Arroz à carreteira

Ando em uma fase de churrascos, aliás, uma coisa engraçada, acho que nunca gostei tanto de churrasco como depois que saí do Brasil. Sei lá, acho que a possibilidade da falta faz a gente gostar mais.

 

Mas hoje vou falar do final do churrasco, quando geralmente fica um pouco da carne, já com cara de passada, aquela picanha meio dura, o vinagrete, que deu um trabalho danado em picar tudo pequenininho e você vai deixar sobrar…

 

Enfim, escutei mais de uma versão de como nasceu o arroz à carreteira ou arroz carreteiro, bem como distintas receitas. Uma coisa sempre coincide nas histórias, é um prato criado pelos peões que transportavam gado e preparavam a comida pelo caminho. Por esse motivo, a receita original leva charque, carne salgada e portanto pouco perecível, além do arroz. Faço um pouco diferente, usando o que sobrou do churrasco.

 

Muito bem, faço assim, primeiro recolho as carnes que sobraram. Obviamente, não estou falando das que sobraram no prato de ninguém, simplesmente das que não foram consumidas. Na verdade, já vou separando as que esfriam e ninguém pega ao longo do churrasco. Uso tudo, carne de boi, linguiça, frango, porco, o que tiver, só não uso peixe. Das carnes tiro a gordura e do frango tiro a pele, porque depois de cozinhar na água do arroz ficam com aspecto feio. Pico tudo pequenininho e reservo.

 

O vinagrete que sobra, escorro para não amargar muito e também reservo.

 

Quando entra a noite e a fome começa a voltar, além da bebida começar a tirar a energia das pessoas, é a hora de fazer.

 

Em uma panela, deixar um jorro de azeite no fundo e fritar uma cabeça de alho machacado. Se estiver com preguiça de descascar o alho, tudo bem, põe só o azeite. Refogar o arroz nesse azeite. Quando ele começar a fritar, adicionar o vinagrete escorrido e mexer. Adicionar também toda a carne picada de uma vez e misturar bem. Não costuma ser necessário sal, normalmente o sal da carne e do vinagrete é suficiente, mas isso é a gosto de cada um. Adicionar água, a quantidade de água é o dobro da quantidade de arroz, igual ao arroz normal. Esperar a água secar e pronto! Normalmente, deixo só secar no fundo da panela, gosto desse arroz mais molhadinho, como se fosse um risotto.

 

Além de ser uma delícia, quando é daqueles churrascos longos, que vão noite adentro e certamente as pessoas acabam exagerando um pouco na bebida, esse arrozinho comido antes de dormir é praticamente milagroso. Te alimenta com o carboidrato e proteína, o azedinho do vinagrete equilibra a gordura que, nesse momento, protege seu estômago dos efeitos do álcool.

 

Mas entre nós, sinceramente, o que gosto mesmo é do ritual. Fecha o ciclo da festa, muitas vezes é feito a várias mãos entre amigos e renova algo que seria sobra. No dia seguinte, estou nova em folha!

 

5 comentários em “Arroz à carreteira”

  1. Nossa Blanquita, tava passeando por aqui e lembrei desse arroz a carreteira , vixe , me deu até agua na boca!!!!
    Beijos

  2. Eu sou moro em Porto alegre aqui todas as segundas feiras é dia de carreteiro, porque quese todos os gaucho fazem churrasco domingo, e com as carnes que sobram segunda é dia de carreteiro.

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