Fim de semana de pedras, sol e bom choro

Admito que a semana não foi a mais tranquila de todas. Meu sogro internou outra vez e isso, por motivos óbvios, não deixa o clima da casa dos mais alegres. Hoje em dia, lidamos melhor com esse tipo de situação, o que não sei se é bom ou mau, mas quando não há alternativa, o jeito é se acostumar.

Mais para o final da semana, as coisas pareceram clarear um pouco. Ao menos, foram essas notícias que tive da minha família, porque do Luiz, tenho que arrancar as informações a fórceps!

Tinha o plano malévolo de viajar para algum lugar próximo nessa sexta-feira, mas com o decorrer dos fatos, a gente desistiu da ideia. Além do mais, o dia de trabalho do Luiz da sexta foi razoavelmente tenso e longo. Muito bem, sem problemas, ficamos em casa e faço alguma coisa para relaxar.

Chamamos um amigo que acabou dormindo por aqui e ficamos tomando vinho e comendo bobagens até às tantas! Essas sextas são engraçadas, porque a gente enche a lata, planeja mil viagens, sempre começando por ir a Bruxelas em um restaurante português, e no dia seguinte a gente pensa melhor e conclui que não é um plano tão bom assim.

Após cinco garrafas de vinho, resolvemos que o melhor lugar para ir no sábado seria Stonehenge, com esse nosso amigo que dormiu em casa e dirige.

Acordamos meio tortos, mas fazia sol. Em muito pouco tempo morando em Londres, aprendi que quando faz sol você vai para rua, não importa em que condições esteja! Está em coma? Acorda! Se vira! Dias bonitos são artigo de luxo, principalmente após um longo inverno!

Ok, levantamos razoavelmente cedo e, salvo as devidas proporções, até muito bem. Verdade que só consegui tomar um suco de laranja e não podia ouvir a palavra “vinho” sem fazer careta. Mas beleza, fazia sol, lembra? Então: rua!

Pegamos um trânsito do caramba, mas nem reclamo, porque aproveitei para ir conhecendo melhor a cidade, ainda há muito de novidade e como não era eu quem dirigia, não me incomodou.

Pouco antes de chegar a Stonehenge, me bateu ataque de fome, afinal, estava praticamente em jejum, desejando algo gorduroso e bastante água. Avisei aos meninos que precisava comer e Luiz, que sabe o risco de vida que implica em me deixar com fome, apressou nosso amigo a fazer uma parada estratégica.

Encontramos um pub-restaurante bem bonitinho e caseiro, Popular Farm. Comemos bem, me hidratei e seguimos viagem, com uma preguiça daquelas!

Chegamos a Stonehenge e era um pouco diferente da minha expectativa. Porque não fica em um campo isolado de tudo, ou melhor, até fica, mas passa uma estrada bem ao seu lado. Também cercaram em volta e os turistas já não podem circular por entre as pedras. O que tem seu lado positivo, nas fotos você ainda consegue bons ângulos sem ninguém estranho no meio da sua composição.

Stonehenge3

Stonehenge4

Stonehenge

Luiz tinha uma ligação de trabalho bem na hora que chegamos. Ficou no carro trabalhando enquanto fui com nosso amigo visitar o local.

Estava cheio, mas não tumultuado. Tinha uma maluquinha com jeito de bruxa, descalça e cantando para as pedras. Até que tinha uma voz bonita, mas não puxei conversa para não atrapalhar seu transe. Depois vi que estava com uma amiga ao lado, também descalça, de olhos fechados, mas essa não cantava, só se balançava para um lado e para outro ao som da primeira!

Meu amigo reclamava que elas nem ofereceram o que tomaram para a gente! Mas devia ser muito bom…

Também havia um homem com uma fantasia que não sei se era de bruxo, peregrino, antepassado ou sei lá o que! Mas acho que ficava ali para tirar fotos com os turistas. Esse estava doido por um papo, porém não me arrisquei porque não sabia se ia me cobrar por isso.

