Gastro-Londres em menos de uma semana!

Oficialmente, recebemos nossos primeiros hóspedes! Digo oficialmente, porque um amigo dormiu aqui em casa logo na primeira semana, mas de maneira bastante improvisada e sem os móveis. Dessa vez, tínhamos hóspedes programados, meu irmão e minha cunhada!

No final do ano passado, pouco antes da gente sequer decidir formalmente que viria para Inglaterra, meu irmão me ligou pensando em vir para Europa na época de carnaval. Na dúvida se passava por Madri ou alguma outra cidade. O incrível é que uma das possibilidades na sua cabeça era exatamente Londres. Talvez estivesse escrito nas estrelas.

Falei para ele esperar um pouco, porque se duvidasse, estaríamos morando em Londres no ano seguinte.

De maneira que eles já tinham a passagem comprada antes mesmo de termos um endereço fixo na cidade! Ele ficava agoniado me ligando toda semana, perguntando se ia atrapalhar, se a mudança ia chegar a tempo, se daria para arrumar a casa… enfim, todas as perguntas que eu não tinha a menor ideia! Só dizia para ele relaxar e aparecer que a gente daria um jeito.

Três dias antes deles aterrissarem, havia quase uma centena (literalmente) de caixas de papelão entulhadas pela casa.

No sábado, pela manhã, dia de sua chegada, juro que o apartamento estava bem decente. Ainda faltavam, e faltam, detalhes de arrumação, mas estava totalmente operacional e já parecia um lar.

Eles iriam embora na quinta-feira pela manhã, assim que tínhamos menos de uma semana para conseguir montar uma programação razoável pela cidade.

O sábado que eles chegaram era o de carnaval. E por mais que meu irmão deteste essa época do ano, afinal, não é à toa que fugiu do Rio de Janeiro para cá, sinto muito, eu gosto e tinha uma aliada, porque minha cunhada também gosta. Assim que lá fomos nós para um baile de carnaval no Guanabara.

Voltando um pouco no tempo, logo que cheguei em Londres e comecei a fazer contatos entre velhos e novos amigos, perguntei se havia alguma festa de carnaval por essas bandas. Todo mundo indicava um lugar brasileiro chamado Guanabara. Conversa daqui, conversa dali, uma amiga se propôs a fazer a reserva do que começou como uma tímida mesa de meia dúzia de amigos e acabou com umas 15 pessoas animadíssimas.

O local é bem maior do que imaginava e a festa estava bastante organizada. Não fui com uma expectativa muito alta e confesso que me surpreendeu positivamente. O principal era estar em boa companhia e isso estava garantido. Encurtando a história, foi ótimo! Me diverti pacas e conheci gente super legal! Amigos de amigos, leitora do blog, gente que puxamos papo por lá… me acabei!

Mas não ficamos até tão tarde, porque além de nossos hóspedes terem chegado naquele dia do Brasil, também não queríamos perder a manhã do dia seguinte de ressaca. Imagina, ressaca em libras!

Acordamos bem no domingo e fomos para Picadilly, caminhar pela região. Honestamente, o dia estava horroroso! Um frio, chovendo, ventando… mas o que a gente pode fazer? Ficar em casa não dava, né?

Nessa área, acho uma parada imperdível a loja Fortnun & Mason. É tudo uma fortuna, mas uma tentação ao paladar e aos olhos.

Enfim, rodamos por ali, almoçamos no Toku, um japonês bem honesto, daqueles onde a frequência de clientes japoneses é alta. Sou tarada por um prato que eles fazem com unagui e arroz! O Missoshiro também foge do lugar comum, pode acreditar.

De lá, eles queriam ir na London Eye, aquela roda gigante, aliás gigantesca, de onde se tem uma vista geral de Londres. Eu e minha vertigem a-do-ra-mos esse programa, né? Mas se não fosse, eles não iam, então, resolvi acompanhar até o local, de onde disse que dali eles seguiam e eu voltaria para casa.

Para que?

