Jerusalém

Fervorosos religiosos que, pelo título, vieram parar nesse post, aviso que talvez não seja a leitura mais adequada, sou politicamente incorreta pacas, então melhor buscar outras referências e todos seremos felizes, ok? Mas se quiser seguir sem julgamentos, seja bem vindo!

Então já vou começar com uma piadinha que diz mais ou menos assim, o Papa resolveu dirigir na estrada e trocou de lugar com seu motorista. Saiu a toda velocidade e acabou sendo pego por um radar. O carro da polícia sai correndo atrás deles e manda encostar. Salta um policial para pedir os documentos e quando a janela do motorista abre, aparece nada mais nada menos que o Papa! O policial meio sem jeito, diz que ele pode seguir a viagem e volta para o carro. O outro policial pergunta:

_ E aí, multou?

_ Eu não, não quero encrenca para o meu lado…

_ Mas quem estava no carro?

_ Olha, não olhei, mas o motorista é o Papa!

E quando o motorista é o Papa…

Por que contei isso? Veja bem, fomos visitar a cidade acompanhados por um guia que nos buscou no hotel bem cedo e ficou conosco até o fim da tarde. Acho que valeu muito à pena e recomendo uma visita monitorada, pelo menos da primeira vez, ou corre-se o risco de perder uma série de detalhes importantes. Bom, ele era um senhor judeu, nativo em Tel Aviv e ferido na guerra do Yom Kippur. Ou seja, definitivamente não era católico e, assim mesmo, algumas vezes tirava a bíblia para nos dar referências geográficas de onde estávamos. Exatamente, ele não estava pregando com a bíblia e sim utilizando-a como roteiro.

Isso mesmo, galera, o guia oficial por escrito de Jerusalém é nada mais nada menos que a Bíblia!

E quando o roteiro da cidade visitada é a bíblia…

Vamos combinar que o assunto fica mais sério! Acho que foi quando minha ficha caiu do peso (no mínimo) histórico que estávamos prestes a experimentar. Impressiona!

Jerusalém fica há cerca de uma hora de carro de Tel Aviv. Esperava que a estrada fosse árida e seca, mas havia muito mais verde do que imaginava. A estrada é boa e segura hoje em dia, mas nosso guia ia nos contando de como era no passado e da quantidade de emboscadas feitas durante esse mesmo trajeto. Achei interessante o tom de informação sem mágoa, vinda de uma pessoa que sentiu na carne os ferimentos de combate. Não tenho como saber seus sentimentos reais, mas juro que não notei ressentimento, e sim esperança em uma eventual e futura conciliação. Porque é muito fácil para a gente que está de fora falar em paz e união, mas para quem está na mira da bala, não é tão simples assim. Para ele, por mais que déssemos voltas em ideologias e crenças, no fim das contas, o ponto decisivo sempre acabava sendo dinheiro. De qualquer maneira, para mim que havia praticamente perdido as esperanças de uma pacificação nessa zona, pude notar que apesar dos enormes pesares, muita coisa evoluiu para o bem e não deixou de ser uma mensagem de otimismo e respeito.

Nesse clima, chegamos à cidade. Achávamos que havíamos escolhido bem o dia, porque pensei que o mais cheio fosse no domingo, por causa das missas. Ledo engano! Acontece que estávamos em Israel, lembra? Segunda é dia de bar mitzvah e a cidade estava bombando! Achar uma vaga não foi mole, mas demos sorte.

Esperava que Jerusalém fosse pequena, mas é bem grande. O que se visita, digamos assim, dentro dos muros da antiga cidade, deve ser algo por volta de 1 km2.  Mas até você chegar nesse centro histórico, é uma cidade grande como outra qualquer.

Pelo caminho, uma quantidade de judeus ortodoxos pela rua, com chapéus que nunca tinha visto antes! Alguns de pele, inclusive. Era um pouco bizarro olhar os pontos de ônibus repletos desses homens de chapéus engraçados, mulheres com roupas de festa um pouco cafonas, algumas muito cobertas, outras de mini saia!

