Dobrar guardanapos

 
Eu adoro guardanapos de tecido! Tudo bem que no dia a dia não seria lá muito prático, mas em um jantar mais especial não custa nada. 
 
 
 
 

 

Dobrar perfeitamente um guardanapo é uma arte que não me atrevo a dominar. Mas há maneiras simples e criativas que dão todo um charme na mesa. Na minha opinião, não é necessário ser um especialista em origami, mas um guardanapo dobrado de uma maneira diferente sempre traz um toque elegante.  

Mostro aqui alguns modelos, fotografados de maneira bem caseira, mas acredito que possa ser didático. 

Para quem se apaixonar pelo tema, aviso que há cursos só para isso. E por que não se atrever a criar um pouquinho? 

 

1 – Básico do básico: guardanapo dobrado em diagonal. Fica bonitinho quando é bordado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2 – Tubo: muito simples, mas é valorizado com um bom acessório para guardanapos.

 

 

 

 

 

 

 

 

3 – Ondas

 

Dobrar o guardanapo em três partes iguais, formando um retângulo.

 

 

 

 

Dobrar o lado direito em direção à esquerda, até ocupar um terço do guardanapo.

 

 

Dobrar o lado esquerdo da mesma maneira, formando um quadrado. Apertar para marcar as linhas.

 

 

Desdobrar, reparar nas linhas marcadas, definindo 3 partes iguais.

 

 

Enrolar o lado esquerdo até o final do seu terço e fazer o mesmo com o lado direito.

 

 

 

Apertar em direção ao centro, até formar as três ondas.

 

 

 

4 – Leque

 

Dobrar o guardanapo pela metade, formando um retângulo

 

 

Com a metade da direita, dobrar em forma de leque, de maneira que o fim do plissado fique para cima.

 

 

Dobrar o conjunto.

 

 

A metade da direita, não plissada, deve ser dobrada em forma de triângulo, deixando uma sobra embaixo para base.

 

 

 

Abrir o leque.

 

 

 

 

5 – Cisne

 

Dobrar o guardanapo em forma de triângulo, com base fechada para baixo.

 

 

Enrolar as duas extremidades, o mais fino possível, em direção ao centro.

 

 

 

 

Dobrar a parte de baixo para encaixar na taça.

 

 

 

6 – Flor 

 

Dobrar o guardanapo formando um triângulo com a base fechada abaixo.

 

 

Dobrar os ângulos esquerdo e direito desde a base até o topo do triângulo.

 

 

 

Unir a ponta de cima com a debaixo e dar a volta no guardanapo.

 

 

 

 

 

Dobrar a ponta superior para baixo e virar todo o conjunto.

 

 

 

 

Levar o extremo direito da base até o lado esquerdo, e introduzir um no outro. Abrir a base, de forma que fique equilibrada em pé.

Virar o guardanapo e dobrar as pontas de cima.

 

 

 

 

 

PS: Se você gostou desse post, pode se interessar também pelo “Arrumar a Mesa Para um Jantar Especial“.

 

 

 

 

Canelone invertido – receita da Mari

Gosto de gente assim, que diz que vai  mandar a receita… e manda! Essa, achei especialmente simples, gostosa e fácil de encontrar os ingredientes.

 

Ingredientes:

 

          Presunto cozido fatiado

          Queijo mozzarella fatiado

          Macarrão cabelo de anjo (aquele bem fininho)

          Requeijão ou queijo cremoso

          Molho de tomate

          Queijo parmesão ralado

 

Como fazer:

 

          Cozinhar o macarrão cabelo de anjo e reservar para o recheio

          Esticar a fatia de presunto. Sobre o presunto, colocar uma fatia de mozzarella

          Sobre a mozzarella, colocar um pouco do macarrão cabelo de anjo e uma colher de requeijão ou queijo cremoso

          Enrolar o presunto, com esse recheio, em forma de canelone

          Organizar em um pirex a quantidade de canelones desejada

          Cobrir tudo com molho de tomate batido e salpicar de queijo parmesão

          Levar ao forno para gratinar

 

Segundo a Mari, depois de levar os canelones para gratinar, ajoelhar e rezar, de tão bom! O que estou plenamente de acordo.

 

Só vou dar um palpite, que vai depender do gosto de cada um. Antes de gratinar, além do queijo parmesão, salpicaria também um pouco de orégano ou manjericão.

 

 

 

Arroz à carreteira

Ando em uma fase de churrascos, aliás, uma coisa engraçada, acho que nunca gostei tanto de churrasco como depois que saí do Brasil. Sei lá, acho que a possibilidade da falta faz a gente gostar mais.

 

Mas hoje vou falar do final do churrasco, quando geralmente fica um pouco da carne, já com cara de passada, aquela picanha meio dura, o vinagrete, que deu um trabalho danado em picar tudo pequenininho e você vai deixar sobrar…

 

Enfim, escutei mais de uma versão de como nasceu o arroz à carreteira ou arroz carreteiro, bem como distintas receitas. Uma coisa sempre coincide nas histórias, é um prato criado pelos peões que transportavam gado e preparavam a comida pelo caminho. Por esse motivo, a receita original leva charque, carne salgada e portanto pouco perecível, além do arroz. Faço um pouco diferente, usando o que sobrou do churrasco.

 

Muito bem, faço assim, primeiro recolho as carnes que sobraram. Obviamente, não estou falando das que sobraram no prato de ninguém, simplesmente das que não foram consumidas. Na verdade, já vou separando as que esfriam e ninguém pega ao longo do churrasco. Uso tudo, carne de boi, linguiça, frango, porco, o que tiver, só não uso peixe. Das carnes tiro a gordura e do frango tiro a pele, porque depois de cozinhar na água do arroz ficam com aspecto feio. Pico tudo pequenininho e reservo.

 

O vinagrete que sobra, escorro para não amargar muito e também reservo.

 

Quando entra a noite e a fome começa a voltar, além da bebida começar a tirar a energia das pessoas, é a hora de fazer.

 

Em uma panela, deixar um jorro de azeite no fundo e fritar uma cabeça de alho machacado. Se estiver com preguiça de descascar o alho, tudo bem, põe só o azeite. Refogar o arroz nesse azeite. Quando ele começar a fritar, adicionar o vinagrete escorrido e mexer. Adicionar também toda a carne picada de uma vez e misturar bem. Não costuma ser necessário sal, normalmente o sal da carne e do vinagrete é suficiente, mas isso é a gosto de cada um. Adicionar água, a quantidade de água é o dobro da quantidade de arroz, igual ao arroz normal. Esperar a água secar e pronto! Normalmente, deixo só secar no fundo da panela, gosto desse arroz mais molhadinho, como se fosse um risotto.

 

Além de ser uma delícia, quando é daqueles churrascos longos, que vão noite adentro e certamente as pessoas acabam exagerando um pouco na bebida, esse arrozinho comido antes de dormir é praticamente milagroso. Te alimenta com o carboidrato e proteína, o azedinho do vinagrete equilibra a gordura que, nesse momento, protege seu estômago dos efeitos do álcool.

 

Mas entre nós, sinceramente, o que gosto mesmo é do ritual. Fecha o ciclo da festa, muitas vezes é feito a várias mãos entre amigos e renova algo que seria sobra. No dia seguinte, estou nova em folha!

 

Farofa de ovo – dica da Conceição

Na minha memória, os dois primeiros pratos que aprendi a fazer foram farofa de ovo e omelete de salsicha. Não sei em que ordem, mas lembro com certeza que o omelete de salsicha foi meu avô paterno quem me ensinou. Não acredito que eu tivesse mais que uns seis ou sete anos de idade, quando a salsicha me parecia ser uma iguaria inigualável.

