões, fomos a um jantar na casa de uma amiga. Fiz questão de ir porque foi justamente essa amiga que me recomendou meu médico e, portanto, como toda essa história de fertilização in vitro começou. Excelente forma de fechar esse ciclo.

Foi bem sossegado, pouca gente e papo ótimo! Deu para a gente conversar bastante e nos divertimos com o Luiz contando seu lado da história, na saga para conseguir os espermatozóides, digamos assim!

No domingo, não acordamos tão tarde e fomos almoçar no La Candelita, nova descoberta de restaurante pelo bairro de Chueca, uma delícia! É um Venezuelano-fusion, charmoso, boa comida, atendimento simpático. Nos domingos, servem um ótimo brunch, coisa que vem se tornando cada vez mais usual em Madri, felizmente!

Considerando que meu ritmo selvagem de baladas caiu radicalmente, desconfio que entraremos em uma fase de explorar os restaurantes da redondeza. Acho que uma vez ou outra, seguiremos pelos clubes de jazz, até porque já não se fuma em espaços fechados, uma benção para nossos pulmões! Mas definitivamente, os programas diurnos e mais leves ganharão nova prioridade, o que não acho nada mal.

A única coisa chata, é que após passar duas vezes por uma sala de cirurgia na mesma semana, minha resistência caiu e quando isso acontece, fico alérgica. Não deu em outra, fiquei meio entupida e com a garganta incômoda.

Segurei minha onda, não fui ao ensaio do coral ontem e dei uma caprichada na alimentação. O caldo de feijão carregado no alho, por exemplo, passou a fazer parte do meu cardápio diário. Falando nisso, às vezes, uso uma folhinha de louro no feijão para dar gosto, mas andei lendo que louro e açafrão são abortivos. Seguramente, só em quantidades muito grandes, mas na dúvida, quem está nesse processo, melhor evitar, certo?

Deu resultado, ainda não estou 100%, mas acordei praticamente boa hoje, mais tarde vou ao Pilates.

A melhor notícia que tive por esses dias é que minha mãe resolveu vir a Madri! Só meus lindos embriões gêmeos para serem capazes dessa façanha!

Há uns 4 anos ela não faz uma viagem para cá, a última vez foi quando meu pai teve o AVC no avião e daí, além da preocupação de deixá-lo sozinho, acho que ela ficou meio traumatizada também. Enfim, entendo, mas já era hora dela se libertar um pouco. Faltava uma motivação mais forte, que agora existe. Ela se esquematizou com suas primas, uma mudará lá para sua casa no período que ela estiver fora e outra o visitará com freqüência para dar uma força. Bom, também tem meu irmão que mora no Rio, o problema é que ele trabalha durante o dia todo. Claro que a gente fica preocupada, mas quer saber, tem coisas que a gente precisa acreditar que vai dar certo e tocar o barco.

Ela chegará no dia 6 de novembro e fica até o dia 18, o que quer dizer que estará aqui no meu aniversário, dia 9. Para mim é importante, será mais ou menos quando terei algumas respostas mais concretas se segurei ou não a gravidez. E em ambas respostas, nessa hora não tem jeito, os maridos que me desculpem, mas você quer a sua mãe!

E assim a vida segue, tenho tentado não entrar em obsessão e ficar pensando no mesmo assunto o dia inteiro, mas confesso que é difícil. Não estou ansiosa agora, juro, talvez mais próximo aos primeiros testes eu fique. Mas simplesmente desencanar e pensar em outra coisa, me custa trabalho.

Às vezes, me pego com medo da resposta positiva também. Parece uma contradição você querer tanto engravidar, mas ao mesmo tempo, ter medo que isso aconteça. Fiquei pensando um pouco a respeito e cheguei a conclusão que o que me assusta mais não é a gravidez em si, mas o fato definitivo. Nossa vida é sempre tão passageira, que tudo que é definitivo nos assusta um pouco. É o oposto a quem tem medo de mudanças. Não é algo comum, eu acho, mas me pareceu razoável.

Há anos somos adestrados a mudar e nos adaptar quase que imediatamente, até nossos móveis tem rodas! Literalmente, não estou exagerando. Para mim, é muito mais fácil aceitar a maternidade pelo lado do que vai mudar que pelo lado do que precisaria permanecer.

E agora vou colocar meu feijão no fogo, porque também já não há mais o que contar! Fui!

Ligeiramente grávida…

Acabamos de chegar do hospital! Já conto tudo com maiores detalhes, mas para encurtar o suspense, deu tudo certo e implantei dois embriões em excelente estado!

E agora, vamos por partes. Relembrando, Luiz estava em Londres e pegou o primeiro vôo possível para Madri. Mesmo assim, não quis arriscar e ficar nervosa esperando, preferi ir sozinha e encontrar com ele no hospital.

