Um dia bom

Pois é, passado o furacão de dúvidas, decisões e feijoada do Luiz, entrei em uma fase diferente, a de começar a visualizar as mudanças.

 

Sei que tudo é muito recente e a gente não tem idéia dos possíveis resultados, mas eu sou aquela pessoa que detesta surpresas. Gosto de me preparar, de me antecipar. Não acho que por isso a gente deva deixar de viver o presente, mas digo no sentido te ter uma estratégia. Acho bom ter o plano A, o B e o C. Na hora do vamos ver a gente pode improvisar um pouco, mas sempre melhor improvisar com algumas cartas na manga.

 

E vamos combinar, se depender do apoio da família e da torcida dos amigos, é sucesso garantido! Nesse aspecto, não posso reclamar da sorte que temos.

 

No início do mês que vem, provavelmente por volta da primeira semana de outubro, a gente começa o tratamento de fertilidade para valer. Sei que com tudo que está envolvido e com o turbilhão de hormônios que se aproxima, não deve ser um período simples. Olho para uma sacola de compras cheia de caixas de remédios e penso, quanta coisa tem que entrar para sair um bebê! Não tenho como evitar os inconvenientes que virão, mas posso tentar fazer com que as coisas não cresçam mais do que o necessário.

 

Acho que, a partir de agora, passaremos umas duas semanas de calmaria e logo chegará a tempestade. Tudo bem, sabendo que ela vem, melhor armar os guarda-chuvas, não é mesmo?

 

Estou me cuidando em muitas frentes, no que só tenho a ganhar. Por exemplo, acho que de um modo geral somos bastante corretos com a comida. Sempre tem um dia ou outro de excesso, mas na média me alimento muito bem. Ainda assim, redobrei esse cuidado e estou tentando ser o mais saudável e equilibrada possível.

 

Também aumentei o ritmo de exercícios para 5 vezes na semana. Normalmente, ou corro, ou vou ao Pilates. Alguns dias, inclusive, faço as duas coisas. Acho que isso vai me ajudar a não implodir com os hormônios, além de aumentar o nível de endorfina que é uma mão na roda! E o principal, para uma mulher, nesses momentos complicados e de possíveis frustrações, convenhamos, ajuda muito ter a bunda dura!

 

O que me faz lembrar de uma brilhante amiga carioca, que em um período de crise pessoal tinha orçamento para fazer terapia com um bom analista ou se matricular em uma academia de ginástica. Elegeu a segunda opção e me ilustrou com a seguinte pérola: minha cabeça está ferrada mesmo, vou continuar tendo problemas com ou sem analista… então, pelo menos é melhor ter problemas com a bunda dura! Uma sábia!

 

Muito bem, voltando ao tema, com tudo isso rolando, obviamente é meu principal pensamento todos os dias, fica difícil ter qualquer outra prioridade.

 

Daí, duas coisas me ocorreram, a primeira é que o caminho começa quando decidimos caminhar e não quando colocamos o pé na estrada. E a segunda é que, em breve, todas minhas prioridades vão mudar. Não serei outra pessoa, mas terei novos hábitos, horários, compromissos e por aí vai.

 

No que diz respeito ao caminho, me dei conta que já estou nele desde a hora em que disse sim. Entretanto, todo o contexto me distraiu e acho que é hora de começar a desfrutá-lo (ou, eventualmente, me assustar!). O jogo não vai começar, já começou, estejamos prontos ou não. Eu já sou mãe e Luiz já é pai, simplesmente estamos de altas por alguns meses e não sabemos por que buraco essa criança vai sair, aliás, literalmente. Podemos aproveitar esse tempo para resistir, adiar, sofrer ou aprender. Eu quero aprender.

 

Algumas fichas começaram a me cair, como por exemplo, em uma situação normal, você fica esperando para ver se sua regra desce e, com isso, se engravidou. No meu caso, se chegarmos até a etapa de implantar os embriões, já saio do médico tecnicamente grávida! Ou seja, minha espera é para saber se aborto ou não. É forte e é melhor me preparar.