 

Há muitos anos não faço mais o tal omelete, mas ainda sou louca por farofa de ovo. É possível que também tenha sido meu avô a me ensinar, mas a dica que darei hoje, aprendi com uma bronca da Conceição, quando tinha por volta de uns dez anos e quase arruinei sua farofa. A Conceição trabalhou na casa da minha avó materna desde que minha mãe tinha uns onze anos, fez parte da nossa família até sua morte. Ela e minha avó tinham uma cumplicidade bacana e difícil de entender para quem estava de fora, talvez em outro momento escreva sobre isso. Mas hoje, vou contar da farofa.

 

Acho que a farofa comporta um monte de coisas gostosas, bacon, ovos, azeitonas, cebola, alho, cada um elege sua própria mistura. A generosa farinha agradece. Como acompanhamento, prefiro a farofa simples, aquela só fritinha na manteiga, quem sabe com um refogadinho de pouco alho.

 

E confesso que tenho mania de comer farofa de ovo pura. Pode ser afetivo, sei lá, os americanos tem um bom nome para isso, “comfort food”. Só sei que quando bate aquela fominha, junto com a preguiça de preparar toda uma refeição, coloco na frigideira umas duas ou três colheres de sopa de manteiga, deixo derreter, coloco um ou dois ovos, dependendo da fome, adiciono farinha e sal. Se tiver aquela farinha baiana fina e amarelinha então… ui! Deixo ganhar um pouquinho de cor, e lá está ela: a deliciosa farofa de ovo!

 

Qual é a dica?

 

Assim que você colocar os ovos na manteiga derretida, e veja bem, deixar só derreter, não deixar ficar aquela manteiga preta, mas continuando, não mexer os ovos imediatamente. Se você fizer isso com eles ainda muito crus, os pedaços ficam pequenos, separados, parecem um omelete que não deu certo, e quando você adiciona a farinha, ao invés de ter aqueles pedaços consistentes que você pode mastigar e sentir o sabor, você tem umas bolinhas indefinidas ou pedacinhos mínimos de ovo. Foi isso que fiz com a farofa da pobre Conceição, que depois de se aborrecer, ficou rindo e me ensinou a fazer direito.

 

O truque é simples, após adicionar os ovos inteiros à manteiga derretida na frigideira, quebrar as gemas e deixar o ovo ganhar um pouco de corpo, só quando a clara já está esbranquiçada é que se mistura devagar um pouco a gema e a clara, e se começa a partir o ovo em pedaços, com a própria colher de pau. E só então, com os pedaços de ovos em um tamanho definido e com a clara já branca, é que se deve adicionar a farinha e misturar tudo. É uma bobagem de nada, mas faz toda a diferença na aparência e no sabor.

 

 

Arrumar a mesa para um jantar especial

Quando você já tem alguma experiência gastronômica, ou ao menos alguém que faça para você, é hora de se atrever a oferecer um almoço ou jantar.

 

Dependendo do tamanho da sua mesa e do número de convidados, uma das opções é  servir à americana, ou seja, os pratos e talheres sobre a mesa e os convidados se servem e sentam-se em outros lugares. É a maneira mais simples, mas menos cômoda. Nesse caso, é melhor se preocupar com o menu e não oferecer nada que seja complicado comer. Por exemplo, cortar um medalhão no colo ou tirar o scargot da conchinha não é nada trivial. Portanto, antes de pensar em um prato que pareça chic, imagine se é prático.

 

Uma refeição à mesa tem seu charme e regras. A vida moderna e a intimidade com os amigos ou família permitem que você quebre algumas ou muitas delas, mas é bem diferente você quebrar um protocolo por ignorância que por opção.

 

Quer fazer algo bem informal entre amigos? Ótimo! Nenhum problema, mas às vezes você quer se exibir um pouquinho, né? Fazer alguma coisa mais elegante ou elaborada, homenagear alguém, enfim, acho que um prazer não elimina o outro.

 

Um ponto importante, sempre que você convida uma pessoa para sua casa é para que ela se sinta bem. O objetivo de fazer uma refeição mais especial é de homenagear seus convidados, se você acredita que é alguém que pode se sentir menosprezado ou intimidado com a formalidade, não faça. A idéia é que seu convidado saia se sentindo um rei, e não constrangido porque não sabe que garfo usar primeiro. Por outro lado, você foi convidado e não sabe bem por onde começar, se for amigo mais íntimo, pergunte com bom humor, brinque; se é uma pessoa mais tímida, faz cara de paisagem e observe o que os anfitriões fazem, pronto! Às vezes a gente esquece, ninguém nasce sabendo.

 

Mas os anfitriões precisam saber.

 

Em um jantar formal, até a ordem dos convidados na mesa obedece a um protocolo que considera a idade, sexo, nível de instrução e importância das pessoas. Mas vamos simplificar nossa vida? Essa parte a gente deixa de lado um pouquinho e vamos considerar que todos nossos convidados tem igual importância, o que francamente, para mim é verdade. Muito bem, de uma maneira ou de outra, é sempre a anfitriã quem senta primeiro à mesa e quem define a hora de levantar.

 

Portanto, anfitriã, sente-se e encaminhe os convidados aos seus locais. As pessoas gostam que alguém defina onde elas devam se acomodar, elas não querem tomar essa decisão.

 

Agora, por exemplo, muitas vezes sou eu quem servirá o jantar e preciso me locomover. Nesse caso, deixo claro qual é o meu lugar, normalmente pela facilidade de locomoção até a cozinha, e Luiz se encarrega de acomodar os convidados. Isso é outra coisa importante, quando se trata de um casal de anfitriões é bem mais fácil, porque a gente divide responsabilidades.

 

Então tá, mas esse é o durante. Antes, você precisou arrumar a mesa, certo? Muitas vezes a gente está careca de saber o que vai onde, mas na hora “h” dá um branco e sempre aparece aquele detalhe que te deixa na dúvida, do tipo, tem um lado para virar a faca? Pois vamos lá!

 

Talheres:

 

A ordem dos talheres segue a mesma ordem em que os pratos são servidos, de fora para dentro. Por exemplo, para a entrada você utilizará os talheres mais afastados do prato; e para o prato principal, os mais próximos. Do lado direito estarão as facas e colheres; do lado esquerdo, os garfos; e acima do prato os talheres de sobremesa, na posição em que são usados, a colher e a faca de sobremesa você usa com a mão direita e o garfo com a esquerda, a colher é mais acima, o garfo no meio e a faca abaixo, mais próxima ao prato. As lâminas de todas as facas são voltadas para dentro do prato.

 

Copos:

 

Os copos são arrumados na diagonal à direita acima do prato, com a possibilidade de serem alinhados ou, se forem mais de três, agrupados.

 

Para os copos alinhados, a ordem seguida é por tamanho, de maior ao menor, o maior à esquerda e o menor à direita. A taça menor estará à altura do talher que estiver mais à direita. Essas serão as taças de água e vinhos. A primeira e maior de todas, à esquerda, é utilizada para água, a seguinte taça é para vinho branco, e a terceira para vinho tinto. De maneira geral, a de vinho branco é a mais alta, mas há uma exceção, quando se utiliza copos específicos para cada tipo de vinho, nesse caso é provável que a taça de vinho tinto seja maior. Ainda que, ultimamente, tenho observado que essa regra tem sido colocada um pouco de lado, deixando-se sempre a taça maior para o vinho tinto, favorecendo assim, a apreciação do seu bouquet.

 

No caso de agrupá-los, na realidade serão duas filas juntas. A primeira fila, mais próxima ao prato, é absolutamente igual ao explicado acima, do maior para o menor, da esquerda para direita. Na segunda fila, centralizada com a primeira, seguirão as taças de champagne e licor e também seguem a ordem de maior para menor, da esquerda para direita.

