Os lados bom e mau da mudança

Passados os primeiros micos, vamos tentando entrar em alguma rotina. Ainda é complicado, porque seguimos em um apartamento sem móveis e com mil pequenos detalhes para resolver.

Mudar de país, ou melhor, mudar até só de cidade, implica em recomeçar absolutamente tudo! Emprego e casa para morar é só o básico e mais urgente, digamos assim. Tem que abrir conta em banco, se registrar no governo para ter direito a atendimento médico, pedir telefone, internet, televisão, mudar todas as contas de nome… e encerrar todos os ítens acima no anterior endereço.

Boa parte dessas atividades é Luiz quem faz. Tento ajudar em alguma coisa, mas é complicado quando você dispõe apenas de um celular pré-pago e conexão de internet em um ipad no café da esquina. Além do que, o contrato de trabalho está no nome dele. Apesar que, quanto a isso, aqui parece ser mais simples. O fato de chegar com uma cidadania européia nos abriu muitas portas, mais para mim do que para ele, que de certa forma, não tinha seus direitos tão limitados.

Cabe a mim fazer a casa começar a funcionar com o que dispomos. Porque também é importante descobrir como é o comércio local, o que comprar onde, opções de lazer pelas redondezas, iniciar uma vida social… tudo isso conta também e dá mais trabalho do que parece.

E se esse conjunto de atividades pode ser bastante complicado quando você muda de vizinhança, imagina quando muda de país? Porque você tem que descobrir como funciona coisas que todos em volta tomam por certo que você já sabe!

Pois eu não sei. A maioria delas não sei nem por onde começar! Depois, tudo parece óbvio, mas esse primeiro momento de como-é-que-faço-isso me suga energias! Vivo no paradoxo de achar que deveria me envolver mais e ajudar mais e na vontade de sair correndo e só voltar com tudo resolvido! Francamente, por mais que me encante ser um espírito independente, quando Luiz chega e diz que resolveu qualquer um desses pepinos sozinho, amo de paixão e agradeço do fundo da alma!

Assim que não estou me queixando em mudar. Quem me conhece um pouquinho entende que não saberia viver de outra forma, simplesmente, estou colocando as coisas sob uma perspectiva realista. Uma mudança não é feita em um só passo, são várias etapas. E aviso que esse comecinho é um pé no saco! Esquece o glamour! Quem te faz parecer que é tudo uma delícia, ou se esqueceu dessa chatice inicial, ou é muito rico e tem quem faça, ou é pura historinha.

Mas depois sim, pode e costuma ser bacana. Sabendo disso, procuro pensar que esse caos inicial vai se assentar e a vida vai melhorar. Sigo acreditando que o bom humor pode ajudar muito. E, tanto Luiz como eu, tentamos intercalar esses momentos de chatice com atividades mais agradáveis. Porque não adianta esperar tudo ficar perfeito para começar a sair e se divertir, esse momento não existe. Se há alguma brecha entre um furacão e outro para tomar nosso vinho, dar uma volta ou encontrar com amigos, a gente aproveita.

Fim de semana passado, tínhamos programação para todos os dias entre sexta e domingo. Fiquei toda animada. Acabou que Luiz não passou muito bem, teve que entrar no antibiótico e cancelamos a ida a uma festa baiana na sexta e sair com um casal de ingleses no sábado. Nada grave, mas vai entrando nessa lista de pepinos do dia para solucinar.

Juro que chegou o momento que comecei a acordar pensando: caraca, qual será a encrenca de hoje? Desanimei. Mas foi amenizando e, paralelamente, as coisas realmente pareceram melhorar, comecei a ver alguma luz no fim do túnel.

Tirei um dia na semana para sair e aproveitar a cidade. Não quis nem saber se tinha ou não tinha alguma coisa para resolver, porque sempre tem. Um amigo nosso brasileiro que mora aqui, o mesmo que tem nos ajudado nesse comecinho de mudança, namora uma argentino-paraguaia que vive nos EUA. Para quem acha que uma pontezinha aérea é complicada, aviso que eles fazem a ponte transatlântica! Ela veio encontrá-lo em Londres, mas durante o dia ele trabalha. Pensei, ela vai ficar entediada esperando ele em casa ou vai sair sozinha, vou chamar ela para sair comigo e assim nos fazemos companhia.

Ando me especializando em “blind dates”! É engraçado você combinar qualquer coisa com alguém que nunca viu na vida, mas faço isso direto! Normalmente, tenho algum contato pela internet, mas nesse caso, nem isso! Só sabia que era a namorada do meu amigo. E quer saber, foi ótimo! Achei ela bem legal e passeamos o dia todo. Fomos a Piccadilly Circus bater perna e de lá fomos a Tate Modern.

Final do dia, estava de humor bem melhor.

Luiz foi melhorando, que era o mais importante, afinal sem saúde a gente não é nada! Seguia no antibiótico, sem beber, mas animava de sair durante o dia para algo mais tranquilo. No sábado, fomos ao Borough Market e, inclusive, acabamos encontrando o casal transatlântico por lá. Qualquer dia, escreverei um post inteirinho só sobre o Borough Market, como indica o nome, um mercado. Tem mil comidinhas para comprar e levar ou comer ali mesmo. Nós optamos por sentar em um bar de ostras muito bom, o Wright Brothers, que inclusive quero voltar com mais calma. Também compramos queijinhos, azeite trufado, salames e outras delícias.