E quando entramos no centro histórico, a mistura é ainda maior, porque juntam com os turistas de mil línguas, peregrinos, religiosos, curiosos, uma babel que me parecia organizada, apesar de tudo. Era vivo e talvez um pouco confuso, mas não era caótico.

O primeiro lugar que fomos foi o Monte das Oliveiras, de onde se pode ver de um lado Israel e do outro a Jordânia. A diferença de paisagem é absolutamente radical! O lado Israelense tem vegetação e o lado Jordão é um deserto.

Lado Israelense
Jordânia, vista do Monte das Oliveiras

Dali você tem uma vista panorâmica de Jerusalém e das suas fronteiras. Destaca-se a cúpula da Roca (a cúpula dourada de uma enorme mesquita). Os muçulmanos acreditam que esse foi o lugar de partida da Al Miraaj, viagem aos céus do profeta Maomé. Considerando que os judeus são proibidos de caminhar por esse trecho devido a tal motivo, parece conveniente escolher esse lugar para Maomé viajar para os céus, não? Mas enfim, nessa briga esotérica político religiosa não vou me meter!

Bom, o Monte das Oliveiras recebe esse nome por motivos óbvios, ali existe um bom número dessas árvores com troncos larguíssimos que descrevem sua antiguidade. É onde se encontra a Igreja da Agonia, não sei se seria essa a tradução. Mas pelo que me lembro dos estudos no colégio, foi onde Cristo se isolou por 40 dias e 40 noites (ou seriam 7 dias e 7 noites? 40 era Noé?). Enfim, ali ficou sabendo do seu futuro flagelo. É quando ele pede ao pai que afaste dele esse cálice, mas logo se entrega e confia em sua vontade.

Também nessa região fica o Horto de Getsemaní, onde acredita-se que Jesus foi traído por Judas.

Ainda nessa zona, há a Igreja da Assunção e a tumba de Maria. Não é comprovado que é a tumba de Maria, mas acredita-se que pode ser aí, e se isso é verdade, a tumba de José seria uma outra que está à sua direita.

Muito bem, daí seguimos para o centro histórico propriamente dito. A cidade velha está rodeada por oito portas de acesso, a principal porta de entrada, por onde Jesus teria entrado pela cidade, foi literalmente fechada pelos muçulmanos. É que os judeus acreditam que quando o verdadeiro messias chegar à terra, entrará por esse portão, daí os muçulmanos fecharam, porque fica no seu lado da cidade. Mas tudo bem, porque os judeus acreditam que  não é um simples muro que vai impedir o messias de passar, afinal, tipo assim, ele é deus, né? Pode passar por cima. Enfim, esse assunto vai ficando muito surreal  para Bianquinha!

Para entender melhor esse rolo, é bom saber que a cidade é dividida em quatro bairros: judeu, cristão, muçulmano e armênio. Quando passamos de um bairro a outro, parece que literalmente mudamos de país! Ainda que seja a mesma cidade, as diferenças são nítidas.

Olhar para esse quadrado de terra e imaginar como pode esse pedacinho de chão em território árido ser o coração de tantos conflitos pelos quatro cantos do mundo é algo muito forte. Estamos falando simplesmente do berço de três religiões, nada menos que o judaísmo, cristianismo e islamismo! Uma cidade, que independente de sua fé ou crença, gerou um fato que mudou o calendário do planeta. E ainda assim, quase que paradoxalmente, nunca foi um lugar de paz.

Até hoje a convivência de toda essa mistura é complicada. Para os muçulmanos, a Cúpula da Roca (Rocha) é o local onde Maomé ascendeu aos céus. Apesar do seu formato, não funciona como mesquita, seu principal objetivo é guardar a “santa rocha”; para os judeus, essa mesma rocha foi o local do sacrifício frustrado de Isaac e onde Salomão ergueu o primeiro templo judio, em 960 A.C. Os judeus seguem rezando no Muro das Lamentações (parte da parede desse templo de Salomão, do lado judeu). E os cristãos seguem peregrinando até o Santo Sepúlcro, por uma Via Crucis que já mudou de lugar algumas vezes e passa pelo lado muçulmano. Sim, tudo isso está junto no mesmo espaço, mas não tem nada a ver com paz ou integração.