 

Guardanapos:

 

De pano, por favor! Depois de todo esse trabalho, não vamos estragar por um detalhe. Todo mundo tem máquina de lavar, né não? Fica muito mais elegante. É possível até deixar um guardanapo de papel também para as mocinhas que podem ter ido com um batom mais vermelho e se sintam constrangidas em usar seu guardanapo lindo de linho bordado no Ceará, se for muito amiga, tudo bem. Mas essa foi uma coisa que já aprendi, se você recebe gente em casa, não pode ter pena de nada que seja utilizado. Se está com medo que quebre ou suje, não use! Por outro lado, qual é a graça de ter qualquer coisa que não se possa disfrutar? Use guardanapos brancos e depois põe tudo de molho na água sanitária, vai ficar limpinho, pode acreditar.

 

Há maneiras diferentes de dobrá-los e aqui seguem alguns exemplos https://buracodafechadura.com/2008/07/03/dobrar-guardanapos/. Mas por hoje, o importante é que estejam limpos, dobrados e colocados sobre os pratos ou suplats. Também existe a possibilidade de estarem dentro de uma das taças.

 

Para utilizá-los, devem ser dobrados ao meio, colocados no colo, do joelho para cima, com a parte que abre para dentro, ou seja, abertura virada para sua barriga. Assim você pode limpar seus dedos sem manchar sua roupa.

 

Aproveito para dizer que, ao terminar a refeição, o guardanapo não deve ser dobrado outra vez, mas simplesmente deixado sobre a mesa.

 

Entretanto, há uma exceção, quando você está hospedado na casa de alguém que utiliza guardanapos de pano, quando terminar de comer você dobra o guardanapo bonitinho e o deixa na frente do seu lugar. É uma maneira de demonstrar boa vontade e dizer para anfitriã que você é de casa, quer poupar o trabalho dela e ela não precisa se preocupar em trocar os guardanapos de pano em todas as refeições.

 

 

 

Complementos:

 

Pode ser colocado um pequeno prato para o pão, à esquerda do prato da refeição. Sobre esse pratinho, se coloca uma faca de sobremesa, em diagonal. O prato pode estar um pouco acima da borda da mesa, para facilitar a ulilização dos garfos. Esse pão é partido com a mão, a faca é utilizada para untá-lo. Se não for servido manteiga ou algo mais para untar o pão, a faca é desnecessária.

 

Acredito que uma jarra de água é sempre importante, a sede se mata com água, não com vinho.

 

Sal e pimenta é um dilema. Para os franceses é quase uma ofensa, é o mesmo que dizer que a comida não está bem temperada. Pessoalmente, não sou tão radical e acho que o gosto das pessoas é variável, portanto, não me ofende nem um pouco se alguém quer colocar um pouco mais de sal ou pimenta em sua comida. Prefiro os recipientes que moem na hora, tanto o sal como a pimenta.

 

Paliteiro? Preciso responder? Tenha dó, né? Vai no espelho e se olha palitando os dentes que coisinha mais linda! Enfim, não mesmo. Mas sempre deixo um fio dental visível no lavabo.

 

Um arranjo de flores é bonito, mas perigoso. Primeiro porque o aroma das flores pode influenciar no paladar, portanto, é necessário eleger o tipo de flor com bastante cautela. Outro problema é seu tamanho, além de ocupar um espaço importante, não pode estar na altura dos olhos, ou seus convidados estarão praticamente se desviando de um poste no meio da mesa para conversar.

 

Velas são muito charmosas, mas também não podem ser aromáticas e devem ser posicionadas de maneira que não atrapalhe a visão, não queime as mãos dos convidados, nem esquente os vinhos.

 

Hoje em dia, é difícil as pessoas terem espaço para uma mesa auxiliar, mas se for o caso, pode ser usada uma mesa de apoio ou aparador, onde fiquem os talheres e pratos de reposição, os talheres de servir, as garrafas de vinho, gelo, pão etc.

 

Toalha de mesa, usar ou não:

 

Sim, há regras, mas acho o seguinte: é bonito mostra, é feio esconde, pronto!

 

Teoricamente, mesas de vidro, por exemplo, não se forram. Na minha opinião, acho que depende, se você tem uma toalha linda, por que não? Por outro lado, acho mesas sem toalha mais charmosas, mesmo as de madeira, claro, se forem bonitas.

 

Uma coisa é importante, se não usar toalha de mesa, por favor, use suplat ou jogo americano, prefiro o suplat, fará uma composição melhor em função das taças.

 

Se utilizar uma toalha, deve estar limpíssima, imaculada, e bem passada. Como tamanho ideal, o fim da toalha deve coincidir com o assento da cadeira.

 

Nada impede em usar sua criatividade e cruzar passadeiras ou tecidos interessantes pela mesa. Só cuidado para não exagerar, uma mesa bonita aguça as sensações, mas o show pertence à comida.

 

O que os convidados devem levar?

 

Primeiro, estamos falando de um jantar mais elegante ou especial, certo? Porque quando já temos intimidade ou frequentamos a casa dos amigos, as regras vão se tornando cada vez mais flexíveis. Uma coisa é chamar um amigo para bater um papo em casa, naturalmente o convidado pergunta, levo alguma coisa? O anfitrião define, e o normal é trazer uma bebida ou aperitivo. Vamos combinar, ninguém pode ficar oferecendo tudo o tempo inteiro, é caro!

 

Mas no caso desse jantar mais especial, ou de ser a primeira vez que você vai à casa desse amigo, o que levar? Flores ou um presente para casa. Vinho ou outra bebida poderia considerar que você acredita que seu amigo não tem condições de te oferecer uma boa bebida. É ridículo, eu sei, mas é a regra, você quebra o protocolo se quiser e se souber que seu amigo não vai pensar essa bobagem.

 

Flores, que cor? Outra vez, é um pouco de frescura, mas regra é regra, novamente, você cumpre se quiser. Essa regra se aplica principalmente às rosas, o branco é sempre correto, amarelo é infidelidade, rosa é promessa de amor, vermelho é amor ardente. Não se oferecem rosas vermelhas a uma mulher jovem, nem amarelas a uma casada. É um arranjo colorido, e no meio tinha uma florzinha amarela de nada, ai cassilda, e agora? Relaxa, a dona da casa vai gostar. Mas não faça questão que ela arrume o arranjo naquele minuto, ela estará ocupada.

 

Bombons ou guloseimas podem ser simpáticos, mas você precisa ter certeza, por exemplo, que a dona da casa não está de dieta ou se não há ninguém diabético.

 

Vou repetir, são seus amigos? Vocês já se conhecem bem? Já foi um monte de vezes na casa deles? Pode levar vinho, bombons, o que quiser, ou nada. O que acabei de explicar é para a primeira vez, em uma ocasião especial ou mais formal.

 

A hora de levantar:

 

É sempre a anfitriã quem define o momento apropriado e se levanta primeiro. Os convidados acompanham.

 

Não há nenhum problema em passar todo o jantar e sobremesa na mesa, muitas vezes é o local mais confortável.

 

Entretanto, caso seja uma refeição mais longa, com vários pratos e tal, chega uma hora em que as pessoas se cansam de estarem sentadas no mesmo lugar. Às vezes alguém quer usar o toilet, outro quer dar uma fumadinha, enfim, os anfitriões precisam estar atentos a isso. Acho que após finalizar o prato principal, é possível ser flexível e continuar a conversa, o café, licores, os queijos e a sobremesa, no sofá. O momento exato, irá definir a anfitriã ao considerar a reação dos convidados.

 

Falando em fumar, vou dar minha opinião: na mesa NUNCA! Acho um desrespeito com a comida e com as pessoas. Se você não pode esperar o tempo de uma refeição para isso, definitivamente, você tem problemas! A única exceção é se absolutamente todos da mesa forem fumantes e não houver crianças por perto. Caso contrário, por favor, sem aquela perguntinha cretina do “vocês se incomodam?”. Sim, incomoda e fede, e de longe – que nunca é tão longe assim – fede também! Por outro lado, cortesia se responde com cortesia, seu amigo fumante se segurou o jantar inteiro, né? Na hora do café, ofereça a varanda ou uma possibilidade de saída rápida e dê uma folguinha.

