Aprendendo a marcar compromissos em Londres

Sexta-feira, resolvi esquentar o umbigo no fogão. Tinha uma peça boa de cordeiro marinado com alecrim e era um pouco grande para Luiz e eu. Chamei alguns amigos para ver se alguém se interessava. Um amigo estava disponível e se interessou.

Isso é uma coisa um pouco complicada aqui, pelo que entendi, as pessoas se planejam literalmente com meses de antecedência. E não estamos falando apenas das férias ou grandes festas, mas de simples jantares e encontros entre amigos.

Por um lado, acho importante ter algo de planejamento, mas pelo que conheço do nosso histórico, se fosse muito rígida em relação a isso, estaríamos bem ferrados, porque nossa vida muda a todo momento. Posso e quero tentar me adaptar à cultura local, não me custa tanto, mas não pretendo perder a espontaneidade.

Assim que chamo quando dá, mas sem grandes expectativas nem cobranças se as pessoas poderão comparecer ou não. Me contaram que algumas podem se sentir ofendidas se forem convidadas muito próximo ao evento, imagino que conosco, ou elas também se adaptarão um pouco, ou vão nos ignorar. Paciência, parte da seleção natural, e na minha casa todo mundo é bamba, todo mundo bebe e todo mundo samba! Eu chamo, quem quer e pode vem.

Enfim, um amigo veio e a conversa se estendeu pela madrugada, ele acabou dormindo por aqui. Dia seguinte, nós três meio de ressaca, mas não acordamos muito tarde. É que fazia bom tempo e isso aqui é coisa muito séria! A gente não quer desperdiçar um dia assim dormindo.

Levantamos meio na marra e fomos ao Borough Market, meu mercado favorito em Londres. Ainda vou escrever sobre ele, com direito a fotos e tudo! Mas hoje, só vou contar que fomos para lá, comemos um sanduíche de carne seca e nosso amigo comeu um hambúrguer com várias fatias de bacon (daquele inglês, com pouca gordura). Com o PH mais equilibrado, sentamos em um restaurante de ostras e nos acabamos de comer ostras com um Chablis corretíssimo. Ainda demos uma volta pelo mercado para comprar coisinhas gostosas, como queijos fedidos, azeite de trufa, manteiga com alho…

Domingo, aproveitamos para descansar um pouco. Luiz embarcava para Alemanha ridiculamente cedo na segunda-feira.

Tomei coragem para me pesar, coisa que vinha adiando com frequência. Lógico que milagres não existem e é evidente que a balança não ia mentir só porque eu queria. É Bianquita, melhor tomar uma providência que o negócio está ficando sinistro para o seu lado!

Aproveitei o dia, que amanheceu lindo e fui tentar correr em um parque aqui perto de casa. Mais andei que corri, mas foi um começo. Nesse parque, há uma academia de ginástica, mas queria tentar sozinha primeiro.

Cheguei em casa, já com vontade de ir para a rua outra vez. Realmente, o dia estava provocador!

Recado de uma amiga. Havia combinado na terça-feira de ir até a sua casa, em Surbiton, e fazer um passeio pelas margens do Thames. Ela me perguntava se não queria adiantar o programa para segunda mesmo e aproveitar o sol.

Por que não? Achei ótimo!

Ainda bem que fui, porque acho que deve ter sido se não o dia mais bonito, um dos mais bonitos desde que cheguei a Londres. Não é que não faça sol, mas é que o tempo é muito instável. E nesse dia, fez sol o dia inteirinho!

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Surbiton

Surbiton1

Surbiton2

Passeio ótimo, companhia melhor ainda! Dia seguinte, veio ela aqui em casa e também passeamos pela redondeza. O tempo não estava tão mau, mas nem se comparava ao dia anterior.

É engraçado isso, nunca morei em um lugar em que o clima fosse tão instável. Às vezes, acordo com o sol no rosto, levanto correndo para aproveitar, afinal isso é algo muito apreciado por essas bandas. Daí, dou aquela passadinha no banheiro para escovar os dentes e quando chego na cozinha está cinza e uma tempestade! Como assim? Ok, então não vou para rua, deixa eu tomar meu café. Termino o café e já faz sol outra vez… Caraca! Dá para decidir?

Na quarta, outra amiga veio almoçar no The Elgin, nosso pub da esquina. Também aproveitamos para fofocar um pouco durante a tarde.

Estou achando ótimo isso de ter sempre alguém legal para sair ou encontrar. Realmente, acho que sou uma privilegiada de encontrar amigos pelo caminho, seja ele qual e onde for.

Até que finalmente, resolvemos inaugurar a casa decentemente. Não dava para fazer aqueles festões de Madri, já havia decidido pegar mais leve, pelo menos no início. Assim que fizemos uma degustação de cachaças para uma média de 15 pessoas. Era bom que teria uma oportunidade de testar a quantidade de gente que a casa comportava e dar mais atenção aos convidados individualmente.