Domingo, com Luiz já melhor, jantamos na casa de um casal de novos amigos. Ela é brasileira e ele neo-zelandês. Foi mais um casal, uma brasileira (que conhecíamos desde Madri) e ele italiano, Luiz e eu. Estávamos em uma mesa bem internacional! O chef responsável foi o amigo neo-zelandês, que preparou um belíssimo cordeiro suculento e cozido à perfeição, com vinhos de sua origem. Papo ótimo e bom para fechar a noite com melhor astral.

Essa semana promete, nossa mudança deve chegar hoje (isola!). Voltando um pouco no tempo e dentro da linha dos pepinos, na quinta-feira passada nós descobrimos que nossa mudança chegaria na terça-feira seguinte, hoje, o que achamos uma maravilha. Mas como tudo tem sempre uma encrenca, descobrimos também que a mocinha que nos atendeu não fez nenhuma reserva para estacionar o caminhão em frente a nossa casa.

Porque na Europa, pelo menos em Madri e sabemos agora que igualmente em Londres, você pode reservar as vagas para o caminhão diante da sua casa no dia da mudança. Entretanto, isso costuma ser pago e é necessário reservar com antecedência. Em Madri, essa permissão pode sair em um dia ou em um mês, dependendo da região. No centro, onde precisa se parar a rua, pode levar um mês.

No dia que descobrimos que a indivídua não fez a reserva para a gente, Luiz achou um website, onde se explicava esse procedimento, dizendo que aqui na zona onde moramos a autorização leva 10 dias para sair. Ou seja, já não dava mais tempo!

E por que ela não fez a bendita reserva? Porque não fala inglês. Dizem que fazem mudanças na Europa, me cobraram o preço de um olho, e não tem ninguém no escritório que fale a bosta do inglês! Assim que ela se fez de desentendida e enviou a mudança sem pedir autorização nenhuma, contando que a gente se viraria. Legal, né?

Enfim, “tô paganu” e não quero nem saber, eles que se virem! E se tiver multa, problema deles também! Não me custa tentar ajudar, afinal, tenho todo interesse do mundo que meus móveis cheguem sãos e salvos, e tenho um plano B de onde imagino que eles possam estacionar. Também avisamos que hora a fiscalização vai embora, se quiserem evitar uma multa. Já descobriremos o rolo que vai dar!

A irmã do Luiz passa por Londres entre hoje e amanhã. E meu irmão chega com a noiva nesse sábado para passar uns 10 dias conosco. Ou seja, que apesar de meio histérica com a mudança chegando, estou empolgada com nossos visitantes.

No sábado, temos reserva para um baile de carnaval no Guanabara. Nossa mesa foi crescendo e, como independente de onde seja, me divirto com a companhia de gente boa, estou animada com isso também. Aliás, na linha dos “blind dates”, vou encontrar uma amiga-leitora do blog e o marido por lá. Família, amigos antigos, novos amigos, amigos virtuais… a noite promete!

Enfim, deixa eu tomar um cházinho, meu novo costume local, e esperar a bendita mudança chegar, coisa que não tenho idéia de que horas será, mas imagino que seja no fim da tarde.

Saúde para todos nós e o resto a gente dá um jeito!

6 comentários em “Os lados bom e mau da mudança”

  1. Que vontade de ter ido a esse jantar tb!!!! Fico feliz de ver as novas “velhas” amizades acontecendo, mas dá uma vontade danada de estar mais perto de todos vocês!!! Sei que tb teria me divertido muito! Beijos!

  2. Bianca tu veras que chá vicia mas faz um baita bem, tenho minha marca preferida TWININGS tem vários sabores combinações como Lemon Ginger Revitalising, Camomile honey Calming e assim vai. Compro no meu super favorito o Waitrose. Eu quando gosto sou fiel a uma marca lugar cidade amizade 🙂 Fica bem XXX See you soon!

  3. Bi todo inicio é complicado, mais isso para alguem do seu naipe nao é nada querida…
    Espero que tenha chegado a bendita mudança e tenha as coisas em ordem o antes possivel…
    Estive no piso antigo de vocês, me deu uma saudade, olhar aquelas paredes e recordar de quantos momentos lindos vocês nos proporcionaram…
    Saudade sim, tristeza nao! O carnaval de Madrid nao é o mesmo sem vocês…

    Beijos e feliz carnaval com direito a tudo e muitos bons “blind dates” pra vocês ai!!!

  4. Oi Bianca,

    Tenho acompanhado as novidades mas sem grande tempo para comentar…

    Fico contente de saber que dentro do possivel a mudança está a correr bem, apesar dos pepinos, mas também sem eles a vida por vezes virava uma seca 🙂

    Beijos

    Andreia

  5. Oi! A mudança chegou! Estou sem tempo para escrever e afogada em caixas! Mas deu tudo certo, com algum suspense, como sempre, mas importa que resolveu! 🙂 Já apareço por aqui contando! Beijos gerais

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