 

Como agradecer:

 

O agradecimento é feito aos anfitriões no momento da despedida, isso é o suficiente. Mas esse agradecimento pode ser estendido ao dia seguinte, por telefone para amigos íntimos, e por correio quando se tratar de relações sociais. Um detalhe um pouco óbvio, se telefonar, não ligue cedo, só após às 14:00hs, os donos da casa foram dormir tarde, lembra? No caso do convidado que chegou de mãos vazias, pode enviar flores acompanhadas de um cartão.

 

Hoje em dia, com a prática da internet, é mais simples enviar um e-mail agradecendo, não vejo nada demais. É simpático e a pessoa lê na hora que puder.

 

Papel do convidado:

 

Quando você aceita um convite, em tese, está também aceitando que retribuirá esse mesmo convite. Por exemplo, se você aceitou comparecer a um jantar, deve em outra ocasião convidar seus amigos para sua casa ou a um restaurante. Não é necessário que você retribua no mesmo ou melhor padrão, se for possível ótimo, mas cada um deve respeitar suas próprias condições.

 

Uma curiosidade, homens solteiros convidados por um casal deveriam retribuir o convite apenas ao marido. Pois não ficaria bem uma mulher casada aceitar o convite de um homem solteiro, a não ser que a idade dos dois não deixasse a menor sombra de dúvida sobre essa relação. É mole?

 

Muito bem, lá vou eu mais uma vez, isso é o que diz a etiqueta, ainda que não dê a menor bola para ela. Chamo em casa as pessoas que tenho vontade de encontrar. Se me retribuem o convite, vou de bom grado, mas nunca esperei por isso. Meu prazer é ter amigos em casa e é a razão pela qual convido. E vamos combinar, na nossa sociedade, essa regra de só convidar o marido seria estranhíssima e, provavelmente, a esposa não convidada ficaria bem aborrecida.

 

Finalizando:

 

Toda essa arrumação pode variar de acordo com o menu oferecido, número de pratos, tipos de vinhos etc. Essas são as ferramentas e você usa como precisar ou quiser.

 

É importante lembrar que boa parte desses procedimentos foram gerados em outra geração, cultura, status social etc. Utilizar o mesmo protocolo da corte francesa no século XVII em um jantar com amigos, pode parecer um pouco pernóstico. Entretanto, muitas regras se mantiveram ao longo dos anos por se provarem úteis e tornarem o processo mais definido. No mínimo, há um ritual interessante e gostoso. Outras regras são preconceituosas mesmo. Enfim, é fundamental ter bom senso.

 

Agora que você conhece ou lembrou de todas essas etapas, se é que posso dar algum conselho é que confie um pouco em sua intuição e criatividade. Alguns exemplos, não tem todos os pratos ou copos do mesmo jogo? Use de jogos diferentes, aproveite e coloque guardanapos também de várias cores, faça de maneira divertida. Quer flores na mesa, mas não tem um vaso adequado? Coloque só botões em copos individuais, espalhe as pétalas pela mesa. Atrevo-me a dizer que quase tudo que você faz com carinho e pensando em seus convidados, pode sim. Tome decisões e, se precisar, erre com classe e bom humor. É claro que seus convidados vão gostar e isso é o mais importante.

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Kibe de bandeja

Kibe é um prato simples de preparar e costuma ter saída certa nas festas. Os kibes pequenos, tipo salgadinho, são deliciosos, mas dão muito mais trabalho, primeiro porque você precisa enrolar um a um e depois porque necessitam ser fritos no momento da festa. Você até pode fritá-los antes e esquentar no forno na hora, mas não fica igual. Enfim, sempre tento facilitar minha vida e o kibe de bandeja, ou seja, feito todo de uma vez em um pirex, é muito mais fácil, além de mais saudável, por ser assado.

 

Ingredientes:

 

1 kg de carne moída

250 g de trigo para kibe (sarraceno)

1 cebola

2 limões

1 maço de hortelã

1 pitada de noz moscada

1 pitada de pimenta do reino

manteiga

sal

 

Modo de Fazer:

 

          Colocar o trigo de molho por pelo menos 2 horas antes de começar a preparar todo o prato. Para facilitar, você já pode deixá-lo de molho em um escorredor dentro de algum outro recipiente com água.

          O trigo vai absorver a água e inchar, quase dobra em volume. Depois dessas duas horas ou mais, escorrer a água, apertando um pouco o trigo, como quem aperta uma esponja, para que saia o excesso. É aí que o fato de já estar em um escorredor facilita bastante.

          Misturar o trigo escorrido com a carne moída, cebola bem picadinha em cubinhos, hortelã picadinha, noz moscada, pimenta do reino e sal.

          Pessoalmente, adoro o gostinho do limão no kibe, mas tem gente que não gosta. Não adicioná-lo não irá comprometer o prato, só acho mais gostoso com limão. Inclusive, sempre ralo um pouco da casca verde e adiciono essa raspinha, o gosto do limão fica mais presente. Enfim, seguindo a receita, espremer o suco de dois limões e adicionar também (além da raspinha da casca, se gostar do limão como eu).

          Sal a gosto.

          Untar um pirex com manteiga e colocar essa massa do kibe como se fosse uma torta de carne. Fica bonitinho desenhar os quadradinhos com a faca e facilita na hora de servir. Colocar um pouco mais de manteiga sobre a massa.

          Cobrir o pirex com papel alumínio e levar ao forno já aquecido (+/- 170 graus). Deixar cozinhando no forno, coberto com o papel alumínio, por uns 30 minutos.

          Tirar o papel alumínio e deixar gratinar em forno alto, mais ou menos uns 10 minutos, depende um pouco do forno, melhor ficar de olho na primeira vez.

          Uma dica, se for servir em uma festa, você pode fazer só essa primeira assada coberta com o papel alumínio e tirar o quibe do forno. Manter fechadinho para não ficar seco. Na hora de servir, só precisa gratinar. Caso pareça um pouco seco, adicionar mais manteiga ou caldo de limão.

 

Pode ser servido puro, vai depender do que mais você estiver oferecendo. Mas fica muito gostoso com um molho de iogurte e pepino. Pão árabe vai bem.

 

O molho de iogurte também é fácil de fazer. Picar o pepino bem fininho, misturar com salsa picadinha, sal e iogurte natural. Gosto de por um pouco de cream cheese, dá mais corpo.

 

Caso você esteja preparando um desses kibes para levar à casa de algum amigo, pode ser feito em um recipiente de alumínio descartável que vá direto ao forno. Aconselho a já dar a primeira assada e deixar só para gratinar na casa da outra pessoa. Assim você facilita a vida da anfitriã.

 

Pode ser congelado. Prefiro congelar cru ou após a primeira assada, antes de gratinar. Porque ele fica mais gostoso gratinado no forno do que aquecido no micro ondas, assim, você aproveita o tempo do aquecimento para finalizar o prato. Fica com gosto de mais fresquinho e não resseca.

 

Dificilmente sobra nas festas, mas quando fica só aquele pedacinho da educação, quando os convidados se vão, cubro com uma fatia de queijo e vai para o micro ondas mesmo. É possível que seja uma heresia com a culinária árabe, mas fica bom…

 

 

Um bom anfitrião

Recebi da minha digníssima mamãe essa historinha grega. Se é das mensagens inventadas que se repassa pela internet, ainda não sei, mas achei muito interessante. 

Na mitologia grega, Anfitrião era o marido de Alcmena, a mãe de Hércules.  

Enquanto Anfitrião estava na guerra de Tebas, Zeus tomou sua forma para deitar-se com Alcmena e Hermes tomou a forma de seu escravo sósia para montar guarda no portão. 

Uma grande confusão foi criada, pois Anfitrião duvidou da fidelidade de sua esposa. 

No fim, tudo foi esclarecido por Zeus e Anfitrião ficou contente por ser marido de uma escolhida do deus. Olha que honra! Não foi corno assim de qualquer um! 

