E agora, falamos sobre política?

Pois é, quem acompanha o blog sabe que evito ao máximo falar em política aqui, acho que não é meu foco, ainda que algumas vezes passe minha opinião.

A questão é que, atualmente desde dentro do Brasil, fica muito difícil evitar esse tema, porque altera diretamente meu dia-a-dia, esse sim assunto central do que escrevo.

E agora, José?

Porque não sou jornalista, nem tenho a menor intenção de entrar nessa discussão. Simplesmente, minha vida está afetada por algo que não posso fingir que não existe. Fatos e opiniões que concordo, outras me incomodam, algumas inclusive me agridem.

Na verdade, o problema piora porque por trás de muitas dessas opiniões há pessoas, mais ou menos próximas a mim. Sempre achei que poderíamos discutir idéias civilizadamente, concordando ou não. Mas sinto que nesse momento, o cenário brasileiro está tão dividido a ponto das pessoas não se ouvirem! Aquela coisa americana de se não está comigo, está contra mim. Há o preto e há o branco, e as diversas matizes de cinza, e onde particularmente costumo me encontrar, parecem não existir.

O centro, ou algo próximo ao equilíbrio no Brasil, se não inexistente, é considerado “em cima do muro”. Caminhamos para dois extremos radicais, de esquerda e de direita, cada um pior que o outro.

Me enoja a quantidade de escândalos escancarados, Petrolão, Mensalão e outros “lãos” que os defensores da “esquerda” se negam a crer e ver números concretos. Está aí, na cara! O país não está melhor, perdeu o bonde! E o governo nem de esquerda mesmo é, é no máximo um esquerdismo de conveniência! Por outro lado, escuto pessoas defendendo e enaltecendo um cidadão que diz com todas as letras “você não merece ser estuprada”. Não me importa para quem se diga isso nem em que contexto, a frase ofende as mulheres em geral, me ofende! Mas o lado da “direita” também busca razões onde não existe justificativa.

Vejo pessoas que considerava liberais defendendo a censura da imprensa! Outras, teoricamente sensatas defendendo a volta do regime militar! Sinceramente, me sinto um ET e fico pensando se só eu acho que ambas, ou não sabem o que estão dizendo ou estão loucas! Em que momento ficou definido que nossa única opção seria entre ditadores, de esquerda ou de direita?

Uma explicação razoável que encontro é o desespero! As pessoas estão tão fartas do que está aí que passam a acreditar que qualquer coisa pode ser melhor! Muita calma nesse momento, porque nada é tão ruim que não possa piorar. “Qualquer coisa desde que contra” costuma ser uma má opção.

Perdemos as referências! Na minha opinião, não deveríamos estar tentando optar entre esquerda e direita, e sim entre certo e errado, bem e mal. Não há um vilão e um mocinho! Infelizmente, estamos sendo levados a optar entre vilões. E enquanto brigamos entre nós, a caravana segue.

Por exemplo, eu não aprovo o governo do PT! O PT criou o bolsa-família (ok, não criou, mas foi onde a coisa ganhou proporções significativas). Logo, sou contra o bolsa-família! Ou vamos pelo outro lado, sou a favor do governo do PT, a mídia divulgou mais um caso de corrupção ou incompetência gritante do governo. Logo, nem vou ouvir ou parar para analisar, porque “toda” a mídia sempre inventa as informações. Sério?

Os apoiadores governistas parecem ter esquecido que um só partido não possui o monopólio de políticas sociais, essas devem ser cobradas de todos. A oposição, que só sabia ser governo e passou anos adormecida, começa a engatinhar agora. A corrupção, que sim sempre existiu, mas não existia dessa maneira, foi institucionalizada. Desceu aos níveis técnicos, minou a inteligência do país, deixou todos de rabo preso.

Não elevamos mais as discussões, simplesmente observamos de que lado vem e nos posicionamos contra ou a favor porque sim. Ou porque se ganha diretamente algo com isso. E pior, grande parte das vezes, as discussões mais acaloradas não passam de cortinas de fumaça, onde entramos como patos confusos.

Critico diretamente o PT pois é o partido que está no governo – aliás, há 12 anos! E ainda sim seguem batendo em pontos onde houve tempo suficiente para atuarem como se não tivessem nada a ver com isso! Mas não nos esqueçamos, por exemplo, do PMDB, que vamos combinar, está sempre metido na história e passando relativamente ileso pelos escândalos. Quem realmente manda nesse país?

Sou oposição! Sim, reconheço que houve alguns avanços sociais que devem continuar, o que não é favor, é obrigação de qualquer governo! Mas não é justificativa para fazer vista grossa a um governo criminoso, no mínimo por omissão e incompetência. O país não está melhor do que há 12 anos. Gostaria que estivesse, mas não está. Há 12 anos, acredito que o PT foi a opção correta, era o menos pior, mas não é mais, passou do tempo, passou do ponto! Perdemos em educação, perdemos em exemplo, perdemos economicamente… perdemos.

E sinto que em breve, infelizmente, também perderei alguns amigos. É o preço.

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