Quando terminamos o passeio e retornamos ao carro, Luiz conseguiu se liberar do trabalho e voltamos, agora mais rápido, para ele também visitar e tirar aquela foto clássica do “estive aqui”.

Stonehenge2

Já devia ser umas 17h e tínhamos que estar em um concerto de chorinho às 18h30. Nem passamos em casa, fomos direto. Sabe como é, em Londres, às 23h quase todos viram abóbora! Assim que não iria até tão tarde, mas pelo menos começava cedo.

Sou meio desligada e só me toquei que esse concerto era em uma igreja quase chegando lá. Eu gosto de ouvir música em igrejas, a acústica costuma ser excelente, mas até então, só havia escutado música clássica, fiquei na dúvida se uma roda de choro combinaria com o local ou ficaria muito formal. Além do mais, acho que seria interessante comer e beber alguma coisa durante o show e não sabia se poderiam vender nada na igreja.

Pois adianto que foi muito legal! Fizeram literalmente uma roda de choro, com a informalidade e democracia necessárias! Aproveitaram a data, aniversário do Pixinguinha, para homenageá-lo. Músicos de primeira! Acabei reconhecendo um deles, que outro amigo músico de Madri havia me apresentado virtualmente. Sim, o mundo segue pequeno!

choro

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Estavam vendendo comida, coxinha, mandioca frita, feijoada tradicional e feijoada vegetariana. Inclusive, o chef de cozinha, dava sua palhinha de vez em quando na roda. Também serviram bebidas, refrigerantes, vinho, cerveja, pena que não tinha caipirinha, porque deu vontade. Não vi ninguém exagerando, mas achei bom haver essa liberdade, considerando que estávamos em uma igreja.

A verdade é que me senti bastante à vontade. Estávamos com um grupo de amigos legais, conheci outras pessoas por lá, boa música rolando, até deu para sambar um pouquinho.

Esse grupo, Clube do Choro UK, se reúne com frequência e fiquei freguesa! O próximo encontro será dia 25 de maio, em St. Mary’s Church. Vou levar meu caxixi e quem sabe tomo coragem para entrar na roda.

De lá, voltamos para casa e na hora da Cinderela eu já estava apagada!

Bom que no domingo não acordamos tarde e, advinha? Sol outra vez! Ou seja, rua de qualquer jeito!

Uma amiga ficou de ligar para ir a um picnic, mas não tínhamos certeza, achei que não ia rolar. Então, decidimos passear por Little Venice. Colocar as manguinhas de fora e queimar o musgo!

Fomos só Luiz e eu e também estou gostando muito de descobrir os lugares com ele. Sou um animal social, mas curto alguns momentos de privacidade. Caminhamos pelo canal e almoçamos com calma no The Waterway. Voltamos para casa quando o sol se foi e a temperatura caiu bem rápido. Nada desesperador, mas estávamos muito frescos.

Segunda-feira, baterias carregadas e pronta para encarar a semana!

5 comentários em “Fim de semana de pedras, sol e bom choro”

  1. Oi,

    Que maravilha, o melhor é aproveitar todos os minutos e vocês o fazem muito bem 🙂

    Vocês têm é que vir passar uns dias a Portugal (pois come-se muito bem e tem excelentes vinhos) e aproveitamos para nos conhecer-mos 😉

    Beijos

    Andreia

  2. Andreia, a gente adora Portugal! Sim, se come de maravilhas e adoro o nome dos vinhos, engraçados e muito bons! Você mora em Lisboa? Qualquer hora aparecemos por aí 😉 Beijo

  3. Olá,

    Moro perto de Sintra (fica mais ou menos a 20 minutos de Lisboa) que é muito bonito para conhecerem 🙂

    Venham que jantamos juntos…

    Beijos
    Andreia

  4. Conheço Sintra! Não tenho previsão de quando iremos a Portugal, mas pode deixar que se formos por essas bandas, te aviso com certeza! 😉 E se você também passar por Londres, marcamos alguma coisa! Beijo

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