De uma daquelas noites de amor, nasceu o semideus Hércules. 

A partir daí, o termo anfitrião passou a ter o sentido de “aquele que recebe em casa”. Nada como ser chifrado com cultura, né não? 

Enfim, e eu ficando toda feliz quando alguém dizia que era boa anfitriã…

Saladas para festas

Sempre insisto que um dos pontos principais para quem recebe é se preparar, não deixar para fazer as coisas no momento em que os convidados estão na sua casa.  

Nesse sentido, a comida acaba sendo um dilema. Os pratos quentes costumam ser mais atrativos, principalmente do meio para o fim da noite, quando a gente já bebeu um pouco. Entretanto, se você não tem um certo domínio na cozinha e/ou está recebendo um número considerável de pessoas, os pratos quentes podem te enrolar. 

Existe um meio do caminho que funciona muito bem, são as saladas. Não estou falando das saladas verdes, essas podem até ser muito gostosas, mas não sustentam o povo numa festa. No popular, você precisa de mais “sustança”. Há saladas de carne, massas, batatas, enfim, ingredientes que tem o status de refeição. Não é a única possibilidade, mas acho uma boa opção que deve ser considerada. 

Reza a lenda da etiqueta que não vamos para uma festa matar a fome, e que só devemos praticamente fingir que comemos. Tá bom… tá certo… mas que festa mais chata, né? Sinto muito pessoas chiquérrimas, mas gosto de comer bem, acho um saco beber sem ao menos ter o que beliscar, e simplesmente amo quando meus convidados se servem à vontade. 

É importante também testar um pouco as receitas e conhecer melhor seus convidados, já notei que dependendo do país que estou, algumas saem mais que outras. Vale lembrar que os costumes alimentares vão mudando, por exemplo, nos EUA ninguém quer comer carboidratos, as saladas de carne saem bastante, mas as de batatas sobram. Na Espanha, são tradicionais, não comem nada que pareça oriental, os vegetais e comidas regadas com azeite tem saída certa. Também tenho mais amigos vegetarianos, amigas de dieta, outros alérgicos. Enfim, estou generalizando um pouco, mas o que quero dizer é que é bom pensar nos convidados individualmente quando elaborar o cardápio, mesmo sendo na sua casa. 

Então, mãos à obra, vou passar algumas receitas que costumam funcionar. 

1 – Carne louca ou salada de carne

É de origem italiana, em São Paulo o pessoal adora! Em Atlanta, os amigos também gostavam muito, principalmente por ser quase proteína pura. Em Madri sai pouco, acho que parece esquisito para eles a carne desfiada, e depois a carne de boi aqui não é tão saborosa.  

Ingredientes: 

Carne – lagarto (+/- 1kg)

Cebola (2)

Cenoura (1)

Salsa cebolinha (1 molho)

Pimentões (1 verde, 1 amarelo e 1 vermelho)

Alho (2 ou 3 dentes)

Azeite (bastante)

Limão (1)

Sal 

Modo de Fazer: 

          Cozinhar a carne na panela de pressão, com água até o limite. Nessa água, colocar uma cebola cortada em uns 4 pedaços, 1 cenoura também partida, sal ou um tablete de caldo de carne, e um ramo de salsa cebolinha. Cozinhar por uns 30 minutos, depois da pressão apitar. A carne precisa ficar no ponto para ser desfiada, se os 30 minutos for pouco, deixar mais.

          Retirar a carne. Essa água que ficou na panela, você pode coar e manter para fazer um brodo, fica delicioso e é rico em proteína. É fantástico para dietas, porque é ralinho e te sustenta que é uma maravilha! Mas essa é outra história.

          Voltando à carne, desfiar inteira, checar o sal e reservar. Não deve estar muito salgada, porque ela ainda levará azeite.

          Picar a cebola e os pimentões em tiras finas, mais ou menos no tamanho das tiras de carne desfiada.

          Tem gente que usa esses pimentões e cebola crus. Prefiro dar um susto neles antes, para não ficarem tão fortes. Em uma panela, colocar um fio de azeite, um ou dois dentes de alho machacados e refogar a cebola e pimentões. Fazer isso muito rápido, não é para cozinhar, como disse, é só dar um susto para quebrar um pouco o cru. Fica inclusive mais fácil para misturar com a carne depois.

          Misturar todos os ingredientes: carne, cebola e pimentões.

          Temperar com azeite generosamente e um pouco de caldo de limão. Gosto de ralar um pouco da casquinha do limão também, mas é gosto pessoal.

          Pode ser feito no dia anterior à festa e guardado na geladeira, sem problemas. Melhor retirar com uns 20 minutinhos antes de servir, para dar tempo do azeite derreter. 

2 – Antepasto de Beringela 

Receita de uma amiga, andei mudando um pouquinho porque nunca consigo seguir religiosamente. Da primeira vez que fiz, fiquei na dúvida se o povo ia gostar de comer beringela, no Brasil ela é meio desprezada tadinha. Durou minutos, esse prato voa aqui em Madri! Também funciona como prato vegetariano e não tem ingredientes que costumam provocar alergias. 

Ingredientes: 

Beringela (2)

Tomates (5 pequenos ou 3 grandes, nessa ordem de grandeza. A receita original era com pimentões, mas tenho alguns amigos com problemas em digerir pimentão, troquei por tomates. Você decide!)

Ketchup

Azeite (a rodo!)

Sal grosso

Orégano 

Modo de Fazer: 

          Cortar a beringela em cubos. Levar os cubos a um recipiente que possa ir ao forno e regar com bastante azeite. Esse procedimento deve ser rápido para a beringela não ficar preta.

          Cortar os tomates em cubinhos e adicionar ao recipiente.

          Adicionar ketchup e azeite, até ficar tudo molhadinho.

          Adicionar sal grosso e orégano.

          Levar ao forno e mexer de vez em quando para que tudo cozinhe por igual e a beringela incorpore bem o molho. Deve levar em torno de 30 minutos.

          Também pode ser feito no dia anterior e guardado na geladeira.  

3 – Salada de batatas 

Nunca é a estrela da festa, mas é um ótimo acompanhamento! Pode fazer uma maionese normal, funciona, mas prefiro fazer uma gracinha para ficar diferente e acrescento iogurt, mostarda, alecrim… vale a criatividade. 

Ingredientes: 

Batata

Ovo

Maionese

Mostarda

Iogurt

Cream Cheese

Alecrim ou Orégano

Sal 

Modo de Fazer: 

          Cozinhar as batatas em cubos, sem deixar ficarem muito molengas. Pode usar batata comprada já cozida, mas as frescas ficam melhores.

          Cozinhar um ou dois ovos e separar a clara da gema. A clara deve ser cortada em cubinhos ou ralada e misturada às batatas.

          A gema é amassada, misturada com maionese. Eu acho a maionese pura meio sem graça, por isso, misturo também um pouco de mostarda, iogurt ou cream cheese.

          Uma ervinha para dar gosto, o alecrim combina muito com a batata, mas para quem usa cream cheese, o orégano também cai bem.

          Sal à gosto.

          Essa é melhor fazer no próprio dia da festa. Guardando na geladeira não costuma ser um problema, mas não gosto de abusar com maionese. 

4 – Batata calabresa 

Outra vez, costuma funcionar melhor como acompanhamento. Mas vai bem para ter um pouco de endorfina rolando na festa. 

Ingredientes: 

Batatas pequenas, das que se comem com casca

Pimenta negra em grão

Pimenta vermelha em grão ou pimenta de cheiro

Tomilho ou sálvia

Azeite

Sal 

Modo de Fazer: 

          Cozinhar as batatas pequenas, com casca e tudo. Adicionar um pouco de sal nessa água onde as batatas serão cozidas.

          Escorrer quando estiverem cozidas ao dente.

          Fazer um molho com azeite, pimenta negra moída, pimenta vermelha moída ou pimenta de cheiro em fatias bem fininhas. Adicionar as folhinhas do tomilho ou sálvia.