Uma amiga já havia me prevenido que o povo por aqui é muito furão. Que a média de assistência às festa era de 30% dos convidados! Como assim? Veja bem, pelo nosso histórico, desde o nosso casamento, costuma vir 10% a mais do que esperamos!

Fiquei grilada! Será que o pessoal viria mesmo?

Tratei de sair confirmando com todo mundo! Sei lá, acho que esse fracasso de comparecimento se deve justamente a eles marcarem as coisas com muita antecedência. Fica difícil controlar qualquer imprevisto e vamos combinar, eles acontecem. Não é possível que aconteça só com Luiz e eu!

Encurtando o suspense, o povo veio! E é lógico que adorei!

Sim, são pontuais, praticamente não tive atrasos. E os que houveram, nem poderiam ser considerados atrasos, mas a margem da educação. É o seguinte, você pode chegar até uns 15 minutos depois da hora marcada, não é gravíssimo como a gente pensa. Se não for jantar, até um pouco mais. Entretanto, nunca se deve chegar mais cedo, isso é muito, mas muito mal visto.

Se for a primeira vez que você vai à casa, é educado levar um vinho, flores ou chocolate. Essa regra não é apenas inglesa, mas eles levam a sério.

Tentei simplificar e avisei logo que quem quisesse trazer sobremesa, algo fácil, era bem vindo! De certa maneira, acho que quebra a formalidade e, francamente, facilita minha vida.

Fiquei na dúvida do que cozinhar, porque era a primeira vez que a grande maioria passava aqui em casa. Portanto, atirei para todos os lados para ver o que gostavam mais. Usei algumas receitas já conhecidas, como o quibe e o bolinho de bacalhoada e testei algumas receitas novas, como a de bolinho de tutu com paio, que se provou um sucesso de bilheteria!

A única coisa muito diferente é que quase todo mundo vai embora igual a Cinderela. Porque o metrô e os trens acabam e o taxi é caro pacas! A vida noturna britânica acaba muito cedo comparada à vida em Madri.

Sem problemas. Começamos cedo essa festinha inaugural e já entendi o esquema. Próxima festa, começamos à tarde!

Ainda assim, teve gente que bravamente topou esticar à noite e um amigo dormiu em casa. Então, lógico que terminei a madrugada quase engatinhando para cama, mas bem feliz.

Enfim, mais lições aprendidas e começando a trabalhar a boa energia da casa. E, algo fundamental, nenhum vizinho reclamou!

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10 comentários em “Aprendendo a marcar compromissos em Londres”

  1. Bi, estou como vc, fugindo da balança, chova ou faça sol, estou numa fase de preguiça completa, adoraria ter alguém pra caminha comigo ou ir pra academia que detesto, isso anima tanto.. Bom está encontrando pessoas e descodificando os códigos de conduta de outro país. Por aqui estou com dilemas gastronômicos tb quero festa nessa casa e nao sei o que fazer.. Estou muito feliz por voces. Beijos!

  2. ahahahahahaha… Ritoca, você é uma figura! Estão todos os comentários aqui, é que demora a publicar um pouquinho porque é sujeito à aprovação 😉 Também adoraria ter alguém que fosse comigo malhar, mas já vi que isso não vai acontecer. Assim que já me matriculei na academia e vou de segunda à sexta! No pain, no gain! E como você quer dar uma festa e não sabe o que fazer? Bora trocar figurinha que te ajudo 🙂 Beijo

  3. Adorei o post e as fotos 🙂 Ah! A pessoa atrae o que ela libera , por isso tu sempre encontras pessoas queridas no teu caminho, pois tu eres uma pessoal querida 😉 E pessoalmente melhor ainda. Boa noite para o casal 20 B&L. Love xxx

  4. Andreza, seja bem vinda! Ao blog e aqui em casa! Gostei de ver a animação do casal… rsrsrsrsrs… e sua filha é uma fofa!

    Ju, receitas novas para a gente trocar figurinha 😀

    Ana, recíproca totalmente verdadeira 😉 Eu tinha pensado em fazer um post só com o passeio de Surbiton, mas acabei me atrasando tanto que juntei tudo em uma crônica só! rsrsrsrs…

    Beijos meninas

  5. Oi Bianca que o clima de Londres parece da Galicia tivemos simplesmente dois meses inteiros de chuvas torrenciais, assim tipo 4o litros por metro todo dia, uma coisa e agora frio frio. Fico feliz de ver vc se adaptando e ser a Bianca de sempre, alias pela foto a coisa nao è tao desesperante assim.
    Um beijo

  6. Oi, Antonia! Pois é, não é tão desesperante, pelo menos por enquanto. Acho que o tempo é mais instável que chuvoso, em um mesmo dia faz todas as estações! E varia muito rápido! Mas quando faz sol, a gente valoriza mais também e corre para aproveitar 😉 Beijão

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