E ela chegou!

Minha sobrinha era esperada para nascer no dia primeiro de fevereiro. Pelo tamanho da mãe e da barriga, desconfiávamos que poderia ser antes. A última previsão que havia recebido é que deveria ser pelo dia 27, uma terça-feira. Ela ainda estava esperando para tentar um parto natural, o que parecia difícil, mas acho correto.

Muito bem, me programei para passar o final de semana com Luiz e pela segunda-feira, ir para o Rio.

No meio da semana, me procura um amigo de colégio, que mora no Rio, dizendo que havia um encontro carioca do pessoal na sexta-feira. Queria saber se, por acaso, eu não estaria por lá e daria para ir.

Fiquei na dúvida, na sexta e comprando em cima da hora, os preços da ponte aérea não são muito animadores, mas quer saber, por um pouquinho, eu já estava querendo ir mesmo… Ok, eu topo!

Cheguei na casa dos meus pais umas 18h, só o tempo para deixar a mala, trocar de roupa, conversar um pouquinho e sair para encontrar o povo.

Acontece que assim que coloquei os pés no apartamento, meu pai me dá a notícia que a nenén nasceria no sábado, bem cedo! Ou seja, santo encontro que me fez estar lá na hora certa! A propósito, foi bem legal rever os amigos, noite super agradável.

O que passou é que, também por acaso, minha cunhada foi acompanhar minha mãe e a mãe dela para um “curso de avó”, alguma coisa assim. A médica dela estava no local e resolveu dar uma olhada, porque ela estava muito desconfortável, agoniada sem posição e com alguns “gases” incômodos. Resumindo a ópera, tudo indica que os gases eram contrações, a nenén estava sentada na barriga, com as pernas um pouco abertas, além de ser grande para o corpo da minha cunhada. Ou seja, parto normal não ia rolar mesmo! A médica disse que não ia fazer diferença esperar mais tempo, porque a menina não ia se encaixar na posição tão fácil, minha cunhada já não tinha mais posição, não conseguia dormir… então, por que não fazer logo de uma vez no dia seguinte? E assim foi!

Às cinco da matina, acordei para ir na maternidade com meu irmão e minha cunhada. Acho que estão fazendo tudo muito bem, mas ambos marinheiros de primeira viagem. Lógico que dá um nervoso e é sempre bom ter alguém dando um apoio moral. O parto estava marcado para umas 8h da manhã. Mais ou menos por esse horário, chegou a mãe dela, minha mãe, minha tia, minha prima… enfim, aquela mulherada!

Pelas 9h30, meu irmão começou a enviar as primeiras imagens que a filha havia nascido. Minha família não é muito silenciosa e todas na cafeteria, foi aquele alvoroço. Corremos todas para o vidro do berçario, esperar eles chegarem.

Não tardou para aparecerem meu irmão e minha sobrinha pelo vidro, acho que tirei umas novecentas fotos (sem flash)! Pouco depois, chegou minha cunhada no quarto e logo minha sobrinha atrás.

Quando foi chegando a hora do almoço, todo mundo precisava ir. Quer saber, no meio dessa história eu lá tinha fome ou sono? Se vocês querem aproveitar para ir resolver as coisas ou descansar um pouco, fico aqui com elas sem o menor problema. Que sacrifício, né? Quase não gostei!

Ficamos as três e finalmente chegou minha vez de pegá-la no colo. A mãe precisava mesmo descansar um pouco e não podia falar, porque dá gases no dia seguinte. O que aparentemente é muito dolorido. Aliás, aprendi um monte de coisas de uma vez só. Imagina minha cunhada, com a primeira filha e sem poder fazer muita coisa, eu que nem filho tive e minha sobrinha acabando de nascer! Mas quer saber, acho que demos conta do recado muito bem!

Tenho dois sobrinhos, por parte do Luiz. O mais velho, conheci com uns 9 anos; o mais novo quando ainda estava na barriga. Adoro os dois, o segundo por ter conhecido e convivido desde nenén, foi o mais próximo de filho que tive até o momento. Infelizmente, o tempo, a distância e as circunstâncias nos afastaram. Ainda assim, tenho muito carinho por eles. Acontece que já são homens! Um com uns 30 anos e o outro com uns 20! A chegada de uma menininha foi uma notícia e tanto!

É minha primeira sobrinha de sangue, também primeira e única neta dos meus pais. E isso pesa bastante. Pegá-la no colo foi amor instantâneo! Parecia que ela sempre esteve lá, que já nos conhecíamos. Quando ela abriu primeiro os olhinhos, tive o privilégio de estar junto. E como se fosse pouco para minha corujice, ainda por cima é uma linda e saudável!

Durante à tarde, voltaram meu irmão e a mãe dela. Logo depois, minha mãe trouxe meu pai para conhecer a neta.

Até aí, tudo ótimo. Acontece que meu pai chegou à maternidade bastante ofegante, segundo minha mãe, estava assim há alguns dias e ela estava bem preocupada. Havia inclusive adiantado uma das consultas com o médico que cuida do “supermarcapasso”, que sempre esqueço o nome, acho que é um ressincronizador. Minha mãe pediu que eu ligasse para esse médico, descrevesse o que estava acontecendo e perguntasse o que deveríamos fazer. Ele respondeu que deveríamos ir para a emergência do hospital que ele praticamente frequenta, que ele ligaria para o cardiologista de plantão para orientá-lo.