          Misturar esse molho nas batatas e corrigir o sal, se necessário.  

PS: avisar aos convidados que o prato é picante! 

5 – Salada de frutos do mar 

Funciona nos quatro cantos do mundo, mas cuidado com os alérgicos! 

Ingredientes: 

Camarões

Polvo

Cebola

Tomate

Pimentão verde

Cebolinha, salsa ou cuentro

Azeite

Limão

Sal 

Modo de Fazer: 

          Cozinhar os camarões e descascar. Cozinhar o polvo e cortar em tiras, pode comprar o polvo já cozido que funciona também (pelo menos na Espanha). Se achar que vai se enrolar com o polvo, pode fazer com lula ou só os camarões mesmo.

          Cortar bem pequenininho a cebola, o tomate e o pimentão verde.

          Picar a cebolinha, salsa ou cuentro. O cuentro funciona melhor que a salsa, mas tem mais risco de algum convidado não gostar, a salsa é mais neutra.

          Fazer um tipo de vinagrete com o azeite e limão. Por ser um vinagrete, cabe um pouco mais de acidez do limão.

          Misturar os frutos do mar e checar o sal.

          Esse prato é melhor servido com pão, para molhar no vinagrete. 

5 – Salada oriental (pato) 

Eu adoro! Mas aqui na Espanha nunca tem saída. No Brasil e lugares onde se costuma experimentar outras cozinhas, sai bastante. 

Ingredientes: 

Peito de pato

Cogumelos (de preferência uns 2 ou 3 tipos)

Cebola (1 pequena)

Alho poró

Cebolinha

Vinho do porto ou whisky (1 cálice)

Noz Moscada

Shoyu

Mel (2 colheres de sopa)

Manteiga (2 colheres de sopa) 

Modo de Fazer: 

          Cozinhar o pato até o ponto de desfiá-lo. Reservar o pato desfiado.

          Limpar e picar os cogumelos. Se for shimeji, não precisa picar, só soltar os cabinhos. No caso do Shitaki, melhor partir em tiras. Diz a lenda que cogumelos não devem ser lavados, mas como não gosto de comer terra, eu lavo e seco bem.

          Em uma wok ou panela, esquentar a manteiga. Pode colocar um fiozinho de nada de azeite só para a manteiga não ficar preta, mas a base é manteiga. Refogar a cebola cortada bem pequenininha.

          Adicionar o mel, os cogumelos e um pouco de noz moscada.

          Adicionar o alho poró e a cebolinha em tiras de tamanho aproximado ao pato desfiado.

          Shoyu generosamente e vinho do porto

          Adicionar o pato e misturar tudo.

          Pode ser preparado na noite anterior e refrigerado. Retirar da geladeira uma meia hora antes de servir. Esse prato pode ser servido frio ou quente, se preferir, também pode ser esquentado no micro-ondas.  

E por hoje, vou ficando por aqui. Com algumas dessas saladas, um pãozinho, uns frutos secos e um queijinho para completar, tranquilamente você tem arsenal para uma noite inteira! E o melhor, sem praticamente mover um dedo durante a festa!

Receber amigos em casa, primeiro movimento

Escuto muito gente dizer que receber amigos em casa é uma arte. É possível que seja. Mas, para mim, receber gente é legal. E talvez essa seja a maior dica que possa dar: para você receber bem, primeiro você precisa gostar de ter pessoas na sua casa. 

Parece óbvio, mas na prática não é tão evidente assim. Há pessoas que se sentem invadidas com outros no seu ambiente. Porque suja, desorganiza, quebra coisas. E é verdade. Tudo isso acontece ou pode acontecer. Há também quem não está satisfeito em seu próprio lar e não quer trazer amigos em um lugar onde ele mesmo não se sinta à vontade. Há um monte de razões muito coerentes para alguém não querer recepcionar e se você é assim, não se martirize, isso não te faz uma má pessoa, simplesmente não receba. Tem milhões de restaurantes e lugares legais para convidar seus amigos. Resolvido. Nem precisa ler o resto do texto. 

Mas também tem gente que gostaria muito de receber amigos, mas acha que não sabe, se sente inseguro, acha que ninguém vai aparecer, não sabe o que servir, enfim, uma lista de medos do desconhecido. Para isso tem solução! 

Não sou uma expert no assunto, nem tenho essa pretensão, mas venho de uma família que sempre recebeu muita gente em casa e sou igual. Com a prática, você vai percebendo que algumas coisas funcionam melhor do que outras e acaba criando alguns processos meio automáticos que facilitam sua vida e deixam seus convidados felizes. Não posso garantir que o que vou contar esteja classificado nos protocolos oficiais, mas divido minha experiência com prazer. E também adoro ouvir e observar a experiência alheia, tem sempre alguma coisa que você aprende. 

Há quem acredite que festas e recepções são coisas fúteis, e que não deveríamos perder nosso precioso tempo e intelecto com essas banalidades. Será mesmo? Demonstrar que as pessoas são queridas é algo assim tão pequeno? Ver como se comporta um parceiro de negócios em um ambiente fora do escritório não te dá nenhuma informação? Então tá, né? 

Muito bem, vamos organizar o barraco, vou classificar essas recepções em dois grupos, formais e informais, sendo as formais relacionadas a trabalho, cerimônias oficiais etc.  

Por favor, não confundir as duas coisas, uma festa com o pessoal do seu trabalho é trabalho, não trate como festa. Você está ali para trabalhar e não para se divertir. Esse tipo de festa é para os negócios, não para os convidados. Um pouquinho de abstração, a gente pode sorrir, pode dançar, mas não se distraia nem se iluda, o foco é outro. Não consigo me lembrar de nenhuma grande festa em grandes empresas, onde não foi alguém demitido ou queimado no dia seguinte. Sinto muito, a vida é dura. 

Daqui para frente, vou tratar das festas ou reuniões informais, ou seja,  basicamente receber seus amigos e conhecidos em casa. E, nesse caso, diferente das formais, uma festa é sempre e absolutamente para seus convidados, não conheço outra maneira de funcionar. 

Primeiro de tudo: sim, receber dá trabalho! Não há como fazer omelete sem quebrar os ovos, receber dá trabalho e pronto. É bom que pareça aos seus convidados que não deu, mas dá. A questão é como você se relaciona com isso, eu, sinceramente, me divirto. Além do mais, você precisa ser uma pessoa que goste de agradar seus amigos. Não estou falando de bajulação, estou dizendo que quando um amigo meu sai de uma festa feliz e se sentindo especial, fico nas nuvens! Mesmo que canse um pouco, você tem aquela sensação de realização que deu certo, funcionou! 

Fora a energia bacana que deixa no ambiente. É muito comum as pessoas nos visitarem e dizerem que nossa casa tem um alto astral. Tenho certeza absoluta que parte dessa sensação vem do movimento de gente legal e que tem bons momentos aqui. O que no fundo quero dizer é que não tem milagre, não conheço nenhuma fórmula de boa festa instantânea. Só que compensa, o retorno é uma delícia! 

Então, arregacemos as mangas e vamos para prática. O fundamental para a festa funcionar é o antes. Quanto melhor você se planejar e deixar tudo engatilhado, mais você será capaz de se integrar e divertir na festa. Não adianta você ficar igual a uma maria louca servindo todo mundo e preparando tudo na hora, porque se você não conseguir aproveitar a festa, seus convidados dificilmente se divertirão. Eles estarão constrangidos vendo você de escrava e sem saber como te ajudar. A presença dos anfitriões na sala é fundamental. 

Veja bem, no mundo ideal, você pode contratar um buffet ou garçons, perfeito. Facilita, mas de qualquer forma, você precisa orientá-los antes. A equipe do buffet, por exemplo, precisa saber se há alguém com restrição alimentar. Se você contrata o garçon diretamente, ele precisa saber quantas pessoas virão e quanto de bebida ele dispõe, porque a partir daí ele controla as doses. Cabe à anfitriã saber dar o tom, decidir o que servir, se pode servir à vontade, se deve segurar em algum momento. Enfim, você tem menos trabalho, porém não aconselho delegar tudo de olhos fechados. 