Começou um se eu não for, Luiz não vai, se Luiz não vai, eu não vou… caraca, que saco! Por que não vão logo e me deixam em paz? Cada um faz o que tem vontade, certo? Ainda por cima um vento e uma chuva do caramba! Eu entendo que eles queriam aproveitar, mas eu já estava precisando vir para casa! E principalmente Luiz, que já tinha me torrado a paciência que queria ir lá, mas não queria ir sozinho, por que não aproveitava de uma vez a oportunidade de ir com eles?

Resultado, para agradar a gregos e troianos, porque as cafeterias da região eram ruins e porque não tenho o menor saco para esse blá blá blá, lá tive eu que entrar naquela bosta! Imagino que para pessoas normais seja um excelente programa, mas para mim, um completo desperdício! Porque tive que passar 2/3 do etinerário olhando para o chão ou algum ponto fixo para não enjoar, uma delícia. No início, ainda tentaram fazer alguma gracinha, tirar foto, fazer carinha de peninha… ninguém merece! Já sou obrigada a fazer o que não quero e ainda por cima tenho que fingir que estou adorando? Quer que eu vomite? Me deixa quieta e mantenha uma distância segura!

Muito bem, uma hora acabou aquela tortura. Pessoal, sinto muito, mas daqui vou embora mesmo! Está frio, chovendo, ventando e eu moro aqui! Passei um mapa para minha cunhada, expliquei minha parada de metrô e eles já sabiam como ir do metrô ao meu apartamento. Beleza!

Luiz também veio comigo e eles ainda seguiram, acho que para Tower Bridge. O que estava certíssimo, acho mais que eles tinham que aproveitar todos os minutos!

Com meu banho quentinho tomado, meu bom humor recuperou-se totalmente!

Eles chegaram e fomos ao Warrington, um pub clássico, próximo aqui de casa. Nos domingos, há uma tradição dos pubs servirem o Sunday Roast(o assado de domingo) e aproveitamos para mostrar a eles e desfrutar de um bom assado.

Segunda-feira, Luiz foi trabalhar e saí com eles para passear pelas redondezas do nosso bairro. Fomos a “Little Venice”, um canal bem charmoso que não costuma estar na rota turística. Verdade, que essa época do ano não tem o charme habitual, mas vale o passeio. Qualquer dia escrevo mais sobre lá.

Também fomos a “Abbey Road”, aquela rua que saiu na capa de um disco dos Beatles, com eles atravessando uma faixa de segurança. Trata-se de uma esquina normal e corrente, que fica cheia de turistas pentelhando o trânsito para tirar uma foto atravessando a rua. Se você não estiver dirigindo, pode ser até divertido.

Dali demos uma volta por St. John’s Wood, que é uma graça e fomos almoçar na Clifton Road, outra rua charmosinha pelos arredores. Costumo ir ali para comprar flores. Comemos no Café Rouge, uma cadeia de restaurantes franceses que acho boa e de preço razoável.

Eles seguiram passeando, foram ao Madame Tussauds e voltei para casa. A companhia deles é bem agradável, mas melhor deixar os dois sozinhos um pouco, né? Acho que quem viaja também quer algo de privacidade em algum momento.

Fomos jantar no Nobu, que pessoalmente considero, se não o melhor, um dos melhores restaurantes japoneses que conheci. O ambiente é elegante, talvez um pouco barulhento, mas não chegou a me incomodar. E o principal, a comida é divina! O tartar de toro com caviar é um absoluto escândalo! De ajoelhar e rezar! Melhor preparar o bolso, porque o padrão é alto, mas francamente, acho que merece! Aviso que é muito difícil conseguir mesa sem reservar com antecedência.

Na terça-feira, eu tinha uma entrevista com o governo. Assim que não acompanhei os dois. O local dessa entrevista é próximo ao trabalho do Luiz, por isso, acordei cedo e fui junto com ele. É o seguinte, com a cidadania europeia, posso entrar e trabalhar no país, mas preciso de um número de identificação, chamado NINo (National Insurance Number). É como se fosse uma identidade/CIC, o número de conta para pagar contribuições e impostos, funciona como referência para todo o sistema de seguridade social.

