Décimo dia: a retirada dos óvulos!

Acordamos cedo, a cirurgia estava marcada para às 8 horas. Na verdade, nem dormi muito.

 

Mas não estava ansiosa ou nervosa, na verdade o final para mim tem sido uma etapa mais tranqüila. Ajuda muito o fato de não estar mais tomando hormônios, assim as coisas tomam uma perspectiva real e a gente não se sente uma adolescente alucinada em que tudo parece ser intenso e definitivo.

 

É muito bom acordar lúcida novamente!

 

Enfim, chegamos ao hospital e fomos encaminhados para um Box, onde há uma cama, uma pia, uma cadeira e uma cômoda pequena. Meu Box era o número 3, ótimo, equilíbrio! Ali eu deixo minha roupa normal e coloco aquela camisola de paciente.

 

Aliás, vamos abrir um parênteses, quem inventou aquele camisolão culos al aire só podia estar de sacanagem, né? Tem coisa mais patética do que aquele camisão aberto na bunda? Fala sério! Ainda por cima, tinha que colocar aquele chapeuzinho verde, que parece uma touca de banho. Fiquei realmente uma gracinha, sexy de los cojones! Uma verdadeira inspiração para o Luiz se lembrar mais tarde…

 

Bom, daí veio uma enfermeira e me colocou soro, com alguma medicação que nem quis saber o que era. Você se mete na cama e é nessa mesma cama que te levam para o centro cirúrgico.

 

Enquanto isso, na sala de justiça… Luiz volta ao consultório do médico com um potinho, que parece aquele de exame de fezes, com nossos nomes. Digamos que é a hora da sua contribuição espermatozóica. Pois é, ainda chegou lá com outros dois maridos e seus potinhos, os três com aquelas caras de nádegas esperando a chave dos seus quartinhos e todo mundo sabendo para que! Putz, vamos combinar, tem que ser muito macho!

 

Obviamente não se falaram, porque se fossem mulheres, a gente já saberia tudo uma da vida da outra, tínhamos dado dicas de maneiras mais fáceis que a gente leu não sei onde, desejaríamos boa sorte com risadinhas nervosas… somos mais divertidas!

 

Voltando à minha parte, fui encaminhada para uma sala de cirurgia com uma cama engraçada, parecida a dos consultórios ginecológicos, com aquele apoio para as pernas. O médico se apresentou, é da equipe do meu médico, mas ainda não o conhecia, simpático por sinal. Perguntou se eu estava tranqüila e eu disse que sim, não tinha que fazer mais nada… agora é contigo! Ele riu e me apresentou à anestesista, também bastante gentil. Ela me perguntou se tinha alguma alergia, disse que só a pó, pólen e tabaco, mas que havia tomado anestesia geral antes e tudo bem. A única coisa é que acordei muito enjoada, mas isso foi há mais de 30 anos atrás.

 

Ela me falou que a anestesia seria um sono agradável, achei que ela estava sendo otimista, mas tudo bem. Dormi logo em seguida e ela tinha razão, foi um sono agradável. Na verdade, adoraria ser assim normalmente, fechar o olho, relaxar e dormir.

 

Acordei quando acabou tudo, já na cama de rodinhas que cheguei ali. Como se tivesse dado um cochilo depois do almoço, sem sentir nada de enjôo ou sensação ruim. Perguntei ao médico quantos óvulos ele tinha tirado e ele me falou que isso eles ligavam durante a tarde para informar direitinho.

 

Fui encaminhada para uma sala de recuperação comunitária, tinha algumas pessoas dormindo. Eu cheguei completamente acordada e puxei papo com a enfermeira na tentativa de convencê-la que já podia ir embora. Ela tirou minha pressão, 10/7, conversou um pouquinho, mas disse que precisava me manter ali por pelo menos uns 20 minutos. Ok, esperei acordada do mesmo jeito, meio entediada, mas feliz por estar me sentindo bem.

 

Vi entrar as duas esposas, que havia visto na recepção e começaram o procedimento antes de mim, ambas dormindo. Uma delas parecia normal, a outra era muito nervosa. Fui a primeira a deixar a sala de recuperação e a nervosa foi a última.

 

Voltei ao Box 3, onde Luiz já me esperava. Pedi para ele enviar um SMS para minha mãe, avisando que estava tudo bem. Ainda era muito cedo no Brasil, mas assim ela já acordava tranqüila. Novamente, tentei convencer a enfermeira que já podia ir para casa, mas tinha que terminar de tomar a medicação por soro. Ela fez com que o soro corresse um pouco mais rápido e algo depois das 10 horas, estava liberada.

