Bota as pilhas e liga o turbo!

Acordei na quarta-feira, 6 de fevereiro, fui tomar um café da manhã, na medida do possível e me deparei com o seguinte cenário…

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Pois é, me diz se não dava vontade de sair correndo?

Acontece que meu irmão e minha cunhada chegariam no sábado de carnaval e ficariam hospedados aqui em casa. Ou seja, tinha 3 dias para deixar o apartamento em condições decentes.

Além disso, a irmã do Luiz estava de passagem a trabalho por Londres e jantaríamos nessa mesma noite. A gente queria que ela passasse antes para conhecer a casa nova, e de lá comeríamos na rua. No dia seguinte, ela já iria embora cedo e não dormiria conosco. É claro que não esperava organizar tudo até o fim do dia, mas queria pelo menos ter algum ambiente da casa apresentável para ela ter uma ideia melhor do apartamento.

Arrumar uma mudança em pouco tempo não é uma novidade para mim, entretanto, é mais fácil quando você muda para um lugar maior e com armários de sobra. Nós nos mudávamos para um apartamento com dois quartos a menos, um único armário bom no nosso quarto, um armário meia boca de duas portinhas no escritório, os armários da cozinha… e só! Por sorte e pelo nosso histórico de mudanças, temos algumas estantes mil e uma utilidades com rodinhas, caixas organizadoras e uma habilidade ímpar em resolver quebra-cabeças!

Tenho um método de trabalho. E sim, o negócio é profissional! Lembra que é meu 37º endereço? Pois é, modéstia às favas, tenho experiência para dar um curso no assunto!

O quarto de casal já dormiu arrumado desde a primeira noite. É fundamental você ter reservado e separado com antecedência um jogo de lençóis e outro de toalhas de banho. Porque quando a equipe de mudança sai da sua casa, você quer tomar um banho e dormir na sua caminha, faz toda a diferença do mundo!

Depois disso, o primeiro ambiente que arrumo é sempre a cozinha. Ela é o coração da casa. Demora um pouco mais, porque tenho que lavar toda a louça antes de ir para os armários, mas vale à pena. Com um quarto arrumado e a cozinha operativa, a casa já funciona independente da zona de caixas que siga pelos outros espaços.

De maneira que, quando minha cunhada chegou, já havia uma cozinha razoavelmente apresentável e umas vinte e poucas caixas prontas para serem levadas ao lixo.

Essa é uma dica que parece óbvia, mas é importante. Assim que for abrindo as caixas, elas já devem ser desmontadas e empilhadas. O plástico bolha deve ser enrolado imediatamente após cada caixa. Caso contrário, você ficará com um volume papelão e plástico impensáveis ao seu redor, não dá para se locomover nem abrir as demais caixas.

Aqui em casa, a gente se organiza assim, durante o dia abro as embalagens, organizo o conteúdo e preparo grupos de caixas desmontadas e sacos de plástico bolha enrolados. Quando Luiz chega, ele leva esse material todo ao lixo reciclável.

Enfim, final da quarta-feira, cozinha praticamente arrumada e jantar com a irmã do Luiz para dar uma relaxada.

Quer dizer, teoricamente, o jantar seria relaxante. E até começou dessa maneira animada. No meio da refeição, toca o telefone, era minha sogra, meu sogro precisaria ser operado. Ai, Cassilda! Bom, mas parecia não ser nada grave, uma hérnia que precisava ser retirada há algum tempo, mas vinha sendo adiado até que agora havia se tornado necessário.

Não tínhamos muito que fazer a não ser torcer pelo melhor e conversar com eles para tentar acalmar. Além disso, por coincidência, minha cunhada já estava com passagem marcada para estar na semana seguinte no Rio e isso nos deixava mais tranquilos. Resumindo a ópera, ele foi operado no dia seguinte, correu tudo bem e no sábado ele já voltou para casa. Ufa!

Na quinta-feira, segui alucinada com a arrumação da casa! Terminei a cozinha e parti enfurecida para atacar a sala! Ficou faltando uma ou outra caixa que iriam para o escritório. Na verdade, só não consegui acabar a sala, porque cismei que iria cozinhar. Estava com saudades das minhas panelas e havia achado dois sacos de feijão brasileiro que vieram escondidos em uma das caixas de mudança. Bom, isso sem falar de umas 40 garrafas de bebidas que também vieram enroladas entre lençóis e toalhas.

Enfim, fui para cozinha e fiz uma feijoada! Não chegou a ser uma feijoada completa, mas um belo feijão incrementado. Cheguei a chamar uma amiga que mora aqui perto para jantar, mas ela não viu a mensagem a tempo.

Na sexta-feira, perdi a manhã porque precisava ir ao centro da cidade buscar meu cartão do banco. Sim, já tenho conta em banco! Luiz foi comigo e, como era perto do seu trabalho, almoçamos juntos no Chamberlain’s. Fica em um mercado relativamente pequeno e bem charmoso pela zona de Aldgate. A especialidade da casa são os frutos do mar, comi um peixe fresquíssimo, delicioso e de apresentação impecável!

