44 aninhos e a primeira batucada britânica!

E os 44 chegaram! Com a vantagem adicional do dia do aniversário cair exatamente em um sábado. Ou seja, se ainda precisasse de algum pretexto para uma festa, o dia era perfeito!

Andava sentindo falta de casa cheia e, por que não admitir, falta também de um pouco de barulho. Madri havia me deixado mal (ou bem) acostumada a reuniões embaladas por música ao vivo e a energia diferente que os tambores deixam no ar.

Mas, honestamente, já tinha me desencanado dessa questão musical, queria mesmo era celebrar com os amigos. Entre os convidados, até havia músicos, mas não acreditava na possibilidade de rolar nada nesse sentido, chamei pela farra mesmo.

Chegou sábado e sabe esses dias em que você acorda feliz? Pois foi assim, estava de ótimo astral! Agitada igual a criança, doida para começar logo a comemoração!

Normalmente, não usamos sapatos em casa, mesmo quando recebemos visitas. Aqui em Londres inclusive é bem mais comum do que na Espanha e ninguém estranha muito. Acontece que nesse dia havia convidado bastante gente e achei que podia ficar muito tumultuado aquele monte de sapatos na entrada. E depois, cá entre nós, eu queria passar o aniversário em cima do salto! Então, que se dane, no dia seguinte eu limpava a casa e pronto!

Sim, no dia seguinte dava vontade de lavar o chão com ácido! A diferença na limpeza é impressionante! Mas paciência, não me arrependi e uma vez ou outra não mata ninguém.

Voltando à festa, fiz várias comidinhas, todas fáceis de servir e que podiam estar dispostas na mesa logo no início. Assim, podia desfrutar melhor a companhia dos convidados. Pedi que trouxessem bebida, mas sempre temos algumas ofertas da casa, por garantia.

Eu tinha tomado uma decisão, beberia cachaça! Mas não qualquer uma, meu plano malévolo era abrir uma garrafa de Havana, que para quem não conhece, é considerada entre as melhores do mundo e, definitivamente, acredito que seja a mais cara. Um pouco de mito, é óbvio, não acho o valor justo, mas enfim, nós tínhamos uma dessas garrafas há uns 10 anos em casa! Sempre naquela história de aguardar uma data especial, o que me parece impressionante, porque nós nunca colecionamos nada! O que há em casa é para consumo e deleite! Mas por algum motivo, a tal garrafa viajou o mundo conosco por todos esses anos, sempre na nossa mala a cada mudança. E sempre com uma ligeira preocupação se iria ou não quebrar e a gente nem teria aproveitado. Estava virando lenda! Esse ano, já tinha avisado ao Luiz, dessa casa essa garrafa não sai impune! Vou abrir no seu aniversário ou no meu. O dele foi complicado e estávamos no Brasil, logo, ficou para o meu. Tomei até a última gota, compartilhando com amigos que curtem uma boa cachaça.

Aliás, o pessoal bebe direitinho por essas bandas! O que acho legal, porque fica todo mundo na mesma onda, ou assim enxergo. Verdade que algum tempo depois, metade da festa me confessou que não tinha noção de como havia conseguido chegar em casa!

Mas muito bem, e a batucada?

Pois é, chega um amigo meu que conheci através do Facebook, por termos vários amigos em comum. Músico que, só para dar uma ideia, toca na bateria da Mangueira. Enfim, ele já sabia que eu gostava de tocar percussão e que em Madri rolava música em casa e tal, mas que em Londres eu ficava meio grilada com os vizinhos e não tinha quem puxasse ou me fizesse companhia. Entretanto, sério que não achei que ele fosse tocar aqui, foi coisa que a gente conversou em chat, porque estava interessada em ter aula com ele. Acontece que ele já chegou animado, junto com um amigo espanhol, e pouco depois de se ambientar, beber e conversar um pouco, me pergunta algo como, e aí, vamos fazer um barulho?