Desde a época de Jesus, a cidade já foi conquistada 11 vezes e totalmente destruída por 5 delas. A Jerusalém bíblica, segundo especialistas, se encontraria a cerca de 20m abaixo da terra de hoje, ou seja, não é o mesmo lugar de 2000 anos atrás.

Mesmo sabendo de tudo isso, é emocionante estar ali? Putz, para caramba! Só estou avisando que está muito longe de ser um paraíso de serenidade.

Bom, os cristão costumam estar bastante curiosos por realizar a peregrinação que Jesus fez até a crucificação. A Via Dolorosa, ou Via Crucis, está em sua maior parte no lado muçulmano e pode ser visitada normalmente. Na prática, se encontra em meio a um comércio e, como já disse, não há provas “científicas” que Jesus passou por aí mesmo, mas os cristãos percorrem esse trecho com bastante fervor e acredito que se não era, virou verdade. As cinco últimas, das 14 estações, ficam no bairro cristão e terminam na igreja do Santo Sepulcro, onde acredita-se que Cristo foi sepultado. Mas já vou chegar lá!

Não sei dizer se conheci tudo ou se fui aos pontos mais importantes, mas vou contar dos lugares que fomos os que mais me marcaram. Portanto, mais do que uma referência de viagem, o que posso oferecer é uma experiência pessoal.

Quem acompanha o blog sabe que sou ateísta, não escondo isso de ninguém, como também não escondo o respeito que tenho pela crença das pessoas. Talvez sabendo disso, na viagem a Jerusalém, tinha uma série de amigos e pessoas da família que me pediam para serem lembradas de alguma maneira, outras era eu mesma que achava que gostariam de ser lembradas. Aceitei o encargo com boa vontade, mas me preocupava um pouco a consciência sobre minha falta de fé. Tem coisas que não dá para se fazer de mentirinha ou só um pouquinho. E eu queria a experiência inteira.

Busquei vivências pessoais passadas no que tivesse mais parecido a fé ou tentei me lembrar de momentos em que ainda acreditava, enfim, de certa maneira, a vontade que as pessoas queridas melhorassem ou se curassem de verdade me motivaram a buscar o que não tinha e talvez esse tenha sido um pequeno milagre, dependendo da interpretação de cada um. Simplesmente decidi que nesse dia em especial eu seria uma pessoa de fé e acabou. Sem cobranças e sem explicações.

Dentro desse contexto, minha perspectiva se ampliou e a quantidade de sensações e emoções que vieram no pacote são indescritíveis. Fico feliz de ter vivido um dia assim.

Mas vamos lá, minha igreja favorita foi a “Sleeping Mary”, onde segundo a bíblia, Maria faleceu. É um espaço de energia totalmente feminina, limpo e sem aquele turbilhão turístico que sempre me incomoda um pouco. No andar inferior se encontra uma imagem de Maria como uma bela adormecida sendo guardada por imagens de santas mulheres sobre ela. O que vou dizer deve ser considerado uma heresia, mas me lembrou um grupo de bruxas alegres e unidas como em uma irmandade secreta. Ali deixei alguns nomes em um livro de pedido de graças e orações. Foi onde me senti melhor.

No chão, são símbolos do zoodíaco!

Seguimos caminhando pela cidade e às vezes entrávamos em alguma igreja ou templo, nem sempre sei a diferença. Era um pouco confuso, mas também intrigante ver no mesmo espaço símbolos judeus, altares católicos, aviso de que lado estava a direção de Meca, uma missa celebrada por indus, uma sinagoga com judeus etíopes… Outras vezes, passávamos em meio a algum tipo de celebração, por entre pessoas quase que em transe religioso e era como se estivéssemos assistindo a um filme de tão surreal! As pessoas simplesmente ignoram quem está ao lado ou passando, não em um sentido ruim, mas porque estão dentro de sua própria viagem. Eu também seguia minha própria viagem.

Possível local da Santa Ceia

E em todos esses lugares íamos pensando em quem acreditávamos que precisava de ajuda, em quem queríamos que estivesse melhor, enfim, o pensamento era sempre para um bem maior.