 

Pois bem, mas sejamos otimistas e vamos acreditar que tudo dará certo. Nessa hipótese, comecei a pensar no segundo caso, que minhas prioridades vão mudar. Comecei a imaginar como seria meu dia, o que deveria fazer, quais seriam as atividades nas coisas mais básicas como ter tempo para comer ou ir ao banheiro de porta fechada. Resumindo, acho que terei dias de querer sair correndo e outros de felicidade extrema, mas em ambas situações, tudo será diferente.

 

Minha rotina é bastante livre e meus horários muito flexíveis e é bem provável que estranhe voltar a ter compromissos inadiáveis. Ao mesmo tempo, pensei que ainda assim, com toda essa liberdade, eu dificilmente estou desocupada. Ninguém tem todos os dias de férias ou fim de semana. É interessante notar que de uma maneira ou de outra, a gente se ajusta à semana de trabalho, mesmo se não tiver um trabalho fixo.

 

Daí eu pensei, por que vou esperar ficar totalmente ocupada com a família para reclamar que não tenho tempo para mim? Se tenho hoje a liberdade, por que não aproveitá-la? Depois é outra coisa, não quero ter do que me lamentar.

 

Tenho um casal de amigos que teve gêmeos, há cerca de um ano. Desde o princípio, ele e a mulher tiram uma  noite da semana para eles. Faça chuva ou faça sol, nas quintas-feiras está contratada uma  babá e eles saem os dois para jantar sozinhos. Achei sensacional! Está anotado no meu caderninho, não esquecer que tenho vida própria e também uma vida de marido e mulher!

 

Inspirada neles, pensei que também podia tirar um tempo para mim. Decidi ter um dia para fazer coisas legais! Assim do nada, no meio da semana e porque sim.

 

Acordei cedo, esperei o ruído que Luiz estava indo trabalhar e levantei. Muito bem, adoro tomar um super café da manhã, mas nos fins de semana estamos sempre com sono para fazer isso fora de casa. Pois me arrumei com a roupa de ginástica e fui tomar café no Le Pain Cotidien, sozinha e curtindo minha companhia, modéstia às favas! Ovo quente, capucchino com café descafeinado, pão de cereais com manteiga e presunto, suco de laranja e algumas frutas e um tomate que vieram na decoração. Eu sempre como os enfeites!

 

De lá, fui para o parque correr. Adorei passear pelas calçadas e ver as lojas ainda abrindo e tudo começando devagar.

 

Na volta para casa, depois de suar a refeição que foi meu café, parei em uma loja de sucos e tomei um de manga com abacaxi e laranja. Geladinho, amo sucos naturais, sem açúcar nem nada!

 

Abrindo a porta de casa e já pensando em tomar um bom banho, outra idéia me ocorreu, por que não ir a um hamman? Assim, ao invés de um banhozinho qualquer de chuveiro, me banho em três piscinas térmicas! Ainda rola uma sauna e uma massagem básica! Fechado!

 

E lá fui eu para o hamman!

 

No trajeto observei as ruas que tanta gente atravessa o oceano para conhecer e eu tenho embaixo da minha porta. Acho que devia passear mais, inclusive é grátis!

 

Depois de relaxar na água, meu elemento, e soltar toda a musculatura em uma massagem de meia hora, saí pelo centro da cidade leve e achando tudo lindo!

 

Só tinha um detalhe me incomodando, começou a me dar a maior fome. Seguindo minha linha do dia, pensei, o que eu quero comer? Já sei, sushi! Bom, mas são 16 horas, onde vou achar comida japonesa agora?

 

Achei, no Mercado de San Anton. Aliás um lugar elegante, moderno e agradável. Verdade que tudo é um pouco caro, mas não tem milagre e era o meu dia de fazer coisas legais!

 

Comi devagar observando a arquitetura e os cabos de metal que se entrelaçavam em linhas tensas, como nos meus trabalhos de arte. Deu vontade de voltar a criar, de fazer outra exposição. Sinto que não vou demorar a me debruçar sobre o papel de seda, estou com vontade de voltar a esse mundo.

 

E assim voltei para casa, pensando que deveria ter outros dias como esse, por que não?

