O primeiro barraco a gente nunca esquece!

Pois é, minha vista de águia já foi para o saco após os 40 anos, mas sigo tendo um sono leve e uma audição canina! Eu acordo em casa se faltar luz, porque o som da casa muda. Nesse nível.

Enfim, estava eu dormindo tranquilamente, quando algum som diferente me desperta. Algo que parecia discussão, briga, sei lá, na hora que a gente acorda é difícil ter certeza se não estava sonhando. Olhei o relógio, 3 da manhã… hum… horário muito suspeito! E já explicarei o porquê.

Levantei e fui buscar de onde vinha o som, comecei a ouvir novamente uma discussão. Na verdade, um belíssimo quebra pau de marido e mulher! Eu fico logo nervosa! Porque tenho um lado que me diz para respeitar a privacidade do casal e outro que me diz, atenta porque se ele for violento você pode precisar chamar a polícia. Nada impede que ela também seja violenta, mas não costuma ser o normal.

Muito bem, lá fui eu prestar atenção na conversa. Aparentemente, a cidadã saiu para balada, deixou o marido em casa, voltou às três da matina, mas não atendia o celular desde às 21h. Devo confessar que acho que o marido tinha uma certa razão de estar aborrecido. Ele berrava “fuck off”… você desrespeita nosso casamento… vai embora de uma vez… está tudo acabado… e apenas ouvia ela responder que só estava “having a good time”…

Por algum motivo, ele abria e batia a porta de casa, enquanto berrava essas frases. Por isso, sei que são meus vizinhos da frente. Apesar da agressão verbal bastante intensa, não acredito que a coisa tenha ficado física. Assim que também não chamei a polícia.

Até que em algum momento eles apagaram as luzes e não ouvi mais nada. Acho que ela dormiu no sofá.

Voltei para cama e ouvi passos do vizinho de cima. Esse vizinho fala pelos cotovelos! Acho que moram pelo menos uns três homens no andar de cima e parecem falar um idioma búlgaro, albanês, algo desse lado ao leste que me dá um pouco de medo.

Já fiz logo a intriga, será que o albanês mafioso de cima chegou junto com a vizinha vagabunda da frente? Será que estão tendo um caso sórdido?

Não sei, mas ficou uma informação lá atrás que gostaria de fazer uma reflexão, o fato do quebra pau ter acontecido às 3 da manhã e porque acho esse horário suspeito.

Houve um apartamento em Madri que tivemos que mudar por não aguentar mais as brigas do casal ao lado. Eles brigavam religiosamente todos os dias às 3 da manhã. Juro que às vezes tinha vontade de bater na porta deles pelas 19h e perguntar, escuta vocês não querem começar a brigar logo agora? A gente já sabe que vocês vão brigar mesmo, então, pelo menos comecem mais cedo e deixem todo mundo dormir, né? Na verdade, não sei se era pior quando eles brigavam ou quando faziam as pazes! Porque a gente também escutava o tigrão e a alucinada na trepada de reconciliação e garanto que era bem mais assustador que as discussões!

Enfim, acabei desenvolvendo uma teoria que esse é um horário cabalístico para discussões de casal: às 3 da manhã! Acho que até às duas, quem está esperando tem na cabeça como o horário limite de tolerância. Algo que deve vir no inconsciente desde o período adolescente, quando tínhamos uma hora para chegar em casa. A partir daí, a imaginação ganha proporções incontroláveis. Até às três, deu tempo de pensar um monte de bobagens! Mas quando vai chegando perto de quatro, ou as bobagens viraram real preocupação ou muito sono. Daí, quando a pessoa chega, já não há energia para discutir, deixa-se para o dia seguinte, quando a poeira estará mais baixa.

Portanto, se algum dia você resolver fazer merda, chegue até às duas ou chegue depois de quatro, mas nunca, nunquinha, às três da manhã!

Ou faça muito mais fácil, desfrute saindo junto do seu parceiro ou parceira; ou aceite que um queira sair e outro não; ou confie em quem fique ou quem vai, porque não há nenhuma razão para se fazer nada escondido. Casamento não é uma prisão, ninguém precisa fugir para se libertar, nem sofrer por abandono. A vida a dois pode ser muito mais simples se você apenas perguntar o que quer saber ou dizer o precisa.

6 comentários em “O primeiro barraco a gente nunca esquece!”

  1. Menina, já passei por algumas situações assim. Vc comentou de Madrid, lá, no primeiro apto q morei, tb tinha uma vizinha escandalosa (sexualmente falando) era incrível. E não adiantava “tossir de faz de conta”, tentar falar mais alto, bater com a vassoura no teto, na esperança de que a fulana se desse por conta de q tinha mais gente em volta (no caso, no apto abaixo). Era constrangedor (para quem escutava, lógico).
    E olha q, ao contrário de vc, meu sono é pesado pra caramba.
    Já aqui no Rio, os vizinhos do 2° andar (eu moro no 4°) – irmãos – brigam religiosamente 1 vez por semana. As vezes dá até medo do tom, mas acho q nunca chegaram à violência física.
    Ninguém nunca disse que conviver era sempre fácil, mas a verdade é que tem gente que complica tudo demais …
    Bjinhos! 😉

  2. Soberba crônica…. Obrigado… Somente adicionaria um último e definitivo “ou” na frase final… “Ou seja poliamorista e não brigue a nenhuma hora e saiba exatamente onde e fazendo o que, estão todos os seus parceiros…” 😛 Eita saudades dôces, sô… Sexta feira o Max faleceu e a Lily está um trapo, lembrei de quando perdemos o Jack. Kisses from Orient….

  3. Nibita poliamoroso… hahahahaha… bom, só posso falar da minha experiência, mas tá bom, por que não citar meus amigos poliamorosos, né não? Puxa, sinto muito pelo Max, não tive tanto contato, mas do que encontrei, achava um cachorro muito legal. Lily deve estar arrasada mesmo, coitada, manda um beijo para ela. E sim, foi muito duro perder o Jack, mas já lembro dele com saudade e sem tristeza. Aliás, já estamos com vontade de adotar o próximo 😉 Beijos britânicos e qualquer hora a gente aparece por terras Hong Konguianas!

  4. Oi, Tati! Os apartamentos em Madri tem paredes muito finas, a gente sabe a vida de todo mundo. Aqui, até que as paredes são grossinhas, mas próximo ao hall de entrada, onde rolou o barraco vizinho, se escuta tudo. E sim, tem gente que complica mais do que precisa 😉 Beijão

  5. Lembrei de um casal de vizinhos em Madrid 🙂 Ele argentino, ela espanola, sempre brigavam as 2 a.m, deviam trabalhar na área de hostelería. Reclamei com o Concierge , depois de um tempo parou, perguntei ao Concierge se o casal havia se mudado, resposta : – “No. Se han separado.” enfim , dialogo entre o casal e respeito acho o esseancial, alem de concordar plenamente com “vida a dois pode ser muito mais simples se você apenas perguntar o que quer saber ou dizer o precisa” 😉 Fica bem xxx

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