Mas vamos combinar, hoje em dia não dá para a gente sair contratando buffet ou garçons para toda festinha. Além do custo, às vezes você quer fazer uma coisa menor, mais despretenciosa. Então, como você faz? Deixa tudo pronto antes. 

Putz! Mas tem uma receita fa-bu-lo-sa da sua avó, que demora trocentas horas para ficar pronta e só presta se fizer na hora… Esquece! Além de deixar seus convidados constrangidos, você vai matá-los de fome e de tédio. Aprenda outro prato ou peça uma pizza. Aliás, acho que a pizza deve ser sempre o plano B. Vai que você deixou tudo preparadinho certinho, mas na hora, errou a mão! Cassilda, você foi conversar e queimou! Não entre em pânico, volte para sala, conte o que aconteceu, morra de rir e ligue para a entrega de pizza. Um amigo que tenha intimidade para ir na sua casa, não vai ficar aborrecido por isso, pelo contrário, vira piada. 

Mais ainda, se você não sabe cozinhar mesmo, já convida logo o povo para a pizza e pronto! Faz um charme, acende umas velinhas, serve em prato de louça, um bom vinho, e já melhora muito. 

Agora, o outro extremo, os anfitriões descansados. Aquela festinha que você é convidada no sábado, toda satisfeita, vai bonitinha e no final do almoço, sobra a louça para você! Ninguém merece, né? Olha, uma coisa é você contar com uma mãozinha dos convidados, o que quer dizer levar um prato para mesa, se servir, recolher meia dúzia de copos, tudo bem. Mas o serviço sujo é dos anfitriões e acabou, entuba! Não estou falando da sua prima que foi te visitar e lavou uma xícara de café, tô falando de uma festa que sua convidada está com as unhas feitas e foi colocada para lavar uma pilha de pratos. Arrego!

É simples, cabe ao convidado perguntar uma ou duas vezes se os anfitriões precisam de ajuda, cabe ao anfitrião dizer que não precisa, ou aceitar um favor bem fácil.  

Tem exceções, claro, onde conta o bom senso. Por exemplo, se um convidado derrubou uma taça de vinho no chão e quer te ajudar a limpar, você deixa. Porque todo mundo que derruba alguma coisa fica super sem graça e quer compensar de algum jeito. Bom, se você tem alguém que possa limpar, não precisa que seu convidado limpe, mas peça para ele tomar conta ali um minutinho para ninguém pisar e assim você dá uma função para ele. E se você está sozinha, traz um paninho ou papel toalha e, enquanto ele mesmo limpa, você continua conversando com as pessoas normalmente. Não deixa de ser uma maneira de tirá-lo do centro das atenções em uma situação constrangedora. E de mais a mais é só uma porcaria de um copo, se você tinha tanto medo que quebrasse, servisse em outro. 

Mais um exemplo, você receberá umas 20 pessoas em casa e está sozinha, ou seja, não tem nenhum garçon para te ajudar. O que você faz? Serve cada um? Deixa os convidados com esse trabalho? Outra vez, bom senso e deixar tudo arrumado antes. É tranquilo, só fazer pontos de distribuição facilmente identificáveis, num ponto você deixa os copos limpos, em outro as bebidas, em outro as comidas… Perto das bebidas, você já deixa o gelo. Guardanapos, louça, tudo que seus convidados irão precisar, já deve estar à vista e disponível. Você tenta servir pelo menos o primeiro drink, mostra onde está cada coisa e o caos se incumbe do resto, confia que dá certo. Seus convidados com menos de 60 anos, normalmente, até preferem se servir sozinhos; já os mais velhos, devem ser servidos, é uma questão de respeito. A não ser que eles mesmos se levantem e tomem a iniciativa, daí é outra história. 

O que servir? Há uns três bilhões de alternativas, mas vou tentar dar algumas dicas. Particularmente, se recebo mais de 15 pessoas, prefiro não servir nada quente, dá muito mais trabalho. Imagina que você terá que esquentar aquela meleca toda na hora, o que te levará para cozinha. Além do mais, os convidados não chegam todos ao mesmo tempo e sempre bate um pouco de dúvida sobre o momento adequado para esquentar os pratos. Quando você finalmente esquenta a porcaria do prato e põe na mesa, fica todo mundo fazendo cerimônia para não ser o primeiro a se servir e esfria tudo de novo. E para completar, faz aquela fila de bandejão na sua sala. Olha, que beleza!  

Sou a favor de facilitar minha própria vida, então, acho muito melhor servir saladas coloridas e interessantes, pastinhas, queijos, frutos secos, enfim, comidas que possam já estar na mesa quando os convidados cheguem. Por exemplo, https://buracodafechadura.com/2008/03/10/saladas-para-festas/

Mas se não tem jeito, você quer porque quer servir alguma coisa quente, ter um rechaud ajuda bastante. Também melhor optar por algo que possa ser esquentado no forno, ao invés do fogão, você ganha uns minutinhos a mais com seus convidados sem correr o risco de queimar a comida. 

Vou abrir um parênteses, estou falando das festas que você planejou e está oferecendo. Porque hoje em dia também é comum a gente ligar para meia dúzia de amigos e combinar de se encontrar em casa. Na verdade, tenho amigos com intimidade suficiente para me ligarem avisando que estão chegando. Isso é outra coisa, cai no nível de informalidade família, que tratarei em outro momento.

Agora, retomando e visualizando todo o conjunto, você preparou todas as comidas e deixou sobre a mesa. As bebidas, gelo, copos, guardanapos, louça, enfim, tudo o que seus convidados precisam, está disponível. Sua única preocupação é repor alguma coisa que acabe, se for o caso. O que te resta a fazer? Relaxar e aproveitar a festa!

PS: Se você gostou desse post, também pode gostar desse:

Arrumar a mesa para um jantar especial

XXI – La Tortilla Española

A tortilla española é uma instituição, uma espécie de orgulho nacional! Acho que é o “arroz-com-feijão” daqui. 

Da primeira vez que experimentamos, tanto eu quanto Luiz não achamos lá essas coisas. Muito cá entre nós, hein? Porque se algum espanhol me escutar dizer isso, é capaz de eu ser extraditada! Me pareceu um omeletão de batata meio sem graça. Com o tempo, fui pegando gosto e vendo que também depende muito se é bem feita. Atualmente, adoro! 

Receita: 

Cortar a batata em rodelas finas ou pedaços pequenos, secar e fritá-las em azeite. O azeite tem que cobrir as batatas e elas não precisam ficar morenas, mas cozidas. Adicionar cebola picada na fritura e deixar o cheiro subir (aquele cheirinho delicioso da cebola fritando no azeite…hummm).  

Em paralelo, bater os ovos, como em um omelete. Quando as batatas e a cebola estiverem no ponto, misturar rapidamente aos ovos batidos, adicionar um pouco de sal e fritar tudo, também como um omelete. Tem que fritar dos dois lados. Pessoalmente, prefiro quando o interior fica um pouco molhadinho. 

Pues… hombre! É muito bom! 

Essa combinação de ovos com batatas aqui é comum. Putz! É mortal! Mas como resistir? Falando nisso, tem também os huevos rotos, que são os ovos mexidos. Entretanto, costumam vir com batata frita no azeite e cubinhos de jamón curado. Um chute no balde! 

E os pinchos e as tostas? São torradões, o pincho do tamanho de uma bruschetta e as tostas maiores. Varia a cobertura: camarões, gulas, jamón, queijos… combinações criativas. Também perto de casa, tem um bar de copas que serve uma dessas torradas com camarõezinhos ao alho e óleo, que estou segura que um certo amigo meu,  também hóspede aqui, vai mexer na cadeira só de ouvir! 

