Wolverine e suas 7 vidas

As últimas 3 semanas tem sido de absoluto sufoco com nossa família humano-felina. Para quem não sabe, temos dois gatos há cerca de 7 anos, adotados na primeira vez que moramos em Londres, o Wolverine, com 9 anos de idade e a Phoenix, com 11.

Muito bem, Wolverine tem alguns pequenos problemas respiratórios, nada muito grave, como se fosse uma asma leve que administramos sem remédios, só acompanhando.

Há umas 3 semanas eles começou a ficar estranho, respirando mal e se escondendo da gente. Alguma coisa parecia incomodar sua garganta… enfim, estava esquisito. Levamos ele ao veterinário e, em princípio, parecia ser algo respiratório, por causa do seu histórico. Sendo assim, tomou uma injeção de esteróides e voltou para casa bem. Ficou de tomar uma segunda injeção um par de dias depois.

Na segunda injeção, ao invés de melhorar, piorou. Na verdade, começou a piorar exponencialmente e a expelir uma secreção avermelhada por uma das narinas. Parou de comer e beber água, totalmente letárgico, ficamos bem assustados. Levamos novamente ao veterinário.

A veterinária teve a presença de espírito de olhar dentro da boca do gato, afinal, estava estranho a tal da secreção sair por apenas uma das narinas. E descobriu que estava com um abcesso no lado esquerdo do céu da boca. Algum tipo de infecção. Era isso, inclusive, que o estava impedindo de comer, ele até tentava, mas não conseguia.

Esse é um sinal muito importante para quem tem gato. Os felinos, quando sentem que chegou sua hora, param de comer, ficam completamente sem apetite. Ou seja, enquanto o gato quer comer, há esperança!

Muito bem, Wolverine precisou ficar internado e passou por um procedimento cirúrgico, com anestesia geral, para limpar a área e fazer uma biópsia. Fraco do jeito que estava, apertou o coração do risco da cirurgia e da anestesia, mas ele aguentou bem o tranco. Entrou no antibiótico generalizado, enquanto a biópsia não ficava pronta.

Entretanto, nada do gato melhorar… e nada de sair o resultado da biópsia. Voltou para casa depois de uns 5 dias internados, com antibiótico oral. Mas não respondeu bem ao tratamento, a infecção piorou e precisou ser internado novamente…

… e passou pelo segundo procedimento cirúrgico com anestesia geral, ainda mais fraco e há duas semanas comendo o mínimo para sobreviver e tomando fluídos injetáveis.

A essa altura, por mais que tivesse esperança que ele melhorasse, o quadro não era nada promissor e eu estava muito angustiada em fazer o bicho passar por tanto sofrimento, sem saber sequer se tinha alguma possibilidade de melhora. Porque afinal, nada de sair o resultado da biópsia!

Honestamente, aceito bem morte e vida, mas tenho muita dificuldade em lidar com sofrimento e estava pronta para uma eutanásia e parar com a agonia do bichinho, que já levava 2 semanas com dor e faminto. Estava tomando analgésicos, mas a gente sabe que dói assim mesmo.

Mas o que parecia ser uma piora, afinal, além do abcesso no céu da boca, estourou outro na lateral da garganta, na verdade era o corpo tentando expulsar o que provocava a infecção. E o que estava acontecendo era que havia tanto pus envolta da ferida que os antibióticos não faziam efeito. Nesse segundo procedimento cirúrgico, eles limparam bastante o local e colocaram um dreno externo na altura da garganta.

Adicionalmente, saiu o resultado da biópsia e felizmente deu negativo para câncer. Ou seja, era realmente uma infecção cascuda, mas com chance de curar.

Então, vamos para briga com tudo que tiver direito!

Nesse meio tempo, também saiu o resultado da cultura que fizeram da bactéria que estava afetando o gato e ele passou a tomar um coquetel de antibióticos mais focado para o caso específico dele.

A nossa torcida era que, finalmente, com a ferida “limpa” e acessível aos antibióticos e o remédios certos, ele começasse a melhorar. No primeiro dia, para ser sincera, o veterinário estava bem preocupado e frustrado com a falta de resposta do corpo.