 

Estava com fome e fomos para a cafeteria fazer um lanche. Comi misto quente e tomei suco de laranja e café descafeinado com leite.

 

Passamos no consultório do médico para dizer que estava tudo bem, que havia terminado o procedimento e não estava mais em jejum. Fomos liberados para voltar para casa e a atendente me disse que ligariam por volta das 15 horas para contar quantos óvulos foram retirados e em que qualidade.

 

Cheguei em casa, avisei à família e aos  amigos que estava tudo bem e fomos dar uma cochilada. Luiz tirou o dia de folga.

 

Passei muito bem, a única coisa é que dá um pouco de cólica e a barriga estava bastante inchada, como se estivesse com gases (que glamour, não?). Assim que para sentar e caminhar era um pouco desconfortável, mas deitada não sentia nada. Quer saber? Não preciso fazer repouso, mas um pouco de descanso me virá bem.

 

Pelas 15 horas, como eles disseram, me ligaram do hospital dizendo que retiraram 6 óvulos. Não é uma quantidade enorme para a fertilização artificial, mas até melhor do que nossas previsões. Desses 6 óvulos, um estava muito imaturo, então foram aproveitados um total de 5.

 

Há duas técnicas possíveis a serem aplicadas, uma é a micro injeção e a outra é a fertilização convencional. Na micro injeção, eles escolhem um espermatozóide e fecundam diretamente o óvulo; na convencional, deixam o óvulo exposto a um conjunto de espermatozóides e o mais “esperto” chega primeiro, muito parecido ao processo natural do corpo humano. Bom, eles não sabem que técnica seus óvulos responderão melhor, por isso, optam por utilizar as duas. No meu caso, 3 óvulos foram fecundados por micro injeção e 2 óvulos por fertilização convencional.

 

Daí, você precisa esperar o dia seguinte para saber quem virou embrião e que óvulo não deu em nada.

 

Lá fui eu avisar para a família e os amigos! Olha, sou da filosofia que ou você tem um segredo e não conta para absolutamente ninguém, ou relaxa e conta para todo mundo. Meio segredo não existe e dá um trabalho danado! E para quem você já contou, não é justo deixar na expectativa de uma resposta.

 

Eu realmente acredito que a família e os amigos estão torcendo para nosso bem, do jeito que sabem, com boas energias, com pensamento positivo, rezando, orando, falando mais ou calados, não me importa a maneira que cada um acredita. Quem sou eu para julgar? Mas sim, acredito que a boa intenção atrai coisas boas! E me sinto privilegiada pelo carinho que tenho recebido de todos os cantos, até de gente que nunca vi!

 

Assim que seja o que tiver que ser, mas quem vier será concebido com centenas de padrinhos! Praticamente uma suruba cósmica! Porque nunca tivemos tanta gente no nosso quarto!

 

Brincadeiras à parte, obrigada por quem participou de alguma maneira (mais ou menos declarada) desse processo.

6 comentários em “Décimo dia: a retirada dos óvulos!”

  1. Que bom! Fico feliz que tudo tenha saìdo bem e, sobretudo, q vc esteja 100% recuperada.
    A onda de boas vibraçoes seguem desde aqui tb! Desejo, de verdade, que da pròxima vez q formos a Madrid, meu Pequeno tenha com quem (ou “quens” …rs) dividir as batatas 😉
    Bjos!

  2. EStava procurando um lugar para desabafar sobre esse tema….
    Hoje eu fiz a minha retirada de óvulos, exatamente igual ao que nossa amiga descreveu aqui.Eu tenho 42 anos, estava com 05 óvulos no ovário esquerdo e 01 no ovário direito, qdo acordei da anestesia já ouvi os médicos falando, foram 02……à tarde o médico me ligou dizendo que só ficou 01, eu chorei sozinha….porque os outros 05 folículos estavam vazios, efeitos da endometriose de muitos anos.
    Tanto hormônio ,tantas injeções ..e só unzinhoooo. bom melhor que nenhum, né.
    Eu vou tentar de novo,pelo menos mais 02 vezes.

  3. Oi, Celia! Enquanto há óvulo há esperança! 😀 Bom, se você se animar a ler os próximos posts, te adianto que cheguei a engravidar e perdi com quase dois meses. Enfim, coisas da vida… Agora estou tentando em outro médico, de maneira mais natural, e estou mais tranquila com o tema. Vamos ver o que o ano do dragão nos reserva, né? Besitos

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