Luiz já tinha tirado o dele, afinal, sem isso ele não receberia o salário. Ele usou o endereço de um amigo, porque tinha pressa. Mas no meu caso, deu para esperar ter um endereço fixo de residência.

Em teoria, seria uma entrevista tranquila, a do Luiz foi. Mas sou tão escaldada com esse negócio de burocracia para documentação, que sempre fico com meu pé atrás. A Espanha me traumatizou um pouco com essa história.

Chegando lá, percebi que a maioria das pessoas ao meu redor eram estrangeiras. Isso, de certa forma, me tranquilizou, não me senti a única (esse documento é o mesmo para ingleses e estrangeiros).

A entrevista é séria, havia um pouco de tensão da minha parte, mas nada exagerado. Acho que é como deve ser mesmo. Ela pergunta o que deve perguntar, nacionalidade(s), porque veio, se está trabalhando, se pretende trabalhar, se é casada etc. Você apresenta alguns documentos, mas também nada exagerado, levei meus passaportes (ela quis ver os dois), contrato de aluguel, certidão de nascimento e casamento e identidade espanhola. Ela olhou tudo, tirou cópias lá mesmo dos passaportes e do documento espanhol. As certidões de nascimento e casamento ela nem quis saber. Nada daquele negócio de ter que levar trocentas cópias autenticadas, originais de não sei o que, tradução juramentada, fotos e tal. O processo é simples, se restringe ao fundamental.

Ela me deu um protocolo e avisou que a resposta costumava levar entre uma e duas semanas. Se levasse mais de quatro semanas, que eu ligasse para o número tal.

Vou acelerar o filme para contar que hoje, exatos sete dias corridos após minha entrevista, dia 20 de fevereiro, chegou à minha porta o envelope com meu NINo. Sim, tudo aprovado e certinho!

Posso trabalhar.

Não sei se vou, não sei em que, mas saber que posso e pelos meus próprios pés é uma sensação que nem sei explicar. Ainda estou digerindo.

Mas vamos seguir a história anterior, ainda na terça-feira, fomos jantar no Gilgamesh, um restaurante asiático, recomendação do meu irmão, que havia estado ali anteriormente. O lugar é bem interessante, exótico e boa comida. Os pratos são condimentados, coisa que é bastante apreciada por aqui, e por nós também. Principalmente no inverno, não custa dar uma força para a endorfina, o humor agradece. Nesse dia, uma amiga se juntou a nós quatro. Ótimo jantar, ótima companhia!

Na quarta-feira, último dia que eles tinham disponível para passear, fomos a Greenwich. Como o próprio nome indica, é exatamente por onde passa o Meridiano de Greenwich. Há um museu no local e você pode tirar fotos, literalmente, com um pé no oriente e outro no ocidente.

Como todos sabem, é esse o meridiano que serve como referência para se calcular distâncias em longitudes e os fusos horários.

Pois é, minha cunhada é muito engraçada e espontânea, ela se atrapalha direto para sair de casa e reclamava que vivia atrasada. Queria mudar essa característica e ficava de onda dizendo que finalmente, agora que ela havia passado por Greenwich, seria uma nova mulher, extremamente pontual!

Brincadeiras à parte, acho que vale o passeio e tem uma vista bacana desde o observatório. Fora a gaiatice de tirar fotos na linha do meridiano, é lógico!

Greenwich

Greenwich1

Almoçamos no Goddards, um restaurante datado de 1890. Não espere nada elegante, o local é muito simples, com jeito de bandejão de faculdade (de fato, muitos estudantes comem por ali). Servem a tradicional combinação “Pie&Mash” (uma tortinha parecida a um empadão e purê de batata, os molhos costumam ser o “gravy” ou “eels”). Frequentemente, há fila até o lado de fora. Acredito que o sucesso da casa se deva, além da tradição, ao fato de servirem uma comida honesta a um preço para lá de razoável. Você pode comer tranquilamente por 5 libras, se for estudante, ainda tem desconto, ou seja, uma verdadeira barganha!

Há outras boas opções nas redondezas de Greenwich e nos fins de semana, fazem um tipo de feirinha que fica lotada. Como fomos em uma quarta-feira, havia apenas algumas barraquinhas abertas.

