2020/2021

E cá estamos, finalizado 2020, um ano paradoxalmente par e ímpar ao mesmo tempo!

Escrevo um pouco atrasada, afinal, entrou janeiro, mas quer saber de uma coisa? Se algo aprendemos esse ano foi a ter menos pressa, o tempo pode efetivamente ser relativo.

Não era o final que esperávamos, mas chegar com saúde nessa data não deixa de ser uma vitória! Creio que podemos dizer que somos, de certa forma, sobreviventes de uma guerra mundial e com um inimigo comum entre todas as nações.

Não que todas tenham entendido e lutado da mesma maneira, mas é um fato, o inimigo é único e tal como um super vilão digno da Marvel, é invisível! O interessante é que, assim como os demônios indianos, não é totalmente mau nem totalmente bom. O vírus é o que é, escolhe por seus próprios padrões, devasta ou fortalece.

Tenho muito respeito e empatia por quem sofre ou sofreu suas piores consequências, de verdade, porque foi foda (me desculpem os mais educados) e tenho consciência dos meus privilégios. Mas não vim aqui falar de sofrimento ou de problemas, porque quem está se afogando não quer peso extra e sim uma bóia ou um farol para se auto-orientar.

Desapego é meu lema há anos, nem sei mais se por aprendizado ou porque faz parte da minha natureza. E agora mesmo, nem mais importa a razão e sim que é um fato. E como isso ajudou?

Ajudou a não perder tempo sofrendo ou tentando encaixar uma maneira de viver onde não cabia mais. Ajudou a não gastar energia reclamando da máscara ou não achar a vida horrível porque o bar estava fechado. Ajudou a me privar de prazeres que nunca me assustaram, mas que poderiam prejudicar pessoas que nem conheço. Ajudou a olhar para frente, não para trás, e perguntar: quais são as regras agora? O que temos para hoje?

E, entre nós, muitas das “novas regras” faziam parte da minha rotina! Lavar bem as mãos e manter boas condições de higiene, usar álcool gel (sim, quem me conhece sabe que uso há anos!), fazer compras por internet, cozinhar e cuidar da casa, trabalhar em home office… tudo isso eu fazia! Admito ter potencializado, mas um pouco neurótica eu já era!

E a saudade de pessoas que não podia encontrar? Sério? Eu nem lembro se houve algum período da minha vida que não senti saudades de alguém! Sou colecionadora de saudades! Sejam bem-vindos à minha vida desde… sempre! Na verdade, as alternativas geradas, como vídeo conferências, me fizeram mais próxima das pessoas que amo e vivo distante há décadas!

Verdade que sinto falta de dar uma boa festa, de falar com estranhos, de abraçar os amigos… lógico que sinto falta! Mas também imagino como vai ser bom e o quanto vou valorizar esses momentos que prezo tanto!

O que sim considero uma sorte grande é não estar sozinha em casa. Ter um “partner in crime“, um cúmplice constante e recíproco, fez tudo mais fácil. Mas isso também acontece há muito tempo, não é uma novidade.

Por coincidências ou por escolhas, minha vida e a do Luiz já nos preparava para o que enfrentamos no ano passado. Não posso falar no nome dele, por isso, vou falar no meu. Literalmente, desde criança fui adestrada a administrar a distância, a saudade, a autossuficiência… e adulta tenho o caos como aliado, não porque seja minha preferência, mas porque é quando sou mais forte. A mudança e, consequentemente, a adaptação (afinal é a única opção) fazem parte da nossa rotina desde quando nem me lembro mais! E isso, caríssimos, nos deu um olho em terra de cegos.

Ouvi muitas queixas sobre a privação da liberdade e confesso a vocês, com toda a humildade (que finalmente aprendi esse ano), eu nunca me senti tão livre! Digo e repito que não quero voltar a ser a pessoa que era antes de março de 2020. E não porque me achava má pessoa, mas porque acredito sinceramente que hoje sou melhor, vivo melhor, entendo melhor. Evoluí e sem um pingo de vergonha de dar um tapinha nas minhas próprias costas!

Queridos e queridas, para quem chegou até aqui, não importa se concordamos ou não, estamos no mesmo barco, o time de quem sobreviveu! Muito obrigada por sua companhia e será um prazer iniciarmos juntos 2021. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a vida nos separe…

… e a gente se encontre numa reunião do zoom! 😉

2 comentários em “2020/2021”

  1. Caríssimos Luiz e Bianca, muito feliz por estar vivo e com saúde, quero desejar que sobrevivamos também a 2021 com a mesma força que tivemos para superar 2020. Grande abraço para vocês.

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