Fomos também a um museu arqueológico e a placa na entrada intimidava: algo como ao descer 3 metros de altura, voltávamos 2 mil anos de história.

Até que finalmente chegamos ao Muro das Lamentações. Não é difícil conseguir informações históricas do que se trata, mas para mim, foi o momento mais emocionante de todo o dia. Nem sei explicar exatamente porque, afinal, não sou judia, mas era o lugar que tinha maior vontade de estar dentro de Jerusalém. Talvez seja pelo fato de sua história não estar aliada a um poder sobrenatural, toda a energia que emana foi trazida pelas pessoas ao longo dos anos. E não há dúvidas que foi ali mesmo.

Muito bem, o costume é escrever papeizinhos com seus pedidos e colocar entre as ranhuras do tal muro. Há uma divisão, no lado direito ficam só as mulheres e o lado esquerdo só os homens. Não é escondido ou secreto, você vê claramente os dois lados, simplesmente vão mulheres para um lado e homens para outro.

Na noite anterior, escrevi um monte de papeizinhos para cada pessoa da minha família e alguns amigos, com o pensamento super concentrado e voltado para eles. Levei na bolsa e pedi que Luiz colocasse para mim. No lado masculino há mais espaço para isso, acho que os homens pedem mais. Mas falando sério, achei que assim também fecharíamos um ciclo de energia e iria um pouco de cada um.

Comigo foi apenas o meu papel e entrei sozinha. Foi o único momento do dia que pedi só para mim. E foi como se não existisse mais ninguém no mundo, só eu e a parede, agora o papo é entre nós!

O que pedi não é um segredo, quero ser mãe. Pela primeira vez não me importou que fosse menino ou menina, nem que fosse meu sangue. Acho que entendi quando as mães dizem que tanto faz, que só importa que tenham saúde. É muito mais que um jargão maternal.

Chorei igual criança, um vexame! Mas ninguém ligou ou eu não percebi. Saiu como um desabafo, uma válvula de pressão. Foi intenso e rápido. Não demorei a me recompor e aparentar meu habitual controle para encontrar Luiz e o guia. Mas estava mexida e emocionada, ainda bem que levei meus óculos escuros!

Dali fomos comer no bairro muçulmano. Uma birosca simples, mas segundo o guia, de comida barata e confiável, ainda que ele não nos recomendasse a carne, por não garantir a procedência. Comemos hummus, falafel, salada de tomates com pepino e pão pita. Estava fresco e resolveu o assunto! Para os atendentes deveria ser um sacrifício nos servir, afinal, estavam em pleno Ramadan.

O contraste ao entrar no bairro muçulmano é gigantesco. Passamos um portão e parece que entramos em um túnel do tempo ou algo assim. Até as roupas das pessoas era diferente! O comércio de rua lembrava bastante os mercados de Istambul.

Daí, no meio desse comércio, você descobre que já está na Via Dolorosa, ou Via Crucis. Ok, já disse que não há uma prova propriamente dita que Jesus passou exatamente por ali e blá blá blá, mas há uma probabilidade de ser por essas redondezas, simplesmente algumas camadas mais embaixo. O fato é que já faz um tempo que os cristãos realizam o ritual de passar por essa rota com toda sua carga de fé e é difícil passar por um lugar assim indiferente.

De qualquer forma, me pareceu algo bizarro haver nesse mesmo trajeto, fiéis, cruzes, lojas, restaurantes, gente morando. Fiquei imaginando os diálogos:

_ E aí, Yoseff, passa lá em casa para tomar um café!

_ Onde você mora?

_ Na Via Dolorosa, mais ou menos pela estação em que Verônica enxugou o rosto de Cristo, em frente ao açougue do Said…

_ Onde tem a padaria?

_ Não, a padaria é depois, já é onde Jesus encostou a mão na parede!

Sei lá, para quem mora por ali, essa conversa deve parecer normal, né?

Enfim, para ser sincera, a Via Crucis mesmo não me trouxe grandes emoções. Achei o aspecto histórico e os contrastes interessantíssimos, mas nada muito além disso.