 

Não preciso de um dia inteiro sempre, ninguém normal tem tempo nem dinheiro para isso, mas tem pequenos atos que estimulam a mudança. O que posso tentar fazer diferente hoje? Comprar flores no caminho de casa, resolver subir de escada ao invés de elevador, começar a ler um livro, usar uma roupa de outra cor. Tem coisas muito simples que a gente vai deixando de lado sem perceber e quando vê, caiu em uma rotina chata.

 

E esse é um risco maior para quem tem filhos. Não por causa dos filhos, é o casal mesmo que acaba usando a desculpa fácil do cansaço e da falta de tempo, ou espaço, ou dinheiro, ou qualquer coisa.

 

Não tenho certeza do que vou inventar amanhã, mas estou disposta a começar meu dia com essa pergunta: o que quero fazer diferente agora?

5 comentários em “Um dia bom”

  1. Oi, Bianca!
    Pois esse é o “Q” da questao: ter filhos nao significa acabar com sua vida, com seus desejos, com seus anseios, com seus hàbitos. Nao é, òbvio, tudo cor de rosa: no inìcio a gente perde sim um pouco de tempo, mas porque eles sao totalmente dependentes de nòs, pouco a pouco a gente vai aprendendo a se organizar, acabamos entrando na rotina deles mas, fundamentalmente, é preciso fazer com que eles tb entrem na nossa rotina. Nao precisa deixar de ir na ginastica, nem correr no parque, nem sair pra comer com as amigas (ou sozinha mesmo). O que muda sao os horarios (ao invés de correr de manha, corre a tardinha, qdo o Papai chega em casa e pode ficar de olho na criatura …rs). Nao precisa deixar de viajar por ter um bebe. Bebès tb viajam. Basta que a gente tb coloque programas pra eles (ao invés de passar 5 horas dentro de um museu, por exemplo, a gente passa 3 e depois vai pra um parquinho, pra eles curtirem tb). E, o principal, qdo a gente se transforma em mae nao significa que viramos somente isso. Continuamos mulher, amante, sensual e com todos os desejos de antes (em todos os sentidos …rs) … é super importante jamais esquecer da vida a dois e reservar momentos somente pra vcs. Isso é difìcil qdo estamos longe da famìlia e nao temos apoio, por exemplo, de vovòs ou titias por perto. Mas, vez que outra deixar com a babà nao é pecado algum, nao? Agora, uma coisa te digo, muitas vezes, em meio a um jantar romantico, vc se pega pensando se a criaturinha tà dormindo ou nao, comeu ou nao … e ao chegar em casa, por mais que a balada tenha sido òtima e tenham chutado alguns baldes (essa expressao aprendi aqui no teu blog …rs), antes de ir ao banheiro tirar a maquiagem, é parada obrigatòria espiar no vaozinho da porta o soninho mais tranquilo desse mundo 🙂
    E olha que nem me considero uma mae “nheco-nheco”, hein? hehehehe
    Bjao! E muitos dias bons pra vcs!

  2. Hahaha a Paty chegou antes porque eu tbem adoro comer os enfeites rsrsrs. Amiga, esse dia especial realmente é tudo de otimo e acho que todo mundo tem que ter um dia especial 🙂 adorei:-) agora que ja tenho elevador, acho que um dia da semana subirei de escadas 😛 !!! Linda cronica de voce ! Milhoes de beijos

  3. Amiga,

    estou muito feliz… e emocionado com a decisão de vcs… com certeza um filho(a) de um casal de pessoas tão especiais.. vai ser uma pessoa maravilhosa!!! Não pude deixar de me lembrar da noite, num bar de Copa, onde já enebriados de muia conversa e alcool… vc disse para o Luiz que ia ter uma filha dele!!! Estou muuuito feliz!!! demais da conta… to na torcida!!! Matheus chega em 2 semanas no máximo… AMO VCS 2!!! bjs Flávio, vulgo DART

  4. Prima,
    Sua capacidade de traduzir em palavras nossos pensamentos e percepções chega a assustar, tanto pela escolha exata das palavras, quanto pela verdade dos sentimentos. Agora é pensamento positivo!!!!!! Beijo grande!

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