Mas… no segundo dia… nosso guerrerinho começou a reagir! Também, acho que havia meio mundo torcendo e enviando energias positivas para o bichano! Bianquita enlouquecida cantando mantras para Ganesha! Mentalizando “di cum força mesmo” para ele melhorar!

No terceiro dia, começamos a realmente acreditar que podíamos ser cautelosamente otimistas e, a partir daí, foi ladeira acima! Ao todo, contando a primeira e segunda internações, ele ficou 13 dias em tratamento intensivo na clínica veterinária. De enlouquecer qualquer dono de bicho! Luiz ligava duas vezes por dia para ter notícias e colocava no viva voz para eu participar.

Na sexta-feira passada, pudemos trazê-lo para casa! Nem sei explicar o tamanho do alívio que é tê-lo aqui, comendo, com o olhar vivo e ronronando feliz! Temos levado ele diariamente para tomar antibiótico injetável, mas é rápido e logo voltamos todos para casa. Hoje é segunda-feira, e ele em princípio recebeu alta dos remédios.

Mas seguro morreu de velho e sei lá… acho que estou com “trauma de guerra” e ainda não relaxei de vez. Na quinta-feira, vamos levá-lo para um check up. Não queremos deixar que ele tenha uma recaída e vamos monitorar muito de perto esses próximos dias sem remédio.

Pois é, vamos brincar um pouco para deixar a coisa mais leve. Recapitulando, lembra que estamos nessa batalha há 3 semanas, incluindo 2 procedimentos cirúrgicos, 13 dias de internação, consultas, remédios etc… e não temos plano de saúde para os felinos! Ui… Veja bem, não é uma reclamação, porque para mim, os veterinários e as enfermeiras fizeram um milagre! Só não saí abraçando todo mundo porque está proibido! Wolverine deve ter gasto umas 3 vidas! Mas não saiu exatamente barato… Então, nesse momento, estamos rifando um rim do Luiz e minha córnea esquerda para pagar a conta! Qualquer contribuição, a família agradece!

E conto isso porque acho que quem tem bicho, ou faz plano de saúde ou faz uma reserva para emergências (nosso caso). Porque se já é um sufoco tendo condição de cuidar do animal, imagina sem poder pagar um tratamento… Deve ser desesperador! Animais de estimação são parte da nossa família, a gente sente como se fosse uma pessoa, porque é um ser vivo e absolutamente próximo, convivemos diariamente e é uma relação de carinho e troca imensa!

Bom, mas não temos apenas um gato e, enquanto isso na sala de justiça, tivemos que administrar uma “faixa de gaza” em casa. Durante esse período de tratamento, isolamos Wolverine no primeiro andar e, claro, Bianquinha dormindo no sofá com ele de castigo; e Phoenix no segundo andar, grudada no dono dela.

Os dois gatos são muito apegados um ao outro e estávamos muito preocupados como a Phoenix ia reagir. Na prática, nesse tempo que Wolverine ficou fora de casa, ela reagiu bem melhor do que esperávamos, ficou muito carinhosa e próxima a Luiz e eu. Entretanto, agora estamos em uma fase de reaproximação dos bichanos. Não é instantâneo, quando você tem mais de um gato e há esses períodos de ausência, principalmente quando um deles vem de um hospital e os cheiros são outros, é necessário se administrar os primeiros contatos.

Por sorte, Wolverine é o dominante, ela nunca o ataca. Ele está mais tranquilo e, claro, no céu de estar em casa novamente. Mas ela ainda está estranhando um pouco. Vamos esperar agora a natureza se encarregar de acalmar as coisas.

E é isso! Nosso Wolverine honrou seu nome de X-Cat e vem reagindo heroicamente! Está um pouco desconfiado ainda conosco, mas muito carinhoso. Não guardou mágoa, não ficou aborrecido porque o deixamos no hospital, ficou grato e contente porque o trouxemos de volta. Ainda não posso acabar essa história com um “e foram felizes para sempre“, temos um caminho e os obstáculos corretos para vencer. Mas assim é a vida, sou grata por cada momento de alívio e, por isso, hoje celebramos!

2 comentários em “Wolverine e suas 7 vidas”

  1. Ótima, Romildo! Porque o meu fígado não deve estar valendo muita coisa… hahahahahahah…:D Beijos

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