Uma amiga se ofereceu para me levar. Ela já fez o tratamento uma vez e foi através dela que cheguei nesse médico. Eu tinha muita resistência a fazer um tratamento de fertilidade, mas sua tranqüilidade me animou bastante. Ela começará uma segunda tentativa amanhã , espero e torço muito para que dê certo e assim nos embucharemos juntas!

Enfim, ela me pegou em casa às 9h15, precisava estar no hospital às 10h, assim que tínhamos margem. É claro que para dar um pouco de drama, erramos uma entrada, nos perdemos um pouco, mas o importante é que a gente se achou e chegamos a tempo.

Não gosto muito de dar trabalho para os outros quando não precisa, mas a verdade é que foi bom ter ido acompanhada ao hospital. No caminho, Luiz me mandou uma mensagem que o avião havia pousado, mas estava atrasado. Fiz as contas e vi que ele não chegaria antes de 10h30, paciência.

No hospital, a enfermeira era uma portuguesa super simpática que se alegrou por falar português e ficou mais agoniada do que eu quando soube que Luiz estava correndo para chegar a tempo.

Fui novamente para o Box 3, o que gostei, já que me deu sorte a primeira vez. Logo veio o outro enfermeiro e a auxiliar do médico, que inclusive foi a mesma que me atendeu na punção dos ovários. O médico também apareceu e todos na torcida para Luiz chegar, parecia um filme! O centro cirúrgico estava vazio, só tinha eu, assim que todo mundo estava ali envolta participando!

Olha gente, se puder esperar, ficarei mais do que agradecida, mas se não puder, não tem problema a gente estava preparado para isso!

Porque, além do mais, tinha que fazer o procedimento com a bexiga cheia, para ver melhor no ultrasom. Só que a essas alturas, eu já estava explodindo de vontade de ir ao banheiro!

Bom, esperamos tudo que deu e fomos para a sala de cirurgia às 10h35. A enfermeira portuguesa me disse que podia ficar tranqüila, assim que Luiz aparecesse, ela levava ele para lá, mesmo que o procedimento tivesse começado.

Pois é, como disse, só tinha eu de paciente mesmo, assim que todo mundo ficou por ali para saber o que acontecia. Juro! Definitivamente, eu devo ter uma gravidez das mais participadas do mundo! Eu, o médico, a auxiliar, o enfermeiro que carregava a cadeira de rodas, a responsável do laboratório… só não ficou a enfermeira portuguesa, porque estava na recepção esperando pelo Luiz!

E eu ali, naquela posição ginecológica tão peculiar, batendo papo e tentando me convencer que aquilo devia ser muito natural, né? O importante é a atitude!

Isso sem falar da vontade desesperadora de fazer xixi! Acho que nem deu para ficar emocionada na hora, porque se eu relaxasse a ponto de descer uma lagriminha, desceria muito mais do que o desejado! Caraca!

Daí, a responsável do laboratório me explicou o seguinte, tienes dos embriones muy guapos! (você tem dois embriões muito bonitos) Já gostei do bom humor e obviamente da notícia. Esses dois estavam no ponto ótimo para fazer a transferência. O terceiro embrião ainda estava um pouco imaturo, precisariam esperar um pouco mais para saber se sobreviveria e se vale à pena congelá-lo. Perguntei de que técnica eram os dois que estavam bem e ela me disse que era um de cada técnica (micro injeção e fertilização convencional). Disse também que estavam em ótimas condições, no ponto exato para transferência! Beleza, são os que preciso e nem tenho que decidir mais nada! Que assim seja!

A parte bonita é que você assiste pelo monitor do ultrasom o que está acontecendo e vê o momento exato em que o médico introduz a cânula e deixa um pontinho líquido brilhante no seu útero. Assim que me senti privilegiada em testemunhar o segundo em que duas vidas me foram dadas.

No minuto seguinte, entra pela sala a enfermeira portuguesa e Luiz esbaforido! Conseguiu chegar no finalzinho.

Ou seja, que terminei de me engravidar com mais seis pessoas em volta na torcida! O médico, a auxiliar, a enfermeira portuguesa, o enfermeiro que levava a cadeira de rodas, a responsável do laboratório e Luiz.

Até pensei em perguntar se não tinha mais ninguém pela recepção que quisesse compartilhar desse momento tão público e numa posição tão cômoda!

Fui levada novamente ao Box 3, com toda minha escolta. E o enfermeiro já me perguntou se não preferia ir direto ao banheiro! Claro, porque todo mundo também sabia que estava pensando amarelo!

Fiz a mesma pergunta ridícula que imagino que outras mulheres também devam pensar: mas posso ir ao banheiro tranqüila, né? Não vai me sair nada que não deva?

Óbvio e felizmente, não tem problema nenhum, ninguém urina os embriões!

Só aí tive um pouco mais de sossego com Luiz e foi contando o que havia acontecido que me emocionei em lembrar da imagem dos embriões no útero. Acho que tinha tanta coisa acontecendo na hora que não absorvi tudo no mesmo instante. Na verdade, minha ficha ainda está caindo até agora. Acho que a dele também.