Voltei para a casa e mergulhei nas caixas que faltavam. Luiz tentou não chegar tão tarde e me ajudou também. Resultado, o único ambiente do apartamento onde ainda havia uma meia dúzia de caixas era o escritório, são mais complicadas, porque não há mais armários para armazenar o conteúdo. Já veremos como fazer. Mas pelo menos, todo o resto estava bem arrumadinho e pronto para receber nossos hóspedes!

Só mais um pequeno grande detalhe para dar suspense. Voltando um pouco no tempo, na quarta-feira, quando voltamos do jantar com a irmã do Luiz, notamos que o apartamento estava mais frio. Abrimos a água quente e nada. Caraca, deu pau no aquecedor a gás!

Por acaso, fiquei com o telefone do “contractor”, um tipo de mestre de obras que faz um pouco de tudo e era o responsável pela reforma do apartamento onde moro. Um irlandês simpático, casado com uma brasileira e acho que gostou de saber que éramos brasileiros também. Já tinha conversado com ele umas duas vezes, uma quando vim visitar o apartamento antes de mudar e outra quando ele veio arrumar um pequeno vazamento que havia ficado para trás. Pois é, só que era quase meia noite, não é hora de ligar para casa de ninguém, muito menos aqui em Londres.

Mas o que a gente ia fazer? Ficar sem aquecimento e sem água quente nessa temperatura é impensável! Luiz se armou de coragem e ligou para o cidadão. Que até foi bem compreensivo e disse que enviaria alguém no dia seguinte pela manhã.

Por sorte, havia encontrado um aquecedor/radiador elétrico, trazido de Madri, por via das dúvidas. Com ele dormimos sem passar frio no quarto, mas água quente para o banho do Luiz de manhã… necas!

O consertador do aquecedor de gás chegou na quinta-feira cedo, e em mais ou menos 15 minutos conseguiu solucionar o problema, ou melhor, achou que solucionou.

Respiramos aliviados e quentinhos até sexta-feira à noite, quando o tal aquecedor parou de funcionar outra vez! Taquiupariu três vezes e amanhã temos hóspedes!

Luiz ligou para o “contractor” e para o dono do apartamento. O aquecedor é novo e está na garantia, de maneira que o dono do apartamento queria usar a assistência autorizada. O que até entendo, mas eles só tinham agenda para a terça-feira seguinte!

Como é que a gente ia ficar entre 3 e 4 dias sem aquecimento, sem água quente e com hóspedes?

O “contractor” se sensibilizou e veio no sábado de manhã aqui em casa. Veio até com a esposa, uma brasileira bióloga e muito simpática. Ela ficou conversando comigo, enquanto o marido tentava fazer algum “gato” para quebrar nosso galho até o pessoal da assistência técnica aparecer. Mas não era sua especialidade e ele estava preocupado em mexer muito.

Deu certo, não sei que raio ele arrumou, mas funcionou e fiquei mais do que agradecida. Eles deixaram conosco um outro radiador elétrico emprestado, no caso da gente precisar, o que achei extremamente gentil e atencioso.

Mais ou menos uma hora depois deles saírem aqui de casa, chegou meu irmão com a noiva. E a gente se borrando de medo do aquecedor pifar com eles hospedados. Muitas emoções!

As aventuras com nossos hóspedes, conto em alguma próxima crônica, mas só para não deixar a bola no ar, aviso que o aquecedor e o “gato” resistiram bravamente até terça-feira, quando apareceu o técnico oficial e consertou oficialmente o aparelho. Parece que havia um problema de pressão alta, ou seja, nosso aparelho novinho já é hipertenso coitado! Mas foi medicado e realmente espero que não nos dê mais problemas.

5 comentários em “Bota as pilhas e liga o turbo!”

  1. Se tudo estivesse saido ok, sem nenhum probleminha, teria minhas dúvidas se esse era mesmo seu blog….kkkkkkk Eu adoro esse seu jeito de resolver as coisas, e melhor ainda que tudo se resolve da melhor forma possível. Agora sim, tenho certeza absoluta que você nasceu com uma estrela a mais Bjs.

  2. Hahahah imagina se tudo ia sair bem certinho né chica rsrsrs. Olha, se fosse eu que acordasse com essa quantidade de caixas, com certeza sairia correndo rsrsrs voce é minha IDALA chica. Beijoss mil, estarei curtindo a mana e o cunha até dia 28 :-). Beijoss

  3. Caramba chica, um perrengue atras do outro! Agora desmontar mudança assim tao rápido, só vc mesmo!!!Pra deixar qualquer the Flash morto de inveja. kkkkkk Bjs saudosos

  4. Bianca um dia quando voces decidirem em que porto ficar, com a tua experiencia em mudancas durante todos esse anos, tu poderias abrir uma empresa especializada em mudancas internacionais que com certeza exito tera. Fica bem xxx

  5. Obrigada, meninas! Pois é, não sei se isso é bom ou mau, mas de arrumar mudança eu entendo… rsrsrsrs… Besitos a todas

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