Está perguntando para mim? Em trinta e dois segundos eu saí desenterrando os instrumentos, afinal, já era hora de checar a tolerância dos vizinhos!

Resulta que o amigo dele espanhol também tocava bem, o que não é comum, às vezes é complicado para um estrangeiro entender os contratempos da percussão brasileira. Óbvio que fui na cola, Luiz também tocou e os convidados se atreveram a seguir. Mais tarde, chegou outro percussionista inglês, que também toca pacas e entrou na roda. E assim, rolou finalmente a primeira batucada em casa nas terras britânicas! E, na minha opinião, show de bola!

Nenhum vizinho reclamou, ou se reclamou, a gente não ouviu! O que ocorre é que as festas aqui começam e acabam cedo. Porque as pessoas dependem de transporte público. Então, acho que há uma certa tolerância ao ruído no caso de uma celebração, porque todo mundo sabe que tem hora para terminar. Ainda assim, sempre temos alguns corajosos amigos que resistem bravamente madrugada adentro, hora da “diretoria”. Na minha opinião, a melhor parte de toda festa.

Fui dormir realizada! Não podia esperar aniversário melhor! Amigos de mais ou menos tempo já bastante queridos e som de tambores alegrando a casa, marcando território para a uruca não passar! Deixando claro que, não importa onde pouse nosso lar, dessa porta para dentro, “todo mundo é bamba, todo mundo bebe e todo mundo samba”!

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13 comentários em “44 aninhos e a primeira batucada britânica!”

  1. Ai Bi, esqueci completamente de te mandar uma mensagem no teu aniversário. Estou super chateada. 😦 Mas saiba que não só no teu aniversário mas sempre eu desejo que você seja muito feliz pois você merece. Um beijo enorme e cheio de carinho 😄

  2. Oi, Claudia! Bobagem, não fico aborrecida por isso, então também não fique chateada 🙂 Minha memória para datas é fatal! Francamente, só consigo parabenizar as pessoas no dia correto porque o FB avisa! rsrsrsrsrs… Eu sei que você torce por mim, assim como torço sempre por você! Beijão

  3. Xiii… BSB é muito longe para mim! rsrsrsrsrs… Em fevereiro imagino que ainda não estarei pronta, acho que só consiguirei pelo meio do ano. Mas ficarei na torcida! 😉 Bj

  4. Eu estive la!! 🙂 Alias estivemos. Mais uma vez obrigada pelo convite, foi uma festa muito saudavel e cheia de enerigia boa contagiada gracas a alegria de voces, dois queridos. Foi muito bom te ver linda e feliz, minha Fenix preferida 🙂 FLove xxx

  5. Oi, Ana! Quem diria que você faria parte das crônicas agora, hein? 😀 Obrigada a vocês por terem vindo, queridos! E festa só funciona bem com convidados legais! Beijo

  6. Biiiiii…Zhu Ni Sheng Ri Kuai Le prá vc !!!!!
    Muito legal a sua batucada brazuca em London city para marcar o seu níver.
    Obrigado pela generosidade
    de compartilhar esses momentos,
    em aberto e aos quatro ventos
    minimizando o sentimento
    imenso de saudades!
    Rimas pobres e assimétricas, porém repentísticas e de coração.
    Beijooooooooooooooo

  7. Que honra participar desse momento historico! Muito bom poder cantar e celebrar com voces esse dia tao especial, que venham muitas batucadas mais!!! Much Love xxxxxx

  8. Andreza, participação fundamental em dito momento! Que venham muitas e que vocês sigam sempre tão animados e resistam bravamente até o final! 😀 Beijão

  9. Nibita, querido, saudades recíprocas! Certamente você foi uma das “presenças mais presentes” em todas as festas madrileñas! (menos na de Reveillon que não existiu… rsrsrsrsrsrs…) Beijão para você 🙂

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