Avisei minha mãe por SMS, não quis ligar para o Brasil porque ainda era muito cedo por lá. Ligamos para minha amiga que foi comigo ao hospital para agradecer e viemos para casa.

Os próximos passos são usar 3 óvulos de Ultrogestan (progesterona) ao dia, um pela manhã e dois à noite, e seguir tomando o ácido fólico. Em duas semanas, preciso fazer um teste de gravidez, desses que a gente compra em farmácia mesmo. Com o resultado, ligo para o médico e marco a consulta seguinte.

E agora, é vida normal. Começamos nova etapa e que seja o melhor para todos nós!

Mas bem que um dia poderá ser engraçado contar para as crianças que, no dia 15 de outubro, assisti ao momento exato em que elas foram concebidas e que elas/ela/ele/eles já chegaram ao mundo de maneira divertida e com um monte de gente ajudando!

Décimo primeiro dia: 3 embriões respondendo!

Às cinco da matina, Luiz acordou, precisou viajar para Londres. Retorna amanhã, no primeiro horário possível, e chega em Madri pelas 9 horas.

 

A vida seguiu e a nossa é assim, nada estanca para esperar o próximo passo, é tudo junto ao mesmo tempo! Vamos nos adequando e fazendo espaço na nossa agenda para caber o que precisa.

 

Por volta de 11 horas, me ligaram do hospital para dar notícia dos óvulos. Dos 5 válidos, 3 viraram embriões. Mais especificamente, dos 3 da micro injeção, sobreviveu 1. E os 2 da fertilização convencional sobreviveram.

 

Entre nós, essa era minha aposta. Não tem nenhuma validade científica o que vou dizer, mas tive essa sensação de que preferia os da fertilização convencional, por ser mais parecido ao processo natural. Não foi alguém que escolheu um determinado espermatozóide do Luiz, foi a vida que se encarregou que os melhores chegassem primeiro a cada óvulo.

 

Ainda é muito recente para saber em que classificação se encontrarão esses 3 embriões. Eles serão classificados em A, B, C e D. Sendo A, o mais provável de conseguir seguir com a gravidez.

 

Eles terão essa resposta amanhã pela manhã, quando está marcada a minha transferência dos embriões. Será às 10 horas e é ali na bucha que descubro quantos embriões devo implantar. Meu palpite é que vou implantar esses 2 embriões da fertilização convencional.

 

Importante ressaltar que ainda não sabemos desses 3 embriões, quantos sobreviverão até amanhã e em que qualidade. Outra coisa, o fato de implantar 2 embriões, não garante que terei gêmeos e sim aumenta a probabilidade que pelo menos um sobreviva.

 

Digo isso, porque ainda tem muita gente pensando que a fertilização assistida garante a gravidez e não é verdade. Com toda essa história, pelo que entendi, minhas chances são por volta de 20%.

 

Assim que deixo claro que comemoro cada etapa, porque essa é a minha natureza e filosofia. Mas isso não quer dizer que já esteja comemorando uma gravidez. Ainda tem muita água para rolar até ter certeza que tenho uma gravidez saudável, coisa que só acontecerá a partir do terceiro mês.

 

Agora, fala sério, alguém acha que vou passar três meses com cara de interrogação porque pode ou não dar certo? Melhor ser cautelosa, para evitar um tombo grande? Por mim, que se foda o tombo grande! Quando chegar lá, se, e somente se chegar lá a gente vê o que faz. Quem tem a vida fácil? A gente não se vira sempre?

 

Prefiro curtir esses momentos como se tudo fosse dar certo, porque pode dar e não quero ter perdido nada!

 

Mas voltando à prática, lembra que falei que o Luiz viajou? Pois é, estávamos achando que a transferência seria no domingo. Por precaução, ele até pegou o vôo mais cedo que tinha. Resumindo, ele deve pousar em Barajas pelas 9h30 e temos que estar no hospital às 10 horas.

 

Não vai dar tempo dele vir em casa me buscar, vamos para o hospital cada um por si e nos encontraremos lá!

 

O que, se pensarmos bem, é um pouco bizarro não? Ele vai correr feito um louco para chegar a tempo de estar presente durante a fecundação do seu próprio filho!

 

Quer ver ficar mais bizarro?

 

Tecnicamente, quando coloco os embriões no útero, estou grávida. Não tenho que esperar o próximo ciclo, como as mulheres normais, para saber se formou o embrião e eu engravidei. O que tenho que esperar é que meu corpo segure essa mesma gravidez.

 

Ou seja, pela primeira vez, encontrei uma situação em que o termo “ligeiramente grávida” é um fato!

 

Essa noite, poderia me despedir das pessoas assim: não vou beber e já vou andando, porque amanhã tenho que acordar cedo para ficar grávida… sabe como é que é…