Final da tarde, lá fomos nós para o hospital com meu pai, diretamente da maternidade. Resultado, ele tinha um trombo na parte superior do coração. Menos mau que fomos logo, porque se esse trombo sai do lugar… poderia ser, por exemplo, um novo AVC (isola!). Da emergência ele foi internado, direto para a UTI.

Não foi tão simples, como de costume, lógico que ele deu um show na emergência que ia embora. Só podia ficar uma acompanhante de cada vez com ele, assim que eu revezava com minha mãe. Em uma das vezes que estava a minha mãe, ele começou a arrancar os eletrodos, tentar fugir da cama, falar alto… a reação da minha mãe, que já passou do limite do cansaço, foi dizer que não ia ficar ali, saiu pelo corredor nervosa e gritando: tem um louco ali naquele quarto! Ele surtou! Foi um corre-corre de médicos e ela saiu para me encontrar e contar. Estava tão nervosa que começou a contar rindo e chorando.

Dei um minutinho rápido para ele acalmar e lá fui eu tentar amansar a fera!

No leito havia dois médicos, um fazendo uma ecografia no coração e outro com os olhos arregalados, fazendo de tudo para fugir do quarto e dizendo para mim: tem que controlá-lo! Tem que controlá-lo! Juro que no meio desse caos, tinha até um pouco de vontade de rir!

Entrei e ele estava mais razoável, dizendo que o médico da ecografia havia matado a charada. Lá fui eu ver o que o médico havia descoberto. Sim, porque já sei ler radiografica, ecografia, exames etc. Doutora Google! E lá estava um trombo bem grandinho.

Logo descobri que a relativa calma do meu pai se devia a acreditar que haviam descoberto o problema, dariam algum remédio para ele tomar e seguir o tratamento em casa. Só que não. E quando ele entendeu que ia ficar internado, foi um pouco mais difícil explicar as coisas. Mas ele acabou aceitando, porque não seriam muitos dias e também viu que não tinha muito jeito.

Assim que, no mesmo dia, pela manhã bem cedo tive a alegria de ver minha sobrinha nascer. Pelo final da tarde, estava dando entrada na emergência com meu pai. Uma verdadeira montanha russa!

Já chegamos em casa, minha mãe e eu, pelas 21h30 ou um pouco mais. Para quem acordou às 5 da matina para não perder nada do nascimento e depois desse carrossel de emoções, estava mortinha da silva!

A partir daí, me dividia entre maternidade pela manhã e UTI à tarde. Acho que pela segunda-feira, minha sobrinha e os pais voltaram para casa. Alguns dias, nem conseguia visitá-la, mas logo nos organizamos.

Meu pai ficou internado por cerca de uma semana, voltou para casa numa sexta-feira e vim embora no sábado ao final da tarde.

No sábado, ainda conseguimos todos, inclusive ele, visitar minha sobrinha. Ele realmente não parava de dizer que queria ver a neta. O caminho, bem curto, entre a casa dos meus pais e a do meu irmão, foi difícil de fazer. Ele estava tendo as convulsões uma atrás da outra. Mas acho que valeu à pena o trabalho. Almoçamos por lá e eu babei ela um pouco mais antes de viajar.

Fico um pouco preocupada em sair assim, mas também preciso cuidar da minha casa, meu marido, meus gatos e meu trabalho. Pelo menos ele não estava mais no hospital e, finalmente, havia aceitado uma cuidadora para ajudar minha mãe. Vamos ver como vai funcionar essa história, mas acho que ela realmente precisa de um alívio, é uma barra muito pesada de se levar e faz muitos anos que vem nessa batida.

Minha sobrinha veio em boa hora! Não é que uma bebê vá resolver todos os problemas, muito menos curar meu pai ou descansar minha mãe. Mas é outra alegria e energia para a família. Acho que meu irmão quer ser pai desde criança! Era algo que faltava para completar seu amadurecimento e está fazendo muito bem, será um bom pai, já é. Minha cunhada também queria e, apesar de exausta e ainda achar que não está conseguindo fazer tudo de maneira perfeita, afinal, inexplicavelmente parece que toda mãe vem com algum tipo de culpa embutida, a verdade é que ela também está fazendo muito bem e já é mãe.

Um dos meus maiores medos é que meu pai não chegasse a ver a neta, por muito pouco. Ainda quero que ele fique por aí brigando um bom tempo, mas é um alívio saber que ele teve a felicidade de pegá-la no colo. Minha mãe ainda não teve a oportunidade de curtí-la como gostaria. Felizmente, é só uma questão de mais tempo e será uma super avó coruja. E eu, acho que nem preciso dizer, sou amor e felicidade puros, um pouco de saudade também. Tenho a foto dela no meu celular e a cada vez que olho, é impossível não soltar um sorriso sozinha e repetir para mim mesma: lindinha da tia!

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