Tem as croquetas, mas essas merecem um capítulo especial. 

Para terminar de meter o pé na jaca mesmo, só pedindo o vinho da casa para acompanhar. Ultimamente, nem me preocupo em saber a marca, pois é sempre bom. Me conformo em pedir pela região e estamos conversados. 

Bom, agora preciso ir, porque me deu uma fome…

56 – Paella

A melhor paella espanhola que já comi foi em… São Paulo! A campeã é a do Don Curro, sinto muito! Não é que aqui elas sejam ruins, mas ainda não achei aquela definitiva. The Ultimate Paella! Enfim, continuarei tentando, fazer o que? Acabo de pegar algumas dicas de locais para comer uma boa paella com legítimos madrileños, a ver… 

Nos restaurantes, diferente do que imaginava, costuma ser sevida como entrada. Mas, se quiser, você pode pedir como prato principal que ninguém faz cara feia. Quer dizer, podem até fazer, mas é mala leche mesmo. Ignore! Se isso acontecer, utilize a cara 9, a de caguei-sou-cliente-e-você-não-está-fazendo-nenhum-favor.  

O arroz costuma ser bem gostoso, mas os frutos do mar são regulados. Um pouquinho de nada e mais casca que carne. Nem entendo porque, já que os frutos do mar daqui são excelentes e fresquíssimos. Todo pescado do país é concentrado em Madri e depois distribuído aos outros lugares, ou seja, é tudo de primeira. 

Não existe uma versão oficial para o nome “paella”. Entretanto, ouvi uma história que faz sentido e achei muito bonitinha. Normalmente, as mulheres cozinhavam durante toda a semana e os maridos para dar-lhes uma folguinha, às vezes, cozinhavam para elas. O “para” aqui pode ser abreviado como “pa”, assim como o nosso “pra”, e o “ela” se diz “ella”. Portanto, quando o marido cozinhava para a esposa, ele cozinhava “pa ella”. Pa +  Ella = Paella 

Meninas, a paella é nossa! Meninos, uma dica, aprendam a história e a fazer paella, pois pode ser muito romântico! Um homem cozinhando para sua amada é super sexy! 

Receita de paella de frutos do mar  (do jeito que faço, há outros) 

Ingredientes – nunca sei exatamente, mas aqui vai uma aproximação razoável: 

Arroz (1 xícara e meia)

Água (3 xícaras)

Azeite (cobrindo levemente o fundo da panela)

Alho (1 cabeça inteira bem picada)

Cebola (1 cebola inteira)

Tomate (1 tomate, sem sementes, picado em cubinhos)

½ xícara de ervilhas

Pimentão vermelho (metade de um, picado em cubinhos)

Pimentão verde (metade de um, picado em cubinhos)

Açafrão (o equivalente a uma colher de sopa)

Frutos do mar (uns 6 camarões grandes e outros menores,  100 gramas de lula, umas 20 conchinhas de vôngoles, uns 5 mexilhões…)

Cuentro ou Salsinha (mais ou menos meia xícara bem picadinho – dica, use uma tesoura de cozinha ao invés de uma faca e pique em cima da panela na hora de usar) 

Modo de fazer: 

Refogar o arroz no azeite, alho e cebola. Seja generoso nos três últimos ingredientes. Acrescentar pedaços bem picadinhos de tomates, pimentões verdes e vermelhos, e as ervilhas. Adicionar o fundamental açafrão.  

Em paralelo, ferver a água a ser adicionada, aproximadamente o dobro da quantidade do arroz, e reservar.  

Colocar os frutos do mar, com casca e tudo. Use os que você gostar mais, gosto de usar camarões, lulas, vôngoles, mexilhões, langostinos e carabineiros pequenos. Os mexilhões devem ser colocados por cima de tudo, dentro de suas conchas. Os vôngoles podem ser misturados, mas também dentro de suas conchas. 

Adicionar a água fervente, salpicar o cuentro ou salsinha e baixar bem o fogo. Esperar a água secar e servir na hora. 

Atenção: Caso não tenha a panela apropriada, utilize uma rasa e de fundo largo. Originalmente, esse prato deve ser feito no fogo ao ar livre. Diz a lenda que o ideal é utilizar folhas de parreira para alimentar esse fogo. O aroma e a fumaça sobem e alteram o sabor da paella, no mesmo estilo dos defumados. Mas se estiver na sua cozinha, pode levar a panela ao forno (se isso for possível sem ter partes derretidas). A maneira mais simples é no fogão mesmo, em fogo baixo, tampando a panela enquanto a água do arroz seca. 

Existe a versão onde também se adiciona frango e coelho. Mas se é sua primeira paella é melhor não complicar muito. 

Boa sorte! 

58 – Las Croquetas

Preciso fazer uma confissão que pode me custar muito caro no futuro: adoro croquete! Aliás, adoro salgadinhos em geral, coxinhas, empadinhas, risólis, bolinhos de bacalhau, bolinhas de queijo… huuummm… minha boca encheu de água! 

Infelizmente, depois do Caco Antibes, todas essas deliciosas mini-tentações foram classificadas de “coisa de pobre” e sumiram das festas brasileiras. Fazer o que? Gosto das comidas exóticas e também das sofisticadas, apenas acredito que um prazer não exclui o outro. E tem dias que morro por uma coxinha cheia de catupiry legítimo derretido. 

Muito bem, ainda resta salvação para o mundo! Aqui em Madri, um dos aperitivos mais populares são as fabulosas croquetas! É a redenção do croquete! São encontradas tanto em bares mais despojados, como em restaurantes elegantes. Lógico que na segunda opção sempre há algum diferencial, mas que é croqueta… é croqueta! 

Entretanto, há uma pegadinha para brasileiros. Quando a gente prova a primeira croqueta, esperamos um recheio mais sólido. Pois, nesse caso, a massa já é o recheio. Só que essa massa é salpicada com algum tipo de acompanhamento. A clássica vem com pedacinhos de jamón, mas é comum também encontrar as de pollo (frango). Os restaurantes mais descolados inovam mesclando outros recheios, como camarões ou queijo brie. Mas nunca em pedaços generosos, costuma ser triturado com a massa. 

Deve ser frita na hora e no azeite estalando de quente. Hombre, o sabor é de maravillas! 

Caso queira aprender a fazê-las, a receita segue abaixo. E se algum despeitado se atrever a torcer o nariz dizendo que é “coisa de pobre”, nada como responder que é um velho hábito adquirido na Europa.  

Ingredientes:

         1 colher de sopa de azeite

         2 colheres de sopa de farinha de trigo

         ¼ de litro de leite (pode ser um pouco mais)

         1 ovo

         100g de farinha de rosca

         noz moscada

         100g de jamón em pedacinhos minúsculos (ou o recheio que você preferir)

         sal 

Modo de fazer: 

Levar a panela ao fogo com o azeite. Deixar o azeite esquentar, mas não ferver, não deixe levantar fumaça. Tire a panela um pouco do fogo e adicione lentamente a farinha, movendo com uma colher-de-pau até que forme uma massa. 

Retorne a panela ao fogo médio, adicione lentamente o leite, mexendo sem parar até que a massa esteja cozida e consistente. Colocar uma pitada de noz moscada, sal a gosto e os pedacinhos de jamón. Continue mexendo a massa até que se espesse. 

Coloque essa massa, já espessa, em um recipiente e deixe-a esfriar. Depois de fria, modele os bolinhos no formato de croquete. 

Bata o ovo em outro recipiente. Molhe o croquete (epa! Isso ficou meio sexual!) nesse ovo e depois passe na farinha de rosca. Como se fosse um bife à milanesa. 

Estão prontas para fritar. Devem ser fritas no azeite bem quente que as cubra. Quando estiverem douradas, estão prontas para serem servidas. 

Coma sem arrependimento e ria dos pobres de espírito!