E assim chegamos ao ponto final do dia, a visita ao Santo Sepúlcro! Esse é o local onde Cristo haveria sido crucificado, envolto no sudário e sepultado. Naquela época, o local ficava fora das muralhas da cidade, onde aconteciam as execuções. Hoje em dia não é a céu aberto, construíram uma enorme basílica nesse local. Na verdade, nem sei dizer se é uma igreja só, é uma mescla de capelas interligadas e com estilos de épocas diferentes.

Outra vez, não há uma comprovação definitiva, mas há indícios fortes que o local foi esse. É considerado o lugar mais sagrado de Jerusalém.

Dentro do Santo Sepúlcro, há três lugares que chamam mais a atenção. O primeiro é a capela construída sobre a rocha de Gólgota, possivelmente, onde foi erguida a cruz de Cristo. Há uma outra capela minúscula onde se guarda a pedra que os anjos apartaram do seu sepulcro. E finalmente, uma pedra maior retangular, onde se acredita que o corpo de Jesus foi repousado após a crucificação.

Esses três lugares passam obviamente por peregrinação intensa. Para as duas capelas, havia filas gigantescas! Para a pedra onde Cristo foi repousado, e a que me interessava, era mais tranqüilo.

A confusão da fila para tocar na rocha de Gólgota me fez sentir tentando entrar em alguma atração da Disney. Sensação essa que me fez desistir na hora e sentar com o guia para esperar Luiz. Ele também desistiu e veio logo em seguida.

Fomos até a segunda capela, a da pedra do sepulcro, e também havia uma fila irracional. Disse, deixa para lá, vamos para a terceira pedra e depois, se aqui estiver mais vazio a gente vê o que faz.

A terceira pedra, que na verdade fica logo na entrada da basílica, seria onde Jesus foi deitado após sua morte. Há um ritual de abençoar crucifixos nesse local. Não é feito por padres ou nenhum religioso. Simplesmente você coloca a cruz entre a pedra e sua mão e é você mesmo quem abençoa o objeto. Era aí onde éramos encarregados de ser os porta-vozes da família e dos amigos. E também por nós mesmos.

Geralmente as pessoas se ajoelham, algumas também beijam a pedra, enfim, não consigo me ajoelhar, tenho dois joelhos operados. Então, só sentei ao lado do Luiz e reuni tudo que conseguisse de fé, afinal, já havia praticado um pouquinho durante o dia. Procurei pensar em cada pessoa, uma de cada vez, e lembrar o que precisavam de verdade. Nem percebi, mas acho que entrei em algum tipo de transe e não tenho muita noção de quanto tempo fiquei ali. Só pensei nisso depois, quando me dei conta que Luiz já havia acabado, levantado, tirado fotos, inclusive minhas… assim que devo ter demorado.

Ele quis subir para tirar algumas outras fotos e fiquei com o guia conversando um pouco e voltando ao mundo dos vivos. Ele me contou que a pedra era cheirosa, provavelmente devido à quantidade de incenso sempre pairando sobre ela. Esfregou a mão e me mostrou. Achei legal, esfreguei minha mão também e fiquei com aquele aroma gostoso de incenso comigo. Intuitivamente, levei a mão à barriga, quem sabe me dá uma forcinha!

Luiz voltou e resolvemos voltar à segunda capela, para ver se a fila estava menor. Incrivelmente estava! Chegamos entre um grupo e outro e conseguimos tocar no tal fragmento de lápide. É muito rápido, na dúvida, pedi saúde.

Ainda visitamos um pouco as redondezas da basílica, uma mistureba de estilos e colunas às vezes sobrepostas.

Saímos do Santo Sepúlcro e nos dirigimos ao carro, aí acabava nosso intenso dia. Estava moída, uma sensação de que iria desmoronar, como se toda minha energia tivesse saído do corpo.

Aconteceu um evento meio esquisito, que não tenho vontade de compartilhar, talvez em algum momento, porque é bastante pessoal e não tenho o menor interesse em motivar especulações. Melhor me hidratar. Compramos água no caminho para o carro e fui me recuperando.