Em uma delas, que funciona durante a semana, parei para comprar um chapéu, desses impermeáveis. Acho que aqui me será muito útil. Pois bem, o curioso dessa história é que aprendi o melhor eufemismo que já escutei na vida! A vendedora me ajudou a encontrar o que buscava e insistia em me mostrar a marca do chapéu, um Burberrys… por 15 libras! Respondi, é para um Burberrys o preço me parece muito bom (quase irônica). Ela me responde: it was loved before! Achei o máximo! Aqui as coisas não são usadas ou de segunda mão, elas foram “amadas anteriormente”!

Perfeito, saí eu com meu chapéu amado anteriormente e que seguirá sendo amado futuramente!

De lá, ao invés de pegar o metrô, pegamos um barco até London Bridge. Também é um bom passeio, mesmo no inverno, pois você tem toda a vista das margens do Tâmisa e fica protegido do frio pelas janelas. Acho o ponto alto passar sob a Tower Bridge. Digamos, um outro ângulo de visão.

Da estação de London Bridge, se o tempo estivesse melhor, daria para caminhar até a Tate Modern, nossa próxima parada, mas com a combinação frio, vento e chuva, pedi arrego e pegamos o metrô. Visitamos o museu, meu favorito em Londres.

Dali, voltei para a casa e eles foram para umas últimas comprinhas em Picadilly. Acho que se deixasse, meu irmão morava em Picadilly!

Jantamos no Raoul’s da Clifton Road, é uma cadeia de restaurantes italianos. Nada extraordinário, mas um italiano correto que eu gosto. A comida é honesta e o serviço simpático.

Na volta para casa, quisemos fazer uma parada no The Elgin, um dos nossos pubs favoritos da região. O local é modernoso, o cardápio é curto, mas original, com toques espanhóis. Já não conseguíamos mais comer, mas pelo menos tomamos uma tacinha de vinho para despedir.

Na quinta-feira, logo cedo, eles foram para o aeroporto, embarcar para o Rio.

Foi rápido, porém intenso. Acho chato que a casa ficou vazia, deixou o gostinho de quero mais. Achei legal ver os dois juntos, parecem felizes o que me alegra muito. Deu uma animada no ambiente. Um lar precisa de energia de gente, de movimento!

Enfim, acho que eles gostaram da viagem também e já fizeram planos para voltar em abril. Não sei se virão mesmo, porque sempre depende de algumas variáveis, mas fico na torcida.

E agora, toca a fechar a boca e fazer regime, porque com tantos passeios gastronômicos daqui a pouco não passo pela porta! Mas foi tão bom…

6 comentários em “Gastro-Londres em menos de uma semana!”

  1. Tenho duas fotos igualzinhas de Greenwich …rs … por que será??? 🙂
    Lendo vc falar sobre restaurantes, lembrei de um chinês que fomos (não faço a mínima idéia de onde – provavelmente por Chinatown …rs ), que era uma delícia. Mas o engraçado foi que a chinesa, creio que dona do restaurante, ficava dando voltas pela nossa mesa e apontava pro meu pequeno e dizia “que olhos grandes! Que olhos grandes!” 🙂
    Bjinhos!

  2. rsrs adorei a parte do chapéu amado rs Bianca que legal né, saiu rapidinho teu NIN°, o que tu tanto querias em Madrid tu conseguistes aqui, tudo acontece por algum bom motivo no final eu acredito. Success!!! Fica bem xxx

  3. Oi, Tati! Todo mundo tira as mesmas fotos, né? Que original! rsrsrsrsrs… Os japoneses adoram olhos grandes, provavelmente, os chineses também 🙂 Beijo

  4. Oi, Ana! Qualquer dia te mostro meu chapéu amado anteriormente… rsrsrsrs… E sim, saiu bem rápido, uma semaninha 🙂 Beijo

  5. Lindo blog! Você escreve de uma forma tão doce… mesmo qdo são as coisas mais azedas 😀
    Passarei sempre por aqui, p/ terminar de ler as páginas q ainda faltam e acompanhar as novidades.
    Obrigada! Felicidades! bjos

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