O trajeto de volta foi bem mais calado que o da ida. Estávamos todos exaustos e tinha muita informação na cabeça para absorver, muitas sensações para entender e o mais importante, a certeza que havia passado por uma experiência única.

Shalom!

12 comentários em “Jerusalém”

  1. FANTASTICOOO Viajei contigo nos seus relatos. Ta ai um lugar que eu nao tinha a menor vontade de conhecer… to comecando a mudar o pensamento. Valeu ter compartilhado com a gente !
    Abcs.

  2. Adorei o seu relato. Gosto de ler diferentes opiniões sobre os locais e achei que vc voltou diferente do que foi. Mera impressão eu sei, mas achei… Abraço, Jamile

  3. Oi Bianca eu fico super feliz quando encontro um ateu, porque sei por experiencia que sao as pessoas que tem a maior fe do mundo, minha filha esteve em Jerusalem trabalhando na Universidade, aprendendo novas tecnicas de microbiologia, um amigo a levou em todos sitios, e tambem ela o que mais gostou foi a Igreja de Maria. Adorei seu relato tao pessoal tao cheio de fè. Tenho certeza que Deus ouvira suas preces e atendera seus pedidos.
    Alias ninguem vai a Israel e volta o mesmo. Eu por motivos pessoais o que mais quero conhecer e o museu as Vitimas do Holocausto.
    Bem um beijo.

  4. Eu tb viajei no teu relato 🙂
    Parabéns pela maneira tao pura, detalhista mas nao pesada, com que consegues transmitir as palavras!
    Sabe q eu até me emocionei? Tb nao pertenço a nenhum tipo de religiao, mas assim como tu, respeito à todas.
    Talvez pela existencia de tantas culturas, històrias e religioes misturadas, faz deste um lugar cheio de energia e fé, independente de qual seja o deus.
    Bjinhos!

  5. Bianca, obrigada por partilhar sua experiência. Confesso que em vários trechos do post as lágrimas foram escorrendo. Ainda vou voltar aqui várias vezes para reler linha a linha. E saber que tenho um pedacinho deste lugar (dois!) comigo, é algo que não dá prá descrever.
    Shalon, besitos!

  6. Oi, pessoal!

    Obrigada! Podem viajar à vontade! 🙂 Até meu primo apareceu! rs.

    Sim, voltei diferente, acho que sempre volto diferente. Ou, se formos filosofar um pouco, nunca volto, sigo indo 🙂

    Selma, também volte à vontade! E sim, tens um pedaço desse lugar 🙂 Dá para levar a Beatriz sem grandes problemas (além das complicações normais de sair com uma criança de 3 anos), é um pouco cansativo, mas não precisa fazer tudo em um dia só. Tem algumas escadas, não dá para ficar no carrinho o tempo todo, mas acho que em boa parte dá e estamos falando de 1 KM2, lembra? Fica a uns 70km de Tel Aviv, dá para ir e voltar tranquilamente. E Tel Aviv é super children friendly!

    Besitos

  7. Oi, Bi!

    Confesso tb que a idéia de Jerusalém nunca tinha me chamado atenção. Talvez tb pelo pensamento de “será que é verdade ou foi aí mesmo ou ainda sim: será que dá pra acreditar em toda a história” nunca dei maior importância ao lugar.

    Tua maneira de expor a experiência fez com que eu mudasse o jeito de ver todo o lugar. Interessantíssimo e magnífico. Creio que são as palavras que melhor posso classificar o teu relato.

    Sabe o carinho que tenho por vc, ainda mais por ser uma Amanda. Estou certa de que um dia, de alguma maneira, conseguirá teu maior desejo!

    Beijãozão enorme!

  8. Adorei….
    :`)

    (vc escreveu que é mais facil botar papelzinho no muro dos homens pq eles pedem mais? Nâo seria pq eles pedem menos e sobra mais espaço?)

  9. Valeu, dona Amandita 😉 Recíproca verdadeira!

    Vanessa, o espaço no muro para os homens é muito maior e as frestas na parede também!

    Besitos meninas

  10. Adorei seu relato que me deixou arrepiada em alguns momentos!!!Que cidade fascinante e quanta energia concentrada, heim?
    Valeu! Besos

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